Segunda-feira, 21 de Maio de 2012

Os pais discriminam os filhos. SIM ou NÃO?

É a verdade. Pronto, está dito.

Preferências entre filhos


Por observações que tenho feito, cheguei à conclusão que este "mito" é VERDADEIRO.

Os pais, de facto, são capazes de tratar um filho aparentemente beneficiando-o mais em relação a outro.

Mesmo entre as famílias que dizem "gostar por igual", o trato pode ser diferente.


A discriminação não quer dizer que gostem MAIS ou MENOS de um filho.

Mas SIGNIFICA muitas outras coisas e pode resultar também em diferentes resultados:


discriminação

1) Um pai/mãe que dê preferência de afectos a um filho e não a outro, vai fazer com que o último se sinta menos à vontade de os expressar. Será um indivíduo mais acanhado e reservado.

2) Um pai que prefira gritar mais com um filho do que com o outro, vai fazer com que o clima de tensão entre os dois esteja sempre presente.

3) Um pai que critica de forma desmotivadora as ambições de um filho, vai fazer com que este ponha em causa as suas capacidades.

4) Um pai que não ajude um dos filhos a conquistar as suas metas, compromete o seu futuro e felicidade.


Quero agora saber se concordam com esta (polémica) análise.

Não sendo ainda "pai" (sem ser postiço) mas tendo crianças na família, sei que gosto de AMBAS, cada uma na sua forma e conforme a vivência acumulada com cada uma. Não MAIS, não MENOS.


Como adultos, os pais

carregam uma bagagem emocional

Criança feliz

Mas cheguei a esta conclusão mais por observação alheia e também um pouco por experiência como filha. Por vezes o que falha na relação entre pais e filhos é apenas a COMUNICAÇÃO, que é defeituosa. Outras vezes é a noção que os pais têm de que a vontade deles tem de ser soberana e a razão nunca pode estar do lado da criança. Não é assim e se forem teimosos podem danificar para sempre a comunicação eficiente entre os dois. Um pai é uma AJUDA PRECIOSA para um filho, o amor de filho para com os pais é incondicional. Isso comprova-se pelo simples facto de se saber que crianças adoptadas que nunca conheceram os pais biológicos (e outras que não têm razões para desconfiar que o são e sentem-se estranhas e incompletas), ao longo da vida jamais deixam de pensar no assunto como algo que precisam de satisfazer. De resto tenho observado mães mais severas para determinados filhos, aos quais parecem descrever a terceiros só por base dos seus defeitos, enquanto que descrevem o segundo só com qualidades. O engraçado é que a mesma observação tem quase sempre provado que estas mães não distinguem assim tão bem quem tem mais o quê e, quando mais adultos, são sempre os filhos mais "maltratados" os que estão mais presentes, aqueles que se preocupam com mais autenticidade com os progenitores.


A questão está lançada. O que têm a acrescentar a este texto?

CONCORDAM ou DISCORDAM?

Domingo, 13 de Maio de 2012

Descriminação ao que vem de Lisboa




Como o nome neste blogue diz, sou de Lisboa. Sou uma “Alfacinha de Portugal”. Mas quando tive de complementar os estudos no ensino superior, fui parar a outra localidade. Foi preciso chegar ao último dia de muitos anos de curso para descobrir o seguinte:

Colega:Ah, tu até és uma pessoa simples e simpática. Eu pensei que eras um tanto arrogante.”
Eu:Ah? Porquê?”
Colega:Ah, por nada. Foi uma impressão que tive. Não fiques chateada”.
Eu:Não me chateio. Mas de onde tiraste essa ideia?”
Colega: Porque na primeira vez que nos conhecemos disseste que eras de LISBOA de uma maneira… olha que não fui só eu a pensar assim. Muitos acharam o mesmo.“Mas afinal não és nada disso” -  diz ela, acrescentando ainda que outras pessoas a quem tinha em alta conta afinal desiludiram e provaram não serem boas pessoas.  

Depois de matutar neste diálogo, percebi que ao longo de todos aqueles anos houve pessoas com quem me relacionei que mantinham uma “muralha” erguida, uma postura impenetrável. Aqueles que não se riam, que não mostravam interesse em me conhecer melhor ou que se mostravam extremamente desagradados por me dar com outras de quem já gostavam… Estas pessoas decidiram logo ali: «não gosto desta miúda» e ficou assim. Não por mim, mas por eu ser de Lisboa. A capital, a grande cidade, o lugar das oportunidades… e estava ali. "A fazer o quê?"  -  perguntaram alguns em verdadeiro espanto. Ser de Lisboa passou a ser um fardo, ainda que não o entendesse totalmente, alturas existiram em que senti alguma hostilidade, que não pensei dirigida a mim em particular, mas pelos vistos era. Depois deste diálogo as coisas ficaram mais claras. Como peças de um puzzle que finalmente se encaixam. Todas as vezes que ouvi “Em Lisboa há de tudo, aqui não há nada”, lá vinha um olhar penetrante como uma navalha.  “Tu tens sorte porque és de Lisboa”, "Fui poucas vezes a Lisboa, é um tanto confuso e tem muita gente mas gostava de morar lá".

Eu nunca me vi diferente de nenhum deles. Podia ser dali ou do estrangeiro, para mim era tudo igual. A naturalidade ou as posses materiais não são, para mim, motivo de descriminação. Que maluquice! Esse preconceito vinha deles, de alguns deles, que, no fundo, dão razão àquela expressão: “quem desdenha quer comprar”. Soube depois que muitos desses que tanto mal falaram e tanto cobiçaram, mudaram-se para Lisboa assim que puderam. E sem olhar para trás! Querem lá saber das raízes… Contudo, duvido que não continuem portadores do vírus da «mentalidade tacanha», que tanto lhes pautou o comportamento e a razão. Eu julgava que a ideia que um provinciano faz de alguém da capital era um mito, deitado abaixo, ainda mais entre estudantes universitários à beira da viragem do século. Mas senti na pele que não. Havia mesmo quem acreditasse, sem sequer ouvir uma palavra da minha boca ou me conhecer, que era arrogante e que tinha a mania, porque era natural de Lisboa. Mais tarde vim a descobrir que a reputação dos oriundos daquela região também não é das melhores… Mas na altura isto não era sequer uma coisa que me passasse pelo pensamento. Tenho sérias dúvidas que pessoas assim mudem. O preconceito carregam-no dentro de si, o sentimento de inferioridade e exclusão também. Façam o que fizerem, será sempre meio-autêntico, meio-falso, porque o que lhes interessa é o status e a aparência. Custe o  que custar.

Quarta-feira, 9 de Maio de 2012

Puppy Love

Lembram-se da primeira vez?
Do primeiro amor?


A entrada na adolescência é a fase embrionária de todo um rol de emoções novas. Quando ainda somos crianças, de 8, 10, 12 anos e vemos nascer uma atracção emocional por alguém, que é diferente de outras emoções alguma vez sentidas, chama-se a isso puppy-love.
Ou seja: é um amor inocente e casto, porém diferente daquele que até então havíamos sentido no nosso já "longo" tempo de vida na Terra. É aquele que vai abrir caminho, pouco a pouco, para mais emoções fortes.


