terça-feira, 19 de junho de 2018

Porquê a américa nunca será um país avançado




Uma americana publicou isto na sua conta do facebook. Imediatamente denunciei como racismo a etnias. Nomeadamente, no meu entender, preconceito para com os emigrantes.

Quando vejo coisas destas SEI que a América JAMAIS conseguirá ser um país de gente coerente, democrática, pacífica, com sensibilidade para os Direitos Humanos.

Não se lembram dos seus que passam fome, até aparecerem outros também com fome. E então gritam:
_"E os nossos? Que estão com fome! Vocês vão embora! Voltem esfomeados para de onde vieram! Aqui não há lugar para vocês!".


Um dia a situação pode reverter-se e depois quero ver...
Qual o americano que gostaria que lhes impedissem de tentar um futuro melhor roubando-lhes os filhos. Isto tem ares de Holocausto sem camaras de gás. Mas a intolerância? Essa é a mesma.

domingo, 10 de junho de 2018

Casas e casas


Ultrapassada a má impressão que terem escondido a frigideira causou, as coisas por casa estão melhores. Nunca estiveram más mas não me sentia incluida. Não participava dos convívios deles. 

Mas já existiu uma excepção, estivemos todos juntos e foi bom.

Não me interpretem mal. Comparado à outra esta aqui é um paraíso.

Mais ainda porque os outros, da outra casa, ainda não me deixaram em paz.

semana sim, semana não, recebo emails da ex-senhoria com "problemas". 

Desta vez, inventou que furei a parede para instalar uma antena de TV. E tinha de lhe pagar por isso. 
Deve estar doida. Nunca fiz tal coisa. 

Assusta-me os estratagemas que encontram e os pretextos que inventam para me contactarem, sempre com o objectivo de extorquir dinheiro. Agora temo que, se me virem na rua, tentem seguir-me só para descobrir onde moro. Estão sempre a tentar que lhes dê o meu novo endereço. 

A maldade que vai no coração das pessoas faz com que sintam prazer em perseguir outras, em não as deixar em paz.

Já deixei aquele lugar faz três meses.
Já deviam ter-me esquecido.


sábado, 9 de junho de 2018

É impossível ser-se assim tão talentoso e ser deste mundo


Estou actualmente a ler um livro que me está a deixar extasiada e ao mesmo tempo, perturbada.

Já não é a primeira vez que a escrita de Tess Gerritsen tem este poder.
As primeiras palavras de "Vanish" (desaparecidas) surtiram em mim a mesma sensação perturbadora, real, aflitiva, quando li a obra em 2005.

Foi nesse ano que "conheci" Tess Gerritsen.
Garanto-vos que admiro e adoro a forma como escreve.


Fazia alguns anos que não lia nada dela. A pesar do seu crescente sucesso, julgo que continua a não ser muito divulgada em portugal, embora já existam obras dela traduzidas e comercializadas. Porém, outras continuam a aguardar. E uma delas bem pode ser "Playing with Fire" (Brincando com o fogo) - o livro que estou agora a ler.

Digo-vos: estou a adorar!
Se o que li antes deste - também dela, «devorei» em menos de 48h, este aqui quero acabar logo. Mas dou por mim a precisar interromper a leitura. Não por estar cansada, embora provavelmente esteja. Mas por estar emocionalmente aflita. 


Que capacidade extraordinária tem esta mulher com as palavras!
Até fico a pensar como é possível. Tendo se doutorado como médica e praticado medicina durante anos, como é possível que seja tão boa em duas coisas tão distintas. Ainda por mais, toca violino. 


O que a inspirou a escrever esta história de "Playing with fire".
E compôs de verdade a melodia que faz parte da história. Tess surge aqui a tocar no piano a sua composição. Não é possível. Médica, escritora, musica. Tess é de outro mundo. 

E eu estou a adorar. E a temer. O que aí vem.

Ela dá a "papinha" toda. Sinceramente não entendo como Hollywood ainda não transformou todos os seus livros em filmes. Até a banda sonora ela proporciona. Bem melhor que Dan Brown. No entanto, este já conseguiu um Tom Hanks a protagonizar o seu herói. (Será por Tess ser mulher?)



A história começa actualmente (em 2015 quando a obra foi escrita) na América, após a viagem da personagem a Itália. Logo aí gostei da forma como a autora descreve, em poucas palavras, a primeira experiência da personagem com aquela terra e sua gente. Coisa pouca, mas que a mim soou a autêntico, com a qual me identifiquei. É como se lá estivesse: Em Itália, dentro daquela loja, conhecendo aquele funcionário. 

É esse o poder da escrita de Tess.

E é por isso que quando a história "saltou" uns anos para trás até Itália, não consegui largar mais. Os muito bem relatados factos contemporâneos, interrompidos num auge, não pareceram mais fazer falta. Estava completamente envolta nos acontecimentos daquele sítio na Itália, dentro dos lugares que ela mostra, conhecendo tão bem as personagens que ela descreve. Já nem precisava sair dali para saber o que acontecia nos EUA. Vinha aí uma história romântica, e eu, que prefiro trillers psicológicos e mistério, estava a ficar totalmente envolvida por um romance tão puro, tão autêntico e em risco quando a música dos apaixonados.


Tive de parar de ler a história mais que uma vez por temor. O que dali vem. Por temer... o horror. 
No instante em que parei de ler, toda a família de Lourenço, junto com outras famílias iguais à sua, estavam a caminhar para um comboio que os levaria para um "campo de férias". Depois voltariam, passado uns tempos - disseram-lhes. Até lhes deixavam escrever UMA carta a um vizinho ou amigo, desde que contassem que estavam a ser bem tratados e que se dirigiam para um lugar bom. 


Esse lugar foram os campos de concentração durante a segunda guerra mundial.

Nunca - e eu já vi e li tanto a respeito, me afectou tanto o que aconteceu a todos os judeus e seus simpatizantes nessa altura. E tudo devido à escrita de Tess.
Ela não deixa de fora a fé. Foi por terem fé e não acreditarem nos boatos de atrocidades, que muitos ficaram. Confiantes no seu líder, confiantes no significado dos muitos anos de vida estabelecida, no emprego digno e honesto, no negócio que passou de pai para filho... Não. Era tudo boatos. Não iam fugir para o desconhecido e para a pobreza, com base em diz-que-disse. Iam ficar no seu país, na sua casa, a trabalhar honradamente. 

E é por conseguir transmitir tão bem esse lado por vezes esquecido - o lado humano, da fé, da descrença, que me identifico tanto com estas personagens. A escrita de Tess Gerritsen simplesmente tem afinidade com as minhas emoções. Toca-as como a um piano, um... violino. 




Se puderem, leiam.
Qualquer obra dela, mesmo a da série Maura Isles e Jane Rissoli.

"Eu sei um segredo" foi a obra que li nas últimas 48 horas e é muito bom! Aqui no UK está à venda nas livrarias (lançamento em agosto de 2017, EUA) mas descobri o tão fantástico que é usufruir das bibliotecas. Que ainda por cima têm livros acabados de serem lançados. Leio e devolvo. Adoro! Adoro a partilha, adoro o empréstimo, adoro o ler sem ter de decidir qual posso comprar, sem ter de escolher entre um de muitos - posso lê-los a todos. E não tenho de os possuir. Partilho-os. 

terça-feira, 5 de junho de 2018

é complicado não viver sozinho


Estou incomodada com uma coisa. E essa coisa já me estragou o meu dia de folga.

Reparei que uma frigideira que usei, lavei e pendurei ontem, não estava mais no lugar.
Intrigada, fui olhar na gaveta, o único outro lugar onde poderia estar e também no frigorífico que não me pertence, não fosse alguém ter precisado usá-la e metê-la por lá.

Aí lembrei-me do armário com panelas que o senhoria me mostrou quando vim ver a casa. Foi nessa altura que perguntei se a casa tinha esses utensílios ou se tinha de trazer os meus. Ele respondeu que a casa os tem, mas aqueles no armário pertenciam a alguém.

Então ao armário NUNCA fui.
Só uso o que vejo na cozinha, o que me foi dito que era para usar.

Então ontem, numa das raras ocasiões em que me dá para isso, cozinhei. Usei a frigideira, lavei e pendurei no lugar onde sempre a vi.

E hoje quando reparo, não está mais lá.
Como disse, fui encontrá-la no armário que pertence a outra pessoa.

Isto para mim é o mesmo que me dizerem: "Isto é meu, não quero que mexas!"

Muito mesquinho!
É que eu é raro cozinhar. Porque nem sempre tenho vontade, nem sempre tenho tempo e porque outros também cozinham. Divido a casa com outras quatro pessoas, e todas se dão bem e são cúmplices. Nunca me convidaram a tomar uma refeição junto com eles. E já faz para mais de dois meses que vivo aqui.

Portanto, não me sinto incluída, verdadeiramente.
Tanto assim é que, se não fosse por uma mensagem do senhorio a avisar que vai mostrar o quarto de um dos inquilinos a um novo candidato, duvido que alguém me contasse que um deles vai embora. Vai o rapaz que faz parte do casal. Sim, tenho um casal aqui e isso nunca é bom. Cada vez que brigavam ficava no ar aquela coisa de "preciso falar com a minha amiga sobre a briga" e eu saia da sala para que elas se sentissem livres para falar.

