sábado, 22 de setembro de 2018

Sou tão inventiva!


Não pude deixar de sentir um pouco de um vaidoso contentamento pela minha engenhosidade. 

Vou partilhar convosco a história. Mas primeiro, um pouco de blá, blá, blá para a contextualizar.

Gosto de criar. Reciclar materiais, etc. Quando passeio na rua e vejo uma pedra, um pedaço de tronco, alguma coisa que me chame a atenção, sei que aquilo pode ser aproveitado, transformado e tornado noutra diferente, bela e desejável. 

Sou assim desde criança. Mas refreio-me. Não tendo oficina nem nada que se pareça, não posso agarrar tudo o que me chama a atenção e armazenar. Por isso deixo a maioria das pedras, troncos e coisinhas mais para lá... todos esperam "o dia".


Ao longo dos anos, tenho aproveitado esta minha necessidade de criar e ser artística (cof, cof) escoando essa criatividade para as alturas de presentear alguém, fazer embrulhos, decorar a árvore de natal, oferecer uma lembrança, etc. Sem ter dado conta, toda a família e alguns desconhecidos têm pelas suas casas coisas feitas por mim. Sou uma nódoa no desenho e na pintura - mas até isso existe, algures. Não que tenha particular gosto no resultado, mas muito prazer na execução. Pintar é uma aprendizagem contínua. 

Em suma, de vez em quando, preciso e tiro prazer em "inventar" coisas a partir de nada ou pouco. A minha capacidade criativa diminuiu bastante com o tempo mas, recentemente, achei que seria uma boa ideia meter as mãos à obra para criar uma bagagem.

Vou passar uns dias a Portugal e aqui comigo só tenho uma pequena mala e uma grande, de porão. Uma é pequena demais, a outra grande. Como a viagem inclui apenas uma mala de cabine e na volta pretendo trazer a média, decidi pegar numas caixas de cartão e fazer uma «mala» com dimensões mais aceitáveis. Pesquisei então quais as dimensões que a easyjet, companhia que vou usar, aceita: para malas de cabine são 45X25X56cm.

E sem limite de peso!

Venceu o bichinho pela criação, pela experiência, pela tentativa e a expectativa do resultado. 

Em dois dias concluí a "obra". O resultado surpreendeu-me. 

Não esperava NADA decente. Só queria um invólucro satisfatório. Tenho visto pessoas a viajarem com todo o tipo de coisa - inclusive simples sacos de plástico ou aqueles tipo cesta, que se vêm nas feiras. E pensei que uma caixa sempre dá um pouco mais de descrição e chamaria menos a atenção.

Mas agora que está concluída tenho receio. Não parece passar despercebida, por causa das dimensões. E nem sequer a decorei ou pintei com várias cores. Forrei-a com sacos plásticos para o lixo e outro que recuperei de uma encomenda, em material mais resistente (sempre reciclar). Agora que a tenho à minha frente, acho que chama bastante à atenção. Porque é enorme!! 

esquerda: Mala de porão
Direita: mala feita por mim com as dimensões de cabine
Minha gente, estamos todos a ser enganados com esta coisa de viajar com malas padrão todas iguais. A maioria do peso e do espaço é ocupado pela armação das bagagens em si. Sempre achei aborrecido passar do peso e sentir que não levo quase nada. Peso aqui não é a questão, mas volume é. Como tenho de transportar umas coisas compridas e volumosas, malas para roupa não adiantam nada. Criar uma caixa de raiz era a solução.

E que solução!
Agora nem sei que mais la enfiar dentro. Ahahah.
Reparem: à direita na imagem, está a caixa que fiz. Tem as dimensões aceites pela companhia aérea. Mas nem parece. Na realidade, até tem um centimetro a menos no que respeira à "largura". Ainda bem que assim é porque já a acho enorme. Cinco centímetros, afinal, fazem mesmo diferença.

E é assim que estamos a ser "roubados" nas viagens. Quantos não têm de pagar uma fortuna porque a companhia aerea não aceita as dimensões da sua mala? Eu sei, vi acontecer. Uma senhora contou-me que pagou 100 libras (!!!) porque a mala tinha 1.200g a mais de peso e as rodas não cabiam no cubiculo... Ridículo, roubo. Mais vale deitar fora a mala e enfiar tudo numa caixa de cartão ou num saco.

 Pretendia descartá-la mas agora acho-a a coisa «málinda» eheheh. E útil. Mal dá para ver na imagem mas acabei por instalar uma alça (reaproveitei uma daquelas em plástico, ou então também servia de cordão - é outro elemento que sempre achei de utilidade e gosto de armazenar) e criei um sistema de "trinco" de forma a que, se necessário, possa abrir a mala para ser inspeccionada e voltar a fechá-la novamente. Não é linda?  Bom, mas o meu contentamento criativo de à momentos não surgiu pela criação desta bagagem.

Surgiu pela ideia que tive a seguir.

Consciente de que, se calhar, devido à capacidade de armazenamento proporcionado pelas dimensões o problema seria transportar esta mala cheia (muito peso), ocorreu-me adicionar-lhe umas rodas que depois pudesse tirar. Mas como fazer isso? E sem custos?

A escolha:

AHAHAH!
E vai resultar, tenho a certeza absoluta!

Adicionar um carrinho de brinquedo e uma cinta... de génio!
Não pude deixar de sorrir pela minha engenhosidade. 



sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Para escutar


Acho o assunto interessante.
Gosto da forma como expõe o raciocínio, as associações que faz e a sorte que tem em poder falar de temas tão controversos sem despoletar fúrias instantâneas. Um feito que poucos possuem. E associa tudo ao humor, o que muito aprecio também. O que seria a vida sem o humor?

Além do tema ser interessante assim como as posições, aqui fica claro que RAP é uma pessoa culta, interessada, com um reportório de conhecimento vasto obtido em diversas leituras e um curioso. 


Então aqui fica o meu conselho:
Faça o que tiver que fazer, limpe a casa, cozinhe, descanse um pouco e deixe este vídeo em play por 30 minutos. Acho que não vai arrepender-se. 

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Comprei um cão



De louça. E vim toda feliz para casa por o ter comprado. 
Não estava na minha ideia fazer compras de artigos que não preciso e não são essenciais. No entanto, lá estava eu, a sorrir e a segurar o dachshund na mão.  


Minutos antes tinha avistado aquelas carnes secas para os cães mastigarem e sorri, porque despoletou lembranças. Terá sido por isso ou terá sido por já ter convivido com a raça?

Ou será outra coisa totalmente?


Pelo caminho lembrei-me do peluche. 
Há umas semanas encontraram um peluche que acariciei. Era muito macio e o gesto de passar a mão pelo boneco despoletou instintos maternais. Na ocasião até brinquei com isso. Disse que pensei já ter transitado para a fase "apetece-me dar uma chapata neste puto" e afinal ainda existiam em mim resíduos de cuidar e tomar conta da raiz até a idade da independência.

O que me trouxe outro tema à lembrança: este.

Sim, pode-se ter saudades do que nunca foi nosso. Como não?
Eu sinto saudade da filha que nunca tive e dos irmãos que lhe ia dar.


E nesse aspecto, ter encontrado à momentos um cabelo branco solto na indumentária, um que me passou despercebido, que não se fez anunciar, traz aquela sensação de tempo perdido, vida desperdiçada. Aqui estou eu, numa situação tão precária como se tivesse começado agora a minha vida de independência financeira. Não tenho nada que muitos outros têm: casa, família. Estou tal e qual como estava há 25 anos. Como se tivessem feito um bruxedo para ficar estagnada. A diferença está mesmo nos cabelos brancos. Eles surgem para me lembrar que o tempo está a acabar, se não é que já acabou. 

E, a pesar de tudo isto que não é animador, tenho o queixo nivelado e estou bem. (Terá sido o datchshund?). É o que é e será o que for.


Faz umas semanas um senhor de idade que, junto com outros, fazia trabalho voluntário no sítio onde trabalho, veio ter comigo e disse: "Hoje é o nosso último dia aqui, vamos embora" - estava visivelmente triste. Nunca o tinha visto antes e com ele nunca tinha falado. Mas isso não o impediu de dirigir-se a mim como se fossemos conhecidos de longa data.

Como alguém pode voluntariar-se para trabalhar de graça num lugar onde a maioria das pessoas que passam exigem tudo de ti sem serem bem educadas, é algo que me transcendia um pouco. Mas não é preciso pensar muito no motivo pelo qual aquelas pessoas exibiam, desde o primeiro instante, uma alegria radiante por ali estar. Ou tristeza por ter chegado ao fim. Vi-os nos olhos, nas palavras, nos gestos. Foi na ideia "para o ano há mais" ou "talvez nos chamem de volta no Natal" que encontraram o consolo que necessitavam.


