sábado, 15 de dezembro de 2018

Os britânicos e o Fuck


Não sei se é da zona onde moro, mas quando oiço pessoas que vivem no UK dizer que acham os britânicos um povo muito civilizado... ah, eu não vejo assim.

Nesta cidade onde vivo os brits devem ser originários de uma low class. Classe trabalhadora, na sua maioria. Com pouca educação ou uma em que é OK mostrar irritabilidade e desatar com ofensas pelo mais pequeno motivo. 

Basta-me espreitar à janela que a maioria das situações que presenciei passam-se mesmo à frente da porta. Com tanto passeio ao longo da rua, é sempre frente à porta que se põem a discutir.

Ontem ouvi uns gritos e palavrões e lá fui espreitar. Ao que parece, por causa de um encontrão enquanto se cruzavam no passeio, quatro pessoas começaram a chamar nomes uns aos outros. O mais "animado", um homem mais jovem com ar de quem bebe e consome demais (segurava uma bebida na mão mas aqui é comum ver isso) ameaçou o mais velho - um homem com gorro e de barba longa, mais branca que grisalha que, sem levantar a voz mas usando uma linguagem de rua, ao invés de se afastar caminhou uns três ou quatro metros para confrontar o indivíduo (bad idea). 

A troca de palavras, o esbracejar, tudo continuou em exagero. Muitos, mas muitos FUCK foram pronunciados. Quando se afastaram, continuaram a maldizer-se à distância. O homem barbudo voltou de onde veio e foi aí que vi que estava acompanhado de uma mulher (assim como o mais novo). O rapaz que continuava o seu rol de Fucks virou-se novamente para trás em mais uma das suas queixas (aparentemente o rapaz transportava uma bicicleta e o problema começou aí) e a mulher, que devia estar quietinha, fez-lhe um manguito com os dedos da mão direita. O rapaz ficou mais chateado, começou a gritar "eu vi que me estendeste o dedo! Eu isto, eu aquilo..." O homem barbudo que caminhava, pára, volta-se para trás, e diz:
-"Eu não te mostrei o dedo, está a mentir".

E é assim que uma mulher pode destruir a vida de um homem. Ahahah.

O gesto podia ter causado uma fatalidade. Os dois já estavam a se afastar, o que ela fez foi uma estupidez desnecessária, estúpida e cobarde, foi deitar mais combustível na fogueira. 

Afastaram-se de vez e... durante mais cinco minutos continuou a ser possível escutar à distância os FUCK do rapaz. À vontade, pronunciou-os pelo menos 50 vezes. Vi-o depois a atravessar a rua, a empurrar uma bicicleta, acompanhado de uma mulher mais um outro casal. Ainda se escutavam os fuck.

Tudo gente cheia de classe, ahah!

Da janela do meu quarto já presenciei várias discussões. Não sei se é o espaço aberto para um carro poder aqui estacionar que proporciona-lhes a vontade, mas costumam estar a discutir pela rua inteira, acabam sempre por parar aqui para a parte mais "calorosa".

O que mais me decepciona são as discussões entre casais que têm crianças à volta. Numa ocasião o rapaz gritava com a mulher que empurrava um carrinho e haviam mais duas crianças junto. O rapaz estava a terminar com ela, acusando-a de andar com outro, beijou uma das crianças dizendo que o ia visitar depois e as outras... ou não eram dele ou se alguma era, ficou claro que só se interessava por uma. Tudo isto na frente das crianças, em público. Os gritos, as acusações de infidelidade, de tê-lo enganado para que ficasse com ela... 

Tudo à minha porta.

E hoje, enquanto caminhava sobre a chuva empurrando o meu trolley das compras, uma carrinha branca pára na estrada. Pressinto que espera que passe mas penso que é porque vai virar para uma entrada de parqueamento que estou no momento a passar. 

De imediato oiço buzinas e abafado pelos vidros, gritos assim: "Sai da merda da frente, sua estúpida!".

E é assim...
Para mim os britânicos são isto.
Não vi diferente.

Se existem diferentes, não devem morar por aqui. E devem circular de carro, porque os que andam a pé (e em carrinhas brancas de empresas de construção ou em carros vermelhos, já agora) são uns mal educados do car... valho. Ou do Fuck, para ser britânica :)



To be or not to be...


LEGENDS: You have to die young.
IDOLS: You have to make it young.
FOLLOWERS AND DEFENDERS: You have to make money young.


sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Despertar inoportuno

Então, eu adormeço cedinho, contente por o fazer cedo e quando acordo, só se passaram 45m??!

Pedofilia


aqui:

São sempre os que têm ar de santinhos, que não matam uma mosca...

O interrogatório e a mensagem privada


Como sabem aqueles que lêm os meus desabafos, um dos quartos desta casa está para vagar. O senhorio colocou um anúncio mas os Italianos querem ser eles a escolher a pessoa que cá metem dentro.

Vai que hoje uma pessoa vem ver o quarto. O senhorio passou por cá antes da hora marcada para tratar de um assunto à parte e dirige-se ao rapaz italiano:

-"Aquela mensagem que me envias-te pelo Whatsapp... vou ter de ver. Desde que não tenha intervalos... Já fiz isso para outra pessoa, fiz para esta... Mas quem é ele?"

- "É um amigo que trabalha comigo. Foi ele que me perguntou. Eu disse que ia ver."

Sim, deve ter sido mesmo ele. Coincidências das coincidências os "amigos" não param de "precisar" sempre que um quarto nesta casa está para vagar.

O que os amigos têm em comum é serem italianos.
"Selo" aprovado pelos da casa.

De seguida o rapaz decide fazer perguntas em cataplana para saber quem é a candidata que hoje vai aparecer para ver esse mesmo quarto. É um rapaz ou uma rapariga? O que é que faz? Então é jovem. Quer dizer,  pode ser um pouco mais velha mas é jovem. Qual a nacionalidade? Africana?.

A sua alegria por imaginar uma jovem não me passou ao lado. Um tom de espanto com preocupação pela nacionalidade também. Eles têm preferências e não as escondem muito bem aos meus olhos. Será que é coisa de jovem? Jovem só quer viver com jovem? Será que se aparecesse um senhor de 60 anos eu também não ia ficar com pé atrás?

Isto fez-me pensar... Na minha situação futura. Eu serei, mais depressa do que de vagar, uma senhora de uma certa idade. E como vai ser? Se já me parece que a idade é um requisito de selecção - como vai ser? A minha situação não deve alterar-se na próxima década. E não digam "não sabes". Acho que sei. As décadas que passaram mostraram isso.

Vou chegar aos 50 e ficar perto dos 60 e vou estar a arrendar quartos em casas partilhadas... oferecendo como garantia empregos precários. Ninguém vai realmente me querer, visto que a grande massa de procura é entre os jovens. Cada vez são menos jovens mas ainda assim, na casa dos 20, início dos 30.

A situação em todos os níveis é cada vez mais precária. E eu acho que ainda não me mentalizei muito bem disso. Tenho de apanhar "tudo o que me aparecer" em termos de trabalho? Ainda quero pensar que aqui posso procurar algo que goste. Não quero ir aos restos... Ao que me é atirado aos pés porque ninguém mais quer. Fiz isso antes. Quero mudar agora. Mas se calhar mais jovem é que devia ter sido mais criteriosa. Agora, sê-lo, pode ser uma atitude parva.

O emprego que deixei podia er sido meu para a vida - se o aguentasse. Só tinha de lidar com uma chefe a complicar o trabalho e a dificultar as relações. Mas tinha outras benesses... trabalhar sozinha, para começar. Alguns gostam de companhia, outros preferem estar sós. Não era muito difícil - foi o mais fácil e o que tinha melhores horários. Mas vinda de uma situação em que aguentei, por longo tempo, maus tratos laborais, não quis ficar num lugar em que uma pessoa parecia empenhada em me proporcionar experiências parecidas. É cortar o laço e agarrar-me a outro porto. Só o fiz porque me pareceu coisa garantida: esse outro porto. Disseram-me que iam abrir vagas dentro de 15 dias e eu com a experiência que tinha, e mostrando interesse imediato, ia ser contratada. Mesmo assim salvaguardei-me e fui perguntar a outro lado como é se fosse candidatar-me a um emprego: "Ah, é fácil. Contratam de certeza. "contratam qualquer um". Tens muitos horários, podes escolher se fazes só fins-de-semana, três dias, cinco...".

Ainda não me consciencializei que aqui as mentiras são outras.

Nada do que me foi dito se materializou. E dei conta, agora que procuro algo melhor (estou numa situação temporária precária), que muitos andam atrás do mesmo. Sinal que as coisas aqui no UK estão a piorar - e muito. O emprego precário que arranjei era para ser provisório, mas full time. Quando fui à entrevista - e fui de imediato, já não havia. Só tinham part-time. Agarrei. Um outro que me apareceu na caixa de email duas horas antes, quando fui a candidatar-me, já não aceitavam vagas.

Sim, está assim tão mau quanto isto.
Não parece. Não anunciam nos holofotes... Mas dá para sentir. A quem estiver a prestar atenção ou a quem está a necessitar. São poucos os que te estendem a mão para ajudar. Acho até que nenhuma mão se estendeu na minha direcção. Todos gostam de ti, lamentam que te vás embora mas... agora é contigo.

Já eu.. quando eu e os meus colegas perdemos o emprego ao mesmo tempo, tudo o que eu via que achava adequar-se a um deles, avisava-os para irem espreitar. Tentei ajudar. Chamei um amigo para saber se ele tinha interesse em trabalhar no mesmo local que eu.

Excepto um destes rapazes, ninguém retribuiu.

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Bom, e a rapariga-candidata ao quarto veio ver a casa. Não sei o que achou. Gostei dela. Tinha um sorriso natural e pareceu-me natural, genuína. Só no final, quando percebi que se despedia, é que me pareceu reticente. A ver veremos. Seria um bafo de frescura nesta casa. Gosto de diversidade, a todos os níveis. A rapariga é estudante e trabalhadora na área de ciência. Ia ADORAR partilhar a casa com alguém tão fora do meu circulo comum. E é isso que os italianos não querem e não estão a permitir. De certa forma, eles querem homogeneizar as pessoas. Todas italianas, todas jovens, todas aprovadas com o "selo" deles.

