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quarta-feira, 25 de abril de 2018

Nova casa, novo quarto, mas não menos chatices


Estou na nova casa. No quarto que me era destinado desde o início, mas que só agora pude ocupar.

Estou a adorar. Neste instante, toda a casa está mergulhada em silêncio.

Estava a precisar muito de sossego. Após três semanas a viver numa casa partilhada com indivíduos barulhentos e desrespeitadores, que falavam alto a qualquer hora do dia e noite, sem parar, como se fossem miúdas adolescentes e parvinhas que a cada três segundos de qualquer conversa têm de dar sonoras risadas. 


Esta foi a minha realidade por três semanas, acrescido da gravidade de não ter liberdade de movimentos ou de usufruto das áreas comuns e dos utensílios da casa. Até o último momento, tiveram de se certificar que me dificultavam a vida. Três minutos antes da máquina de lavar roupa terminar o ciclo de uma hora, ouvi um deles a ir à cozinha. Soube de imediato que isso ia interferir com a única coisa minha que estava a acontecer lá: a lavagem dos meus ténis. 

Continuei a mudar as minhas coisas de sítio e passados uns poucos minutos estranhei que a máquina não tivesse parado. Ela continuava a funcionar. Fui espreitar. Nem me deram tempo - três minutos que faltavam - e já o rapaz estava a lavar a roupa dele na máquina. Os meus ténis? Tirou-os para fora. Sem nada perguntar, sem nada dizer, sem ter qualquer intimidade comigo para se sentir com autoridade para tal. Era urgente lavar a roupa dele? Quando tinha feito o mesmo na véspera? Não me parece. Não podia esperar três minutos? Cinco? Não é de boa educação. Mexer nas coisas dos outros, algo que ainda estava a lavar e tirar logo fora. A pressa dele era tanta que só hoje de manhã foi estender a roupa. Tive a infelicidade de ver a sua alta figura passar pela janela do jardim. E foi assim que soube que a roupa que colocou a lavar depois de remover os meus ténis ficou a "marinar" dentro da máquina a noite toda.

E se alguém tivesse removido a roupa dele assim que o ciclo terminou? Deixando-a espalhada a um canto? Húmida e toda enrolada? Como ia ser a sua reação?

Precisava ele de fazer aquilo naquele minuto? Não me parece. Eu estava de mudança. Dali a poucos minutos não estaria mais a viver naquela casa. O rapaz esteve em casa o dia todo. Só lhe deu vontade de lavar a roupa ao final da tarde, já sem sol, quando EU saí do emprego e fui usar a máquina, claro.

E não foi só esta a sua vontade "exclusiva" durante a minha curta presença. Também não encontrei a esfregona ou o aspirador em qualquer parte da casa. No armário onde deviam estar, não estavam. O aspirador nem me surpreendeu, devido ao facto de ter despertado nessa madrugada às 1.30 com eles a aspirar! Mas quem é que aspira a casa durante a madrugada?? Nem vivendo sozinho num prédio, por consideração aos vizinhos. Quanto mais numa casa partilhada. O pior foi os risos altos e parvos, em catapulta, que se seguiram nos 20 minutos depois. Uma total falta de respeito, que o meu gravador do telemóvel, por muito mau que seja, conseguiu capturar por uns minutos. 

A ausência da esfregona é que me surpreendeu. O balde estava ali, mas a esfregona não. Estava privada de usar qualquer utensílio da casa para proceder à limpeza do quarto. Não foi coincidência. Não existiu um segundo naquela casa em que me apetecesse usar algo e que não tivesse sido sujeita a vigilância ou a posterior cobrança. 

Quiseram dificultar-me a vida mas, millenials que são, desconhecem que antes da invenção de tais utensílios as pessoas conseguiam à mesma limpar e lavar os seus espaços. Uma vassoura, um pano, uns detergentes - e tudo foi feito. Ficou um espaço resplandecente e com cheiro a limpo.

