quinta-feira, 21 de março de 2019

Que ideia FANTÁSTICA!!!

A do Google em nos permitir COMPOR música através da "Celebração de Bach", hoje, na sua Banner de identificação.


Se ainda for a tempo de experimentar, tente. Eu compus esta obra de arte, ahaha!


Adorei os bonequinhos. Tão simpáticos. Além de uma intro sobre o que é música, dá para compor, receber uma "ajudinha" dos outros músicos com a harmonia e fazer o download da peça criada por ti. No youtube descobri o trabalho por detrás desta criação e os seus (quase sempre exclusivamente) jovens criadores. Que mundo lindo, o da arte.



quarta-feira, 20 de março de 2019

PRIMA VERA


começa HOJE


Quem gosta?

Suspeita de roubo



Bom, eu vinha cá fazer o (desejado) último post sobre os problemas domésticos na casa. Quis que soubessem que depois do último desabafo, decidi agir. Na sexta-feira escrevi uma mensagem no grupo pedindo para ser avisada quando trouxessem pessoas para passar cá a noite. Esta mensagem despoletou uma série de reacções que me aliviaram bastante a carga de stress que vinha a sentir.

A mais-nova, que tinha acabado de entrar à surdina com uma convidada para dormir, perguntou se aquilo era "sobre a visita dela", dizendo que ela ia dormir cá duas noites e que iam ficar fora do "meu caminho" (o que achei insultuoso, pois não sou nenhuma ogre para que escondam pessoas da minha presença). Respondi que aquilo era geral, pois haviam duas outras pessoas acabadas de chegar no andar de baixo e se amiga dela ia ficar cá a dormir eu não sabia. Por mim era bem-vinda como qualquer outra, só estava a pedir que me avisassem, para não saltar em sobressalto cada vez que escuto portas a abrir e ruídos inesperados.  

Ela veio com histórias sobre "pensava que tinha-me contado" mas "esqueceu-se" e eu parecia-lhe tão ocupada... não me via pela casa. Tudo mentira. Acrescentou que tentou ESCREVER uma mensagem fazia mais de uma semana e eu a bloqueei. Mentira. Acontece que o senhorio também tem acesso àquele chat e ela estava a escrever para ele ler.  Percebi-o de imediato. Por escrito, ela soa a pessoa simpática. Mas podia sentir que por detrás daquele flagrante, estava raiva por ter sido exposta de forma inesperada. 

Respondi-lhe que tinhamos de falar, porque ela tem-me visto pela casa e não me cumprimenta e que tinhamos de deixar quaisquer mal-entendidos clarificados. Este confronto deixou-me aliviada. Um peso saiu-me dos ombros. 

Mas também deixou-me alerta para eventuais retaliações. Por isso, quando a mais-nova, que tinha acabado de deixar na sala antes de subir para o quarto, escreveu no grupo "alguém viu os meus Rayban? Deixei-os algures na casa" um "alerta" soou cá dentro. Intuí de imediato que aquilo era uma semente colocada para germinar


Respondi pelo chat e fui a única a fazê-lo. Claro. Era a única que ela queria atingir. Desci à sala e disse-lhe, à frente dos restantes: "Desculpa, mas não vi os teus óculos. Não terás esquecido deles noutro qualquer lugar?" - e ela ficou um tanto baralhada, quase andou para trás... as outras raparigas ficaram a olhar como que a tentar perceber que conversa era aquela. Só depois percebi que a mais-nova não deve ter perguntado nada às restantes. Ela insinuou que foi no dia em que ela desceu à sala e eu estava lá, sabendo que me deixava sozinha em casa, que "perdeu" os rayban

Os meus sentidos estavam a dizer-me para ter cuidado. 

