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sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Humildade e simpatia são coisas desvalorizadas?

Gosto de pessoas humildes.
Pessoas humildes fazem-me sentir pequena, pequeníssima.
Uma sensação que é boa, sensação de aprendizagem.

Também me considero uma pessoa humilde mas há quem seja mais ou tenha um tipo de humildade mais a descoberto, tão genuíno e puro que nos faz sentir menores. A minha humildade não sobressai ao olhar. Acho que, só de olhar para mim, o que se vê é alguém com "cara de poucos amigos". Eu gosto disso. Faz-me sentir menos vulnerável embora saiba que, assim que me mostrar como sou, mais vulnerável dificilmente poderia ficar.

E este tema a propósito do quê?
De nada e de tudo...

Saudade de quem partiu, saudade dos humildes, admiração por quem nunca perde noção do que são boas maneiras. 


Ontem deixei o que estava a fazer, deitei para trás uma indisposição que me atormentava o corpo e, a pedido de uma amiga, fui encontrar-me com ela. Tinha algo que queria me dizer. "E vem. Vá lá." "Vem". E lá vou eu...

Afinal ela não tinha nada importante para me contar. Apenas mais um desentendimento dos muitos que já me relatou, que tem com perfeitos desconhecidos por tudo e mais alguma coisa. Numa ocasião, depois de me ouvir falar ao telefone, pergunta-me um tanto irritada porque é que eu sou "tão simpática" com quem não me está a fazer favor algum. 

Sou como sou. Fui simpática com aquela pessoa, como também fui com ela.
A amizade dá-se gratuitamente, certo?
Ou vem com um preço?

Estou prestes a descobrir.

Pela primeira vez surgiu uma oportunidade de ser ela a fazer algo por mim.
Mas já noutra ocasião essa hipótese foi coagitada.
E ela remeteu-se para um silêncio incomum.
O silêncio regressou.
Até ficou incontactável.



quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Considerações soltas (4) - A petulância e a ignorância

Eu sei que não sou muito inteligente.
Eu sei que não sou muito culta.
Eu sei que sou pouco experiente.
Eu sei que não tenho um domínio exemplar da língua portuguesa.

Mas fico atónita cada vez que pessoas bem melhores que eu  em todos esses «departamentos» conseguem surpreender-me com a sua ignorância.

Seria de supor que a ignorância é incompatível com o domínio destas áreas, mas não é.
Contudo, o pior não é a ignorância. É a petulância. 

De facto estamos sempre a aprender nesta vida. 
E talvez tenha de começar a tentar convencer-me que, mesmo diante de tudo o que não sei, de tudo o que não vivi, de tudo o que não domino na perfeição, algo faz-me ser capaz de dominar outras áreas que até os «génios» não alcançam.


Não é a primeira vez que me deparo (ou melhor: deparo-me, sei como é mas como sempre fui um pouco à brasileira, prefiro deixar assim, por uma questão de fidelidade)  com este fenómeno. 

Gosto de aprender. Gosto de ler os escritos de pessoas que decerto são mais inteligentes que eu, ou mesmo não sendo, têm algo a dizer, ou simplesmente apreciam produzir textos cheios de referências culturais, estabelecendo paralelos e fazendo ironias. Eu entendo o sentido. Sou pouco inteligente mas nem sempre ao ponto de não captar a mensagem. Simplesmente às vezes, ela não me faz rir ou não me entusiasma. Acho previsível, banal, sei lá... não acho todas as intelecto-análises brilhantes. Por vezes ofereço outra interpretação. O que não quer dizer que não entenda o sentido que lhe quiseram dar. Apenas vi outro. Vejo dois!

E, para minha surpresa, por vezes essa pessoa «intelectualmente superior» não tem capacidade nem para entender uma segunda interpretação, nem para tolerar a contribuição desse inocente gesto. Faz uma leitura totalmente errada, o que é surpreendente. E a reacção por vezes não é matura, no sentido «explique-se». Opta por uma "descida do salto" com uma falta de nível que faria corar um simplório qualquer. 

E nunca existiu agressão alguma, por vezes, ao contrário. Até foi uma contribuição inteligente. Mas a pessoa não alcança. Ou não aceita, simplesmente, uma opinião franca e inocente, que não seja antecedida dos habituais rapapés para "amparar" a crítica que se segue...

Humildade. 
Por muito inteligente que uma pessoa seja, o seu nível de humildade é que faz a diferença.