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quinta-feira, 16 de outubro de 2008

O dia em que me apeteceu comer fígado



O desejo de comer fígado surpreendeu-me. Passava pela área das carnes no supermercado e aquela textura escura, brilhante e viscosa despertou-me o desejo.



Isto é deveras surpreendente, pois vejamos os factos:

1) Detestei sempre fígado.
2) Estava enjoada de carne.


Em menina, obrigavam-me a comê-lo. A experiência não podia ser mais insuportável. Só o cheiro que ficava pela casa era suficiente para me afastar. Abominava-o. E colocar aquilo na boca, o sabor, brrr..... não conseguia. Fiz de tudo para me descartar de cada pedaço que me obrigavam a engolir. Fingia engolir, escondia no puré, ia ao wc cuspir na sanita. Porque me obrigavam a comer aquilo? Não gostava!

Cresci e não mais fui obrigada a comer isto. Nem remotamente estava no cardápio. Para mim não existia, não era opção. E então, uma ida ao supermercado e um vislumbre ocasional, mudou tudo.
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Muitas vezes fiquei a pensar neste acontecimento. Como é possível, detestava tanto, até o cheiro daquilo, e algo no meu organismo desejou décadas volvidas, consumir aquele pedaço de carne. O cheiro virou perfume, o sabor delicioso, a textura adorável. Senti-me revigorada após devorar o fígado. O meu único receio era pensar nas doenças como a BSE e como é desanconcelhável consumir os órgãos internos de um animal. Hã... mas porquê não haviam essas preocupações quando era miúda?
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Andavam as aves com gripe, as galinhas com febre, os peixes com mercúrio, as vacas loucas e nada parecia ser seguro. E eu a consumir fígado, com gosto, quando sempre o detestei. Porquê?
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Mais tarde descobri sofrer de anemia. E descobri também que o fígado é rico em ferro, um nutriente que, no caso, tenho em carência. Para mim ficou explicado! E passei a admirar ainda mais esta máquina surpreendente que é o corpo humano. Como soube ele o que comer? Como, volvidos anos e anos, nunca mais tendo degustado aquilo, soube ele que era o que precisava comer?
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O Corpo Humano é espantoso.
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Por isso, deixem as grávidas ter os seus desejos e comam o que vos apetece. O organismo lá sabe o que diz... escutem. Pena que ás vezes fala chinês e não entendemos.
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Quando passei a gostar de fígado, passei também a sentir saudades de outros cheiros de cozinha que me perturbavam na infância. O cheiro da comida dada ao cão, por exemplo. Os chamados «miúdos» de frango. Ainda não sei bem em que consistem, mas o animal consumia daquilo aos quilos. Era só para ele. Era alimento de cão, não de pessoas.
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Agora invejo-o tanto! Cheguei, inclusive, a desejar o prato que estava no chão para o cão...
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domingo, 17 de agosto de 2008

escravos da química?

Quem é que nós somos?

De onde vem a personalidade?



Quantas e quantas vezes fazemos esta pergunta. Principalmente quando pensamos nas nossas diferenças com os outros, com os que nos são próximos. É comum pessoas com laços de sangue directos serem pessoas totalmente diferentes. Uns dizem que o que somos é fruto daquilo a que somos expostos. A minha teoria é que isso nos molda, mas o que somos, já nascemos sendo.



Muitas vezes interrogo se o que somos não passa do conjunto químico do nosso organismo. É sabido que pequenas alterações causam pequenas alterações de comportamento. As mulheres então, sabem-no como ninguém. O aparelho reprodutor não as deixa esquecer e de semana a semana, traz um estado químico diferente. Sim, estou a falar de SPM (Síndrome pré-menstrual) ou TPM, como se diz no Brasil. Mas a mulher ainda tem pela frente a gravidez e posteriormente a menopausa. E ambos os sexos passam pelos hormónios da adolescência, que chegam a extremos. Da depressão suicida à invencibilidade.



Somos por isso, escravos da química do nosso organismo?
Acho que sim, um pouco. Que não é pouco.


Se privados de sono por umas noites, ficamos irritáveis. Se privados de oxigénio ficamos lerdos. Privados de outras e tantas substâncias ou elementos essênciais ao bom funcionamento do organismo, mudamos como pessoas. Isso também bem o sabem quem sofre de doenças como a Bipolaridade, a mania, a paranoia e a depressão.

São tantas e tantas as condições humanas que influênciam o nosso bem estar físico e psicológico, que se pode concluir a vulnerabilidade do ser humano a tudo e qualquer coisa.


Mas o perigo maior não reside na existência destas condições mas em dois outros factores: o primeiro, a incapacidade geral de uma massa de indivíduos ou mesmo de poucos indivíduos ou do próprio, de entender que padece de algum distúrbio. O outro factor mais nocivo que a condição em si, é a ausência de tratamento adequado e capacidade de diagnóstico.



A ciência da medicina tem evoluído ao longo dos anos, mas parece também que não sai do lugar. Quem é doente continua doente, quem se trata não vê surtir efeito e descobrir a causa-remédio é ainda difícil de precisar, quando não impossível.



Mas a medicina está a entrar noutras áreas, no campo molecular e a investir na medicina mais científica, menos colateral e mais eficaz. Apenas nunca mais é implantada, massificada e distribuida a todos. Será esta a verdadeira medicina curativa? Disponível só para ricos?



Uma dica para fugir a estas perturbações nada fáceis de detectar, é levar uma vida e viver num ambiente saudável. É cliché, mas é o que funciona. Horas fixas para levantar e deitar, refeições leves, variadas e espaçadas de três em três horas, preferindo não comer nada após as 18.00 horas. Mas não prive o organismo de alimento, se este o pedir. Eduque-o. Quer pão com manteiga? Beba um copo de leite morno. Quer bolachas? Coma metade de uma maça. E beba água. Saia de casa e faça passeios, faça desporto, conviva com terceiros, trabalhe no que lhe dá prazer, se puder escolher. Tudo isto é cliché mas é até agora, o que faz sentido para evitar as maleitas do mundo moderno.



Mas quantos, mesmo sabendo, conseguem fazer o que descrevi? Garanto que eu não... vejam as horas a que escrevo e entendem de imediato. O ambiente é essêncial. Se não tem aquele que precisa, é necessário criar um. Na verdade, o primeiro e mais importante passo para a cura de qualquer malfeita está acima de tudo nas mãos do doente. O médico orienta, o médico tem recursos científicos mas é o paciente que decide.


Decida então se quer ser escravo das suas hormonas e se não, comece já a mudar o que não está bem na sua vida. Falar é fácil, agir também, embora pareça difícil.



Encontrei uma página na internet por demais interessante e informativa. Há que espreitar. Nela pode navegar e descobrir várias informações sobre o funcionamento do organismo e a nossa saúde. Ponha a saúde em dia e já que se fala de hormonas, começe por aqui:



http://www.glssite.net/edusex/edusex/as.htm


EDUQUE-SE!