E acho que começaram a querer assim depois de me terem cá. Quero dizer... eu e mais outros dois italianos entramos quase ao mesmo tempo. Por isso, nessa altura ainda não tinham formado um grupo elitista. Existiu ali uma separação de nacionalidade... quando se viram em grupo. E eu estava de fora, fui deixada de fora. Por isso estou convicta que muita gente igual nunca dá certo. Venha a diversidade.



Necessidades Fisiológicas de Eliminação - são barulhentos ou discretos?


Ok. Vou falar de uma coisa chamada necessidades fisiológicas de eliminação. Ou seja: urinar e defecar. Não se choquem, é algo natural no organismo humano. Nós é que as tornamos um pouco "tabu"...


O que quero saber é COMO se comportam no acto. Isto porque, todos temos de as fazer, mas a forma como as fazemos, pelo que pude perceber, tem variantes. Facto que se deve ao sermos seres racionais com inteligência, somos culturalmente educados para certas cortesias e cuidados. É por isso que, quero fazer este pequeno inquérito.

COMO AGEM QUANDO VÃO AO WC?


A casa-de-banho é um lugar com eco e.. certos sons entram no campo "privacidade". E se há sons do foro privado que não gosto de anunciar aos sete ventos são estes, os das necessidades fisiológicas de eliminação. Quando se usa o WC de casa e estamos sozinhos, provavelmente aí podemos escolher ser mais "selvagens". Mas não se deve ser mais educado quando num espaço público? 

Faço aqui um inquérito. Peço que sejam sinceros a respeito. Explico usando-me como exemplo:


WC Públicos:
Quando estou num WC público, muitas vezes oiço alguém barulhento entrar no cubículo ao lado e praticamente após o "bang" da porta oiço uma enxurrada de líquido barulhento (por vezes acompanhado de um som saído do nº2). Acho aquilo de mau tom. Quer dizer... todos nós estamos aflitos. Mas nem todos chegamos ali e libertamos o líquido dourado de forma selvagem. Dá para ele sair com cuidado, dá para direccionar para que caia na porcelana sem anunciar a sua libertação.




Isto vale para o um, para o dois... Quando a "buzina" é activada antes daquela coisa que não tem travões, a sonoridade também pode ser controlada. Se a controlamos no dia-a-dia quando no escritório, numa reunião, em grupo, nos transportes públicos... muitas vezes nem a deixamos sair, nem baixinho nem muda. Se temos esse controlo, porque alguns se livram dela e libertam-se "à selvagem"?

É que dá muito mau aspecto... desculpem lá.

Mais ainda quando vejo uma rapariga jovem e linda, toda maquilhada, a ir ao espelho verificar se cada fio de cabelo está no lugar, retocar o batom... quando um minuto antes deu um show de sonoridade fisiológica de libertação na retrete.

WC CASEIRO:
Quando não se está sozinho em casa, no meu entender, aplicam-se as mesmas regras. E no final, se necessário, borrifa-se um pouco de ambientador com cheiro ou abre-se uma janela. Que mau gosto fazer o outro cheirar o que anda a ser despejado ali ou escutar o que se passa na "privada". Os brasileiros deram-lhe esse nome por algum motivo. No caso das mulheres que muitas vezes usam pensinhos diários, até esse som do descolar acho que fica bem evitar. Afinal, as outras pessoas não têm de saber o que tens entre as cuecas :)

Aqui em casa oiço uma sinfonia completa quando as raparigas vão à privada. Sou forçada a perceber que "tocam" músicas diferentes das minhas. Fico até a pensar, no caso de uma em particular, se não terá alguma doença... para cada vez que lá vai ser tão sonora e tocar mais que um instrumento.

Estão a ver no que dá? Não manter a coisa no "privado"?
Imaginem que viram aquela miúda gira que vos dá tesão (agora tou toda abrasileirada) e escutam-na no WC numa sinfonia de "expulsão" daquelas... Bom, se calhar iam transferir os ruídos para outra necessidades fisiológicas. Mas a coisa pode não ter correspondência... Acho eu.

Ai, mas que porcaria de conversa esta!
Desculpem lá... quis falar do assunto, mas sem meter merda. :P


quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

A jarra saltitante


Não estive para me aborrecer, então nem desci à sala ontem.
Não fosse dar conta que a jarra foi novamente removida do local.

Mas desci agora à pouco...
E a jarra foi NOVAMENTE removida da lareira e colocada na berma da mesinha.

Gostava que quem está a fazer isto me desse UM BOM MOTIVO para o fazer.
Vou perguntar-lhe na cara: "Dá-me um bom motivo".

É que eu não vejo nenhum. A não ser má vontade, má indole, pirraça, coação... só coisas más.

É que é todos os dias - por vezes mais que uma vez (se eu der pela jarra removida de noite e a recolocar no lugar) pela manhã já a removeram. Acho espantoso que tenham montado a árvore de natal mesmo ali ao lado - que é suposto trazer o espírito Natalício e a compaixão entre os Homens, e desde que ali a puseram já retiraram a jarra mais de cinco vezes. Uma atitude tão feia. 

A jarra não estorva, não impede que se vejam ao espelho, não está no lugar de nada que ali estivesse antes...
No meu entender, o problema está em alguém na casa não saber partilhar espaços e achar que a sua vontade é a que tem de ser seguida. 

Porra... e eu que deixei um pai e uma mãe com essa forma de ver as coisas lá atrás, na adolescência. Porque será que sempre há quem adopte esses comportamentos?




quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

10 para as duas


Puxa! O tal do karma foi rápido.
Eram 10 para as duas quando escuto a mais-velha a ir ao WC. Nada de novo. Vai muitas vezes. E é sempre "bem sonora", se me faço entender. (até já estive para fazer um post sobre isto, uma espécie de sondagem por curiosidade pura).

Passado uns instantes oiço um pio. Seguido de umas forçadas de vómito. Reação incial: tem algo no estômago que precisa rejeitar. Logo a seguir: preocupação seguida de "devo ir oferecer ajuda?" Mas temendo que me achasse intrometida e soltasse um grito "Sai daqui" abandonei esses pensamentos. Até porque subitamente a história do KARMA veio à mente.

Karma...

Ela dormia e subitamente sentiu-se indisposta.
O karma veio a cavalo.

10 para a meia-noite


Era sensivelmente essa hora quando desci à cozinha para comer algo. Aproveito e, como tenho de ir ao WC, vou ao de baixo, para não fazer barulho no de cima. Pego no telemovel e com a ajuda deste ilumino os degraus. Nisto oiço o rapaz a levantar-se... as tábuas do soalho rangem. Porquê têm de se levantar quando escutam outra pessoa a ir a algum lugar é que não sei entender. Mas ainda bem que fui ao WC de baixo, porque ele foi direto ao de cima. Se tivesse ido a esse que é ao lado do meu quarto, ele batia com o nariz na porta. É desnecessário esse engarrafamento. Quando se escuta alguém não se vai atrás... só um pode estar no WC. 

Mas adiante que o assunto é outro e é sério.

Desço à cozinha e quando vou sentar na cadeira vejo a jarra... novamente na berma da mesinha. Porra pá. A sério... Mas porquê isto? Que mal faz a jarra a alguém? Para quê andarem a tirá-la do sítio? Que pesadelo. Que coisa sem sentido, pura malícia. Alguém nesta casa se acha dona de tudo. Caramba, que má onda... mesmo com a árvore de Natal montada ao lado. Não se coíbem de ter uma atitude vergonhosa.

Qual espirito natalício qual quê... Podem decorar tudo o que quiserem e ter muita garganta. Mas o espírito natalício vê-se nos pequenos gestos.

A máquina de secar unhas, a mala cheia de produtos para as unhas, o maldito rato de computador... ainda está tudo ali na sala, a ocupar espaço indevido. Isso não faz comichão a mais ninguém, não é? Bagunça própria não conta. Uma peça decorativa que não é de nenhum italiano e é logo: pimba! Fora com ela.

Acredito no Karma e este vai afectá-los mais tarde ou mais cedo.
Agora pareço zangada porque, bolas, é uma coisa tão singela... é por aqui que se vê a verdadeira natureza das pessoas. Eu ia lá me importar com uma jarra...

Tive a ideia de comprar mais duas e colocar ao lado da outra. Isso é que ia passar a mensagem. Não estão satisfeitos com UMA coisa minha na sala? Então tomem lá mais duas!

Mas não quero gerar conflitos nem guerrinhas mudas. Não faz muito o meu género. Se tiver que falar disto vai ser logo ali: na cara. Na boa, com muita educação, mas não mando recados nem os deixo escrito no quadro. No quadro deixo mensagens simpáticas. Coisas sérias e menos agradáveis tratam-se pessoalmente. Pessoas íntegras agem assim.

No lugar da jarra estava um daqueles ambientadores que borrifam cheiro para o ar. Ele já lá estava, ao lado. Agora está ao centro, onde estava a jarra. Pela primeira vez, peguei nele, meti-o no lugar da jarra e devolvi a jarra ao seu lugar original. Aposto que quem for ver o borrifador ali vai detestar que tenha sido mexido. Pois é... não é certo trocarem as coisas do lugar quando não há necessidade, não é?

Não quero nem vou deixar que este tipo de comportamento mesquinho me afecte. Claro, sempre afecta um pouco. Mas vou continuar a não dar importância. Estou ansiosa para que chegue o Natal só para os ter fora daqui. Nem que seja quatro dias. Serão quatro dias em que a jarra não vai aparecer noutro lugar e o que eu deixar num sítio não desaparece.

Ainda por cima hoje preocupei-me com a "mais velha" que costuma chegar pelas 18h da tarde. Quando bateram as 20 já achei que podia ter-lhe acontecido alguma coisa, até morrido sei lá... Fiquei mesmo preocupada. Mas sei que, a acontecer algo, os italianos saberiam. Como estavam calmos, tentei não me preocupar. E nisto quando estou na cozinha e não cozinho porque o rapaz está a receber uma rapariga como visita e os dois estão a comer, chega a mais-velha. Super atrasada... eram 21.35h. Mas viva e bem disposta. Entra já a falar italiano e todos conversam em italiano, claro. Eu ali, tiro o que preciso e desapareço... Mas só pode ter sido ela a mover a jarra. É sempre ela que está por perto quando algo acontece, como o desenho riscado.

Espantoso que, não se demorou nem meia-hora na sala. Logo subiu ao quarto para dormir e dar privacidade ao casal na cozinha. Mas nesse tempo teve a necessidade de mover a jarra do sítio?