No dia seguinte a ter trocado aquelas palavras com ela no chat, vi-a na casa-de-banho e cumprimentei-a. Fingiu-se de surda. Então voltei a cumprimentar e ela lá ruminou um som. Continua a agir como se eu fosse invisível e eu falo com ela e espero uma resposta. Hoje, terça-feira, entra na casa, nada diz. Estou a limpar a cozinha pelo que ela escuta-me. Quando a vejo - de costas, digo-lhe "Olá".  Ela não responde. Volto a dizer Olá e pergunto-lhe se tem os phones nos ouvidos. Ela então responde e continua desinteressada. Digo-lhe que estou a limpar a cozinha e pergunto-lhe se vai precisar de usá-la. Responde-me que não. "Hei - no". Foram as únicas duas palavras que me dirigiu. E já foi 100% mais que da última vez. A tal conversa que pretendo ter com ela, ainda não aconteceu. Se passar muito mais tempo não fará sentido. Depois de terminar a limpeza, estive para lhe falar, aproveitando o estarmos só nós as duas no espaço. Mas o confinamento a que ela se restringiu durante as dias horas em que andei nas limpezas e a porta fechada do quarto indicou-me que provavelmente estava a dormir. Depois quem adormeceu fui eu. Fui despertando durante o sono mas não escutei os habituais convívios no andar de baixo, pelo que não sei se o paradeiro dela ficou pelo quarto. O rapaz faz-lhes falta para eliminar qualquer libidez. 

Decido descer à cozinha, encontro a mais-velha a apanhar um rolo de papel higiénico para o levar ao andar de baixo, digo-lhe "Olá" ela responde. Depois enfia-se no quarto e quando chego ao final das escadas, uma voz chama por mim e pergunta se pode falar comigo, porque "já falou com todos os outros".

Respondo-lhe "está bem" mas sinto-me estúpida por não ter o telemóvel comigo. O meu impulso é ir buscá-lo. Como precaução, por vezes coloco-o a gravar. Sinto-me melhor se souber que ele está ali como testemunha. É talvez parvo, porque jamais o usaria, mas é uma medida de cautela que me reconforta caso aconteça alguma conversa inesperada e depois apareça o diz-que-não-disse

E estava certa. Quase meia-noite e a hóspede nº1 - que nem sabia presente na casa, diz-me isto:
-"Alguém tirou dinheiro da minha carteira. Sabes alguma coisa a respeito disso"?
Choque.

- "não... como assim?"
- "Alguém tirou dinheiro da carteira da minha amiga e da minha. Estava ali no sofá. Já falei com todos (aqui fico enervada... sempre a mesma larota), são meus amigos, confio neles. Sabes alguma coisa sobre isso?"
-"Não, não sei nada sobre isso. Eu não tirei dinheiro nenhum!"

Ela achou o meu tom suspeito, perguntou-me porquê estava a responder como se a tivesse a atacar e diz-me que é a reacção de uma pessoa culpada. Ah sim? E como é que seria a de uma inocente??

A hóspede... A hóspede que devia agir com mais decoro, a falar com autoridade e prepotência, sem papas na língua para acusar, dizendo na sua "alta sabedoria pseudo-analítica" que a minha reacção irritável era "como as pessoas culpadas costumam reagir". Pois eu agi como pessoa injustiçada, que tinha acabado de escutar que todas as outras eram amigas confiáveis. 

Ela disse-me que só perguntou, não acusou. Lembrei-a que me disse que já falou com todos, eram seus amigos e confiava neles. O que isso significa? Sobra quem para suspeitar?

Depois de terminar a conversa, as duas ficam no quarto e entram de imediato na galhofa. É como se o assunto que tanto as perturbou até o momento, deixasse de existir. Fiquei duas horas ainda a escutar as galhofas, umas atrás das outras. Elas riam, e eu enervada. Daí ter enviado mensagem ao senhorio. Foi um erro.

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Como a intuição já me tinha alertado para a eventualidade de uma armadilha do género estar em andamento, o tempo todo ocorreu-me que aquela situação foi encenada para poderem atirar as suspeitas para cima de mim. Ao mesmo tempo, continuo uma pessoa crédula e dou credibilidade às afirmações desta hóspede. Se a vissem... jovem, 22 anos, rosto de anjo. Mas é escorpião e cobra ao mesmo tempo. Venenosa. Gostei da outra, mas esta é ruim. Tem uma forma de agir e de pensar que é maliciosa. Não tem nada de inocente, sabe atacar muito bem. Parece anjo, mas é safada. Pensa o pior de todos. Hoje mencionei-lhe que a vi na sexta, com o irmão.... ela falou "sim, tive cá o meu... irmão" voltei a pensar se aquela pausa deveu-se a estar a mentir quanto à relação real do rapaz com ela. Quando a mais-nova atendeu a porta na tarde do sábado seguinte, escutei o cumprimento de um rapaz que se enfiou no quarto desta hóspede. E por algum motivo que suspeito intencional, a mais-nova decidiu telefonar a alguém, subir as escadas e dizer : "Adivinha quem acabou de entrar? Bateu à porta e eu fui abrir...."