É o elemento ERRADO do casal que vai abandonar esta casa.
Nisso não tenho dúvidas.

Estou a pensar confrontar as duas raparigas com este facto. Não é a primeira vez que algo que eu uso é removido do local e colocado noutra parte. É quase como que dizer: "Isto é meu, não quero que uses!".

O que está LONGE de ser a postura indicada para uma casa onde as pessoas aparentavam ser dadas, compreensivas e sem problemas de maior.

A mais nova da casa - que só cá veio habitar uma semana antes de mim, logo pareceu querer tomar conta e dar ordens. Exibiu comportamentos que não me cairam muito bem. Mas relevei. O meu erro sempre foi relevar, por isso acho que agora não posso fazê-lo. TENHO de confrontar a pessoa com as suas atitudes. Ela também faz o tipo que entra na sala quando eu estou e não me diz olá. Mesmo a passar por mim, acabada de entrar, e nem um cumprimento.

Sem dúvida devia ser ela a sair da casa e não o namorado.
Houve um dia em que ela não esteve e ficamos só nós os quatro. Foi um dia sem stress e onde todos falaram entre si. Quando ela está parece que o convívio fica restrito ao grupinho.

Depois tem a mania.
De que faz tudo bem. A primeira vez que a vi a limpar a cozinha, mandou-me sair porque queria limpá-la. Eu precisava comer algo porque já era tarde e não tinha tomado o pequeno almoço. Então pedi-lhe que me deixasse apenas apanhar algo da dispensa e prometi que não voltava.

Sei lá o que tirei... umas bolachas.

No final, ela chama os amigos e diz-lhes:
"Vejam, eu limpo bem, não limpo? E agora passa a ser assim: a reciclagem é aqui e não mais ali e a esponja é só para lavar a louça e é deixada acolá. Está bem limpo, não está? Eu limpo bem. Vejam, limpei aqui e aqui..."

Um mês depois calhou a mim limpar a cozinha. E quando desviei os frascos de especiarias, estava a bancada replecta de pó, tufos de pó, terra, especiarias diversas, plásticos com livros de instruções empoeirados e bixos pequenos.

A limpeza dela não foi assim tão eficiente. Aliás, a limpeza de nenhum deles, caso contrário aquele canto da cozinha não denunciava a falta de limpeza de vários meses. O mesmo aconteceu no móvel atrás da televisão - cheio de tufos de pó e sujidade, e debaixo do sofá - o chão estava cravado de sujidade, migalhas, bolachas, plásticos, chocolates que cairam, etc, etc.

Mas agem como se fossem as melhores a limpar tudo e o resto ficasse aquém.
Também sujam um pouco mais que todos mas... quem se importa.

No geral, a casa é mantida limpa e isso eu gosto.
O que não estou a gostar são estas indelicadezas. O esconder coisas que antes estavam a uso da casa, só porque me viram a usá-las. O mandar «recadinhos» sobre as limpezas, escritos no quadro ou ditos como quem "não quer dizer mas diz". Eu nunca precisei de "anunciar" que limpei. Limpei e está à vista. Não vou andar a correr atrás deles a verificar se a limpeza que efectuaram está de acordo com os meus critérios. Mas acho que não é assim que eles agem. E isso é outra defeito muito complicado de aceitar numa outra pessoa.

Eles próprios dizem que eu devia comer melhor e cozinhar. Principalmente sendo Portuguesa - seja lá o que isso quer dizer. Pelos vistos os portugueses cozinham, não comem comida pré-cozinhada nem usam o micro-ondas. E no dia em que eu o faço, toda feliz, seguindo uma receita deliciosa de minha mãe, oiço-as a falar na língua delas o seguinte:
-"O que estás a cozinhar?"
-"Não sou eu".
-"Mas quem está a cozinhar".
- "xxxxx (não entendi o termo mas não disseram o meu nome) e acrescentaram com ironia e riso: «surpresa»!

Como se eu não pudesse cozinhar também. Tão habituadas que estão a ter o espaço só para si.
Até tive a cortesia de começar cedo para que pudessem depois usufruir do espaço para elas mais tempo.

O que percebi é que não lhes agradou.
E no dia seguinte, retiram da cozinha a frigideira que usei.

Estou a DETESTAR isto.


domingo, 3 de junho de 2018

Um dia no trabalho - a da cadeira de rodas



Entre os muitos clientes que atendi hoje (uma média de 1000 por dia, se calhar) lembrei agora da pior de todas: a mulher na cadeira de rodas e o seu (presumido) marido. 

Assim que apareceu a rebolar já tinha ares de ser má peça. Mas não a julguei por isso. Surgiu a ser empurrada por ele. Ambos, sem pararem e sem me olharem. Ao passarem por mim, ela solta como se fosse um grunhido: "Southampton".


É uma das formas de não comunicar com civismo que não gosto. Se se busca informação de outra pessoa EU fui ensinada a abordá-la primeiro com um cumprimento. Usa-se o boa tarde, bom dia, se faz favor, desculpe, olá, e por aí fora. Não FALTAM recursos linguísticos à disposição - tanto em português como em inglês.

Faz-se a questão com um ponto de interrogação, mantendo o contacto visual e, no final, a despedida com o recurso a palavras como "Obrigada, bom dia, muito obrigado, adeus, Ok, excelente, entendido", etc, etc, etc.

Mas as pessoas são um mistério. Devo dizer que muitas limitam-se a grunhir uma palavra, não estabelecem contacto visual, nem sequer param de caminhar e ainda por cima esperam resposta imediata como uma bala, curta, convincente e satisfatória.

Há gente muito mal educada.

Mas também há as educadas. Que valem 1000 vezes mais. Muitos bem jovens. Muitos bem idosos. Uma geração pelo meio que anda ali entre o é e o não é...

Voltando à da cadeira de rodas, uma mulher nos seus 40, loura mal pintada, ar de destratável acompanhada de suposto marido de igual nível, pára por dois segundos a cadeira de rodas quando já tenho outro cliente para atender na minha frente. E fazendo com que eu tenha de girar o corpo para trás e o pescoço, pois já está pelas minhas costas, grunhe outra questão:
"Posso ir p'ra li (para a frente da fila) por 'tar na cadeira de rodas?"
Eu: -"Isso não sei, senhora. Tem..."

-"Não sabe! Pensei que fosse informação" - solta com extrema antipatia e cinismo o suposto marido, já a empurrar a cadeira e sem me deixar terminar.

Sou informação, mas não a que queriam!
Para essa tinham de se dirigir a outros e eu estava a ser cortes ao responder. Pois não pertencia à firma que ela queria. 

Ambos só pararam dois segundos - o tempo para quererem usar a cadeira de rodas para ter prioridade sobre todos os outros. Como se os que aguardam de pé não se cansassem mais que os que estão sentados. Detesto aproveitadores de fragilidades. Reconheço em pessoas que ali passam com verdadeiros problemas de locomoção mais simpatia e sofrimento que aquela mulher, sentada toda inclinada para a frente, como quem se senta numa cadeira que não usa com frequência. Para mim o mal deles estava na má educação e no oportunismo. 

Muito rude.
O comentário do homem foi dito com muito baixo nível. Foram o tempo todo rudes. Em toda a abordagem e linguagem oral e comportamental. Entristece-me que existam pessoas tão simplórias. No fundo estava estampado na presença deles. Outros colegas meus, tarimbados e borrifando-se, tinham fingido nem ver, nem ouvir.  

Resta-me explicar que não me cabia a mim dar resposta nem à primeira nem principalmente à segunda questão. Mas como tanta vez acontece, por trabalhar com informação geral, pensam que sei tudo. Sobre outras empresas inclusive. Só sei das minhas. 

A seguir uma menina muito jovem teve a paciência de lidar com a minha expressão de descontentamento e muito educadamente fez-me uma pergunta e agradeceu a resposta. 


Muito bom! De rir de princípio ao fim


Eu estou muito atrasada no que respeita ao humor do Ricardo Pereira.
E não me importa nem um pouco.
Não tenho pressa em apanhar nenhum comboio.

Como tudo o que é bom na vida, quer-se em doses bem administradas. Porque é como sabe melhor.
E fico feliz por saber que tenho sempre algo inesperado para encontrar.

Este vídeo, pelo logotipo, deve ser bem antigo. Mais de 10 anos.
Mas ri, e ri e ri às gargalhadas até ao fim.
O resumo está perfeito, encaixa na perfeição e o timing é brilhante.
Nem sei como o Miguel Guilherme não se desmanchou a rir.


sábado, 2 de junho de 2018

Cosmetic


Vivemos num mundo de cosmética.
O que aparenta ser é o que importa.

O que é é irrelevante.

Finge-se que se dá, que se mantém, que existe.
Finge-se que se cuida, que existe preocupação e genuina vontade de ajudar.

Tudo balelas.

DINHEIRO.

Esse é o Rei.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

No news is good news...


No news, good news...

É verdade.
E estou aqui a dá-las. Portanto...

Karma. Estava a pensar nessa ideia compensatória que deve ter sido criada para agradar os pobres.
Refiro-me ao "aqui se fazem, aqui se pagam".

