quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Nova inquilina e as coincidências que não param



Tenho uma nova colega de casa.
Apareceu no último dia de Fevereiro. 

Foi uma total surpresa para mim, ninguém me disse nada, por isso não estava à espera. 

Quando cheguei no dia 22 o indivíduo veio bater-me à porta para me pedir dinheiro para as contas do gás e electricidade (inclusive para cobrir a semana em que cá não estive). Aproveitei para lhe perguntar se já havia alguém novo para cá morar.



"Não sei de nada" - respondeu.


Eu devia ter suspeitado que vinha aí alguém. Porque ele voltou a recorrer à mesma técnica de vir pedir dinheiro na véspera da nova inquilina se mudar. E não aceitou adiar para o dia seguinte - dia da chegada dela. Porque já sabia que ela ia aparecer. Mas mencionou-o? Não! 

O modus operandi dele não varia muito. Quase nada. 
É até enjoativo, depois de se perceber, vê-lo a "trabalhar".

A rapariga chegou e durante horas ninguém me disse nada. Não fosse eu descer à cozinha num momento em que os dois falavam e nem lhe tinha visto o rosto. Tal e qual como aconteceu com a outra. E é ele que gosta assim. Caso contrário, teria mencionado a sua chegada e também feito as apresentações.

Ele nem gosta que alguém mais queira conhecer a pessoa. Não antes dele, pelo menos. Tem de ser ele o primeiro a ter contacto imediato e estabelecer as regras. Porque assim, caso eu queira opinar e for contra algo que ele já disse, pouco posso fazer, além de ficar mal vista com a nova colega.

Eu queria poder a receber com um: Bem vinda! Como te chamas? Olha, queres isto, aquilo, funciona assim, deixas aqui dinheiro para as contas... 

Ele faz questão de se apoderar da pessoa e não a larga tão cedo. Não dá espaço para que outros se aproximem. Assim que eu entrei na cozinha ele não pareceu agradado. Hesitou e depois disse-me o nome da rapariga. Apertei-lhe a mão, disse-lhe o meu nome e não tive tempo para olhar o rosto dela como deve de ser, porque ele fez questão de sair da cozinha para continuarem a conversa longe de mim. 

Foi com a sensação "já vi isto antes" que percebi que ele, com o pretexto de lhe mostrar a casa (que já havia mostrado, como é óbvio), ia sondando a vida da rapariga. "Amanhã vais trabalhar?", "Quantas horas trabalhas?", "Quais as horas a que trabalhas?", "Quando folgas?", "Onde é que trabalhas?". 

E como quem não faz de propósito mas já com tudo mais que estudado, faz perguntas em duplicado ou triplicado. "Disseste que amanhã vais trabalhar?".

Nada disto é conversa trivial. Tudo serve um propósito egocêntrico.

Conhecer de imediato os horários de todos da casa é algo que ele sempre tenta fazer. Agrada-lhe ser detentor de todo esse conhecimento e saber exatamente quando tem a casa só para si. Quer estar no controlo de tudo, ser o único que sabe a que horas é que fulana sai de casa, se sai para trabalhar ou vai de férias, ou dar um passeio. 

Estou aqui de mangas arregaçadas e incapaz de descansar e relaxar exatamente por causa do calor excessivo que sinto na casa. E não posso desligar a porcaria da caldeira que o homem não deixa. É quase meia-noite e a caldeira está ligada consecutivamente há 9 horas. Mais sete horas que esteve da parte da manhã e temos um consumo exagerado de gás. 



Uns são mais friorentos que outros mas eu acho isto um exagero. O bafo quente que me atinge os pulmões assim que abro a porta do quarto para o corredor, até me assustou. É muito abafado. A porta do quarto dele fica ao lado, e ele a tem encostada. Só podia vir dali a fonte de calor. Estiquei a mão até a abertura e o calor que radiou dali fez-me supor que o radiador devia estar perto. Ele só pode estar também a morrer de calor ali dentro. Mas por algum motivo de gosto pessoal prefere assim. O mal está que impõe essa preferência aos restantes e esta têm consequências económicas.

Em termos financeiros é um roubo: sozinho ele é responsável pelo consumo diário de 5 euros só de gás. 

Isto é um regime DITADORIAL... 
E o ditador é quem manda. Quanto dinheiro quer, quando, por quanto tempo, quem o dá e quem não o dá.

Por mim, quase nem ligava a caldeira. Nem sempre sinto frio que o justifique e não aprecio o ar pouco oxigenado que os radiadores provocam.

De momento não tive opção: tive de abrir a janela.
E estou a gostar. Calor e ar fresco. Delícia!!

Acho que devia ir morar para países escandinavos... 
Aqueles onde as pessoas vão nuas para as banheiras de água quente externas à casa, no meio da neve :D  
  


Acreditar no poder da oração (que seja o ano do cão)


O horóscopo Chinês dizia que o ano ia começar atribulado mas que depois ia conquistar o que precisava, profissionalmente e no lar.

Pois vim aqui para que torçam para que isso aconteça já.
Aguardo uma resposta de um emprego. 
Estou a dar uma segunda oportunidade ao "lar" que arranjei.
Tudo depende desta resposta. 

Preciso desesperadamente que as coisas comecem a correr a meu favor. Cheguei a um ponto que estou quase para desistir. Mais uma contrariedade e sou capaz de o fazer. Simplesmente não consigo mais trilhar por esta estrada de tantos dissabores. 


Como acredito no poder da oração e da boa vontade, peço que partilhem comigo desta vontade. Preciso de boas energias, positivismo.

Já orei por paz, harmonia e felicidade laboral e do lar num lugar de culto e fé. 
Decidi deixar um pedido de oração também por aqui.

Boas energias são sempre bem vindas.


E que tudo corra bem - aos de bem e com todos de bem.


terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Google maps ajuda terroristas


Procurava localizar um Hotel.
Então recorri ao Google Maps.


Por engano no nome, o google foi parar a um Hospital. 
O meu choque foi total quando percebi que o google estava a mostrar-me não a estrada onde fica o hospital, mas o INTERIOR do hospital. As recepções, as salas de espera, as salas de tratamento, a maquinaria, todos os corredores e escadarias.













Este país está a desiludir-me cada vez mais. 


Sobressai o non-sense
Dizem uma coisa, fazem parvoíces. 



O google Maps é suposto estar vedado a lugares de segurança, como aeroportos e hospitais. Vivemos num mundo com terrorismo. E o Reino Unido é um dos alvos favoritos. Têm tantos cuidados e medo de atentados terroristas e no entanto, há um hospital todo mapeado no Google maps!



E se têm um, o que impede de terem mais??


Venham terroristas, conheçam os nossos quartos, a área para as crianças brincarem... Vejam bem e decidam onde querem colocar os explosivos.




domingo, 25 de fevereiro de 2018

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Sinais enviados pelo além


Acreditam em mensagens que nos são enviadas para que entedamos que rumo seguir?

Já estive mais longe de acreditar.



