sábado, 18 de fevereiro de 2017

Admiradores Secretos - a inveja


Recentemente contaram-me que, aquando a minha estada em Portugal, fui reconhecida por uma pessoa dos tempos da adolescência. Uma pessoa que... não me lembro sequer de conhecer. Nunca! Mas, pelos vistos, mais de 20 anos depois, ela me conheceu. Ou melhor: reconheceu porque, garanto-vos, não estou parecida com o que fui aos 15 anos.

O que me surpreende é como EU, que não me considero nada, que me sinto derrotada em tantos sentidos, possa ter marcado alguém de qualquer forma, ao ponto de se entusiasmarem ao me voltarem a ver passadas décadas. Não foi a primeira vez que isto me aconteceu, nem a segunda, nem a terceira e temo não ser a última. Mas sempre me incomoda, ao invés de me deixar contente ou envaidecida. É algo que não sei se dá para explicar mas consigo entender. Fico surpreendida, constrangida, embaraçada, preocupada e até um pouco alarmada.

Este e outros detalhes levam-me à reflexão de hoje. Que por ora, vou adiar.


Antes quero explicar a motivação por detrás de um recente post que escrevi sobre a inveja. O que me motivou foi um vislumbre de um olhar dirigido a mim. Não durou mais que um segundo. Mas foi o suficiente para me atingir o coração.

Uma rapariga desses tempos, que vinha sempre às minhas festas de aniversário encher o buxo de comida e com a qual nunca tive razões de queixa de qualquer espécie, vim a descobrir há uns 10 anos, que não simpatiza comigo. E desde esses tempos! Descobri-o por a sentir a passar por mim fingindo que não me conhece de lado algum. Começou a frequentar o meu bairro, mas ao cruzar-se comigo, era como se não me conhecesse de outros carnavais. 

Reparei que cumprimentava outras pessoas desse tempo, até fazendo questão de ser especialmente muito simpática. Falando-lhes com a voz doce e o jeito aparentemente meigo que sempre exalou naturalmente. Embora desconfie hoje que essas características físicas eram mais ferramentas de utilidade e manipulação. Numa ocasião foi interpelada por uma pessoa mais velha que me acompanhava. Cumprimentou-a com dois beijos, sorriu e manteve uma entusiástica conversa com essa pessoa, ignorando-me. Nem um olhar me dirigiu! 

Eu estava lado a lado com a mais velha, abri a boca para dizer "olá" e inclinei-me para a cumprimentar, quando me notei ignorada e não obtive qualquer reacção à minha presença. Foi um acto intencional. Malicioso. O que me mais me entristeceu nem foi este seu comportamento - senti pena que o tivesse, não que mo dirigisse. O que me cortou o coração foi a falta de atitude da pessoa que ia comigo.

Cega por uma admiração inexplicável pela outra, nada fez para me defender de uma situação insultuosa e indigna. Continuou entusiasticamente a conversa, só sorrisinhos amarelos e cheia de rapapés, enquanto eu estava ali parada que nem uma estátua. Daquelas que ninguém vê. Fui insultada e vítima de uma tremenda falta de educação. Que quem me acompanhava não tivesse mandado a outra às urtigas, ou reagisse obrigando-a a reconhecer a minha presença e me cumprimentar - isso é que me atingiu o coração de uma forma cortante. Depois que se separaram, deu continuidade aos elogios copiosos, ainda embevecida pela ilusão das recordações alimentadas pelo ainda real jeito meigo e doce da outra se apresentar.  

Fez-me entender o poder que o poder das aparências tem. (As conveniências sociais. O status...) 

Pensando bem, quem inveja os outros, inveja tanta vez sem motivo. Essa miúda magoou-me uma primeira e única vez quando eu andava lá pelos meus 10 anos. Foi criado um boato a meu respeito e um dia, durante brincadeiras entre os miúdos do bairro, escutei-a a espalhá-lo... com malícia na voz. Inclinou-se para a frente para ser melhor escutada por outra rapariga, meteu a mão à frente da boca, olhou para mim para perceber se não a iria escutar e com o olhar brilhante escutei-a dizer: "É esta aqui que (blá-blá-blá). Bem feita! Nunca gostei dela!". 