A mais-nova já conhecia o "irmão"??
Que eu saiba, conhece tipos quando sai para as borgas... 

Esta "hóspede" enfiou cá dentro uma curte qualquer, provavelmente. Contudo, é tudo "malta de confiança" deles. E se alguma coisa é furtada, as suspeitas recaem sobre os que cá vivem e eu acho até a insinuação de uma coisa destas ofensiva. Porque cabe a ti certificares-te que não colocas as coisas "à disposição". Principalmente sendo hóspede. Hóspede que traz hóspede e nem comunica. Insólito! A conversa "pensei que podia confiar nas pessoas desta casa" quando não se conhecem essas pessoas não faz sentido e é também ofensiva. E as pessoas que vivem na casa podem confiar nela? A realidade é que NINGUÉM SE CONHECE. Escutam-se histórias. Horríveis. O bom senso dita que tenhas as coisas que gostas salvaguardadas. E sendo hóspede, tens essa responsabilidade reforçada. Para não trazer discórdia para a casa de outros. Porque carga de água uma hóspede, vai deixar uma carteira com dinheiro na sala?

Vi muitas malas, a aparecer e desaparecer, até fotografei aquela amálgama, mas sequer lhes toquei. Escuto pessoas a entrar e a sair... qualquer uma podia fazê-lo. Mas não... tem de ser alguém "da casa". E como refutar isto? Responderam-me muito ofendidas, que "veio cá o meu irmão" o meu "melhor amigo" - sobre os quais não recai qualquer suspeita.

Sei lá eu... só oiço idas e vindas. Desejo que na casa que ela vier a ocupar, esta situação seja recorrente. Que é para provar um pouco do veneno e da discórdia que a sua presença veio causar nesta casa.

Porque é irrefutável: ter esta pessoa dentro desta casa causou stress. Jamais os restantes vão admiti-lo, mas começou com a falta de cumprimentos, passou pela falta de limpeza do fogão (ela hoje mostrou-se indignada por eu ter escrito que foi na noite anterior que o fogão foi deixado sujo) e agora... algo inédito nesta casa e até na outra onde vivi: acusação de furto!

Que belo contributo a hóspede trouxe consigo...

Isto de ter hóspedes em casa... não é bom. Compreendo agora e até defendo que casas partilhadas devem ser para uso exclusivo dos que cá moram e nada de visitas para "passar a noite". Depois cenas destas acontecem, os culpados dão à sola, e uma casa é deixada desestruturada com pessoas a suspeitar umas das outras. Bonito serviço!


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Subi ao quarto, peguei no telemóvel e fui ter com elas (as amigas) para voltar ao assunto. Desta vez com o aparelho já a testemunhar. Se bem ou mal, nem sei. Era só um consolo sabê-lo ali. Falou-se de muito. A ideia de que tinha sido alguém na casa, sobressaiu. A ideia de que todos os restantes eram confiáveis, também. A noção de que a presença destas hóspedes tornou-se intrusiva e veio a perturbar a paz na casa passou-lhes totalmente ao lado. Têm sido muito bem recebidas, por mim em particular. Mas não o merecem. 

Em Portugal, quem recebe bem espera que o hóspede tenha cortesia de o reconhecer, a delicadeza de agradecer e a sensatez de demonstrar certos gestos de educação. Em itália deve ser o oposto. Chegaram, não falaram, puseram-se a usar como se fossem donos, altivos... Se fosses hóspede na casa dos TEUS amigos, tudo bem. Era diferente. Mas numa casa partilhada? Que atitude feia, estranha, super egoísta. 