Quando estava naquele emprego vivi muitas situações de injustiça. A cada uma eu sentia que devia pedir demissão. Mas relevava, imaginando que as coisas podiam melhorar ou que eram simplesmente iguais em todo o lado, mais valia ficar por ali.


Estava completamente enganada. 
Depois tive um contacto breve com outro ambiente de trabalho no mesmo ramo e as pessoas eram totalmente diferentes. Melhores. Equipa de verdade. Senti vontade de bater com a cabeça na parede e chorar. Tomei consciência da minha parvoíce em ter permanecido por tanto tempo e após tanta angústia e sofrimento no emprego anterior.

Total PERDA DE TEMPO.


Concluí que tudo pelo que passei afinal eram também sinais. Para que eu  aprendesse que o rumo a seguir não era aquele onde estava. Mas eu ignorei. Estes sinais iam ficando "maiores" para ver se eu "entendia" a mensagem que era suposto entender. 

Ignorei-os.



Porém, no finalzinho existiu um outro género de mensagem que me fez sentir que o meu fim estava próximo, quase imediato. Ainda assim, não fui eu que o fui buscar, deixei que mo viessem entregar com fúria e injustiça.

E que «mensagem» foi essa?
Uma coisa muito simples: uma semana antes de ser demitida surgiu uma colega nova com o mesmo nome que eu. Brinquei, mas no fundo era uma intuição minha, com base em nada, que ela ia substituir-me. A "velha" portuguesinha ia embora porque tinha chegado uma mais jovem. 


Partilhei a ironia com uma pessoa e esta achou que eu estava a ser parva.
Mas o que ironizei aconteceu. E com isso terminou o dilema da chefe - que não sabia como diferenciar o nome das duas na folha de serviço, e ia usar "new" e "old". Lol.

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Há outra coisa em que deixei de ter fé: nas coincidências. 
As coisas acontecem por acaso ou com um motivo? Cada vez acredito menos que seja por acaso...

No meu dilema entre sair ou ficar nesta casa onde estou a morar, acabei ficando. Mas nesse processo, existiu um período em que vagaram quartos e outras pessoas interessadas em ver os mesmos entraram em contacto com os da casa para marcar uma visita.

O meu espanto foi total quando a primeira pessoa que me apareceu foi uma portuguesa chamada "portuguesinha". Outra? Mas quantas podem existir, não é mesmo?

Ao chegar de viagem e ao voltar a esta casa, não me senti "em casa". Senti tristeza. Incerteza. Dúvida. Ontem passei o dia inteiro emerge em questionamentos. 

Acho que estou a voltar a não querer ver os sinais. As mensagens.

Deus está a enviá-las e eu estou a justificá-las.
"Não, talvez ela seja inocente", "talvez seja só ele", "talvez agora dê certo", "talvez não me estejam a usar".

O pior cego é aquele que não quer ver. Ou já tem tudo à vista e continua sem ver. 
Será que eu sou esse tipo de cego??
Ou será que é a minha boa fé e vontade de acreditar no lado bom das pessoas que me cega?

E então...
Outro sinal. 
Mais uma pessoa interessada em ver a casa - o quarto que estou a ocupar. Alguém para ficar no meu lugar. Nome da pessoa? "Portuguesinha". 

Duas portuguesinhas a querer vir morar para onde já existe uma portuguesinha, não é coincidência - é um sinal do além: 


"Portuguesinha, sai daí, 
outras como tu virão, 
mas tu tens de ir embora".






Caring about things is a defect


Tudo o que aprendi na "catequese" a vida tem-me ensinado que está totalmente errado.

Já percebi que está mais para defeito do que para qualidade, a capacidade maior que um indivíduo tem em preocupar-se com terceiros

Se não te diz diretamente respeito, se disso não tiras proveito próprio, preocupares-te é um defeito. Querer bem é defeito. Querer resolver as coisas é defeito.

Ser altruísta é defeito. 
Ser caridoso é defeito.
Ser atencioso é defeito.

Tantos defeitos tenho eu.

Os egoístas vivem a vida tão bem. Evoluem nas carreiras, têm coisas boas, fazem pouco caso de tanta coisa. É ao funeral destes que milhares de pessoas atendem. A menos que sejas um artista, talvez... e boa pessoa. Mas boa pessoa anónima que morre, tem duas ou três almas a rezar pela sua alma e fica-se por aí. 

Também Cristo não teve multidões a lamentar a sua.
Talvez por essa perspectiva seja reconfortante. A sinceridade, a pureza, é reconhecida por poucos. Raramente por multidões.


Aprendi uma grande lição noutro dia.
Cheguei lá "sozinha", embora já a conhecesse, ainda não a tinha sentido produzir qualquer mudança em mim. Essa mudança é ténue, mas finalmente foi semente que está a brotar para planta. Se vai ou não vingar, se vai apanhar sol ou água suficiente e ter um solo fértil, isso não sei. Mas a semente germinou. 

Falarei disso noutro post. 




quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Muro de Berlim em Lisboa


Sempre gostei de passar pelo Campo das Cebolas, em Lisboa.
Aquela parte jardinada era simplesmente bonita de olhar, com as suas árvores e geografia.
Jardim um pouco mal cuidado, mas a vista fugia-me sempre para ali.

Os olhos gostavam de ver a amplitude do espaço, os edifícios e pessoas à distância.

Aguardava o final das obras para ver o resultado final. Sei que foram encontrados grandes tesouros arqueológicos que atrasaram as mesmas mas aguardava para ver o espaço recuperado, lindo, verde.

As obras terminaram e o resultado final não podia ser mais deprimente.
Toda a área está coberta com um muro de pedra. Todo o quarteirão, até mesmo depois da curva.

Uma estética que contraria a de toda a cidade. Contraria toda a ampla zona de Belém, vai contra a vista aberta de toda a cidade de Lisboa, que tanto agrada a população e os turistas.

Não sei no quê aquele espaço se transformou. Talvez seja mais um parque de estacionamento subterrâneo. O que não entendo é porque a superfície tem de ser vedada, ainda mais com um muro de pedra tão feio, tão inestético, tão fora de sítio, tão alto.

O muro de Berlim português. 😑😒😠😡😢

Muro no campo das cebolas
Na esquina alguém escreveu um grafitti
a condenar a opção estética.
Não consegui fotografar mas concordo a 200 por cento.



Em Portugal também será assim??


O aluguer de quartos por aqui é algo estranho. Todos anunciam um espetacular espaço, moderno, perto de tudo. Quarto «single» e espaçoso... Olhem só estas fotos de um desses tais quartos.



Parece uma porcaria. Um cubículo. Onde não apetece morar.
Um colchão em cima de uma cama dobrável e praticamente nenhuma arrumação, sem cabeceira ou candeeiro.