Neste momento tenho na família crianças que começam a despertar para o puppy-love! Como quase sempre acontece, o alvo de tanta adoração ou é um jovem cantor(a) ou ator(iz). Na minha geração os miúdos eram doidos pela Madonna, as miúdas pelo DiCaprio, eu fui um pouco diferente... Mas a verdade é que começa aqui uma nova fase na maturidade de uma pessoa. É o inicio para algo maior, uma transição importante e que precisa de ser bem gerida e discretamente acompanhada para que o indivíduo possa crescer da forma mais saudável possível. Porque com o puppy-love surge também o primeiro coração partido, a primeira tormenta... LOL! Com sorte, passa sem ferir e uma nova fase se seguirá.


Como foi o seu primeiro Puppy-Love?

Escrevo este post na esperança de ver aqui partilhada algumas boas histórias!

Terça-feira, 1 de Maio de 2012

A inteligência limitada do acordo ortográfico


Deparei com esta palavra em alguns textos: «tampouco».

O que é isto? - Pensei. Duas vezes não pode ser erro. Só pode ser a nova grafia do tão falado acordo ortográfico português. E fiquei a pensar: oralmente no lugar do “m” digo um “o”. Porque aprendi “tão pouco”. E não vejo qual é o problema. Aliás, nunca percebi. Parece-me uma IDEIA DE IDIOTAS, esta de fazer um «acordo ortográfico». Como se fosse possível alguém escrever a mesma língua em toda a parte do mundo da mesma forma. Nunca foi, nunca será e não vai ser um «acordo» que vai mudar aquilo que milénios de civilização não conseguiu.

Então, de quem foi esta patética ideia de mudar «por lei» aquilo que não incomodava ninguém? Quer dizer, os incomodados que se pronunciem, porque ainda não encontrei nenhum que sentisse que a língua portuguesa tinha de mudar. Não há mais nada urgente no mundo? No país?

Depois as palavras mudaram, parece-me, para ficarem mais “Brasileiras”. Mas se nunca tivemos qualquer problema com a FORMA como os de lá escrevem ou falam para os entender, porquê esta parvoíce? Se for assim, então porque não mudar tudo para o regionalismo Açoreano? Ou para o Africano PALOP? Ou para o Nortenho? O Madeirense?

Parece-me tudo uma parvoíce de mentes que pouco têm que fazer mas querem fazer algo, algo inútil, sem sentido e para atrapalhar a natureza das coisas… E pergunto: mas será que acham que temos todos tão poucos neurónios assim (leia-se inteligência) que não somos capazes de entender a nossa própria língua em todas as suas maravilhosas variantes?

É até um insulto à natureza deste povo. Um povo que adora comunicar noutras línguas, que no fundo não torce o nariz à diferença, que acolhe o que vem de fora, que andou a explorar a vida e o mar. Um aventureiro não impõe uma norma, adapta-se, aprende e ajusta-se. E assim terá de voltar a acontecer, porque alguém achou que estávamos todos muito burros para entender o português… J

Sexta-feira, 9 de Março de 2012

o comércio JUSTO e a CHINA

Há 15 anos comprei numa chique loja de decoração um sofá insuflável. Azul, feito de plástico transparente muito resistente, era um objecto de grande utilidade e com a sua graça. Quando me sentei nele descobri um elevado nível de conforto. Estava muito contente com a minha aquisição. Até ter visto uma coisa verdadeiramente chocante.


O que vi foi a impressão empoeirada de uma sola de um ténis, situada no interior do braço de descanso do sofá. Uma impressão perfeita e pequena como a de um pé infantil, que estava claramente a denunciar uma realidade: CRIANÇAS tinham estado em cima daquele material. Fiquei com o olhar fixado naquela perfeita impressão. Como podia agora sentar-me confortavelmente e relaxar naquele sofá, quando suspeitava que a sua origem de fabrico consistia na exploração de crianças, no TRABALHO INFANTIL?


Comecei a pensar na loja onde o comprei. Não era uma loja dos 300, a grande novidade da altura, cheia de variados artigos a preços acessíveis. Não. A loja onde encontrei o sofá era uma loja «pomposa».


Assim que se pisa a entrada os olhares dos lojistas fixam-se em ti e no passo a seguir um deles chega-se de imediato e pergunta se nos pode auxiliar com alguma questão. Era um tipo de loja na qual não nos conseguimos sentir totalmente à vontade, porque cada movimento é seguido por olhares e qualquer paragem mais demorada a olhar um artigo origina da parte dos lojistas o típico comentário que visa justificar o preço cobrado através da qualidade dos seus produtos. É um ambiente desconfortável, entendem? Como pode uma loja assim comercializar artigos de proveniência duvidosa? E ainda por cima cobrar valores elevados e maximizar o lucro em cima do trabalho infantil??


A verdade sobre a sociedade comercial na qual vivemos é tudo menos bonita. Se formos a olhar para a origem de tudo o que está há nossa volta e tivéssemos de prescindir das coisas que exploram terceiros, provavelmente não teríamos NADA para vestir, calçar, andar, usar, brincar ou comer. A simples canela que se encontra a preços baratos por todo o mundo é fruto de exploração. O cacau consumido pela maioria das marcas de chocolate também provém de EXPLORAÇÃO INFANTIL.


Quando os pais aqui em Portugal, na França, na América, em Espanha, na Suíça ou em qualquer outro país civilizado compram aquela barra de chocolate para os seus filhos não têm consciência que foi uma criança tal e qual a sua que colheu o Cacau das árvores…


Os anos passaram desde que aquela impressão empoeirada de um pequeno ténis infantil tornou-me cúmplice de um acto de escravidão.


Os anos passaram mas a exploração infantil ou o trabalho de escravo não parece ter sofrido grandes revezes. Continua tudo muito «mascarado», oculto em burocracias e em políticas. A China é o país mais famoso por EXPLORAR o seu povo e documentários feitos com câmaras ocultas retiram quaisquer dúvidas de que este é um povo escravizado. No entanto, cá está a política, os acordos com a China, a abertura do nosso mercado comercial para os produtos chineses e agora a compra da nossa dívida…


Estas decisões têm um preço e começamos agora a sentir os problemas sociais e económicos que derivaram dessa abertura do mercado português para os produtos de fraca qualidade e preço acessível chineses. Uns apontam as famosas lojas dos 300 como a origem do problema mas, se calhar, as lojas mais finórias também não resistem à tentação das margens de lucro elevadas, acabando por se associarem ao comércio de exploração.


Sempre que puder, vou optar pelo COMERCIO JUSTO. Começar por consumir o produto nacional é a primeira coisa a se fazer, a mais sensata a mais fácil. Mas como nada é transparente e a exploração parece ser um fenómeno global, fica difícil escapar à cumplicidade involuntária.


Há dias entrei numa conhecida loja de roupa e comprei um muito necessitado casaco. No acto de pagamento, pedi para que removessem o preço. A rapariga atrás do balcão pega na tesoura e, além do preço, corta também a etiqueta. Quando cheguei a casa fui inspeccionar o casaco à procura de uma qualquer etiqueta, mas nada encontrei, a não ser uns fios brancos resultantes da tesourada. Será normal cortarem a etiqueta de um casaco? Qual a origem? Que instruções de lavagem são as recomendáveis? Quem fez este casaco??


É importante tomar consciência sobre as empresas que realmente praticam o comércio justo e, como consumidores, não colaborar com as que fecham os olhos à exploração e aos direitos humanos. Hoje, na RTP2 ás 23.30, vai passar um documentário que merece uma espreitadela. Vejam.

Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2012

Fanatismo Extremista através dos MEDIA


Tenho de falar sobre um fenómeno. Um fenómeno que ocorre entre as massas, que acontece com mais regularidade do que gostamos de admitir. É um fenómeno que me preocupa bastante. Não sei bem que nome lhe dar e decerto que haverá um termo mais preciso para o definir, mas acho que o conheço bem. TRATA-SE do FANATISMO.