Na minha inquietação e não tendo com que desabafar, não vim logo aqui escrever. Decidi enviar uma mensagem ao senhorio. Erro. Respondeu-me de imediato: Isto não podia esperar até amanhã? Já me acordas-te uma vez às 5 da manhã.... 

Uma vez respondi a uma msg dele um pouco cedo, porque ia trabalhar. E antes que julgasse que o ignorava porque a mensagem era anterior, e porque no emprego não tenho net, respondi-lhe de imediato. E era um pouco cedo. 

Nunca sei se a pessoa desperta com uma mensagem. Sempre penso que ela fica ali, até a pessoa a espreitar. Se estás a dormir, decerto evitas ser desperto por mensagens, diminuis o som, talvez... não sei. Eu ignoro, dou meia-volta e adormeço novamente. Mas também deve depender se uma mensagem faz "bip" ou decide tocar uma música... (o que me parece impossível no whatsup).

Senti-me de imediato aliviada, mas aliviei-me de forma errada e com a pessoa errada. Ele nada tem a ver com isto, são assuntos para serem resolvidos entre nós. Mas eu estava também preocupada com a possibilidade de outra pessoa avançar a dizer que "mais alguma coisa desapareceu", querendo atirar as suspeitas em cima de mim. E se o senhorio não disser: "não tragam hóspedes" para cá (que não vai dizer) ou "coloquei fechaduras por algum motivo"... talvez ele fosse mais assertivo a respeito e os fizesse recuar naquilo que eu intuo poder ser uma falsa acusação.

Porque se não for, é real. E se for real, alguém tirou. E esse alguém tanto pode ser de fora - como pode ser o caso, como pode ser de dentro. O que acho improvável mas... uma pessoa já estava a insinuar ter perdido os rayban na casa...

Ladrões costumam acusar primeiro, para não serem suspeitos.

Estão a ver? No que é que dá trazer hóspedes para dentro de casa?
Porcaria.






domingo, 17 de março de 2019

Para combater a INSÓNIA (novo remédio)


Têm dificuldade em cair no sono? Acordam com facilidade?

Há quem use tampões nos ouvidos. Há quem tome soníferos. Há quem beba leite morno... Tentei todos esses, sem grandes eficiência (para que saibam o mais eficaz ainda é o «famoso» leite morno*)

Há quem adormeça todas as noites com a TV ligada. Costumava sentir algum incómodo com esse método. 

Hoje dou por mim a usar o computador para esse fim. Sim, adormeço com muita parnafenalha electrónica ao meu redor. Descobri que não é o som de qualquer programa televisivo que pode funcionar. Usar o youtube é diferente de usar a TV, que nos intervalos publicitários brinda os nossos ouvidos com decibéis mais altos.

Ora, por incrível que pareça, costumam ser vozes a relatar casos de investigação criminal as que me "caem" melhor. Lendo os comentários deixados nesses programas, percebe-se que esta prática é muito comum. Existe até consenso: a MELHOR voz (e tenho de concordar a 200%) off que alguma vez existiu foi a do locutor americano Peter Thomas


Aqui está um exemplo do seu trabalho. Ele foi o locutor da série Forensic Files e a sua voz a relatar coisas desagradáveis soa ao mesmo que escutar uma história infantil contada a crianças. Agradável, serena, perfeita. Ao mesmo tempo, não deixa de ser perfeita também para a função que está a cumprir. Esta voz costuma ser aquela com que vou entrando no sono. Já vi todos os episódios repetidamente, mas a percepção de familiaridade não se sobrepõe ao prazer da sonoridade. 


Porém, este método de deixar o Youtube ligado também pode causar um efeito contrário. Por vezes as vozes entram dentro do cérebro já adormecido e interferem com o descanso. Acaba-se por acordar. E no cérebro, parece que estão a "martelar" as mesmas frases, com a sensação de "já ouvi isto antes".

Mas hoje vim aqui revelar que encontrei um novo remédio dentro da mesma linha, muito mais eficiente. Apareceu ao acaso, pois adormeci com scketchs de comédia do SNL e fui acordando com vozes serenas que me puseram novamente a dormir. Sabem o que foi? Uma discussão do Comité Judicial no Senado Americano! Ora oiçam lá:

Vou passar a usar este video para adormecer. Como falam todos com calma, serenidade, respeito... o assunto ia entrando, mas o sono também. Coisa estranha!



