Se as mágoas e sofrimento interior se revelassem por fora fazendo aparecer nodoas negras, o meu corpo estaria coberto dos pés à cabeça. Como aquelas pessoas com muitas sardas.
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sábado, 15 de agosto de 2020
sexta-feira, 13 de janeiro de 2017
Escolhas Existenciais
Estou com dúvidas.
Tenho trabalhado muitas horas. Quando tenho dias de folga, nem sei o que fazer com eles. Sei que tenho de os usar para descansar o corpo e tratar da lida doméstica. Mas no que respeita a actividades de lazer, que é o que realmente nos carrega as baterias para o resto dos dias, começo a sentir desanimo, por não ter com quem as partilhar nem saber onde ir e o que fazer.
Vim sozinha para outro país. E como comecei quase de imediato a trabalhar, não deu para criar nenhuma relação fora desse contexto. Na casa onde vivo, bem que tentei. Mas depois do que aconteceu semanas antes do Natal e após todos ignorarem a quadra e as decorações Natalícias, entendi perfeitamente onde vinha morar.
Não conheço ninguém cá. Ou melhor: até conheço alguém que vive a uma hora daqui, mas são pessoas que também trabalham e só têm os fins-de-semana livres, coisa que eu não tenho. E ainda que assim os tivesse, começo a ter dúvidas quanto aos passos a dar.
Vim para Inglaterra para me sentir útil e trabalhar.
Isso já consegui.
Mas permanecem sempre dúvidas.
Devo viver para trabalhar ao invés de trabalhar para viver?
Que tipo de vida será a minha se continuar neste rumo?
Devo tentar encontrar trabalho mais dentro das minhas áreas de prazer e formação, arriscando ter de mudar de cidade, encontrar um emprego menos estável ou com uma remuneração menos aprazível? Devo solicitar uma carga horária semanal menos carregada, a fim de me sobrar tempo para o dedicar a outras actividades? Devo voltar a estudar?
Que tipo de vida será a minha se continuar neste rumo?
Devo tentar encontrar trabalho mais dentro das minhas áreas de prazer e formação, arriscando ter de mudar de cidade, encontrar um emprego menos estável ou com uma remuneração menos aprazível? Devo solicitar uma carga horária semanal menos carregada, a fim de me sobrar tempo para o dedicar a outras actividades? Devo voltar a estudar?
Na vida, as dúvidas persistem... Sempre.
Vir para cá foi uma decisão certa. No fundo sei que, acobardar-me agora, não é certo. Mas ao mesmo tempo...
Sinto uma vontade grande de me sentir em paz, a viver numa casa própria, onde posso cozinhar e viver completamente à vontade, sem ter de me privar ou me sentir policiada.
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