Falo do FANATISMO EXTREMISTA, que ocorre entre as MASSAS após algo ser vinculado através dos meios-de-comunicação, em particular a TELEVISÃO. Por isso não vou usar como exemplos rixas entre adeptos de clubes de futebol ou defensores ferrenhos. Vou antes dar como exemplo deste fenómeno, Orson Welles e Adolf Hitler.

Quem?? Esses dois??
Sim. Para muitos não será novidade, para alguns talvez seja. Adolf Hitler foi um grande MANIPULADOR das massas. Ele percebeu o poder dos meios de comunicação e utilizava a rádio para emitir os seus discursos por toda a parte. Passou a controlar os conteúdos emitidos. Mas basta recordar aquelas imagens das multidões a prestar-lhe reverência, para entendê-lo. Imagens essas que hoje existem porque Hitler acreditava que devia documentar tudo o que estava a fazer. Algo que acabou por funcionar contra si mas a favor da Humanidade porque, tem de ser dito, se não existissem filmes das atrocidades cometidas, fotografias e documentos, será que hoje a humanidade ia acreditar no que aconteceu? Longe da vista, longe da percepção... é o que ainda acontece pelo mundo. Massacres, Genocídios, fome, guerras... Como todo o «bom» ditador, Hitler era um indivíduo perigosíssimo, capaz de cometer qualquer acto desumano. O «legado» que deixou documentado e registado em vídeos e imagens não deixam dúvidas.
Mas como era ele pessoalmente, entre os seus? DESCRITO como um CAVALHEIRO, muito educado, cordial e gentil. Charmoso com as MULHERES.
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Orson Welles foi um actor, director e dramaturgo americano que em 1938 e com 21 anos trabalhava como director e locutor de rádio. Era noite de Halloween, as pessoas andavam a questionar-se se os EUA iam entrar na 2ª Guerra Mundial e é neste contexto social que Welles decide interpretar no seu programa um episódio do romance "A Guerra dos Mundos", escrito por H.G. Wells, onde é relatado uma invasão por extraterrestres. A escolha foi pensada e não derivou de um acto inocente como se perpetuou mas a realidade é que este relato assustou alguns ouvintes, que tinham falhado o aviso inicial de se tratar da adaptação de uma história. Alguns telefonaram para a estação e outros pensaram coisas piores e prepararam-se para a invasão alienígena. Embora depois tenham exagerado nos relatos de PÂNICO que a emissão causou e Orson Welles tenha aproveitado a atenção recebida para fazer mais publicidade e acrescentar uns tantos pontos na história, ele conseguiu o que pretendia: MANIPULAR os ouvintes.




Orson Welles veio a público acalmar os ânimos. "Não é verdade" - teve de esclarecer nas entrevistas, entre rejubilo pessoal. Depois deste episódio que orquestrou ficou conhecido por todo o país, acabando por entrar no mundo do cinema. Foi outra figura a utilizar a Rádio para se promover e MANIPULAR pessoas.

No post anterior falei de OJ SIMPSON. Em 1994 esta ex-estrela de futebol americano de bom porte e aparência sentava-se no banco dos réus a ser julgado pelo assassinato da ex-mulher e de um amigo, ocorrido em casa desta com os filhos do ex-casal a dormir no andar de cima. Estranhamente a chacina deu-se fora da habitação, no haal do jardim. O julgamento é televisionado, com emissão em DIRECTO e sem interrupções em alguns canais de informação. Lembro-me de assistir através do satélite a um desses canais: a CNN.


Mas o que me afligiu foi perceber que os Americanos não estavam a olhar para o caso com olhos de ver. Alguns talvez sim mas existiu uma maioria televisionada que se deixou levar por outros critérios. Existe muito «circo» e muita PROPAGANDA em casos de julgamento. A defesa parece uma matilha de cães raivosos que tudo vão buscar ou INVENTAR para ilibar o seu cliente. A fortuna e fama de OJ «comprou», ou melhor, OBSTRUIU a justiça. Decerto que uma das estratégias passou por contratarem pessoas para irem fazer manifestações à porta do tribunal e em frente às câmaras das televisões mundiais. Mas a coisa acabou por pegar tão bem que depressa ocorreu uma ONDA NACIONAL de apoio incondicional a Simpson.

Mulheres e homens, na maioria negros como o acusado, gritavam e protestavam a sua inocência. Acusavam a sociedade de ser racista. Nicole, a ex-esposa assassinada com cerca de 17 FACADAS era branca. O povo estava a olhar para a «embalagem» e não para o acto. Deixou-se claramente MANIPULAR por todas as acções dos advogados de defesa.


A pobre Nicole até pareceu ser uma protagonista secundária no julgamento do seu próprio assassinato. Poucos falavam dela, pensavam nela e na forma violenta e passional em que morreu. Só se lembraram de ver a coisa por cores: PRETO E BRANCO. (deviam lembrar era do vermelho-sangue). Parecia que uma maioria ia para os telejornais defender a imagem de SIMPSON de forma muito acérrima, doentia até. Preocupava-me muito este tipo de comportamento.


(nota: fotografias susceptíveis de impressionar. Nicole foi quase decapitada à facada. O estado do amigo denuncia a violência do acto. Mas como é esta a realidade escolhi publicar as ilustrações. Para quem gosta de ficar mais informado, descobri no processo o suposto relatório de autópsia)

Sabe-se hoje que OJ Simpson é culpado e cometeu os gestos que conduziram ás fotos acima reveladas. É um ASSASSINO. Mas foi inocentado. A proclamação da sua «inocência» alegrou muitos apoiantes e foi dito que, caso isso não acontecesse, a população estava pronta para realizar motins e distúrbios racistas. Senti que aquelas pessoas a dar a cara, que choravam compulsivamente ou gritavam de felicidade, iam acabar por ser confrontadas com estas suas acções. Quando a poeira assentasse e elas fossem olhar para os factos novamente e reflectir na atitude que tomara, teriam de «engolir» o que estavam a fazer. PASSADOS TANTOS ANOS, este FENÓMENO MEDIÁTICO AMERICANO que foi o julgamento de OJ Simpson, não produziu nenhum documentário ou filme de análise. Ao contrário do que esperava não foi ainda fruto de grandes análises psicológicas, como os americanos tanto gostam de fazer. Esperava voltar a ver alguns daqueles rostos que em 1994 surgiram em defesa de Simpson de volta à televisão, a dizer agora como se sentem. Mas não. Ocultaram o fenómeno em vergonha, só pode...

Sobre os atentados do 11 de Setembro de 2001 já se fizeram inúmeros documentários, filmes e programas. Um deles mostrava uma consequência interessante mas negativa para a sociedade e estrutura familiar... As viúvas dos bombeiros do 11 de Setembro foram consoladas por colegas do falecido marido, um gesto comum de camaradagem entre a profissão. Como consequência desta aproximação emotiva, muitos destes bombeiros casados, pais de família, deixaram as esposas para se juntarem ás viúvas. O 11 de Setembro também teve como resultado um impressionante aumento de casos de divórcio entre Bombeiros que fizeram parte das buscas. É um fenómeno social interessante que resultou numa desestrutura familiar sem precedentes: "as viúvas e as não viúvas de bombeiros que acabaram divorciadas" pós-11 de Setembro. Podia ser um facto de desconhecimento geral, contudo não é. Teve, como costuma ser hábito americano, documentários para reflexão. Porquê, aparentemente, o caso de OJ Simpson continua na penumbra?

