sábado, 18 de agosto de 2018

Notícias saúde


Não me estão a dar nenhuma novidade...



sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Dizeres e reflexões



Se isto é VERDADE




Então, não vivi NADA

O que acham?

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Cultura, meus amores. Cultura


Saudade...

Mas o legado ficou.





terça-feira, 14 de agosto de 2018

A queda da ponte em Génova


Acho que é impossível não recordar a nossa própria experiência com uma tragédia semelhante. Foi no dia 4 de Março de 2001 que caiu a ponte Entre-os-Rios, em Castelo de Paiva. 59 pessoas perderam a vida. Podiam ter sido muitas menos - não fosse uma das viaturas lançada à força das águas nocturnas um autocarro cheio de felizes infelizes que regressavam de uma excursão. 

Enquantos os mais acérrimos assistiam a uma partida de futebol do benfica (será que alguma vez poderam ver um jogo do clube novamente sem um trago amargo a lembrança triste?), o pilar da ponte ruía.

Você se lembra onde estava quando a notícia surgiu?


Eu recordo...

Ainda me vejo a olhar para os monitores pendurados quase no tecto. Todos os rostos a acompanhar o mesmo, todos os pescoços erguidos e queixos elevados, olhos pregados nas notícias da RTP.

.......


Por dividir casa com italianos, a notícia da queda da ponte em Génova, hoje, tem sido o assunto do dia. Nos canais de notícias que disponho cá em casa, mal consegui apanhar uma informação. Estão centrados no carro que bateu contra uma protecção de segurança perto das casas do Parlamento, em Londres. Mudo de canal, aguardo meia-hora, uma hora, e são só essas imagens e esse o assunto que surge no "ar". Por dois segundos apenas, apanhei uma imagem parada da derrocada da ponte mas a notícia "fugiu" de imediato para as imagens da viatura em Westminster. 

"Os Londrinos não tem de se preocupar. A polícia reagiu com prontidão. Temos a melhor... polícia. O suspeito foi imediatamente detido. Há que louvar a força policial que se aproximou do veículo sem saber o que havia lá dentro (subentenda-se explosivos) ou quem era o indivíduo (subentenda-se estar armado)".



E pronto...
O mundo das notícias continua assim...

É notícia um ou dois eventos diários, abordados até à exaustão.





Enquanto o colega cá de casa escutava pela internet um canal de noticiário italiano, eu reflectia na necessidade de ficar horas ligado a ouvir "notícias" sobre aquela tragédia. Que mais se pode adiantar? Para quê fazer um directo ineterrupto no local? A notícia está dada e pouco se poderá avançar nas próximas horas sem ser: "Esta ponte ruiu, a esta hora, neste local, existem mortos, esta pessoa disse isto, esta testemunha aquilo" "Voltaremos a entrar em directo quando surgirem mais desenvolvimentos" - esta parte acrescento eu. Acho que era assim que se fazia nos "antigamentes". Não se explorava o voyerismo como se faz hoje em dia. Essa irresistível vontade que o povo tem em espreitar tragédias e que os media estão mais que contentes em lhes enfiar pela goela a baixo, queiram ou não queiram vê-las. Porque hoje em dia a competição e a rivalidade é enorme, tudo diz respeito ao número de espectadores que se agarra a cada segundo e a quantidade de dinheiro que, por isso, se consegue extrair dos patricionadores.

Ou pelo menos costumava ser assim. Foi assim por muitos anos, simples, dinheiro certo e descomplicado. Creio que já faz bastante tempo - desde que surgiram novos canais e novas tecnologias, que este esquema de "sobrevivência" financeira está mal das pernas. Mas a solução? Andam todos a tentar descobrir faz décadas...

E enquanto não a descobrem, perdem-se escrúpulos, vendem-se "tragédias" ao desbarato...
As mortes, sangue, explosões e misérias atraem "clientes" então é isso que faz os noticiários, mais que qualquer outro feito ou conquista.



segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Para reflectir - igualdae?






