sábado, 24 de agosto de 2019

Ciclos?


Há uns anos, ele tinha 28 e eu oito mais. Achei que a diferença era grande para aceitar o seu interesse por mim. Tivesse ele insistido e não tivesse aceite os argumentos para a minha nega e talvez eu tivesse acabado por ver as coisas por outra perspectiva e mudado de ideias. Mas ele aceitou e uma série de contratempos fez o resto.

Hoje, com essa lembrança a vir ao de cima, só pude soltar umas boas gargalhadas!

Desta vez ele é ainda mais novo. Tem 25 e eu mais uns tantos que os oito de então.

O reflexo que o espelho me devolve e a forma como vejo o meu corpo mudar e a dar sinais de idade é que me mantém ligada à terra. Essa é a verdadeira questão que nos assusta.


sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Serão as hormonas?


No emprego passei por uma situação...
Então não é que me deu uma coisa?

Peço que me expliquem, quem já passou por isto. É estranho mas... sabemos nós, mulheres, que por vezes "dá-nos" umas coisas, geralmente perto da altura da menstruação descer. Um supervisor chegou-se até mim e disse:
-"Portuguesinha, na segunda-feira tu colocas-te duas encomendas no sítio errado e estavam à espera delas noutro. Tu falas muito e acho que é por isso. Quero que te foques".
- "Claro" - respondi-lhe.

Cada vez que algo falha no emprego, que seja de minha responsabilidade, sinto-me triste. Mas concordei e não levei a mal. Acontece, todos erramos uma vez ou outra. A segunda-feira foi um dia muito cheio de trabalho, com confusão pelo meio, muitos a dar ordens, a trocar as coisas dos lugares onde as tinha estipulado, etc. Não levei a mal o que disse, mas depois as palavras ditas começaram a afundar dentro de mim e a ecoar dentro do meu ser. E subitamente mudei de temperamento. 

Senti-me revoltada. 

Porquê? Porque não achei correcto da parte dele concluir que cometi uma distracção por "falar demasiado". No máximo, falar demais torna-me mais lenta, mas não menos focada. Acho que ele aproveitou a ocasião para "meter" essa crítica e isso revoltou-me mais. Mas concordo com ele, no que respeita a falar um pouco em excesso. Eu própria já havia chegado à mesma conclusão e não estava a gostar muito. Até nisto estou a deixar de me reconhecer. Sempre fui meio calada - todos me censuravam por isso. Agora dou por mim a falar, por vezes nada de relevante... Não é só fisicamente que já me estranho, existem outras características que também mudaram muito. 

O erro até podia não ser meu, já que muitos mexem nas encomendas e trocam-nas de lugar. Quem garante que isso não aconteceu? Fiquei ainda pior ao recordar os erros diários cometidos pelo rapaz que está para regressar de férias. Erros esses ainda em efeito já com ele dias fora. Que notasse, ele não era repreendido. O que vi foi a sua preguicite aguda passar impune e ainda ser acobertada por este superior com quem ele partilha a nacionalidade polaca, mais um outro. 

Não me incomoda que me chamem a atenção, sei que é para meu bem. Mas então porque quem comete erros amiúde não recebe o mesmo trato? Senti-me injustiçada e a revolta espalhou-se mais em mim. 

O meu "falar demais" não surge do nada. Tem uma origem bem intencionada. 
O novo rapaz quando chegou, não abriu a boca. Não fez uma única pergunta o dia inteiro. Não se apresentou, ficou parado por duas horas, à espera que alguém lhe desse atenção, lhe atribuísse uma tarefa. E talvez por isso mesmo, ninguém quis saber dele. O que estranhei, visto serem todos tão afáveis. Eu, que tenho um cromossoma defeituoso de "mãe-vai-e-ajuda", dirigi-lhe a palavra, perguntei-lhe como se chamava, expliquei-lhe como as coisas mais ou menos funcionavam por ali e procurei incutir no rapaz - que revelou pouca vontade em fazer o que fosse - um pouco de gosto e a sensação de ser útil. 