Mais recentemente e em solo NACIONAL ocorreu um bom exemplo de um destes fenómenos de fanatismo das massas através de um meio de comunicação: a TELEVISÃO. A emissora TVI exibiu um reality show de nome "Casa dos Segredos 2", que chegou ao final no dia 1 de Janeiro. Este programa em particular, embora não vá marcar por aí além a história da televisão porque os reality shows já perderam essa capacidade, foi um dos mais interessantes e ricos em termos da diversidade de personalidades e da análise que o diferente público fez de uma mesma situação.

Como acontece na estrutura da maioria dos Reality Shows, este pautou-se por gerar muitas opiniões contrárias. TODOS viam a mesma coisa, mas cada um tinha uma interpretação por vezes surpreendentemente diferente. Não é por isso de espantar que entrasse na equação desta análise o factor "idade" e "género", para se tentar entender o porquê das opiniões contrárias.

O caso mais exemplificativo encontra-se no concorrente que acabou por se singrar vencedor. João Mota, um rapaz de 21 anos com pretensões para virar actor de televisão. O seu comportamento dentro da casa logo de início caracterizou-se pelo ISOLAMENTO dos restantes concorrentes. Se inicialmente esta atitude foi atribuída como consequência da possessividade de uma concorrente feminina de nome Fanny, que não largava o rapaz nem de dia nem noite, com o tempo começou a perceber-se que o concorrente João gostava de estar separado dos restantes. Começou a afirmar que ninguém ali prestava, acabando por chamar nomes a todos: "Este Paulo é um gajo que só anda por aí a mostrar o rabo, não faz cá falta nenhuma", o Marco era "o macaco, um nojo, não percebia como ainda estava ali", a Daniela P "Não confio nela, fala muito mas não diz nada", a outra Daniela "Uma falsa, uma cobra" e todos, sem excepção, acabavam por merecer por parte do concorrente uma avaliação cheia de adjectivos surpreendentemente nada favoráveis. Na realidade, percebeu-se que João Mota não gostava de ninguém e falava mal de todos, excluindo apenas os poucos com quem estabeleceu alianças. Depois também começou-se a perceber o quanto manipula as nomeações. Para o efeito usava sempre a Fanny, que o defendia acima de tudo, e a mandava indagar e convencer as colegas a votar em quem ele pretendia. Depois quando havia confusão e brigas, ele e o parceiro, Miguel, ficavam isolados e longe da confusão. Como mentores, arranjaram a marionete Fanny. Que não era santa alguma, a rapariga entrou na casa noiva mas em 48 horas agarrava-se muito explicitamente a este João.

João Mota descrevia-se como uma pessoa humilde. Disse que não falava mal de ninguém e se fizesse alguma coisa era porque já lhe tinham feito primeiro. Mota dizia isto e por uns tempos a maioria acreditou, mas como não o demonstrava em acções, depressa a opinião pública começou a mudar. Mas não para alguns. Alguns, perante tudo e mais alguma coisa, mantiveram-se de pedra e cal na defesa da imagem do «menino-lindo».

O ponto de viragem foi a expulsão de um novo aliado do grupo de Mota, Paulo, que revelou seguir a mesma "cartilha" moral de João. Foi nas semanas seguintes que este concorrente destilou tanta maledicência e ódio por tudo e por nada que acabou por tirar quaisquer ilusões sobre o seu verdadeiro carácter. Na casa, João disse coisas atrozes, como desejar a morte a colegas e encabeçar planos para esconder e envenenar comida. Mas por acaso tinha ele integridade para debater algo que o chateasse com a pessoa com quem estava chateado? Será que ele dirigiu-se a alguém para iniciar uma conversa e esclarecer o que o incomodava? NÃO. Pela frente não dizia nada e até era capaz de ser falso e covarde, dando a entender que estava tudo bem quando minutos antes tinha estado a falar muito mal. MUITO PREOCUPANTE. Incapaz de se mostrar outra coisa senão «cordial», ainda que de forma pouco convincente e assustadoramente fria. Manteve, durante três meses, distância de todas as pessoas. Excepto daquelas com quem
estabeleceu uma aliança: Fanny e Miguel. Estes três depressa estabeleceram grupos na casa: o do quarto azul - onde dormiam e os do quarto rosa - todos os restantes. E começaram, para meu espanto e preocupação, a auto-dominarem-se OS PUROS. Só eles é que tinham a razão, eles tinham os comportamentos exemplares, eles é que faziam tudo bem. OS BONS.

Esta alusão à PUREZA e a determinação em eliminar os "Impuros" como chegaram a referir-se a outros concorrentes, faz lembrar aquilo que foi a base dos planos de Hitler aquando o Holocausto - matar todos os que não fossem de raça ariana PURA. Porque analisando bem as coisas, ali estavam aqueles dois rapazes de 20 e poucos anos a ter comportamentos que podem servir de sinal para detectar um indivíduo com potencial perigoso: formação de "quadrilha", ideologia "purista", separatismo, planos de conspiração, manipulação, actos de vandalismo e de atentado à integridade de terceiros.

Contudo depressa a aparência de João Mota gerou uma onda de apoiantes. A grande maioria, sem dúvida, feminina e criança. Numa faixa etária diria que nos 12-14 anos (maioria). Como sei que se alguém tiver paciência para ler todo este post de análise e reflexão sobre o poder dos media na MANIPULAÇÃO DE MENTALIDADES vai logo perguntar de onde tirei esta «estatística», digo já que é pessoal, obtida através da idade admitida ou "denunciada" dos apoiantes que se manifestaram em blogues, facebook e entrevistas de televisão.

Este programa em particular, embora não vá marcar por aí além a história da televisão, foi um bom exemplo para analisar os efeitos da TELEVISÃO na MENTALIDADE do PÚBLICO. Tal como o julgamento de OJ Simpson teve mulheres histéricas a proclamarem a beleza como sinal de inocência, o mesmo aconteceu com João Mota aqui no singelo Portugal e no pequeno Casa dos Segredos2. Uma vez o programa terminado é que se vai ver, tal como sempre acontece, como o público vai reagir fora do calor do momento. Muitos continuam ainda com as hormonas a falar mais alto e atacam, à mínima contrariedade, qualquer opinião não positiva sobre o concorrente vencedor. Os elogios que lhe fazem dificilmente passam do "é lindo" e é "humilde", coisa que caiu por terra na sua prestação na casa.

Na perspectiva de análise dos efeitos dos MEDIA na mentalidade das pessoas, gostava de saber qual é a opinião deste público «defensor acérrimo» daqui a uns anos, quando já tiver acumulado um pouco mais de experiência de vida. Se voltassem a rever cada imagem, continuariam a achar que estão a olhar para um homem «lindo e humilde» ou também já seriam capazes de lhe reconhecer graves defeitos que uma maioria adulta depois lhe reconheceu?


Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2012

Paco Bandeira - um predador em praça pública?




É história que corre na imprensa, e esta nem está a ser muito evasiva. O processo que a ex-mulher de Paco Bandeira tem a correr em tribunal onde o acusa de violência Doméstica, maus tratos, posse ilegal de arma e devassa da vida privada.



É um tema que merece reflexão. O número de mulheres assassinadas em Portugal vítimas de violência doméstica tem vindo a aumentar. O protagonista é só o catalizador para se falar de algo maior. Mas se acho que o homem é culpado? Claro. Não tenho já dúvidas.

