Ontem tive um desentendimento com a M. Bom, dizer que foi um "desentendimento" é ser má para mim, visto que foi a M. que teve um dos seus "chiliques".
Acontece que a minha decisão para este ano depois da forma como me tratou na passagem de ano foi não mais baixar a cabeça às suas mudanças de humor. Quando ontem gritou comigo: "Podes esperar?!!!?!!", sem qualquer provocação, só porque lhe é natural, pedi-lhe para não me falar nesse tom agressivo.
Ela NEGOU ser agressiva, diz que é da paz e depois retorquiu com o habitual: "Tu foste agressiva primeiro".
A tática dela para desviar qualquer crítica é inverter os papéis e dizer: "tu é que foste"! - tal como uma criança.
- "Tu foste agressiva comigo a semana passada. Não te lembras o que me disseste?" "Tu foste agressiva primeiro. Ser agressivo tambem é o comportamento".
Por tudo o que é sagrado não me lembro de qualquer palavra ou atitude que ela pudesse distorcer para interpretar dessa maneira mas, conhecendo-a como conheço, ela só precisa de achar assim. Pode pegar em qualquer banalidade trivial e usá-la como justificação para as suas intempestividades.
- "Não fui agressiva contigo" - respondi.
Ela insistia. Sempre a precisar justificar a sua atitude sem justificação invertendo as coisas. Então não se calava a repetir:
- "Remember? Remember what you said?" - disse-me.
Aí não pude conter mais. Se ela ia buscar atitudes ficcionais eu ia mencionar bem reais e bem fáceis de lembrar. Relembrei-a:
-"Remember new's year eve? We were talking friendly and then you flip on me"?
E subi as escadas para o quarto.
É que não há provocação, não há motivo. É só ela, emergida na sua egocentricidade e egoísmo, a reagir à sua má vontade em dividir uma casa com outras pessoas enquanto espera e exige que a deixem andar como se a casa fosse só sua.
O que gerou esta sua reacção? Pasmem:
Tinha uma pizza no forno e quando desci para a buscar, a M. estava na cozinha. Com tanto espaço, ela decidiu que precisava ficar exatamente em frente ao fogão. Não estava a cozinhar no forno nem sequer tinha tachos ou panelas em cima. Ainda estava a abrir o armário e a espreitar lá dentro. Eu espreitei a pizza pelo vidro do forno, vi que estava boa e, para deixar a cozinha desimpedida e por estar com fome já que não comia nada em 24 horas, rodei os botões do forno para o desligar.
É quando ela grita:
-"Podes esperar!??!!!"
Não é uma reacção normal.
Todos os dias cedemos espaço, nos desviamos, para que todos possam circular. Estou a usar o lavatório alguém se aproxima para alcançar algo perto, desvio-me. É assim tão simples. Ela não. Ela foi meter-se intencionalmente na frente do fogão, sem necessidade.
Mas a M. é tão absorvida em si mesma, que se irritou de imediato. E eu nem sequer manifestei qualquer intenção de abrir a porta do forno. Só estava ainda a rodar os botões para o desligar quando ela solta aquele grito e levanta as mãos ao ar.
Ela, que costuma seguir as pessoas até à cozinha e tirar a vez de todos, ela que é assim, claro, interpretou um simples acto com a malícia das suas próprias acções e intenções.
O rapaz com quem sempre se deu mal e aquele que me fez bulling aqui dentro, regressou de um período de ausência. Ambos estão num braço de ferro invisível, teimosos, um a tentar fazer com que o outro saia primeiro. O rapaz quer ver nós as duas fora daqui. Só se dá bem com rapazes, tem problemas com mulheres. Já fez uma sair, agora quer ver se consegue expulsar as restantes. A casa está com um clima pesado. Ele, não é flor que se cheire. Eu sempre imagino que vai comportar-se metendo-se na sua vida e esquecendo-se da minha. Mas depois recebo sinais de que não. Continua obcecado comigo. Quer à força toda causar-me mal estar, continua com gestos mesquinhos provocatórios, tal como mexer nas minhas coisas e invadir o meu espaço no frigorífico.
Ambos só trazem mau estar e não demostram maturidade.
Subitamente dei por mim a perguntar-me porquê. Porquê? Porquê tenho de me submeter a isto. Porquê é esta a minha realidade?
Mereço muito mais.
Mereço o que provavelmente o leitor tem, e nem se dá conta dessa sorte.