Não acredito que nesta casa não vá encontrar problemas. A rapariga que cedo identifiquei como podendo ser uma cauda deles, não demorou nem um segundo a comprovar que estava certa. Então não é que, enquanto estou a mudar-me, ou seja, a transportar sacos pesados e volumosos, malas, etc, pelas ingremes e pequenas escadas do corredor escuro, acendo a luz do mesmo. Mal viro as costas, a luz está apagada. Continuo a não ver bem os degraus e a precisar subir com volumes de pertences. Então acendi a luz do corredor. Nem tive tempo para chegar ao topo e abrir a porta do futuro quarto: a rapariga sai do dela - que é oposto ao meu - com o dedo directo ao interruptor de luz e apaga-a. Viro-me para trás e pergunto-lhe, quando já se prepara para fechar a porta atrás de si. 
- "A luz incomoda-te?" 
Ela: "Hã, o quê?" 
Eu: "A luz incomoda-te?"
Ela: "Sim, incomoda."
Eu. "É que eu estou a fazer a mudança e preciso da luz ligada porque estou a subir e a descer as escadas".
"Hã, está bem." - responde ela fechando a porta definitivamente.

Nem um "olá", nem uma demonstração de tolerância para com as rotinas naturais de uma casa partilhada. Cedo percebi que esta rapariga tem a mania de querer tudo ao jeito dela. Mas o facto de ter levado apenas TRÊS segundos entre eu ter acendido a luz do corredor para subir as escadas e ela ter saído do quarto dela, onde estava a gargalhar ao som de um programa de televisão qualquer que se conseguia escutar até no andar de baixo, solidificou o tipo de pessoa que é. Depois da experiência na outra casa não dá mais para tapar as evidências e arranjar desculpas: esta rapariga vai ser difícil de lidar. Com a sua intolerância para com os direitos alheios, para com a sua mania de querer tudo ao seu jeito numa casa onde não vive sozinha mas que divide com outros, pela sua forma de agir rude. 

E já mencionei que, àquela hora do final da tarde, só o corredor, por falta de janelas, estava escuro? Os quartos ainda tinham luz. E a presença de luz faz com que uma artificial que passe de fora para dentro não seja incomodativa. A menos que a pessoa queira que seja. 

Que tenha seguido o impulso para si incontrolável de ir desligar QUATRO VEZES uma luz no escuro corredor, uma por cada vez que eu descia as escadas e ia buscar mais pertences, só realça a sua obsessão em impor as suas vontades e a sua intolerância e falta de compreensão com o significado de casa partilhada.

Não pretendo ter chatices nesta casa, pelo contrário. Nem pretendo causá-las! Continuarei a ser como sou: uso, limpo tudo, deixo as coisas como as encontrei. Já não vou lavar a louça que outros deixam no lava louças antes de sairem para os empregos. Que façam isso eles mesmos. Acabou a menina "boazinha"... se eu conseguir essa proeza. Mas vou tentar não me calar sempre. Se vir que algo não está bem, acho que é meu dever falar.

A terrível experiência que tive agora, com aquela situação provisória, só veio a comprovar que a minha forma de ser não é eficaz para evitar conflictos. Eles permanecem, a única diferença é que só eu sou vítima deles e sofro com isso. Ao confrontar esta miúda com o facto dela me estar a apagar a luz - coisa que não faria habitualmente, estou a dar um pequeno passo de bebé em direcção ao direito de ter direitos e os ver respeitados.


  

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Em Portugal também será assim??


O aluguer de quartos por aqui é algo estranho. Todos anunciam um espetacular espaço, moderno, perto de tudo. Quarto «single» e espaçoso... Olhem só estas fotos de um desses tais quartos.



Parece uma porcaria. Um cubículo. Onde não apetece morar.
Um colchão em cima de uma cama dobrável e praticamente nenhuma arrumação, sem cabeceira ou candeeiro.

