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segunda-feira, 9 de março de 2020

A florir



É isto que vejo quando, deitada na cama, espreito pela janela.
Não é belo?

Agradeço todos os dias por poder ter uma vista assim. A que tive na primeira casa, era deslumbrante!! De tirar o fôlego, um verdadeiro cartão postal. Mas quase nunca a via, se não fosse à janela procurá-la. 

Esta parece mais singela e pobre, mas descobri-a mais rica e bela. Está lá, basta-me olhar. Gosto de ter uma árvore tão perto de mim. Vejo os seus ramos, os pássaros a bailar, vejo-a dançar com o vento, perder a folha, mudar de cor, a preparar-se para a próxima estação, a chegar ao botão e agora, agora mesmo, está a começar a florir.


Já se vêm flores em alguns lugares. Rosa. Vai florir na cor-de-rosa. É uma bênção.


Tudo à minha volta muda. Altera-se. 
Até a árvore. Quando ele partiu, estava a perder a folha.
Que merda!
Também quero avançar, mudar, florir e murchar, muitas e muitas vezes. 

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Longe da vista, longe do coração


Quatro da manhã e eu desperta, que nem o sol.
Adormeci depois da meia-noite. Isso tenho a certeza.


Quantas horas ando a dormir??

Não admira que tenha rugas debaixo dos olhos! Tem sido assim a minha vida inteira, desde a mocidade: poucas horas de sono. Não se pode pedir à fada da beleza que nos mantenha jovens e atraentes para sempre quando as circunstâncias de uma vida beneficiam outro resultado.


Mas venho só escrever que me sinto mais optimista. Pois pela primeira vez numa semana inteira, quando agora despertei, o meu pensamento não se fixou "naquilo" nem a primeira coisa que senti foi angústia e lágrimas. Lá diz o ditado: "longe da vista, longe do coração".

PS: São ambos verdade. A primeira ausência indicou a presença da paixonite. O afastamento parece estar a permitir a cura... Que bom! Porque a sensação que dá é que se trata de uma doença incurável que nos está a matar a cada pulsar do coração. 

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Limpezas complexas


Há coisa de três semanas o senhorio apareceu porque tivemos uma infiltração de água na sala, vinda do piso de cima, provavelmente do duche. Quando desci as escadas para a sala, a mais-velha estava com ele na cozinha e apanhei-a a fazer-lhe "queixinhas". Estava a dizer-lhe que quando regressou o chão da cozinha estava imundo. 

Perguntei, como se não tivesse ouvido, o que é que estava "imundo" e ela, teve só um segundo de surpresa, mas depois disfarçou e agiu com normalidade: "O chão da cozinha". 

- Isso é porque ninguém está a cumprir o calendário das limpezas. - Respondo sem pensar, como reflexo. E aponto para o dito, pendurado há mais de um mês na parede, novo, colorido e reluzente. E durante um mês, apenas com o meu nome a assinalar que a limpeza tem sido feita.

Foi ela que o colocou ali para substituir um outro que eu tinha feito oito meses antes. Não perguntou, nem sequer comunicou. Decidiu. Deve ter sido uma decisão conjunta, excluindo, claro, aqui a vossa portuguesinha. E fê-lo para apontar o dedo, foi uma forma de retaliar e de me privar de usar o WC do piso inferior. Mas isso é outra história. 

No novo calendário de limpezas, eu sou a última a ter de limpar. Antes de mim vêm as três pessoas que nunca limpam nada. Estão a ver o que eu vou "herdar" de sujidade?? Enquanto aqui a portuguesinha limpou, que os outros não o fizessem não gerava "queixinhas" aos ouvidos do senhorio. Mas eu sabia que se falhasse... iam tentar incutir-me responsabilidades. Não demorou mais de duas semanas e o timming certo: as férias da páscoa. 

