Vim avisar aos que possam se sentir com vontade de me dizer para ir votar que o direito ao VOTO é um DEVER que exerço desde os 18 anos e não somente desde que este governo (no qual não votei) assumiu o poder ou a partir do momento em que senti que tudo estava a ir para o cano.
Votei em
Presidênciais, em
Legislativas, em
Autárquicas, em
Europeias, em
Regionais e em
referendos. Em 1998 votei «sim» no referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez, na qual existiu
68,11% de abstenções. Meses depois votei no referendo sobre as regiões administrativas, que teve uma
taxa de abstenção de 51,88%. Gostaria de ter votado também no referendo sobre a doação de órgãos presumida (a partir do nascimento), mas esse assunto nunca foi trazido a debate ou referendo e passou de imediato a lei em 1993. Não consigo recordar se, volvidos quase 10 anos, em 2007 voltei às urnas para repetir o voto em mais um referendo sobre o aborto. Penso que o fiz, pois tenho uma ligeira impressão de sentir estranheza pela repetição da situação. Mas se não o fiz, foi apenas uma das duas ocasiões em que tal não me foi possível. De 1998 para 2007 a mentalidade sobre a interrupção da gravidez evoluiu mas a abstenção nem por isso: ficou nos
56,53%.
Nenhum destes referendos foi vínculativo, porque o povo na sua grande maioria
se absteve de exercer o seu direito de voto e assim manifestar-se de forma ímpar na democracia portuguesa.

Meus falecidos avós foram pessoas simples, de poucos estudos e mal sabiam escrever, mas exerciam religiosamente o seu direito e dever de voto, com uma consciência cívica de levar vergonha aos que durante todos estes anos têm preferido fazer compras de supermercado enquanto se decide quem vai comandar o país.
Queria recordar todos os que nos últimos governos não foram às urnas, que se a minha vida está mais difícil, assim como as vossas, muito se deve a isso. Parte da responsabilidade é vossa, dos que se abstêm, foram preguiçosos e não quiserem dispor de 5 minutos ou sair sobre chuva e ventania para fazer uma cruzinha num papel, preferindo prescindir de um dever ganho a pulso em todas as democracias, para ir passear ou ficar em casa a ver televisão.
Portanto, VOTEM!
Mas não venham agora com lições sobre o funcionamento da democracia e cheios de moral, lol.