Mostrar mensagens com a etiqueta notas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta notas. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Eu escrevo, que mal tem??


Eu sou de comunicar pela escrita. 
Nesta casa já me assumi como uma «escritora» de bilhetes.
Cada vez que precisei comunicar algo aos restantes moradores da casa, como é raro nos vermos, principalmente todos de uma vez, é comum escrever uma nota e deixar na cozinha.

Foi assim desde o início.

Por qualquer coisa que pretendia saber ou comunicar eu escrevia um (por vezes longo) bilhete e afixava na porta do frigorífico.


Foi o que fiz quando precisei avisar que acabou-se a luz e precisávamos colocar dinheiro. Foi o que fiz quando em Fevereiro me ausentei por uma semana - deixei bilhetinho a avisar que ia estar ausente. Foi o que fiz quando desejei FELIZ NATAL a todos, em Dezembro: escrevi email, enviei cartão postal, decorei a casa... Escrevi também bilhetinhos para qualquer coisa: principalmente para disponibilizar comida que de outro modo seria desperdiçada. Um bolo-rei, três pão em baguete, chocolate, iogurte, donuts, legumes e frutas congeladas, café acabado de moer, cerejas acabadas de colher...

ENFIM.

Eu escrevo bilhetes no intuito de comunicar. Não vejo nada de mais nisso. Até já deixei bilhete escrito quando não percebi porquê a máquina de lavar novinha não estava a ligar. E escrevi bilhete quando nos atrasamos nas limpezas da casa e pedi para apanharmos o ritmo porque vinha aí um novo inquilino. 
Há momentos porém, surpreendi-me com um pedaço de conversa que me pareceu escutar. Acontece que ontem, quando num raro momento em que me alimento nesta casa, fui até à cozinha preparar uma salada para comer, fi-lo em frente ao sítio onde há uma semana colocaram o comprovativo em papel de carregamento da eletricidade e gás. Já nem me lembrava disso. Ora, o «novo» inquilino às tantas entrou na cozinha (o que faz amiúde quando escuta pessoas lá) e às tantas ao ver o papel pergunto-lhe se já haviam dito à penúltima sobre o carregamento. É que ela não estava quando precisamos fazer o depósito, por a eletricidade ter chegado ao fim. Estava apenas a 50 centimos de ser cortada! O que significa que ela não entrou com a sua parte. Na altura os dois começaram logo a dizer que depois se pediria a parte dela quando chegasse. Só que ela já chegou faz uns dias e eu ainda não a vi. Já a ouvi, em conversa com ambos os dois. E por isso perguntei ao primeiro que me apareceu à frente se já haviam falado com a penúltima. 

Vai ele, que até foi o que meteu mais entraves e sugeriu que pagássemos menos que o habitual e a seguir cobrássemos pessoalmente 10 libras da penúltima pela parte que lhe competia, responde que «não quer meter-se nisso» e que «deixava para nós» por «não gostar dessas coisas». Ao que eu respondo »mas eu também não gosto!». No sentido de que ninguém gosta de cobrar dinheiro de outra pessoa... Ele sugere que se diga ao outro inquilino - o que está aqui há mais tempo, para o fazer. O que eu não entendo bem... porque não vi necessidade de «designar» uma pessoa em particular para a simples tarefa de dizer a um residente para dar a sua parte. Não é algo extraordinário. É de se esperar ter de se pagar contas, pelo que é uma comunicação esperada. 

Mas não pensei mais nisso e fui à «minha vidinha».
Vai daí decido ir às compras e ao descer para a cozinha, vejo o papel e lembro de deixar um bilhete. A verdade é que lembrei que ainda não sei fazer o carregamento para se ter eletricidade. E por esse motivo quando percebi que apenas se tinha 0.50 centimos, e estava sozinha na casa, pensei em ir imediatamente carregar algum só recorrendo a dinheiro meu. Mas como? Se ninguém me mostrou até hoje (não por falta de o pedir) como se faz??

Corremos o risco de ficar às escuras só porque apenas uma pessoa nesta casa «guarda o segredo» de como se faz o top-up (carregamento) das contas a pagar. Ocorreu-me então que se a penúltima desse a sua parte, como estou no meu dia de folga, era capaz de ser esta a tão aguardada oportunidade para finalmente saber como se faz o top-up. E essa simples e rápida lembrança fez-me escrever um simples e simpático bilhetinho.  


VAI QUE HÁ MOMENTOS oiço o mais novo inquilino abordar o mais velho e só escuto o seguinte: "é para deixar as coisas claras"... "não fui eu...." E o outro responde: "não faz mal, ela não estava em casa. O que importa é que temos eletricidade".

