Mostrar mensagens com a etiqueta atlântico. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta atlântico. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Da "pérola do atlântico" para a capital do "continente"



Não sei, porque nunca fiz esta viagem, mas os preços de avião para viajar entre Lisboa e o Funchal, na Madeira, podem ser ao preço da chuva!!

Tivesse eu casa (ou familiares) num canto e noutro e não sei não... acho que vivia na ponte aerea.



Digam-me vocês. De Lisboa para o Funchal, na easyjet a 5 de Janeiro - 10 euros.


Se quiser voltar para Lisboa digamos, passado duas semanas, o mais barato são 21 euros. 

E por 31 euros, faz-se a viagem!
O problema é sempre, sempre o alojamento e as deslocações. 16 noites é muita "fruta".


Os que conhecem o trajecto, sabem como se processa após chegar ao Funchal, se a pipa de massa que se tem de soltar é muita, se os transportes são diretos para o centro ou nem por isso? 



E do Funchal para Lisboa? 

Mais tarde nesse mês de Janeiro, se partir dia 18 pela tarde, apanha-se a tarifa a 26.32 euros. Passa lá o fim-de-semana, mais a segunda e, ao final da tarde do dia 22, por 22.79€, regressa a casa. Três noites de dormida apenas e 49 euros pela viagem. Podem albegar-se num dos muitos hosteis em Lisboa que estão entre os melhores do mundo, por valores a rondar os 20 euros.

Mas se preferirem dar um "pulinho" a cidade alfacinha antes do Natal, entre 5 e 10 de Dezembro, por exemplo, o valor total da viagem de ida e volta ronda os 45 euros. Parte bem cedinho, para aproveitar bem o dia, e regressa ao final da tarde, para não ter de gastar outra estada. Perfeito! Cinco noites, cinco estadas...


Viajavam?



terça-feira, 8 de maio de 2018

Eurofestival apuramento das canções - agradam ou desagradam?


Após espreitar as canções apuradas para a final da Eurovisão, posso dizer que excluo de imediato a Croácia, Bulgária, Estonia.

A Bielarusia também. A música até tem partes giras mas o artista não a segura. Principalmente no início. Tem voz grossa mas quando tem de cantar num tom mais baixo nota-se que não tem boa voz. Pena.

Epá, não gosta da música de Israel. Nem do aparato e da intérprete. Vi outras coisas delas e percebi que só faz o que apresentou. E não acho mesmo nada de especial. É até irritante. A todos os níveis.



A Lituânia tem o que falta à Biellarusia: uma intérprete com mais capacidade vocal. A melodia é como a Portuguesa: não vai muito longe e aposta na emoção, na mensagem e na interpretação. A nossa é melhor.

No meio disto tudo a República Checa com o seu Justin Bieber acaba por soar mais agradável do que supus.
A da Irlanda também é bonita.


A da filândia é pastilha elástica. Música eletrónica de batuque sem nada de novo ou especial, com uma interpretação nada de especial e uma staging horrível e exagerado.


A da Austria não é nada de especial, no meu entender. Faltam coisas e a voz dele não é grande coisa. Nas partes mais lentas nota-se falta de potência e melodia. E o staging é estranho e desnecessário. Faz lembrar Gospel mas não tem NADA de nada... é só um tipo a gritar com um coro de Oh, ohs. E o mais estranho é que ele surge numa plataforma super elevada e o coro são silhuetas que ficam debaixo desse palco. A meio da canção o palco desce ao nível do chão e o cantor põe-se a tentar dançar e andar e cantar ao mesmo tempo. A impressão que dá é que o coro foi ESMAGADO pelo palco, ahahah. Ele simplesmente remove-se do palco mas continua a soar. Muuuuioto mal feito.



Gosto da Albânia. Da interpretação e da voz. A melodia em si não me prende mas reconheço muita riqueza, variedade na composição, diversidade, nesta canção muito mais do que em qualquer outra apresentada. De todos, é de longe o intérprete que mostra possuir um MAIOR ALCANCE VOCAL.
O que ele nos dá com a sua voz é fantástico.