Isto sem me armar em autoridade. Foi só mesmo para ajudá-lo a se inserir. Afinal, aquilo é um grupo de pessoas boas e descontraídas, que passam o trabalho todo a rir, a fazer piadas, a meterem-se uns com os outros... Mas o rapaz, mudo e calado, com ar sério, sem uma única tentativa para mostrar interesse por alguém ou alguma coisa, destoou. Talvez por isso, depressa os restantes nem lhe prestaram atenção. Ficou horas de pé, com ar perdido, não fez absolutamente nada nem mostrou ter iniciativa. Aquilo mexeu com a minha noção de cordialidade e dever. Identidade portuguesa, talvez? Em suma: acabei por ser a pessoa com quem ele gosta de falar. Acho que ele não troca mais do que três palavras com outros, por não se interessar. Eu elogio-o aos outros e elogio os outros a ele, estabelecendo assim pontes de comunicação. Depois de o inserir, afastei-me para outras funções, e deixei-o para ser ensinado pelo outro rapaz. Os dois não pareceram trocar muitas palavras. 

Ele é boa pessoa. E não é nada de fugir ao trabalho, como deu a entender. Ou talvez isso seja por minha influência, que o tratei bem sem o julgar e o elogiei. Não sei. Mas sei que é boa pessoa, bem melhor pessoa e trabalhador do que dá ares de ser. Não é rápido, mas é confiável, prestativo e não te deixa na mão. É lamentável que o julguem sem perceberem bem o que ali está. 

Como trabalhamos juntos, é natural que estejamos na conversa. O próprio meio incentiva isso com os exemplos dos outros que nos rodeiam. Mas confesso: gosto quando chega a hora de almoço e ele parte. Gosto de ficar sozinha aquela hora, concentrada nas tarefas que executo. É quando lhe dou mais "gás".

Preparava-me então para esse começo quando o supervisor disse-me aquilo. Foi rápido, porque a sua superiora logo o "desviou" dali, por algum motivo. Acho que ela percebeu que existiu ali um aspecto que foi longe demais. Aquela ali tem olhos de gavião e sentido de oportunidade de relógio suíço. É liberal mas aparece sempre atrás de mim nos únicos instantes em que pretendo fazer uma chamada telefónica e a única vez que perguntei se podia imprimir algo no computador, após andar três semanas a aguardar o melhor momento. Lá estava ela, silenciosa, atrás, a observar se aquilo com que me ocupava fazia parte da função. 

Irra!

O outro desaparecia por quartos de hora, horas... e ninguém o marcava como esta me marca. Parece jogadora de futebol em campo: está sempre a controlar os horários e a fazer de tudo para que não existam mais horas extra. 

Sei que quando a ela me "queixei" do rapaz, não era só ele que ia ficar de "vigilância", seria eu também - se não principalmente. Ele continuou sem nada fazer e eu... até sinto que tenho as dias ao WC controladas. Tudo isto subiu-me ao pensamento, mais as experiências de vida e... fiquei cheia de raiva. 

Fiz o trabalho todo speedado, sem me preocupar muito com detalhes. A atirar ruidosamente com as coisas... embora não de propósito. Simplesmente não querendo saber. 

Comecei a pensar que a minha alteração súbita de humor tinha algo mais que sensação de injustiça, tinha também uma origem hormonal. A pré-menopausa deve andar a rondar e essa ideia também me deprime. 

Passada a hora, o rapaz regressou e então fui eu almoçar. Estava tranquila, relaxada, fui para o jardim, despedir-me daquele cantinho... Levei uma salada fantástica que tinha preparado anteriormente, com "tudo" dentro. Relaxei e comi bem, nem sequer estava a pensar em problemas.

Regresso ao emprego e...
Raiva.

Será hormonal??

Todos me perguntavam se eu estava bem e eu a pensar que estava. Só não sorria por tudo e por nada, como é habitual. Aliás, se eu não sorrir tenho um ar terrivelmente sério, cansado ou aborrecido. Comecei a sorrir como uma pateta alegre para ver se assim deixava de ser consideravelmente bombardeada com este tipo de questões. Não é culpa minha que quando estou relaxada, os meus lábios tenham os cantos de boca para baixo e os olhos tenham olheiras. 

Nisto alguém me diz algo insignificante e eu sinto os meus olhos a lacrimejarem. Assusto-me. Disfarçadamente sigo para ao WC. Quando vejo o meu olhar ao espelho tenho os olhos vermelhos! A minha mãe tem razão: quando estou mal nota-se logo pelos olhos.

Mas o que podia fazer? 
Olha o que me havia para dar... Chorar??
Estava fora de questão!!

Não ia por-me ali a choramingar. Ia aguardar até chegar a casa e então chorar o quanto me apetecer. 