Malévola. 

Desenhos riscados, jarra removida do lugar... tudo o que diz respeito a mim está a ser alvo de uma não-verbal rejeição.

Hoje à tarde ocupei a mesinha redonda e para isso tive de remover de cima o aparelho de secar unhas e o estojo que a mais-velha deixa ali vai para lá de dois meses. Quando arrumei as coisas, deixei estes artigos em cima da cadeira. Agora quando desci, já estava um tablet e um carregador portátil em cima da mesa. Não fui de cerimónias: devolvi também o que havia posto na cadeira no lugar de onde tirei. Agora está o estojo, o seca-unhas, o tablet e o carregador em cima do tampo da mesa redonda. Uma pessoa não pode deixar nada limpo e arrumado, que é logo uma oportunidade para eles deixarem mais tralha em cima.



terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Famili lar

É o que almejo desde pequena. 


E olhem que feliz parece estar o esquilo, no calor da sua casa.
Felicidade pode ser algo tão simples como chegar a casa, ficar à vontade e ir cozinhar algo que se goste.

Vai arrepender-se?


A que-vai-sair saiu. E talvez venha a arrepender-se.

Lembrou-se tarde de ir perguntar na casa ao lado como era a vida lá... E descobriu que existem "problemas". 

Afinal, as coisas não mudaram muito desde que lá estive a viver uns 20 dias, em Abril. Veio de lá e contou que estão a ter problemas com a louça e a roupa e enviam mensagens uns aos outros para irem fazer isto e aquilo...


Afinal, continua! Os SMS ao invés da conversa frontal e desarmada.


O mal daquela casa é ser habitada por três colombianos que formavam uma trupe. Muito à semelhança do que se passa aqui com italianos. Por isso defendo que não se deve ter muito de uma só coisa. Criam-se sempre ambientes. Mas um dos colombianos deu à sola... e o trio Odemira ficou maneta. Acontece que vai ficar também perneta. 

Sobra apenas uma. Que está a perder as forças mas é resistente... As que entretanto se mudaram para lá, esperam que, com tempo, essa se mude e saia da casa. Por um motivo simples: só fala espanhol. Não fala inglês. E na ausência dos «compadres» e companheiros de traquinices, na ausência de quem fale espanhol com ela, acham que vai acabar por sair.

Talvez sim...
É o que digo: o destino acaba sempre por encontrar uma forma.

Quando cheguei a esta casa fui muito mal recebida pela italiana-mais-jovem que fingiu que nem me viu e limitou-se a sair do quarto para apagar a luz que acendi para poder subir as escadas em segurança. Nem um olá, nem um "bem vinda de volta" - nada. Ao bom jeitinho italiano de acolher outros. 

Essa foi a primeira a sair.
Sobrou-me a Colombiana da casa ao lado - que tanto mal me fez enquanto lá estive e também quando me mudei. Tentou infiltrar-se aqui, impor a sua presença e a sua insuportável voz estridente. Mas o pior era a sua ignorância. Perdoável, se fosse de boa índole, mas ela é malévola. E nada me tira da cabeça que ter aconselhado a amiga da que-foi-embora a convidá-la a mudar-se para lá foi o seu último gesto de malícia e interferência. Só Deus sabe os conflitos que tal acção já gerou. Tem sido um stress desde o final do mês passado até finalmente ter-se encontrado alguém que vai ocupar o quarto por apenas um mês. (Dizem que é uma jovem portuguesa, a ver vamos). 

Mas o quarto foi reservado por uma italiana. Por isso... mesmo que a que-foi-embora mudasse de ideias - como desejei que mudasse - a coisa foi feita de tal maneira que o senhorio avisou logo que por já ter assinado contrato com a italiana-escolhida, que o quarto já não estava disponível. Coisa em si também esquisita vindo dele, pois decerto que lhe ia propor o outro se realmente lhe interessasse ter a que-saiu de volta. Ela vai fazer falta. Era um ar de frescura e diferença, quebrava o excesso de italiano nesta casa e, para ser sincera, era fácil de conversar e cumpria sempre as suas obrigações com a limpeza da casa. E bem. O pacote inteiro, a bem dizer. É raro encontrar alguém assim e duvido que o raio caia duas vezes no mesmo lugar.

Mas a vida é assim mesmo, gira e dá voltas. Nem eu sei onde vou parar nestes giros. Ninguém sabe. Por mais que tentem manipular as situações e incliná-las a seu favor. 

Espero que a que-foi-embora não se arrependa. A pesar de ter desejado que quem viesse para esta casa fosse barulhento até mais não. Mas desejou isso por pensar que a outra - a italiana-que-não-limpa ia ficar. Afinal, se calhar já não lhe pomos a vista em cima muitas mais vezes. Antes do novo ano, já cá não mora.

Isto é fantástico... tantas reviravoltas.
Mas andam todos muito calados a respeito da inquilina que vem ocupar o quarto que vai vagar pela que não limpa. Sei que já estão a recrutar: italianos, claro. A que apareceu aqui ontem pareceu-me sentir-se muito à vontade. Vamos a ver se cai na esparradela de vir para aqui morar.

É que ninguém lhe diz que o senhorio é uma espécie de sexto inquilino...
Aparece regularmente, praticamente todos os dias, a qualquer hora, mais que uma vez, puxa da chave e entra casa a dentro. Vai ao frigorífico e serve-se de leite. Fazendo observações sobre tudo. Verificando as tomadas, a quantidade de luzes ligadas, se as janelas estão abertas, se estão fechadas, que programa estás a ver na TV, se estás de folga, quando vais trabalhar, o que estás a fazer, como o estás a fazer, se a máquina de lavar roupa foi deixada com a porta aberta para arejar and so on...


Eu não sei se aceitaria mudar-me para uma casa só com portugueses. Gosto demais da diversidade. Aliás, é o que me atrai neste estilo de vida. Poder dar de caras com alguém de boa índole, claro, mas que possa transmitir-me novos conhecimentos, passar-me cultura diferente, experiências e histórias da sua terra. Isso é fascinante. Se morar só com tugas... claro que há coisas a dizer. Mas não é tão fascinante quanto conhecer alguém oriundo de um país onde nunca pisaste.

A que-vai-embora é da Grécia. Adoro ouvir falar grego. Gosto do som. Não sei nada - aqui e ali parece que algumas palavras são parecidas. Infelizmente não vou poder aprender mais por ela sair desta casa. Na verdade, falamos sempre em inglês, como é de bom tom e da boa educação. Mas das vezes que a escutei a falar ao telefone na sua língua, gostei.

E ela sempre me cumprimentou, desde o primeiro dia, com um "obrigada". 
É uma das palavras que sabe em português. 
É simpático. 

Bem mais que o que a cultura italiana me passou. Mas se calhar, cada caso é um caso. Ainda assim, em quatro italianos nenhum fugiu à regra por isso... acho que os Gregos podem ser mais abertos. Embora sempre tenha escutado que é preciso ter cuidado com os presentes Gregos, ehehe

Um dia, se necessitar e for certo, vou partilhar com alguém o que passei na casa ao lado. O que ela me revelou hoje deixou-me um pouco apreensiva. Pensei que o clima na casa tinha mudado completamente com a introdução de novas pessoas e a saída das piores. Mas pelos vistos continua a infantilidade de enviar mensagens repreensivas ao invés de falar com as pessoas na cara e na boa. Como se alguém ali tivesse mais moral ou fosse acima dos outros para se prestar a esse papel. 

A casa é também menor, embora os quartos sejam, ao que sei, imensamente grandes. Mas para quê se quer um quarto grande? Eu tive um e desejei um pequeno. Este meu pequenino, que adoro, não o trocaria por nenhum dos outros onde cabe três vezes!

E pago menos para usufruir do mesmo espaço em comum. 
Sei por experiência que mais vale assim, pois na primeira casa era a que pagava mais para quê? No final só saia prejudicada. Os outros podiam dar-se ao luxo de certas manias de superioridade porque todos os meses poupavam mais de 100 libras comparativamente a mim. Então o que lhes custava dar mais 20 libras pelas contas? Mas a mim o valor de toda a soma já ascendia o que podia encontrar por um quarto noutra casa com melhores condições. 

E tanto assim é que a senhoria baixou o preço dos quartos assim que saí. Mas não esqueço que me disse que aquilo não era "um hotel de cinco estrelas" quando levantei essa possibilidade... Ela era totalmente marioneta do rapaz. Depois deu sair ele usou a minha ideia para atrair mais pessoas pois a casa praticamente cai aos pedaços e muitos a rejeitam de imediato. 



segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

E sai hoje... a que-vai-sair vai de vez


Não cheguei a contar, mas dei uma escapadinha até Portugal.
Fui apanhar um pouco do espírito Natalício. Por mim, o Natal foi enquanto lá estive. E não preciso mais dele.

Percebi isso no dia seguinte ao  regresso. Quanto cheguei, entrei em casa todos os italianos estavam na sala. As suas caras de surpresa revelaram-me que esperavam que demorasse mais a aparecer. Só entendi a palavra "retornato" pronunciada algumas vezes, aparentemente referindo-se a mim. Se ficaram descontentes por não me terem fora por mais tempo, temos pena, ahah. Desta vez, não lhes dei a notícia com dias de antecedência. Nem disse em que dia ia voltar. Essas coisas que fazia sem dar muita importância, por não ver mal algum, não quero mais fazer. Quando são eles a viajar fazem questão de manter isso em segredo. Sabem entre eles e com todos os detalhes, mas não partilham com os outros na casa. Ainda hoje uma se foi, vi-lhes as malas, mas nada disse. Não a mim, que não interesso. Ainda me corre nas veias a cortesia de avisar, pelo que deixei escrito no quadro - como habitualmente, a informar que ia ficar fora até o final da semana. Mas não especifiquei o dia... Aprendi com a italiana-mais-velha e o italiano-rapaz, que nos informou há duas semanas quando ela subitamente desapareceu, que estava a viajar mas voltava numa quarta-feira. Só que voltou foi numa segunda. 

E ao me verem entrar, lá repetiram "estai retornato" ou algo do género. 
Qual é o espanto? Se vivo aqui? "Retornato" foi inesperado, foi? Fez-lhes comichão?


Após arrumar as coisas que trouxe comigo, subi ao quarto para descansar. Precisava, não tinha dormido na correria de fazer tudo e apanhar o avião bem cedo. 