Eu teria colocado nos escolhidos a Bélgica por, comparada a outras, achar superior e por uma questão de que a intérprete não começa bem mas depois dá um bom desenvolvimento (embora em palco seja muito morta quando em comparação com o videoclip e a gravação em estúdio).

Mas as escolhidas foram:

  • Austria: Nobody But You by Cesár Sampson
  • Estonia: La Forza by Elina Nechayeva
  • Cyprus: Fuego by Eleni Foureira
  • Lithuania: When We’re Old by Ieva Zasimauskaitė
  • Israel: TOY by Netta
  • Czech Republic: Lie To Me by Mikolas Josef
  • Bulgaria: Bones by EQUINOX
  • Albania: Mall by Eugent Bushpepa
  • Filândia: Monsters by Saara Aalto
  • Finland: Ireland: Together by Ryan O'Shaughnessy

A juntar-se a estas estarão as canções de Portugal e os GRANDE CINCO: Alemanhã, Espanha, França, Inglaterra e Itália. 

Portugal é automaticamente apurado por ser o afitrião e os outros "pagaram" mais e por isso, têm direito perpétuo (enquanto contribuirem mais) a ir diretamente para a final. 










quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A propósito do naufrágio do Costa Concordia


Como lisboeta que sou fez parte do meu crescimento a existência de um navio naufragado no Tejo. Nos anos 80 todos sabiam o que era o Tollan - um barco encalhado no rio Tejo. Não passava de uma protuberância visível entre as águas do rio, um casco virado ao contrário, mas a sua presença ali em frente ao Terreiro do Paço era já uma referência e, de certa forma, uma atracção turística. "Vamos ver o Tolan" passou a ser sinónimo de ir passear para a beira do Tejo no Terreiro do Paço. Faziam-se também piadas sobre a incompetência de algumas ideias do governo usando como comparação o Tollan e as inúmeras tentativas falhadas de remover a sua carcaça do rio. Poucos lhe sabiam a história, apenas apreciavam o inusitado da situação. De tanto tempo ali ficar, alguns diziam que jamais deixaria de ali estar. Mas um dia este porta-contentores Inglês desapareceu. Deixou de fazer parte da paisagem, deixou de pertencer ao rio Tejo.


Na sexta-feira dia 13 de Janeiro de 2012 (lá está esta data outra vez) o mundo ficou a conhecer outro naufrágio. Na costa Italiana junto à ilha de Giglio o Concordia, um grande navio cruzeiro cheio de passageiros embateu contra rochas, acabando por se virar e encalhar nas águas. Ao contrário do Tollan, não transportava contentores que precisaram ser removidos mas, como em qualquer tragédia marítima, vidas são ceifadas. No caso do Tollan, cujo naufrágio em Fevereiro de 1980 deveu-se a um embate com o cargueiro Sueco Barranduna, dos 16 tripulantes do navio cargueiro, quatro nunca foram encontrados. O Concórdia virou e a maioria dos passageiros foi evacuada mas também onze morreram e calculam-se 28 desaparecidos.


Há quase um século atrás, mais precisamente no dia 14 de de Abril de 1012, decorreu aquela que entrou na história como a tragédia mais mediática na história dos naufrágios de navios de passageiros. O Titanic.

Há 15 anos fiz entrevistas de rua para a escola e entre as perguntas de cultura geral encontrava-se esta: «em que ano afundou o Titanic?». Nenhum dos inquiridos soube dar uma resposta e alguns apenas tinham uma vaga ideia do que era o "Titanic". Fiz a pergunta intencionalmente. Sabia que James Cameron preparava-se para lançar um filme sobre o Titanic e quis saber até que ponto as pessoas, no geral, estavam familiarizadas com esta história, antes e depois do filme estrear. Quis ficar com um registo em vídeo do «antes» para comparar com o «depois» para então reflectir sobre a dimensão dos efeitos que um filme de Hollywood exerce sobre a noção dos factos históricos. Infelizmente a maior parte das pessoas leva tudo o que a ficção mostra à letra, mas ao menos esta serve para instruir, facultando factos e surpreendentes conhecimentos para algumas pessoas, que até então lhes eram desconhecidos.