Balelas.
Tudo balelas!!

Só fiz o bem. Nunca o mal e nunca querendo.
Não recebo coisas boas.

Parece que comigo a felicidade é sempre de curta duração e volta o pesadelo.

Conheço uma pessoa que é mau indivíduo, não gosta de trabalhar, só o faz três dias por semana... e descobri que ganha mais que eu. Pior: foi trabalhar uma semana inteira (como o comum dos mortais) o que lhe era totalmente atípico. Estranhei e percebi que havia algo por detrás disso. Julguei que os superiores finalmente tinham lhe apanhado a careca e estipulado um ultimato: ou trabalhas mais ou vais para a rua.

Pensei errado...
Existia um BÓNUS de produtividade que estava ao alcance de todos. E por dinheiro, bom dinheiro, ele foi trabalhar... uma semana. Tirou quase 600 libras de bónus. Um tipo que é falso todos os dias, que detesta o que faz, que só trabalha três porque quer não trabalhar nenhum, que força os outros a gastar dinheiro, que faz calote nos transportes públicos e, finalmente, que toda a vez que telefonou para o emprego a dizer que estava doente, NUNCA esteve. E ainda se gabava todas essas vezes, que ganhava dinheiro à mesma. Era pago o salário aparecesse para trabalhar ou não.

Um chupista, aproveitador.

Nestes últimos dias esse chupista tentou extrair mais dinheiro da minha pessoa. Mesmo à distância, por intermédio de terceiros. Mau carácter. Desejei que todo a sua natureza ficasse a descoberto e acabasse sem o emprego que tanto detesta e do qual se aproveita. Seria justo. Justiça poética. E nisto soube hoje que quem já não tem emprego sou eu.

Estou de rastos.
No zero novamente.

Porra para a Justiça Poética.
É apenas uma história do Walt Disney tal e qual a do capochinho vermelho.
O lobo mau sempre se safa, amigos.
Sempre.
O capuchinho é comido e tudo lhe é tirado.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Retro songs


´
Não conhecia. Mas fiquei fã.
Não me surpreende. É o género de canções que apareciam na década de 60/70. Românticas, baladas, com líricas tocantes e melodias instrumentais enriquecidas.







quarta-feira, 23 de maio de 2018

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Pensamento da noite


Entre tantas fotografias e vídeos...



Humor para que serves? Para tudo!


Também achei muita piada a isto. 
A interpretação, o humor, o texto... ahaha



Foi-se o festival, foi-se o casamento real e nada de eu dar notícias.

É bom sinal.
A vida corre pelos trilhos, trabalho, rotina. Nada de muito perturbador a viola.



Eurofestival
Agora sem os três Fs, o «milagre» não se repetiu. Portugal nem sequer saiu bem qualificado no Festival da Eurovisão. Mas ainda bem. Tendo em consideração as amostras de canções que foram lá parar e depressa ganharam a preferência de muitos, fico contente que a nossa tenha se distanciado, em votos, dessas mesmas.

Voltou a rotina de ficar entre os primeiros dos últimos. O que deve agradar mais que tudo aos organizadores. Realizar um espetáculo desta envergadura dá despesa e não lucro. Sem a ESC (Eurovision Song Contest) por trás, seria impossível. Valeu a contribuição do Turismo de Portugal, que soube ordenhar a vaca da eurovisão para mais tarde usar o leite para fazer manteiga, pudins e afins.

 A Portugal cabia apenas e somente a tarefa de ser o afitrião. Como concorrente já estava desqualificado pelo público por esse mesmo motivo. Mas eu gostei "do jardim" e da intérprete da canção. Adorei o pormenor da música começar sem uma intro, ainda por cima porque a presença de uma introdução longa foi a peculiaridade destacada em "Amar pelos Dois" - a canção com a introdução mais longa da ESC.

A melodia é original, não soa a nada que se tenha escutado antes. Nem se apresenta de forma familiar ou similar à de Salvador. Consegue ter o seu próprio perfume.




De todas as canções que escutei deste festival, dou por mim a cantarolar a portuguesa e a do puto da mochila e do camelo.  


terça-feira, 8 de maio de 2018

Eurofestival apuramento das canções - agradam ou desagradam?


Após espreitar as canções apuradas para a final da Eurovisão, posso dizer que excluo de imediato a Croácia, Bulgária, Estonia.

A Bielarusia também. A música até tem partes giras mas o artista não a segura. Principalmente no início. Tem voz grossa mas quando tem de cantar num tom mais baixo nota-se que não tem boa voz. Pena.

Epá, não gosta da música de Israel. Nem do aparato e da intérprete. Vi outras coisas delas e percebi que só faz o que apresentou. E não acho mesmo nada de especial. É até irritante. A todos os níveis.



A Lituânia tem o que falta à Biellarusia: uma intérprete com mais capacidade vocal. A melodia é como a Portuguesa: não vai muito longe e aposta na emoção, na mensagem e na interpretação. A nossa é melhor.

No meio disto tudo a República Checa com o seu Justin Bieber acaba por soar mais agradável do que supus.
A da Irlanda também é bonita.


A da filândia é pastilha elástica. Música eletrónica de batuque sem nada de novo ou especial, com uma interpretação nada de especial e uma staging horrível e exagerado.


A da Austria não é nada de especial, no meu entender. Faltam coisas e a voz dele não é grande coisa. Nas partes mais lentas nota-se falta de potência e melodia. E o staging é estranho e desnecessário. Faz lembrar Gospel mas não tem NADA de nada... é só um tipo a gritar com um coro de Oh, ohs. E o mais estranho é que ele surge numa plataforma super elevada e o coro são silhuetas que ficam debaixo desse palco. A meio da canção o palco desce ao nível do chão e o cantor põe-se a tentar dançar e andar e cantar ao mesmo tempo. A impressão que dá é que o coro foi ESMAGADO pelo palco, ahahah. Ele simplesmente remove-se do palco mas continua a soar. Muuuuioto mal feito.



Gosto da Albânia. Da interpretação e da voz. A melodia em si não me prende mas reconheço muita riqueza, variedade na composição, diversidade, nesta canção muito mais do que em qualquer outra apresentada. De todos, é de longe o intérprete que mostra possuir um MAIOR ALCANCE VOCAL.
O que ele nos dá com a sua voz é fantástico.


Eu teria colocado nos escolhidos a Bélgica por, comparada a outras, achar superior e por uma questão de que a intérprete não começa bem mas depois dá um bom desenvolvimento (embora em palco seja muito morta quando em comparação com o videoclip e a gravação em estúdio).

Mas as escolhidas foram:

  • Austria: Nobody But You by Cesár Sampson
  • Estonia: La Forza by Elina Nechayeva
  • Cyprus: Fuego by Eleni Foureira
  • Lithuania: When We’re Old by Ieva Zasimauskaitė
  • Israel: TOY by Netta
  • Czech Republic: Lie To Me by Mikolas Josef
  • Bulgaria: Bones by EQUINOX
  • Albania: Mall by Eugent Bushpepa
  • Filândia: Monsters by Saara Aalto
  • Finland: Ireland: Together by Ryan O'Shaughnessy

A juntar-se a estas estarão as canções de Portugal e os GRANDE CINCO: Alemanhã, Espanha, França, Inglaterra e Itália. 

Portugal é automaticamente apurado por ser o afitrião e os outros "pagaram" mais e por isso, têm direito perpétuo (enquanto contribuirem mais) a ir diretamente para a final. 










domingo, 6 de maio de 2018

Coisas da natureza


Está um dia bonito.
Algures à distância escuto o som de sinos de torre de igreja, que muito me apraz.
Os pássaros cantam, o céu está azul, o dia radioso, o verde das árvores que povoam a minha janela repladesce devido ao sol. 

E contudo, o meu sub consciente ainda está naquele sitio onde muitas vezes vai e onde gostava que deixasse de ir. Mas é diferente. Sinto desde ontem o "sinal" de que está para aparecer a menstruaçao. Acho incrível, fico secretamente a pensar, como pode uma coisa dessas afectar o estado de espírito. Não é visível, mas está lá. É como uma nuvem invisível.

Mas como disse, é diferente. Não é nada que te faça olhar o dia com maus olhos. Aprecia-se o sol na mesma, o céu azul, o ar fresco da manhã, os pássaros cantantes. Viver é bonito e a vida é bela. Paz...Mas... algo continua triste.

É a natureza.
Pura.


quinta-feira, 3 de maio de 2018

Eutanásia humana


Um cientista australiano solicitou o direito à morte assistida.
Com 104 anos, David Goodall que se manteve extremamente activo durante a sua vida, diz que lamenta muito ter chegado até a sua idade.


Quando me dizem que queriam viver até os 100 anos, respondo sempre "Eu não!".
Espantados, os outros dizem-me que querem viver muito tempo e, se pudessem, viviam para sempre. Ao que lhes respondo: "Se pudesse chegar até lá como estou agora, tudo bem mas como não é isso que vai acontecer....80, 70 é o suficiente.".