Não dei muita importância à afirmação... achei apenas que, ao contrário do que julgava, ela não era mais inteligente que os outros, era igual. Gostava de um mexerico e espalhava-os com a mesma maldade e boa vontade. Embora quando convivíamos ela me parecesse por vezes desinteressada e distante, os adultos garantiam que era um doce de menina, muito bem educada, simpática (muito mais que eu), inteligente, muito doce e atenciosa. Só que um pouco tímida, "de poucas falas". (Calculista). E qualquer má impressão minha era defeito meu. Os nossos pais se falavam, frequentávamos a casa uma da outra com certa regularidade, ela aparecia nas minhas festas de aniversário... E em todas essas ocasiões ela não gostava de mim? 

Aquela criatura bonita, com voz doce como a de um anjo, com um rosto a condizer, um jeito tímido e carinhoso de ser? - Como tantos adultos evidenciavam? Não... ela não seria FALSA. 

Segundo as aparências e os relatos de terceiros, que valem o que valem, ela vive bem porque casou com um rapaz com dinheiro - como era o seu sonho, tem uma prole considerável de filhos, continua esbelta e bonita - como sempre foi e, com certeza, como o dinheiro ajuda a se manter. Não entendo esta inveja. 

Acho que o meu instinto, que ignorei preferindo acreditar no que diziam os mais velhos, estava certo. E é essa uma das lições que estou sempre a re-viver. O meu instinto dá o alerta sempre, mas eu ignoro as coisas feias que me sopra ao ouvido. 

Até hoje, o que me envenena a alma são estas pequenas coisas... 

reflexão de hoje. fica para outro dia.



sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Vontade de... introduzir algo novo na rotina


Hoje entrei na Decathlon local e fiquei maravilhada.
Desejei fortemente poder mudar um pouco a minha vida de modo a incluir uma actividade desportiva.

A loja - dois pisos cheia de coisas tentadoras, dedicava o seu espaço a diversas modalidades. Entrei e comecei logo a espreitar as bicicletas. Adoro bicicleta, mas tenho receio em usar, porque faz alguns anos que não ando numa e porque sei que ainda não perdi a preferência por aquelas nas quais consigo sentar-me sem grande esforço para os pés chegarem ao chão. Ou seja, as pequenas. Olho para as bicicletas de adulto, ou as boas de corrida e aquilo parece-me um alfa-romeu... para alguém que só conduziu minis. 



Pensei logo na Gaja Maria - a blogger mais ciclista que conheço.
"Ela entende disto tudo e podia esclarecer qualquer pessoa" - pensei eu.

É que não são só os vários modelos de bicicletas, é também a tentadora parafernália de indumentária que acompanha o aventureiro do pedal com duas rodas. Existem coisas bonitas, tentadoras que, cedendo à tentação de as experimentar, merecem ser experimentadas em pleno, como «deve de ser», e não só «conforme der».


Continuei a minha visita e fiquei maravilhada: Tudo para tiro ao alvo com arco e flecha, tudo para equitação - incluído coletes que inicialmente pensei serem daqueles que os polícias usam nos filmes americanos, os à prova de bala - tal era a aparência dos mesmos. Mas penso que eram apenas para proteger em caso de queda do cavalo...


Confesso que me surpreendeu. Em todos estes anos de vida, das vezes que entrei em contacto com a prática de equitação - através de terceiros, nunca vi ninguém - criança ou adulto - montar num cavalo usando aquela coisa rígida e volumosa. Será prática corrente? Ou o resultado do típico excesso de zelo britânico com fundamentos no pânico de processos legais?



Coisas para ioga, patins em linha, golfe, pesca... tanta coisa.

Fazia-me falta incluir na minha vida um hobbie de actividade física.
Sempre gostei de actividade física que estivesse relacionada com o ar livre, com a natureza, a descoberta de lugares...

Contudo, acho que é quase incompatível com a vida que a maioria leva.
Com excepção feita quando se tem a sorte de conhecer alguém mais - nem que seja uma pessoa - capaz de se aventurar contigo nas mesmas tentações.  

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

A inveja é para ignorar

Foram preciso estes anos todos para entender como lidar com a INVEJA.
Entender, entendo. Por em prática é outra coisa.


Ainda me dói senti-la, tal e qual uma menina inexperiente. Surge sobre a forma de olhares mal intencionados, mexericos vis, palavras desencorajadoras e coisas tais.


Entendo a INVEJA e a repercussão que pode ter na vida de uma pessoa.

Hoje sei que o melhor é seguir em frente sem se privar de nada, ao invés de permitir que as manifestações de inveja dos outros influenciem decisões, posturas, escolhas. 