Mas foi graças a esta tragédia do embate do Titanic - o infundável contra um Iceberg no meio do oceano Atlântico em 1912 que MUDARAM AS LEIS DE NAVEGAÇÃO por todo o mundo. Desde então todos os navios são obrigados a ter a bordo botes salva-vidas em número suficiente para todos os passageiros, entre outros grandes feitos e avanços para a segurança marítima que surgiram devido a esta fatalidade. E é por esta razão que o que aconteceu com o Concórdia é pouco desculpável.

Primeiro que tudo, este navio turístico de rota rotineira embateu contra um obstáculo que sempre esteve ali. Não foi com um icebergue, que se move pelo oceano. As rochas eram um obstáculo fixo e devidamente assinaladas em todas as cartas náuticas. É o mesmo que conduzir numa estrada familiar e amplamente conhecida e sair da rota para ir embater numa árvore ao lado de casa. Trata-se, claramente, de um caso de negligência do piloto do Concórdia, de cuja pinta nada gostei, pelo que observei num noticiário. Acidentes deste género não podem ser admitidos nos dias que correm, ainda mais um século após aquele que serviu de referência para a segurança marítima!

Já fiz parte da tripulação de um navio e por isso estou familiarizada com o estilo de vida a bordo.Uma vez por semana toda a tripulação tinha de efectuar o simulacro. A cada elemento era atribuído uma função e, em caso de problemas, bastava escutar-se o som de uma sirene e uma ordem a ser emitida, para se saber de imediato qual o comportamento a se colocar em prática.

Sabia qual era o meu papel de trás para a frente. Os exercícios eram executados com ligeireza e tranquilidade por se saber que se tratava de uma simulação, mas também com seriedade. No geral decorriam sempre bem. Mas muitas vezes nos interrogávamos o que realmente aconteceria se aquilo fosse de verdade. Para já, lidar com passageiros em pânico é diferente de qualquer simulação de um ou outro que se faça de difícil. Evacuar feridos simulados é diferente de o fazer com pessoas que realmente precisam de auxílio. Simular um incêndio e andar com máscaras contra o fumo a evacuar passageiros até os botes salva-vidas não é o mesmo que ter de passar pelas chamas reais e o calor em si. Só quando a tragédia acontece é que se sabe em que circunstâncias o navio fica, que objectos são atirados pelo ar, como se vai agir.

Numa dessas dezenas de simulações efectuadas e na brincadeira, um colega disse, sem ser a brincar: "isto é assim no simulacro porque se fosse verdade era cada um por si! Eu era o primeiro a saltar fora! Largava tudo isto, queria lá saber. Quero é salvar a minha vida". Outros riram em concordância.

Eu fiquei em choque. Não o demonstrei, sorri ligeiramente mas fiquei a matutar naquelas palavras. Devo ser muito ingénua pois tal atitude nunca me tinha ocorrido. Alguém tem de ajudar a evacuar com segurança os passageiros e conduzi-los até os respectivos botes salva-vidas, o mais ordenada e seguramente possível. E cabe à tripulação, treinada, fazê-lo. A partir do momento em que se aceita fazer parte da tripulação de um navio, assume-se essa responsabilidade.