Por isto pedem 400 libras - o que para a área é um pouco puxado.
Mas ainda piora: trata-se de uma casa com o senhorio a viver dentro. A sala é dele, a cozinha é dele, tudo está decorado e tem as fotografias da família por toda a parte. O chuveiro é do jeito que ele gosta, com as coisas dos donos da casa... E tu és suposto "usar" esses espaços - isto se a sala não tiver restrita como tanta vez acontece. Partilhar uma casa com um senhorio e sua esposa e/ou filhos soa a algo terrível. Os direitos não são iguais, os hábitos também são diferentes. Eles estão na sua casa. Podem receber amigos, receber os netos, ter animais de estimação... Tu não tens esses mesmos direitos, mas tens de levar com os do senhorio. 

Neste caso em particular é ainda pior: têm dois cães e o quarto só está disponível de segunda-a-sexta. Fins de semana é suposto não lá estares. Dormes na rua, se calhar. Ou então querem alguém que só trabalhe aos dias de semana e aos fins-de-semana tenha outro sítio para onde ir. Por estas regalias todas e um quarto tão bom, têm a ousadia de cobrar o mesmo que se cobraria por um quarto numa casa partilhada, onde todos têm os mesmos direitos.   

Isto revolta-me o estômago.
Nem sequer fica bem situada, a casa. Não te dão quase nenhumas regalias, as condições são bastante limitadas, "chulam-te" dinheiro suficiente para lhes pagar as contas mensais, o supermercado e sei lá que mais. Tu é que lhes estás a fazer um favor, e não o contrário.

Não compensa NADA.
Matas-te a trabalhar para eles usufruirem. E tu, de segunda a sexta, ficas num minúsculo quartinho com más condições, onde provavelmente terás de ficar sempre que não tiveres a trabalhar.

Escravatura, pá...

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Um ano de cão ou um ano de... ??


A passagem do Pedro Coimbra por este blogue para desejar um "feliz ano do cão" veio mesmo a propósito. Segui o link que providenciou para saber as previsões do meu signo para este ano. Eis o que me apareceu. A sério, fico de boca aberta!


Ando eu aqui a perder o meu sono, preocupada exatamente com a situação da casa. Decidi ficar onde não estava a sentir-me bem, devido à insistência da senhoria e também por o indivíduo ter vindo ter comigo para me dizer que "não precisava ir embora". Isso fez-me achar que existia uma abertura para regressar a uma convivência não digo de amizade, mas harmoniosa, sem atribulações e más vontades.

Mas se calhar interpretei tudo muito mal. O indivíduo não respondeu a um email que lhe escrevi expondo dois temas com os quais havíamos conversado: as contas e as limpezas. IGNOROU. E isso para mim é um sinal de que não está com a mínima disposição de facilitar as coisas e levar a convivência de volta para um patamar de tolerância, respeito e cordialidade. Não vai sequer esforçar-se. Foi tudo uma mentira.

E agora estou a voltar a questionar a minha decisão. 
Uma coisa que ainda não sabem é que... estou em Portugal! Yeih!
Tive oportunidade de vir uns dias e decidi vir.

E agora encontro-me aqui em terras lusas, sobre este sol de Inverno maravilhoso, e o meu pensamento, o meu precioso tempo, que queria ocupar com coisas boas, o meu descanso - tudo continua a ser invadido por aquela assombração, aquele tormento. 

Existe mais que um motivo para estar neste ponto.
É que, tomei a decisão de que vou ficar na casa mas irei mudar de quarto. Vou para um minúsculo, onde acho que me vou sentir melhor. Mas ainda não abandonei o meu! Tenho lá todas as minhas coisas. Ainda é o meu quarto, o lugar que é só meu e onde ninguém deve entrar sem meu conhecimento ou permissão. E bastou eu sair de lá para me sentir desrespeitada e invadida. Pois o indivíduo entrou dentro dele. Sem nada me comunicar. Entrou de um jeito como se fosse o "dono de tudo". Um jeito invasivo, arrogante, autoritário, ditador. 