Por isto pedem 400 libras - o que para a área é um pouco puxado.
Mas ainda piora: trata-se de uma casa com o senhorio a viver dentro. A sala é dele, a cozinha é dele, tudo está decorado e tem as fotografias da família por toda a parte. O chuveiro é do jeito que ele gosta, com as coisas dos donos da casa... E tu és suposto "usar" esses espaços - isto se a sala não tiver restrita como tanta vez acontece. Partilhar uma casa com um senhorio e sua esposa e/ou filhos soa a algo terrível. Os direitos não são iguais, os hábitos também são diferentes. Eles estão na sua casa. Podem receber amigos, receber os netos, ter animais de estimação... Tu não tens esses mesmos direitos, mas tens de levar com os do senhorio. 

Neste caso em particular é ainda pior: têm dois cães e o quarto só está disponível de segunda-a-sexta. Fins de semana é suposto não lá estares. Dormes na rua, se calhar. Ou então querem alguém que só trabalhe aos dias de semana e aos fins-de-semana tenha outro sítio para onde ir. Por estas regalias todas e um quarto tão bom, têm a ousadia de cobrar o mesmo que se cobraria por um quarto numa casa partilhada, onde todos têm os mesmos direitos.   

Isto revolta-me o estômago.
Nem sequer fica bem situada, a casa. Não te dão quase nenhumas regalias, as condições são bastante limitadas, "chulam-te" dinheiro suficiente para lhes pagar as contas mensais, o supermercado e sei lá que mais. Tu é que lhes estás a fazer um favor, e não o contrário.

Não compensa NADA.
Matas-te a trabalhar para eles usufruirem. E tu, de segunda a sexta, ficas num minúsculo quartinho com más condições, onde provavelmente terás de ficar sempre que não tiveres a trabalhar.

Escravatura, pá...

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

O toque ANAL


Só hoje, agora mesmo, «entendi» a letra de um programa português dos anos 80 que era adorado por (quase) todos: O TAL CANAL.

Nesta versão, subitamente tudo ficou claro.



Além de "O Tal Canal" por vezes soar a "o toque anal" a letra parece mesmo fazer referência a uma preferência anatómica homossexual. "O que mais adoro em ti é o tal Canal. Adoro a tua boca mas o que mais adoro em ti é o tal... canal".

Anatomicamente, a boca fica no rosto. E o canal...?  😄 😄

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Felicidade de emigrante


Começo a entender peculiaridades da vida de emigrante.

Quando vais viver para fora do país, ao regressares todos querem saber como estás. E tu respondes:
-"Estou bem".

Todos assumem que tens uma vida melhor lá fora e, por isso, talvez até sintam um tanto de inveja. 
Não vêm os sacrifícios, vêm o salário - que imaginam melhor que o deles. 


O que não vêm são as preocupações que não são reveladas. Não vêm as peculiaridades da vida de emigrante - o não ter casa própria, por exemplo. Quando apareces no teu país "fora de horas" pensam sempre que tens uma vida facilitada. Enquanto "eles" têm de trabalhar todos os dias. E tu, estás de "visita". Como consegues estar de visita? Deves ter um excelente emprego! E dinheiro para viajar... 

Não vêm a solidão. E quando fazes um amigo e o descobrem, parece que também isso os incomoda. Será por ser um sinal de ajustamento ou de felicidade? 

Algumas pessoas entram dentro do seu automóvel e, enquanto dirigem até as suas casas, ficam a pensar na vida sacrificada que levam. Um carro a pagar a prestações, uma renda de casa... e tanto trabalho. Ficam a pensar nisso enquanto tranquilamente adormecem nas suas camas, nas suas casas, com aquela sensação tão boa que é sentir que estás no teu cantinho.Vêm um emigrante e pensam que a vida deste não é tão sacrificada. 

Não vêm que não dá para ter automóvel a prestações, que a casa e o quarto onde vão adormecer não é só deles, é partilhada e não lhes pertence. Que tudo é provisório e incerto. E que o trabalho também é duro.  O dinheiro não lhes cai do céu. E o que têm de fazer para o obter, por vezes, é muito exigente. 

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Um ano de cão ou um ano de... ??


A passagem do Pedro Coimbra por este blogue para desejar um "feliz ano do cão" veio mesmo a propósito. Segui o link que providenciou para saber as previsões do meu signo para este ano. Eis o que me apareceu. A sério, fico de boca aberta!


Ando eu aqui a perder o meu sono, preocupada exatamente com a situação da casa. Decidi ficar onde não estava a sentir-me bem, devido à insistência da senhoria e também por o indivíduo ter vindo ter comigo para me dizer que "não precisava ir embora". Isso fez-me achar que existia uma abertura para regressar a uma convivência não digo de amizade, mas harmoniosa, sem atribulações e más vontades.

Mas se calhar interpretei tudo muito mal. O indivíduo não respondeu a um email que lhe escrevi expondo dois temas com os quais havíamos conversado: as contas e as limpezas. IGNOROU. E isso para mim é um sinal de que não está com a mínima disposição de facilitar as coisas e levar a convivência de volta para um patamar de tolerância, respeito e cordialidade. Não vai sequer esforçar-se. Foi tudo uma mentira.

E agora estou a voltar a questionar a minha decisão. 
Uma coisa que ainda não sabem é que... estou em Portugal! Yeih!
Tive oportunidade de vir uns dias e decidi vir.

E agora encontro-me aqui em terras lusas, sobre este sol de Inverno maravilhoso, e o meu pensamento, o meu precioso tempo, que queria ocupar com coisas boas, o meu descanso - tudo continua a ser invadido por aquela assombração, aquele tormento. 

Existe mais que um motivo para estar neste ponto.
É que, tomei a decisão de que vou ficar na casa mas irei mudar de quarto. Vou para um minúsculo, onde acho que me vou sentir melhor. Mas ainda não abandonei o meu! Tenho lá todas as minhas coisas. Ainda é o meu quarto, o lugar que é só meu e onde ninguém deve entrar sem meu conhecimento ou permissão. E bastou eu sair de lá para me sentir desrespeitada e invadida. Pois o indivíduo entrou dentro dele. Sem nada me comunicar. Entrou de um jeito como se fosse o "dono de tudo". Um jeito invasivo, arrogante, autoritário, ditador. 

E a minha inquietação regressou.
Quase duas da manhã - faz 4 horas que o vi entrar no meu quarto, e ainda estou aqui, a pensar se vai voltar a fazer o mesmo todos os dias da minha ausência.

Cada vez que alguém está prestes a sair de um quarto, é perguntado quando este está disponível para receber visitas e também perguntam ao actual proprietário SE PODEM levar pessoas para o ver. Isso não aconteceu. Através de uma camera que lá deixei, foi com espanto que vi a porta abrir-se e duas pessoas entrarem. A rapariga que nunca vi antes, deu três tímidos passos em frente e viu tudo com o olhar. O indivíduo não... ele entrou invadindo, como se aquilo fosse dele. Como se lhe tivesse dado alguma autorização para ver as minhas coisas, olhar para a forma como as disponho no quarto. Entrou e avançou, contornou a cama, fez críticas à forma como deixei o colchão, reposicionou-o, e sei que perscrutou com o olhar tudo o que podia, tecendo na sua cabeça críticas ao conteúdo dos meus pertences. 

Sinceramente, fiquei espantada. NÃO ESPERAVA. Sinto que é uma invasão, uma falta de respeito.