Sempre tive na ideia que, naturalmente, se morre lá pelos 80. E não me desagrada - nesta altura da minha vida e até este instante- essa eventualidade. Mesmo mais cedo, não me desagrada. Agora o que irei sentir quando lá chegar, será a realidade que, presentemente, só posso intuir. A morte não me assusta o que me entristece é o sofrimento em vida. A solidão, a doença prolongada, a falta de mobilidade, a dependência de terceiros até para as necessidades básicas. Essa condição natural de quase todo o  envelhecimento que proguide até a total degradação física e psicológica. Não quero que o destino me reserve uma existência onde «morro» viva.

E viver até os 100 anos ou mais será, certamente, estar sujeito/a a tal realidade.

A luz de David Goodall está calendarizada para se apagar no dia 10, em Basileia, na Suiça, onde a morte assistida é legal. Acho que uma pessoa lúcida e consciente tem o direito de  decidir isso. Respeito a sua decisão. 



terça-feira, 1 de maio de 2018

Olá. Posso ajudar?


O meu trabalho consiste em informar turistas sobre viagens, transportes, pontos de turismo, hoteis, etc.

Muitas vezes alguém apressado aproxima-se e antes de parar já está a «arrancar» e a querer a resposta à pergunta que lançou ao ar. São os apressados. Os que percebem que têm de estar em algum lugar depressa e se vêm com pouco tempo. Uns correm que nem baratas tontas de um lado para o outro. Ao avistá-los, ofereço ajuda mas estão com demasiada pressa e por isso fingim não ouvir e seguem caminho. Julgam que disponibilizar tempo para me ouvir é... perda de tempo. 

Mas sabem o que descobri?
Ganha-se tempo. Na realidade, pode-se até ganhar bastante tempo se se parar para pedir informações. Basta aguardar apenas cinco segundos que podem fazer a diferença. Dar cinco segundos, meio minuto, para que a informação possa ser emitida e assimilada não é perder tempo. É recuperá-lo. 

Na pressa o que vejo são pessoas que, mesmo recebendo direcções exatas, vão enfiar-se nos lugares errados. Mas as que considero piores são aquelas pessoas a quem perguntas se podes ajudar e elas ficam paradas a fingir que não te ouviram. 

Ignoram-te. Isso para mim é de tão má educação.

Por vezes não volto a oferecer. E vejo-as ali, a tentar descobrir por elas mesmas para onde se devem dirigir, quando, em três segundos, já o saberiam e já estavam a meio caminho. Diria que em 90% desses casos, passados uns 5 a 10 minutos todos regressam mais perdidos, a querer ser orientados. As mais inteligentes perdem esse tempo e seguem contentes e agradecidas, conscientes que já economizaram uns bons minutos de stress e de pesquisa. Até caminham mais tranquilamente, porque sabem para onde vão. Os que não sabem, caminham apressadamente, hesitantemente, sempre com a cabeça levantada e o pescoço em todas as direcções, em busca de informações visuais, sinais, nomes, setas...

E perdem tempo. Os apressados interpretam muita informação mal. Agora que o verão está cada vez mais à porta, já dá para notar as consequências. Ao invés de pessoas geralmente sempre bem dispostas, já aparecem com frequência os viajantes irritados, mal dispostos e mal educados. Mais uma vez, aqueles que não se precaveram, não sairam de casa antecipadamente para fazer uma viagem, para comprar um bilhete, e chegam cheios de pressa e a refilar com todos que, naquele preciso dia, "meteram-se" no seu caminho.


Hoje atendi uma mulher que chegou já a avançar, sem parar e a refilar. A duvidar das indicações que lhe dei a respeito do local onde tinha de se dirigir. Então ofereci-me para a conduzir até lá. Pelo caminho conversei um pouco, tentando que descontraísse. Estava atrasada por culpa dela mas, claro, responsabilizou todas as outras pessoas menos a si mesma. Vai que a conduzo até um determinado sítio e  aí mesmo já tenho outra pessoa a querer apresentar-me uma questão. Ao perceber isso, a mulher a quem não tinha obrigação nenhuma de conduzir até o local, respondeu à outra, após esta dizer que pretendia colocar-me uma questão.

-"Boa sorte".

Como quem diz que não a ajudei de todo. Ora a lata! Da próxima vez leva com o tipo de atendimento que os meus colegas fazem: seco, repetem o comando e no máximo apontam na direcção a seguir. Há pessoas que não sabem ser gratas ou reconhecer gestos de ajuda que não está na minha obrigação oferecer. Confundem-me com a pessoa que trabalha para certas companhias e por isso julgam que as sei informar sobre procedimentos específicos dessas companhias. Ora, não é por limpar um restaurante que sei dizer como é que na cozinha cozem os ovos! 

Hoje, por ter pouco movimento em certas alturas, prestei-me a esses favores. E, pela primeira vez, fui ajudar umas pessoas a fazer uma operação naquelas máquinas automáticas. Nunca tinha usado uma mas, como trabalho nas proximidades, pensam que sei tudo e tenho obrigação de saber.

Ontem um casal teimou comigo que a direcçao que lhes dei não estava certa e exigiam falar com outra pessoa que "soubesse". Ainda por cima tinham cortado a vez a outra pessoa que chegou primeiro com uma pergunta. Respondi-lhes porque era uma resposta direta e podiam seguir caminho. Mas o agradecimento veio em forma de desconfiança e ameaça. O cliente que chegou primeiro foi simpático e nao se chateou. Pedi-lhe desculpas e os outros, já que não estavam satisfeitos com as minhas direcções, ficaram ali recusando-se mexer-se do lugar, porque estavam "cansados de correr de um lado para o outro" e queriam alguém que "soubesse" onde ficava um certo hotel.

Pois respondi-lhes que ia ver. Acabei de atender o cliente e segui pelo caminho que lhes indiquei. Direta ao hotel, apenas a 20 metros de distância. Quando dei por mim vinham atrás, certamente já a perceber o erro cometido. Quando se cruzaram comigo, lá disseram:

-"Ah, é aqui. Lembravamos que era uma zona assim e não a vimos. Obrigado".

Fizeram figuras de ursos, como se costuma dizer.

Gradualmente este tipo de pessoas está a aumentar...

Mas entre elas, resta-me as genuinamente simpáticas e as que irradiam um contentamento genuino cada vez que são ajudadas e sentem que as suas preocupações deixaram de existir.

E essas, são muitas.

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Nunca pensei ou nunca digas nunca


A ideia era tão repulsiva que tive a certeza absoluta. A primeira vez que avistei num refeitório escolar o conteúdo de um pequeno almoço ingles, soube que JAMAIS ia incluir FEIJAO no meu pequeno-almoço.

Pois 20 anos se passaram e.... 
Nunca digas nunca. 



sexta-feira, 27 de abril de 2018

Louis Arthur Charles


Louis Arthur Charles

É o nome dado à criança dos príncipes britânicos.


Admirada ficaria se o tivessem chamado de Francisco, Hugh ou algum outro nome que nunca tivesse entrado na família real britânica.

Não entendo a curiosidade em torno do nascimento de uma criança só porque os pais são celebridades. Muito menos entendo a curiosidade e o mistério criado em torno de um nome. Quero dizer: que surpresa é que pode sair dali? Estão limitados aos mesmos nomes: o do pai, do avô, do antepassado famoso... Têm três ou cinco nomes e vão variando entre si.

Para quê curiosidade a respeito disso??


Rotina de hoje



Não queria deixar a impressão de que tudo me corre mal no que respeita a estar numa casa.
Sei que muitos podem concluir que o problema reside mais em mim do que nos outros.
Admito que a minha forma de ser é que está sempre a gerar o mesmo género de problemas. Acabei por perceber isso. Mas é a minha forma de ser passiva, aquela que tolera e quando algo não cai bem, uma, duas, várias vezes, releva, por achar que pode ter sido uma impressão equívocada.

Depois do «curso intensivo» que foram aqueles 20 dias a dividir um espaço com os «millenais infantis» fiquei sensível e alerta. Como um cão muitas vezes espancado que quando abana a cauda de felicidade também se encolhe de medo e receio.

Nesta nova casa as pessoas têm sido diferentes.
Aqueles sinais que captei não foram inventados. Por isso sei que, como sempre nisto que diz respeito a dividir espaços comuns com desconhecidos, as coisas podem rumar para sítios inesperados de um momento para o outro.

Mas tenho a sensação que desta vez - sendo que esta é a primeira - mudei para o melhor lugar que alguma vez se pode encontrar, dadas as circunstâncias. Independentemente dos feitios de cada um, das manias, parece que todos se respeitam e procuram ter consideração pelos outros.

É só o que é necessário.

Temo escrever estas palavras para amanhã mesmo descobrir que tenho de as retirar. É um temor que vem da experiência vivida, do senso comum. Sou a única que tem de se levantar para ir trabalhar de madrugada. O que significa que tenho de adormecer por volta das 18h (idealmente, claro). E será que os restantes estão dispostos a ser contidos no seu convívio?

Quase nunca isso acontece. Seja em que casa for.
Notei que aqui gostam de conversar e rir enquanto se prepara o jantar. Quando acabam de comer vão todos, à vez, tomar um duche na casa de banho, que fica ao lado do quarto onde durmo.

Tudo isto é muito normal, mas coincide com a altura em que o ideal, para mim, é estar sossegada, ter algum silêncio para poder mergulhar no sono.

