Entrei no supermercado e fui para a fila para pagar os artigos. Ninguém está a cumprir a distância de dois metros. Tudo bem... também poucos estavam preocupados em seguir pela direcção indicada pelas setas espalhadas pelo shopping e pelas ruas da cidade. Irritou-me ter de ser eu a ter de me desviar para o lado contrário, porque manadas de gente assim que começava o meu percurso nunca estavam na faixa certa de andamento. Putos, adolescentes, na maior galhofa, sem máscaras, a rir e a rir e a falar uns com os outros meio aos berros, sem se preocuparem em fechar a boca ao se cruzarem com outras pessoas. Cruzamento esse que não era para acontecer se soubessem seguir uma simples regra: a direcção para a qual aponta a seta.
Mas agora estava no supermercado, todos usavam máscara porque é obrigatório e só me tinha de preocupar com a distância. Assim que penso nisto, uma pessoa coloca-se atrás de mim. Não cumpre a distância social, vem a falar ao telemóvel e não tem máscara.
Isso mesmo: não tem máscara.
Dou uns passos à frente para me aproximar da pessoa com máscara e me afastar da que não tem. O homem, alto, negro, sempre a falar ao telemóvel, também se aproxima. Tenho uma mão a segurar a scooter por isso faço questão de a colocar entre mim e ele. Ao menos não vem colar-se. Serve de pouco consolo, visto que fala e fala e fala ao telemóvel de boca descoberta. Cada vez que mexe os lábios está a projectar saliva para cima dos que lhe estão próximos.
Revolta-me. Da última vez que fui a este supermercado aconteceu o mesmo! Um homem, sem máscara, a falar ao telemóvel, posicionado atrás de mim. Isso dá uma taxa de 100%!
Já escolho aquele super por ser menor e, por isso, existirem mais possibilidades de todos cumprirem as regras.
Mas é demais. Perguntei à rapariga na caixa - uma menina, se não é obrigatório usarem-se máscaras em supermercados, explicando que é a segunda vez consecutiva que tenho um homem atrás de mim a falar ao telemóvel sem máscara. Ele estava mesmo atrás, pelo que pode ter escutado. Mas não quis saber. A atitude dele foi passar-me à frente assim que terminei de pagar rapidamente as minhas compras com contactless, compras essas que fui enfiando na mochila ao mesmo tempo que dialogava. Não quis recibo e fiz o que faço sempre: não empato o andamento, tento ser o mais rápida possível.
Ele ri-se, abana a cabeça e diz-me para me despachar que há muita gente à espera.
Teve este descaramento. À saída passa novamente por mim e chama-me "Bitch".
Este tipo de coisa faz-me sentir desapontada com a humanidade. Já não me apetece sair para ir
as compras. Havia banido um supermercado, uma loja e agora, pelos vistos, estou a ficar sem alternativas. Quando saio para fazer compras quero, além de obter artigos que possa precisar, relaxar. Descontrair a cabeça de problemas que possam insistir em pairar. Tem acontecido o contrário.
Ando a ficar deprimida com isto do Covid. Se bem que, no fundo, ainda existe outra razão, que ainda doi mais. Aquela... Mais ainda agora durante o COvid do que se este nunca tivesse existido. Agora que os nossos convívios estão limitados, conhecer novas pessoas, sair com elas, ir ao cinema, etc, é quase uma fantasia, custa ainda mais gerir isto.
Por isso quero que este Covid desapareça depressa. O numero de infectados aumenta para valores gigantes e estas pessoinhas não usam nem máscara, nem escudo facial! Oh pá... sinto-me chateada. Com vontade de chorar. Assim nunca mais vamos lá. A "normalidade" nunca mais vai regressar. Quero muito ir viajar. Preciso. Quero entrar num avião, ir para outro lugar, conviver, regressar... Mas asssim NÃO DÁ. Se for a Portugal ver a família depois do Natal - viagem que já tenho marcada, impõem-me uma quarentena e se ficar de quarentena não tenho como sair para ir trabalhar, logo, não ganho dinheiro. Se quebrar esta regra sou tratada como uma criminosa, sou vigiada e mantida sobre vigilância. E estes indivíduos que não cumprem uma única regra saem impunes!
Queria dizer isto ao homem do supermercado. Dizer que por causa de gestos egoístas como o dele, não posso ver os meus, estar com a família, abraçar alguém descontraidamente. Já uso máscara desde Fevereiro e sinto-me frustrada com o quase nenhum progresso de tanta precaução. A pesar de toda a prevenção que se tem tido desde então os números aumentam e porquê? Porque uns energúmenos como aquele gajo acham-se acima dos outros. E desrespeitam todos. Preferem ser um infectado que anda a espalhar o vírus a todos com quem se cruzam. (e ainda devem chular o estado).