Sei disto porque tinha instalado uma camera de video que comprei com intenção de trazer para lisboa e me comunicar à distância com os meus. Mas a encomenda atrasou e ficou empatada na alfandega, pelo que quando cá estive no Natal, não a pude trazer comigo. Entretanto ao regressar ao uk, decidi tentar ver como funciona e liguei-a. A princípio não entendia nada daquilo e comecei a achar que foi um desperdício de dinheiro e, infelizmente, um mau investimento. Mas após alguma teimosia lá consegui a por a funcionar (instruções em chinês, vem a propósito do início deste post) e depois fiquei maravilhada. O "sonho" de ter uma camera vinha da adolescência e realizou-se agora. Não que pretendesse espiar, mas acho o máximo como registo. Então ela ficou ali, ligada. De vez em quando dava-me sinal que algo aconteceu, eu ia ver, e era eu que me tinha mexido e a camera não se esquecia de me alertar, eheh.

Mas quando saí de lá estava longe de achar que ia registar fosse o que fosse, senão um espaço vazio e silencioso. Contudo, ela já registou DUAS entradas não autorizadas no meu quarto

Uma ontem, outra anteontem e agora estou com receio que o faça todos os dias.
Bastou eu e a senhoria, que mora na mesma rua e também ia ausentar-se em viagem, «desaparecer-mos» dali. Subitamente até aparece uma pessoa interessada em ver quartos - algo que não acontece há mais de um mês, desde que vagou o primeiro. E também aqui, não faço ideia quem é a pessoa que entrou ali no meu espaço privado. Ao contrário de outras ocasiões, não recebi NENHUM email de alguém a mostrar interesse. 

Até nisso estou a ser vitimada. Pois tudo é partilhado online sem o mínimo foco na privacidade. Emails que só dirijo à senhoria são de imediato do conhecimento do indivíduo - de tal forma que suspeito que ele tem a password dela e é por isso que lê e "filtra" tudo o que esta recebe. Percebi que se lhe pretendo comunicar algo que fique entre nós e não seja anunciado, tenho de o fazer pessoalmente. Por email não dá. Já o solicitei no texto em letras em negrito - e no dia a seguir ouvi o indivíduo a perguntar à "mais nova" se tinha lido o email que eu havia escrito, mencionando-lhe alguns pontos do conteúdo.

Um email pessoal dirigido a uma so pessoa!!

Que a senhoria não me soube confirmar se o recebeu ou não ou se o partilhou (contra os meus pedidos). Inicialmente fez-se de desentendida, dizendo que não o recebeu. 

Para mim estavam os dois a tentar fazer-me passar por parva. E eu ia mesmo embora. Não havia volta a dar. Até que fui para a "nova" casa e não me senti a viver nela. Senti-me reclusa, infeliz. 

Mudei de ideias, decidi rejeitar essa nova casa, perdendo com isso metade do sinal que dei para reservar o quarto novo.

Não têm sido momentos fáceis, nem economicamente vantajosos. Vir a Portugal era suposto fazer-me renovar as energias, espairecer, pensar em coisas boas e focar-me no que interessa.

E aqui estou eu, precisamente a passar pelo inverso.
Cheguei cheia de positivismo, boas energias, boa disposição e vontade de fazer tanta coisa - já tudo me foi roubado. 

O que pode ser muito prejudicial. 

Ao vê-lo entrar pelo meu quarto a dentro sem sequer me avisar que tinha essas intenções, fiquei chocada mas tentei entender, justificar, pelo sentido de que "alguém" apareceu para ver o quarto - embora quase possa afirmar que a rapariga não solicitou ver aquele em particular, ele é que aproveitou para espiar. E depois, tenho a certeza que ele ia usar o pretexto de "ter de mostrar o quarto" para justificar a sua presença e não ser moralmente criticado pela presença não autorizada nem comunicada. 

Estava disposta a "deixar passar" este episódio isolado. Até surgir outro. Aqui há horas, a camera volta a dar-me sinal de que algo se moveu. Até temi... E vejo-o a entrar pela escuridão a dentro, direto à janela que está destrancada mas não aberta, e fica ali a fazer muito barulho nos estores de metal. Terá inventado uma desculpa para lá entrar? Mas com que direito? O QUARTO NÃO ESTÁ DESOCUPADO. 

Agora temo o alerta da camera...
Temo o próximo, quando devia continuar segura de que nunca ia receber nenhum.




quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

El Capone Jack is back


Há uns dias lembrei-me de Al Capone. 
E pensei no massacre do dia de S. Valentim.


Decidi que era melhor falar de Capone neste dia.

Sim, porque isto de amores e corações é tão enjoativo quanto chocolate em demasia!

Bom, mas o que tinha a dizer é até muito simples. 
Reflectia sobre a vida e concluí que pessoas más estão na terra para fazerem o contraste com pessoas muito boas. As boas sofrem muito e não ganham nada. Para equilibrar, há as más. Aquelas que se vingam e que o fazem duas vezes pior do que aquilo que recebem. Capone era o "mau" da fita. Mas ao menos ele sabia o que era pretendido dele. Tinha de ser o pior dos piores e ninguém podia cruzar o seu caminho. Sabendo disto, quem de bem se atreveria? Só outros como ele...

Bem, mas mudando então para assuntos românticos, porque, dizem - este é o dia dos Namorados, será mesmo verdade que esta famosa história de amor vai ter continuidade? Está muito bem feita esta edição!




terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Aqui estão as músicas do Festival da Canção


Estão aqui todas as canções concorrentes ao Festival da Canção.

São 13 músicas, cada qual com 45s para poderem ser escutadas.
Primeira impressão: são todas músicas. Não há pop, não há "festival". É quase tudo «Sobral effect» eheh.

Segunda impressão: maioria das vozes fracas, letras pouco sedutoras para uma audiência tão vasta.
Não há aquele casamento de voz com melodia.


Este ano Portugal não vai fascinar lá fora.
Sobral há só um :D



E José Cid também. 
E lá vai ele, mais uma vez, tentar ser o escolhido :D


Oiçam aqui.



segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018


Incomoda-me ver as pessoas a anunciarem no facebook o falecimento de familiares e amigos.
Também não gosto dos comentários, tão comuns, tão estranhos.

E assim banaliza-se algo tão único que é a dor da perda, tornando as "condolências" rápidas e despachadas.

Em 24h vi TRÊS pessoas diferentes a "anunciar" a morte de outras três.
Mas o que é isto??

Necessidade de serem as primeiras? De não perderem a oportunidade?
É mesmo preciso anunciar a morte de um primo que nunca mais se viu? Com quem não se tem grande afinidade? Para quê? Para quê fazer isso??

O que têm a dizer desta nova dinâmica social?


domingo, 11 de fevereiro de 2018

Se fosse o nosso Tony...



No início dos anos 90 havia uma música sempre a passar nas rádios, cuja melodia acabou por me entrar nos ouvidos. Fazia parte da banda sonora de uma telenovela brasileira na altura em exibição.