Existem muitos com uma mentalidade parecida à que é descrita. Quase sempre as mulheres que elegem como a mulher-cabecilha - aquela que publicamente pode ser considerada a sua mais-que-tudo enquanto vão tendo outras de lado, ficam PERDIDAMENTE APAIXONADAS. Tudo o que um homem destes lhes diz, por mais absurdo que seja, é verdade. Eles manipulam-as.

E se alguém de fora, um
amigo de longa data ou um familiar próximo alguma vez disser uma palavra contra o amado, a mulher já sofreu uma brainwash eficaz o suficiente para se sentir traída e ameaçada por aqueles que conhece há mais tempo. Rompe até laços. Fica ainda mais de pedra e cal junto do homem que tanto ama e que a manipula sem se dar conta. Ficam CEGAS para os ténues sinais de que algo está mal. Porque nunca se sentiram tão apaixonadas.

É O estratagema de eleição de qualquer predador: cativar a vítima. Aquela que ficar mais cativada e se mostrar mais propensa a ser domesticada, vira a cabecilha. Tem de possuir algumas qualidades, normalmente são sempre mais NOVAS, porque a imaturidade ou a inexperiência facilita. Podem até preferir mulheres com um certo QI, com uma profissão, com cultura e formação, até porque são viciados no desafio de transformar uma mulher forte e segura num trapo emocional. Mas escolhem sempre mulheres que correspondam AO PERFIL que pretendem.

Aos poucos e sem elas se darem conta, este tipo de homem vai tomando conta de todos os passos das parceiras. Está sempre presente, mesmo quando não está. Muitas vezes mandam instalar sistemas de vigilância para garantirem o controlo à distância. Estas mulheres estão sobre supervisionamento constante. É a materialização da paranóia. Qualquer passo em falso pode custar-lhes a VIDA.

Quando acontece um problema e dá-se uma discussão, a mulher acaba muitas vezes a se sentir responsável e a perguntar a si mesma se fez algo de errado. Acha que sim, pede perdão, volta tudo à mesma...

Eles controlam-lhes os horários, o que fazem, com quem andam, com quem falam ao telefone, contam a quilometragem do carro, mandam ou eles mesmos se põem a seguir as mulheres e estão constantemente a TESTÁ-LAS. Têm propensão para achar que estas lhes vão ser infiéis, pelo que a maioria das discussões têm sempre este catalisador.

Vêm ameaças em todo o lado. Eles próprios não são fiéis mas, de alguma forma, a infelidildade não se aplica a eles. Existe sempre um BOM MOTIVO para a parceira MERECER a traição. Que nem traição é. Nunca o admitem. Mesmo em casos de reconciliação, a responsabilidade raramente é realmente assumida e sim impingida a atitudes incorrectas da parceira.


No caso particular deste artista, que de resto não é por ser artista que me interessa, foi ao ler uma notícia do seu comportamento em tribunal que não tive mais dúvidas. Tudo pode não passar de suspeitas mas quando um homem surge na imprensa todo cheio de SORRISOS, ladeado por mulheres para ficar bem na fotografia, faz PIADAS sobre o processo de que está a ser acusado, e depois de fazer este "número", vira-se para os jornalistas e diz algo parecido ao "NÃO FALAR COM A IMPRENSA QUE NÃO VALE NADA", algo não está claramente bem.



É uma personalidade claramente cheia de dualidade. Podem ser muito perigosas. Claramente, pertencem ao confinamento supervisionado. Não devem andar à solta entre a sociedade. Um dia o dia corre-lhes menos bem e qualquer inocente pode virar vítima. É uma personalidade obsessiva, doente e nem anos de investigação dos psicólogos mais bem intencionados conseguiu irradicar este distúrbio das mentes mais perversas da história da criminalidade. Será que vai ser sempre preciso um acto horrendo cometido na presença de centenas de testemunhas credíveis para se entender, já TARDE DEMAIS?


Quando li, há uns anos, que a esposa deste senhor cometeu suicídio com um tiro na cabeça pensei: "Que horror! Coitado também, não é fácil ter de conviver com isto". Depois li mais um bocadinho da história e fiquei de boca aberta. Então não é este estava presente quando a morte aconteceu? Já nem se trata de conviver com a perda, mas com a MEMÓRIA dela! Suspeitas existiram de que podia ter sido assassinato e não suicídio devido ás imensas brigas do casal mas provas a apontar para isso NADA! E claro, defendo sempre que sem algum tipo de prova ou indicação não é moralmente aceitável deixar a ideia prevalecer.


Mas sabemos nós todos que, não é preciso a mão de uma segunda pessoa a pressionar o gatilho
para esta ser responsável à mesma. AS PALAVRAS podem servir de gatilho. Anos e anos de maus-tratos, violência verbal, psicológica, física... ameaça contra terceiros como a vida de filhos, pais, amigos... anos disto e num momento aceso de uma discussão o alívio pode estar ali numa arma estrategicamente colocada sobre a cabeceira pelo «atencioso» esposo...

Isto se não formos a pensar o pior, que é o forjar o acto. Mas para este tipo de personalidade controladora dá mais gozo LEVAR TERCEIROS a cometer loucuras. Gostam de torturar e manipular. Fazem-se sempre de vítimas e costumam ser bons a convencer os outros disso.

Desconfiem sempre de um homem com MUITOS SORRISOS E AMABILIDADE...

Poucas histórias que li sobre casos reais de assassinos de esposas não começam com "ele era o homem da vida dela. Ela contou-me que estava muito feliz e que nunca se sentiu tão apaixonada. Tinha encontrado o "tal"." Mas depois deixou de sair com os amigos, não podia sair de casa, não podia falar ao telefone, não podia ter carro, ele ia ao computador ler-lhe os emails, ia buscá-la ao emprego, pediu-lhe para abandonar o emprego...." Etc. Não faltam exemplos, mas todos falam do mesmo TIPO DE HOMEM.

É uma lição que pode ser valiosa. DESCONFIEM!

Por mais inteligentes que estas mulheres sejam- porque muitas são grandes exemplos de sucesso, não vêm nada disto a acontecer até ser tarde demais. Porque estão PERDIDAMENTE APAIXONADAS. A paixão CEGA é a ARMA que o PREDADOR utiliza para PRENDER a sua PRESA. Depois é o medo.


Cuidado com os "sempre-sorridentes-com-passado-complicado-mas-eu-não-fiz-nada-os-outros-é-que-me-querem-tramar-és-tudo-para-mim-para-todo-o-sempre". OK?

Links úteis:
http://www.apav.pt
http://manualmediavd.blogspot.com

LEMBRAM-SE DE OJ SIMPSON?
Foi a tribunal acusado de assassinar à facada a ESPOSA e o melhor AMIGO. Sinais de um crime bastante passional.

Foi um caso demasiado mediático como só nos EUA consegue acontecer e emitido em directo pela televisão. Durou 372 dias. MUITOS defendiam a inocência de OJ Simpson apenas porque é preto. Num país que vive imerso na culpa do aparthaid e numa altura em que acusar um negro do que quer que fosse era apontado com um ACTO DE RACISMO, esta figura pública que alcançou a fama como jogador de futebol americano acabou por ter muitos a proclamar a sua inocência a todo o custo, acusando o sistema jurídico de PERSEGUIÇÃO RACIAL. Até se fizeram motins. E foi assim que muitos defenderam com todas as forças um ASSASSINO. Porque acredito que ele era o responsável por aquelas mortes. Para mim absolveram um assassino. Não só tinha motivos, como fez ameaças, como as provas indicavam para isso. Mas o «circo mediático» foi tão forte que foi preciso a poeira assentar para as vozes que pediam para olharem para os factos pudessem ser ouvidas com mais clareza.