 * (Leite gordo. Água disfarçada de leite não resulta)

sábado, 16 de março de 2019

Guardado no baú...


E acrescento que a INDIFERENÇA é cruel em qualquer idade. Indiferença para com os idosos ou para com os adultos.

sexta-feira, 15 de março de 2019

Mais um... desabafo


Ontem passei uma boa parte do dia na sala. Foi um milagre.
Explico:

Em julho comecei a fazer uma estante a partir de cartão. Aproveitei os momentos em que ninguém estava em casa, que não foram muitos. A última vez que consegui dedicar-me a essa bricolage foi em Setembro. Passaram-se seis meses!

Ontem acordei cedo para ir ao centro de emprego, e regressei mais cedo ainda. Assim que me ouviram desperta, o casal-amigo-que-quase-nunca-trabalha tratou de ir para a sala. Mas pouco depois de eu ter terminado o post anterior, vi os dois sair. E dei-me conta que podia adiantar, quem sabe até, finalizar o meu trabalho. Estava inspirada e motivada pela recente aquisição de materiais mais apropriados.

Material esse armazenado no meu ovo de quarto. Contudo, tudo cabe nele. É que não acho correto impor nos espaços comuns coisas que não precisam de lá estar. Não é muito bonito de se ver. Dá um ar desleixado de acumulação de lixo. 

Antes mesmo de reunir tudo no andar de baixo,  eles os dois entraram e, como sempre, ficam pela sala. Pergunto se posso ficar a usar a mesa, o rapaz responde: "Tudo bem".

"Tudo bem" mas sinto que preferiam não me ter ali, como habitual. Mas nem sempre posso estar a enfiar-me num buraco só porque eles permanecem naquele espaço sem nunca o deixar a não ser para dormir. Dei conta que não foram fazer compras. Mais tarde reparei que trouxeram uma gorda mochila, que deixaram em cima do sofá, tentando ocultá-la com um casaco.


Porquê ficou ali e o seu conteúdo não foi mexido, só entendi às 2 da madrugada. 
Adiante:

Acabei por ficar na sala e adiantei um pouco o meu projeto. Mas depois de umas três horas, não dava para continuar. A mesa não fica numa zona iluminada e a luz artificial não deixa ver bem. Pelo que comecei a arrumar. Senti o tempo todo que estavam à espera desse momento. 

Mal entrei no quarto carregando as últimas coisas, batem à porta. Já sentia animação vinda do andar de baixo. De seguida escuto uma voz feminina italiana, e outra, e outra, e escuto muitas portas a abrir e fechar. Ouvi a mais-nova chegar e entendi que tinha sido avisada e convidada a participar no que quer que fosse que FINALMENTE tinha começado a acontecer no momento em que me afastei. 
Estavam só a aguardar me ver fora dali.

Opá. Sinto-me mal, pois sinto. Fiquei triste. Percebi que não ia voltar a descer à sala. Até me incomodou a ideia de ter de cumprimentar aquela gente, que depois nem me fala. Ver rostos altivos, cheios de contentamento e à vontade no espaço que eu pago para viver e elas não, como se isso não fosse uma imposição de presença.

Só começaram a dispersar à 1.30 da madrugada. Mas eu escutei ruidos alarmantes. Pessoas entram, mas não saem. E isso É alarmante.

Lembram-se da "amiga"? Que era suposto vir de visita e dormir cá a 28 de Fevereiro por uma semana? E que acabou por ser hóspede ocupando a casa na ausência de quem a trouxe cá para dentro? Essa trouxe outra com ela, ficou por seis dias consecutivos a usar o espaço sem dele sair. E sem se apresentar ou cumprimentar quem cá mora. Foi um martírio. 