Calhei encontrá-las mas, como sempre fazem no caso das novelas, tratava-se de uma melodia originária de outra pessoa. Portanto deixo-vos aqui a original. Digam da vossa sentença.

 

Viver nos extremos


Há pessoas que se perguntam porque é que tem de existir tanto mal no mundo?

Porque é que Deus permite que serial Killers existam?

Porque também permite que existam boas pessoas.
Para cada extremo existe o seu oposto.


Por vezes percebo que beneficiaria socialmente se fosse mais agressiva, pior pessoa. Quando olho para trás vejo um rasto de lágrimas... Há quem veja um rastro de sangue de terceiros, dores de terceiros...

Não sei se entendem o que quero dizer.
Mas pessoas boas sofrem tanto! Boas de coração, de alma. Por vezes vivem uma vida inteira de sacrifício, sofrimento e chegam à velhice tão sofridas! Depois a recompensa é a morte. Na miséria, na solidão.

Depois também temos multimilionários que nem são boa rés. Criminosos inclusive, com umas tantas mortes ou vidas arruinadas nas costas, que vivem bem e depois morrem, tendo aproveitado bem a vida. Tendo quem cuide deles, pagando-lhes. Quem cuide de uma casa bonita, de um jardim cuidado, para que o conforto nunca abandone o proprietário.

Não há equilíbrio. Uns vivem mais nos extremos que outros.

Ainda sofro

Os olhos ficam com água, quando me lembro de como fui demitida.
Ainda me surpreende e sinto-o como um ferrão de injustiça vil.

As circunstâncias já as contei aqui, back then.
Mas quando percebo as implicações e as intenções dos envolvidos, sinto asco. Bílis devia sair do meu estômago, só de lembrar.


Calhou encontrar na internet sites a explicar quais os motivos que legitimam os empregadores a demitir pessoal com efeito imediato. Numa lista com uma série de motivos, não encaixei em nenhum! Mas muitos colegas que conheci pareciam encaixar na lista como uma luva.


"Ser capaz de fazer o trabalho mas voluntariamente recusar a fazê-lo" - eram logo todas as inglesas. Pelo menos duas dúzias de pessoas.
"Não ser capaz de fazer o trabalho" - mais umas duas dúzias de inglesas part-time estudantes.
"Ter um comportamento agressivo, de bulling e assédio" - eram logo uns tantos managers e team leaders.
"Roubar" - umas tantas colegas que "punham" ao bolso.
"Usar drogas ou aparecer bêbado" - mais uma vez, uns tantos team liders e pessoal de cozinha

E sou eu a que acaba demitida de forma tão vil? Opá. Sinto-me como Cristo. INJUSTIÇADO! 

É que este país tem leis para tudo.
Diz estar tão bem estruturado socialmente que seria de esperar que, com tanta lei, injustiça fosse algo que dificilmente seria recorrente na sociedade laboral. Mas passa-se exatamente o contrário! 


E são aqueles mais sacanas, que a "sabem toda", que se vão safando, sem fazer nada de muito bom, apoiando-se no esforço de outras pessoas, que dão o couro e o cabelo, para depois serem atropeladas por um comboio sem qualquer aviso. Ainda estou estupefacta por constatar o quanto este país e as suas leis são tão pouco eficientes para proteger os direitos dos menos favorecidos e das pessoas de bem.

Chego à conclusão de que, quanto mais "politicamente correto" for o país, mais injustiça acontece com os justos. E não é só por mim que falo. É a forma como sinto que as coisas estão legalmente estruturadas. O pretexto é sempre "a lei" mas essas leis parecem estar sempre a prejudicar aquele que se esforça e faz por as seguir. 

É um contra censo tremendo. 

Afinal fico


Afinal fico.
E espero não ter decidido mal.

Falo da casa para onde vim morar aquando me mudei para o UK.
Estava num dilema de atormentar a alma.

Se um lado de mim me dizia que partir era necessário e este o momento ideal, outra parte de mim estava a temer uma mudança precipitada para um lugar onde não me sentiria feliz.

E foi hoje, quando me preparava para a mudança, que senti falta de vontade em regressar para aquele que seria o meu "novo lar". Ora, se já ia começar sem vontade, pareceu-me subitamente que podia estar a tomar a decisão errada. O sim e o não andavam em duelo constante na minha cabeça. Quando regressei para apanhar mais pertences e levá-los para a nova morada, não me apeteceu mais sair.

Não sei se foi bruxedo. Se o santo do outro é forte e acabou por me impedir de ter o prazer de saber que ele ia ficar sozinho nesta casa e ter de desembolsar para as despesas, sem ter a quem recorrer, ficando à mercê de ter de pagar o próprio consumo, sem contar com a muleta de outros.

Mas tem outro motivo pelo qual mudei de ideias.
É que fui muito bem "pressionada" a ficar na casa.

Primeiro foi ele - o individuo. Que veio cobrar-me dinheiro para comprar coisas para a casa. Ao receber como resposta que não iria dar nada por estar de saída, foi embora mas depois regressou para me dizer que eu não tinha de ir embora por causa dele. Que por ele eu podia ficar na casa (como se ele mandasse e a sua opinião é que prevalecesse). Foi uma curta conversa mas que ajudou a dissipar o mal-estar que se vinha a criar fazia muito tempo. 

Não, não fiquei burra. 
Sei com quem estou a lidar. E para ser sincera, não sei se vou conseguir ter o mesmo tipo de tolerância que tive no passado. Acho que decidi sair desta casa por atingir um limite. Eu demoro muito a atingir limites mas quando atinjo, foram atingidos. A seguir posso suavizar tudo, relevar novamente, mas o meu limite não está mais no mesmo patamar. E a minha vontade para continuar a cumprir com as minhas obrigações também desce e fica mais próximo ao nível daquele que me foi apresentado. É como se um liquido fosse subindo por um tubo e uma rolha indicasse o nível da pressão. Surge uma altura em que o líquido entorna e a rolha vai ao cimo. Depois desce catastroficamente mas o nível de "reacção" já não está mais naquele ponto mais elevado, e sim num mais baixo.

Outro motivo - o mais eficaz para ser sincera, foi a persistência da senhoria, que me escreveu não uma, mas três vezes, a pedir para permanecer na casa. Dizendo que me valorizava como inquilina, que não queria tomar partidos por gostar dos dois e que talvez devesse relevar alguma coisa menos boa.

Gosto da senhoria.
Sempre gostei. De início pareceu dura, mas com o tempo trocamos umas confidências e mensagens de boas festas. Há quem nem isso faça. Lembram-se quando me mudei - próximo do natal, confidenciei que decorei a casa com motivos relacionados com a quadra e ninguém disse nada? Pois ela foi a única que deu retorno. Pequenos gestos de cortesia - que podem não parecer grande coisa, mas creio que acabam por significar muito mais do que o singelo gesto.


E fico.
Agora vamos a ver por quanto tempo.
É que nem tudo depende do ambiente da casa. O emprego é o que dita a minha permanência neste local. Se os meus objectivos não forem atingidos, então não tenho porque permanecer numa cidade com poucas oportunidades. Terei de me mudar para Londres mais central. 

