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segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Comunicação através de flores



Plantei-as há meses no jardim. Sobreviveram ao frio, à chuva, ao sol, continuando vivaças e brancas. Até a semana passada. Até aquele dia em que senti que algo havia mudado na minha condição de sofredora por amor. 

As begonias brancas morreram todas. 


Há quase três meses, escondida a um canto, plantei um rebento sem raiz que havia sido cortado pelo descuidado do senhorio ao limpar o jardim. E pedi. Pedi para o esquecer e que o sinal fosse aquela flor morrer.

Sem raiz, com o pé enfiado num pedaço de algodão manchado, pensei que era certeiro: a flor ia murchar, morrer. Era uma questão de dias, senão, horas.


Só que não. Manteve-se tão roliça e vistosa como as outras com raiz. Três meses! Por vezes ia lá ao canto, remover as folhas caídas e espreitar, desejando encontrá-la seca, extinta. Sinal de que o meu sofrimento ia ter um fim. 

E encontrava-a bela, branca, vistosa.

Morreram todas a semana passada, durante a noite.

RIP.


PS: Decidi investigar o significado da Begónia. Heis o que encontrei:
A flor da begônia significa felicidade, delicadeza e cordialidade, é também indicada para namorados apaixonados, já que estão associadas à inocência e à lealdade do verdadeiro amor. Relativamente ao Feng Shui, a begônia é um símbolo de fertilidade.
(A variedade mais conhecida da begónia é “begónia sempre-florida” (begonia semperflorens) que tem a característica de florescer durante todo o ano).

terça-feira, 27 de novembro de 2018

E quando menos esperas...


Validam o que tu sentes.
E então descobres que não estás a ver as coisas pelo prisma errado.


Havia dito ao senhorio que lhe queria falar. Havia uma alta probabilidade de me encontrar sozinha em casa hoje e ele ficou de cá passar.

Acontece que não estava sozinha. A rapariga que vai sair estava na casa. Comecei a conversa não pelo tema que mais me preocupa: os italianos. Mas por aquilo que me afecta: a possibilidade de poder sair desta casa um dia - caso a freguesia dite que o quarto onde estou a dormir não corresponde às dimensões mínimas aceites. 

Comecei a conversa por aí e percebi que ele ficou aliviado. Intuiu que tinha algo sério para lhe dizer. E tinha mesmo. Mas ia deixar o assunto surgir naturalmente. Algures na conversa, com certeza, a oportunidade ia apresentar-se. E esperava que a rapariga que vai sair se afastasse um pouco, para abordar o tema que para mim é delicado e difícil.

Imaginei-o na minha cabeça vezes sem conta. Mas tenho e sempre terei dificuldades em expor o lado menos bom das pessoas. Sou muito reservada nesse aspecto e prefiro manter o que sei para mim. 

Não precisei entrar no assunto. A rapariga que vai sair trouxe-o à baila espontaneamente, quando o senhorio mencionou a nacionalidade da "nova" inquilina. Ela disse que eu estava triste por ela sair. E eu confirmei. E sem eu abordar o tema, ela conta que a casa tem demasiado italianos, que é verdade que eles só falam italiano, convivem entre si e não te integram nas conversas. Se lhes dirigirem a palavra e perguntarem por algo - contou ela, eles respondem. Mas não tomam a inciativa e não te permitem que te dês com eles.  

Fiquei agradecida.
Ela explicou-o tão bem e o senhorio percebeu.

Isto não vai mudar em nada a minha condição nem o facto de mais uma italiana vir morar para esta casa. Vou há mesma ter de conviver dentro destes parâmetros. Mas fico contente por ao menos a noção do que se passa cá dentro der passado para o conhecimento do senhorio.

Bons ventos não se avizinham mas, como em tudo, eu me manterei estóica a aguentar cada golpe. Sou aquele touro na arena... A surpresa é que nunca falei deste assunto com ela. Por isso não sabia que pensava e sentia o mesmo. Qualquer possibilidade de ser "problema meu" e não dos outros voou pela janela. 

Ela foi tratada pelos italianos com mais simpatia que aquela que eu recebi. Mas por vezes também achei que acabavam por a excluir ao limitar as conversas para a língua italiana. Ora, se estás a conviver ou a tentar conviver com estas pessoas e elas não falam a língua que todos têm em comum, preferindo falar na delas, automaticamente a outra pessoa sai do círculo.

Que ela partilhasse da mesma sensação que eu, desconhecia!

Acabei por não dizer nada, ela disse o essencial por mim.
Há coisas piores a precisar serem ditas mas creio que o tempo possa funcionar a meu favor. Geralmente é o que acontece. Se terem tornado esta casa num "italian only" resort for aumentar os seus comportamentos de exclusão, terei de o suportar. Mas, como disse, não pretendo sair daqui. E um dia, quando um outro quarto vagar, espero que seja o senhorio a escolher quem vai cá meter dentro. Ele agora percebeu que não lhe estavam a facilitar a vida. Mas a querer tornar a deles mais fácil.


terça-feira, 11 de setembro de 2018

É possível?


A minha resposta é:

SIM.

Claro. É possível sentir falta do que não é nosso ou nunca foi mas pensamos ser.
É por isso que temos sonhos e corremos atrás deles. Por sentir falta do que não é nosso.


Concordam?
Discordam?
O que têm a acrescentar?