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sábado, 24 de setembro de 2016

E Lisboa já está com corredor verde


Tirado do site da Câmara de LX:



Meh. Esperava mais. Mas creio que ao vivo é melhor. Estas imagens não transmitem grandeza e a área é grande. Há umas semanas ainda não estava assim: Claro que gosto. Verde é verde, não tem preço. Uma cidade com verde é outra coisa!

Mas ao ver estas imagens fiquei simultaneamente triste. Porquê? Porque lembrei-me das obras que Lisboa sofreu no passado. Todas no sentido oposto a este. E fico a perguntar-me «para quê»? Para quê tirar os separadores verdes, abater árvores, se agora vão ter de plantar de novo?


Quando Lisboa se preparava para a Expo98 foram tantas as árvores abatidas. Em algumas avenidas os separadores como este desapareceram. Para dar lugar a uma fileira de blocos de cimento. Diziam, numa certa artéria, que o movimento seria tanto, que o alargamento da via para 3 faixas de rodagem de cada lado era indispensável. Então destruíram o separador ao meio, igual a este da imagem. Não satisfeitos porque isso só lhes dava uma via e precisavam de outra, foram abatero passeio para os lados. Centenas (que eu as contei) de árvores foram junto. O trânsito ficou mais próximo das habitações, certos hábitos de convívio que as pessoas adoptavam na beira da estrada desapareceram por o terreno verde ter ficado bem mais diminuto, e para quê? O traço NUNCA precisou das vias extras e agora só serve para caça à multa. Muita avenida, muito espaço... poucos carros. Alguns radares. 

Agora vão ter de plantar tudo de novo...  Embora não vá ficar assim. Devia ser bonito circular na Avenida da Liberdade quando estava com este design!



E é a vida...
São as cidades a evoluir, a mudar de necessidades, a acompanhar as novas gerações...


sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Os novos passeios de Lisboa


Passei pela Av. Fontes Pereira de Melo e a Avenida da República. Todas elas em obras. Aliás, a cidade inteira está em obras. Mas centrando-me neste trecho, devo dizer que achei brilhante a forma como a CML conseguiu remover a tradicional calçada portuguesa dos principais troços lisboetas, sem que isso causasse consternação entre a população. "Mascarando-o" de obras, mostrando o resultado final, para melhorar e tornar Lisboa mais bonita - dizem. E assim, sem consultar a população e sem causar grandes controvérsias, a típica calçada portuguesa com os seus cubinhos de pedra, desaparece

Sim, porque a coisa está a ser feita. E já vai avançada. Os buracos estão feios, os desenhos delineados, alguma calçada nova já aplicada... agora falta a colocação dos «tacos» de cimento.

Av. da República, junto ao metro do saldanha

E devo dizer que... pelo pouco que vi, acho que vai ficar bonita e mais prática.
Alguns apontamentos estéticos da calçada típica ainda se mantêm, aqui e acolá. Mas o grande traço é dominado pela nova calçada. Num desenho geométrico agradável, claro e aparentemente amplo.

Vocês meteram-na, nós tiramo-la... Obrigado!

Amo de paixão a calçada portuguesa. E detesto vê-la danificada. Mas acho que vou gostar deste novo piso. Convenhamos que, andar sobre ele, principalmente em dias de chuva, deverá ser uma experiência totalmente diferente. Digo deverá porque só experimentando para saber... Já vi os mesmos blocos de cimento serem aplicados para criar um passeio e os mesmos permitirem a «patinagem» dos sapatos com o lençol de água. E também formam poças consideráveis, principalmente se junto de trechos que proporcionem movimento de terras. 

Com tanta obra, pergunto-me quem está a pagar por ela. Julgo que não sai dos nossos bolsos - deve existir aqui algum financiador secreto loool. É que é obras por todo o lado. Tenho estado a adiar contar sobre umas feitas aqui na zona, ao longo de toda a avenida, que foi toda reabilitada, com novo alcatrão, mais sinalética, novos cruzamentos. Um trabalho exemplar e bem deito, desde o início. Tão bem feito que senti vontade de os elogiar, tal é a raridade. E todas estas obras que Lisboa inteira está a sofrer (Avenida Infante D. Henrique, Praça do Comércio, Av. da República, 2ª circular, etc, etc) implicam gastos de biliões! E que eu saiba, não somos tão ricos pero que, deduzo, alguém está a arcar com estas despesas.

Lamento não ter conseguido tirar fotografias. Tirei apenas a primeira de cima, antes de perder a bateria. Tinha guardado as revistas com as publicidades que, há uns meses, surgiram a anunciar as obras nestas e noutras avenidas por toda a cidade. Mas antes de as fotografar, também as deitei fora :P Na internet ainda não encontrei nada, nem no site da CML. Ninguém estará a fazer o registo visual destas mudanças? Espero que se apressem... 

Mas continuo a querer saber: Para onde vai a pedra removida??


Há muito, muito tempo que tenho vindo a querer fazer este post sobre as obras em Lisboa... acho que vão mesmo deixar esta cidade mais bonita. Já não era sem tempo! Agora só falta conseguirem mantê-la limpa. E passarem multa a quem deita beatas no chão. E aí sim, entraremos na modernidade :))



quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Diz-me o chão que pisas...

Quando vi isto senti um aperto no peito. 

Novo piso em Alcântara, Lisboa
Trata-se do novo piso que em Lisboa vai reformar as belas pedras da calçada. 
Cimento e pedras de lioz.

Entendo que passa-se a caminhar melhor em piso de cimento que em calçada de pedra calcária e de granito.  Mas... Não deixo de sentir um forte pesar. 

Não em particular por este piso nesta localização: uma artéria pedonal muito movimentada numa rua em Alcântara. Mas porque andam a dizer que pretendem fazê-lo em quase toda a cidade. Excepção para «zonas turísticas» com calçada artística.

Lol. A meu ver toda a calçada é bonita. Não precisa de ter uma figura geométrica para ser arte. Tanto é arte com como sem desenhos.

A zona onde sempre morei está cheia dessas pedras, em nenhum lado com desenhos. Mas se as substituírem a todas acho que fazem mal. A zona é residencial, não é turística nem tão pouco uma «artéria» da cidade. É apenas  um bairro «pacato», uma espécie de aldeia... 

Há locais onde faz sentido, outros não.
Não concordo que a escolha deva dividir-se entre "locais turísticos e não turísticos".
Se assim for deixa de existir calçada portuguesa para ser usufruída pelos que cá moram. Passa a ser um «museu», só possível de observar para quem se misturar com os autocarros de turistas de máquina fotográfica na mão e se acotovelar para vislumbrar uma réstia do que antes era arte por toda a cidade. 



A calçada é também um tesouro que está nos nossos pés. Pedra é matéria prima de muito valor. Então em grandes quantidades, deve valer ouro. Na minha zona iniciaram obras numa pequena área e removeram da via três camiões cheios de pedras. Agora imagine-se levantar toda a pedra da cidade! Ninguém quer saber para onde ela vai parar? Onde a depositam? Devem é exportá-la para fora, como por exemplo, para a China. Vendida a outros para que esses ricos possam recriar lá longe uma cópia deslavada de uma arte retirada aos pobres.