Quando desci percebi que haviam decorações de Natal e uma árvore montada na sala. Mas saí porta fora, tinha de ir trabalhar. Foi só no dia seguinte, quando entrei na sala e vi a árvore com mais atenção, que percebi que aquilo não era o meu Natal. E que aquelas decorações bem podiam ser desmanchadas que não me ia causar tristeza.

Não foi só por ter apanhado o espírito Natalício em Portugal. Foi mais por me terem privado dele aqui. Sim, privado. Eu havia perguntado quando iam montar a árvore. Mostrei interesse em participar. Nisto chego a casa mesmo antes deles se porem a fazer as decorações, oiço-os falar algo em italiano nesse sentido, e nada de me convidar? Olha, portuguesinha, junta-te a nós e vamos por as decorações de Natal juntos?

Que cozam num caldeirão de cozido à portuguesa...

E a "estrelinha" no topo da árvore foi ontem. Quando ao final da tarde desço para a sala e verifico que uma visita que escutei entrar na casa para almoçar e espreitar o quarto que vai vagar, ainda perdurava pela sala. Prontificou-se a sair rápido, assim que apareci (se soubesse tinha aparecido mais cedo, mas foi por pura casualidade que não o fiz - não me apeteceu e só senti vontade de dormitar). Mas não se foi embora sem antes as duas me presentearem com esta conversa, em ITALIANO.

-"Questa non labora" -diz a mais-velha à visita.
-"Come non?!"
-"Non labora diesde a Setiembre e era quatro giorni fuori".


Mas que é isto...?? A manter um registo mental das minhas actividades e a falar da minha vida assim, gratuitamente, com uma estranha? Quem lhe passou procuração? De início até me agradou que a minha presença não tenha resultado nos habituais constrangimentos e interrompido o fluxo da conversa. Falavam em Italiano sem parecer que estar ali lhes incomodava. Foi a primeira vez que tal aconteceu e agradou-me. Mas enganei-me. Quando começaram a dizer "portuguesi" e "portucalo" comigo ali... já comecei a estranhar. A fazerem referência a nós, como povo, ou a mim em particular, na língua deles, comigo presente? Que má onda... 

Então sempre é verdade... usam o italiano para falar sobre a pessoa que está presente sem que esta entenda. Mas se isso significa que vão falar de mim na minha frente aproveitando-se do facto de acharem que não capisco niente de italiano... enganam-se. Estou a melhorar o meu entendimento da língua que vai ser falada nesta casa praticamente em exclusivo. Ter sido a mais-velha a agir assim não devia surpreender-me, porque, no fundo, já lhe vi a careca. Mas ainda assim, choca-me. Ela, que ficou toda irritada nas primeiras semanas em que me mudei para esta casa. Um antigo inquilino passou por cá para levantar uma encomenda e calhou referir que existiram situações chatas aqui dentro, mas que decerto a "mais-velha" já me tinha posto a par. Ela ficou enervada - notei-o no rosto, interrompeu-o com uma voz doce, para dizer: "mas o que ela vai ficar a pensar de mim? Achas que eu sou quadrilheira? Eu não falo da vida dos outros". E quando este se foi embora e mencionei tê-lo achado simpático, franziu o nariz e disse que era muito metediço e inventava coisas sobre a vida dos outros. Repreendeu-o por ter dito o que disse sobre ela, pois ela não anda a falar da vida alheia.

PIMBA!

Já diz o provérbio: mais depressa se apanha um mentiroso, que um coxo.   


quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Sabem o que gostava de receber?



Ouro, incenso e mirra!

Não que queira entrar em sacrilégio e comparar-me ao menino Jesus, ahaha.
Mas esses presentes simbólicos e singelos  (ouro é singelo hoje em dia) agradam-me.


Tenho cá uma curiosidade pela mirra... Há 2018 anos devia haver aos montes. Agora há ouro, há incenso em pausinhos mas mirra? Onde se encontra e para que serve?

Nestas caixas de veludo trabalhadas por fora então... lindo!

Adenda: Mudei de ideias! Já não quero a mirra. Pelos vistos foi presenteada como um prenúncio da morte do acabado de nascer Rei-Deus. Má onda a dos Magos... Qual deles terá sido? O malandro do Baltazar? Ou o noviço do Gaspar? Não creio que tenha sido o idoso Belchior  :)

domingo, 2 de dezembro de 2018

Fiquei tão triste...


Quis saber o que as "crianças" na familia podiam gostar de receber pelo natal.
Digo crianças porque "ainda ontem" eram pequenas e porque as tive no colo, troquei-lhes as fraldas, vi-as desenvolver... e tudo isso parece-me que foi há pouco tempo. Mas com 19 e 17 anos, sei que são adolescentes, "doidas" por coisas femininas, roupas, acessórios, maquilhagem, produtos de beleza.

 * * * * * *  O NATAL

Pela primeira vez fiz algo com o qual não concordo muito: perguntei aos pais o que elas podiam gostar de receber. Digo que não concordo muito, para evitar dizer que não concordo de todo. Mas vamos a ver se consigo explicar bem a diferença entre pedir uma referência e "levar com uma encomenda". Uma coisa é perguntar para ter ideias e inspirar. Sem a pessoa esperar receber aquilo em particular. Pode ser que sim, pode ser que não. Outra é saber exatamente o que se vai receber porque se usa o Natal como uma época de transacção comercial em que se realizam desejos de consumo fúteis e superficiais. Quem "oferece" nem se dá ao trabalho de PENSAR e quem espera receber tem uma lista de artigos, cada qual criado para «sugerir» a uma específica pessoa. Isso é pura transacção comercial, com fundamentos na vaidade e no consumismo. Um hábito que em tudo mata o espírito Natalício. Não aprecio. E por isso, não costumo compactuar. Faço a minha parte para que esta parte do natal se mantenha alegre, com troca de lembranças, lembranças essas que são incógnitas, que podem fazer rir à gargalhada (as melhores). Nao é natal se sair aquele sorriso traçado, quando se tira do embrulho exatamente aquilo que se encomendou.



Bom, mas dei um título específico a este post porque... Senti-me triste. Não por mim, mas por elas. Perguntei à mãe de uma o que poderia ela desejar. Recebi como resposta uma carteira da loja "fulano". Sei que elas gostam de se vestir e adornar com marcas. Mas marcas também são casas como a Zara, no meu tempo, a Maconde... eram "marcas". Empresas de venda de roupa a retalho económicas. Mas o que estas meninas cujas fraldas troquei estao acostumadas é a outro tipo de marcas. Marcas rotuladas de luxo. 

Eu sabia disso. Mas não estava preparada para entender a extensão desse tipo de educação.
Por isso sinto esta profunda tristeza...
Que não sei explicar. Ou sei, vamos a ver, vou tentar.

Uma carteira na loja do dito-cujo custa online 100 libras. Esse é o valor mais económico. Fiquei a olhar para a carteira... a ver se tinha algo de especial. Mas não tinha. É comum e banal... Podia-se encontrar o mesmo design nas lojas dos chineses. Simples, com um laço na frente. Está certo, a qualidade pode nao ser a mesma. Mas o que se está a pagar não é a qualidade, é o nome associado a quem "fez" a mala. Um absurdo. 

E como pode alguém "gostar" de tudo o que vem "daquela marca" e não olhar para demais ofertas que possam aparecer, não se interessarem, por não terem um "rótulo" famoso? Como podem as pessoas limitar-se tanto a uma visão superficial, consumista e se tornarem escravas (é o que penso) e marionetas (acredito piamente) da ditadura de gananciosos sem escrúpulos, que vendem tudo a preços exorbitantes em troca de nada? (um nome!). É que ficam mesmo escravas. Tudo o que possuem tem de ser "deste e daquele". A cueca, o sutien, o verniz, a maquilhagem, a escova de cabelo... Escravas, marionetes, telecomandados à distância. Basta "acenar" com a "cenourinha" na ponta de uma vara e lá vão eles... dar muito dinheiro para possuir algo tristemente supervalorizado.


Sinto um pouco de desdém por esse lado superficial do consumismo. Não me interpretem mal: gosto de qualidade, aceito que tenham de existir alguns a ganhar mais que outros por produtos um pouco melhores. Mas quero ver mais originalidade, qualidade, e novidade por parte de quem clama ser melhor ou original. E isso não acontece. Depois de se ter o nome criado, podem "impingir" as coisas mais feias e despropositadas. Às tantas até copiam o design e ideias de outros que vendem roupa na rua ao desbarato. 

Podia-se consumir ambos. Nao é? Em dose equilibradas. Ao menos parece-me que nos tornamos pessoas mais mundanas do que daquelas que vivem numa bolha, se soubermos nos movimentar em todos os "mundos".

Sinto tristeza por as meninas terem sido criadas assim. Entendo que os pais queiram dar "do melhor" aos filhos. Mas acho que faço mais o "time" dos pais que deixam os filhos passar por "dificuldades" e não os mimam oferecendo-lhes tudo o que desejam. Faço sim, muito mais parte do time dos que não dão tudo numa bandeja... Ia querer criar um indivíduo que saiba safar-se sozinho, que valorize as coisas certas (não que elas não valorizem mas dão demasiada importância a marcas) e saibam diferenciar as coisas.

Depois, tem o mais importante: se és tu que ganhas o dinheiro para comprar as tuas próprias coisas e te apetece um Ferrari - tudo bem. Pode parecer uma loucura mas se é o que realmente desejas.... E estás disposto a pagar para isso, tens dinheiro, é teu, e decides usá-lo assim.... Outra coisa é seres totalmente dependente financeiramente e te vestires da cabeça aos pés com coisas caras.

Caras e sem sal... Sem sal, meus caros. Por vezes até feias. 
Quando vejo pessoas vestidas de "marcas" da cabeça aos pés, muitas vezes não vejo nada. Não vejo nada especial, não vejo nada singular, não vejo identidade... não vejo bom gosto. Há que saber fazê-lo. E não é por lhe vestires a pele que viras cordeiro. Ou se calhar devia dizer o contrário: já é cordeiro. E nem sabe!

Tive uma troca de ideias com uma das raparigas e ela contou-me que "não entendo" e que ela gosta de marcas caras, gosta mesmo. Foi então que lhe fiz a pergunta que a deixou sem resposta: E se descobrires que é falsificada como tanta coisa é? Aí já deixas de gostar?