Sono esse que é muito difícil de obter. 
Sempre fui difícil para dormir mas desde que me mudei, surpreende-me o despertar matinal e a incapacidade de voltar a dormir. Posso adormecer exausta pelas 4 da manhã que antes das 8 estarei acordada e de pé. Uma calamidade, que não me faz sentir energética nem optimista. Não é só pelo barulho que outros possam fazer pela casa, a abrir e fechar portas, etc, etc. É pela luminosidade que entra pelo quarto. Deve ser comum aqui no UK... não existir persianas. Um quarto nunca está totalmente mergulhado no escuro. Existe uma janela ampla e um cortinado pendurado num varão. Só isso. O tecido não é nada de especial, não corta a luz. E como as minhas cortinas são douradas na cor, quando a claridade aparece, é como se um pequeno farol se iluminasse. 



O senhorio não se compadece deste tipo de problema. Perguntei-lhe - já que aparece cá em casa todo o santo dia - se podia tapar as janelas com alguma coisa, caso verificasse que não conseguiria dormir. Por uma questão estética acha que não. Pôs-se também a dizer que o sol nascia de lado e girava para a traseira da casa. Eu sei disso. Mas quando nasce e enquanto se estabelece na sua posição, essa claridade é o suficiente para me impedir de adormecer, caso abra os olhos com algum ruído. E devo abri-los umas 20 vezes. 


Finalmente estou de folga e tenho tentado descansar. Não estou a conseguir os resultados imediatos que pretendia - por dormir poucas horas seguidas. Durante a tarde e após almoçar, é que costumo ficar sonolenta. Acabo de despertar de uma soneca de uma hora, duas. O tempo não me ajuda. Pretendia dar um longo passeio na minha folga. Mas está quase sempre a chover. 

Então hoje aproveitei que estava de pé antes das 8 da manhã, desci à cozinha e fiquei a pensar no que ia comer. Foi quando me deu vontade para começar a limpar a casa. Aqui todas as semanas um de nós tem de limpar uma área da casa. Ainda que só cá esteja a dormir faz três noites, calhava-me o corredor e as escadas do primeiro andar, o hall, a área em comum e o anexo. Em cerca de três horas encarreguei-me de limpar minuciosamente estas zonas. Removi teias de aranha e, atrás da televisão, bolas de pó. Esfreguei o corrimão de madeira com um produto próprio, aproveitando para remover algumas manchas avistadas. Limpei aqueles cantinhos que todos esquecem: por cima e por baixo das placas de madeira, a base em madeira, a prateleira em cima da lareira, a própria lareira, etc, etc. Como estava com a mão na massa, decidi também varrer, aspirar e lavar o chão da cozinha, que estava verdadeiramente imundo e manchado de verde, vermelho e laranja. 


quarta-feira, 25 de abril de 2018

Nova casa, novo quarto, mas não menos chatices


Estou na nova casa. No quarto que me era destinado desde o início, mas que só agora pude ocupar.

Estou a adorar. Neste instante, toda a casa está mergulhada em silêncio.

Estava a precisar muito de sossego. Após três semanas a viver numa casa partilhada com indivíduos barulhentos e desrespeitadores, que falavam alto a qualquer hora do dia e noite, sem parar, como se fossem miúdas adolescentes e parvinhas que a cada três segundos de qualquer conversa têm de dar sonoras risadas. 


Esta foi a minha realidade por três semanas, acrescido da gravidade de não ter liberdade de movimentos ou de usufruto das áreas comuns e dos utensílios da casa. Até o último momento, tiveram de se certificar que me dificultavam a vida. Três minutos antes da máquina de lavar roupa terminar o ciclo de uma hora, ouvi um deles a ir à cozinha. Soube de imediato que isso ia interferir com a única coisa minha que estava a acontecer lá: a lavagem dos meus ténis. 

Continuei a mudar as minhas coisas de sítio e passados uns poucos minutos estranhei que a máquina não tivesse parado. Ela continuava a funcionar. Fui espreitar. Nem me deram tempo - três minutos que faltavam - e já o rapaz estava a lavar a roupa dele na máquina. Os meus ténis? Tirou-os para fora. Sem nada perguntar, sem nada dizer, sem ter qualquer intimidade comigo para se sentir com autoridade para tal. Era urgente lavar a roupa dele? Quando tinha feito o mesmo na véspera? Não me parece. Não podia esperar três minutos? Cinco? Não é de boa educação. Mexer nas coisas dos outros, algo que ainda estava a lavar e tirar logo fora. A pressa dele era tanta que só hoje de manhã foi estender a roupa. Tive a infelicidade de ver a sua alta figura passar pela janela do jardim. E foi assim que soube que a roupa que colocou a lavar depois de remover os meus ténis ficou a "marinar" dentro da máquina a noite toda.

E se alguém tivesse removido a roupa dele assim que o ciclo terminou? Deixando-a espalhada a um canto? Húmida e toda enrolada? Como ia ser a sua reação?

Precisava ele de fazer aquilo naquele minuto? Não me parece. Eu estava de mudança. Dali a poucos minutos não estaria mais a viver naquela casa. O rapaz esteve em casa o dia todo. Só lhe deu vontade de lavar a roupa ao final da tarde, já sem sol, quando EU saí do emprego e fui usar a máquina, claro.

E não foi só esta a sua vontade "exclusiva" durante a minha curta presença. Também não encontrei a esfregona ou o aspirador em qualquer parte da casa. No armário onde deviam estar, não estavam. O aspirador nem me surpreendeu, devido ao facto de ter despertado nessa madrugada às 1.30 com eles a aspirar! Mas quem é que aspira a casa durante a madrugada?? Nem vivendo sozinho num prédio, por consideração aos vizinhos. Quanto mais numa casa partilhada. O pior foi os risos altos e parvos, em catapulta, que se seguiram nos 20 minutos depois. Uma total falta de respeito, que o meu gravador do telemóvel, por muito mau que seja, conseguiu capturar por uns minutos. 

A ausência da esfregona é que me surpreendeu. O balde estava ali, mas a esfregona não. Estava privada de usar qualquer utensílio da casa para proceder à limpeza do quarto. Não foi coincidência. Não existiu um segundo naquela casa em que me apetecesse usar algo e que não tivesse sido sujeita a vigilância ou a posterior cobrança. 

Quiseram dificultar-me a vida mas, millenials que são, desconhecem que antes da invenção de tais utensílios as pessoas conseguiam à mesma limpar e lavar os seus espaços. Uma vassoura, um pano, uns detergentes - e tudo foi feito. Ficou um espaço resplandecente e com cheiro a limpo.

Não acredito que nesta casa não vá encontrar problemas. A rapariga que cedo identifiquei como podendo ser uma cauda deles, não demorou nem um segundo a comprovar que estava certa. Então não é que, enquanto estou a mudar-me, ou seja, a transportar sacos pesados e volumosos, malas, etc, pelas ingremes e pequenas escadas do corredor escuro, acendo a luz do mesmo. Mal viro as costas, a luz está apagada. Continuo a não ver bem os degraus e a precisar subir com volumes de pertences. Então acendi a luz do corredor. Nem tive tempo para chegar ao topo e abrir a porta do futuro quarto: a rapariga sai do dela - que é oposto ao meu - com o dedo directo ao interruptor de luz e apaga-a. Viro-me para trás e pergunto-lhe, quando já se prepara para fechar a porta atrás de si. 
- "A luz incomoda-te?" 
Ela: "Hã, o quê?" 
Eu: "A luz incomoda-te?"
Ela: "Sim, incomoda."
Eu. "É que eu estou a fazer a mudança e preciso da luz ligada porque estou a subir e a descer as escadas".
"Hã, está bem." - responde ela fechando a porta definitivamente.

Nem um "olá", nem uma demonstração de tolerância para com as rotinas naturais de uma casa partilhada. Cedo percebi que esta rapariga tem a mania de querer tudo ao jeito dela. Mas o facto de ter levado apenas TRÊS segundos entre eu ter acendido a luz do corredor para subir as escadas e ela ter saído do quarto dela, onde estava a gargalhar ao som de um programa de televisão qualquer que se conseguia escutar até no andar de baixo, solidificou o tipo de pessoa que é. Depois da experiência na outra casa não dá mais para tapar as evidências e arranjar desculpas: esta rapariga vai ser difícil de lidar. Com a sua intolerância para com os direitos alheios, para com a sua mania de querer tudo ao seu jeito numa casa onde não vive sozinha mas que divide com outros, pela sua forma de agir rude. 

E já mencionei que, àquela hora do final da tarde, só o corredor, por falta de janelas, estava escuro? Os quartos ainda tinham luz. E a presença de luz faz com que uma artificial que passe de fora para dentro não seja incomodativa. A menos que a pessoa queira que seja. 

Que tenha seguido o impulso para si incontrolável de ir desligar QUATRO VEZES uma luz no escuro corredor, uma por cada vez que eu descia as escadas e ia buscar mais pertences, só realça a sua obsessão em impor as suas vontades e a sua intolerância e falta de compreensão com o significado de casa partilhada.