Consegui recuperar-me, secando os olhos aguados em frente à ventoinha. A vermelhidão também desapareceu. Até outra pessoa me perguntar: "O que tens?" Aí respondi que estava preocupada. "Com o quê?" - quiseram saber. "Com o emprego". 

E é verdade. Dentro de mim está a ansiedade, o receio, o temor... de passar por tudo o que passei no passado. O temor de voltar a estar sem um bom emprego até o próximo verão... Medo, temor, desespero.

Assim que mencionei a palavra "emprego", vieram-me lágrimas aos olhos e "fugi" discretamente para o WC. Novamente. 

Caraças!

Isto tem também um quê de hormonal, não acham?
Não é só as más experiências de vida e os traumas por elas deixados. Temo estar perto da menopausa.

Que dizem vocês?



quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Fora de época

Sou a única no meio de um grupo de gente que pensa que ainda é verão.


Hoje pela manhã, no autocarro.
O braço nu é meu, todos os outros estão tapados até as orelhas!

Tinha percebido sem ter notado. No emprego é igual. Faz algumas semanas que vejo os outros com casacos e kispos mas só hoje percebi realmente quando olhei para a rapariga sentada ao meu lado, segurando uma mala felpuda, de casaco grosso de lã e cachecol!!!

Não vou tão longe. Cruzes!

domingo, 18 de agosto de 2019

Silencio e sanita sem problemas


Desde que a "policial justiceira" foi embora e em seu lugar chegou um italiano, a mudança na casa é substancial. Para começar, o silêncio. 



Desde Janeiro que a casa não experenciava tranquilidade. Aos fins-de-semana costumava ser aquele berreiro e gritaria, com sons de pancada vindo do convívio regular e "exclusivo" realizado na sala pela noite dentro, que se escutava cá em cima, no quarto, o que acabou por me fazer adoptar o hábito de ter phones nos ouvidos. 


A chegada do novo inquilino removeu a prática dessas festas. E a prática de outros hábitos ruidosos também. Como o de se falar alto do piso de cima para o de baixo e vice-versa.

Agora andam todos com "pezinhos de lã". Por causa do novo rapaz. O que me fez perceber a falta de consideração que demonstraram ter para comigo. Então quer dizer que SABEM ficar quietinhos e não abusar??

Aparentemente desaprenderam a agir com consideração quando só eu me encontrava no quarto. Agora, com outra pessoa no piso de cima, são uns pezinhos de lã e as gargantas privam-se de gritar e palrar em alto volume. 

A sanita não mais aparece suja diariamente e o duche também não. Gostava que a que saiu se confrontasse agora com este facto. As "culpas" estavam a ser caluniosamente atiradas para cima de mim. Mas tudo cessou com a sua ausência.

Coincidência??

Só a tábua sanitária respingada com urina é que continua... Mas o autor tem o "cuidado" de não deixar esses sinais muito visíveis quando "o novo inquilino" está por perto. Na ausência deste (que eu desconhecia) percebi que havia urina na tábua - até pelo cheiro. Só eu e o outro cá estavamos, a mais-velha está de férias. Mas eu desconhecia - porque eles intencionalmente nada dizem - e atribui as suspeitas dessa particular sujidade exclusiva da condição masculina ao "novo" inquilino. Estava errada, era mesmo o "velho".

Com a chegada deste novo italiano, o resto agora NEM PUXA o autoclismo quando usa o WC durante a noite!! Também não acendem a luz - acto que produzia ruído, já que aqui o interruptor é adicionado por um cordão, que puxa um gatilho no teto, o que produz um som distinto e acciona a ventoinha. Até deixaram de a usar, passando a ir ao WC no andar de baixo! Descendo as escadas para o efeito, vejam só. Sempre dormi ao lado do WC e estas práticas são novidade. Levantarem-se e ir ao piso de baixo... estranho. Suspeito até, vindo daqui, há razões para suspeitar.

Mas adiante que não são estas coisas que me vão perturbar. Apenas quero registá-las e me é mais fácil fazê-lo aqui. 

Tem sido espantoso como os hábitos na casa mudaram tanto com a saída da "mascote" e a entrada de um italiano. A nacionalidade tem um peso tremendo nestes comportamentos. Faz as pessoas da casa se comportarem de formas distintas. A que saiu - a pesar de ter sido acolhida pela italienada, como eu suspeitei, nunca o foi totalmente. Não da mesma forma como eles acolheriam um "dos seus". 