É que não basta ser de "marca". Tem de existir LEGITIMIDADE no nome. Tens de dizer e ter como comprovar que foste "àquela" loja comprar aquela marca. Não é invenção, não é mentira. E para quê? Por status social? Vaidade? Sim... simplesmente por causa disto. 

Se eu comprar uma pela de roupa no chines e conseguir aplicar-lhe um rótulo de marca de luxo e colocar à venda numa loja afamada... segue. Desde que seja legítimo. A qualidade pode não ser superior como seria de esperar, mas estando comprovado a origem, não se perde estatos social.

Fiquei triste por causa disto.
Por causa delas. Tão doces, tão amáveis, tão imaturas ainda em tantos sentidos... e já escravas da moda. Das normas sociais consumistas, criadas com o único propósito de enriquecer outros. 

Espero é que a vida e o circulo por onde se movem lhes consiga também proporcionar um emprego cuja rentabilidade monetária lhes permita dar continuidade a esses luxos. Porque senão ainda viram muchers. De pais, até estes desaparecerem, de parentes "ricos", até não poderem mais... Direitinhas ao "casamento" com alguém originário de uma família com "reputação" e com um rendimento certamente lhes proporcionará o estilo de vida a que foram acostumadas.











sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Batalha Perdida?

Esta saga vai arrastar-se como um bom livro cheio de capítulos...
Estes italianos são como as baratas: resistentes. E como cobras, viscosos, matreiros e manipuladores.

A rapariga que-vai-sair precisa de encontrar urgentemente alguém que queira ficar com o quarto no mês de Dezembro. Encontrou uma pessoa que ficou de cá vir ver a casa. Foi o senhorio que nos avisou, por mensagem, que ia cá passar para mostrar o quarto ao interessado. O que é que o rapaz italiano faz de imediato? Ele, que tirou férias assim que cá enfiou a italiana? Escreve o seguinte: "Estou aí em 20 minutos".


Olhem só a pressa. Dava para sentir até por mensagem. A italiana-mais-velha estava em casa quando o rapaz interessado em "safar" a que-vai-sair chegou. A reprovação foi imediata, consegui detectar. Ela permaneceu propositadamente no alcance auditivo da conversa entre o candidato e o senhorio e assim que a porta bateu nas costas desse rapaz, fez uma careta e ambos chumbaram o candidato.

Pelo que escutei, ele não tinha hipótese antes mesmo de entrar na casa. Foi reprovado por ter sido indicado pelo namorado da-que-vai-sair.


Entretanto o rapaz italiano já tinha chegado. Entrou direto para a sala, onde estava a italiana-mais-velha à sua espera. Nem subiu para deixar as suas coisas no quarto, como é de seu costume. Não respondeu ao meu "olá". Fixado no olhar da amiga, abre a boca e começa logo a falar italiano com ela Vi aflição nos seus olhos. A italiana-que-não-limpa com quem o rapaz teve um atrito, vai embora. Eu sabia que ia... mais cedo que mais tarde. Porque ela tem uma cabeça que funciona muito no preto e no branco. E se não está bem, muda-se. Simples. O que me irrita é que, estes italianos queriam-na fora da casa para poderem dar as suas festas à vontade. E ela faz-lhes a vontade. 

Assim que a porta bateu nas costas do candidato, o rapaz italiano pergunta ao senhorio se o vai aceitar. E de seguida diz isto: "TENHO UM AMIGO PARA O QUARTO".


Eu: É ITALIANO? - pergunto da cozinha, onde me sentei a comer uma sopa.

Ele: SIM. - responde ele, espantado com a minha intervenção.

Eu: Nãooo! Quero alguém que fale outra língua." - respondo eu sempre em tom de desabafo mas também sem gravidade. 

Ele: "E também é «barbeiro» ( a profissão é a mesma). 

Tirando a italiana-mais-velha, os restantes não só serão italianos, como partilham a mesma profissão. Estão a entender os temas de conversa que vão surgir nesta casa?? Mas estão a entender o quanto vou ser excluída??

Para entenderem bem a situação, logo de seguida eles "rectificaram" as minhas aclamações de língua italiana, dizendo que na minha presença falam inglês. O senhorio despede-se dizendo que volta amanhã para cá deixar um microondas. Assim que a porta bate a italiana-mais-velha solta na direcção do rapaz italiano: "torna domani per portare un forno a microonde" - em tom de saturação e receio que "apareça" na hora errada.

A minha reação: "Ma que lingua eston parlando?" - a tentar dar um sotaque italiano à coisa, acompanhado do universal gesto de juntar a ponta dos dedos e agitar umas poucas vezes o braço no ar.

Falei numa mistura de portugues, espanhol, italiano - não importa. O que importou foi passar a mensagem. Fui espontânea e tive bom timming. Ri, enquanto me levantava para devolver a taça à cozinha. A italiana-mais-velha respondeu que só estava a referir-se ao microondas... Como se a minha reacção não fizesse sentido, no seu ponto de vista.

Passa-lhes ao lado que o que fazem é rude porque não querem saber. Se a situação fosse invertida iam sentir-se miseráveis. Duvido que tivessem a minha força e resiliência. É exatamente por estarem a falar trivialidades que deviam ter continuado a conversa em inglês. Eu estava na sala. E até segundos antes, completamente integrada na conversa. Foi só o senhorio sair e eles puseram-me de parte. Exclusão instantânea.


Para continuar a sentir-me integrada, tem de existir interacção. E começarem a desbobinar tudo em italiano é de imediato excluir uma pessoa que, segundo antes, estava a participar numa conversa com todos.

Comigo afastada pela súbita mudança de idioma, começaram de imediato a falar de ir comprar queijos e a perguntar que tipo de chouriços um e outro gostava para "amanhã". Isso significa FESTA, sem me dizerem nada. Já com tudo planeado, decerto com uma lista de convidados. 

Agora digam-me lá: já posso dar a batalha como perdida?

Quanto tempo vão demorar para me querer fora daqui?

Devo dizer que foram implacáveis! De mestre... É que não deixaram escapar um segundo. Rondaram o senhorio em toda a ocasião e fizeram questão de estar perto para escolher a pessoa. Para rejeitar outros candidatos. O senhorio mostrou estar contente com a presença de italianos. Disse "nunca ter tido problemas com italianos". Pois claro, não vive com eles. Quando cá vem estes falam com ele em inglês. Fingem gostar de o ter por perto. Mas querem mesmo é tê-lo pelas costas. Aliás, ele deixou bem claro que não se rala se a casa ficar toda "italiana". Momentos antes quando se levantou a possibilidade de outro quarto ficar vago, fiz uma mímica suplicante ao senhorio: "no italians, please"  (que não seja italiano, por favor) - supliquei, juntando as mãos e pedindo caridosamente, acrescentando que podiam até ser amigos mas que falassem outra língua. Para ao menos ter alguém com quem eles próprios teriam de comunicar em inglês. A reação do senhorio foi discreta, mas eu entendi muito bem: "Não sei, vamos a ver. Se for italiano, é italiano." - o que traduzido à letra significa: "se for italiano estou muito bem com isso, não estou preocupado com o que possas sentir a respeito e se não ficares bem com isso... problema teu".

Para o senhorio, vale mais ter na casa o rapaz cheio de "amigos" que lhe vão ocupar os quartos, do que certificar-se que o ambiente não é de exclusão. Ele ficou a par da situação. Os italianos só falam italiano. Não te permitem entrar numa conversa nem encaixam numa conversa em inglês que lhes tentes extrair. Ignoram-te e falam somente entre eles, em italiano. O senhorio não quer saber. Gosta dos italianos que cá estão. Sente que lhe são úteis, por lhes indicarem outros inquilinos. Se são todos inquilinos italianos e isso impor uma descriminação étnica, não está verdadeiramente preocupado. Ele só não simpatizava com a que-não-limpa. Porque uma vez esta pediu-lhe para não estar na casa a fazer obras, pois precisava dormir. Ela é assim... frontal. Mas centrada nas suas necessidades. Sem receio de ficar mal vista por quem lhe permite ter um tecto onde morar. Acho que estava no seu direito e o errado era ele, que apareceu sem avisar e sem perguntar se podia fazer barulho.

Posso dizer que entendo os dois lados (como quase sempre). É verdade que numa cidade onde a maioria da oferta de emprego é por turnos, não faz sentido uma pessoa que vai incomodar outras, justificar-se nas "horas normais de trabalho". Porque estas não existem. Foi como as vezes em que a italienada planeou festas aos sábados. Eu trabalhava no Domingo... bem cedo, acordar Às 4 da manhã... para estar antes das seis no emprego. Quando a situação é inversa bem que apreciam o silêncio e tranquilidade. E nem lhes passa pela cabeça se têm ligitimidade em se sentirem incomodados nas horas "normais de não-trabalho".


E sabem mais outra?
Tenho uma forte sensação que todo este reboliço tem origem na maldade da histérica da casa ao lado. É que combina em tudo com o seu modus-operandi. Foi ela que disse à amiga da-que-vai-sair para lhe propor mudar-se para o quarto que ela vai vagar. Se lhe sugeriu também que recorresse ao rapaz italiano para lhe "ajudar"... fez já de caso pensado. Os dois são cúmplices e mais depressa ela se junta a um rapaz que sempre tentou seduzir do que pensa no bem estar da amiga de uma rapariga que se mudou para a casa onde antes era rainha e mandava nos seus súbitos a seu belo prazer. Foi a chegada da amiga da que-vai-sair à casa ao lado que "estragou" os desmandos da histérica. Por mais "amiga" que se queira fazer, ela é má no sangue. Sente excitação ao arquitectar planos para prejudicar os outros, os deixar mal vistos. Não me espantaria nada se soubesse que está a rir às gargalhadas com toda a situação conflictuosa que a sua interferência já causou. É que ela adora. Adora causar reboliço e, como Nero, acender o fósforo e ficar no camarim a ver a cidade a pegar fogo. 

Ahaha.
Acabei de perceber que Nero foi italiano...

Experiencia... vou conseguir comentar isto?



Cada vez gosto mais da rapariga que se vai embora. É frontal sem ser agressiva e reage normalmente às coisas. Acabou por ser "tramada" pelas pessoas a quem recorreu e confiou. Porque ao invés de se esforçarem para encontrar um ocupante para o quarto que pudesse ocupá-lo já, foram cá meter uma que vai aparecer quase a meio de Janeiro!

