segunda-feira, 4 de abril de 2016

Todos que lutaram pela igualdade dão voltas no caixão

Um retrocesso de séculos na igualdade e direitos entre os géneros. Uma passo assustador em direcção à segregação. 


E tudo por quê? 
Para agradar aqueles que estão a chegar 
(que são também uma nova fonte de rendimentos). 

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Recordar um blogger

Quando me iniciei neste mundo, um dos primeiros blogues que comecei a ler com gosto e assiduidade foi Escritos Outonais - cujo autor, António Melenas, um senhor dos seus muitos e tantos anos, descreveu Moscavide e outros lugares por onde cresceu na década de 40/50, como se viveu naquele tempo e  como foi o seu encontro e o da família com a PIDE.  

Gostava de o ler e tenho recordado isso. António faleceu em 2008 e embora tenha encarregue o neto de terminar de publicar o seu texto, tal não veio a acontecer. Ainda assim, o blogue não foi deletado e, como pretendia em vida, a sua história está ali, aqui, no ciberespaço, registada para a eternidade. Pelo que vou prestar uma homenagem à sua memória e apresentá-lo a vocês, que provavelmente não o conheceram. 

Espreitem, que eu acho que ele lá no além está a torcer por isso :) 

quinta-feira, 31 de março de 2016

Coisas que não entendo (UM)

Quem, ao entrar ou ao sair de casa, abre e fecha a porta sucessivamente, em estrondos em pares de dois ou três. Sinto-me a anormal, pois oiço os vizinhos fazerem isto em todas as ocasiões. O que faz uma pessoa/família agir assim? Não entendo essas entradas/saídas às prestações. Não é como se fosse a porta do mictório!

Educação nos pés


Hoje o meu despertador foi o salto alto da vizinha. Toc-toc-toc, para lá, toc-toc-toc para cá, durante cinco minutos, dez, vinte, meia-hora...  Despertei algo mal humorada.

Agora volto a escutar o mesmo toc-toc-toc. Toc-toc-toc, para lá, toc-toc-toc para cá, um ruído que dura faz uma hora e meia é ocasionalmente acompanhado do arrastar de móveis. Os toc-toc-toc que têm o mesmo som de martelos, desconcentram-me de tal forma que preciso de sucessivas tentativas para terminar de elaborar o raciocínio de uma frase. 

Gostava de poder negar isto, mas não posso. Ao longo do tempo os meus nervos ficaram afetados. Não sou mais a mesma pessoa, que se mantinha tranquila e conseguia ignorar. Aos poucos os abusos dos vizinhos têm tomado parte dos meus males.

A forma como fui educada enquanto estava a crescer vem sempre à mente. Não fazer ruído foi sem dúvida um ensinamento que me passaram. Em especial à noite ou então bem cedo de manhã. Excepções feitas para ocasiões especiais, em horários normais. Afinal, todos conseguem entender barulho de uma festa de aniversário, palmas, parabéns... Mas não é desses ruídos saudáveis e normais que falo.

Não entendo como alguém pode gostar de ter nos pés dois palitos de pau. Assim que entro em casa o que faço é descalçar-me. E venham os chinelos de borracha! Sapatilhas, ténis... o que for. Silencio e conforto. Ainda que não me incomodem, se fizerem  barulho contra o soalho, o instinto é tirar. Quando tenho miúdos em casa, eles podem brincar e fazer o que quiserem, mas tomando atenção ao ruído. É-lhes explicado para não gritar para não incomodar, ou porque já é tarde ou simplesmente, porque estão a fazer barulho. Sei que não é fácil com crianças mas os ensinamentos estão lá. E sabe bem quando uma vira-se para nós e ao nos ouvir falar um pouco mais alto, diz: "Shiu. Fala baixo estás a fazer barulho".

É sinal de que aprendeu :)


domingo, 27 de março de 2016

sábado, 26 de março de 2016

Uma tradição oculta







 


 A prova de que a Páscoa, por cá, não costumava ter coelhos...

sexta-feira, 25 de março de 2016

quinta-feira, 24 de março de 2016

Pêlos? Que horror!


Noutro dia num zapping fui dar com uma conversa naquele programa «passadeira vermelha» na siccaras. E estão a falar das axilas. O quanto é horrível as mulheres que não se depilam. Acrescentam que as americanas usam gilete - um horror, uma barbaridade! Pasme-se, depilam-se em casa. - constata a apresentadora e reforça uma das comentadoras, em incredulidade. 

Como se tudo isto fosse algo desprezível. Olhei aquelas pessoas e sinceramente senti pena de todas. Tão liberais para umas coisas, tão tacanhas para outras. No fundo funcionam como a sociedade da moda as manda agir, porque cabecinha para pensar para além da norma... ali faltou. 


"Ai que horror, ter pêlos!" - diziam.
"Ai que horror não ir ao esteticista removê-los"


Por amor à Santa... da Páscoa.
Ter pêlos é normal. Tá? NORMAL. Não há nada de escandaloso na normalidade. Mas começa a existir na anormalidade nas ditaduras das modas. Está na moda censurar as modelos demasiado magras e censurar o establishment por pressionar as mulheres a atingir padrões impossíveis. Mas censurar a ditadura dos pêlos removidos, que podem trazer infecções e não é tão saudável quanto isso, ainda não virou moda, pelos vistos. A indústria não pode ver uma mulher com uma sombra debaixo do braço que faz logo uma ampliação de uma foto só para a poder achincalhar publicamente. Os fracos engolem o isco e entram na onda dos insultos e do escândalo, achando que não agem incorrectamente ao assinar em baixo. Bom senso, maior entendimento, sff. 

Britney Spears gozada por ter sido fotografada com uns poucos pêlos debaixo do braço

Tão liberais se mostram ser quando o assunto é a adopção de crianças por casais gays, tão liberais em assuntos que, resumindo, espelham a tendência da sociedade mas a coisa trava aí, não é mesmo? Até que ponto conseguem ver mais além? Aposto que depilavam o Tony Ramos inteiro! Tal a aversão ao pêlo, irra que é burrice demais! Só porque esta sociedade declarou guerra ao pêlo por motivos unicamente económicos, surgem estas mentes a despejar postas de pescada nesse sentido também. Oh, que liberalismo. Que inesperado, puf! Os médicos nem avisam que pode ser perigoso nem nada, oh esclarecidas comentadoras.



Eu cá tenho as minhas axilas depiladas sim, mas não vejo problema algum com quem não as tenha. Não vejo sequer problemas com quem não depile as pernas. Ou o buço. O que é que tem? Não se enquadra na ditadura da moda comercialista? Temos pena! Deus fez-nos com os pêlos, podem tentar disfarçar o quanto quiserem, negá-lo, renegá-lo, ignorá-lo. Se forem para uma ilha deserta como o Tom Hanks no filme Náufrago, podem esquecer a esteticista e até a «escandalosa» gilette. Vão parecer umas macacas de tão peludas. E terão de se ver como realmente são. 

E tomara que pareçam assim:

Por mim que façam como quiserem. Tirem, acho bem, não tirem, acho bem, podem pintar, colar,  aplicar brilhantes strass, dar formas, fazer tranças... Makes no difference to me. Mas que só saibam julgar por um lado demonstra alguma ignorância e revela uma mente tacanha. Isso é ficar agarrado a um preconceito e custa-me um bocadinho.