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segunda-feira, 29 de junho de 2020

As repercucoes um mentira


Estava aqui a pensar nas repercucoes de uma mentira. Quando for a preencher um novo contracto de trabalho ou de arrendamento, sou obrigada a providenciar o contacto do anterior senhorio para este dar referencias.

Ora, estando eu a precisar sair desta casa exatamente por ter sido vitima de character bashing (difamacao de caracter) crime ao qual, para minha surpresa, o senhorio aderiu com gosto, como posso prevenir-me de continuar a ser prejudicada no futuro se é esta gente que vao consultar?

As repercucoes de uma mentira podem arrastar-se por anos e anos, sempre a causar os seus danos. A mentira que me prejudicou nesta casa pode muito bem ter começado com a infantilidade vil com que me deparei na outra.  A palavra viaja rapido de boca em boca, especialmente se for mentira e  intencao é deixar a outra pessoa mal vista. Se a pre-disposicao do individuo ja for para nao gostar se ti, a mentira pega como um fosforo aceso em palha seca.  Eu nunca abri a boca para tentar apagar a chama da difamacao. Sinto e vejo a coisa a alastrar, a ganhar proporcoes maiores, fico triste e chocada, mas continuo na minha, sabendo que nada de mal fiz. Esta postura de "a verdade vai prevalecer" nao faz nada pela minha paz de espírito. Só aqui e pouco mais se soube pelo que venho a passar.

O que fazer, o que fazer... ???

Passar a ser mais agressiva e pagar na mesma moeda.


É uma licao que ja devia ter aprendido. Talvez por isso o destino faz-me sempre passar pelo mesmo.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

É tudo sobre eles



Como sabem, pedi à empresa à qual me candidatei que me enviasse um comprovativo de frequência a uma entrevista. Disse-o no post anterior, onde também especifiquei que aqui no UK, durante o processo de candidatura, as empresas são todas muito simpáticas. 

Em Portugal um candidato envia 100 curriculos para tudo o que é empresa e se conseguir uma resposta que seja, já é um milagre. Podem-se passar meses e nunca se ouve um "não" nem um "sim". 



Por isso este lado britânico do "politicamente correto" agrada(va)-me.
Até descobrir que é tudo sobre eles.


O que lhes importa é o feedback que vão receber depois.
Daí todos os "salamaleques". Os britânicos possuem uma indescritível forma de se mostrarem acolhedores mas que se sente plástica. Adquirida num livro de instruções e que dura apenas o tempo restritamente necessário. 

Recebi no email um novo contacto dessa empresa. Boa! - pensei. Afinal sempre deram resposta ao meu contacto sobre um comprovativo de frequência. Mas ao abrir o corpo de email, dos três links que facultaram, nenhum ia dar a coisa alguma. Todos os três eram sobre o mesmo: um inquérito de satisfação. Um minucioso inquérito que visa avaliar todo o processo selectivo - inquérito esse que já havia preenchido aquando o email de recusa - pois veio anexado ao mesmo.


"NÓS SOMOS NÚMEROS" - disse um indivíduo na TV.

Sinto que, por mais que queiramos lutar contra esta afirmação, ela é cada vez mais verdadeira. Não podemos ser gente. Ter emoções nossas. Tudo tem de ser aprendido e aplicado. Somos números porque obter e manter um emprego vai depender dos números de rentabilidade. São os números que cronometram o tempo que demoras a cumprir a tua tarefa, a quantidade de pessoas que consegues servir no menor número de tempo possível e da forma mais profissional e sem erro. Erros são logo apontados e te lembram logo que podem levar ao término por justa causa. Acertos não recebem igual atenção. Podes salvar o dia, a situação, não te será pedido para te reunires com os superiores para eles te dizerem o quanto estão satisfeitos com a tua performance. Mas se errares, essa reunião está garantida e vão falar de tudo o que erraste, querendo saber porquê e fazendo-te sentir a pior das criaturas.



A diferença entre o passado e o presente não é rigorosamente nenhuma. 
É tudo números.


terça-feira, 16 de setembro de 2014

PortugaLIDADES - o não saber



O chefe mandou-nos buscar uma coisa que estava perto de um sítio que eu não sabia onde era. Vai uma colega sai de imediato para a buscar. Sigo-a. Mal nos afastamos ela pergunta-me:
-"Sabes onde fica o sítio?"
-"Eu não! Pensei que tu sabias, arrancas-te logo".


Para mim isto é um exemplo perfeito de uma característica bem portuguesa. Acho que é transversal e se encontra em cada empresa, seja qual for a sua área de especialização.