Forçando assim a que a rapariga tenha de pagar a renda do mês que estava a tentar poupar. 


Não achei bonito. Principalmente por toda a "pressa" em meter cá aquela nova italiana. Nunca vi tal coisa acontecer. Já assinou contrato e tudo. 42 dias antes! Após deixar de pensar no assunto, concluí que o rapaz aproveitou a oportunidade e deve ter pensado com aquele "cérebro" que só os homens usam... 

Porque ele não trouxe pessoas para ver a casa. Ele trouxe aquela rapariga. E para ser honesta, não me pareceu que ela estivesse com vontade de se mudar. A sensação que deu foi que estava a ver por ver, como gesto de cortesia após a insistência de que foi vítima. Aceitou vir espreitar mas não precisava mudar-se. Tanto assim é que só deu um mês de aviso onde quer que seja que está, depois dele a convencer. Ela nem espreitou a casa. Foi ele que a persuadiu ao sublinhar as dimensões dos espaços (a gaja é daquelas que tem uma tonelada de cangalhada), tentou aliciá-la com o facto do WC ser na praticamente todo para ela. E falou do armário. Ora, qual é a mulher que adora estar rodeada de porcarias de beleza e moda, que não se sentiria atraída por um quarto maior, melhor, com WC exclusivo?

É possível que ele já tenha dormido com ela e gostado da experiência. Já existiram umas tantas que foram cá metidas sorrateiramente e na manha seguinte deparei-me com duas desconhecidas a usarem a casa, a descerem dos quartos para a sala, a pegarem os seus pertences ali deixados... Enfim, de facto não é muito bonito não avisar que se vai trazer pessoas para passar a noite.

Por cortesia. O que fazem nada me diz respeito mas fazerem-me passar pela experiência de nao saber que vou acordar com estranhos dentro de casa não é simpático. Esta é uma casa de "ocupação única" - que é o que os senhorios escrevem quando não querem casais. Na prática devia ser assim, mas depois os respectivos - temporários ou permanentes - sempre aparecem. Mas é bom que assim seja,  porque a maioria (os decentes) não abusam e não se transformam numa carga extra que os outros têm de suportar.

A forma para contornar isso que o casal anterior arranjou, foi arrendar um outro quarto. Será que a intenção deste passa por algo parecido? Passo a explicar: pelos vistos enquanto estive de férias em Portugal, existiram conflitos. E todos tiveram origem nele ter dado uma festa em que as pessoas ficaram bêbadas e foram barulhentas. 

A rapariga que vai sair mostra-se compreensiva. Mas a italiana que entrou com ela foi bem clara desde o início: não quer que metam pessoas cá na casa e quando estas ficarem cá a dormir ela quer saber. Não está para acordar e deparar-se com um estranho no meio da sala - entendo-a perfeitamente e nisso fico do lado dela. 

Então uma rapariga dormiu no quarto com ele...

Ora, a italiana que chegou com esta que se vai embora, foi clara desde o início: se alguém passar cá a noite, ela quer ser informada, não está para se deparar com um estranho dentro de casa. E eu concordo. Mais que não seja por respeito. Ninguém quer privar os outros de ter a sua vida privada. Mas a vida privada dos outros também não deve ser a que sofre golpes. Tem de ser meio-meio.

Outra coisa que essa italiana disse foi que nos dias em que trabalha, não quer barulho. Não quer festas, precisa de acordar cedo. E o que ele fez (assim que eu virei as costas, vou frisar) foi exatamente isso. Esta italiana não tem papas na língua. Só peca por pensar muito na forma como os outros a incomodam e não o inverso. Mas admiro-lhe a frontalidade e a forma como expõe a sua perspectiva.

Espero que estas palavras não me venham morder, ehehe.
Bom, mas sendo assim como é, sendo um obstáculo à vida boémia que o tipo quer discretamente levar, mesmo sendo italiana, eles aguardam que ela vá embora de vez. Tenho a certeza disso. A que vai sair diz que não é culpa do rapaz, se as pessoas ficaram bêbadas e fizeram barulho, ele não podia mandá-las embora...

A primeira coisa que ele fez quando esta nova rapariga veio para ver o quarto foi levá-la para a cozinha, abrir o congelador de onde tirou uma garrafa de álcool e quis que ela bebesse, dizendo que era coisa "muito forte" e muito boa.

Bom... se vais embebedar os teus amigos, então tens responsabilidade sim.
Há que saber dar festas e fazer convívios sem ser preciso fazer algazarra e chegar à bebedeira.

Compreendo o descontentamento da outra.
E não me passou despercebido o sorriso e interesse no olhar que o rapaz exibiu quando me ouvi, com esta outra italiana, a trocar umas palavras mais rápidas. É que eu aproveitei que não havia ninguém na sala às 8h da manhã para passar um programa de TV para o computador (programas antigos não têm o privilégio de poder andar atrás no tempo, replay, etc. Podem apenas ser gravados). Passados uns 25 minutos oiço ela descer à sala mas nunca pensei que ia querer ver TV tão cedo, sendo a primeira coisa que lhe apetece fazer. A forma como me abordou foi dizer-me para não deixar as coisas ali porque ela quis ver TV e não tinha como. E eu agitei-me, porque nunca ocupo a TV quando outras pessoas estão na sala e se aparecem, sempre pergunto insistentemente se querem que desligue para serem elas a ver TV.  A forma como ela fala é agressiva e até radical. Mas não creio que tenha maldade no coração e isso para mim é mais importante que uma personalidade forte.


AGORA, depois deste looongo texto, vou tentar comentar!
Consegui fazer o log-in através de outra conta. Acho que pode resultar, porque outras coisas que não estavam funcionais noutras plataformas pareceram "curar-se". Aconselho vivamente a quem usa os seus computadores, a terem pelo menos outra conta de log in. Assim, se algo acontecer que vos impeça de usar o computador, usar uma conta diferente pode ajudar. Claro que os conteúdos de uma e de outra são exclusivos. Pelo que aquela "foto ou video"... esquece.

Um abração e obrigado pela paciência
(devem estar cansados de relatos sobre estes dramas domésticos)


quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Receios



Ainda o receio. 
Ontem dei com um anúncio de um quarto para alugar na casa que abandonei em Março. Não apenas um quarto, mas o pequeno, do qual gostei tanto. A novidade é que agora é uma casa só para mulheres. Finalmente, as preces de muitos que lá viveram - todos realmente, podem ter sido escutadas: e o gajo foi embora.


Ou então não...
Mudou-se para a casa da senhoria. Afinal, era isso que ela me pediu para fazer: como ia emigrar no Verão (e levá-lo junto), precisava de alguém de confiança e propos-me ir morar para a casa dela, enquanto a ajudava a alugar os quartos da outra. Ora, o rapaz, um egoísta invejoso que já tinha ferrado os interesses dele na senhoria, só de imaginar-me numa posição de alguma influência e proximidade com a senhoria - coisa que queria exclusiva sua - tratou de ser mais "agradável" comigo assim que lhe dei dinheiro suficiente para armazenar para as contas da água e gás. 

Bom, mas tudo isto para vos contar que receio que seja um sinal. Uma forma das energias cósmicas estarem a dizerem-me que não é coincidência esta casa estar a virar italiana e na mesma altura o quarto na outra vagar.

Não que ache que deva regressar. Não. Cheguei à conclusão que "não se deve regressar ao local onde já se foi feliz". Entendo essa expressão. A felicidade não se repete. E o passado é o passado. Cada vez mais percebo isso. Também tem ajudado perceber que as preocupações com o futuro também possam não ajudar. Mas aí já é um pouco mais difícil. Pois se no presente pode-se ditar o futuro, não convém pensar no que se deseja «amanhã» para lá chegar «hoje»?

A somar a estas coincidências, a rapariga que vem tomar o quarto vem assinar contrato hoje. Para um quarto que vai tomar apenas a 4 de Janeiro!!! Falta mais de um mês. Nunca vi tal coisa. Eu assinei o meu uns dias depois de cá vir morar, a rapariga que cá estava semanas antes de mim (italiana) assinou-o muito depois de eu cá estar e a «que vai embora» também assinou contrato muito depois de cá estar a morar. Nenhuma teve este tratamento.


A «rapariga que vai embora» não tem dormido em casa. Nem estado em casa. Depois daquela vinda do senhorio, «eclipsou-se». Será que sabe algo que ainda não sei?


É que é estranho, só isso. O senhorio não faz o género de quem aceita perder um cêntimo. E vai assinar um contrato de arrendamento com mais de um mês de antecedência? Quem lhe vai pagar o mês de Dezembro?

«A que vai embora», legalmente, terá de pagar. Mas toda esta comoção deu-se exatamente por ela não desejar isso. Já que só estará na casa uns 6 dias nesse mês, quer economizar o dinheiro. Da forma como o senhorio está a fazer, ela não tem quaisquer garantias. Está mais prejudicada agora que antes. Sinto que há marosca... NINGUÉM vai bater à porta e aceitar vir ocupar esta casa apenas pelo mês de Dezembro - pagar renda total + depósito, ir passar o Natal junto da família... e por apenas uns dias pagar a renda para que a «que vá embora» não tenha de o fazer.



Fazia muito mais sentido procurar já alguém definitivo- Alguém que viesse em Dezembro para ocupar o resto do tempo. Isso faz sentido. Estas cinco semanas de "reserva antecipada" do quarto faz-me temer o poder e a pressão que a italienada pretende impor nesta casa. 

Vai ser horrível ouvir italiano o dia todo... Nem uma palavra em inglês e um grande alarve... Mais o "esta casa é nossa" e a ausência e comunicação e vontade de comunicar. Se já eram quase nulas, agora que conseguiram a quase 100% os seus intentos de cá enfiarem uma italiana e ver se me empurram daqui, o que será que vem aí? 


Sinto-me como, com perdão pela comparação mas no significado da coisa, como a judia que está no meio de simpatizantes nazis... Quando a situação os favorecer de vez, é «extermínio».

Ou posso estar errada e... ainda conseguir uma convivência de isolamento e separação, porque isso nunca mostraram interesse em alterar, mas tolerável.

Não entendo mesmo é como a tipa vai assinar contrato para só cá vir por os pés em Janeiro! Será que lhe vai dar uma chave? Se bem que, para cá entrar, ela nem precisa... tem cidadania italiana, é o que basta. Todos lhe abrem a porta e até a deixam destrancada para que entre há vontade.