Não pretendo ter chatices nesta casa, pelo contrário. Nem pretendo causá-las! Continuarei a ser como sou: uso, limpo tudo, deixo as coisas como as encontrei. Já não vou lavar a louça que outros deixam no lava louças antes de sairem para os empregos. Que façam isso eles mesmos. Acabou a menina "boazinha"... se eu conseguir essa proeza. Mas vou tentar não me calar sempre. Se vir que algo não está bem, acho que é meu dever falar.

A terrível experiência que tive agora, com aquela situação provisória, só veio a comprovar que a minha forma de ser não é eficaz para evitar conflictos. Eles permanecem, a única diferença é que só eu sou vítima deles e sofro com isso. Ao confrontar esta miúda com o facto dela me estar a apagar a luz - coisa que não faria habitualmente, estou a dar um pequeno passo de bebé em direcção ao direito de ter direitos e os ver respeitados.


  

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Sensibilidade e empatia


Hoje no trabalho tive de lidar com um cliente que me emocionou. Era uma senhora africana que transportava uma criança fisicamente limitada, que terá nascido com problemas cerebrais que lhe afectavam seriamente. Aliás, a sua presença no Reino Unido devia-se somente aos tratamentos médicos que a filha precisava receber. 

Uma menina que não dava para perceber se o era ou não. Imobilizada que estava na sua cadeira de bebé, ainda que já não fosse um. Com distrofia muscular e total incapacidade de comunicar oralmente. 

A senhora chegou e eu era a portadora de más notícias: a viagem que ela tinha programado não era possível de realizar-se, devido ao que muitas vezes acontece: as companhias enganam as pessoas. 

Mas eu sou apenas uma empregada que começou à pouco tempo na função e tenho de seguir instruções. Procurei ajudar a senhora e fui pedir informações sobre o seu caso. Um colega apenas me respondeu: "não causes problemas para ti. Diz-lhe para se dirigir para lá e ela que espere". O que para mim não fazia sentido algum. Alguma vez mandar uma pessoa esperar a chegada do que não vai chegar é fazer o teu trabalho?? A situação muito me incomodou. Junto com pessoas mais responsáveis foi-me dito que não podiam fazer nada e que ela tinha, basicamente, de "desvencilhar-se" sozinha.

Essa falta de humanidade para com alguém que, ainda por cima, já teve as "cartas da vida" tiradas com pouca sorte, desiludiu-me. Fiquei tão incomodada que nem podia mais lidar com a situação. Intencionalmente, afastei-me do local para não ter de me revoltar com a aparente falta de empatia e comecei a desejar que o final do turno chegasse o quanto antes.

Mas será que é normal no Reino Unido as pessoas não quererem envolver-se?


Conduzi a pessoa até uma outra e daí adiante afastei-me. Temia o lamento, o choro, a conversa interminável sobre infortúnios... e eu de mãos atadas. Mas devo dizer que a senhora, junto com o filho jovem e saudável que a acompanhava, tiveram uma postura em tudo diferente. Não se exaltaram, não se surpreenderam, não se exasperaram, não gritaram ou fizeram ameaças. Talvez já soubessem sobre a viagem e fingiram que não? Mas quem faria tal coisa? Enfim... Eu admirei-os porque, talvez fruto das suas lutas pessoais, coisas como estas deixam de ser tão importantes. 

E devo dizer que, diante do infortúnio deles, até a minha própria fome e a ideia de ter o frigorífico vazio sem ter ideia do que lá por, me pareceu pequena. Eu ia seguir a minha vida, passar pelo supermercado, comprar algo para comer e dormir numa cama. E assim, de forma simples, resolvia as minhas necessidades mais imediatas. Eles não.

O meu turno já tinha terminado quando me cruzo com a senhora na área restrita aos funcionários. Vinha acompanhada de alguém que nunca vi antes e de imediato perguntei como estava a situação. A funcionária - claramente de uma hierarquia acima, é que respondeu. Tinham conseguido comprar uma outra viagem para o dia seguinte, mas a pessoa (com a sua filha com necessidades especiais) tinha de ficar a dormir na gare durante a noite. Tinham reunido umas tantas garrafas com água e iam indicar-lhe os locais mais reservados e quietos onde podia alojar-se enquanto aguardava novo transporte.


No regresso já no autocarro, fiquei a pensar na situação. Aquela falta de empatia inicial, a clara falta de vontade em envolverem-se nos problemas dos outros, afinal não era bem assim. Sempre foi feito algo, não deixaram a senhora, o seu filho adolescente e a sua filha deficiente à mercê da sua própria sorte. Alguma ajuda - ainda que pouca, foi facultada. 

Será que eu devia voltar atrás? E dar à senhora algo para comer? Dinheiro? Se pudesse até lhe dava um teto para dormir. E reflecti que já era a segunda vez, em quarenta e oito horas, que esse pensamento me vinha à cabeça. 

Aqui no UK sente-se que não nos podemos envolver muito. Ainda pensei em levar-lhe comida para ter mais do que águas para se aguentar durante a noite. Pensei mesmo regressar ao emprego, após 12 horas de trabalho, só para poder ajudar. Mas quis acreditar que outros ajudariam. Com comida sólida, com o que precisasse. 

Como funcionária no local, ao me envolver pessoalmente, ainda que fora do uniforme, podia comprometer o meu emprego. Aqui não se podem correr riscos. E é considerado um risco tentar ajudar as pessoas dando-lhes, por exemplo, uma peça de fruta. Ou um pouco de sopa. Pensei nas sopas que temos na sala do pessoal, que saem de uma máquina de distribuição automática. Pensei em as oferecer à senhora. Mas depressa lembrei-me: "não porque saem quentes e se ela se queimar ou algo acontecer com a criança, pode processar o estabelecimento e eu posso ser demitida por não ter de interferir onde não sou chamada". Porque aqui no UK pensam muito assim. A vida deles, em muitos sentidos, está condicionada aos receios dos processos nos tribunais. Processo pela falta de um sinal a avisar que o piso está escorredio, ter a comida quente demais, o café a escaldar, cabelos no prato, uma maça que faz mal ao estômago e alegadamente poderá ter sido propositadamente alterada para causar mal estar, etc, etc. Por isso é que tudo é tão "deslavado" - até a empatia. 

Lembrei-me também que, às tantas, a senhora reconheceu entre os trauseuntes, o seu pastor. Que é o lider espiritual. E no regresso no autocarro fiquei a pensar para que servem estes, se ela não poderia ter recorrido ao mesmo para solicitar ajuda. 

No final do dia, realizei uma pequena oração por eles e agradeci a Deus pelas bençãos na vida que me deu.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Centros históricos de Lisboa para habitar?

Peço a vossa atenção para esta informação da CML:


Segui este link por achar fantástico estarem a facilitar a habitação nos centros históricos de Lisboa. São zonas que estão a perder habitantes de bairro a grande velocidade e no seu lugar surgem condomínios para serem vendidos ou alugados a estrangeiros. É muito triste ver uma cidade a morrer desta forma. Com vida emprestada, vida provisória, vida de comércio apenas. Sem famílias com filhos a estudar nas escolas locais. Mas com turistas e estudantes vindos de fora. 


Porém quando li esta descrição a minha felicidade caiu por terra.
A minha interpretação da mesma é que famílias e idosos são despejados das suas casas de toda a vida, para que o ganancioso proprietário possa remodelar e adaptar a mesma ao turismo. A câmara tem estas casas fraquinhas que de outro modo acabariam em ruinas e por uma módica quantia disponibilizam-nas mas apenas a pessoas que já morem no bairro e que façam parte dos infortunados. 

Então não se está na realidade a combater nenhum ciclo de desertificação, não é verdade?
Pelo contrário. Os miseráveis continuam miseráveis e provavelmente terão de pagar mais por isso. E os ricos vão virar milionários. Quanto ao centro histórico, vai perdendo as famílias e transforma-se num misto de escritórios com casas para alugar não a trabalhadores com filhos, mas a estudantes de outras partes do país e do mundo e a pessoas com um bom nível de vida que ali querem ter um espaço para esporadicamente visitar. 

sábado, 14 de abril de 2018

Funcionam como uma matilha de cães


Estou a viver há 10 dias numa terceira casa. A situação é temporária. Estava previsto assim acontecer. Irei regressar à outra noutros 10 dias. 


Mas estou aqui a engolir a seco o que aqui está a acontecer.  
A injustiça incomoda-me. A mentira também. Estou a perder a fé nas pessoas. Daqui a pouco começo a odiar. Ou então a estereotipar. Oh gente que não presta! Mas será que só há disto por todo o lado?



A casa onde estou agora a dormir é partilhada por cinco pessoas. Os restantes já se conhecem há muito tempo. Três em particular são como unha e carne. Oriundos do mesmo país, para tudo "funcionam" em trio. Jantam juntos, sobem para os quartos juntos e são todos cúmplices. Se acham com mais autoridade sobre os restantes.

São também extremamente barulhentos. No primeiro dia em que me mudei tinha de acordar às 3 da manhã e até à meia-noite ficaram debaixo do meu quarto aos gritos, a falar alto, a gargalhar, a bater com as portas dos armários, com os tachos, panelas. E o que é pior: a chamarem uns pelos outros de um andar para o outro. E a gargalhar mesmo à frente à minha porta, a conversar alto.