Esta vida é feita de mudanças.
Eu queria uma já, para crescer e evoluir.
Mas temi que fosse mais um má decisão, tomada «intempestivamente», embora a viesse a cogitar secretamente fazia muito tempo. 

Tenho quase a certeza que, se a outra casa fosse mais moderna, talvez me sentisse bem nela. Mas apercebi-me que era quase a mesma coisa, apenas ligeiramente melhor em termos de isolamento térmico. Não encontrei espaço para mim em nenhum dos armários da cozinha e todas as oito gavetas dos congeladores estavam cheias, excepto uma: a última. Aquela que é a mais pequena por o motor do electrodoméstico encontrar-se atrás. E eu fiquei a olhar para aquilo e disse: "Claro! A mais pequena..." Não sei porquê, isso fez-me pensar que as pessoas que já moravam naquela casa iam ocupando os melhores lugares deixando livres para a pessoa que vier um único cubículo, sujo e pequeno. Em oito gavetas, podiam ao menos deixar uma grande disponível. Não tinham de ser mesquinhos.

Enfim, coisas que nos passam pela cabeça.

Não fiquei convencida com a localização do novo quarto. Aqui nesta cidade apenas algumas pessoas moram, a maioria aluga. É tal e qual essas localidades citadinas em que a procura de quarto é elevada por existirem universidades à volta. Todos tentam tirar proveito dos estudantes, transformando os seus lares em casas de aluguer. Aqui passa-se o mesmo. Esta cidade tem mais casas para alugar a trabalhadores do que famílias. Aliás, as próprias famílias alugam quartos nas suas casas para ganhar mais algum. É toda a gente a tentar extorquir, fazer dinheiro... Só que as casas são todas iguais e oferecem o mesmo... Nada de especial, por um preço que a cada mês está mais alto. Se quiseres um pouco de luxo, isso vai custar-te no mínimo até 300 euros mais e quando vais a ver o alegado "luxo" não passa de material reles com cores berrantes num espaço pouco atrativo.

Claro, vou perder parte do depósito que fui forçada a dar para garantir que me mudava para aquele lugar. Mas já tentei suavizar esse golpe financeiro ao aceitar mudar-me para um outro quarto vago nesta casa. Isso vai proporcionar-me a mudança que tanto queria e me fará economizar cerca de 100 libras. Talvez não seja mau, no final das contas. Vou sair da suite onde tenho espaço que me sobra por todos os lados e ir para o cubículo que nem espaço para armário tem. Mas sabem que mais? Gosto do cubículo! Desde a primeira vez que o vi, pareceu-me acolhedor. E como o meu objectivo é permanecer minimalista, acho que mudar-me para um quarto onde só tenho espaço para um colchão e uma pequena cómoda vai ser interessante.

Pelo mesmo valor podia mudar-me para o quarto de baixo - que fica ao lado da cozinha. Mas é um quarto grande e frio. O pequeno pode ser pequeno demais, mas parece-me acolhedor e quente. Preferi o pequeno e resguardado ao grande, mas frio e perto da cozinha. 

Aliás, o meu problema com o quarto que recusei foi mesmo o de ser na cozinha. Não ao lado, como este, mas dentro da cozinha. A verdade é que receei os cheiros dos cozinhados nas roupas, nos cabelos... E os barulhos. Onde estou é muito silencioso. Tanto que acordo e não consigo voltar a adormecer. Depois adormeço de exaustão e não consigo acordar eheh. E ia trocar um quarto sossegado por um que fica numa cozinha e, provavelmente, nem me deixaria sentir o perfume da roupa acabada de lavar?

O que vos parece desta decisão?

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Humildade e simpatia são coisas desvalorizadas?

Gosto de pessoas humildes.
Pessoas humildes fazem-me sentir pequena, pequeníssima.
Uma sensação que é boa, sensação de aprendizagem.

Também me considero uma pessoa humilde mas há quem seja mais ou tenha um tipo de humildade mais a descoberto, tão genuíno e puro que nos faz sentir menores. A minha humildade não sobressai ao olhar. Acho que, só de olhar para mim, o que se vê é alguém com "cara de poucos amigos". Eu gosto disso. Faz-me sentir menos vulnerável embora saiba que, assim que me mostrar como sou, mais vulnerável dificilmente poderia ficar.

E este tema a propósito do quê?
De nada e de tudo...

Saudade de quem partiu, saudade dos humildes, admiração por quem nunca perde noção do que são boas maneiras. 


Ontem deixei o que estava a fazer, deitei para trás uma indisposição que me atormentava o corpo e, a pedido de uma amiga, fui encontrar-me com ela. Tinha algo que queria me dizer. "E vem. Vá lá." "Vem". E lá vou eu...

Afinal ela não tinha nada importante para me contar. Apenas mais um desentendimento dos muitos que já me relatou, que tem com perfeitos desconhecidos por tudo e mais alguma coisa. Numa ocasião, depois de me ouvir falar ao telefone, pergunta-me um tanto irritada porque é que eu sou "tão simpática" com quem não me está a fazer favor algum. 

Sou como sou. Fui simpática com aquela pessoa, como também fui com ela.
A amizade dá-se gratuitamente, certo?
Ou vem com um preço?

Estou prestes a descobrir.

Pela primeira vez surgiu uma oportunidade de ser ela a fazer algo por mim.
Mas já noutra ocasião essa hipótese foi coagitada.
E ela remeteu-se para um silêncio incomum.
O silêncio regressou.
Até ficou incontactável.



terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

O ditador cá de casa


Assim que entrou em casa voluntariou ao canalizador que haviam muitos cabelos a entupir os canos. Este responde «nem tantos, só alguns». Depois começou a numerar uma lista enorme de reparações necessárias no banheiro. 

-"É preciso tirar este armário. E ampliar o banheiro. E arranjar esta luz. E substituir o chão. E arranjar aquela parede. E remover estes azulejos. E abrir a ventalização. E substituir as tábuas. E a sanita não está bem fixa ao chão. Ainda bem que não sou uma pessoa pesada". 

- "Eu vou dizer isso à senhoria" - responde o inocente canalizador, sem adivinhar onde se vai meter e como acabou de ser manipulado.


A conversa muda de imediato para assuntos que nada têm a ver com a presença do profissional nesta casa. Passa por política, pelos EUA, pela China, pelo comunismo, pela Alemanha. Já vi esta "conversa" antes. Já a tive também. E vejo acontecer com todos os estranhos que cá vêm a casa fazer reparações.

Talvez ele queira desesperadamente manter a sua imagem de pessoa muito simpática, participativa e colaboradora junto com a senhoria, e usa estes "pobres coitados" como bandeiras-estandarte e moço de recados, que vão levar com as "balas" todas que a senhoria sem duvida vai cuspir, assim que começarem a lhe desfiar um rol de reparações equivalente a substituir um WC inteiro.

Mas ele, que está por trás de cada ideia, sente-se escudado. Mandou um "soldado raso" fazer o seu «trabalho sujo».


