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sábado, 9 de dezembro de 2017

Lisboa não é amiga dos Lisboetas


Lisboa não é para os Lisboetas.
Não sei para quem é, mas talvez seja para os turistas.

Desde que cheguei que tenho tentado não me aborrecer com aquelas coisas que sempre me aborreceram. Coisas relacionadas com incompetência, falta de respeito, maus serviços, etc, etc.

Estou que não posso...
Tudo o que vou relatar gera um nível de stress brutal.



Seja em que hora for, andar nos autocarros da Carris é difícil, mas a um sábado é impossível! Só para quem gosta de ser torturado. Gostam de tortura? Viagem pela CARRIS! 

Se gostas de viajar apertado entre muitas pessoas, que ficam a respirar em cima de ti, a cuspir em cima de ti, a gritar nos teus ouvidos, a pisarem-te os pés, a darem-te encontrões, a segurarem-te a ti como se fosses um poste -- então Lisboa É PARA TI.

Os únicos que parecem não se incomodar com esta situação são exatamente os turistas. Estão sempre a gargalhar. Para eles tudo é uma festa. Estão de passagem, o que custa andar num autocarro/elétrico sobrelotado? 


É ouvi-los a rir, a falar uns com os outros sem parar, a dar gargalhadas. Acham piada. Piada ao facto de não se poderem mexer, de estarem num espaço confinado, de verem mais e mais pessoas a entrar e nenhuma a sair. Amanhã apanham um avião rumo a outro destino e a experiência teve graça. Mas para quem vive em Lisboa como é que é?

Divertido?
Dá vontade de rir?
Fica-se bem disposto?
Sente-se descontraído?

Dá vontade é de matar uns tantos...
Dá vontade de meter todos os ministros e políticos a viajar de autocarro!



Desde que cheguei a Portugal, seja a que hora for, não há um Sábado em que consiga viajar num transporte da Carris que não esteja sobrelotado. 

Se este é um dia da semana de muito movimento, então aumentem as carreiras, a frequência de carros e, no metro, ao invés de escolherem carruagens com apenas três elementos na linha verde e afins, continuem a usar os mais longos! 


Porque como está, é um desrespeito pelos utentes. Haviam pessoas a queixarem-se que não viam um autocarro passar fazia uma hora! E o pior, a meu ver, é a inutilidade das carreiras. Não há alternativas. Só se pode apanhar UMA. Podem passar cinco veículos numa paragem mas, para ir ao ponto C, só uma carreira serve. Principalmente a certas horas e aos fins-de-semana. É tudo tão mal feito - feito apenas para contenção de custos. Isso é tão visível que eu até já sei que, aos Sábados, vou encontrar um dos acessos ao metro vedado e metade das escadas rolantes desligadas. 


E depois vejo aquelas pessoas de mais idade, com uma mobilidade mais reduzida, a quererem sair do autocarro... e penso: bolas pá! Nem para estas pessoas são amigos. Não pensam no conforto das pessoas. Obrigam todas a viajar apertadas como sardinhas em lata. E se uma destas cai? E se magoa? Quem é o responsável? É que TODOS os autocarros em que hoje pus a vista em cima circulavam sobrelotados. Não havia alternativa. Para que entendam, hoje passaram pela paragem onde eu aguardava o meu uns três e nenhum parou! Por não terem mais espaço para receber passageiros!! 

É inadmissível.


E tu ficas ali, a vê-los passar sem parar para entrares, enquanto um electrico verde, decorado com azevinhos e conduzido por um pai Natal, passa pela rua a acenar...

O Pai Natal que vá mas é de trenó, que o que os passageiros precisam é de um elétrico livre! 


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Terá sido o futuro próximo?

Conhecem a Cat Lady dos Simpsons? A personagem doida que anda sempre rodeada de gatos e não diz coisa com nexo?


À pouco fui abordada, do nada, por uma senhora «assim». Alta, magra, maquilhada e com um casaco preto cheio de pêlos brancos que denunciavam que tinha muitos animais. Começou a falar comigo. Sobre tudo, sobre coisas esotéricas e sobre a sua relação com os seus gatos. Falou 8 minutos comigo até que nos separamos.

Não levei a mal. Não sou pessoa de fugir das outras, se não vêm para me fazer mal algum. Fico um pouco alerta mas não me incomoda falar com estas pessoas. Ainda mais se me parecer que estão sós e não têm grandes oportunidades de trocar conversas com mais ninguém.

Mas ocorreu-me que aquela posso ser eu, daqui a 10 anos.


A mulher-gato dos simpsons...
A que podia ter sido tudo na vida, uma grande cientista com um QI acima da média e acaba... doida, cheia de gatos. A senhora que me abordou falou de estudos que realizou entre diferentes espécies e os que pretendia realizar... Sei lá. Eu me vi doida também, era só uma questão de tempo até ter este tipo de «doideira».

E foi então que percebi que já estou na autoestrada rumo a essa paragem. Só no que diz respeito ao dia de hoje, falei sozinha em voz alta um incontável número de vezes. Isto começou a acontecer-me devido ao stress de andar de transportes públicos ou para os transportes públicos. Comecei a «desabafar» pensamentos em voz alta. Uma palavra, um desabafo. Mas já faço diálogos... E já não são apenas quando estou sozinha e ninguém me escuta, mas quando podem escutar também... ai!

Hoje refilei em voz alta enquanto atravessava a estrada. Porque vinha uma "procissão" de nossa senhora de fátima de tão lentos que os veículos andavam. Assim que passam e eu me lanço para o outro lado, surge um automóvel em excesso de velocidade. Barafustei logo e devo ter feito uma figurinha tal que a condutora reduziu de imediato a velocidade. Stresso muito por causa dos transportes. Cada vez que corro ou apresso o passo para percorrer os 15 minutos que me levam até chegar ao metro, desço aquela escadaria toda a correr, perco sempre a carruagem por segundos. TODOS os dias. Não importa a hora a que saia, a velocidade a que corra. E isso é super enervante!
É de dar em doida, realmente. Como pode uma coisa assim? Todos os dias??

Reparei que ando marreca. Que ando torta. Porque habituei-me a «correr» para todo o lado. E correr para quê? Se me fazem sempre esperar, esperar, esperar... E quando tenho de escolher em que paragem ficar, sempre escolho aquela onde o autocarro vai demorar em detrimento daquela onde ele vai passar dali a minutos.

Habituei-me às dores nos pés, às dores na coluna, ao sacudir dos veículos - alguns oferecem autênticas chicotadas na base da coluna cada vez que passam em velocidade sobre um buraco ou declive no asfalto. Outros quase nos projetam por metros. E nas curvas? Quase nos amontoam a todos a um canto. São anos e anos disto. Ainda por cima hoje, com a greve do metro durante a manhã, não restou alternativa senão os autocarros da carris... E eu, sempre educada, porque nem stressada sou capaz de o deixar de ser, tive logo que entrei e aquilo começou a andar, uma mulher a refilar comigo porque lhe estava a incomodar os meus cabelos e queria que eu me posicionasse de forma aos cabelos não lhe tocarem. Isto há com cada uma! Num autocarro cheio de gente, todos com cabelos, muitos mais compridos e chatos que o meu, e a mal educada vem sempre ter comigo... Foi um stress. Ainda por cima, foi um dia de ir uma hora de transportes, voltar hora e meia de transportes, aguardar 50 minutos e voltar a outra outra hora de transportes e regressar agora, que são quase duas da manhã, após mais 59 minutos de transportes....

E o que acontece ao fim de anos e anos deste tipo de stress? Vira-se uma cat lady...