Mas a outra "desapareceu" e esta "vem marcar lugar". O senhorio com tanta pressa para dar o quarto a alguém que facilmente não teria sido a sua escolha por uma questão lógica de só querer pagar o quarto no mês seguinte. Nenhum senhorio dá preferencia a isso. Mas como é uma "amiga"... será que ele não vê que os "amigos" de uns não vão querer se dar com os restantes? 

Prefiro desconhecidos. O mesmo pé de igualdade. Nada de favoritismos, nada de «grupos» e esquemas para prejudicar outras pessoas.

Desculpem regressar a este tópico.




quarta-feira, 28 de novembro de 2018

barreira comunicativa


Caríssimos...
Só para avisar. Andei aqui a apagar cookies e não sei se é coincidência ou não, não consigo comentar os meus posts nem os vossos. Nem sei se voces conseguem comentar estes. Dá para escrever, e permite o publicar, mas não aparece nada. Já vos aconteceu?

Se tem tentado deixar aqui um comentário e não conseguiram, respondam pelo endereço de email. Obrigada.

PS1: Não. Não consigo responder-vos. Não deixa... Nem o icone de identificação e o nome aparecem, embora consiga escrever. Quando carrego em publicação ou visualização retoma a uma caixa em branco e nada é publicado. Mas ainda bem que vocês não têm esse problema.

Diferentes reflexos


Deve de existir alguma coisa errada com os meus olhos.
Quando vejo o meu rosto reflectido num espelho normal, penso: "OKaaay..."



Mas quando me devolve o mesmo rosto numa ligação de Whatsapp ou Messenger... Jesus!




O que é aquilo??!?!

O valor do comércio justo


Estava a olhar para a secção de filmes em DVD.
Uma tecnologia já a cair em desuso, mas que ainda vai encontrando quem dê dinheiro por ela. O que me apanhou a atenção foi os diferentes preços dos filmes. O valor mais baixo correspondia a 3 libras e depois mesmo ao lado desse dvd surgia outro com o custo de 5. Haviam outros a 10, 12, 15, 25, 35...

Ora, os preços são baseados no "sucesso" que o filme obteve, não no valor dos custos de produção de se mandar fazer um DVD. Porquê temos de pagar mais por um filme da saga "Alien" e menos por um da saga "Sozinho em Casa?".


O processo de fazer o DVD é exatamente o mesmo. Uma caixa plástica, um disco plástico, uma gravação. 

Quando vamos ao cinema o preço dos bilhetes é standard. Não cobram mais se o realizador é mais afamado versus um desconhecido, não se paga mais se o filme faz parte de uma série apreciada ou se é uma história nova. O valor do ingresso É o mesmo.


Compreendo que nas receitas, os filmes precisem ser diferentes, pois certamente os custos de produção de um filme cheio de efeitos especiais é diferente de uma comédia romântica que se passa num apartamento.

É na indústria dos DVDs que as produtoras procuram a maior margem de lucro. Por isso aquele pedaço de plástico igual ao de outro em tudo idêntico, custa MAIS. O filme "Alien" teve mais espectadores ou é, com o passar do tempo, mais apreciado que "Sozinho em casa". 

E por isso, senhores, Dead Pool 2 - o filme que esteve durante o verão nas salas de cinema, estava ali na prateleira. Aliás, o último e o primeiro, seguido de um pack incluindo os DOIS filmes. 

Mas o que eu vi e gostei foi disto: 


Uma secção de discos em Vinil, com grandes exitos. Adoro vinil e na casa de meus pais ainda se encontra um gira-discos que tem anos, mas foi só utilizado por mim. O prazer e o SOM fantástico (antes do meu pai destruir os cabos e danificar a antiga peça) é único. Realmente único. E muito mais potente e agradável de ouvir.

https://www.youtube.com/watch?v=Sv0iZ8FDNzM

Não se deixem é enganar pelas etiquetas de preço. Estão espalhadas ao acaso. Bem debaixo do album que me chamou a atenção, vem um valor de 10 libras. Na realidade custa 25. Compravam?

Achei que são poucos temas neste hit.
Falta o Princes of the UniverseI want to break free
Who wants to live ForeverI want it all
a colaboração Under Pressure,
Love of my life, A Kind of Magic,
Friend will be Friends,
Too much love will kill you e cansei.
A lista das omissões famosas é extensa, eheh.

PS: Também fui dar uma vista de olhos nos valores de passagens de avião. Interrogo-me sobre o mesmo. Se os custos de viajar agora ou viajar no Natal são os mesmos, para quê os valores têm de ser tão exorbitantes? É a margem de lucro. É a oferta-procura... Natal, muitos desejam viajar para junto das famílias. Toca a cobrar-lhes caro por isso. Está certo, se fosse muito barato os voos estavam lotados mas, durante o resto do ano, isso não é problema. Chega o verão, as férias, toca a cobrar mais. O natal, cobram mais. Devia ser como algumas lojas fazem agora: campanhas promocionais com valor mais baixo, porque assim mais pessoas compram o produto e aumentam as vendas. Como sabem que voar não é bem o mesmo que precisar de um serviço diferente que pode ser providenciado por outros, aliás pode, mas o lobbie da aviação não permite grandes oscilações de valores por parte da concorrência. E é assim que funciona o nosso mundo. Vendem-nos coisas por valores que correspondem não ao custo de produção com um x de margem de lucro. Colocam o valor das coisas em cima do supérfluo: o prazer, a satisfação, o poder ser diferente, o estar ao acesso de apenas algumas pessoas... 

Boas festas!
(antecipei-me, pronto)

terça-feira, 27 de novembro de 2018

E quando menos esperas...


Validam o que tu sentes.
E então descobres que não estás a ver as coisas pelo prisma errado.


Havia dito ao senhorio que lhe queria falar. Havia uma alta probabilidade de me encontrar sozinha em casa hoje e ele ficou de cá passar.

Acontece que não estava sozinha. A rapariga que vai sair estava na casa. Comecei a conversa não pelo tema que mais me preocupa: os italianos. Mas por aquilo que me afecta: a possibilidade de poder sair desta casa um dia - caso a freguesia dite que o quarto onde estou a dormir não corresponde às dimensões mínimas aceites. 

Comecei a conversa por aí e percebi que ele ficou aliviado. Intuiu que tinha algo sério para lhe dizer. E tinha mesmo. Mas ia deixar o assunto surgir naturalmente. Algures na conversa, com certeza, a oportunidade ia apresentar-se. E esperava que a rapariga que vai sair se afastasse um pouco, para abordar o tema que para mim é delicado e difícil.

Imaginei-o na minha cabeça vezes sem conta. Mas tenho e sempre terei dificuldades em expor o lado menos bom das pessoas. Sou muito reservada nesse aspecto e prefiro manter o que sei para mim. 

Não precisei entrar no assunto. A rapariga que vai sair trouxe-o à baila espontaneamente, quando o senhorio mencionou a nacionalidade da "nova" inquilina. Ela disse que eu estava triste por ela sair. E eu confirmei. E sem eu abordar o tema, ela conta que a casa tem demasiado italianos, que é verdade que eles só falam italiano, convivem entre si e não te integram nas conversas. Se lhes dirigirem a palavra e perguntarem por algo - contou ela, eles respondem. Mas não tomam a inciativa e não te permitem que te dês com eles.  

Fiquei agradecida.
Ela explicou-o tão bem e o senhorio percebeu.

Isto não vai mudar em nada a minha condição nem o facto de mais uma italiana vir morar para esta casa. Vou há mesma ter de conviver dentro destes parâmetros. Mas fico contente por ao menos a noção do que se passa cá dentro der passado para o conhecimento do senhorio.

Bons ventos não se avizinham mas, como em tudo, eu me manterei estóica a aguentar cada golpe. Sou aquele touro na arena... A surpresa é que nunca falei deste assunto com ela. Por isso não sabia que pensava e sentia o mesmo. Qualquer possibilidade de ser "problema meu" e não dos outros voou pela janela. 

Ela foi tratada pelos italianos com mais simpatia que aquela que eu recebi. Mas por vezes também achei que acabavam por a excluir ao limitar as conversas para a língua italiana. Ora, se estás a conviver ou a tentar conviver com estas pessoas e elas não falam a língua que todos têm em comum, preferindo falar na delas, automaticamente a outra pessoa sai do círculo.

Que ela partilhasse da mesma sensação que eu, desconhecia!

Acabei por não dizer nada, ela disse o essencial por mim.
Há coisas piores a precisar serem ditas mas creio que o tempo possa funcionar a meu favor. Geralmente é o que acontece. Se terem tornado esta casa num "italian only" resort for aumentar os seus comportamentos de exclusão, terei de o suportar. Mas, como disse, não pretendo sair daqui. E um dia, quando um outro quarto vagar, espero que seja o senhorio a escolher quem vai cá meter dentro. Ele agora percebeu que não lhe estavam a facilitar a vida. Mas a querer tornar a deles mais fácil.


Domestiquices 2


Então...


Ia a subir as escadas para o piso superior e enquanto olhava para baixo para ver onde punha os pés, oiço a rapariga mais velha sair do WC, onde tinha-se enfiado uns 10 minutos antes com o telemóvel e a falar com alguém em italiano.


Nisto quando estou a chegar ao último degrau, vejo a sua silhueta parar na esquina para me deixar passar. Olho-a no rosto e esboço-lhe um sorriso de simpatia, agradecimento e timidez. Ela não estabelece contacto visual, tem os olhos baixos. Nisto percebi que faz isso quase sempre. Nos momentos em que procuro estabelecer uma conversa, quando estou a passar por ela... Não faz por criar um contacto visual. Se começo a puxar conversa, não demora e começa a ser vaga, respondendo monosilabicamente, num tom de voz fatigado (respira fundo), que emite a "sub-mensagem" não-verbal "não quero falar contigo". 

Não a vejo agir assim com outras pessoas. A maior parte do tempo parece ansiar por atenção alheia. Por isso sei que comigo ela não é igual. 

Fez click quando lembrei o que havia feito momentos antes: tinha tido uma conversa com a rapariga que se vai embora, bem ao alcance dos ouvidos da italiana velha, e disse-lhe que estava cansada, tinha altos e baixos e tinha-me dado súbito sono. Também quis saber se ela se sentia incomodada com as vozes das pessoas que passam na rua e que por vezes se escutam bem dentro de casa. 