Idiossincrasias do colega de casa detectadas nesta conversa que teve com o canalizador, que demorou uma hora e só foi interrompida pelo toque do telemóvel do profissional:


O que ele disse VERSUS o que ele faz

"Idade não significa nada" - mas está a restringir os novos companheiros de casa a "menina até 30 anos".

"Vivi no comunismo e haviam espiões por toda a parte" - Ele comporta-se como um espião nesta casa, sempre a vigiar o que os outros fazem, tal e qual como esses que recrimina. E impôs o seu próprio comunismo na casa.

"As pessoas tinham inveja dos outros que tinham mais" - Ele é que parece ficar desagradado com o facto dos outros colegas de casa ganharem mais dinheiro que ele. 

"Também havia coisas boas. Lá as pessoas não trancam as portas. Os vizinhos podem servir-se do que quiserem" - diz o único que possuí uma chave para trancar a porta do próprio quarto e que ficou furioso comigo quando mencionei o facto à senhoria. O mesmo que não gosta, sequer, que cheguemos perto do local onde ele armazena a sua bicicleta, onde guarda a sua comida, onde deixa as suas coisas. Insinua sempre que "alguém" lhes tocou só se desconfiar que alguém precisou passar por ali.

E pronto.
Digam-me lá da vossa sentença.

Faltam 9 dias...
Espero poder aguentar-me até lá sem surpresas desagradáveis. 

Porquê morrem as pessoas?


Sou crente de que nenhuma morte é em vão.
Acho que todas servem um propósito.


Quando soube do incêndio em Pedrógão Grande, que vitimou 64 pessoas imediatamente senti que a morte de tanta gente ia servir um propósito. Esta ia ser a tragédia que ia mudar para sempre o trajecto que todos os incêndios com vítimas mortais há anos percorriam em Portugal: falava-se 5 minutos no noticiário, depois tudo era esquecido.

É a vida de um casal idoso numa aldeia qualquer menos valiosa do que a de um jovem, quando ambos partilham como causa de morte fogo gerado por um incêndio? Não. É tudo a mesma coisa.

Mas os nossos olhos não queriam enxergar. Não estavam a saber ler os sinais.
Então Deus enviou mais sinais. Rajadas de vento fortíssimas. O céu a ir de sol brilhante para escuro de tempestade. Foram horas de aviso antes do tal relâmpago cair e causar aquele fenómeno natural que apanhou toda aquela gente numa estrada rodoviária.

Pela primeira vez, não foi um fogo com mão criminosa que resultou na morte de seres humanos, animais e danos materiais. Foi uma causa natural. A «mão» de Deus... 

De alguma forma, isso trouxe-me muito consolo. Detestaria saber que o responsável é uma pessoa como eram todas as que teria matado, com um rosto e um nome. Ia ficar a sentir raiva. Talvez ódio. Sentimentos que não ajudam a nada no processo de cura/aceitação. 


Não existiu mão criminosa. No entanto, foi neste caso que o Estado Português viu-se forçado a apresentar condolências e a indemnizar familiares das vítimas. 

Porquê? Pelo número de pessoas que faleceram, para começar. Duas, três, meia dúzia numa localidade qualquer no interior, era coisa que não estava a ser eficaz. Eficaz para os responsáveis questionarem a eficácia dos meios que têm à disposição e do sistema que elaboraram para combater incêndios. Mas, até mais importante do que combatê-los - porque, por vezes, nenhum esforço humano consegue dominar esse inferno, somos impotentes diante de ventos e chamas - o MAIS IMPORTANTE é saber como salvar pessoas e bens. Tudo pode arder. Custa. Mas se todas as vidas humanas e não só se salvarem, então teria sido uma operação de socorro bem sucedida. E é isso que tem acontecido ao longo destes anos? Não me parece. 

Era preciso chamar a atenção para esse facto. E nada estava a dar resultado.
Um fenómeno natural causado por únicas condições atmosféricas veio a alterar isso. Sessenta e quatro pessoas faleceram. E quem eram estas pessoas? Deixaram de ser locais. Pessoas "Presas" pelas chamas. Mas familiares, amigos e conhecidos de Portugal Inteiro.

Toda a gente a telefonar a toda a gente, filhos nas grandes cidades a tentar ter notícias de familiares na zona, naturais da região aflitos e com coração apertado. O incêndio não apanhou só gente local. Apanhou pessoas oriundas de muitas partes do país. Julgo que até um turista - não tenho a certa se foi de facto, se foi invenção. 

Apanhou o colega de trabalho, o amigo de infância, o filho do irmão, a mãe da melhor amiga, gente oriunda não só da zona, mas da cidade também. Afectou tanta gente que os olhos não podiam mais ficar fechados.

Se me perguntarem porquê Deus "permite" que se morra assim, não vou dizer que temos um Deus cruel. A vida é cruel mas Deus é misericordioso. 


 E não foram mortes misericordiosas. Poderia Deus ao menos ter concedidos-lhe isso? Podia. A alguns, talvez, tenha «suavizado» a travessia até junto D'Ele. Mas aqui também acredito que, antes de encarnarmos, já nos comprometemos a certos sacrifícios, onde se inclui uma morte trágica e dolorosa, que será recompensada com a eterna felicidade. "É uma eventualidadeTopas?" - pergunta Ele antes de nos enviar a caminho. 

A maioria lá na paz do céu deve responder sim.
(é algo em que acredito).

Uma vez vi um programa sobre milagres e fenómenos inexplicáveis onde uma pessoa relatou que, enquanto estava a ser queimada viva num carro em chamas, "Uma voz" avisou-a momentos antes que isso ia acontecer e que ia ser muito sofrido, mas que ia salvar-se. Ela disse que conformou-se com o sucedido e que sentiu a presença de Deus o tempo todo com ela. Sabia que mesmo que viesse a falecer, seria acolhida na eterna graça do Senhor. 

Outros programas fizeram-me acreditar que existe um sentido para todo o tipo de morte e circunstância com que esta possa acontecer. Perguntam-se para quê serviram as da 2ª GG Mundial? Não sei... parecem-me ser em demasiado número para tão pouca lição tomada desde então. 

Mas pergunto eu: será que foi mesmo lição pouca? Não teria sido muito pior, não poderíamos nós, seres humanos, ser já uma raça extinta se não fosse por uma tragédia tão grande? Se não fosse pela explosão de uma Bomba Atómica que veio a mostrar ao mundo o seu poder devastador? 

Não nos teríamos já morto uns aos outros e erradicado com o planeta?

Há 73 anos, 6 de Agosto de 1945
Isto aconteceu no planeta Terra

Acredito que cada morte e cada circunstância tem uma lição para ser tomada. Até mesmo a de crianças inocentes. Muitos são rápidos a dizer: "Deixei de acreditar em Deus porque nenhum Deus ia permitir a morte de uma criança inocente!".

Mas essa criança inocente antes de encarnar, deve ter concordado com o seu «sacrifício». (Mais uma vez, programas que vi). Algumas parecem ser de uma bondade pura. Tão pura como se fossem anjos na Terra. E anjos sacrificam-se pela humanidade.