Estão sós. Não têm muito convívio com outras pessoas. E é a rentabilizar em cima disso que outros tiram proveito. O senhor acrescentou com um tom guloso que o voluntariado não é de todo não pago pois pagam-lhes 40 libras mensais para o estacionamento e deslocação. Trocos minha gente... trocos. Digo que acrescentou isto com um tom guloso porque deu para perceber que algum dinheiro fazia a diferença. Não é só solidão e necessidade de estar em contacto com outras pessoas. Ao ponto de uma multidão delas, muitas mal educadas, ser o ponto alto pelo qual anseias ao acordar. 

É também a verdade oculta deste país: os idosos não têm todos uma reforma decente. Os que trabalharam a vida inteira em funções de "colarinho negro" (da época do carvão, ahahah) e sempre foram um pouco explorados, são os que melhor aceitam sem contestar o perpectuar dessa condição. Em troca de "migalhas".


E há sempre quem se aproveite. 
Chamam-lhe "voluntariado" mas também existem empregos. É comum ver cabelos na sua totalidade brancos, em rostos muito enrrugados, atrás de um balcão qualquer. Uma vez fui atendida por uma senhora muito simpática mas cuja idade pude perceber ser bastante avançada. Pela pele enrrugada por todo o corpo, braços, rosto, peito, diria que estava nos finais dos 70 ou mesmo já nos 80. Parte de mim ficou curiosa para saber porquê estava ali a fazer aquele serviço, ao invés de ficar em casa e dedicar-se a outros afazeres mais relaxantes e mais da sua escolha e preferência. Outra parte de mim não estranhou, porque sei que é no trabalho que encontro a minha felicidade interna e bem estar.


E foi por isso que, quando aquele senhor que estava no último dia de voluntariado se afastou, deixando no ar o distinto aroma de má higiene e usando roupas a necessitar de cuidados de engomadeira, subitamente percebi: Aquele ali já sou eu!

Aquele ali serei eu.
Falta pouco.
Na realidade já tenho tudo o que é preciso.
Só falta mesmo ficar permanentemente associada à idade avançada. 

terça-feira, 18 de setembro de 2018

A hospitalidade Portuguesa não tem igual


Costumava achar que era um MITO.


Não que achasse que era mentira. Sei que há fundamento para se dizer que o povo português é acolhedor e hospitaleiro. Mas também achava que, se calhar, estavam um pouco a puxar "a brasa à sardinha".

Afinal de contas, o povo português também é desconfiado. E cusco. E gosta de quadrilhar. Mas mesmo não simpatizando com a cara de alguém, mesmo incialmente desconfiado e curioso, o povo não nega ajuda. E sabem que mais? Descobri que somos, de facto, especiais

E se calhar merecemos, com todos os louros, o rótulo de povo "mais acolhedor da europa". O que sempre achei exagero e pouco justo com os muitos que não conheço.


Os que conheço melhor, são os italianos.
Os que partilham casa comigo.

E nesse aspecto posso garantir uma coisa:
Os italianos julgam-se muito correctos. Mas não são.


Uma coisa que o povo português faz é, na hora das refeições, se aparece alguém e há comida, é convidado a partilhar a mesa. Neste instante os três italianos desta casa estão à volta da mesa, a partilhar uma refeição, que não me foi oferecida, nem sequer por cortesia. Nem por cortesia, fui chamada a sentar junto deles, para conviver. Nenhum deles combinou a refeição juntos. Simplesmente quando um vai para a cozinha, os outros seguem e sempre sabem que a comida é comum entre eles. Funcionam como uma matilha de cães. Aqui a diferença entre o português e o italiano é abismal. Antes de um deles começar a preparar o jantar eu já tinha feito um que dava para quatro ou cinco pessoas. E ofereci. Queria partilhar a minha refeição, quem sabe ter companhia à mesa para trocar umas palavras e confraternizar um pouco.

Qual quê. 

Nenhum aceitou a minha oferta - como aliás nunca aceitam e tenho oferecido desde que cheguei à casa. Disseram-me que iam preparar uma sopa mas, depois, tiraram pasta, salsichas e batatas e foi isso que decidiram comer. Eu tinha feito esparguete à carbonara. 
Pasta, carne, molho de tomate, com tomate... algo que os italianos dizem adorar. Mas pelos vistos, adoram se for cozinhado por um italiano, com ingredientes italianos. Parece que tudo o que não é feito por eles é tratado com esnobismo.

E é por isso que digo que eles se julgam muito correctos mas não são. São até um tanto rudes. Mal educados - quando comparados às regras de convívio e boa educação que são transmitidas e praticadas por um português no seu conceito genérico. 

Eu estou sozinha neste país. Não tenho família, não tenho ninguém próximo que seja português como eu e por vezes caia bem poder ter uma conversa com alguém dentro da mesma casa. Tinha isso na outra - embora fossemos todos diferentes e cada um na sua vida, arranjava-se sempre umas horas de cavaqueira. E a conversa saia fluida, natural, sem esforço. Nesta casa não vou encontrar isso porque divido-a com italianos. São um povo muito centrado no próprio universo tricolor de verde, branco e vermelho. 

E vocês?
O que é que acham?
Que experiências tiveram e que opinião querem partilhar sobre o tema?

Sejam felizes!
Portuguesinha

Faz alguns dias que estou para vos contar...


...Que, por aqui, as lojas JÁ exibem artigos de Natal nas suas prateleiras.



E como estão as coisas aí em Portugal?
A loucura do consumismo já atingiu as superfícies comerciais?


Ainda não inventaram outra celebração entre o final do verão, início da escola e o Natal!

Os comerciantes sentem-se desesperados, vão ao fundo dos armazéns buscar restos de artigos deixados pela anterior época natalícia. A preços mais inflaccionados. Porém, aqui no UK o comércio tem mais sorte: entre o início do ano escolar e o Natal, têm que celebrar o Halloween. Nas prateleiras, entre pais natais, saquinhos, embrulhos e coisas foleiras, aparecem máscaras de terror, gazes ensaguentadas e outras "maravilhas" imprescindíveis neste mundo tão ávido pelo consumo de plásticas trivialidades.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Primeiras vezes


Uma colega de casa perguntou se valia a pena ver a série Braking Bad - que nunca tinha visto. Será a primeira vez, nunca teve algum contacto com nada a respeito da mesma. Isto das "primeiras vezes" é algo especial. É um momento especial.

Por vezes, somos privados das primeiras vezes. O mundo está muito rápido, muito depressa... muito cheio de tecnologia. Somente se uma pessoa foi criada numa floresta sem contacto com o mundo civilizado é que pode desconhecer certas séries de televisão, filmes, músicas....

Ou não?

Acho espantoso (espantoso mesmo) o que a seguir vou mostrar. Uma série de autoproclamadas "primeiras vezes" de youtubers que, pela primeira vez, vão escutar uma canção, uma melodia ou um grupo musical. Como é que conseguiram crescer sem NUNCA ter tido contacto com estes elementos é que é para mim o mistério. 











O que acham? A reação é genuína? É mesmo possível NUNCA terem escutado estas músicas, nem num toque de telemóvel, num anúncio comercial televisivo ou radiofónico, num filme?




terça-feira, 11 de setembro de 2018

É possível?


A minha resposta é:

SIM.

Claro. É possível sentir falta do que não é nosso ou nunca foi mas pensamos ser.
É por isso que temos sonhos e corremos atrás deles. Por sentir falta do que não é nosso.


Concordam?
Discordam?
O que têm a acrescentar?

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Obrigada pelas vossas palavras



Os vossos comentários no post anterior merecem um post por si só.
Obrigada pelas vossas palavras.
Doces, optimistas, de apoio.


As dúvidas, que nem abutres,  já andavam a pairar no ar. Terá sido a decisão correcta? Em termos de salário este emprego surpreendeu-me. É como um segredo muito bem guardado. Ninguém sente-se atraído para ele porque paga o salário mínimo. Ninguém o quer, todos procuram salários que paguem 10 libras à hora, não sete e meio. Mas depois com as comissões, mesmo com os impostos em cima... o lucro pode igualar ou até superar o obtido em outros empregos em que me privei de dias de descanso e fiz 12 horas diárias. Aliás, no restaurante, jamais conseguiria atingir estes valores, nem nas com 46 horas semanais de trabalho. (mais umas 3 horas extras).
E tanto cansaço valeu para quê?