À medida que se envelhece percebe-se que um relógio que custa 300 euros e outro de 30 dizem ambos as mesmas horas. Uma mala Michael Kors ou outra da loja Forever guardam a mesma quantia. Seja uma casa de 100.000 ou uma de 300.000 em ambas se pode sentir solidão. Um Bentley conduz-te ao mesmo lugar que um Ford. A verdadeira felicidade não se encontra no materialismo, mas no amor e riso que se encontra em todos nós.

Permanece humilde... o buraco que nos será cavado no chão é do mesmo tamanho.


Em teoria devia concordar com tudo o que aqui está escrito, pois vivo a minha vida seguindo estes princípios. Mas em toda a honestidade que a experiência de vida e a constatação diária de eventos me obriga, não concordo nada com as ideias neste texto paternalista. 

Com o avançar da idade também se apreciam coisas boas. Descobre-se que um bom bife faz melhor para a saúde que a carne do macdonalds. Então mais vale pagar mais, mas ter algo melhor. E nem toda a juventude se prende com o materialismo e a busca de coisas caras. Quanto ao tamanho do buraco que nos é cavado no chão... isso mudou. De tamanho de corpo passou a tamanho de "vaso". Isto para gente comum. Porque os poderosos, esses continuam a ser diferentes até na morte. Alguns querem os seus corpos preservados para a eternidade, outros vão ser enterrados dentro do seu carro desportivo favorito ou mandam construir uma autêntica "pirâmide" cheia de ouro e até escravos, para na outra vida poderem usufruir do mesmo nível de comodidade e riqueza.




Não.
Nunca fomos todos iguais.

O que partilhamos em comum é a MORTALIDADE.




sábado, 11 de agosto de 2018

September fears


Traumas.


Todos temos alguns e eu adquiri um novo, o ano passado. Que temo ter vindo para durar. Esse trauma faz-me recear a aproximação do mês de Setembro. 


O ano passado, por essa altura, estava estavelmente empregada. Dei um pulinho de férias tardias ao meu país e tive um pressentimento: devia ficar. Por uns tempos, a ganhar competências numa determinada área de interesse e regressar posteriormente mais qualificada para obter outro género de emprego.

Mas aquele que tinha esperava por mim. E a pensar nas pessoas que lá trabalhavam que contavam comigo, não segui o instinto que me mandava mudar de rumo. 

Numa semana, fui demitida.

As circunstâncias já as expliquei aqui. Mas fiquei magoada. Foi injusto e feito de forma vil. Durante o verão fui indispensável, não podia tirar férias, tinha de fazer horas extras era indispensável. Mas chegado o mês de Setembro, contractaram mais pessoal e tornei-me alguém que podiam dispensar. Assim, sem mais nem menos, sem consideração, sem atenção.


Os meses que se seguiram não foram rosas. As circunstâncias com que fui friamente dispensada batiam na alma como quem bate na mesma tecla de um piano e escuta sempre o mesmo som. Tentei outras portas, que pensei que iam abrir bem depressa. Pois essa era a vantagem de estar a viver em Inglaterra: a facilidade em arranjar emprego de semana para semana.

Mas enganei-me. Após sucessivas tentativas e rejeições, o emprego que pensei ter logo em Janeiro, só apareceu em Abril.  E durou dois meses. Também esse terminou sem aviso, por mensagem enviada por email, dois dias antes da machadada final.

Nova "luta" para arranjar outro emprego - mas ao menos estava optimista. Vinha aí o verão, que tem imenso potencial em termos de empregabilidade. O que agora temo é o fim do Verão, a chegada de outro outono, outro mês de Setembro.