Ela também foi acolhida dessa forma para servir certos propósitos, a sua presença e inclusão tinham uma finalidade, não foi incluída apenas pela "bondade dos corações" da italienada.  Para começar, usaram-na para tentarem me afastar desta casa. Usaram a sua juventude, imaturidade, malícia e facilidade em se deixar manipular por aparente amizade e aceitação, para que fosse ela a porta-voz das agressões. Não pensem que não percebi a milhas, porque percebi. Ela desempenhou o papel com gosto - não foi forçada, também sei disso. Mas entre tanta inteligência que julgava ter, na soberba tão típica da juventude, cheia de certezas, tudo tão preto no branco, ela foi usada com o propósito de me atingir tal e qual uma peça num jogo de xadrez, e não teve qualquer percepção sobre isso, passou-lhe ao lado. Julgou que cada manipulação, cada cordel puxado, cada sorriso e cada convite para jantar eram gratuitos. Pensou que as ideias eram dela, não percebeu que foi alimentada para agir e pensar de uma certa forma.

Outra coisa que mudou radicalmente foi o uso do espaço na cozinha. Quando a que-saiu estava para chegar, haviam vários armários livres. Três deviam ser-lhe atribuidos, já que eram os mesmos que a italiana cujo lugar ela ia ocupar, estava a usar. Outros dois, seriam para a outra nova ocupante, esta italiana e amiga do rapaz. Logo temi que a privilegiassem, pois percebi que se preocupavam em proporcionar-lhe os melhores espaços, já a preterir a outra ocupante. Não gostei e, por isso, fiz questão de indicar a esta os armários ocupados pela pessoa antes de si. Ao invés de permitir que os italianos manipulassem a favor da "amiga", como percebi que queriam fazer.Mencionei à nova ocupante não-italiana, a existência do pequeno armário ao lado daquele que seria seu. Disse-lhe que se quisesse, podia usá-lo, já que veio carregada de coisas e disse gostar de cozinhar. Parecia-me sensato, já que era ao lado do armário principal e a anterior ocupante do seu quarto também o usava. Mas não mencionei o outro maior, localizado na ilha. Deduzi que lho seria mostrado também, visto que foi o armário vagado pela italiana. 

Enganei-me. Eles calaram-se sobre a existência daquele espaço. E o armário continuou a ser usado para armazenar os utensílios soltos que eu encontrei pela casa nas férias de Natal. Foi nessa altura que o espaço foi deixado livre - ou quase, já que a que saiu deixou ali algumas coisas que não queria e, pela sala, deixou pertences que pretendia dar aos amigos italianos (que estavam de férias). Eu aproveitei que já era muita coisa espalhada pela sala - as coisas deixadas por ela, mais as tralhas que sempre me incomodaram ver por ali, nomeadamente o estojo de manicure, o secador de unhas e um saco com um livro lá dentro. Aproveitei que era Natal e queria ver o espaço lindo e limpo e coloquei tudo provisoriamente naquele armário.Temporariamente, até a italienada chegar de férias, colectar o que quisesse e vazasse o armário.

Só que isso nunca aconteceu. Ao invés de o colocarem à disposição de uma nova pessoa, a mais-velha apropriou-se dele. Como se já não lhe chegassem os armários que tem quase em exclusividade na sala da máquina de lavar roupa. Seriam todos dela - inclusive os tampos, se eu não tivesse ocupado um assim que cheguei. 

Acha-se a perfeição em pessoa no que respeita a cuidar, limpar e arrumar, mas tem hábitos que contrariam esse meu conceito. Por exemplo: adora espalhar coisas pelos tampos, pelas mesas. Já eu prefiro ter as coisas arrumadas num armário, numa despensa... São gostos. 

Por isso mesmo é que acho o cúmulo ser ela a criticar as práticas dos outros, achar-se melhor e perfeita nas arrumações, quando ocupa tanto espaço e mesmo assim não sabe manter as suas coisas dentro de armários, tem duas dúzias de frascos de especiarias e sumos no tampo da cozinha, frutas e pão, cebola, batatas, garrafa de azeite... tudo pelos tampos da cozinha. E na salinha da máquina, tem quatro embalagens de detergentes em cima do tampo - mesmo tendo todos os armários só para ela. E o cúmulo disto tudo é que cada embalagem está vazia. Ou praticamente vazia. Ela não gosta de deitar fora, não sei explicar o motivo. O novo inquilino que chegou este mês, ao limpar o WC, apercebeu-se que haviam embalagens vazias e deitou-as fora. Ele percebeu de imediato, o "armazenamento" de embalagens vazias. 