Nem ganhei bem, nem me deram valor.

Mas isso são águas passadas. Já não me interessam.

No aspecto salário vou sentir falta deste emprego. Ainda estou curiosa para saber quanto rende na época baixa, já que depende tanto da comissão. Porque mesmo tendo tido um mês mau, o salário foi bom. E ganhei um prémio! Sei que as raparigas que lá estão a trabalhar faz alguns anos, fazem-no por esse motivo. Não é que gostem ou estejam satisfeitas. Mas sabem que não há melhor, não arranjam melhor.

Estarão elas certas e eu errada?
Verei. Mas pela primeira vez, tomei a decisão que o instinto, a cabeça, o coração e o bom senso alertaram para tomar. Afinal, a vida é curta. E já dediquei metade dela a "desobedecer" a este quarteto. Tá na hora de tentar o reverso.

 a vocês,
que me fizeram sentir estar no rumo certo.

Que Deus vos proteja como decerto merecem.

Tudo de bom, 
Portuguesinha

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Duas idiotas não fazem uma inteligente

"Espero que esteja tudo bem consigo" - pergunta Elvira, num dos comentários que simpaticamente aqui deixou, após regressar das férias.

Acho que a Elvira deve ter um dedo de adivinha. Porque de facto vêm aí mudanças para a minha vida. Mas, não faço ideia do que aí vem.

Pela primeira vez em toda a minha vida, pedi dispensa definitiva do trabalho. 

Acontece que recebi o ordenado hoje... e até se abriu a boca.
Nunca antes ganhei tanto com tão pouco esforço.

Se calhar fui uma IDIOTA por dispensar este emprego. 
Uma idiota por não querer ser comandada por outra IDIOTA. 
Só que esta, de uma idiotice de outro nível.


---

Não é novidade que existiu uma contenta entre mim e a chefe - por uma coisa muito idiota. Por causa dela, a mulher deixou de me falar adequadamente nos dias seguintes e exibiu alguns comportamentos infantis. Um deles foi dar-me o pior horário de trabalho no mês seguinte. Uma pequena "vingançazinha" de pessoa mesquinha que, tendo oportunidade de prejudicar outra, abraça-a infantilmente, ao invés de a rejeitar. 

A situação voltou a repetir-se. Ou melhor, a chefe voltou a fazer uma grande tempestade num copo de água. Nem percebi porquê lhe deu tanta vontade de barafustar. Não existiu qualquer motivo para tal. Não cometi nenhum erro, não prejudiquei ninguém... o trabalho estava a correr bem, mas um pouco parado. E por isso propus no grupo de trabalho que se alguém tivesse interessado numa folga, eu estava interessada em trabalhar. 

É natural... as pessoas trocam turnos, fazem propostas...
Eu não sou muito disso mas, há sempre uma primeira vez. Então deixei a proposta no ar. Não foi como se estivesse a forçar alguém! Nem exigi nada. Porque só isso justificaria a reação dela. Depois de ler esta minha sugestão, ela escreveu o seguinte: "Fulana, quando perguntei quem queria fazer horas extra não disseste nada. Agora esperas que os teus colegas dispensem dos seus dias de trabalho para ti??? Não gosto nada disso!"

Eu li a mensagem e fiquei pasma. Mas... porquê aquela agressividade? E de onde veio aquela interpretação?? Quando é que ela perguntou quem pretendia fazer horas extra? E porquê estava a usar isso contra mim? Estava a castigar-me, ficava implícito. Por não me ter oferecido para fazer horas extra há quatro semanas atrás, estava agora condenada a não ter direitos? Nunca mais poderia propor nada? Mas isso é ser chefe? Mas afinal o que fiz eu de errado ao escrever aquela simples e inofensiva mensagem sugerindo uma troca de folga por um dia de trabalho? Nunca pensei, nunca me ocorreu, que ia ter uma resposta como aquela.

E não ficou por aí. Porque ao lê-la, caí no erro de responder. Não gostei da implicação que ela fez: de que estava a prejudicar os meus colegas e que não me oferecia para fazer horas extra. Porque não era verdade! Ela havia pedido para fazer horas fazia 5 dias. E assim o fiz. Trabalhei até há uma da manha.

Agora estava a acusar-me de não me oferecer?

O que mais me custou da outra vez foi ouvi-la retratar-me de forma oposta ao que sentia estar a demonstrar. Estava a acontecer novamente. E assim não podia ser. Como posso trabalhar para uma pessoa que diz que ando pela esquerda, quando ando pela direita? Que me acusa de pegar no telemóvel quando não gosto de telemóveis?

Portanto existiu na sua resposta uma quantidade muito equivocada de afirmações, todas entregues com agressividade. Disse-lhe para deixar estar... Da maneira como ela deixou claro estar descontente estava obvio que NINGUÉM IA OUSAR, mesmo que quisesse, trocar um dia comigo.

Mas ela continuou. Ainda respondeu que não se falava mais do assunto, não queria ouvir mais uma palavra a respeito!

Ora...
Ela cria toda uma discussão e depois até sente-se no direito de silenciar qualquer possível intervenção. Isso é um atentado à liberdade de expressão. Foi aí que percebi: "mas ela é uma IDIOTA!".

E foi aí que decidi que não ia ficar a trabalhar para ela.
Ainda assim, nada disse nesse dia. Não queria agir a quente.

Quando entrei no escritório, disse bom dia a todos e, quando me virei para sair, ela, que nada me disse, ruminou um "Hei?", ao que lhe respondi um simpático adeus e continuei o meu rumo. Afinal, tinha terminado o trabalho, já nada me prendia ali. E se ela escreveu que não queria ouvir mais uma palavra a respeito.... pensava o quê? Que ia ter com ela discutir o assunto??

Não quer diálogo não tem diálogo...
É olá e adeus e pronto.

Minutos depois recebi uma mensagem no telemóvel, dela. Escreveu assim: "Fulana, querida, é para te lembrar que ainda estás à experiência. Tem um bom dia!".

Interpretei aquilo como uma ameaça. "Ou fazes o que quero, ou te curvas e obedeces, ou serás castigada. Eu tenho poder sobre ti".

Quase que respondi: "Muito obrigada por me lembrar. Era o que precisava saber. Neste caso aviso-a que o meu trabalho acaba aqui".

Mas fui mais madura. A decisão estava tomada. Mas ia comunicá-la presencialmente.

No dia seguinte ela liga-me para perguntar algo e no final diz que temos de falar. Muito bem, quando? - pergunto. Ela não sabe dizer... Proponho ir ter com ela no final do meu turno para esse fim, mas ela rejeita a proposta, dizendo-se muito aterefada. Talvez na "segunda-feira"... responde ela. Ou seja: uma semana! Não estava para esperar uma semana até «sua magestade» decidir que tem tempo para falar. Se mencionou que temos de falar, que não usasse isso como arma de intimidação. Que fica a pairar no ar por sete dias... Perguntei-lhe então sobre o quê desejava falar. Mais um suspiro e ela diz:
-"Tu não percebes que atrapalhas os turnos dos outros? E depois ages como uma crianças de cinco anos!".

Ao que lhe respondi: "Fulana, eu quero terminar a minha colaboração aqui na empresa."
-"Está bem" - responde ela, num misto de surpresa e alívio.

(estava cansada de a ver usar essa possibilidade como ameaça)

-"De quanto tempo precisas?"
-"O tempo para sair são duas semanas".
-"Duas semanas (eu tinha lido uma apenas por lei). Que mais é preciso fazer?"
-"Deixa uma carta na minha secretária".
-"Está bem. Adeus."


Instantaneamente senti-me leve.
Gosto do trabalho - nunca tive um que surpreendesse tanto pela positiva no salário. E não é nada exigente. Mas pode ser aborrecido e monótono e chato (se as pessoas forem chatas e parvas). E nesses momentos não o suporto. Mas nunca irei encontrar outro como este, isso é certo. Ainda demais, é uma companhia privada. Não corria o risco de ser demitida como nas outras que a rodeiam...  Era mais "sólida". Só que, nas condições em que a encontrei... não quis arriscar cair nos erros do passado. Erros que me fizeram aguentar todo o tipo de abuso. Até o abuso se tornar pior, pior e eu acabar gravemente prejudicada. "Se ao menos tivesse terminado tudo como pensei tantas vezes..." - não queria passar por isso novamente. Então, na hora em que tudo ficou claro, segui essa visão.