Mas uma vez, não pude tirar férias no verão. Tenho-as marcadas para o final de Setembro. Vou dar um "pulo" a portugal e depois regresso a inglaterra. E temo muito que volte a repetir-se as circunstâncias do ano passado. Simplesmente porque sim, porque é Setembro e as pessoas deixam de ser necessárias. 

Queria ter um emprego duradouro, seguro, que estivesse sempre lá para mim. Que só deixaria de existir se eu assim o decidisse. Quero segurança. Mas parece que a vida não é para ser assim.

Hoje recebi uma notícia desagradável, por parte do senhorio. Deixei-o sentar-se e falar até o fim. Mas já sabia o que vinha dizer-me. Bastou-me ouvir o que disse ao chegar: "Não te enviei uma mensagem preferi falar contigo, tenho notícias que não são boas". Depois mencionou que saiu uma lei que vai alterar as condições para rendatários com mais de cinco pessoas na casa.

Não precisei de saber mais nada. Sabia o que aí vinha. Os 10 minutos que se seguiram mantive-me em silêncio. Finalmente chegou a frase "vou ter de pedir a um de vocês para sair" e claro que a sua escolha tem como base o valor da renda. 

Ao chegar disse que vinha falar comigo portanto não precisava de ouvir nada. 
Sei que as emoções não tomam conta dele quando a questão refere-se a dinheiro. Ele irá aumentar as rendas se assim puder e achar que tem de fazer e dispensar alguém (eu) pela mesma razão monetária.

Agora temo Setembro por dois motivos: receio de perder o emprego e receio de não ter onde morar.
O Natal que já estava a imaginar nesta casa, já não vai acontecer. Já foi apagado da minha memória.

O outono trás a queda de empregos. E pelos vistos a queda de muitas mais coisas. Setembro é um mês muito poderoso em termos cósmicos. É praticamente o início de um novo ciclo anual.

Passei a recear vir a ser vítima dessa condição de desempregabilidade que o mês trás.
E agora passei também a recear nunca sentir estabilidade numa casa arrendada.

É que assim que começo a sentir-me segura, assim que faço alguma coisa para personalizar o meu espaço - mandei fazer uns cortinados para a janela e estava a fazer uma estante - parece que o meu sexto sentido diz-me para não chegar a esse ponto, pois será nesse instante que tudo irá mudar.

Estabilidade é tudo o que desejo.
É tão difícil de obter.

Assombra-me a possibilidade de me ver novamente atrapalhada no desespero do desconhecimento do que setembro trará. Mais uma vez, vou de ferias. Sei que não vou conseguir usufruir das mesmas com a mesma ingenuidade do ano passado. No subconsciente estará a passar o trauma. Aquela tecla de piano estará a martelar na nota de "setembro", "setembro".






quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Aquele defeito que gostava de não ter


Ao longo dos anos, adquiri um defeito pelo qual não tenho particular simpatia.

Quando alguém está a falar comigo, ou pretende fazê-lo, por vezes falo não por cima dela mas, talvez antes que esta consiga terminar o raciocínio estou a tentar adivinhá-lo.

Ora, nem todos apreciam isso. 
Eu também não.


Sei muito bem quando, porquê e quem me empurrou para este tipo de comportamento social. Porque não costumava ser assim, fiquei assim. E depois de se adquirirem certos comportamentos, é muito difícil perdê-los. Pelos menos os «maus» eheheh.



O que me conduziu ao defeito:
Quando era criança e queria falar, mandavam-me calar. As minhas ideias e raciocínios ficavam em "espera", engarrafados, uns atrás dos outros, a querer sair e sem ter para onde. Acabando por morrer sem terem sido expressados. Algumas vezes a imposição vinha com toques de vilania, porque as ideias eram imediatamente descartadas e rotuladas de zero valor, sem sequer terem sido expressas. 