Ninguém sabe o que é pretendido fazer ou onde fica um lugar. Mas ao invés do interlocutor UM explicar, só ordena. Ao invés do interlocutor dois PERGUNTAR, obedece. E com isto perde-se tempo, envolvem-se mais pessoas do que as necessárias na demanda pela "busca" que a tarefa exige, pois vai-se perguntando pelo caminho «alguém sabe onde fica....». Mas é esta a metodologia aceite e amplamente praticada no sector de actividade laboral português.

Faz muito tempo recebi uma ordem parecida. Ousei perguntar:
-"Onde fica?"
-"Não sabes onde fica? Sinceramente! Há quanto tempo estás aqui?!" (duas semanas)
-"Não. Sempre me indicaram que era para ir buscar ali (onde tinha ido e não estava nada). Nunca ninguém me disse e nunca precisei lá ir antes".


O Português é adepto do "desenrasque". Isso não tem mal algum, pode ser uma vantagem. Mas no contexto laboral muitas vezes essa incapacidade de interrogar e assumir-se uma postura de quem sabe o que faz sem ter a mínima ideia, oculta incompetência, nada mais. Mas é isto que é aceite na nossa sociedade dentro deste contexto. O indivíduo que comunique de forma mais interrogativa - e nem precisa ser muito, é quase um pária. Tem de se agir como se já se soubesse fazer tudo. Ser um autêntico Faz-de-Conta. "Faz-de-Conta" que sei o que faça, "Faz-de-Conta" que sou eficiente, "Faz-de-Conta" que não estraguei o trabalho todo e ficou tudo mal.


Salto para outra situação laboral. Contexto: Inglaterra.
O chefe manda alguém ir buscar algo. De seguida pergunta se a pessoa sabe onde fica o local.
- "Do you know where it is?"
Por vezes sem mesmo esperar resposta ou ainda que escute uma positiva, quase sempre dá indicações onde o local fica, como lá chegar e o nome do responsável com que falar.
-"Just go strait ahead until you find an intersection, then turn right, there's a sign in the wall saying "Staff", turn there and speack to mr. X"


Eu adoro Portugal e a nossa portugalidade. Mas tem certas situações em que gostaria de sentir o que é trabalhar num contexto mais civilizado e menos de desenrasque.

sábado, 30 de agosto de 2014

Uma pós-graduação vinha a calhar mas sai caro!

Estou mesmo por fora dos actuais preços para se ser estudante. Aliciada pela possibilidade de melhorar os meus conhecimentos na área em que me formei, fui investigar uma pós-graduação. Confesso ter ficado muito atraída pela mesma, mas nada é como antigamente. O meu queixo caiu e a língua pendeu para fora quando li que a propina era de 6.000€! Por um curso que nem um ano de duração tem.

De facto os pais de hoje em dia têm de lançar muito dinheiro à correnteza! No meu tempo o estudo era gratuito. Incorporava despesas, claro, gastava-se dinheiro em material escolar, pagava-se pela inscrição logo no início do ano, comprava-se o selo fiscal para tornar tudo oficial e existiam propinas, mas eram valores irrisórios. Licenciei-me seguindo o percurso público e dispensando os custos do privado. Fiz as provas de acesso ao ensino superior e o resultado ditou a ingressão no ensino superior. Agora para esta pós-graduação é preciso enviar um CV e prestar provas online no momento (nem existia "online" quando comecei a estudar, pois computadores pouca gente os tinha). Por fim, se selecionado, o aluno tem de pagar os tais 6000€, de uma vez só ou às prestações.

Xiça! Gostaria de frequentar o curso. Sei que ia sentir-me deslocada porque já passei da "idade" da maioria dos estudantes. Seria eu "aquela colega com mais idade" que todos nós tivemos na sala de aula. Mas sentiria-me desactualizada, fora da realidade estudantil. Ainda assim ia gostar, porque o curso faculta abordagens de que sinto falta, que surgiram com os novos media. Mas prestar provas e pagar 6000€ deixou-me tonta e com vertigens.

Perco a oportunidade sabendo que não existirão outras ou avanço já que não há nada a perder (só 6000€)?

H E L P
PS: não me sinto com ânimo para provas e o curso é de horário laboral, mesmo indicado para pessoas que acabaram de se licenciar, que ainda não têm ocupação fixa ou um emprego ao qual "virar as costas". No entanto o meu contrato é temporário e em um ano ou menos, vão "virar as costas". What to do?