Infelizmente, isto nem sempre é verdade.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

A luz de Lisboa é especial


Já cá estive para vir umas seis vezes, com temas diversos para debater. 
Mas outras coisas se meteram pelo meio.

As férias estão a terminar.
E posso dizer que, não tendo sido férias, souberam bem. Talvez melhor do que se fossem.

Dois dias depois de chegar, a tosse começou a escassear. Parece que já «estou boa». Vou tirar a prova dos nove quando regressar para aquele quarto húmido e gélido, naquele país de luz escassa.

O que mais gostei da minha temporada por cá?
Da LUZ.



Senti saudade desta luz lisboeta - de facto única. 
Enchi o espírito com ela para levar comigo, pois quero que dure mais tempo. É uma pena não se conseguir engarrafar a luz do sol. Para a poder abrir num belo dia cinzento e depressivo.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Cheguei, viva e viva!



  1. E qual é a melhor coisa, qual é, do regresso a «casa», hum??



É a internet!!
Rápida, imediata, ai que bom!!!

Que saudades de um browser que funciona, de páginas que abrem, de textos que são escritos ao mesmo tempo que pressiono as teclas! Antes a net era um bocado paradinha mas desde que tenho de me desenrascar com a inglesa, a portuguesa virou supersónica!!

Pensamentos absurdos e coisas soltas


Estou a aguardar que as horas passem. Vou entrar no avião rumo ao país que me viu nascer dentro de umas horas. Entretanto, continuo com a tosse. Esta impede-me de dormir de noite, ou de dia... Faz já o quê? Semanas e semanas. Claro, dormito alguma coisa, faço por descansar, mas dormir? Esta madrugada por exemplo (ou melhor, a anterior), cheguei a casa depois das 3 da manhã, por volta das 4 e tal fiz por adormecer mas às 6.30h já estava a fazer lides domésticas pela casa. Nesse tempo dormi um sono contínuo? NÃO. 

Acho que fui despertando mais de 40 vezes. Foram tantos despertares que julguei que já se tinham passado umas 4 horas e ter conseguido dormitar umas quatro. Afinal, foram minutos apenas. 

Claro que, quando tenho algum tempo livre, como foi o caso do dia de ontem, tento fazer alguma coisa, sair. Mas nestas condições não tenho energia para essa «ousadia». Ainda assim tentei. O espírito quer, o corpo rejeita. Ás tantas, o caminho de volta até casa, embora curto, pareceu muito distante. Ao atravessar um parque e passando pelos bancos de jardim quase sempre vazios, decidi simplesmente sentar num e descansar uns minutos, para depois continuar a marcha sem esta exigir o esforço que estava a tirar de mim.

O curioso é que aqui é comum os bancos terem uma placa. O jardim é um memorial, não sei bem a quem, então cada banco tem o nome de alguém que morreu. Sempre achei este hábito americano/inglês algo estranho. Você se sentaria num banco que parece um túmulo porque tem uma placa com o nome, data de nascimento e data de falecimento de alguém? Lembra demais uma pedra tumular. É como se... uma pessoa fosse sentar em cima de um túmulo. No mínimo, a pessoa é forçada a recordar ou a partilhar da morte de alguém. 

Então olhei para a placa. Quis saber, por curiosidade. Achei que ia encontrar um nome de um falecido de há muitos anos mas descobri que não. Fui sentar no banco em homenagem a um falecido que, se fosse vivo, seria mais jovem que eu. Nasceu depois de mim, faleceu há 15 anos. 

E veio este pensamento à tona: «nunca sabemos quanto tempo temos. Os pais deste não podiam imaginar, ele não podia saber que não ia viver muito. Uma pessoa nunca sabe. Não sabe a sua hora. Posso estar a pensar nisto e sem saber vir a morrer amanhã.».


E agora vou enfiar-me num avião. De uma companhia que nunca antes tinha ouvido falar. E não são sempre esses que caem? 

Bom, já sabem...
Se não me voltarem a ler, sabem o que aconteceu.
Chegou a minha hora! Kkkkk.

+++

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Saúde e sensações


Hoje estou de folga mas nem me apetecia estar.

Não fosse pelas noites e manhãs de horas com tosse e sensação de fraqueza, acho até que teria pedido para ir trabalhar. Será que esta preferência advém da falta de conforto aquando no lar?