Foi a primeira vez que agi assim.

Mas ficam dúvidas. E incertezas. Terei de aprender a viver com elas.
Receio de ter sido precipitada, receio de ter agido mal ao sair de um local sem ter outro para ir. Isso é que me assusta: não encontrar outro. E agora já não é qualquer um que me serve. Quero algo específico e sei o que não quero fazer.

E estou mais velha. Cada dia que passa... mais velha.
E o verão já acabou. Vão-se os empregos...

Nada está a meu favor...
Será que fiz bem?

Sei que há duas espécies de bem. E fiz bem, para o lado que negligênciei toda a minha vida. Mas preciso de viver, de dinheiro, de trabalhar que é o que me faz feliz...

Agora o tempo dirá o que sairá daqui. Para já, tive dois dias de ansiedade...
Não é muito bom. Mas também tenho de aprender a lidar com ela.

Entretanto, mais para se precaver, ela ligou-me no final do turno a perguntar se queria ir ter com ela para conversar. Então fazia três horas não tinha tempo, só dali a uma semana... agora arranjava tempo? Perguntou se mudava de opinião. Respondi que tinha de seguir o meu instinto... e que havia deixado a carta na secretária, como pediu.

No dia seguinte vieram ter comigo para confirmar se eu ia embora por causa dela. Queriam que apresentasse uma queixa por escrito, dizendo quais os meus motivos, para que a carta chegasse aos ouvidos dos superiores dela. Porque não é a primeira vez que ela age assim com as pessoas que estão debaixo do seu comando e não pode ser assim.

Só que se existiram outros - e sei que existiram - então porquê não foram os outros a escrever essas cartas? É um assunto que ainda vou ponderar. Pois não sei se tenho evidências suficientes. Tudo pode ser levado para a questão de "interpretação". Que foi a desculpa esfarrapada usada no primeiro emprego que tive, quando quis denunciar um caso de bulling. Era tudo "interpretação" minha... E de qualquer pessoa com a mesma queixa sobre o mesmo indivíduo.

Depois, não sou delatora. Nunca fui.
Tenho aversão a ir por detrás de alguém conspirar contra essa pessoa. Sou mais cara na cara, rosto no rosto, diálogo. Coisa que ela praticamente baniu... pelo que, ao agir assim, praticamente valida que se tente a via indirecta.

Este mês ela atribuiu-me 10 dias de folga. É um exagero. Dois a mais que o habitual e cinco a mais que uma rapariga que está a tentar proteger, influenciando os seus resultados finais. Deu-lhe os melhores turnos e só lhe deu a segunda folta após 15 dias. Isso vai reflectir-se no salário mas também numa competição que está a decorrer. O primeiro prémio são 100 euros. Adivinhem quem estava a liderar no início? Eu. Mas quem é que vai ser o vencedor? A protegida.

Com apenas 5 dias de folga no mês de Agosto e com os melhores turnos, a protegida vai ser a vencedora. Não há matemática que refute essas possibilidades. Existe uma outra colega que estava a aproximar-se bastante e é boa. Mas até aí a chefe influenciou o resultado. Ontem, penultimo dia da competição, sugeriu TROCAR de turno com a protegida, afirmando, inclusive, que era melhor para ela porque ia vender mais artigos para a competição!!

Ela tem a competição muito presente. Está sempre a mencioná-la. Portanto sei que as minhas suspeitas não são coincidências. Não me surpreenderia se o verdadeiro motivo por detrás do seu ataque verbal tenha sido o facto de não me desejar a interferir nos seus planos de me afastar o máximo possível das possibilidades de ganhar esse prémio. É que as minhas folgas coincidiam com o final do mes... a única altura em que podia recuperar. Ela não ia deixar...

E por todos estes detalhes mesquinhos, por estas coisas pequenas, acho que não vale a pena. Nunca sei o que vou encontrar ali. Nunca sei de onde vem o próximo grito, o próximo stress... e aquilo é um emprego que não justifica tanto aborrecimento.

Entretanto daqui a duas semanas a chefe vai de férias... pela quarta vez desde que lá estou a trabalhar. Não entendo como é que, tirando tantas férias, consegue regressar sempre mais furiosa, ao invés de calma. Mas agora isso já não me diz respeito.

A protegida vai ser recompensada. Não só vai meter ao bolso 100 libras, como a partir de amanhã tem uma semana de férias. Convenientemente tiradas "pós" competição. E já planejou tirar outra semana daqui a 10 dias. Adivinhem quem é que vai fazer horas extras na sua última semana de trabalho???? Enquanto a favorita vai de férias e não há mais ninguém? Parva fui! Porque foi por causa disso que me demiti e agora fiz-lhe o favor de lhe facilitar a vida... até precisava de estar mais livre para planear a minha vida. Mas não... pensei que ela não tinha mais ninguém.... senti compaixão. PARVA, IDIOTA!


Gostava que alguém demonstrasse preocupação comigo e com o emprego que vou conseguir. Isso é que seria de utilidade. Mas até agora só me abordaram porque me querem usar como ferramenta para expor a chefe pelo que ela é...

Mas se ela sair, outra igual vai para o lugar. E talvez uma que seja mais difícil de apontar os erros... uma mais sabida.

Por tudo isto, terei feito bem? Terei feito mal?
Só Deus sabe.

O que eu sei é que fiquei num emprego para lá do tempo em que me sentia confortável nele e essa decisão foi catastrófica. Sofri muito e a consequência injusta deixou marcas. Depois a minha outra grande decisão errada: ficar demasiado tempo a viver naquela casa com aquele tipo. Quando decidi sair, voltei atrás. Tudo para um mês depois sair de vez. O meu primeiro instinto estava correcto. Mas eu, ingénua, crédula... deixei-me levar pela esperança, pela crença de que é possível uma convivência cordial, seja no campo profissional ou pessoal...

E voltei a sofrer com isso.

Foi por ter passado por essas experiências que agora tomei a decisão contrária aquela que me é de costume. Cortei o mal pela raiz, antes que esse mal pudesse me prejudicar ainda mais.

Desejem-me muita sorte, do fundo do vosso coração!!!


Abraços carinhosos,
Portuguesinha

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Trivialidades sociais


A internet avisa-me que a mãe de Cristiano Ronaldo fez um transplante. Foi a palavra TRANSPLANTE que primeiro chamou a atenção. Pareceu grave. Mas afinal foi uma intervenção estética no rosto, segundo o Jornal da Madeira, cujo título dado à notícia surge num misto de "quero dar a entender que escrevo num português erudito" misturado com falta de objectividade e muito amadorismo.

Conteúdo útil? Nenhum dos links que visitei a dar a mesma notícia tinha qualquer conteúdo, quanto mais de utilidade.

Todos fizeram referência que foi algo que ela partilhou nas redes sociais, junto com uma foto e um agradecimento à clínica que providenciou as suas nova... sobrancelhas. Sim, porque o procedimento estético ao "rosto" afinal, foi transplante às sobrancelhas.

Quando entendi isso decidi ler a notícia por pensar que ia encontrar algo útil, como saber como se procede um transplante de sobracelhas no sentido de descobrir de onde vem a FONTE dadora. Sobrancelhas, que eu saiba, não são plantadas em vaso. Então, de onde vêm? Seria ÚTIL, verdadeiramente útil se a comunicação social que transforma este tipo de coisa em notícia, aproveitasse a deixa para explicar um procedimento estético. Ainda que fosse em troca de patrocínio! Ao menos seria algo ÚTIL, não uma FUTILIDADE.

Que eu tenha conhecimento - mas posso estar equivocada, nenhum transplante fulicular pode acontecer entre indivíduos diferentes. Portanto, a palavra "transplante" tem um sentido bem diferente daquele dado a outros tipos de transplantes, como o de órgãos. Este tipo de transplante, tem sempre de ser de alguém para outro alguém, e existir compatibilidade. 

Nos procedimentos estéticos, o "transplante" nunca é de fora para dentro, nunca vem de um dador externo para um outro indivíduo. É no próprio corpo que têm de ser colectados os elementos "transplantados". Queria entender isso e esperava que a futilidade da notícia, ao ser divulgada, servisse esse propósito INFORMATIVO.

Mas qual quê. Tenho a leve impressão que têm de remover cabelo para colocar no lugar da sobrancelha. Mas como o pêlo cresce diferente e tem cumprimentos diferentes, pode sair algo inspirado num Frankenstein. 