E a minha inquietação regressou.
Quase duas da manhã - faz 4 horas que o vi entrar no meu quarto, e ainda estou aqui, a pensar se vai voltar a fazer o mesmo todos os dias da minha ausência.

Cada vez que alguém está prestes a sair de um quarto, é perguntado quando este está disponível para receber visitas e também perguntam ao actual proprietário SE PODEM levar pessoas para o ver. Isso não aconteceu. Através de uma camera que lá deixei, foi com espanto que vi a porta abrir-se e duas pessoas entrarem. A rapariga que nunca vi antes, deu três tímidos passos em frente e viu tudo com o olhar. O indivíduo não... ele entrou invadindo, como se aquilo fosse dele. Como se lhe tivesse dado alguma autorização para ver as minhas coisas, olhar para a forma como as disponho no quarto. Entrou e avançou, contornou a cama, fez críticas à forma como deixei o colchão, reposicionou-o, e sei que perscrutou com o olhar tudo o que podia, tecendo na sua cabeça críticas ao conteúdo dos meus pertences. 

Sinceramente, fiquei espantada. NÃO ESPERAVA. Sinto que é uma invasão, uma falta de respeito.

Sei disto porque tinha instalado uma camera de video que comprei com intenção de trazer para lisboa e me comunicar à distância com os meus. Mas a encomenda atrasou e ficou empatada na alfandega, pelo que quando cá estive no Natal, não a pude trazer comigo. Entretanto ao regressar ao uk, decidi tentar ver como funciona e liguei-a. A princípio não entendia nada daquilo e comecei a achar que foi um desperdício de dinheiro e, infelizmente, um mau investimento. Mas após alguma teimosia lá consegui a por a funcionar (instruções em chinês, vem a propósito do início deste post) e depois fiquei maravilhada. O "sonho" de ter uma camera vinha da adolescência e realizou-se agora. Não que pretendesse espiar, mas acho o máximo como registo. Então ela ficou ali, ligada. De vez em quando dava-me sinal que algo aconteceu, eu ia ver, e era eu que me tinha mexido e a camera não se esquecia de me alertar, eheh.

Mas quando saí de lá estava longe de achar que ia registar fosse o que fosse, senão um espaço vazio e silencioso. Contudo, ela já registou DUAS entradas não autorizadas no meu quarto

Uma ontem, outra anteontem e agora estou com receio que o faça todos os dias.
Bastou eu e a senhoria, que mora na mesma rua e também ia ausentar-se em viagem, «desaparecer-mos» dali. Subitamente até aparece uma pessoa interessada em ver quartos - algo que não acontece há mais de um mês, desde que vagou o primeiro. E também aqui, não faço ideia quem é a pessoa que entrou ali no meu espaço privado. Ao contrário de outras ocasiões, não recebi NENHUM email de alguém a mostrar interesse. 

Até nisso estou a ser vitimada. Pois tudo é partilhado online sem o mínimo foco na privacidade. Emails que só dirijo à senhoria são de imediato do conhecimento do indivíduo - de tal forma que suspeito que ele tem a password dela e é por isso que lê e "filtra" tudo o que esta recebe. Percebi que se lhe pretendo comunicar algo que fique entre nós e não seja anunciado, tenho de o fazer pessoalmente. Por email não dá. Já o solicitei no texto em letras em negrito - e no dia a seguir ouvi o indivíduo a perguntar à "mais nova" se tinha lido o email que eu havia escrito, mencionando-lhe alguns pontos do conteúdo.

Um email pessoal dirigido a uma so pessoa!!

Que a senhoria não me soube confirmar se o recebeu ou não ou se o partilhou (contra os meus pedidos). Inicialmente fez-se de desentendida, dizendo que não o recebeu. 

Para mim estavam os dois a tentar fazer-me passar por parva. E eu ia mesmo embora. Não havia volta a dar. Até que fui para a "nova" casa e não me senti a viver nela. Senti-me reclusa, infeliz. 