Vi também alguns programas sobre homicídios. Nos quais crianças inocentes sofrem terríveis problemas de saúde ou de risco de vida, terminando por ser salvas. Os pais deliram de agradecimento perpétuo. É melhor do que ganhar a lotaria mil vezes. Tinham um filho em risco de vida, que se salvou. 

Anos mais tarde, o pai que retirou dos escombros o filho quase moribundo foi assassinado à facada por esse mesmo filho. Que a seguir matou também a mãe e a irmã. Um outro, bebé ainda, com uma doença em que não era suposto ter sobrevivido nem sequer 24 horas, cresceu para se tornar um homem. Mas desde que era criança que tinha comportamentos sociopatas. Matava animais, era violento, fazia ameaças de morte muito graves, enchia de terror e pavor a própria mãe. Até que cortou a garganta da esposa, que "ousou" querer abandoná-lo para fugir às suas manias de controlo absoluto.  

Se calhar, por vezes, um inocente não é suposto vingar. 

Mas não creio que nenhuma morte seja em vão.
Todas servem um propósito maior, de constante aprendizagem. Se não for merecida para a pessoa que a perdeu (pois essa decerto não aprende nada se não permanecer viva) é certamente uma lição para aqueles que os rodeiam. Para a humanidade.

Existe muita crueldade no mundo. Por vezes esquecemos-nos disso. Tem de ser, ou seria difícil viver o dia a dia.  Mas também temos de ser confrontados com ela para a saber combater. 

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Também passaram por isso?


Tenho tanta coisa para uma casa, só me falta a casa.
Tenho copos, louça, alguns texteis para o lar, decoração diversa e abdiquei de ter mobiliário que gostaria de preservar para uma futura casa, por não ter onde o enfiar. 

Entretanto os anos passam, e tenho tudo em pacotes.
Não comprei nada daquilo para manter em caixas. Mas para usufruir da sua energia, da sua utilidade. 
Aguardam...

O quê aguardam mesmo??


domingo, 4 de fevereiro de 2018

Tempestade Sanei



Tão rápido quanto chegou, foi-se.
Enquanto ficou, só deixou destruição e causou lágrimas.


Podia estar a falar de um furacão, de alguma catástrofe natural. Mas estou a fazer referência à «nova» - a rapariga que veio partilhar esta casa em Abril. 

Começou por não respeitar as limpezas - recusando-se a fazê-las. E nunca perguntou se tinha de dar dinheiro para as despesas. Passaram-se dois meses de duches, cozinhados, luzes acesas, caldeira ligada, água a correr e... tudo de graça. Andou a servir-se dos bens alimentares de outras pessoas sem ao menos avisar que o fazia. Quebrou coisas pela casa e permaneceu calada. E hoje foi-se embora. Como parece ser o modus-operandi de todo o preguiçoso, ensacou todos os seus pertences de véspera em diversos sacos plásticos e pela manhã os paizinhos vieram de automóvel ajudar a filha a transportar as suas coisas para a sua nova morada.

Uma que ela diz ser deslumbrante, com uma cozinha moderna, amplo quarto e tudo novo.

Irá ela comportar-se de forma desrespeitadora com os colegas lá como o fez aqui?

Receio pessoas que ocupam uma residência partilhada com outras com a mentalidade "um buraco temporário". Porque para muitas, isso significa que não estão para se dar ao trabalho. Foi o caso desta.

Agora que fez os estragos todos que podia fazer, vai embora. Feliz. E isso incomoda porque, no final, ela "sai" por cima, leve e contente, causando a outros, pessoas realmente de bom coração, duradoiros danos emocionais e stress. Ela esquece-nos num segundo. Nós temos as marcas das ferradas.

E sai deixando zero libras por gastar nas contas para a energia. Ficamos a zero ontem. E ela saiu hoje. Foi-me dito que ela não ia contribuir por se ir embora. Belo timming. Escolheu estrategicamente sair agora, no inverno, quando as contas quase triplicam. E antes de precisar de dar mais algum! Acabou por cá morar por dez meses, tendo conseguido dois e meio de graça. É um excelente negócio. 



Sinto que fiquei muito mais perturbada com estas circunstâncias domésticas do que contava poder ficar. Não esperava regressar de dois meses de ausência e ser alvo de perseguição. Vinha tão feliz.

A pesar de todos os desabafos que fiz aqui sobre o que me desagradava na sua postura como colega de casa, sempre a tratei bem, com simpatia e cortesia. Fui tolerante. Demasiado, até. Porque agora, quando ando pela casa e vejo o chão aspirado, sem sujidade ou os seus cabelos por todo o chão do WC, sinto-me triste e enganada. Porquê fiquei sujeita a viver numa casa que mais parecia uma pocilga durante tanto tempo se, afinal, quando querem eles até sabem limpar?

Porquê agiram assim? Porque não foram capazes de limpar sempre, de limpar após usar? Teriam evitados todos os conflitos. Teriamos nos dado todos bem. Recusaram-se. Para serem egoístas e preguiçosos. Impuseram a sua sujidade ao quotidiano de quem limpava, tornando as suas vidas miseráveis. E depois dos danos emocionais e psicológicos que as suas atitudes causaram, "voam" que nem borboletas para outro local.

E o que é pior: quando chegaram estavam na mó de baixo - até profissionalmente. Foram maus colegas, tiraram o sossego e a paz de espírito de quem isso possuía, sugaram-lhes a felicidade. E depois partem, melhor do que chegaram, com uma promoção no emprego, como se precisassem de fontes de boa energia humana para sugar e só então prosperar. Deixando os corações das vítimas mirrados como uvas secas, cheios de marcas de destruição.

Tal e qual um furacão.

Agora entendo porque é que a grandes tempestades e tornados é-lhes dado doces nomes femininos
É que tal como certas mulheres, são fenómenos lindos de se olhar, belos em si, mas que só causam destruição e deixam estragos, mágoas e sofrimento por onde passam.



sábado, 3 de fevereiro de 2018

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

O que é a verdadeira amizade?


O que vocês diriam de uma amizade em que uma das pessoas quer-te por perto mas não te faz companhia?
De alguém que quer falar mas não quer ouvir?



De alguém que desabafa contigo todos os seus problemas mas quando vais desabafar uns dos teus a pessoa parece desinteressada e muda de assunto de volta para um dos seus problemas?
Eu pensei que podia fazer umas amizades mas aos poucos fui percebendo que fui acolhida por certas pessoas por ser alguém capaz de escutar. Capaz de deixar a sua vida de lado por umas horas para ir fazer companhia a alguém que se sente carente. 

Precisam desabafar, sentem-se sós, querem dizer umas "merdas" e eu até estou ocupada a tratar de um assunto com uma certa importância. Não inadiável, mas importante para a minha vida. E adio o que faço para ir ter com a pessoa. 

Depois quando "farejam" que podes ter necessidade de desabafar algo, até o terem fome e quererem comer mas não conseguirem decidir o que lhes apetece parece ser um tópico mais importante e urgente.