Mas posso estar equivocada e já terem surgido outros métodos que permitem que o pêlo transplantado não tenha de ser aparado e consiga ter a mesma curvatura e direcção de crescimento que os originais. O que sei é que esta "notícia" não trouxe qualquer esclarecimento. E nem sei porquê as clínicas se oferecem para fazer estes procedimentos. Vou ousar dizer que a Dolores não pagou pelo procedimento e fê-lo de graça, em troca de mencionar o nome da clínica. Se pagou por ele, muito bem. Mas se aproveitou a fama para fazer isto à borla, é algo que só é possível porque as clínicas e as empresas são burras e pensam que a divulgação do seu nome através de uma figura pública lhes vai trazer mais rendimentos do que apresentar a conta no final dos serviços prestados. 

Talvez antigamente... quando essa "publicidade" vinha acompanhada de uma discrição do procedimento, o nome do médico cirurgião e toda uma enjoativa publicidade disfarçada de notícia. 

Não sinto falta dessas...
Mas sinto falta de informação.


sábado, 25 de agosto de 2018

Isto é normal?

Homens crescidos e vividos que pedem ajuda para usar um telefone publico.

Pessoas que reservam quartos em hoteis e perguntam como lá chegar.

Pessoas que pedem direccoes quando estao rodeadas de avisos e sinais a explicar para onde seguir.


SE É ISTO  É O RESULTADO DA MODERNIDADE, algo está mal.

A tecnologia parece que nos tornou acomodados e burros.
Incapazes de nos safar sozinhos.
Incapazes até mesmo de ler e interpretar uma sinalização tão simples como "saída".


quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Proibição de entrada a menores de 14 anos em restaurante


Aconteceu na Alemanha. E o caso está a dividir opiniões. Uns dizem que o proprietário tomou uma decisão correcta e, claro, as instituições pela defensa da "igualdade" vêm dizer que é descriminação.


Pessoalmente entendo e concordo.
Não se escandalizem.



Mas sou da opinião que se perdeu noção de como ter maneiras em certos lugares públicos. Se eu vou a um restaurante, posso esperar alguma animação, de minha parte, da parte de mesas à minha volta, mas não ruído e distúrbios.



Hoje em dia é muito comum ter mais do segundo, do que do primeiro. Qualquer restaurante pode parecer uma esplanada do MacDonalds num domingo à tarde, após uma sessão de cinema infantil. 


A educação cívica que os pais pararam de saber como incutir às crianças tem de regressar. Não digo que se deva punir as crianças, mas faz parte de se ser pai ou mãe ensiná-las a comportarem-se em lugares públicos, de acordo com alguns requisitos mínimos.

Por um exemplo que tenho na família indirecta sei que há pais que não se importam com isso. À mesa, os petizes fazem o que bem lhes apetece. E se não lhes apetece ficar sentados na mesa, isso também não tem importância. É uma confusão... como se estivessem na privacidade dos seus lares, não num lugar público. 

Porquê haveria eu de sair da minha casa, para passar um serão agradável num restaurante, em sossego, na companhia de alguém agradável, para ter de aguentar os gritos e choros de variados petizes? 

Há que ter bom senso.
A liberdade e igualdade trás muita coisa boa - mas não pode atirar pela janela as responsabilidades e os deveres cívicos.


sábado, 18 de agosto de 2018

Notícias saúde


Não me estão a dar nenhuma novidade...



sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Dizeres e reflexões



Se isto é VERDADE




Então, não vivi NADA

O que acham?

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Cultura, meus amores. Cultura


Saudade...

Mas o legado ficou.





terça-feira, 14 de agosto de 2018

A queda da ponte em Génova


Acho que é impossível não recordar a nossa própria experiência com uma tragédia semelhante. Foi no dia 4 de Março de 2001 que caiu a ponte Entre-os-Rios, em Castelo de Paiva. 59 pessoas perderam a vida. Podiam ter sido muitas menos - não fosse uma das viaturas lançada à força das águas nocturnas um autocarro cheio de felizes infelizes que regressavam de uma excursão. 

Enquantos os mais acérrimos assistiam a uma partida de futebol do benfica (será que alguma vez poderam ver um jogo do clube novamente sem um trago amargo a lembrança triste?), o pilar da ponte ruía.

Você se lembra onde estava quando a notícia surgiu?


Eu recordo...

Ainda me vejo a olhar para os monitores pendurados quase no tecto. Todos os rostos a acompanhar o mesmo, todos os pescoços erguidos e queixos elevados, olhos pregados nas notícias da RTP.

.......


Por dividir casa com italianos, a notícia da queda da ponte em Génova, hoje, tem sido o assunto do dia. Nos canais de notícias que disponho cá em casa, mal consegui apanhar uma informação. Estão centrados no carro que bateu contra uma protecção de segurança perto das casas do Parlamento, em Londres. Mudo de canal, aguardo meia-hora, uma hora, e são só essas imagens e esse o assunto que surge no "ar". Por dois segundos apenas, apanhei uma imagem parada da derrocada da ponte mas a notícia "fugiu" de imediato para as imagens da viatura em Westminster. 

"Os Londrinos não tem de se preocupar. A polícia reagiu com prontidão. Temos a melhor... polícia. O suspeito foi imediatamente detido. Há que louvar a força policial que se aproximou do veículo sem saber o que havia lá dentro (subentenda-se explosivos) ou quem era o indivíduo (subentenda-se estar armado)".



E pronto...
O mundo das notícias continua assim...

É notícia um ou dois eventos diários, abordados até à exaustão.





Enquanto o colega cá de casa escutava pela internet um canal de noticiário italiano, eu reflectia na necessidade de ficar horas ligado a ouvir "notícias" sobre aquela tragédia. Que mais se pode adiantar? Para quê fazer um directo ineterrupto no local? A notícia está dada e pouco se poderá avançar nas próximas horas sem ser: "Esta ponte ruiu, a esta hora, neste local, existem mortos, esta pessoa disse isto, esta testemunha aquilo" "Voltaremos a entrar em directo quando surgirem mais desenvolvimentos" - esta parte acrescento eu. Acho que era assim que se fazia nos "antigamentes". Não se explorava o voyerismo como se faz hoje em dia. Essa irresistível vontade que o povo tem em espreitar tragédias e que os media estão mais que contentes em lhes enfiar pela goela a baixo, queiram ou não queiram vê-las. Porque hoje em dia a competição e a rivalidade é enorme, tudo diz respeito ao número de espectadores que se agarra a cada segundo e a quantidade de dinheiro que, por isso, se consegue extrair dos patricionadores.

Ou pelo menos costumava ser assim. Foi assim por muitos anos, simples, dinheiro certo e descomplicado. Creio que já faz bastante tempo - desde que surgiram novos canais e novas tecnologias, que este esquema de "sobrevivência" financeira está mal das pernas. Mas a solução? Andam todos a tentar descobrir faz décadas...

E enquanto não a descobrem, perdem-se escrúpulos, vendem-se "tragédias" ao desbarato...
As mortes, sangue, explosões e misérias atraem "clientes" então é isso que faz os noticiários, mais que qualquer outro feito ou conquista.



segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Para reflectir - igualdae?






À medida que se envelhece percebe-se que um relógio que custa 300 euros e outro de 30 dizem ambos as mesmas horas. Uma mala Michael Kors ou outra da loja Forever guardam a mesma quantia. Seja uma casa de 100.000 ou uma de 300.000 em ambas se pode sentir solidão. Um Bentley conduz-te ao mesmo lugar que um Ford. A verdadeira felicidade não se encontra no materialismo, mas no amor e riso que se encontra em todos nós.

Permanece humilde... o buraco que nos será cavado no chão é do mesmo tamanho.


Em teoria devia concordar com tudo o que aqui está escrito, pois vivo a minha vida seguindo estes princípios. Mas em toda a honestidade que a experiência de vida e a constatação diária de eventos me obriga, não concordo nada com as ideias neste texto paternalista. 

Com o avançar da idade também se apreciam coisas boas. Descobre-se que um bom bife faz melhor para a saúde que a carne do macdonalds. Então mais vale pagar mais, mas ter algo melhor. E nem toda a juventude se prende com o materialismo e a busca de coisas caras. Quanto ao tamanho do buraco que nos é cavado no chão... isso mudou. De tamanho de corpo passou a tamanho de "vaso". Isto para gente comum. Porque os poderosos, esses continuam a ser diferentes até na morte. Alguns querem os seus corpos preservados para a eternidade, outros vão ser enterrados dentro do seu carro desportivo favorito ou mandam construir uma autêntica "pirâmide" cheia de ouro e até escravos, para na outra vida poderem usufruir do mesmo nível de comodidade e riqueza.