Até mesmo a escola contribuiu um pouco para isto. Quando levantava o braço para falar e me era concedida a vez, se o fizesse muitas vezes e os outros fossem mais reservados, a professora mandava-me baixar o braço e pedia que outra pessoa intervisse. Compreensível. Mas rapidamente entendi que, mesmo numa sala onde ninguém levantava o braço, o meu não era bem vindo se fosse o único. Passei a esperar ou então nem sequer o erguia. Enquanto a professora prescrutava a sala em busca da resposta certa entre os alunos mais tímidos (eu sempre fui muito tímida mas gostava de estar nas aulas), esta pesava-me na ponta da língua e eu a engolia para não ser a "míuda na sala" que gosta de participar e «tira a vez» aos outros.

Também tive uma professora cruel que ignorava as minhas tentativas de participação, zangada por eu ter mostrado integridade numa situação anterior e determinada em sabotar-me. Quando erguia o braço e este era o único ali pedindo atenção, ela dizia "alguém? ninguém?" ignorando o meu que estava erguido.  Todos percebiam este e outros comportamentos agressivos dela para comigo e foram até colegas na sala que vieram me falar que a professora era cruel e devia fazer queixa dela.

Infelizmente não fiz.


Mas a razão maior para este meu actual comportamento/defeito é outra. Vem da família. No seio familiar todos falavam por cima uns dos outros. E poucos sabiam escutar. Às tantas, para me fazer ouvir, comecei a fazer o mesmo. Até mesmo para terminar um raciocínio, por vezes era forçada a "passar" por cima de quem mo interrompia. Acabei por ABSORVER o defeito que me era forçado. 

Esse é o principal motivo mas existe outro, que também contribui para que este defeito dificilmente seja erradicado. E o considero mais perigoso que todos os outros, porque está por toda a sociedade e passa despercebido, mas influencia todos, diariamente. É o ritmo de vida que levamos.

Um ritmo acelerado, imposto pelo contributo das tecnologias. Uma conversa, nos "antigamentes", era tida com tempo. Um «compadre» falava com outro, oferecia uma bebida, uns aperitivos, ou então caminhavam do emprego até casa mantendo uma conversa. E se a conversa ainda tivesse pernas para andar quando o destino já fosse atingido, dava-se tempo para que fosse finalizada.

Hoje em dia isso não acontece. Tudo é muito rápido.
Não se perde tempo em conversas. Ora porque se está a enviar uma mensagem pelo telemóvel ao namorado, ora porque tem de se correr para o autocarro que está quase a passar, ora porque, já no autocarro, está a chegar-se ao destino.

O que isto impõe na forma como sociabilizamos é uma alteração na forma de conversar. Tudo tem de ser rápido. Manter uma conversa tranquila, sem pressas, é cada vez mais raro. Porque as conversas são mantidas nos curtos intervalos em que as pessoas têm tempo para sociabilizar. 

Ora nos 15 minutos de intervalo na sala de refeitório (onde muitas vezes ocupa-se o tempo com as tecnologias, enviando mensagens ou escutando música), ora nos cinco minutos que leva a caminhar da empresa até à paragem de autocarro.

Se tens um raciocínio o que acontece?
Ou és versátil nas "novas tecnologias" e aprendes a abreviar conversas como se abreviam palavras por texto escrito, ou começas a falar depressa para poder contar uma história até o final, antes que "o tempo acabe".


E pronto. É isto.
Achei importante fazer um post sobre algo incorrecto de minha parte.  
Porque afinal, os defeitos não estão sempre nos outros, nós também os temos.
E este é um meu. 
Não me orgulho dele. 

---

Noutra nota similar, um outro "defeito" é, por vezes, o lado "negativista" dominar mais o dia. Este é uma característica grave, porque, se deixar, pode me conduzir a caminhos depressivos.