Dormi apenas 1h, entre eles se deitarem e eu ter de acordar.


Sendo tolerante e nova no espaço, relevei. São jovens e procuro convencer-me que, a pesar de eu ter sido diferente, esta atitude de falta de consideração pelos outros é devido à idade. E que aquilo podia ser uma situação esporádica.

Precisava também de ir à casa de banho e procurei aguentar o máximo que pude. Mas já que eles estavam acordados a gritar e não me deixavam dormir porque não paravam de berrar, abri a porta e entrei rapidamente no WC. Estava a precisar. Mas não consigo estar à vontade. Sinto-me observada. A porta não tem trinco e isso faz-me não conseguir relaxar. Alguém podia abri-la a qualquer momento e apanhar-me desprevenida - tal como tinha acontecido dias antes na outra casa. 


Decidi então sair do WC e usar a pequena no andar de baixo. Que de imediato se tornou a minha predilecta porque é pequena e posso mantê-la fechada com o pé e não ficar no mesmo andar dos quartos, o que implica um uso menos incomodativo para quem está a descansar nas divisórias.

Sou muito atenciosa para com terceiros. Sei disso.

Nisto quando abro a porta, tenho DUAS pessoas à minha frente. "Estás bem?" - perguntam em surpresa. 
Estou. E pedi licença para passar e ir ao WC.

Estava mesmo a ser observada!
Não era só impressão minha, aquelas pessoas estavam à porta do WC e podiam ter entrado. Sabiam que estava ali porque ouviram a porta a bater. E apareceram, hoje sei disto, não por estarem preocupadas comigo. Mas para me darem a entender que fui barulhenta. 

A grande lata!!

Foi a segunda vez que me faziam uma "espera" à saída do WC. E não gostei. Parece que não tenho o direito de ir ao WC sem ser controlada. Depois afastei esses pensamentos da minha mente. Se calhar eles interpretaram que podia estar a sentir-me mal, só porque saí e entrei rapidamente. Era eu que estava a fazer mau juízo deles.

Ainda assim, preferia ir ao WC quando não os soubesse por perto. Porque isto de ir ao WC e ter pessoas à saída a fazer-te uma espera não te faz sentir em "casa". E a sensação de não ter direito de usufruir do espaço como se também fosse meu foi aumentando rapidamente. Assim que entrei, sabem como fui recebida?

Ouvi o meu nome a ser mencionado quatro vezes. E por isso perguntei porque diziam meu nome. Tinham-me ouvido abrir a porta e trazer os restantes dos meus pertences. Sabiam que os ia escutar. E fizeram questão de mencionar o meu nome propositadamente. Claro, perguntei o que era. Veio um rapaz ter comigo e disse: "Entraste cá em casa de manhã? Tiraste uma encomenda minha? É que a Paula disse que viu uma encomenda lá em cima no teu quarto". 

Fiquei a pensar onde tinha vindo parar. Já me estavam a acusar de roubo! Eu só estava a transportar as minhas coisas para a casa e, pela primeira vez, ao invés de as deixar dentro do quarto e fechar a porta, achei que podia deixar um saco onde tinha posto a encomenda que tinha recebido pelo correio horas antes, à porta do mesmo. Afinal, só me faltava transportar uma coisa e daria por concluída a mudança. Não tinha ninguém a circular pela casa nessa altura. Estavam todos nos quartos.

Então que me viessem dizer, até considerar, que eu tinha pego algo que pertence a outra pessoa e posto num saco meu é... feio. Se está no meu saco, é porque é meu! A outra desceu do quarto dela, ao invés de meter-se na sua vida, não, espreitou o saco que tinha acabado de deixar ali. Se fosse outra nem mencionava o conteúdo, sabe muito bem que não se deve espreitar as coisas dos outros. Muito menos levantar um falso testemunho. 

Nesse primeiro dia estava exausta e adormeci de imediato. Mas não por muito tempo, porque eles logo começaram o «arraial» de ruído. Eu a precisar levantar-me às 3 da manhã, e eles a impedir-me de dormir com os seus gritos, barulhos e gargalhadas. 

Aconteceu nesse primeiro dia o mesmo que está a acontecer agora que escrevo: dormi apenas UMA hora. 

Depois trabalhei cinco dias seguidos e os meus turnos são de 12 horas. Significa isto que é basicamente trabalhar e dormir. DORMIR sendo a parte muito importante para aguentar o trabalho. E eles não mo estavam a permitir.

Depois quando me apanhavam pela casa, era sempre com segundas intenções. Dizer-me coisas. A primeira coisa que me perguntaram foi se fui eu que deixei a porta da rua aberta. Outra acusação. E eu sei que não tinha sido.

Não é preciso ser muito inteligente para perceber que eles todos, sendo amigos e já havendo falado entre si, estavam a apontar o dedo na minha direcção. Tal como fizeram com a encomenda.

Na segunda noite estava tão exausta do primeiro dia de trabalho que dormi bem. Lembro-me d acordar com berros bem altos, mas consegui que não me despertassem totalmente e voltei a adormecer. 

Foi a única vez em todas estas noites. Finalmente chegaram os meus dias de folga. E começaram as exigências disfarçadas de pedidos. Estavam a ser falsos, fingindo ingenuidade quando tudo estava combinado entre eles.

Mencionaram que todos davam dinheiro para comprar utensílios para a casa. Mas antes de o mencionar, espetaram um pote com dinheiro no meio da mesa da cozinha. Foi intencional. O pote não estava lá, era mantido noutro local e mudaram-na para que o pudesse ver. Não é um subterfúgio que considere digno. Se queres pedir, fala. Não se usam esses recursos vis. Logo a seguir mencionaram que cada um dava 5 libras para comprar panos da louça, panos de limpeza, detergentes vários, tira gorduras, etc, etc. Muita coisa que eu ia usar apenas numa ocasião. Respondi que fazia sentido se ficasse a viver cá mas já estava a partilhar na outra casa essas coisas e tinha comigo detergentes que me restaram da mudança e pretendia usá-los. 

Com isso excluí-me de "comparticipar" nas despesas que eles muito convenientemente iam necessitar assim que cheguei. Coincidência. Por acaso a cozinha estava cheia de panos, detergentes etc. Mas aparentemente estava na altura de comprar mais. Talvez porque eu havia chegado. Mas isto revela o carácter das pessoas. Assim que uma nova pessoa chega eles começam logo a cobrar dinheiro? Já tive o suficiente disso na outra casa e consegui cheirar à distância uma tentativa de extorsão. 

Logo a seguir foi o calendário de limpezas. Inicialmente o nome da "nova pessoa" estava no final - talvez até mesmo numa semana em que já cá não estaria a viver. Mais uma vez, nada de conversas comigo, nada de perguntas. "Queres? O que achas?" Nada. Ordens. Desci à cozinha onde o calendário é mantido na porta do frigorífico e reparei que tudo tinha sido alterado. Quem era suposto limpar a casa nos próximos dias? EU. Claaaaaaro....

Tudo bem. Procurei saber como faziam, o que era pretendido fazer e perguntei quando ia estar menos gente na casa, para poder limpá-la mais eficazmente. Esmerei-me na limpeza. Como sempre, fui vista a limpar, porque há sempre alguém na casa, há sempre alguém que está no mesmo espaço em comum que tu. 

Limpei a casa na quarta-feira. De noite, todos eles na cozinha como sempre, no falatório. Entro e tento conversar mas sinto que te respondem com aquela secura, desviam o olhar - não estão interessados em te ter ali. Então removi-me do espaço para que se sentissem à vontade para continuar o convívio a que estão acostumados. Na manhã seguinte, estou na cozinha e uma rapariga entra. Depois sai. Nisto surge um assunto urgente que tenho de tratar até ao final da tarde. Já nem me sobram 5 horas para dormir e ter de acordar novamente. Então vou para a cama. Nisto recebo uma mensagem no telemóvel, quase às 21h das noite. Relembro que tinha estado na cozinha com todos eles na noite anterior. E todos os dias vejo pelo menos dois deles. É uma mensagem a "sugerir" que compre sacos para o lixo, já que usei o "deles". E a perguntar se tinha limpo a casa, porque tenho de marcar no calendário. 

Todo o discurso foi desagradável e terem ido ao senhorio PEDIR o meu número de telemóvel para me enviarem uma mensagem destas, QUANDO eu estou em casa é... MALÉVOLO!

Eu ali, a dormir ou a tentar dormir por cima da cabeça deles, e eles a contactar o senhorio. Envolver o senhorio foi tudo menos inocente. Senti malícia no ar. E como estava certa!
Respondi nessa mesma noite. Precisava de dormir, mas não podia deixar para depois. Respondi que ela me viu nessa manhã, na noite anterior e na anterior a essa. Respondi que tinha limpo a casa e que esperava que desse para notar a diferença. E que me tinham visto a fazê-lo. Ia dar-lhe uns sacos para o lixo antes de me ir embora mas como raramente cozinho, raro foi a ocasião que despejei algo no lixo "deles". 