O timming é muito importante. Eram férias de Páscoa e todos os italianos foram passar um ou dois dias fora.  Portanto ela começou por aí: "eu não sei, eu estive fora", quando regressei «estava tudo sujo». O dedo estava claramente a apontar para as pessoas que ficaram cá na Páscoa: eu e a outra rapariga não-italiana. Elas dão-se bem mas a rapariga nova não é italiana. Se preciso for acho que não lamentam em ter de atirá-la para debaixo das rodas da carruagem, sacrificada. E nem se apercebe disso.


Respondi que para ser sincera não notei que estivesse mais sujo do que noutros dias. E é verdade. Muitas vezes está sujo da mesma maneira, com eles todos cá em casa, a terem de cumprir um calendário de limpeza. Ninguém parece incomodado. Ausentam-se alternativamente por 48h, deixando os caixotes quase cheios de porcaria, coisas por limpar e pensam que quando regressarem uma "fada do lar" terá resolvido o assunto. 

Deixaram lixo na casa, sujidade, caixotes quase cheios, não limparam como de costume. Voltam dois dias depois e querem, por magia, encontrar tudo como não deixaram: limpinho. 

Gostava que vivessem sozinhos, para descobrirem que a forma como abandonam a casa é a forma como a vão encontrar no regresso. Se não tiverem empregados para fazer limpezas para eles, ainda não inventaram casas auto-suficientes, que se limpam sozinhas.



Depois deste "flagra" que levou o senhorio a deixar uma mensagem no chat a pedir para que se assinalasse no calendário quando se fizesse as limpezas, é que, pela primeira vez em quatro meses, ouvi e vi as novas hóspedes a limpar uma divisão da casa. E lá vão assinalar no calendário.

Foi a primeira vez!

Não estavam a limpar. Deixavam a tarefa para outras pessoas. Limpavam só aquilo do dia a dia, um prato... a loiça que usaram. Deixam a mesa de madeira toda manchada com marcas de líquidos e gordura, migalhas, etc, não se incomodam com isso. A limpeza semanal serve para deixar tudo limpinho. Eu costumo limpar "a sério" mas verifiquei agora que eles não limpam de todo. A primeira limpeza da J. consistiu em "limpar" a cozinha dois dias depois desta ter sido limpa devido à visita do senhorio. Ou seja: pouco fez. Arrumou um pouco a bagunça das tralhas em cima da mesa, só isso. 

Anteontem, era a sua vez de limpar a sala: pegou no aspirador e aspirou mal e porcamente aquilo, sem desviar os sofás, sem se preocupar com os recantos. E não passou um pano de pó em nenhuma parte. A TV, a mesa, tudo tem visivelmente pó. Ainda faltam DUAS outras pessoas limparem até ser a minha vez. Conseguem adivinhar a quantidade de pó que devo "herdar"?

Na véspera, o rapaz pegou no aspirador e "aspirou" a sala. No dia seguinte, ela repete-lhe o gesto. Portanto não sei o que ela andou a aspirar... Um dia de intervalo não é exatamente limpar coisa alguma, principalmente se o pó continua espalhado e negligenciado. Contudo, a sua "responsabilidade" já foi passada a outro. 

Ontem foi a vez da outra rapariga decidir limpar a cozinha. Notei muita coisa negligenciada. A única coisa que desta vez soube fazer, foi despejar os caixotes e passar um pano na tampa, que estava cheia de gosma. 

Por isso já fiquei contente.

A área das máquinas de lavar não foi tocada, e faz parte da cozinha. Nada nos balcões foi removido do lugar, até mesmo um pacote de esparguete continuou abandonado no mesmo local onde repousava fazia dois dias. Migalhas e sujidade estavam ao lado do fogão. E a porta debaixo do fogão, que por acaso é onde ela guarda os seus mantimentos, continuou com traços secos de líquidos e molhos que ali escorreram em alguma ocasião. Seria de esperar que notasse, visto que é ela quem tem de abrir aquela porta de armário.

Estou a pensar fazer limpezas da mesma forma que eles. Levo mais de uma hora a limpar seja o que for. Eles demoram 10 minutos.