Acho que encontrei aí a explicação pelo facto inédito e que me surprendeu de perceber a mais velha a subir ao quarto para pegar o telemóvel e começar a falar, pelo corredor, até ao WC, onde se demorou a conversar. Como é sabido por todos, os WC fazem eco. Acontece que este além de eco também é  parede/meias com o meu quarto. Escuso de dizer que os sons são bem percepíveis Não entender uma palavra do italiano não invalida estar a o escutar. Se ela me julgou a dormir e fez de propósito?

Pode ser que sim, pode ser que não. 
Foi é a primeira vez que o fez, isso posso garantir. 
Coincidências existem, certo? ??



Esta italiana mais velha chegou hoje. Viajou sem avisar e apareceu dois dias mais cedo do que nos foi comunicado pelo rapaz italiano. Mesmo a tempo de fazer pressão para o senhorio cá enfiar uma italiana. Na véspera de ele vir mostrar o quarto a outra pessoa. 

Aposto que existiram muitas trocas de mensagens no chat, a comunicar passo-a-passo o que se estava a passar. O senhorio não podia mostrar o quarto a mais ninguém. A italienada não podia correr esse risco. Eu tinha minutos antes acabado de contar à que vai embora que havia contactado uma amiga dizendo-lhe para que entrasse em contacto comigo caso encontrasse alguém que quer um quarto urgente. 

E a italiana-pretendente ao quarto tratou de fechar o "negócio" de imediato. A pessoa que vinha ver este quarto amanhã "desapareceu". Era o que eu temia. Foram os italianos. Que estão numa cruzada de fazer desta casa "Italians only". O que é descriminação. 

Não é a pessoa que escolhem, é a nacionalidade. A que se vai embora disse-me que eles já sabiam da sua decisão e ficaram de a ajudar a encontrar alguém para lhe ficar com o quarto. Eu fui mantida no desconhecimento. Tal como da outra vez. Muito providencial. Não fosse poder intervir e estragar-lhes os planos. Ela também me contou que o rapaz tinha dito que preferia meter na casa "um amigo" porque "é mau meter estranhos". Tendo sido eu a unica "estranha", a referência ao que realmente sentem ficou implícita. 

Para mim o que não é bom é encher uma casa com pessoas que se conhecem, suplantando em número as que não têm laços com as mesmas. É que quem não é muito selectivo é mais receptivo a conhecer outros e a aceitar diferenças. Aqueles que "já se conhecem" formam logo um grupo que pode implicar a súbtil acção de espurgar quem não "encaixa". E caso algo corra menos bem, estao em maioria. Têm a "cobertura" dos amigos. 

Já vi noutras ocasiões esse processo de "selecção" e acho que não resulta. O melhor é manter a mente aberta, aceitar quem nos parece de bem. E que "encaixa" no espírito da casa. (Festiva ou sossegada, por exemplo). Agora se é velho, novo, da mesma nacionalidade ou outra coisa - isso não deve ser o factor decisivo. Eu adoro conhecer gente, saber de onde vêm, como é a vida noutros lugares. Por isso jamais ia querer dividir uma casa só com Portugueses. Não mesmo.

Se estes italianos querem viver sob o mesmo tecto so com italianos, então que aluguem uma casa só para eles. É até mais económico. Esta é uma casa onde se alugam quartos individuais. A renda total é por isso mais rentável ao senhorio. Ele não aluga a casa inteira. Se eles pretendem isso, então que o façam noutro lugar. Poupariam entre 600 a 900 libras ao mês. 



A italiana-pretendente não está para ocupar o quarto de imediato e pagar renda também na casa onde vive. Só quer ocupá-lo em Janeiro. É a sua "condição". 

Por isso para o senhorio ela não é de todo a candidata ideal. Mas escolheu-a por pressão dos italianos. Pensa que um "amigo" facilita. Mas não facilita coisa alguma. Mais uma vez, a saída da rapariga já era do conhecimento dos italianos, mas eu fui mantida no "escuro". Não sabia que a rapariga ia embora, foi ela que me contou tudo. Por essa altura já os italianos estavam a procurar uma "amiga" para cá enfiar porque "meter desconhecidos é mau". Tendo eles passado por isso somente uma vez, comigo, entendi nas entrelinhas a referência a mim.  

O que o senhorio pretende fazer para não ficar sem a renda do mês de Dezembro? Pretende colocar cá outra pessoa só por esse tempo. Para que a "italiana" possa mudar-se a seu belo entender. Não é a situação ideal, outro candidato poderia mudar-se ja e não teriamos de partilhar o nosso espaço e as nossas coisas durante a época natalícia com alguém que não vai permanecer e por isso, se lhe apetecer fazer alguma loucura, não tem nada a perder. Esta eventualidade não incomoda os outros porque o que querem é viver só com italianos. Que nunca mais vão querer ir embora e que vão achar que a casa lhes pertence mais que a qualquer outro.  

O senhorio foi imediatamente solicitado para cá aparecer e em mensagem, quando tentei perceber se amanhã ia mostrar o quarto a outra pessoa como combinado, fiquei a saber que a italianinha "amiguinha" já interviu para que fosse ela a ocupar o quarto nesta casa que, nas suas próprias palavras: "é perfeita, porque só cá vivem italianos" (e eu ali ao lado, devia nesse dia estar mascarada de peça decorativa).


Estou preocupada, não vou negá-lo. Mas também não vou ficar aflita. Já passei por momentos de solidão dentro desta casa, sentindo não ter ninguém com quem falar e com a impressão de que não me desejam a coabitar o espaço com eles. Tenho experiência de vida suficiente para saber que estas impressões não são devaneios. Têm fundamento. E convém prestar atenção. Mas também convém não sofrer em demasia. O tempo encarrega-se de tanta coisa...

Por exemplo: a histérica da casa ao lado é quem vai embora. 
Por isso é que um quarto vai vagar na casa ao lado e vou perder a rapariga que mora aqui. Subitamente, com a partida anterior do rapaz que fazia time com ela, aquele trio tão unido  que ditava as regras naquela casa, desmonorou. A miúda parva e infantil com genes de maldade, vai morar para outro lado. Por isso acredito no karma... no destino. Só gostaria que a sua última acção não fosse prejudicar-me como está a prejudicar. Não me admiraria que tivesse sido ela a aliciar a outra a ir morar ali... 

Nada me tira da mente que há grandes possibilidades da má recepção da italienada ter origem nas intrigas da pita histérica. Ela faz o tipo de pessoa que vai a correr, a voar, contar a todos que conhece e mal conhece, queixinhas sobre "este" e "aquele". Já eu, fico na minha. Não abro a boca para maldizer, ainda que tenha vontade de desabafar pelo que me fizeram passar. 

Seja qual fosse o veneno que aquela miúda tinha dentro de si, decerto que fez questão de o vir  espalhar por aqui. A histérica tentou introduzir-se nesta casa algumas vezes. Numa das quais, sem entrar pela porta. Saltou a vedação verde (espero que tenha ficado toda arranhada) e apareceu no nosso quintal. Depois correu pela sala, em direcção à porta de saída quando percebeu que estavamos todos na casa, não era só o rapaz. Ela tentou introduzir-se e virar os outros contra mim. E pode ter sido bem sucedida. Daí a explicação para esta falta de vontade de me proporcionarem um convívio normal. 

Hoje, quando numa conversa com o senhorio mencionei a outra casa, dizendo que lá tinha morado, a "mais velha" fez questão de dizer (até deu um saltinho no sofá) que os conheceu e que eram muito simpáticos. Principalmente a histérica... Naturalmente não sou idiota ao ponto de pensar que desconhecem que existiu um atrito entre eu e ela. Não a chamaria de histérica se não fizesse o tipo de quem está sempre a gritar e a correr para fazer intrigas. Soube por outra pessoa que ela contou que o ex-namorado a abandonou e lhe batia. Começou a contar tanto mal do rapaz que todos já o estavam a odiar, sem o conhecer. Era mentira, mas a reputação do rapaz ia pelo cano abaixo, até mesmo a sua profissão ficou em risco. Mas uma vez caídos na lábia da histérica... ficam encantados, como sob o efeito de hipnose. 

Estou cada vez mais convencida que estou correcta(íssima) na minha percepção. Mas a maturidade faz com que isso não me tire do sério. Querem riscar desenhos meus? Risquem... Querem ignorar os meus cumprimentos com sorrisos, rejeitar cada tentativa de convívio, declinar cada oferta de partilha de refeições e exibir sinais de intolerância? Façam-no. Quem perde não sou eu. Se com estes comportamentos alimentam alguma esperança de me ver abandonar a casa, "desgastada" pela pressão e pelo alarve de vozes italianas, enganam-se. Os meus genes estão a dizer-me que isso não vai  acontecer. Claro que, agora, com todo o espaço que sobra ocupado por italianos, mais italianos virão. Festas como as do passado - nunca me comunicadas, sem existir uma preocupação em me apresentar fosse quem fosse ou informar o que fosse, vão repetir-se com mais assiduidade. Porque esta é uma casa de italianos. Eles ditam as regras. Vou subitamente deparar-me com uma multidão de pessoas na cozinha, a segurarem copos com gelo, a abrirem os frigoríficos e servirem-se, a ficarem no caminho entre eu e onde quero ir. Vou ver outro gajo a beber um galão de cerveja esparrachado no sofá-poltrona, com o comando na mão, a ver futebol. E todos a conviver entre si como se eu não existisse. Assim que chegar o tempo com sol... Lá para Abril, é quando vão começar todos estes sinais.

Mas com um pouco de intervenção Divina, seja lá qual for a sua escolha, algo sempre muda.

Se a italiana vier para cá morar como penso que é dado consumado (ainda espero um golpe de sorte que tire aos italianos o sorriso parvo do rosto), espero que seja simpática e diferente dos outros. Que queira dar-se a conhecer e goste de trocar umas palavras em inglês comigo. Mas a esperança é diminuta. A tomar pela pouca atenção que me deu quando cá veio, e pela hora que ficou a falar alto em italiano impedindo-me de escutar o som do filme sem legendas, parece-me apenas mais uma que vai "convidar uns amigos/colegas" para vir à casa dos "italianos".  

E se eu calhar cá estar, que me remeta para o meu quartinho.