De resto não é tão incomum assim, levando em consideração que assassinos como Charles Manson mantinham um rol de fãs femininas depois de provada a culpa e mesmo estando já atrás das grades. Só porque era "lindo" (brrrrr!). Nem tão pouco deixa de acontecer mulheres livres e correctas «apaixonarem-se» por prisioneiros, trocarem correspondência, casarem na prisão e depois os acolherem em casa. Algumas acabam mortas... vai-se lá entender o fascínio que alguns sentem por PERIGOSOS SERIALL KILLERS.

OJ Simpson foi inocentado e rejubilou. Multidões de apoiantes rejubilaram até às lágrimas. Ainda tentou escrever um livro onde descrevia detalhes do crime, já que nos EUA não se pode ser julgado por um mesmo crime duas vezes. E dava-lhe para «brincar» com o assunto, como o demonstra a foto acima. Mas com isto quero apenas chamar a atenção para algo que acredito. Acredito mesmo que, cá se fazem, cá se pagam. Porque onde está OJ Simpson hoje? NA CADEIA.

Está preso por ASSALTO à mão ARMADA. Formação de quadrilha e sequestro. Condenado a alguns bons anos de prisão. Invadiu a casa de alguém para roubar artigos que um dia autografou aquando a sua grande fase de ESTRELA DE FUTEBOL AMERICANO. Agora eram valiosos e lá achou que os tinha de roubar, após ter feito ameaças de morte. Isto foi tudo o que li numa pequena notícia numa revista, mas decerto existiram actos mais vis, como a acusação de sequestro deixa transparecer.

Mas desta feita já ninguém proclamou a sua inocência. Não existiu mediatismo e quase que o facto passou despercebido, como se fosse vergonhoso. Muitos tiveram de "engolir" as palavras de apoio, inocência e integridade que lhe proclamaram. Pelo menos assim o achei. Na altura do julgamento tantos o defendiam de corpo e alma... davam tudo por ele. Choravam, gritavam, rezavam, faziam promessas... Faz-me muita impressão estas reacções colectivas obsessivas, parecem pragas contagiosas. Não estão a enxergar a pessoa pelas suas acções, mas pela sua aparência e carisma... Ainda hoje se vê este tipo de «doença» por figuras mediáticas com um palmo de cara...

Fez-se justiça? Talvez injustamente aos olhos da moral dos familiares das vítimas e daqueles que prezam a verdade. A família da esposa e do amigo nunca ficarão em paz por não o ver responsabilizado. Muitos criminosos, ainda que se desconfiem que foram os autores de alguns crimes, acabam condenados por outros, simplesmente porque o sistema assim o permite com mais facilidade ou porque as provas só ajudam um caso, não outros. Mas acabam presos. E é nisto que acredito: cá se fazem, cá se pagam e são as próprias acções que acabam por conduzir o criminoso a uma punição. Ele pensou que tinha escapado impune e dedicou-se ainda mais ao crime, já que havia se safado tão bem de algo tão grave. Mas se os homens não conseguirem justiça, Deus a trará. Deus ou as vítimas, lá do outro lado.

Outros blogues de interesse:
http://laribonora.blogspot.com/2010/11/violencia-domestica-atinge-criancas.html
http://feministasbemresolvidas.blogspot.com/2011/03/violencia-domestica.html

Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012

A propósito do naufrágio do Costa Concordia


Como lisboeta que sou fez parte do meu crescimento a existência de um navio naufragado no Tejo. Nos anos 80 todos sabiam o que era o Tollan - um barco encalhado no rio Tejo. Não passava de uma protuberância visível entre as águas do rio, um casco virado ao contrário, mas a sua presença ali em frente ao Terreiro do Paço era já uma referência e, de certa forma, uma atracção turística. "Vamos ver o Tolan" passou a ser sinónimo de ir passear para a beira do Tejo no Terreiro do Paço. Faziam-se também piadas sobre a incompetência de algumas ideias do governo usando como comparação o Tollan e as inúmeras tentativas falhadas de remover a sua carcaça do rio. Poucos lhe sabiam a história, apenas apreciavam o inusitado da situação. De tanto tempo ali ficar, alguns diziam que jamais deixaria de ali estar. Mas um dia este porta-contentores Inglês desapareceu. Deixou de fazer parte da paisagem, deixou de pertencer ao rio Tejo.


Na sexta-feira dia 13 de Janeiro de 2012 (lá está esta data outra vez) o mundo ficou a conhecer outro naufrágio. Na costa Italiana junto à ilha de Giglio o Concordia, um grande navio cruzeiro cheio de passageiros embateu contra rochas, acabando por se virar e encalhar nas águas. Ao contrário do Tollan, não transportava contentores que precisaram ser removidos mas, como em qualquer tragédia marítima, vidas são ceifadas. No caso do Tollan, cujo naufrágio em Fevereiro de 1980 deveu-se a um embate com o cargueiro Sueco Barranduna, dos 16 tripulantes do navio cargueiro, quatro nunca foram encontrados. O Concórdia virou e a maioria dos passageiros foi evacuada mas também onze morreram e calculam-se 28 desaparecidos.


Há quase um século atrás, mais precisamente no dia 14 de de Abril de 1012, decorreu aquela que entrou na história como a tragédia mais mediática na história dos naufrágios de navios de passageiros. O Titanic.

Há 15 anos fiz entrevistas de rua para a escola e entre as perguntas de cultura geral encontrava-se esta: «em que ano afundou o Titanic?». Nenhum dos inquiridos soube dar uma resposta e alguns apenas tinham uma vaga ideia do que era o "Titanic". Fiz a pergunta intencionalmente. Sabia que James Cameron preparava-se para lançar um filme sobre o Titanic e quis saber até que ponto as pessoas, no geral, estavam familiarizadas com esta história, antes e depois do filme estrear. Quis ficar com um registo em vídeo do «antes» para comparar com o «depois» para então reflectir sobre a dimensão dos efeitos que um filme de Hollywood exerce sobre a noção dos factos históricos. Infelizmente a maior parte das pessoas leva tudo o que a ficção mostra à letra, mas ao menos esta serve para instruir, facultando factos e surpreendentes conhecimentos para algumas pessoas, que até então lhes eram desconhecidos.

Mas foi graças a esta tragédia do embate do Titanic - o infundável contra um Iceberg no meio do oceano Atlântico em 1912 que MUDARAM AS LEIS DE NAVEGAÇÃO por todo o mundo. Desde então todos os navios são obrigados a ter a bordo botes salva-vidas em número suficiente para todos os passageiros, entre outros grandes feitos e avanços para a segurança marítima que surgiram devido a esta fatalidade. E é por esta razão que o que aconteceu com o Concórdia é pouco desculpável.

Primeiro que tudo, este navio turístico de rota rotineira embateu contra um obstáculo que sempre esteve ali. Não foi com um icebergue, que se move pelo oceano. As rochas eram um obstáculo fixo e devidamente assinaladas em todas as cartas náuticas. É o mesmo que conduzir numa estrada familiar e amplamente conhecida e sair da rota para ir embater numa árvore ao lado de casa. Trata-se, claramente, de um caso de negligência do piloto do Concórdia, de cuja pinta nada gostei, pelo que observei num noticiário. Acidentes deste género não podem ser admitidos nos dias que correm, ainda mais um século após aquele que serviu de referência para a segurança marítima!