Ontem estava com receio do que podia ser a "conversa" que a superiora queria ter comigo. Razões para temer um contacto com ela não faltavam- como especifiquei. Mas rezei ao meu anjo da guarda para que me protegesse e me mantivesse longe de problemas. Não sei se por essa razão ou não, quando cheguei ao emprego, não escutei as habituais reprimendas por isto ou aquilo (caligrafia pouco legível, mais panfletos, cartaz pais para dentro e para a esquerda, nota emendada, etc, etc). Recebi um prémio por ter ficado entre os primeiros três lugares numa competição de vendas que nem sabia que estava a decorrer. Ah, afinal não sou tão má assim no meu trabalho - pensei. 

 Já hoje, por não estar à espera, provavelmente é quando vai "cair" em cima algo desagradável.
Mas como comentou e muito bem o Pedro Coimbra, do blogue Devaneios a Oriente, há dias bons e maus. Temos de os viver todos. Posso sempre recorrer à fé e às energias positivas para afastar as contrárias.

Quem acredita? 




quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Mensagem enigmática resultado: desconhecimento e ansiedade


Começou um mês depois de estar no emprego. A superiora apareceu no posto turístico no exato momento em que estava cheia de clientes. Foi o dia em que facturei mais, até hoje. Porque de início ao fim, não parei de atender pessoas. Não tive tempo nem para engolir uma cereja que tinha trazido comigo. Escusado mencionar que durante as 8 horas de trabalho não fiz uma única visita ao WC.

 Ao vê-la chegar tive tempo de lhe esboçar um sorriso. Mas ela, nada. Nem pareceu reconhecer a minha presença. Sem dizer uma palavra, um cumprimento, percebo que tem o semblante carregado. E com essa má cara começa a desviar uns centímetros para lá e para cá os publicitários visuais normalmente presentes neste tipo de locais. 

Quero lhe falar, mas estou com clientes a fazer fila. Só tenho tempo de a ver a mexer nas coisas como se estivessem mal colocadas e a ouvir refilar por faltarem alguns panfletos nos mostradores, por os clientes se aproximarem e tirarem um exemplar de cada um. E antes que conseguisse atender todos os clientes, antes de lhe poder falar, ela foi embora.

Deixou contudo algo no ar. Uma energia negativa, pesada, que ficou palpável.
Fui surpreendida. Senti de imediato que o ambiente tinha-se alterado. Estou sempre contente no local de trabalho mas naquele instante percebi que o meu estado de espírito tinha  mudado. E porquê? O que tinha acontecido? O catalizador tinha sido a energia negativa que ela abandonou no local e que pude sentir instantaneamente. Subitamente já não me sentia feliz, o dia estava estragado, tinha deixado de apreciar a função. Tentei concentrar-me no atendimento e extrair daí a habitual felicidade. Mas algo mudou e durou quase até o final do turno.

Para com os meus botões pensei: "tenho de lhe mencionar isto. Que estranhei quando chegou, não me cumprimentou e foi embora sem me dar oportunidade de lhe falar. Tem de perceber que os panfletos que faltavam era porque, obviamente, os clientes os levavam e como estava ocupada a atendê-los uns atrás dos outros, não deu tempo para encher com mais. Nem faltavam tantos assim mas para ela, bastou alguns, bastou uns centímetros de espaço a mais ou a menos do sítio que só ela consegue visualizar que as coisas têm de estar. 

Diria que mais de metade da minha função é "perdida" a dispensar tempo a explicar a não-clientes que ali passam coisas que não são de minha competência, mas que eles esperam que seja, por a empresa carregar no nome a palavra "turistas". Todas as dúvidas que lhes passa pela cabeça, até por preguiça de se informarem no google maps, ou antes de viajarem, chega ali e eles esperam resposta imediata. Por exemplo, ontem, uma mulher chegou-se a mim só a falar o que supus ser russo. Não parava de falar, de gesticular, de me enfiar o telemóvel pela cara a dentro. Outra a falar frances (para não mencionar os que falam só em espanhol), todos esperavam à força toda que lhes colocasse o telemóvel a funcionar. 