Não.
Nunca fomos todos iguais.

O que partilhamos em comum é a MORTALIDADE.




sábado, 11 de agosto de 2018

September fears


Traumas.


Todos temos alguns e eu adquiri um novo, o ano passado. Que temo ter vindo para durar. Esse trauma faz-me recear a aproximação do mês de Setembro. 


O ano passado, por essa altura, estava estavelmente empregada. Dei um pulinho de férias tardias ao meu país e tive um pressentimento: devia ficar. Por uns tempos, a ganhar competências numa determinada área de interesse e regressar posteriormente mais qualificada para obter outro género de emprego.

Mas aquele que tinha esperava por mim. E a pensar nas pessoas que lá trabalhavam que contavam comigo, não segui o instinto que me mandava mudar de rumo. 

Numa semana, fui demitida.

As circunstâncias já as expliquei aqui. Mas fiquei magoada. Foi injusto e feito de forma vil. Durante o verão fui indispensável, não podia tirar férias, tinha de fazer horas extras era indispensável. Mas chegado o mês de Setembro, contractaram mais pessoal e tornei-me alguém que podiam dispensar. Assim, sem mais nem menos, sem consideração, sem atenção.


Os meses que se seguiram não foram rosas. As circunstâncias com que fui friamente dispensada batiam na alma como quem bate na mesma tecla de um piano e escuta sempre o mesmo som. Tentei outras portas, que pensei que iam abrir bem depressa. Pois essa era a vantagem de estar a viver em Inglaterra: a facilidade em arranjar emprego de semana para semana.

Mas enganei-me. Após sucessivas tentativas e rejeições, o emprego que pensei ter logo em Janeiro, só apareceu em Abril.  E durou dois meses. Também esse terminou sem aviso, por mensagem enviada por email, dois dias antes da machadada final.

Nova "luta" para arranjar outro emprego - mas ao menos estava optimista. Vinha aí o verão, que tem imenso potencial em termos de empregabilidade. O que agora temo é o fim do Verão, a chegada de outro outono, outro mês de Setembro.

Mas uma vez, não pude tirar férias no verão. Tenho-as marcadas para o final de Setembro. Vou dar um "pulo" a portugal e depois regresso a inglaterra. E temo muito que volte a repetir-se as circunstâncias do ano passado. Simplesmente porque sim, porque é Setembro e as pessoas deixam de ser necessárias. 

Queria ter um emprego duradouro, seguro, que estivesse sempre lá para mim. Que só deixaria de existir se eu assim o decidisse. Quero segurança. Mas parece que a vida não é para ser assim.

Hoje recebi uma notícia desagradável, por parte do senhorio. Deixei-o sentar-se e falar até o fim. Mas já sabia o que vinha dizer-me. Bastou-me ouvir o que disse ao chegar: "Não te enviei uma mensagem preferi falar contigo, tenho notícias que não são boas". Depois mencionou que saiu uma lei que vai alterar as condições para rendatários com mais de cinco pessoas na casa.

Não precisei de saber mais nada. Sabia o que aí vinha. Os 10 minutos que se seguiram mantive-me em silêncio. Finalmente chegou a frase "vou ter de pedir a um de vocês para sair" e claro que a sua escolha tem como base o valor da renda. 

Ao chegar disse que vinha falar comigo portanto não precisava de ouvir nada. 
Sei que as emoções não tomam conta dele quando a questão refere-se a dinheiro. Ele irá aumentar as rendas se assim puder e achar que tem de fazer e dispensar alguém (eu) pela mesma razão monetária.

Agora temo Setembro por dois motivos: receio de perder o emprego e receio de não ter onde morar.
O Natal que já estava a imaginar nesta casa, já não vai acontecer. Já foi apagado da minha memória.

O outono trás a queda de empregos. E pelos vistos a queda de muitas mais coisas. Setembro é um mês muito poderoso em termos cósmicos. É praticamente o início de um novo ciclo anual.

Passei a recear vir a ser vítima dessa condição de desempregabilidade que o mês trás.
E agora passei também a recear nunca sentir estabilidade numa casa arrendada.

É que assim que começo a sentir-me segura, assim que faço alguma coisa para personalizar o meu espaço - mandei fazer uns cortinados para a janela e estava a fazer uma estante - parece que o meu sexto sentido diz-me para não chegar a esse ponto, pois será nesse instante que tudo irá mudar.

Estabilidade é tudo o que desejo.
É tão difícil de obter.

Assombra-me a possibilidade de me ver novamente atrapalhada no desespero do desconhecimento do que setembro trará. Mais uma vez, vou de ferias. Sei que não vou conseguir usufruir das mesmas com a mesma ingenuidade do ano passado. No subconsciente estará a passar o trauma. Aquela tecla de piano estará a martelar na nota de "setembro", "setembro".






quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Aquele defeito que gostava de não ter


Ao longo dos anos, adquiri um defeito pelo qual não tenho particular simpatia.

Quando alguém está a falar comigo, ou pretende fazê-lo, por vezes falo não por cima dela mas, talvez antes que esta consiga terminar o raciocínio estou a tentar adivinhá-lo.

Ora, nem todos apreciam isso. 
Eu também não.


Sei muito bem quando, porquê e quem me empurrou para este tipo de comportamento social. Porque não costumava ser assim, fiquei assim. E depois de se adquirirem certos comportamentos, é muito difícil perdê-los. Pelos menos os «maus» eheheh.



O que me conduziu ao defeito:
Quando era criança e queria falar, mandavam-me calar. As minhas ideias e raciocínios ficavam em "espera", engarrafados, uns atrás dos outros, a querer sair e sem ter para onde. Acabando por morrer sem terem sido expressados. Algumas vezes a imposição vinha com toques de vilania, porque as ideias eram imediatamente descartadas e rotuladas de zero valor, sem sequer terem sido expressas. 

Até mesmo a escola contribuiu um pouco para isto. Quando levantava o braço para falar e me era concedida a vez, se o fizesse muitas vezes e os outros fossem mais reservados, a professora mandava-me baixar o braço e pedia que outra pessoa intervisse. Compreensível. Mas rapidamente entendi que, mesmo numa sala onde ninguém levantava o braço, o meu não era bem vindo se fosse o único. Passei a esperar ou então nem sequer o erguia. Enquanto a professora prescrutava a sala em busca da resposta certa entre os alunos mais tímidos (eu sempre fui muito tímida mas gostava de estar nas aulas), esta pesava-me na ponta da língua e eu a engolia para não ser a "míuda na sala" que gosta de participar e «tira a vez» aos outros.

Também tive uma professora cruel que ignorava as minhas tentativas de participação, zangada por eu ter mostrado integridade numa situação anterior e determinada em sabotar-me. Quando erguia o braço e este era o único ali pedindo atenção, ela dizia "alguém? ninguém?" ignorando o meu que estava erguido.  Todos percebiam este e outros comportamentos agressivos dela para comigo e foram até colegas na sala que vieram me falar que a professora era cruel e devia fazer queixa dela.

Infelizmente não fiz.


Mas a razão maior para este meu actual comportamento/defeito é outra. Vem da família. No seio familiar todos falavam por cima uns dos outros. E poucos sabiam escutar. Às tantas, para me fazer ouvir, comecei a fazer o mesmo. Até mesmo para terminar um raciocínio, por vezes era forçada a "passar" por cima de quem mo interrompia. Acabei por ABSORVER o defeito que me era forçado. 

Esse é o principal motivo mas existe outro, que também contribui para que este defeito dificilmente seja erradicado. E o considero mais perigoso que todos os outros, porque está por toda a sociedade e passa despercebido, mas influencia todos, diariamente. É o ritmo de vida que levamos.

Um ritmo acelerado, imposto pelo contributo das tecnologias. Uma conversa, nos "antigamentes", era tida com tempo. Um «compadre» falava com outro, oferecia uma bebida, uns aperitivos, ou então caminhavam do emprego até casa mantendo uma conversa. E se a conversa ainda tivesse pernas para andar quando o destino já fosse atingido, dava-se tempo para que fosse finalizada.

Hoje em dia isso não acontece. Tudo é muito rápido.
Não se perde tempo em conversas. Ora porque se está a enviar uma mensagem pelo telemóvel ao namorado, ora porque tem de se correr para o autocarro que está quase a passar, ora porque, já no autocarro, está a chegar-se ao destino.