Mudei de ideias, decidi rejeitar essa nova casa, perdendo com isso metade do sinal que dei para reservar o quarto novo.

Não têm sido momentos fáceis, nem economicamente vantajosos. Vir a Portugal era suposto fazer-me renovar as energias, espairecer, pensar em coisas boas e focar-me no que interessa.

E aqui estou eu, precisamente a passar pelo inverso.
Cheguei cheia de positivismo, boas energias, boa disposição e vontade de fazer tanta coisa - já tudo me foi roubado. 

O que pode ser muito prejudicial. 

Ao vê-lo entrar pelo meu quarto a dentro sem sequer me avisar que tinha essas intenções, fiquei chocada mas tentei entender, justificar, pelo sentido de que "alguém" apareceu para ver o quarto - embora quase possa afirmar que a rapariga não solicitou ver aquele em particular, ele é que aproveitou para espiar. E depois, tenho a certeza que ele ia usar o pretexto de "ter de mostrar o quarto" para justificar a sua presença e não ser moralmente criticado pela presença não autorizada nem comunicada. 

Estava disposta a "deixar passar" este episódio isolado. Até surgir outro. Aqui há horas, a camera volta a dar-me sinal de que algo se moveu. Até temi... E vejo-o a entrar pela escuridão a dentro, direto à janela que está destrancada mas não aberta, e fica ali a fazer muito barulho nos estores de metal. Terá inventado uma desculpa para lá entrar? Mas com que direito? O QUARTO NÃO ESTÁ DESOCUPADO. 

Agora temo o alerta da camera...
Temo o próximo, quando devia continuar segura de que nunca ia receber nenhum.




terça-feira, 6 de junho de 2017

Rajadas de vento que abrem portas


A porta estava aberta. E então eu vi. Vi o interior do quarto da «nova» colega de casa.
Ela é simpática. Muito simpática. Bonita, carismática, parece descomplicada...


Mas deconfio que descomplicada ao ponto de ser desleixada...

Hoje entra a SEMANA de ser ela a limpar a casa.
Quero só ver se vai mexer um dedo - já que não mexeu da outra vez.

Mas diante DISTO...
Que vos parece?




PS: aqui chove sem parar e tem estado muito vento. Todas as portas e janelas da casa batem com a ventania, por mais que se tende impedir, fechando-as bem fechadas. A porta do quarto da mais recente inquilina é das que mal fecha. E foi o vento que a abriu, escancaradamente. Se comigo, de porta bem fechada e apenas uma frecha da janela aberta, acontecia as persianas abanarem violentamente e a janela se abrir na totalidade - então numa porta de fecho "solto"... Tudo fica exposto. 

segunda-feira, 3 de abril de 2017


Despertei tarde. E o meu pensamento imediatamente «voou» para o que decidi ontem e o que é viver nesta casa.

Primeiro as actualizações: Dois dias depois de ter ficado triste por ter perdido um bom quarto, barato, numa casa agradável mas menos bem localizada, soube por um email da senhoria que o indivíduo vai sair desta casa. 



A minha necessidade de mudar o quanto antes ficou assim alterada. Se ele vai sair, daqui a sensivelmente 15 dias, então eu poderei ficar. Como havia perdido o tal quarto e mais nada estava a aparecer, comecei a ponderar permanecer aqui, onde, pelo menos, já sei com o que contar.

É então que o telefone toca.
É o senhorio da tal casa. Disse-me que tem um outro quarto a ficar livre. Ainda não o havia publicitado, preferiu dar-me a possibilidade de escolha. Então ontem lá fui, visitar novamente a casa, para conhecer o «outro» quarto. Gostei. Quarto tão amplo quanto aquele que tenho agora. Mas ainda mais aconchegante. 




