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sábado, 24 de outubro de 2020

Expectativas e o marketing

 Quando apareceu no mercado ate apreciei o gelato Vianetta. Claro, a parte favorita é o "estaladiço chocolate" como dizia o anuncio televisivo. Aquele "crack" que se ouvia quando a faca atravessa o centro de camadas de chocolate intercaladas pelo gelado de baunilha já dava vontade de o trincar.



Porem, se tal gelado ainda existe, faz muitos anos que a semelhancas ficam-se so no nome.

Vejam o que promete a caixa e  a realidade.

Deviam actualizar a fotografia da embalagem exterior para o que realmente se encontra la dentro. Vergonhoso esta sovinice enganadora. 





quinta-feira, 25 de junho de 2020

Que sabor e marca escolher?


Estou no supermercado e tenho um dilema. Com tanto por onde escolher, não sei se vou pelo sabor a morango, chocolate, se compro gelado de marca conhecida ou marca branca.

Qual é que voces preferem?

domingo, 8 de março de 2020

O coelhinho vai pagá-las!




Começo a detestar os fins-de-semana, porque em todos sinto-me bué deprimida. Hoje não foi diferente. Decidi por isso sair, ir para perto da natureza, entrar no shopping, ver gente. Quem sabe, até esbarrar em alguém conhecido. Aproveitei e dei um pulo à Primark. 

Ia a entrar para os provedores de roupa quando noto um homem no interior, à entrada, a falar alto ao telemóvel. Acho que o conheço mas não sei bem de onde. Depressa percebo que é o rapaz que a mais-velha traz cá a casa sempre que pode. Chamam-lhe "rapaz da mais-velha". Como se ele lhe pertencesse. 

Se me reconheceu - e acredito que sim porque sempre foi rápido nisso, nada disse. O tempo que me levou a experimentar sete peças de roupa e sair, não foi suficiente para ele sair daquele lugar. Ainda ali estava, continuava a falar ao telemóvel, em italiano, claro. Como era dentro do roupeiro, mesmo ao lado dos cabides de roupa, cheguei a pensar - juro - que era agora funcionário da Primark. 


Na saída tive de entregar os meus itens, devolver a placa de plástico e perguntar onde estava o cesto com o resto das compras. Apontaram-me para o cabide e o saco estava mesmo ao lado dele. (desapareceu do interior um batom em promoção que queria mesmo experimentar. Terá sido ele a tirá-lo?)

Nada dissemos - não pareceu haver nada a dizer. Mas havia sim: podia ter sido ali que ia perguntar-lhe porquê apagou um desenho amoroso de um passarinho e uma mensagem de Natal feita por mim no quadro da minha cozinha, para deixar uma pila no lugar. E se costuma deixar o símbolo internacional de "Fuck You" assim, na casa dos outros. 


Imaginem se tivesse feito isso. Claro que um homem não se encontra no interior da Primark, ainda por cima quase meia-hora no interior dos roupeiros, se não estiver à espera de uma mulher. Ter-lhe falado e usado a ocasião para o confrontar com o seu gesto mal-educado, teria enfurecido quem quer que fosse que ele esperava nos provedores. Nenhuma mulher gosta de sair às compras e ver o seu "homem" a falar com outra, ainda mais descobrir que existiu qualquer espécie de contacto envolvendo pilas. Perde-se a confiança e fica-se a desconfiar. 

Mas eu sou tão boazinha, que apenas fiz a minha vidinha, sem me importar com a presença dele. Pouco depois de sair, ouvi a voz dele atrás de mim e virei-me a tempo para ver a tipa. "Boa demais para ele" - pensei. Não por o achar má pessoa - não o conheço de todo. Mas numa ocasião em que lhe falei, simpatizei com ele. Todas as outras que vieram a seguir não existiu conversa, só breves contactos em que a mais-velha estava sempre ali, de cara fechada e de veneno em riste. Sei lá eu o que ele entretanto foi "ensinado" a pensar de mim. Disse que a achei boa demais para ele, porque ela era normal, nem gorda nem magra, nem velha. E ele é assim, assim, careca e fala alto que se farta. A namorada dá de 1000 a zero na mais-velha. Se esta tinha pretensões ali, deve estar de rastos, ahah. Esta é mais nova, para começar, bem feita, cabelo esticadinho. Daquelas que dá gosto um homem mostrar-se ao lado. Virou-se para ele e deu-lhe um selinho nos lábios. A coisa não ficou por aí.

Novo amor! Coisa recente. Que faz os homens acompanharem as namoradas à chatice das compras de roupa e ficar à espera eternidades para que saiam dos closets. 

Ao ver o selinho, lembrei que era o selinho que eu queria estar a dar.
Não importa como um homem é fisicamente. Há sempre uma mulher pronta para o acolher, para o amar. Nós, mulheres, é que não temos essa mesma sorte. 


Esse pensamento, essa certeza, entristeceu-me. Também ele está a dar selinhos e outras coisas mais a outra gaja, toda boa, mais nova, cheia de amor para dar. Eles encontram sempre alguém que os ame. Porque essa é a natureza feminina: dar, amar, sem olhar para a «embalagem». Não há homem que chegue para tanta mulher - para começar pela dura realidade. Mas o pior é saber que não há homem que não procure uma mulher mais jovem e bonita antes mesmo de sequer imaginar-se a olhar para uma da mesma idade ou mais velha. 