O que isto impõe na forma como sociabilizamos é uma alteração na forma de conversar. Tudo tem de ser rápido. Manter uma conversa tranquila, sem pressas, é cada vez mais raro. Porque as conversas são mantidas nos curtos intervalos em que as pessoas têm tempo para sociabilizar. 

Ora nos 15 minutos de intervalo na sala de refeitório (onde muitas vezes ocupa-se o tempo com as tecnologias, enviando mensagens ou escutando música), ora nos cinco minutos que leva a caminhar da empresa até à paragem de autocarro.

Se tens um raciocínio o que acontece?
Ou és versátil nas "novas tecnologias" e aprendes a abreviar conversas como se abreviam palavras por texto escrito, ou começas a falar depressa para poder contar uma história até o final, antes que "o tempo acabe".


E pronto. É isto.
Achei importante fazer um post sobre algo incorrecto de minha parte.  
Porque afinal, os defeitos não estão sempre nos outros, nós também os temos.
E este é um meu. 
Não me orgulho dele. 

---

Noutra nota similar, um outro "defeito" é, por vezes, o lado "negativista" dominar mais o dia. Este é uma característica grave, porque, se deixar, pode me conduzir a caminhos depressivos.

Ontem estava com receio do que podia ser a "conversa" que a superiora queria ter comigo. Razões para temer um contacto com ela não faltavam- como especifiquei. Mas rezei ao meu anjo da guarda para que me protegesse e me mantivesse longe de problemas. Não sei se por essa razão ou não, quando cheguei ao emprego, não escutei as habituais reprimendas por isto ou aquilo (caligrafia pouco legível, mais panfletos, cartaz pais para dentro e para a esquerda, nota emendada, etc, etc). Recebi um prémio por ter ficado entre os primeiros três lugares numa competição de vendas que nem sabia que estava a decorrer. Ah, afinal não sou tão má assim no meu trabalho - pensei. 

 Já hoje, por não estar à espera, provavelmente é quando vai "cair" em cima algo desagradável.
Mas como comentou e muito bem o Pedro Coimbra, do blogue Devaneios a Oriente, há dias bons e maus. Temos de os viver todos. Posso sempre recorrer à fé e às energias positivas para afastar as contrárias.

Quem acredita? 




quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Mensagem enigmática resultado: desconhecimento e ansiedade


Começou um mês depois de estar no emprego. A superiora apareceu no posto turístico no exato momento em que estava cheia de clientes. Foi o dia em que facturei mais, até hoje. Porque de início ao fim, não parei de atender pessoas. Não tive tempo nem para engolir uma cereja que tinha trazido comigo. Escusado mencionar que durante as 8 horas de trabalho não fiz uma única visita ao WC.

 Ao vê-la chegar tive tempo de lhe esboçar um sorriso. Mas ela, nada. Nem pareceu reconhecer a minha presença. Sem dizer uma palavra, um cumprimento, percebo que tem o semblante carregado. E com essa má cara começa a desviar uns centímetros para lá e para cá os publicitários visuais normalmente presentes neste tipo de locais. 

Quero lhe falar, mas estou com clientes a fazer fila. Só tenho tempo de a ver a mexer nas coisas como se estivessem mal colocadas e a ouvir refilar por faltarem alguns panfletos nos mostradores, por os clientes se aproximarem e tirarem um exemplar de cada um. E antes que conseguisse atender todos os clientes, antes de lhe poder falar, ela foi embora.

Deixou contudo algo no ar. Uma energia negativa, pesada, que ficou palpável.
Fui surpreendida. Senti de imediato que o ambiente tinha-se alterado. Estou sempre contente no local de trabalho mas naquele instante percebi que o meu estado de espírito tinha  mudado. E porquê? O que tinha acontecido? O catalizador tinha sido a energia negativa que ela abandonou no local e que pude sentir instantaneamente. Subitamente já não me sentia feliz, o dia estava estragado, tinha deixado de apreciar a função. Tentei concentrar-me no atendimento e extrair daí a habitual felicidade. Mas algo mudou e durou quase até o final do turno.

Para com os meus botões pensei: "tenho de lhe mencionar isto. Que estranhei quando chegou, não me cumprimentou e foi embora sem me dar oportunidade de lhe falar. Tem de perceber que os panfletos que faltavam era porque, obviamente, os clientes os levavam e como estava ocupada a atendê-los uns atrás dos outros, não deu tempo para encher com mais. Nem faltavam tantos assim mas para ela, bastou alguns, bastou uns centímetros de espaço a mais ou a menos do sítio que só ela consegue visualizar que as coisas têm de estar. 

Diria que mais de metade da minha função é "perdida" a dispensar tempo a explicar a não-clientes que ali passam coisas que não são de minha competência, mas que eles esperam que seja, por a empresa carregar no nome a palavra "turistas". Todas as dúvidas que lhes passa pela cabeça, até por preguiça de se informarem no google maps, ou antes de viajarem, chega ali e eles esperam resposta imediata. Por exemplo, ontem, uma mulher chegou-se a mim só a falar o que supus ser russo. Não parava de falar, de gesticular, de me enfiar o telemóvel pela cara a dentro. Outra a falar frances (para não mencionar os que falam só em espanhol), todos esperavam à força toda que lhes colocasse o telemóvel a funcionar. 

Uma exigência muito comum por ali, visto que os turistas nem sempre conseguem se ligar com os seus telemóveis à internet local. Ou não sabem fazer chamadas, não conhecem os indicativos, não têm um telemóvel que funcione fora do país, etc...

Por mais que tente os ajudar - e tento sempre, por vezes dificultam-me a vida, ao não saberem falar inglês, por exemplo. Mas o pior é quando os telemóveis vêm com aqueles caracteres que são "desenhos" para nós. A senhora que supus russa nem tinha o telemóvel com caracteres iguais aos nossos. Os chineses então, quando me mostram os telemóveis todos em caracteres esquisitos que não sei ler - como supõem que os posso ajudar?

É uma situação que se repete constantemente. Acabei por ajudar e muito a senhora que só falava comigo sem parar em russo. Mas sem entender oralmente o que me dizia. Para ela se ligar à net "gratuita" tinha de se registar no site. Mas "cadê" que ela tinha um email? Nada. Quando finalmente percebeu, introduziu um que não foi reconhecido. Tentei introduzir um meu, mas o telemóvel não tinha os caracteres certos. Acabei por lhe indicar onde ficava a internet a pagar e depois perguntou-me onde eram os lavabos - outra questão muito recorrente por ali. Onde fica o WC, a saída, o parque de estacionamento, porquê o telemóvel não funciona, porque é que não conseguem se ligar à net....


Enfim.

Duas semanas depois uma outra situação resultou num "confronto" directo entre a superiora e eu. Como ela me pediu, deixei uma mensagem no grupo avisando que estava a ficar sem stock de um determinado produto e a perguntar se o podia requisitar numa loja com quem partilhamos produtos. A resposta escrita dela foi esta:

-"A culpa é tua! Não disseste quanto te restou portanto se agora falha é por tua culpa! Eu te avisei quando começaste a trabalhar que todos têm de me dizer quando o stock é menos de 100! Todos fazem isso menos tu. Custa assim tanto? Achas que consegues fazer isso?!!!!".

Eu escrevi-lhe de volta, desta maneira:
-"Simpatizo contigo mas por vezes tens uma forma de falar desnecessariamente agressiva. Se não fiz como indicas é porque desconhecia que existia esse procedimento. Fiz exatamente o que me ensinaste. Registei as transacções na folha de stock e escrevi aqui no grupo. Mas falamos quando chegares, está bem? Cumprimentos".

Nesse dia ela chegou com meia-hora de atraso para me substituir e com má cara. Não se dirigiu ao assunto. Começou de imediato com implicância: "Pensei que já tinhas terminado" (quando só posso terminar de atender clientes e fechar as contas quando aparece quem me vem substituir). "Despacha-te que eu preciso do computador". "Já vim tarde intencionalmente para te dar tempo para te despachares".

Acabei por ser eu a puxar o assunto e achei que tinhamos falado abertamente. Ela acusou-me de tantas falhas que por uns instantes fiquei calada, achando que não adiantava argumentar. As situações estão sujeitas a interpretações. E estas podem estar correctas ou equivocadas. O que ela me estava a dizer é que eu tinha "desculpas" para tudo. As minhas explicações para a situação - inclusive aquela que descrevi acima, eram "desculpas". Se é assim que vai interpretar tudo, então sabe-se que é infrutífero tentar uma argumentação. Se a pessoa é teimosa, estabelece o seu ponto de vista a partir de uma observação sem fundamentá-la ou contextualizá-la e teima que está certa, sabe-se que qualquer argumento cai em saco roto.