Já fiz parte da tripulação de um navio e por isso estou familiarizada com o estilo de vida a bordo.Uma vez por semana toda a tripulação tinha de efectuar o simulacro. A cada elemento era atribuído uma função e, em caso de problemas, bastava escutar-se o som de uma sirene e uma ordem a ser emitida, para se saber de imediato qual o comportamento a se colocar em prática.

Sabia qual era o meu papel de trás para a frente. Os exercícios eram executados com ligeireza e tranquilidade por se saber que se tratava de uma simulação, mas também com seriedade. No geral decorriam sempre bem. Mas muitas vezes nos interrogávamos o que realmente aconteceria se aquilo fosse de verdade. Para já, lidar com passageiros em pânico é diferente de qualquer simulação de um ou outro que se faça de difícil. Evacuar feridos simulados é diferente de o fazer com pessoas que realmente precisam de auxílio. Simular um incêndio e andar com máscaras contra o fumo a evacuar passageiros até os botes salva-vidas não é o mesmo que ter de passar pelas chamas reais e o calor em si. Só quando a tragédia acontece é que se sabe em que circunstâncias o navio fica, que objectos são atirados pelo ar, como se vai agir.

Numa dessas dezenas de simulações efectuadas e na brincadeira, um colega disse, sem ser a brincar: "isto é assim no simulacro porque se fosse verdade era cada um por si! Eu era o primeiro a saltar fora! Largava tudo isto, queria lá saber. Quero é salvar a minha vida". Outros riram em concordância.

Eu fiquei em choque. Não o demonstrei, sorri ligeiramente mas fiquei a matutar naquelas palavras. Devo ser muito ingénua pois tal atitude nunca me tinha ocorrido. Alguém tem de ajudar a evacuar com segurança os passageiros e conduzi-los até os respectivos botes salva-vidas, o mais ordenada e seguramente possível. E cabe à tripulação, treinada, fazê-lo. A partir do momento em que se aceita fazer parte da tripulação de um navio, assume-se essa responsabilidade.

Mas, até mesmo no Titanic, existiram casos de motim entre a tripulação e casos de desrespeito entre passageiros. Decerto que sim, embora seja muito conhecido o estoicismo da maioria destas pessoas, em particular o dos membros da orquestra que ficou a tocar música até perceberem que afinal iam mesmo afundar e morrer. Conforme dita a lei dos homens e, a meu ver, a moral mais do que qualquer outra coisa, tentaram seguir a ordem «mulheres e crianças primeiro». O que na triste realidade do Titanic, que não tinha botes salva-vidas suficientes para todos os passageiros, significava, embora poucos o soubessem, a morte para os que ficavam. Todos, muitos até o último momento, acreditavam que o navio jamais iria ao fundo. A propaganda sobre as suas características inafundáveis, sobre a sua capacidade de permanecer a flutuar mesmo com três dos compartimentos do casco inundado era do conhecimento geral, desde a classe superior à inferior. E por isso a alguns foi poupado o desespero antecipado, o medo, até que perceberam que tinham de fazer algo para se salvarem.

O capitão, que ia reformar-se após aquela viagem inaugural, soube o que ia acontecer e tomou a decisão que, mais uma vez, acho que é mais moral que outra coisa, de ser o último a sair do navio. Ou no caso dele, tomou a decisão de ir ao fundo com o navio. Quem dera a ele que os outros pudessem se salvar e só ele fosse a vítima...

Mas este capitão do Concórdia nada tem a ver com o Capitão Smith do Titanic, nem com qualquer um que povoa o nosso imaginário colectivo sobre o que deve ser o comportamento de um verdadeiro capitão de um navio em naufrágio.

Numa conversa via rádio com a capitania, tida durante a tragédia e que passou no telejornal, Francesco Shettino afirma que já devem ter evacuado todas as pessoas do navio e que acha que só resta ele. Com a insistência da capitania, que precisa de saber se TODOS os passageiros já tinham sido evacuados e se a tripulação também, Francesco já diz que acha que faltam umas 300 a 400 pessoas. Como se isso não fizesse diferença!
Para quem deve ser o último a sair do navio, Shettino revelou estar mais preocupado com a própria pele do que em ter a certeza se os passageiros e tripulação tinham sido evacuados. Mais tarde vim a saber pelas notícias que ele saiu do navio, segundo disse, "tropecei e cai num bote salva-vidas"!

Bem, que descaramento! Está na cara dele e qualquer um pode perceber. Julgo que não tem desculpa. Este capitão conduziu o navio até às rochas por negligência e depois só pensou em salvar a própria pele, mantendo-se no navio só o tempo necessário para parecer que cumpriu o seu dever. Nem sei se teve um papel activo e determinante na evacuação dos passageiros mas tenho sérias dúvidas.
Ao que parece pelo que li hoje numa revista e de acordo com o relatório de dois passageiros portugueses a bordo, o capitão também não se deu ao trabalho de efectuar um simulacro.



Como é que as pessoas, em pânico e a querer saber onde estão os familiares que não estão ao seu lado no momento da tragédia, se vão comportar? "Quebramos uma janela no corredor e agarramos coletes salva-vidas num corredor, como não havia muitos, as pessoas brigavam e os tiravam umas das outras" - contou aos jornais italianos Antonietta Simboli, natural de Latina, perto de Roma, sobre o naufrágio do Costa Concórdia. "Foi um momento caótico, todos empurravam, tentavam passar por cima das pessoas para encontrar uma boia", declarou Amanda Warrick, ao canal de televisão americano CNN.

E como contrariar a tendência das pessoas em regressar à cabine para recuperar os pertences que lhes são queridos e valiosos ao invés de cumprirem as ordens de evacuação? Lição número um: fica tudo para trás! A prioridade é conduzir o mais rapidamente possível e em segurança todos os passageiros para fora do navio. Os bens materiais não têm qualquer relevância. Pelo menos devia ser...

Ainda dizem que Cristóvão Colombo era italiano... ah,ah,ah! Ainda bem que não era, porque estaria a dar voltas no túmulo de tanta insensatez conterrânea.
E é assim que a ilha de Giglio ganhou o que outrora o Tollan foi para Lisboa... o seu navio encalhado. Agora o tempo dirá como irão remover os destroços e que danos as rochas, o fundo do mar e a população circundante vão sofrer devido à insensatez, irresponsabilidade e negligência deste «comandante».

Sábado, 22 de Outubro de 2011

Andar de avião - experiências

Ao longo da vida viajei poucas vezes de avião (15 no total) e desta última vez descobri que não gosto muito da experiência. A começar pelos aeroportos. Já perceberam o ambiente dos aeroportos? Algo ali não está bem.

Na última vez que viajei a coisa começou a correr menos bem logo no balcão de atendimento. Um homem que pertencia ao aeroporto  - embora não tivesse ficasse claro se era segurança ou se era o flirt da rapariga atrás do balcão já que com ela e com outro indivíduo ali tagarelava - viu-me aproximar a pedir informações e adoptou uma postura de gozo. Estive quase para demonstrar o meu desagrado pela falta de respeito do senhor, que até me chamou um nome menos agradável entre risadinhas, como se eu e ele já nos conhecêssemos de longa data.