Os meus planos passavam por sair nos dias de folga. Dar umas voltas, tentar conhecer melhor os lugares que me rodeiam, encontrar bons sítios para comprar alguns presentes e levar para Portugal... Mas o despertar fraco e doente me impediu de concretizar qualquer dos desejos. Isso e a chuva constante, o frio...



Finalmente consegui ficar inscrita no NHS - o sistema de saúde inglês. E consegui uma consulta para hoje cedo. Mas quem disse que consegui? Deixei de ir ao médico por estar doente!!! Ahahha.
Esta é demais. 

Mas tive vários motivos para achar que a consulta não ia ser produtiva. 
Queriam uma amostra de urina e, como estou, ando a urinar de duas em duas horas... Nem sei que tipo de xixi queriam, só me deram um frasco e nada mais disseram. Seria o primeiro da manhã? Qual deles?? Poderia fazer análises ao sangue tendo ingerido alimentos açucarados duas vezes durante a madrugada? Afinal, trabalhei madrugada adentro... 

Não estava em condições físicas, orgânicas, psicológicas, por isso adiei. 
Também de pouco me adiantaria, viajo em menos de uma semana. É em Portugal que ainda espero poder tratar de alguns aspectos relacionados com a saúde. Mas esperava fazê-lo saudável, não assim!

Muitas pessoas que moram nesta cidade dizem que os médicos aqui não valem nada. Mais que uma já me relatou que vai-se ao médico com qualquer queixa e este responde que "está tudo bem". Receita uma coisa qualquer e põe-te a andar...

Tenho receio desse descaso
Por pior que seja o sistema de saúde Português, penso que é difícil encontrar médicos que façam pouco caso das mazelas dos pacientes.




Se, a tirar pelo exemplo do que experienciei ontem - quando consultada por alguém que me foi dito que seria uma enfermeira, tudo o que aqui querem saber é se bebes e fumas. Algo que especificas com detalhe na inscrição, que te voltam a perguntar um mês depois aquando o registo e no final ainda te entregam outro papel para que voltes a repetir o mesmo. Fui oscultada nas costas. Ainda perguntei se precisava estar com a coluna direita, mas responderam-me que era indiferente e mandaram-me inspirar e expirar normalmente. Mal inspirei, ainda ia a meio do expirar já o coiso redondo saía de um sítio nas costas, para outro. 

Diagnóstico?
-"They're clean. I believe you got an english bug!"
-"Estão limpos. Acho que apanhou um bichinho inglês!"

Pois...
Mas eu conheço a força dos «bichinhos ingleses». Foi depois de apanhar um «bichinho» inglês aquando estudante que todo o meu sistema imunitário se fragilizou e logo a seguir vieram os diagnósticos de anemia e tiroide. Que não se menosprezem os «bichinhos ingleses».




Na outra esfera de preocupações ligeiras, está o ambiente em casa. O indivíduo regressou, e com ele cada qual se evita um pouco mais. A pesar de ser incrível o número de vezes que as portas cá de casa abrem e fecham - um absurdo realmente, acho que chega à centena - cada qual se evita ao máximo. Ainda agora, em que fui buscar ao piso de baixo a roupa que consegui finalmente colocar a lavar, mais para deixar a máquina disponível para outra pessoa que por outra qualquer razão, a porta do quarto da rapariga estava aberta, a música saía alta mas, ao me ouvir descer, a primeira coisa que ela fez foi empurrar a porta para a encostar. Não satisfeita, ainda a empurrou para fechar antes que me aproximasse. Não sei... achei aquele gesto um pouco grosseiro. Porque se me apanham de porta aberta, eu não a vou fechar de imediato. A outra pessoa podia interpretar isso como uma indelicadeza à sua presença notada. 

A minha tosse impossibilita que a minha presença não seja notada.


Agora o que realmente me surpreende é a quantidade de vezes que se abrem e fecham portas. Enquanto aqui escrevo, já a rapariga subiu os degraus umas 15 vezes, foi ao wc umas outras 15... É tão somente um facto que me surpreende. Eu, adoentada, vou muito mais do que é habitual mas... No geral, nenhum fica mais que duas horas sem ir puxar o autoclismo. A rapariga então... É capaz de ir em intervalos de 15 minutos, meia hora.

O que tanto se faz para se precisar tanto de ir ao WC???

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Ilusão de interpretação


Estava a pensar que o tal colega de casa que «desapareceu» por umas três semanas ia abandonar esta e ir para outra. Afinal, entrou à socapa, escolheu o dia e hora com mais probabilidade de não ser visto, andou a arrastar sacos pelo chão, abriu o sótão onde guarda as malas de viagem e pareceu estar a tirar muita coisa dentro do quarto. Além de ter aberto e fechado a porta de casa umas 30 vezes.