Disseram-me que "não regressava". Mas percebi agora que sou ingénua por acreditar no que me dizem. O que me disseram foi que vem outra para cá já no dia 18, quando o rapaz for de férias. A tal trazida pela outra. Chama-se Laura - foi-me dito. Então eu estou à espera de uma Laura, no dia 18. E de mais ninguém! Porque o rapaz também me disse que a «outra» não vinha. Pois! Deve ser deve... Foram embora mas as merdas todas que possuem continuam cá. As áreas comuns estão a abarrotar de sacos, malas, roupa... e o que mais me espanta, comida. Mas não comida que já se tinha comprado e não se vai deixar para trás. Comida acabada de comprar, perecível em dias, perecível sem frigorífico.

A tal de Laura disse-me que vinha para cá mas ia trabalhar, pelo que mal a ia ver. Não ia ficar pela casa. Perguntei ao rapaz se a outra que ainda cá estava também ia ficar. Respondeu-me que não. MAS ele também disse que ele e a outra iam os DOIS de férias. Vai o quarto dela ficar vazio??

Opá, eu estou... que nem consigo adormecer.
Não consigo relaxar. Sinto-me tensa. 

Daqui a seis horas a sala vai estar novamente ocupada por os habituais e se calhar mais um bando de rostos novos. Ninguém me disse nada. 

Desci à sala a receio... do que poderia encontrar. E encontrei-a ainda com mais tralha enfiada pelos cantos. Uma das malas, com uma etiqueta de identificação, refere-se a um nome de mulher italiana, que não é Laura nem é a da outra... 





Querem ver??
Arrebento ou não arrebendo?


PS: Na segunda-feira ao chegar a casa tinha cá o senhorio que veio arranjar a porta do chuveiro respondendo a um chamado deles - os italianos. AMBOS decidiram chamá-lo. Enviaram mensagem privada - não no grupo referente à casa. Eu não estava a par. Ora, eu sei que eles não se preocupam nem tinham intenções de o chamar. Desvalorizaram o assunto quando eu o mencionei! Acho que o fizeram para evitar que pudesse ser eu a fazê-lo numa altura que não lhes fosse conveniente. 

E pergunto-me se isto foi feito na segunda, porque a altura não conveniente é esta sexta?

quinta-feira, 14 de março de 2019

Apeteceu-me esmurrar-lhe os dentes


O seu tom condescendente, a preocupação falsa, a atitude a descartar e os constantes "Okay?" em voz infantil fez-me visualizar um punho a dirigir-se com velocidade até os dentes da sua boca.

Falo de uma funcionária que me atendeu hoje, no centro de emprego. Era suposto ter uma hora marcada com um "working coach". Finalmente, desde que a lá me dirigi em finais de Fevereiro, ia poder receber a orientação de alguém formado em ajudar quem procura emprego.

Aqui no UK a burocracia dita que se sigam procedimentos. Até para te verem o CV e ser orientado no rumo a seguir. Que era só o que pretendia, realmente. AJUDA. Mas aqui, para qualquer coisa, é preciso fazer uma "clame" e pedir ajuda financeira ao Estado. Se não estiveres a receber "beneficts" o Centro de Emprego não pode legalmente fazer algo por ti. O que para mim sempre soou a absurdo! Para receber orientação sou forçada a receber dinheiro do Estado! 


Então, para poder chegar a um orientador de emprego, para poder inscrever-me num dos (quase não divulgados) programas de estágio, tive de fazer uma "clame". Burocracia vai e vem, toma lá os extratos do banco de Portugal e os de cá, toma lá cada recibo de vencimento, toma lá os P45 (um impresso muito útil que aqui faz as vezes de impostos, vem em triplicado e comprova muita coisa), cópia do contrato de arrendamento, cópia de Passaporte (eles nem querem saber de Cartão de Cidadão. Ou é carta de condução Inglesa ou Passaporte - o resto não existe). Uma mão-cheia de documentos que são constantemente pedidos seja qual for o propósito.

Fiz a clame e marcaram-me um dia com o working coach. Que era o meu principal objectivo o tempo todo. Essa marcação ficou para hoje, às 10 da manhã. Sobre a clame no dia 8 recebi a resposta: foi rejeitada porque a legislação considera-me uma pessoa "com direito a viver e trabalhar no UK e que está à procura de emprego". Aparentemente a clame ao que eles chamam de Universal Credit não é destinada a quem procura emprego, mas aos que já têm emprego.