Mais uma vez só o senhorio pareceu estar em casa. Um Domingo e não dei conta da presença de mais ninguém. A rapariga que ficou com o quarto sobre o qual supostamente eu tinha prioridade, fiquei a saber que se muda hoje e é espanhola. Pareceu-me possível viver numa casa harmoniosa, com inquilinos que começam, quase todos, ao mesmo tempo a habitar o espaço. Assim nenhum se acha com «mais direitos» que outros. Tudo pareceu bom. Com excepções. 

Para lá chegar demorei sensivelmente 17 minutos a mais do tempo que imaginei. A «curta» caminhada senti-a longa. Cansei-me um pouco, devido à rua ser a subir e o sol estar forte. Se o meu trabalho não exigisse de mim um esforço físico que me cansa o corpo, tudo bem. Mas imaginei-me exausta a tentar chegar a casa o quanto antes e ter pela frente aquela caminhada. 

As lojas locais - das quais não detectei nenhuma útil, estavam fechadas. E a caminhada da paragem de autocarro até casa, mais longa e cansativa que a caminhada pelo atalho que vai dar ao centro da cidade. Ora, no centro já vivo eu. Se tiver que caminhar do centro para a casa pelo atalho todos os dias, o que implica ainda atravessar uma passagem aérea, se calhar mais vale ficar onde estou. Quando faço noites e saio de madrugada, como foi o caso de ontem/hoje, será seguro aquele percurso nocturno? 

Optei então por dizer que não queria ficar com o quarto. 

A localização é a principal razão de me querer manter onde estou. Ou se calhar a segunda, porque o facto de já estar acomodada pode ser a primeira. 


Eram cerca de 9.30 am quando acordei. Com barulhos do indivíduo que vai sair e todos os dias anda a tirar objectos aos poucos. A claridade imensa que entra pelas frechas dos estores e cortinados também tornam difícil o regresso ao sono. Por isso o meu primeiro despertar foi matinal, não tardio. É então que oiço um bater à porta. Como por vezes é na porta ao lado que se dá o toque, fiquei na dúvida. Levantei-me e espreitei à janela, mas nada vi. Porque as janelas de baía e o alpendre tiram a visibilidade e omitem a presença de qualquer um. Ao invés das pessoas darem a volta e sairem pelo portão, passam de alpendre em alpendre.

Bateram então nesta porta. Voltei a levantar-me para ir abrir mas a rapariga que dorme no quarto de baixo chegou lá primeiro. Fiquei a tentar perceber se a encomenda era para mim. Quando fecham a porta ao carteiro e vejo que ela deixa a encomenda, como é hábito, no móvel da entrada. Se fosse para mim, geralmente ela poderia dizer: "É para ti". Mas ao invés disso apressou-se a entrar no quarto, evitando qualquer contacto ou interacção.

E voltei a lembrar-me da outra casa.
Fiz uma opção. Que espero ter sido a correta. Tenho uma intuição que me diz que sim, fiz a melhor escolha. Foi então que decidi vir aqui contar as novidades e deparo-me com o comentário da Tuga em Londres - um blogue interessante que me fez uma visitinha. E diz ela: 

«De qq forma, devo dizer que isso de não teres ficado com esse quarto parece do melhor. Não confio nada em casas onde é o senhorio a mostrar a casa em vez dos flatmates porque isso significa que vais estar num ambiente em que cada um arrenda o seu quarto e passa a maior parte do tempo no quarto fechado evitando viver em comunidade com os outros flatmates. Esse é um ambiente muito estranho e totalmente desaconselho-o». 
Ora, a minha realidade é mesmo essa. Vivo numa casa onde os outros inquilinos passam a maior parte do tempo fechados no quarto evitando viver em comunidade com os outros flatmates. Se não era isso que pretendia ou imaginei ao vir visitar a casa - que me foi mostrada pelos flatmates por insistência da senhoria - essa tornou-se a realidade pouco depois de começar a morar aqui. Eu mesma praticamente fui forçada a agir assim após o que aconteceu antes do Natal. Estava nos meus planos sugerir fazermos um jantar colectivo. Até me enviaram o bacalhau de Portugal... Comprei decorações natalícias com o intuito de trazer para o lar um pouco da harmonia e espírito natalício. A realidade é que as decorações foram ignoradas assim como o email personalizado com desejos de feliz natal. 