Mas agora já não sei. 

Talvez não tenha essa coragem. A pesar de não gostar de cá estar, de não gostar das pessoas, ele gosta do dinheiro que economiza com a renda. Paga a mais baixa, por ter o quarto menor. Tão somente METADE do que eu pago. E se percebi bem, é um tanto sovina. Pessoas sovinas, acomodadas e fartas de viver na mesma casa, por acaso saem para outra sabendo que vão duplicar as despesas?

Talvez fosse bom demais...

Tanto barulho e, se calhar, ele estava mesmo a regressar de férias.
Voltou a por as malas no sítio, esteve a arrastar os sacos de roupa que sujou. A máquina ainda não parou de lavar. 

Entretanto saí e no regresso já não o vi.
Encontrei a outra rapariga, que disse um olá fugaz e ao me ver com uma fantasia de criança nas mãos, logo perguntou se ia de férias para Portugal. Disse que sim. Cada vez que lhe conto quando estou ausente, ora a trabalhar ora de férias, os olhos dela brilham. 

Eu sei que é bom ficar em casa sem muita gente. É bom sentir que se está mais à vontade...
Mas não aprecio as técnicas e táticas para extrair essas informações numa aparente conversa inocente. Só isso me incomoda, de resto...

É levar a vida!
O melhor que se poder.

Amor sem tabus


E preocupam-se é com os primos!


Anda esta sociedade moral a temer durante décadas a união carnal entre primos, condenando e vigiando adolescentes com receio que troquem uns beijinhos, para evoluirmos (ou regredirmos?) para situações bem mais picantes...

ler aqui.

sábado, 28 de janeiro de 2017

Os desejos são PARA SER REVELADOS AOS QUATRO VENTOS!!!


Foi no meu 24º aniversário.
Rodeada de amigos que me exigiram que soprasse as velas fazendo um desejo. Mas advertiram-me: não podia revelar o que desejei a ninguém, caso contrário o desejo jamais se concretizaria

Mal terminei de dar o meu potente sopro, apagando num só fôlego todas as 24 velinhas que me espetaram no bolo da festa surpresa, um deles afirmou convicto:

-"Eu sei o que desejaste".
-"Não sabes não" - respondi.
- "Ai sei, sei!" - diz ele, como se estivesse na posse da capacidade de adivinhação.

Mas intuição de adivinhação é coisa muito mais feminina que masculina. Embora aquele rapaz desse ares e tivesse tiques de quem negava a si próprio uma atracção pelo mesmo sexo, mesmo assim não tinha a intuição típica da sensibilidade feminina.


O desejo nunca se concretizou, mesmo nunca tendo sido revelado. 

E não foi o primeiro. Enquanto crescia, lembro-me de ter desejado com bastante força de vontade, com o sopro que apaga sucessivas velas de aniversário, uma bicicleta. De facto tive uma, que comprei aos 24 anos. Só então se realizou esse desejo.

Não sei de onde vem o mito «se revelares que desejo pediste, este não se concretiza!».
É mentira. Desconfio que se deve fazer exatamente o oposto!! Se for segredo, quem é que vai saber? Quem pode ajudar? 

Mentiras. Assim como tanta outra coisa que se diz e se acredita, sem ter bases fundamentadas para a crença.

É como dizer: "O que não nos mata torna-nos mais fortes".

É um grande disparate
O que «não nos mata» deixa-nos mais fracos. Vai nos matando aos poucos. Nas ilusões, nas esperanças, no corpo. E não é essa a pior forma de morrer?? Se o que não me mata me deixasse mais forte, esta constipação que apanhei na passagem de ano já tinha ido embora, ao invés de me deixar com uma tosse e um nariz pingão que nunca mais desaparecem. Terei de esperar pela Primavera, Jesus? Para me ver livre disto??

De facto, não me mata. Mas me desgaste e me enfraquece. Obriga-me a trabalhar com mais esforço, da mesma forma, mas com menos energia. Obriga-me a ter de assoar o nariz constantemente, a procurar medicação, a sentir dores...

Mas não me mata.  