Lol.
Não é preciso muita inteligência para fazer a ligação do raciocínio. O «mais novo», com receio de o interpretarem na sua verdadeira natureza (na realidade está preocupado mas não quer passar essa imagem) tratou de «descartar-se» de qualquer autoria pela presença do bilhetinho.

Como se o bilhete tivesse algum conteúdo ilícito, ofensivo. 
Atribuindo ao mesmo essa conotação!!

E quem o escreveu? Eu...
A quem estava ele então a «passar a responsabilidade» desse «gesto ofensivo»?
A mim.

Fez-me sentir uma pessoa vil por estar a lembrar a uma pessoa que na sua ausência foi preciso pagar as contas da luz e gás! 


Não achei bem.
Não gostei mesmo nada.


(PS: sobre o novo inquilino já estive para vir aqui fazer uma actualização. Mas adiei por preferir dar destaque a outros temas que não estes domésticos. Por isso está em falta uma «actualização» e contextualização. Que agora é necessária para contextualizar o que por aí poder vir). 

quinta-feira, 11 de junho de 2015

VALE TUDO


Uma vez tirei um curso. Quando recebi o certificado final fiquei surpresa por não existir uma quantificação de aproveitamento. O documento apenas dizia "frequentou com proveito".

Escolas inflacionam avaliação interna de alunos para melhorar a sua posição no ranking nacional

Desprezo a forma tradicional de avaliação, que quantifica as aptidões de um aluno de 0 a 20. Isso é mais importante do que formá-los e perceber se assimilaram algo. Nunca fui má aluna, cheguei a ter notas elevadas, portanto não é por esse motivo que discordo.
Simplesmente sempre me pareceu uma falácia. Nunca me pareceu correto, nunca achei que correspondia o valor à pessoa - uns ficavam com notas bastante insufladas, sabendo eu que nada sabiam da matéria. Por vezes, nem mesmo sabiam que matéria era, mas lhes agradava a sobreavaliação. Outros com notas mais baixas, só pelo empenho genuíno em assimilar a matéria, deviam ter tido melhor avaliação. Uma coisa sei e ninguém me tira da cabeça: as avaliações não batem com a verdade.

Nunca fui das que está sempre a reclamar das notas baixas que teve e exige revisão. Voltei aos bancos de escola recentemente, por isso sei que a nota baixa ainda faz muitos alunos - negando sempre que esse é o motivo da revolta - barafustarem o seu descontentamento. A colega que teve uma nota baixa foi a que falou na aula, meses depois a que teve a nota mais baixa foi também quem falou na aula e se manifestou contra a forma de avaliar... Mas me pergunto se o sentimento se mantém aquando a última avaliação, em que teve 19. Se merece? Não. Provavelmente nem mereceu o 10 nem o 19 que teve. Certamente não tem qualificações para uma nota quase perfeita, irrepreensível que é o 19. E se calhar esforçou-me um pouco mais para ter apenas um 10. 

E porquê teve notas tão diferentes? Porque a primeira avaliação partiu de um meio muito exigente, que dificilmente atribui um 13 como nota. E a segunda partiu de um meio de facilitismo, onde facilmente se atribui notas altas. Entre cinco etapas de avaliação, os estudantes calculistas, que conheciam e falaram com ex-alunos ao ponto de saberem que exames e trabalhos lhes iam ser propostos, procuraram também ir parar nas mãos daqueles que dão as notas mais elevadas. Foram também «assessorados» com ajuda externa, procurando ter os trabalhos supervisionados por entendidos na matéria.

Como pode uma avaliação quantitativa alguma vez ser JUSTA, se tudo é tão relativo como acertar no euromilhões? As pessoas com notas mais altas no final do curso, não é por acaso que passaram pelas mãos das pessoas mais generosas a avaliar. E as que tiveram notas mais baixas, não é por acaso que não passaram por nenhum de um dos dois lugares onde as notas mais altas foram atribuídas. 


No meu tempo chamariam a isto batota. Agora parece que é ser-se uma pessoa de recursos. Seja como for, não é a única coisa no meu tempo que estava errada. Dizia-se então que este tipo de aluno «não ia longe», porque na vida real ninguém iria ajudá-lo depois. Está errado. O carisma e a lábia sempre levou o incompetente muito longe. O que vejo é os certinhos no fundo do poço e os que sempre foram de «recursos» chegar para além do mérito. 

ERRADO.

Tudo errado. 
Sempre errado. 


Não só pessoas assim podem continuar a ser «levadas ao colo» por outras, como isso lhes permite, no processo, aprender «alguma coisa» e, com mais tempo do que aquele que é atribuído às pessoas de menor recursos, a quem as portas logo se fecham, os «safadinhos» acabar por adquirir algum saber no decorrer da prática conquistada com pouco mérito.

E só me apetece é deixá-los com isto. Resume tudo. Afinal o mundo está para Maria de Fátimas e ponto final.