A partir daí segui as «regras da casa».


Mas lamento que assim seja com a rapariga do andar de baixo. Porque com ela consegui ter conversas sem estarem relacionadas com a casa em si e falamos por muito tempo, naturalmente. Mas ela lá tomou a decisão de que não querer mais envolver-se com nenhum outro flatmate, sensação decerto reforçada pelo apreço que tem em viver na parte de baixo da casa. Diz ela que gosta muito mais, por não estar no meio da «confusão» (dos outros dois rapazes) e por ter mais liberdade de entrar, sair, trazer pessoas para casa, sem que isso dê muito nas vistas - já que todos costumam estar no andar de cima, nos quartos. 


quinta-feira, 16 de março de 2017

Um pouco blue


Os que sabem que vivo numa casa partilhada onde existem alguns problemas, sabem que por causa do último, procuro mudar de lugar.

Pois bem. Encontrei um, que fui ver ontem ao início da tarde, antes de entrar no emprego.


Barato como muito dificilmente vou encontrar outro, quarto de tamanho médio agradável, casa igual a todas por aqui - tudo velho mas utilizável e só teria 2 colegas de casa. Quem ma mostrou foi o proprietário, que logo me garantiu que é selecto com quem mete a viver nas suas casas e, entusiasticamente, me disse repetidamente que conseguia me ver a viver lá. Disse que tinha a certeza que eu era a pessoa certa. E disse também para lhe dizer se o desejava, porque a primeira pessoa que vê o quarto - eu - tinha prioridade, mesmo que aparecesse outra depois. 

Até gostei disso, pois numa ocasião também fui eu que estava a procurar quem me ocupasse o quarto que ia vagar e obedeci a essa regra: quem chega primeiro e mostra interesse, leva o quarto.

Depois de ter feito o primeiro contacto telefónico com ele, voltou a ligar-me quase de imediato. Horas depois, volta a ligar para perguntar se vou aparecer como combinado. E depois de o ter deixado após a visita, ligou-me e ficou uns 10 minutos a falar comigo, a explicar-me onde ficavam os transportes naquela rua, insistindo em mos mostrar, da mesma forma estranhamente insistente com que primeiramente se apresentou. 


O quarto só ficará vago lá para 10 de Abril. E por isso pensei cá com os meus botões que a «urgência» em dar resposta certamente era menor que o quarto que fui ver na véspera, que estava disponível a qualquer momento. (Embora o morador ainda lá estivesse, com toda a roupa nos armários).


Tive de ir a correr para o emprego e durante essas horas só conseguia pensar na decisão que tinha de tomar. Já a tinha tomado - queria ir para aquele quarto. Mas estava a trabalhar e só de manhã poderia telefonar ao senhor. Afinal, ele disse-me que os primeiros tinham prioridade e eu ia dar-lhe a resposta em menos de 24 horas. 

Durante a noite relembrei uma ligeira impressão que recebi: o homem tinha mudado ligeiramente de comportamento aquando a última despedida. Pareceu mais seco e diesinteressado. Foi só uma ligeira impressão com que fiquei, de tão esfuziante que ele se mostrou de início, daquela forma melosa e cheia de «namoro» - não o estava a ser na despedida, como foi em todas as outras.

Hoje, 10 minutos depois das 8.00am, enviei-lhe mensagem. Para o telemóvel pessoal, que ele fez questão de me dizer que não o dava a qualquer pessoa mas eu devia usá-lo para o contactar. Adormeci eram quase 7am, acordei passado apenas uma hora. Claramente não ando a conseguir dormir nas últimas duas noites. Na mensagem dizia querer viver na sua casa. 

Ele respondeu, também por mensagem:
-"Lamento, dei o quarto ontem à tarde. Mas obrigado por me dizer, boa sorte".