Uma exigência muito comum por ali, visto que os turistas nem sempre conseguem se ligar com os seus telemóveis à internet local. Ou não sabem fazer chamadas, não conhecem os indicativos, não têm um telemóvel que funcione fora do país, etc...

Por mais que tente os ajudar - e tento sempre, por vezes dificultam-me a vida, ao não saberem falar inglês, por exemplo. Mas o pior é quando os telemóveis vêm com aqueles caracteres que são "desenhos" para nós. A senhora que supus russa nem tinha o telemóvel com caracteres iguais aos nossos. Os chineses então, quando me mostram os telemóveis todos em caracteres esquisitos que não sei ler - como supõem que os posso ajudar?

É uma situação que se repete constantemente. Acabei por ajudar e muito a senhora que só falava comigo sem parar em russo. Mas sem entender oralmente o que me dizia. Para ela se ligar à net "gratuita" tinha de se registar no site. Mas "cadê" que ela tinha um email? Nada. Quando finalmente percebeu, introduziu um que não foi reconhecido. Tentei introduzir um meu, mas o telemóvel não tinha os caracteres certos. Acabei por lhe indicar onde ficava a internet a pagar e depois perguntou-me onde eram os lavabos - outra questão muito recorrente por ali. Onde fica o WC, a saída, o parque de estacionamento, porquê o telemóvel não funciona, porque é que não conseguem se ligar à net....


Enfim.

Duas semanas depois uma outra situação resultou num "confronto" directo entre a superiora e eu. Como ela me pediu, deixei uma mensagem no grupo avisando que estava a ficar sem stock de um determinado produto e a perguntar se o podia requisitar numa loja com quem partilhamos produtos. A resposta escrita dela foi esta:

-"A culpa é tua! Não disseste quanto te restou portanto se agora falha é por tua culpa! Eu te avisei quando começaste a trabalhar que todos têm de me dizer quando o stock é menos de 100! Todos fazem isso menos tu. Custa assim tanto? Achas que consegues fazer isso?!!!!".

Eu escrevi-lhe de volta, desta maneira:
-"Simpatizo contigo mas por vezes tens uma forma de falar desnecessariamente agressiva. Se não fiz como indicas é porque desconhecia que existia esse procedimento. Fiz exatamente o que me ensinaste. Registei as transacções na folha de stock e escrevi aqui no grupo. Mas falamos quando chegares, está bem? Cumprimentos".

Nesse dia ela chegou com meia-hora de atraso para me substituir e com má cara. Não se dirigiu ao assunto. Começou de imediato com implicância: "Pensei que já tinhas terminado" (quando só posso terminar de atender clientes e fechar as contas quando aparece quem me vem substituir). "Despacha-te que eu preciso do computador". "Já vim tarde intencionalmente para te dar tempo para te despachares".

Acabei por ser eu a puxar o assunto e achei que tinhamos falado abertamente. Ela acusou-me de tantas falhas que por uns instantes fiquei calada, achando que não adiantava argumentar. As situações estão sujeitas a interpretações. E estas podem estar correctas ou equivocadas. O que ela me estava a dizer é que eu tinha "desculpas" para tudo. As minhas explicações para a situação - inclusive aquela que descrevi acima, eram "desculpas". Se é assim que vai interpretar tudo, então sabe-se que é infrutífero tentar uma argumentação. Se a pessoa é teimosa, estabelece o seu ponto de vista a partir de uma observação sem fundamentá-la ou contextualizá-la e teima que está certa, sabe-se que qualquer argumento cai em saco roto.

Além de me criticar por isso, acusou-me de "chatear" os colegas com uma dúvida que eu devia saber por ela ter dito na formação. 