Ora bolas!
Mas não podiam ter dito isso logo? Escusava de meter a clame nesse tal de Universal, apresentava-a então no local mais adequado. 

Uma total falta de tino da parte dos funcionários. É que nem pensam. Se não tenho direito para quê aceitar e pedir documentos? Avisem logo que a rejeição é certa e orientem-me para o caminho certo.

Só depois, consultando o site, é que vi que afinal o Universal Credit não é o substituto para o Jobseeker allowence. Foi-me dado a entender que este tinha sido extinto, porque disseram-me que "já não existe" e que tinha sido substituido pelo "Universal Credit". 

Então, a semana passada, online, fiz uma nova clame, desta vez para "quem procura emprego". Ai!

Mas estava expectante para esta marcação de hoje. 
Preciso do tal mentor... 
Sou péssima a procurar emprego, tenho de interiorizar isto. 

Estava tão contente por finalmente ter alguém que me ajudasse e chego lá, o meu nome não consta em lista nenhuma. Não tenho marcação.

Então não é que eliminaram a marcação?
Sem me dizerem nada!
Deve ter sido automático.

Mas que coisa sem sentido!

Tenho nova marcação para outra clame dia 18. Acontece que o funcionário que recebeu os anteriores  documentos frisou bem que não me podia orientar porque eles não são working coach. Contudo, hoje foi-me dito que quem ia receber a minha clame era um e podia substituir esta marcação. So que eles cumprem a função específica para a qual estão escalados. Por isso perguntei: "E em que categoria é que ele me vai receber? No papel para a clame ou como working coach?".

-"Ele é um working coach" - repete ela sem responder à pergunta.

Estava novamente num tom condescendente, de falsa preocupação e visivelmente preocupada consigo mesma, não queria dizer nada que a comprometesse. Só se desviou das questões, demonstrou comportamentos estudados e repetidos como se uma atriz fosse, expressou frases-feitas, ocas...

Como começo a detestar pessoas que se colocam em cima do muro!

E visualizei aquele punho a viajar até os seus dentes...


O pior é que, no fundo, SEI que estou a perder tempo com o Centro de Emprego.
Mas lá vou eu, esperançosa... que me surpreendam e façam um trabalho eficaz.


terça-feira, 12 de março de 2019

Descobrir onde está o coração das pessoas - pt1


Ia para contar esta história. Mas depois adiei. Sei que os meus relatos domésticos não devem ser bem acolhidos por quem me lê, pois não recebem comentários. Mas às vezes simplesmente preciso de desabafar. Na última vez que o fiz, contei que escrevi no quadro "Eu Existo". Foi mais uma auto-afirmação, um resquício meu a recuperar a minha auto-estima.

O que ia para contar é que no dia seguinte a mensagem no quadro havia sido substituída por "é favor limpar o fogão DEPOIS de usá-lo. Esta noite estava absolutamente nojento!".

Ora, eu tomei a mensagem a peito. Não gostei. E porquê? Porque sabia que a mensagem era destinada somente a mim. E eu não tinha nada a ver com o fogão estar sujo. Nunca tenho. Tenho o hábito de limpar tudo antes mesmo de começar a comer! Considerei a insinuação ofensiva. O fogão foi deixado sujo muitas vezes antes. Nunca ninguém deixou uma mensagem escrita em qualquer uma dessas ocasiões. Porquê deixar no dia em que usei a cozinha pela primeira em mais de duas semanas para fazer uma sopa? 

Vivendo eu nesta casa há quase um ano, tendo sempre demonstrado que limpo atrás de mim, nunca deixei nada sujo e sabendo-se muito bem quem repetidamente deixa o fogão sujo (o rapaz) considerei a insinuação de carácter caluniosa. A malícia implícita caiu-me mal. 

Como a comprová-lo, nessa noite não sai do quarto, mas escutei-os todos lá em baixo. A cozinhar, a ver TV... a falar uns com os outros. Pelo que não é credível que a mensagem no quadro realmente tivesse ali sido deixada para "todos". Ou eles deixam a si mesmos recados no quadro enquanto conversam animadamente?