Seco, não? É que se o tivessem visto e escutado, todo amistoso, de uma forma que a nós, portugueses, parece estranha e exagerada. Mas depois pensamos: "é o jeito da pessoa ser". Nem respondi de volta, porque sabia não fazer diferença. Não o relembrei que, poucas horas antes, disse-me que tinha prioridade. Que me queria a vier na sua casa.  Eu respondi-lhe o mais rápido que pude. Trabalhei até às 2am, não ia ligar-lhe nessa altura, não é?

Mas não tem importância. Eu acho que ele decidiu enquanto me dizia adeus. Despedimo-nos às 16h da tarde e ele deve ter dado o quarto a outra pessoa 15 minutos depois.

Agora estou assim, a sentir-me um pouco blue...
Porque foi uma oportunidade que tive em mãos e deixei passar. 
Mas passa. 

Aqui tem de ser vapt-vup! Vês, tens disponível, pega! Aqui não existe palavra. Quem tem o poder, usa-o. Pode dar o dito pelo não dito. Quem tem dinheiro, e acena-o, disponibiliza-o, leva o brinde.

O anúncio não ficou nem 24h activo no site. A procura é muita, a oferta também e uns dão para ser «selectos», principalmente os que vivem na Grã-Bretanha mas têm raízes em culturas muçulmanas.
Querem sempre não fumadores, que não levem pessoas para dentro de casa, que não bebam e não tenham maus hábitos.

Noutro dia ainda foi pior: vi dois anúncios de aluguer de quartos mas só aceitavam candidatos vegetarianos. Lol! Isso é que é impor o seu estilo de vida a outra pessoa.

Quanto às pessoas muito simpáticas, o problema é que elas tanto adoram como deixam de adorar. Num piscar de olhos. Tem uma fachada social agradável, mas são de humores.


Quando vim para cá umas pessoas que já ca moram sempre me disseram que temos de ser mentirosos e fingidos, para conseguir estas simples coisas. Eu não consigo. Sou logo sincera. Não sei fazer "jogos". Que coisa! Acho que faz parte da vida de qualquer adulto independente ter de passar por situações em que é conveniente se dar ares de algo que não é, não pensa ou não concorda. Eu não tenho a mínima máscara! Mas não é só uma questão de máscara per se. É uma capacidade de analisar as situações e adaptar-se a elas de forma a tirar o maior proveito para si mesmo.

Sei lá...
Enfim. Fiquei um pouco triste, mas passa. Um quarto como aquele e àquele preço, jamais. Não se encontra em lado algum. Mas eu queria mais do que um quarto barato. Eu queria sentir-me bem a viver na casa. E só pretendia como condição, que fosse bem localizada. Ele disse que pretendia o mesmo do seu inquilino. Rejeitou a rapariga que chegou depois de mim por esta ter dito que "apenas queria um lugar para dormir". O que o revoltou. 

O quarto onde estou agora é um... palácio. Comparado com o que existe por aí. É o quarto principal de uma casa típica inglesa. É do tamanho da sala de muitas. Tenho um colchão de casal e muito espaço para cada um dos lados. Durante os primeiros meses, achava-o mais do que precisava. Mas depois acostumei-me... E agora aprecio-o. A maioria dos quartos dos anúncios de aluguer mostram cubículos deprimentes, com uma cama e uma cómoda. Têm duas prateleiras minúsculas para a roupa, porque não há espaço para guarda-vestidos. E costumam até ser mais caros! Mesmo os que ficam pior localizados. Este era médio, tinha cómoda e guarda-vestidos. E o preço! Se for a pensar bem, era uma pechincha.  

Espero ter Deus do meu lado da próxima vez, tal como tive desta. 
Eu é que não soube lidar com a situação da melhor maneira.
Esqueço-me que aqui é pega ou deixa-ir.

E mesmo assim, no dia seguinte a menos que o dinheiro entre na conta, nada está garantido.