Do muito que tive de aprender, acho que me saí muito bem. Para quem só estava ali há 30 dias, achava que me estava a sair bem mas, depois das suas palavras, percebi o quanto estava equivocada. Acusou-me de falta de consideração para com os colegas, por ter visto panfletos em falta e por ter dúvidas e recorrer a eles para as esclarecer. Sendo tão nova na empresa, esperava um pouco mais de compreensão para com dúvidas que pudesse ter. Afinal, estou a exercer funções há muito pouco tempo. Acho natural se existirem dúvidas. E acho pior dar uma informação errada a confirmar.

Mas este ponto de vista é um erro meu. Hoje em dia não se querem pessoas assim. Hoje em dia é suposto uma pessoa FINGIR QUE SABE TUDO. E se não sabe, inventa. Finge que sabe e só depois é que vai informar-se, sem incomodar ninguém, usando motores de pesquisa como o google.


O desconhecimento e a busca por saber deixou de ser bem visto. Pretende-se pessoas máquinas, que nasçam pré-programadas com um chip de conhecimento e com um software anti-erro.


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A realidade é que entendi que estou inserida, por duas frentes, num ambiente com pessoas controladoras que esperam telecomandar os outros à distância. Mais tarde explicarei. Uma pessoa pode tolerar, fazer vista grossa, respirar fundo como acabei de fazer e seguir em frente. Se calhar, é só isto que lhe resta, realmente. Se calhar este foi o destino e a escolha de todos os que alguma vez trabalharam para outro. Há sempre alguém que não "regula bem" mas que não pode ser contrariado. Sempre sapos a engolir. Sempre incompetências de tua parte.


Bom, sem querer me alongar neste assunto, quero só explicar a situação em que me encontro agora. A realidade é que dou por mim em aflição cada vez que vou trabalhar. Tenho receio de não encaixar bem um panfleto no sítio e por isso escutar uma reprimenda, tenho receio de ir ao WC na hora errada, receio de escolher consultar o grupo no telemóvel no momento errado, receio de estar posicionada na cadeira na direcção errada (sim, fui criticada por isso), receio de não ter o aviso publicitário para a esquerda ou direita, centímetro a mais ou a menos correcto... Receio de ser vítima de uma cilada. Esse receio é fruto de experiência de vida e surgiu agora mesmo.

Para que entendam, recebi agora pela manhã uma mensagem da superiora, dizendo para ir ter com ela antes do meu turno começar. Como podem imaginar, uma pessoa teme o motivo do pedido. Será que vem aí outra reprimenda? O cérebro começa a pensar "o que será que fiz errado" e um «filme» de possibilidades começa a desfilar. O coração fica aflito o espírito irrequieto. A preocupação instala-se. Este tipo de aflições são como um cancro no espírito, que pode muito bem trazer malfeitas também para o corpo.

Será isto que eu quero?
Deverei me sujeitar?
Dúvidas...

Agora estou aqui, a desabafar e a tentar fazê-lo rapidamente. Quero sair de casa com duas horas de antecedência e descobrir de uma vez por todas que assunto poderá ela querer comigo. Será que foi porque ontem viu o publicitário fora do lugar? Será que isso é motivo tão grave assim? Ou será que teve queixas de alguém? Uma colega foi armar conflitos? Ou será que foi outra pessoa? Ou será que não se passa nada disso? Será que me vai demitir atestando uma incompetência incompatível com as espectativas? 

É exatamente isto que não quero para mim. 
Não devia ser assim.
Não esperava que fosse.

Espero que não seja. 
Mas se existe pessoa com tendência para este tipo de coisas lhe acontecerem, essa pessoa sou eu. Tenho de aprender de uma vez por todas. Seja lá que lição tenha de tirar daqui. Se for para fingir competência e conhecimento, que seja! Em roma sê romano... não é mesmo?

Mesmo sabendo que fui eu que ensinei algo a uma colega que surgiu na empresa dois meses antes de mim, e tendo a percepção que não falhei tanto assim ou cometi erros graves - pelo menos que tenha conhecimento. 

Da vossa experiência de vida e por aquilo que observam, o que têm a dizer?