O WC é outro espaço onde tudo é deixado pelos espaços livres, ao invés de ser armazenado. Quando entrei nesta casa, foi o que mais estranhei. Sei que a limparam para as visitas, por isso sei que acham que as embalagens à vista por todo o lado é "arrumado". Mas foi o que me fez mais espécie, tinha um ar "atolado". Agora já me habituei mas espero que não fique habituada para sempre. Prefiro ver as coisas num lugar próprio, ordenadas, arrumadinhas... de preferência em armários e cestos. Não sou fixada neste tipo de ordem, tolero bem uma embalagem de champoo na banheira, mas não 25! Ahahah.

Esta WC está toda preenchida de tralha pessoal - desde elixir para a boca, maquinas de barbear, lâminas, pastas de dentes, escovas de dentes, água para o rosto, creme para o rosto, creme esfoliante, creme hidratante, desmaquilhante, bolinhas de algodão, paninhos, esponjas, caixas de maquilhagem (vazias, claro)... tudo a preencher cada superfície livre. E se mais houvessem, mais coisas lá metiam. É um estilo. Só não é muito o meu.

Em suma: O novo italiano chegou e logo teve direito a ocupar o triplo do espaço atribuido à-que-foi-embora! Como gostaria que ela percebesse que, a ela, foi-lhe dado um pedacinho e ao outro, a lua! Ele tem o armário que ficou para as "bujigangas", tem o armário pequeno, o médio e ainda ocupou parte do armário de detergentes da mais-velha. Espantoso! Ela não foi tão generosa assim com a "amiga" e cúmplice. Com ninguém, aliás! Tanto amor, tanto afeto mas... nada de lhe dizer que havia um armário enorme que devia ser seu, com uma gaveta e ainda outro armário para detergentes que ela podia ocupar, se desejasse.

Não era italiana.
Nunca seria realmente aceite.
Foi útil mas, suspeito, já os estava a cansar.

Foi em boa hora.

Quanto a mim, resta-me esperar que o que aí vem seja sereno, tranquilo e bom. 




é isto que me vai incomodar. Nunca mais vou  ,  

sábado, 17 de agosto de 2019

Louça descriminada?


Faz uma semana que o "novo" inquilino limpou a cozinha. E uma semana que, tendo-o feito sem remover a louça do suporte para secar, tirei-a eu, feliz por poder contribuir para a aparência "clean" com que a divisão ficou. 

Mas durou pouco tempo, porque nesse mesmo dia em que removi e arrumei todos os talheres, pratos, taças, copos, as flutes de champanhe utilizadas pelo rapaz, o descacador de legumes e a cafeteira, outra louça regressou ao mesmo lugar. O fogão estava sujo com manchas e salpicos e uma frigideira ficou por limpar dentro do lava-louças.

Mas o que mais estranhei foi ver no suporte, entre outra louça, um prato concavo, mais um pratinho. Não é louça que habitualmente os outros usem, preferem pratos rasos. Já eu, que uso o microondas quase em exclusividade, uso esses, geralmente, para não sujar nada, um  em baixo e outro em cima, a servir de "tampa". O "novo" inquilino viu-me a praticar esse hábito nesse mesmo dia, pela hora de almoço, naquela que foi a minha primeira refeição da semana feita em casa. O que não viu foi que lavei, deixei secar e arrumei esses pratos e toda a louça de seguida. 

Por isso, a presença de DOIS pratos concavos, na madrugada seguinte, um grande outro pequeno, deixados em cima do tampo da mesa, ao lado do suporte para secar louça, incomodou-me. Pergunto-me qual a razão pela qual alguém os colocou à parte. O armário dos pratos fica mesmo ao lado do lavatório, nem é preciso sair do lugar. É só pegar na louça à direita, e arrumá-la à esquerda. Pareceu-me que aquilo foi deixado ali propositadamente. Como que a indicar que "pertencem" a outra pessoa e a insinuar que essa pessoa é que tem de os arrumar no sítio correcto. 