Há uma peculiaridade sobre os desejos que ainda não mencionei. É que eles, se mantidos em segredo, acabam por realizar-se de forma indirecta. Passam para o vizinho, para o amigo, para aquele conhecido irresponsável que nunca desejou nada semelhante...  Pelo menos comigo tem sido assim. Quase tudo o que desejei mais intimamente aconteceu. Mas no alvo ao lado. Não pensem com isso que tenho ressentimentos. Não os tenho. Sinto - com a tal intuição feminina - que essas coisas vieram a acontecer por interferência energética também minha. O meu desejo, a minha vontade, contribuiu. 

Existem pessoas assim e eu creio ser uma dessas pessoas. 
E foi então que, meses depois, quando soube que o que eu desejei naquele sopro de apaga-vela-de-aniversário ia acontecer com outra pessoa, EU SOUBE. Eu soube que tinha sido a força do meu desejo. Era a forma como teria de concretizá-lo. E com isso teria de me contentar.

Deus, ou quem ou no que queiram acreditar, escuta as nossas preces. E responde a muitas ou mesmo todas. Não faz é as coisas exatamente como as idealizamos. Faz de maneira diferente, através de outros... A vida é uma aprendizagem.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Mudança de Visual


Tem-me apetecido mudar algo na minha aparência.
Mas não estava convicta de que mudar o penteado era a mudança que procuro.

O que mais quero mudar é a aparência da pele do rosto.

Não que tenha problemas mas... queria voltar a reconhecer-me nela. A identificar-me. Com a pele e com os meus traços. A idade e os seus sinais bem que podem ficar. Não me reconheço nos poros mais dilatados, nas diferenças ténues de tez, nas marcas de borbulhas do passado impulsivo... Se um dia soube que ia estragá-la tendo-a boa, hoje quero-a boa tendo-a estragado.

O que preciso agora é de uma mudança diferente.


Peelings?
Não sei.
Talvez um dia vá cuidar de mim como nunca pensei cuidar antes.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

E as coisas andam assim: a rolar


Sinto-me uma amiga «ingrata» por não escrever com mais assiduidade no blogue e interagir com os vossos com mais regularidade. Mas cá estou eu, contente por ler os vossos comentários e ansiosa para me actualizar com os vossos blogues! Eheheh.

Poucas ou nenhumas novidades por terras de Sua Majestade. A vida continua a andar, na sua rotina... Ser uma pedra rolante e não uma parada, já me faz sentir bem. Ser uma pedra parada é quase estar morto enquanto vivo.

Agora me desculpem, mas vou visitar-vos :)



sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Escolhas Existenciais



Estou com dúvidas.

Tenho trabalhado muitas horas. Quando tenho dias de folga, nem sei o que fazer com eles. Sei que tenho de os usar para descansar o corpo e tratar da lida doméstica. Mas no que respeita a actividades de lazer, que é o que realmente nos carrega as baterias para o resto dos dias, começo a sentir desanimo, por não ter com quem as partilhar nem saber onde ir e o que fazer. 

Vim sozinha para outro país. E como comecei quase de imediato a trabalhar, não deu para criar nenhuma relação fora desse contexto. Na casa onde vivo, bem que tentei. Mas depois do que aconteceu semanas antes do Natal e após todos ignorarem a quadra e as decorações Natalícias, entendi perfeitamente onde vinha morar.

Não conheço ninguém cá. Ou melhor: até conheço alguém que vive a uma hora daqui, mas são pessoas que também trabalham e só têm os fins-de-semana livres, coisa que eu não tenho. E ainda que assim os tivesse, começo a ter dúvidas quanto aos passos a dar.

Vim para Inglaterra para me sentir útil e trabalhar.
Isso já consegui.

Mas permanecem sempre dúvidas. 

Devo viver para trabalhar ao invés de trabalhar para viver?
Que tipo de vida será a minha se continuar neste rumo?

Devo tentar encontrar trabalho mais dentro das minhas áreas de prazer e formação, arriscando ter de mudar de cidade, encontrar um emprego menos estável ou com uma remuneração menos aprazível? Devo solicitar uma carga horária semanal menos carregada, a fim de me sobrar tempo para o dedicar a outras actividades? Devo voltar a estudar?

Na vida, as dúvidas persistem... Sempre.
Vir para cá foi uma decisão certa. No fundo sei que, acobardar-me agora, não é certo. Mas ao mesmo tempo... 

Sinto uma vontade grande de me sentir em paz, a viver numa casa própria, onde posso cozinhar e viver completamente à vontade, sem ter de me privar ou me sentir policiada.