As mulheres ficam sós. Os homens, nunca. 
Antes dele, eu estava confortavelmente no clube das "mulheres sós". Não estava resignada, sonhando com uma mudança, não! Estava totalmente de bem e satisfeita com a minha situação. Era  confortável e não me envergonhava mais. Apareceu ele e agora dou por mim a desejar coisas que nem estavam adormecidas: estavam mortas! Mortas.

É de um sadismo sem tamanho. 
Descobrir que ainda vivo, ainda palpito, e saber que só um homem pode saciar esta vontade de O amar.

Porque as mulheres são assim... quase todas, e a julgar por mim, todas mesmo. Quando se apaixonam, não há outro. Não há ninguém. Ninguém serve. És tu. Só tu.


Decidi ir ao supermercado comprar algo doce para comer. Se bem que o que me apeteceu mesmo foi embebedar-me e beber até ficar tonta e adormecer. Mas amanhã é dia de trabalho e para quem nunca ficou realmente bêbada, preferi adiar a experiência para uma ocasião em que possa ir para o hospital caso seja necessário, ahah. (sad face).

 Isto está a fazer-me mal. Seis meses, porra! Um gajo careca e pouco atraente consegue viver um romance daqueles novinhos e eu a chupar no dedo. Porquê? Porque eu não sei aproveitar as oportunidades. Os sinais estavam todos lá mas eu não os vi porque estava confortavelmente acomodada na minha «morte». Estava fora de coagitação, vir a viver o que agora estou a desejar. Nem fazia mais sentido. Por isso não vi mais cedo os sinais. Não andava à procura deles, não os desejava, pelo contrário. 

Mas estas coisas não se escolhem e aconteceu. E agora tenho este veneno dentro de mim. 

Decidi vingar-me no coelhinho de chocolate. Tal e qual como no anúncio de Natal, comecei pelas orelhas. É doce, mas não substituí. Acho que o que me passou pela cabeça há uns tempos sobre um male prostitute é capaz de ser a solução.



VINGANÇA!!!

(vou pagá-la caro)


sábado, 7 de março de 2020

É de ir à lua e voltar


Comprei uma embalagem de gelado só porque tinha o nome dele. É como se, ao degustá-lo, pudesse de alguma forma senti-lo perto de mim. Não resultou. Também não queria que resultasse. È daquelas coisas que ainda se fazem, sem contar a ninguém.


Mas aqui estou eu a revelar esta idiotice (são só as mulheres que agem assim??) porque aos poucos, parecem existir sinais por toda a parte indicando que ele não era para existir. Muita coisa mudou, logo depois de o conhecer. Coisas que não esperava, não contava que viessem a mudar. 

No mês seguinte, já não usava o telemóvel com que ele me viu tantas vezes. O quarto foi ampliado. A parte que dediquei a ele nesse espaço - a minha lembrança secreta à frente de todos - foi sendo removida por pura casualidade. O senhorio precisou substituir o móvel onde coloquei essa lembrança. Mudei-a de sítio para um lugar daqueles que ninguém substitui e, subitamente, também foi preciso trocar esse elemento por outro. É como se tudo relacionado com ele estivesse intencionalmente a ser removido da minha vida. 

E o que é pior, o que me levou de volta às lágrimas: constatei que desapareceram todas as imagens daquele tempo. Não só as dele, mas todas, do lugar, dos colegas... Podia jurar que as tinha guardado no disco rígido externo onde coloco tudo. Sabia-as ali, para aceder.  Apeteceu-me olhar para o seu rosto, para descobrir se não mexia com nenhuma emoção cá dentro. A perda dessas imagens devastou-me!! Não entendo... eu nunca apago nada, tiro fotografias a tudo. Até tinha-as em duplicado.

É como disse: Há uma força invisível de afastamento e começou a actuar naquele dia.

Eu até já tinha começado a julgar que o melhor era convencer-me que imaginei tudo. E que nada aconteceu. Ele não existiu, nunca esteve aqui, nunca nada nunca. Pronto. Parece que é o que estas forças querem. Eu não nasci mesmo para ter uma hipótese de felicidade ao lado de alguém.

E onde entra o gelado nisto? Dentro do congelador, a embalagem parece ser o que mais atrapalha. Volta e meia, preciso do espaço que ocupa. Mas não a tirei. Até hoje. 


É que fui ao céu e vim, quando coloquei na boca este gelado da Magnum. As pupilas degustativas deliciaram-se com o recheio de chocolate...

Deitei fora o outro, o da embalagem com o nome dele. Magnums de chocolate no seu lugar! (Sorte ele não se chamar Magnum, ou nunca mais ia poder olhar ou provar um)

Até o invólucro envolvendo o gelado é bonito!

É como se tudo o que fiz para me lembrar dele estivesse a ser empurrado para fora da minha vida por uma força cósmica. Só eu, só a minha mente, emoções e o que me resta de desejo, ainda luta contra.