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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Lidership


Quando comecei a trabalhar percebi que tinha capacidades para subir e que quem me contratou viu o mesmo e terá criado expectativas. Ainda sou um broto, tenho muito que aprender. Mas notei pela forma como me designaram tarefas que apreciam o resultado e notei que este era diferente de muitos demais a fazer o mesmo há mais tempo. 

Hoje foi dia de briefing, que incluiu também testes de conhecimentos e exercícios. Mal havia começado e a experiente formadora, que havia criado grupos de equipas, logo vaticinou que já tinha avistado o líder de cada grupo. Um destes, eu.

Porém, mais para a frente, ela também detectou que tinha de dar mais voz ao meu raciocínio porque, se tinha um, tinha de o fazer passar sem que os outros o ignorassem. Até porque fui a mais rápida a entender a questão e a oferecer a correcta solução. 


Ora, eu tenho esta característica espetacular, de ser dois em um. Tenho de «agradecer» à nossa formação escolar portuguesa por isso. 

Quando andava na escola, logo desde criança gostar de participar, de ter ideias, de me sentir entusiasmada, excitava-me o desafio de trabalhar em grupo, gostava de incluir as outras pessoas nas decisões, de puxar pelos mais tímidos, etc e tal... 

Mas o que ouvi, algumas vezes, foi que tinha de participar menos, ou dar a vez a outros, que não participavam porque não queriam, mesmo quando eu lhes estendia um «convite» recorrendo a uma qualquer natural técnica discreta e pouco intimidativa de os entusiasmar. Quando já era adulta, fez-se um grupo de trabalho e quando estava entusiasmada a dar ideias, disseram-me que tinha o hábito de querer «tomar o comando» e fazer tudo sozinha, quando, na realidade, o que sabia era expor ideias, que na altura tinha boas e em quantidade. 

Agora estou demasiado cansada para especificar melhor, mas recordo-me bem de dois momentos distintos durante o período escolar em que me senti «coagida» a não ser ativa e a passar a co-adjuvante. 

Tive de aprender a «matar» um pouco de mim cá dentro, aprender a estar num grupo com uma prestação fraca, lenta, ineficaz ou preguiçosa, e aceitar isso, sem interferir muito, a sugerir ideias que, se não forem apanhadas, não se deve insistir. Aprendi a duvidar de mim mesma, a ter receio, a não querer magoar os sentimentos de ninguém por ter ideias... A escola ensinou-me a apatia

Sempre fui uma pessoa reservada, mas no fundo também era comunicativa e conseguia combater o meu lado introvertido participando activamente na escola. Era quando a minha criatividade falava mais alto, quando o meu intelecto precisava partilhar ideias e a alma se alimentava com isso. E foi o que me disseram para parar de fazer

E assim o lado introvertido venceu. E as pequenas «células cinzentas» foram morrendo... de sede e falta de sol.


Hoje recordei-me deste percurso por ver os seus efeitos a longo prazo. 

Talvez seja tarde demais. Eu sei que tenho potencial, ele nunca morre totalmente, existe sempre uma réstia a querer brotar, timidamente.... Sei que estou em terreno fértil e, quiçá, ávido. Mas não tenho ambição. Não aquela desenfreada, aquela que acha que o estatus é tudo, que o cargo acima e outro a seguir é a posição mais desejada e invejada e que se esse for meu sou melhor que os outros.

Há ali tantos com essa ambição, mas poucas qualidades. Que pensam que longevidade é sinónimo de direito a cargo superior, detendo uma capacidade de autoanálise pouco realista!

Nada disso me entusiasma. O entusiasmo encontro-o no trabalho, no fazer melhor, no conseguir ter ideias práticas de utilidade, o de satisfazer o cliente, o contacto com as pessoas. É isso que me motiva. Mas confesso que a semana passada, ao ver uma equipa a «arrastar o rabo» a fingir que trabalha e, ao me dar conta, que estava a trabalhar por 2 ou 3 que estavam intencionalmente na gazeta, desmotivei-me. É que, no final do mês, todos levam para casa o mesmo ordenado. A diferença é que no final do dia, eu chego a casa, caio na cama e não consigo me mexer durante 1h. A semana passada, até doente fiquei. E os que fazem gazeta nessa mesma noite têm energia para ir para os bares dançar e festejar.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O que mais queres na vida?


Não sei se se lembram mas «antigamente» quando alguém nos perguntava o que mais queríamos na vida, ficava mal dizer “quero ser feliz”. Parecia que isso seria uma admissão que não o éramos e essa exposição de fragilidade não era recomendável, pelo menos na adolescência. Ia gerar comentários do tipo: «Ahahah», «porquê? Não és?», «Tens algum problema?» e a temível: «O que se passa?».

Mas a internet veio mudar tudo isso. Quem não sabe do que estou a falar não vai saber entender. Só passou a ser aceitável assumir assim os sentimentos mais secretos e íntimos quando a blogosfera os tornou públicos em massa e depois vieram os blogues.

Não que não se pudesse dizer que se queria estar em paz, em sossego ou mesmo em felicidade mas não como resposta à pergunta directa e frontalO que mais desejas na tua vida”? A esta o habitual era mencionar os desejos materiais. Ninguém te ia aborrecer se a resposta fosse algo do género “quero comprar um carro”, “ter uma casa”, “casar” etc. Mas jamais «ser feliz». Era um pouco TABU.

Então das vezes que me atiraram com essa pergunta à cara, assim de froche, respondi qualquer outra coisa com um sorriso aparentemente normal nos lábios. Também posso ocasionalmente ter desconversado («sei lá») e minimizado a importância da pergunta e da resposta, recorrendo à ironia e brincadeira. A verdade é que, nem por uma única vez, disse o que realmente mais importância tinha para mim. A resposta sempre foi «SER FELIZ».

E enquanto a pessoa ia de rosto em rosto fazer a mesma pergunta, ninguém ousava responder: «ser feliz». Vinham os carros, as casas, o dinheiro, os bens materiais e as ambições profissionais e económicas, mas jamais esta que, para mim, é a verdadeira e imutável ambição.