Já aqui contei da descoberta do meu primeiro cabelo branco?
Se já deixem-me acrescentar que, por uns largos meses suspeitei que me tivesse abandonado. Desprendendo-se e caindo algures, contribuindo assim para «mais um» que abandona este corpo sem dó nem misericórdia. A sua ausência prolongada estabeleceu-se e tristemente, já me conformara com o seu sumiço.
Heis que um destes dias ao entrar num provador de roupa, que são lugares muito bem iluminados, com luz forte e branca, vejo algo a reluzir como se fosse prata, lá, no cimo do hemisfério direito da cabeça. Vejo o meu branquinho, empinado e feliz, reluzente debaixo daquelas luzes como se fosse uma decoração natalícia.
Fiquei feliz. Celebrei e fiz-lhe festinhas.
Prefiro ter um fio de cabelo branco a ficar com menos um.