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segunda-feira, 13 de março de 2017

A lua com inveja do Sol?


Hoje é noite de lua-cheia.
Reparei nela enquanto caminhava para casa. A lua estava mesmo por cima da habitação, como que a querer incidir a sua magia sobre ela.

Espero que não tenha sido a eminente presença da lua a responsável por a situação desagradável pela qual passei 12 horas antes. Passavam poucos minutos do meio-dia. Saí do quarto, vi a porta do banheiro fechada e decidi que era uma boa ideia abri-la, para que o sol que entra só por aquela janela, pudesse entrar pela casa a dentro e «inundar» o corredor e as divisões abertas da casa com a sua luminosidade natural.


Terá a lua tido inveja do sol?



Porque o que aconteceu no momento exato em que rodei a maçaneta da porta do banheiro, foi escutar do outro lado, até então emergido em silêncio, uma voz masculina dizendo:


-O que é que tu queres? Queres que te foda, não é? Deve ser isso. Tás com vontade de ser fodida!

Qual o meu espanto em perceber que existia alguém... Mas o espanto maior foi o que julguei ter escutado. Teria sido um equívoco dos meus ouvidos??

Não foi. Ao invés de deixar passar em branco, recuei uns passos e perguntei a quem se encontrava do lado de dentro da porta:
-O que foi que disseste?

-Disse se queres que te foda!
- És rude! - GRITEI.

Fiz questão de demonstrar em voz alta o meu descontentamento. Era o mínimo que o indivíduo merecia escutar. 

Quem me lê com mais regularidade já deve adivinhar que o indivíduo é uma referência ao colega de casa que, em Dezembro passado, destratou-me verbalmente e com agressividade só porque lhe pedi educadamente que evitasse ter o som do seu quarto alto durante a madrugada. Pois três meses exatos se passaram e eu não fiz mais nada senão evitar o indivíduo. Eis que na primeiríssima ocasião em que o caminho dos dois volta a cruzar-se, a sua hostilidade não diminuiu. Ao contrário, parece ter aumentado e escalado para a vulgaridade extremamente ofensiva.

Perante isto, acho que não terei outra alternativa senão tentar mudar de casa. O que ainda só não fiz por não ser tão fácil encontrar a situação ideal. Só que agora, terá mesmo de ser! E que tenha muita sorte com o que vier a seguir. Mereço.


sábado, 21 de setembro de 2013

Olha o gordo, parece um Porco!

A beleza é muito mais do que textura, cor, pele... é alma!

Nunca fui pessoa de chamar "gorda" a outra. Nem nada do género. Nem me lembro de alguma vez isso acontecer. Mas devido a estar a assistir a um programa sobre a obesidade em excesso e estar a escutar os relatos emotivos destas pessoas sobre as vezes em que escutaram lhes dizerem coisas deste género e bem piores fez-me ter vontade de vir aqui escrever sobre este aspecto da nossa sociedade.

Quando vejo este tipo de programas não me restam muitas dúvidas. A maioria destas pessoas sofrem de uma coisa e tão somente uma a que todos nós podemos nos relacionar. São mais sensíveis, mais emotivas.

E é este tipo de pessoas que a sociedade decide punir, chamando-lhes nomes feios ou apontando-as nas ruas como se tivessem algum defeito de carácter quando a única coisa que têm é gordura a mais? Isso é crime que afecta essas pessoas? Será que pensam que o obeso já tem a sua cota-parte de aborrecimentos e não precisa de reforços?

Quando as pessoas são muito mais emotivas do que a "norma" ou se rebelam ou se resignam. Quem se rebela procura problemas, procura o crime ou as drogas e tende, no geral, em revelar um carácter mais egoísta. Quem se resigna procura outro tipo de mazelas, outra forma de se magoar. Uma dessas é procurar o conforto na comida.

Obviamente também existem casos de pessoas gordas com mau carácter e pessoas nas drogas com bom carácter, esta não e uma constatação escrita numa tábua em madeira como se fosse um mandamento. Mas julgo que é uma dedução que faz sentido para muitos casos, se não mesmo a maioria deles. E estas pessoas obesas que vão a um programa de TV dar o seu testemunho e expõem assim grandes feridas emocionais, são ultra-vulneráveis. Estão a fazer aquilo que no dia-a-dia se recusam a fazer e evitam ao máximo: se expor. O dia delas é passado de uma forma algo reclusa, para assim evitarem algum comentário ou atitude discriminativa com base na sua aparência. Pelos relatos acho-as afáveis, simpáticas, carinhosas. E carentes. Quem não é, de vez em quanto, carente? E quem não corre, algumas vezes, até ao frigorífico nessas alturas? Então porquê algumas pessoas jogam mais lenha na fogueira?


Bom, talvez por já ser tarde e estar a preparar-me para adormecer as minhas capacidades cognitivas para deixar este assunto escrito de uma forma mais clara estejam a falhar, mas pronto, era isto que me apetecia vir escrever.