Vi que o fogão estava sujo às 10h da manhã, quando desci à cozinha. Até tirei a fotografia acima. De tarde, animada pela perspectiva de poder cozinhar pela primeira vez no que me pareceu DÉCADAS e não querendo que uns legumes comprados dois dias antes se estragassem, cozi-os em lume brando. Nem um salpico fez. O fogão já estava sujo. Animada pela antecipação de comer algo quente e feito na hora - o que já não acontecia há milénios principalmente pela presença constante das "hóspedes", lavei o tacho e fui embora. A sujidade permaneceu onde já estava desde a noite anterior. Noite essa em que as "visitas" cozinharam ficando pela cozinha e pela sala o dia inteiro. Pela hora de jantar voltaram a cozinhar, e o rapaz também, junto com elas. Tendo depois sentado-se no sofá agarrado ao computador. A limpeza foi deixada ao encargo de quem?

A palavra "nojento" é muito agressiva. Nojento está o forno, que eles usam diariamente extensivamente. O rapaz, que foi quem deixou o fogão sujo (aliás, a mancha maior está sempre no mesmo local, ele cozinha sempre o mesmo e suja sempre da mesma maneira) gosta de pré-aquecer o fogão vazio na temperatura máxima durante muito além de 30 minutos. Consegue-se sentir o oxigénio a ser sugado do ar. É claro que esta prática faz com que tudo escureça no interior. Depois está sempre a assar pedaços de frango o que acabou por resultar num vidro castanho de gordura.

Mas aparece alguma mensagem no quadro a chamar aquele amontoado de gordura de "nojento?". Não. Porque ainda não podem impingir-me essa responsabilidade. 

Ao ver a mensagem, que preenchia o quadro quase todo, rabisquei uma resposta. Nem foi acusativa, foi mais para deixar claro que o fogão estava sujo desde a noite anterior. Escrevi: "Foram as hóspedes ou quem mais cozinhou na noite anterior".

Ninguém me disse nada. O assunto não foi abordado comigo. Vi alguns entre-olhares entre eles e a sensação de silêncio quando de noite entrei na sala. Tenho a certeza que a mais-velha, que trabalha pela manhã, ficou logo a par da mensagem de resposta através do whatsapp. Esta foi apagada algures durante a hora do almoço.

E pronto. Acho que isso deixou-me "suja" diante deles. Porque "ousei" dar resposta.

É que não aguentei a insinuação!
Bolas. Até parece que estavam à espera de me ver chegar perto do fogão para me acusar de algo.
Aliás, vivo em gelo muito fino....

Sei que esperam que cometa um deslize para assim conseguirem sustento para futuras implicações. Não é por isso mas, ainda não quebrei o calendário das limpezas por tê-lo percebido. Tirando a mais-velha e eu, o resto não limpa.

Mas eles encobrem-se entre si.
Tanto assim é que a mais-velha agora deu para limpar na vez do rapaz. Que só suja. Isso é um pouco revoltante, porque ela está sempre a encobri-lo. Protege-o e defende-o de qualquer coisa. É ele que traz para dentro desta casa pessoas, e pessoas é o que ela mais deseja. Italianas, claro. Porque se fossem de outra nacionalidade decerto acabaria por se focar nos defeitos, tal como acontece quando fala de ex-inquilinos de outras nacionalidades que viveram na casa. Mas se forem italianos, por pior que se comportem, a esses arranja desculpas. A arranjada para a que-não-limpou-nunca era que vinha de uma família posh. Portanto, podia ofender os restantes sujando e não limpando... entendem? Ela quer cá pessoas para não se sentir só e poder exibir-se na cozinha, mostrar os seus dotes com pratos italianos, fazer receitas tradicionais que diz secretas, poder explicar que cada ingrediente é especial porque veio da itália e, claro, conviver.

A pesar de dizer que tem muitos amigos, não me esqueço que passou o fim-de-semana do seu aniversário sozinha na sala. Recebeu postais sim... mas não conviveu com ninguém. Para isso ela precisa do rapaz. Caso contrário ninguém aparece. E se para ter isso ela precisa fechar os olhos ao que quer que seja, defendê-lo ou juntar-se a ele numa qualquer perseguição, é exatamente isso que vai fazer.