Além de me criticar por isso, acusou-me de "chatear" os colegas com uma dúvida que eu devia saber por ela ter dito na formação. 

Do muito que tive de aprender, acho que me saí muito bem. Para quem só estava ali há 30 dias, achava que me estava a sair bem mas, depois das suas palavras, percebi o quanto estava equivocada. Acusou-me de falta de consideração para com os colegas, por ter visto panfletos em falta e por ter dúvidas e recorrer a eles para as esclarecer. Sendo tão nova na empresa, esperava um pouco mais de compreensão para com dúvidas que pudesse ter. Afinal, estou a exercer funções há muito pouco tempo. Acho natural se existirem dúvidas. E acho pior dar uma informação errada a confirmar.

Mas este ponto de vista é um erro meu. Hoje em dia não se querem pessoas assim. Hoje em dia é suposto uma pessoa FINGIR QUE SABE TUDO. E se não sabe, inventa. Finge que sabe e só depois é que vai informar-se, sem incomodar ninguém, usando motores de pesquisa como o google.


O desconhecimento e a busca por saber deixou de ser bem visto. Pretende-se pessoas máquinas, que nasçam pré-programadas com um chip de conhecimento e com um software anti-erro.


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A realidade é que entendi que estou inserida, por duas frentes, num ambiente com pessoas controladoras que esperam telecomandar os outros à distância. Mais tarde explicarei. Uma pessoa pode tolerar, fazer vista grossa, respirar fundo como acabei de fazer e seguir em frente. Se calhar, é só isto que lhe resta, realmente. Se calhar este foi o destino e a escolha de todos os que alguma vez trabalharam para outro. Há sempre alguém que não "regula bem" mas que não pode ser contrariado. Sempre sapos a engolir. Sempre incompetências de tua parte.


Bom, sem querer me alongar neste assunto, quero só explicar a situação em que me encontro agora. A realidade é que dou por mim em aflição cada vez que vou trabalhar. Tenho receio de não encaixar bem um panfleto no sítio e por isso escutar uma reprimenda, tenho receio de ir ao WC na hora errada, receio de escolher consultar o grupo no telemóvel no momento errado, receio de estar posicionada na cadeira na direcção errada (sim, fui criticada por isso), receio de não ter o aviso publicitário para a esquerda ou direita, centímetro a mais ou a menos correcto... Receio de ser vítima de uma cilada. Esse receio é fruto de experiência de vida e surgiu agora mesmo.

Para que entendam, recebi agora pela manhã uma mensagem da superiora, dizendo para ir ter com ela antes do meu turno começar. Como podem imaginar, uma pessoa teme o motivo do pedido. Será que vem aí outra reprimenda? O cérebro começa a pensar "o que será que fiz errado" e um «filme» de possibilidades começa a desfilar. O coração fica aflito o espírito irrequieto. A preocupação instala-se. Este tipo de aflições são como um cancro no espírito, que pode muito bem trazer malfeitas também para o corpo.

Será isto que eu quero?
Deverei me sujeitar?
Dúvidas...

Agora estou aqui, a desabafar e a tentar fazê-lo rapidamente. Quero sair de casa com duas horas de antecedência e descobrir de uma vez por todas que assunto poderá ela querer comigo. Será que foi porque ontem viu o publicitário fora do lugar? Será que isso é motivo tão grave assim? Ou será que teve queixas de alguém? Uma colega foi armar conflitos? Ou será que foi outra pessoa? Ou será que não se passa nada disso? Será que me vai demitir atestando uma incompetência incompatível com as espectativas? 

É exatamente isto que não quero para mim. 
Não devia ser assim.
Não esperava que fosse.

Espero que não seja. 
Mas se existe pessoa com tendência para este tipo de coisas lhe acontecerem, essa pessoa sou eu. Tenho de aprender de uma vez por todas. Seja lá que lição tenha de tirar daqui. Se for para fingir competência e conhecimento, que seja! Em roma sê romano... não é mesmo?

Mesmo sabendo que fui eu que ensinei algo a uma colega que surgiu na empresa dois meses antes de mim, e tendo a percepção que não falhei tanto assim ou cometi erros graves - pelo menos que tenha conhecimento. 

Da vossa experiência de vida e por aquilo que observam, o que têm a dizer?

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Novas inquilinas - primeiro contacto com esse ET


Hoje é o dia em que DUAS novas pessoas vão mudar-se para esta casa partilhada.


A primeira já apareceu. É a jovem cuja presença mais temia. Porque tem ligações com a histérica da casa ao lado que, no meu entender, irá aproveitar cada oportunidade que conseguir para tentar se introduzir nesta casa. Só pelo gostinho de tentar amargar a minha vida. É infantil a esse ponto. 


A outra, ainda não apareceu. É mais madura, foi a que veio falar comigo quando ocorreu uma festa cá em casa (na qual não fui convidada a participar). 


Vou descrever-vos como foi a minha "apresentação" à nova moradora:

Desci para o andar de baixo onde estava a decorrer um borburinho: a histérica da casa ao lado já cá estava a meter o bedelho. E logo meteu conversa com o rapaz que incialmente tentou seduzir. Claro, agora tem mais um novo pretexto para cá andar constantemente: a nova rapariga.

E vai aproveitar-se disso. Podem ter certeza. 

Se o rapaz podia "cortar-lhe" as asas de vez em quando, a nova rapariga, sendo rapariga e gostando de dar à língua, vai ser uma porta mais acessível à invasão que a histérica pretende fazer. E, de certo, já lhe devem ter mencionado a minha pessoa. Em que contexto não sei nem quero saber. Não podia estar menos preocupada com isso.

Mas agora vou descrever como a "conheci". 

As situações hipotéticas que daí podiam resultar, no meu entender, seriam as seguintes: 

1) Eu ia ter com ela, apresentava-me, dava-lhe as boas-vindas e esperava que ela se apresentasse.
2) Ela vinha ter comigo, apresentava-se, eu dava-lhe as boas vindas, mostrava-lhe a casa e nos conhecia-mos.


O que aconteceu, porém, foi diferente.

Eu desci para o andar de baixo, a histérica da vizinha já estava à porta a meter o bedelho, a falar com o rapaz. Não vi mais ninguém e fui para a cozinha. Vejo uma colega de casa, cumprimento-a. Encho o meu copo com água e vou para sair da sala quando uma rapariga loura e jovem, que nunca tinha visto antes na vida, passa por mim em direcção à cozinha, caminhando cheia de propriedade, e diz: "Hello".

Olhei para a minha colega, confusa, sem ter entendido se aquele "borrão" louro que passou por mim era alguém que vinha morar na casa ou mais uma das que aparecem e desaparecem. A colega fez-me sinal de que sim, era aquela a jovem que, a partir de hoje, vem para cá morar. 


Bem, acho que já deu para entender o seu grau de interesse pela minha pessoa. 

Nem se apresentou, nem parou para me cumprimentar, nem nada. Só um "olá" fusgaz e continua como se eu fosse transparente/insignificante e a casa fosse já toda dela.

Mais uma que vai juntar-se ao "grupo"? Mais uma que, por intriga da vizinha histérica já vem com o cérebro pré-programado para não querer nada comigo? Ou mais uma que, por afinidade de profissão e de idade, vai rapidamente ser incluida no "grupinho" de convívio do qual não faço parte?
Também não me interessa.
Que faça o que bem lhe entender, desde que não venha desrespeitar ou atrapalhar nada aqui dentro. 

Infelizmente vai ser esta, e não a outra, que irá partilhar o frigorífico comigo. Não sei porquê mas isso deixou-me pouco contente. Preferia a outra. Alguém que não pareça vir já pré-programada para uma certa antipatia e alguém que não seja unha-e-carne com a vizinha histérica e que acha piada a pregar partidas de "sumiço" de mantimentos dos outros. Só pelo facto de ter ligação com alguém assim e eu saber que esse alguém, mais tarde ou mais cedo, vai entrar pela casa a dentro e abrir aquele frigorífico com o pretexto de tirar algo para si com autorização da "amiga"... 

É que é bem a cara da outra, mexer nos alimentos dos outros, contaminá-los, sujá-los, sei lá...
Só sei que é algo que sei que seria capaz de fazer, achando-se muito esperta. Ia contar aos mais próximos sempre entre risos histéricos. Infantilidade maldosa.