Mas, até mesmo no Titanic, existiram casos de motim entre a tripulação e casos de desrespeito entre passageiros. Decerto que sim, embora seja muito conhecido o estoicismo da maioria destas pessoas, em particular o dos membros da orquestra que ficou a tocar música até perceberem que afinal iam mesmo afundar e morrer. Conforme dita a lei dos homens e, a meu ver, a moral mais do que qualquer outra coisa, tentaram seguir a ordem «mulheres e crianças primeiro». O que na triste realidade do Titanic, que não tinha botes salva-vidas suficientes para todos os passageiros, significava, embora poucos o soubessem, a morte para os que ficavam. Todos, muitos até o último momento, acreditavam que o navio jamais iria ao fundo. A propaganda sobre as suas características inafundáveis, sobre a sua capacidade de permanecer a flutuar mesmo com três dos compartimentos do casco inundado era do conhecimento geral, desde a classe superior à inferior. E por isso a alguns foi poupado o desespero antecipado, o medo, até que perceberam que tinham de fazer algo para se salvarem.

O capitão, que ia reformar-se após aquela viagem inaugural, soube o que ia acontecer e tomou a decisão que, mais uma vez, acho que é mais moral que outra coisa, de ser o último a sair do navio. Ou no caso dele, tomou a decisão de ir ao fundo com o navio. Quem dera a ele que os outros pudessem se salvar e só ele fosse a vítima...

Mas este capitão do Concórdia nada tem a ver com o Capitão Smith do Titanic, nem com qualquer um que povoa o nosso imaginário colectivo sobre o que deve ser o comportamento de um verdadeiro capitão de um navio em naufrágio.

Numa conversa via rádio com a capitania, tida durante a tragédia e que passou no telejornal, Francesco Shettino afirma que já devem ter evacuado todas as pessoas do navio e que acha que só resta ele. Com a insistência da capitania, que precisa de saber se TODOS os passageiros já tinham sido evacuados e se a tripulação também, Francesco já diz que acha que faltam umas 300 a 400 pessoas. Como se isso não fizesse diferença!
Para quem deve ser o último a sair do navio, Shettino revelou estar mais preocupado com a própria pele do que em ter a certeza se os passageiros e tripulação tinham sido evacuados. Mais tarde vim a saber pelas notícias que ele saiu do navio, segundo disse, "tropecei e cai num bote salva-vidas"!

Bem, que descaramento! Está na cara dele e qualquer um pode perceber. Julgo que não tem desculpa. Este capitão conduziu o navio até às rochas por negligência e depois só pensou em salvar a própria pele, mantendo-se no navio só o tempo necessário para parecer que cumpriu o seu dever. Nem sei se teve um papel activo e determinante na evacuação dos passageiros mas tenho sérias dúvidas.
Ao que parece pelo que li hoje numa revista e de acordo com o relatório de dois passageiros portugueses a bordo, o capitão também não se deu ao trabalho de efectuar um simulacro.



Como é que as pessoas, em pânico e a querer saber onde estão os familiares que não estão ao seu lado no momento da tragédia, se vão comportar? "Quebramos uma janela no corredor e agarramos coletes salva-vidas num corredor, como não havia muitos, as pessoas brigavam e os tiravam umas das outras" - contou aos jornais italianos Antonietta Simboli, natural de Latina, perto de Roma, sobre o naufrágio do Costa Concórdia. "Foi um momento caótico, todos empurravam, tentavam passar por cima das pessoas para encontrar uma boia", declarou Amanda Warrick, ao canal de televisão americano CNN.

E como contrariar a tendência das pessoas em regressar à cabine para recuperar os pertences que lhes são queridos e valiosos ao invés de cumprirem as ordens de evacuação? Lição número um: fica tudo para trás! A prioridade é conduzir o mais rapidamente possível e em segurança todos os passageiros para fora do navio. Os bens materiais não têm qualquer relevância. Pelo menos devia ser...

Ainda dizem que Cristóvão Colombo era italiano... ah,ah,ah! Ainda bem que não era, porque estaria a dar voltas no túmulo de tanta insensatez conterrânea.
E é assim que a ilha de Giglio ganhou o que outrora o Tollan foi para Lisboa... o seu navio encalhado. Agora o tempo dirá como irão remover os destroços e que danos as rochas, o fundo do mar e a população circundante vão sofrer devido à insensatez, irresponsabilidade e negligência deste «comandante».