A resposta que obtive foi do piorio: "Se soubesse que tinhas limpo não estava a perguntar. Estava uma mancha de ketchup que não foi limpa. A paula disse-me que estava tudo cheio de pó na casa de banho. Se os outros vem ter comigo fazer queixas tenho de perguntar". 

Opá, o que me dizem disto??
É normal ser assim? Com alguém que só tentou dar-se bem, ser simpático, alguém que mal se conhece, mal entrou numa casa nova? É assim que agiam nestas circunstâncias?

Respondi de volta por mensagem: Não estava a gostar do que me escreviam, da proxima vez ia tirar fotografias do antes e depois e também queria jogar o jogo da polícia da limpeza. Porque eu esmerei-me. Tirem teias de aranha e pó negro com uma simples passagem de pano. Sei muito bem que nenhum deles é um esmero na limpeza. Não está correcto posicionarem-se como se fossem, muito menos acho correto toda a atitude. 

Vou trabalhar e quando chego a casa e abro o frigorífico noto as minhas coisas remexidas. Demoro algum tempo a notar que falta uma embalagem de queixo que havia comprado na véspera. Decido deixar uma nota a dizer que não a via. Mas olhem que procurei bastante. Sete vezes, no total. Procurei a primeira. Depois não convencida, desci à cozinha e procurei uma segunda, terceira, quarta... sete vezes. Removi todo o conteúdo da prateleira, para ter a certeza de que os meus olhos não me enganavam. Pus a mão acima do frigorífico, não fosse ter esquecido por ali. Sou muito cautelosa antes de levantar quaisquer suspeitas sobre o que seja. 

Ao contrário deles com a encomenda e a porta aberta.

Não estava ali nada. Há uma da manhã, depois deles todos se terem deitado e feito a algazarra do costume, despertando-me e impedindo-me de voltar a adormecer, desci à cozinha para preparar sandes para levar para o emprego. Coisa rápida. Procurando não usar NADA deles, sempre limpando tudo, arrumando as coisas. Ainda estou para saber se também isso lhes vai fazer espécie.

Bom, mas nisto reparo que há outra nota junto à minha: O queijo esteve o tempo todo no frigorífico. Para a próxima vez procura com mais atenção (smile).

Não respondi. Optei por ignorar.
Mas sei muito bem que a embalagem não estava nem sequer dentro daquele frigorífico. 

Fizeram aquilo de mal intencionados que são. 
E para colmatar, acrescentaram em letras garrafais, outra nota: "Não bater as portas!!!".

Era uma indirecta para mim. Somente para mim.
Esta gente que bate portas todo o tempo, que não é nenhum modelo de virtude no que respeita a respeitar os outros no departamento de ruído, teve a audácia de transformar a ÚNICA vez que a minha porta bateu, no primeiro dia que cá vim, e perpectuar esse momento como se fosse algo permanente e constante. 

O pior é que percebo claramente que estes 10 dias que me restam vão ser miseráveis. Mais artimanhas irão inventar. Nem sequer vai dar para usar a casa apenas como dormitório. Decerto não me vão facilitar a vida e será um passatempo infernizá-la. 

Funcionam como uma matilha de cães.
Só aceitam os da sua espécie e todos os outros são para destruir.


  


sexta-feira, 13 de abril de 2018

As quatro mulheres de mais idade com quem me cruzei hoje




Hoje atendi uma cliente de uma certa idade. Rosto enrugado, cabelos curtos mas ainda bem preenchidos e totalmente brancos. Vinha acompanhada de uma senhora de cabelos castanhos, com a pele do rosto lisa, excepção para umas tantas rugas de expressão. Falou-me que era o aniversário do que percebi ser uma neta. 


Então perguntei-lhe a idade da neta. Afinal falava de uma filha. Surgiu o número 55. A que a acompanhava- também filha, tinha 60. De seguida ela própria avançou a sua idade: 91 anos. Não aparentava. Porquê? Não só pelo aspecto físico, mas principalmente pelo discurso lúcido, rápido e a sua mobilidade dinâmica. Não caminhava com dificuldade, mas com soltura e ritmo. 

Quando penso em 91 anos, infelizmente associo esse número a já alguma dificuldade de mobilidade, a uma certa lentidão e falhas na memória e, também, uma certa curvatura na coluna vertebral. Garanto-lhes que não estava diante de nada disso. A senhora, inglesa, natural de Londres, perguntou-me de que país eu era originária. Respondi-lhe, o que a fez comentar:

-"Ah, vem de Portugal. Eu sei falar português." 

E não, não estou a traduzir. Respondeu-me em português e foi, também, a primeira vez que alguém a tentar falar a língua de Camões conseguiu fazê-lo de forma a entender-se na perfeição, com domínio e fluidez. Contou-me que morou alguns anos no Brasil na década de 60 e logo se despediu e seguiu caminho. 

Deduzi que aquela não era uma mulher comum. Não só pela genética que brevemente discutimos (aparentar muito menos idade parecia correr nos genes) mas pelo discurso. Perguntei-lhe se era viajada, respondeu que sim. Um sim que soou a contenção. Ser «viajada» talvez fosse uma forma simples que omitia uma experiência mais complexa - disse-me a intuição. Atribuí a sua admirável desenvoltura física e psicológica a essa condição de vida. Quem viaja, enriquece-se. No espírito e na mente. A mente não cai numa rotina imberbe, está a ser estimulada. Notei que era inteligente e culta. Ao dizer-me que morou alguns anos no Brasil deduzi - não sei porquê - que teria sido por motivos políticos, como por exemplo, ter um marido consul. Ela própria deve ter sido uma mulher de carreira e muito instruída, tendo circulado no meio de pessoas influentes e instruídas nas mais diferentes matérias. Notei, no tom empregue ao mencionar que viveu no Brasil, nova contenção. 

Simpatizei com a senhora e aprendi novamente uma velha lição: Na vida tudo é possível

Não há normas. Há estatísticas, generalidades, é certo, mas também há excepções. E estas podem deixar de as ser para se transformarem na norma. O seu português, ainda que aprendido no Brasil, não tinha sotaque nem me pareceu ser conjugado ao estilo brasileiro que hoje conhecemos. O português da década de 60 em terras de vera cruz devia ser bem mais formal do que nos dias de hoje.


As restantes três senhoras marcaram-me menos, mas também me recordo delas no final do dia. Todas com cabelo branco.

A primeira aguardava pelo marido, que tinha ficado para trás devido a uma enorme dificuldade de locomoção. Disse-me que tinha solicitado ajuda para deslocação mas que não lha tinham facultado. Fiquei tão preocupada que fiz questão de verificar que acabaria por a receber. Sem que percebesse a minha presença, confirmei que a ajuda que necessitava ia ser prestada. 

Neste país de scooters para andar no supermercado às compras, para andar na rua, para tudo e mais alguma coisa, por vezes em certas circunstâncias não facultam uma deslocação fácil a idosos com mobilidade reduzida. Nem se preocupam. E aquilo incomodou-me. Para todos os que conseguem andar, uns meros metros podem parecer coisa fácil. Quando avistei o senhor, com os bofes para fora, receei que lhe desse um piripaque no coração ali mesmo. Não foi nada fácil para ele caminhar "alguns metros" e a preocupação da esposa com a sua condição era justificada. 

 A segunda idosa falou um pouco comigo. Aguardava o filho que tinha ido comprar algo e pediu para que ela esperasse por ele num certo local. Mas ela, sabendo onde ele tinha ido, decidiu ir atrás e parou a meio caminho, onde eu estava. Falou um pouco disto e mencionou que o filho tinha ido visitá-la porque dentro de dois dias ia ser submetida a uma intervenção cirúrgica. Desejei-lhe boa sorte. Mas o que me veio à mente foi a possibilidade de dentro de dois dias aquela senhora sorridente e toda a sua energia podia estar destinada a apagar-se. Vida por mais dois dias, o filho tinha vindo visitá-la pela última vez, talvez um pouco contrariado. Um pensamento um tanto mórbido, talvez, mas intuí solidão, algum receio, amor, saudade, felicidade, desejo de ter o filho mais perto e mais presente e pouca paciência na comunicação entre mãe e filho. Continuei a trabalhar e perdi-lhe o rasto, não vi para onde foi nem se o filho, que nunca mais aparecia, surgiu e ficou mais um pouco com a mãe.

A terceira idosa esperava a neta. De início só percebi que esperava alguém e que tinham marcado um encontro por ali. Como não estavam a conseguir entender-se por telemóvel uma com a outra, a senhora pediu-me para explicar por chamada onde ela se encontrava, para a neta a localizar. Foi o que fiz. O sentido de orientação da neta não era dos melhores e acho que o receio de não encontrar a avó atrapalhou-a. Então pedi-lhe que voltasse a contactar a neta e foi então que as duas encontraram-se. Estavam a poucos metros uma da outra, mas cada qual a aguardar em sítios diferentes. Foi a idosa que partiu ao encontro da neta, ao perceber onde esta se encontrava. Uma senhora totalmente lúcida, amável, doce, com facilidade de deslocação. Ainda assim confirmei que se encontravam de facto. Ao me perceber perto, a neta agradeceu com umas vénias e eu regressei ao meu posto contente, por ninguém ter-se perdido e por perceber a felicidade naquele abraço que as duas deram. 


#idadenãotemlimites