Normalmente não me perco quando existe sinalização bem colocada, mas naquele dia a coisa não estava fácil. Talvez porque ainda era de madrugada e a iluminação era deficiente, não sei. O mal-educado ainda me disse, a gozar, que estava a fazer-me um favor e que eu não o enganava porque "tinha visto muito bem que eu havia passado à frente de todas as pessoas da fila". Que fila? - pensei eu. Decerto estranhei que a única fila existente estivesse um tanto afastada daquela balcão, mas como no bilhete vinha o número daquele, não me dirigi a outro. Tive o cuidado de contornar o cordão de segurança e entrar pela abertura, mesmo tendo visto um homem abrir a fita e passar directo sem a contornar. Até pensei que aquela zona ainda estava fechada ao atendimento, embora estranhasse isso acontecer em aeroportos. Mas como a zona estava cheia de cubículos mais vazios do que ocupados e era mal iluminada, se calhar tinham acabado de iniciar função.

Fazia algum tempo que não viajava e já não me recordava dos parâmetros. Esta experiência não veio ajudar a ficar com uma boa impressão. O homem observou-me enquanto me afastava e manteve o seu ar juncoso. Fiz questão de procurar a sinalética que ele indicou. De facto, muito depois daquele balcão e completamente fora de visão por se encontrar atrás de um grosso pilar, estava no chão um daqueles postes plásticos com um papel e uma seta. Não esperava algo tão deficiente e amador no principal aeroporto do país, mas enfim...


Primeira lição que tiro com esta experiência: As pessoas que trabalham em aeroportos são desconfiadas e preferem tratar primeiro com desrespeito e desconfiança os passageiros.


Retiro esta conclusão de todas as outras experiências que tive. Tirando a primeira vez, (antes do 11 de Setembro) em que vivi episódios singulares mas positivos de recordar, acho que tive sempre experiências estranhas em aeroportos ou aviões. Numa ocasião em Amesterdão quase vivi um desacato porque a pessoa que estava a fazer o check-in tratou o meu grupo como se fossemos hollygans. Fingiu não ouvir a nossa nacionalidade e pediu para a repetir-mos. Estranhou o nosso cartão de identidade. Não nos olhou na cara uma única vez e não respondeu ao nosso cumprimento inicial. Depois iamos para entrar no avião e manda-nos recuar, dizendo que estávamos a passar à frente dos passageiros que têm de entrar primeiro: os VIP. Foi grosseira e logo nos ameaçou de não nos deixar entrar no avião e obrigar-nos a ficar no aeroporto. Não hesitou em partir para a agressão e intimidação, o que me deixou atónita!

Fiquei tão mal impressionada que fiz a viagem toda em silêncio, mas notei os olhares fixos das hospedeiras de bordo, que me tomaram como desordeira. Logo eu, que sou tão pacífica! Fechei os olhos e quis dormir. Na hora de servir a refeição estava de olhos fechados mas mexi-me. Elas passaram por mim sem me tocar no ombro e perguntar se queria tomar alguma coisa. Não fui servida. A pesar de tentar aguentar até chegar ao destino, tive de me erguer para ir ao WC, e nessa altura os olhares das hospedeiras voltaram a cravar-se em mim e uma delas começou a andar na minha direcção, seguindo-me até o WC. Este episódio foi tão marcante que, chegada a casa comecei a escrever uma carta a narrar os acontecimentos e a condenar a atitude da tripulação, tanto em terra quanto em ar. Informei-me online e fui ao aeroporto entregar no balcão a carta de reclamação. Estava indignada!

A falta de educação e o desrespeito imediato pelas pessoas fez-me deduzir que a maioria dos funcionários de aeroporto perderam a noção de como se faz um bom atendimento ao cliente. Julgo que isso se deve porque têm tanto temor de terroristas, que perderam a noção que a todos devem tratar com respeito e cordialidade. Desconfiam logo dos actos e das pessoas, gozam, intimidam, ameaçam, como se todas as pessoas estivessem ali com más intenções.


Desta última vez em que viajei, constatei que o ambiente dentro do avião também mudou consideravelmente. Já viajava um tanto triste porque na viagem anterior tinha pedido um sumo de laranja à hospedeira quando esta os estava a distribuir, mas este não apareceu. Sou daqueles passageiros que não gostam de incomodar, pelo que fiz a viagem inteira cheia de sede. Muita sede! Não nos deixam levar garrafas de água connosco -pelo menos assim pensei, mas logo vi alguém a carregar uma. Só pensava que seria a primeira coisa que ia fazer ao sair do avião! Ainda por cima o ar condicionado estava tão forte, que mesmo tendo fechado todas as aberturas de ar à minha volta, sentia-me a congelar. Não foi uma viagem confortável mas nem chamei as hospedeiras ou estas vieram ter connosco a perguntar se precisávamos de algo. Quando pisei fora do avião, ah! O SOL!! O abraço caloroso do sol restituiu a energia de volta às células do corpo :)!


No regresso aconteceu o mesmo: o hospedeiro (um homem) passou por mim e eu lá disse: "Desculpe, se faz  favor..." mas ele não ouviu, acho eu, e achei isso tão estranho! Lá continuei com sede... Esta viagem foi também diferente por outros motivos: foi a primeira vez que os meus ouvidos reagiram à mudança de pressão, tendo vibrado bastante. E tive de lidar com comportamento das passageiras atrás de mim, um grupo de adolescentes italianas, barulhentas e irrequietas. Não paravam de dar pontapés e empurrões no meu assento. Falavam alto, puxavam o assento e eu estranhei muito este tipo de comportamento ser aceite dentro de um avião! Parecia mais uma creche! Podia jurar que a miúda atrás de mim estava numa de me pregar partidas, daquelas de mau gosto, porque sentia quando ela se levantava do assento e depois sentia algo tocar nos meus cabelos. Como se tivesse a atirar para cima de mim o conteúdo que a levava estar a "inspeccionar o interior do nariz com os dedos". Quando olhava para trás, ela parecia fingir-se de despercebida e dava muitas risadas com as colegas. Tal e qual uma adolescente que se elege a "palhaça" do grupo e as gracinhas são pregar partidas a outros, achando que isso a torna mais popular e especial.

Foi uma viagem estranha e eu só desejava que acabasse logo! Bem... decidi retaliar e pregar-lhe uma partida. Já que estava a ser tão desrespeitosa e os hospedeiros a bordo nada faziam para as acalmar, à terceira ou quarta vez em que a miúda enfiou o pé por entre a janela e o meu assento,  tocando-me no braço, decidi que merecia uma surpresa. E, com uma esferográfica, fiz-lhe um desenho na biqueira do ténis. Isto sim, uma brincadeira bem colocada, porque era merecida! Achei que ela não ia olhar para os pés até se descalçar, mas depois percebi que podia, no meio de tanta agitação, perceber e chatear-se, mas não resisti. Fiquei contente por retaliar com humor! Desde que não percebesse que estava a desenhar naquele instante, os riscos podiam ter ido parar aos ténis em qualquer altura, se calhar até como partida das colegas... Só é pena não saber nenhum palavrão em italiano e não ter desenhado um símbolo grosseiro!



Chegada ao aeroporto, voltei a passar pelo cordão de fitas colocado de forma a ser um corredor em forma de serpentina. É chato andar às voltas numa pequena sala, para frente e para trás, quando atravessá-la a direito levaria metade ou mesmo 1/3 do tempo. Mas todos os passageiros têm de passar por aquilo, ás voltas e voltas... porque será? É para reconhecimento facial? Não entendo, não aprecio, mas temos de seguir esta e muitas outras regras dos aeroportos e das viagens em aviões comerciais...

Concluí então que não me agrada viajar de avião. Parece que estou a entrar numa ceita! Pode ser stressante, principalmente quando se leva com o stress dos outros. É uma pena que as viagens de navio tenham caído em desuso! Atravessar o oceano não é rápido, mas deve ser tranquilo. Será?