No suporte foi deixado outras louças e ainda havia espaço para aqueles pratos. É como se não quisessem "misturas" e quisessem sublinhar que na casa praticam o "nosso" e o "teu". Vi que só havia um prato de cada a secar no suporte, nessa noite. Para quê então, por de lado dois de cada no dia seguinte? E mais nada... nem um copo, nem um prato raso. Só dois côncavos, um grande outro menor, isolados e descriminados...  Tsc, tsc, tsc...   :D

E após uma semana de uso da cozinha, (eu só lá vou beber água e tirar coisas do frigorífico ao sair de madrugada para o emprego) os pratos côncavos ainda ali estão. Ninguém os arruma. 

Depois de usarem a casa para dormir e comer, "piram-se" misteriosamente e pela calada. Quase sempre, quando confrontados com uma situação, alegam ausência física, suportada pela profissão que os faz distanciarem-se por quilómetros, para outros países, por um dia ou apenas umas horas.

Mas as curtas ausências, por mais distantes que possam ser, em nada os iliba se o contributo enquanto aqui estão é "usar e deixar para outros arrumar". Se vêm um dia para sujar e ficam fora três, então vão-se lixar, que são porcos há mesma! O facto de o serem por um dia ou uma hora, diferença alguma faz. É suposto limpar-se o fogão após cada utilização, não usar e deixar sujo para outros limparem. Epá, limpa a tua merda! É tão simples quanto isso. 

Get it? 

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Sinais interessantes que encontro por aqui - 1



Diz a legenda:
AVISO!
Este gesto pode diminuir a sua auto-estima.

O que me dizem disto??

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Você comprava isto?

Numa loja de caridade perto daqui...


50 libras por este brinquedo de um velho piano. Será um clássico?
Ainda assim, isto são lojas para as quais as pessoas doam coisas que já não querem e os lojistas colocam à venda, sendo que parte dos lucros revertem para "caridade", seja lá o que isso na prática significar realmente. (Sou desconfiada, pois sou).

Mas pergunto eu: quem é que pagaria este valor?
Por amor da santa!

Duas lojas ao lado desta, outra loja de caridade é capaz de ter à venda um armário guarda-vestidos em madeira, pelo mesmo valor. Haja discernimento.

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Leitura terminada


Gostei bastante de ler esta história escrita por Beryl Matthews, a mulher que escreveu o seu primeiro romance com a idade de 71 anos. "O dia chegará" é uma obra datada de 2015 e como todas as boas obras, teve o dom de me fazer sentir de forma diferente o que "terá sido".


Sobre o que falo?
A história tem como figura central Grace, uma jovem londrina acabada de se saber viúva durante a segunda grande guerra. O que ela decide fazer com a sua vida depois da sua perda e durante os conturbados anos de guerra, é a história que a autora nos traz. Grace é uma heroína como manda o figurino: determinada, forte, dotada, inteligente, sagaz, bonita e jovem. Sempre jovens... Pretendentes não lhe faltam e os homens sentem fascínio pelas qualidades que possui. 


O livro fez-me perceber o que terá sido para cada pessoa viver naquele tempo. Londres foi particularmente bombardeada durante a segunda grande guerra. Imaginar o que isso terá sido para as pessoas sempre me intrigou. Mas depois de ler esta história foi como se sentisse um pouco o que terá sido a realidade. 

E entendo porque é que não existe uma panóplia de testemunhos na primeira pessoa, em registo de video, audio, escritos... Intriga-me que, tendo tantos experienciado esses anos tão difíceis, não tenham falado mais deles. Mas não é o que acontece sempre? Sempre que termina algo mau? Não se fala muito desses tempos. Não se fala das dificuldades... Não se fala.


O livro mostrou-me também outro motivo para não se falar. As pessoas mais envolvidas na guerra tiveram de assinar um acordo de secretismo. Acredito que anos dessa prática não se diluem com o tempo. Algo de uma experiência tão traumatizante e tão determinante fica contida num "espaço" próprio, só saindo para fora em poucas ocasiões. Não há quem não tenha ido a guerras que não se comporte desta forma.

Por mais que se tenham coisas boas para recordar, as más também existiram. Por mais que se possa dizer: "fiz isto, ajudei a combater nazis, sobrevivi - ainda assim todos conheceram alguém que não teve essa destino. Alguém que faleceu. Viram coisas horríveis, destruição, crueldade e violência por toda a parte. E isso só alimenta ainda mais o silêncio. 


Foram tempos difíceis, de muito secretismo, pois disso dependia a segurança das suas vidas e das vidas das pessoas à sua volta. Todos desconfiavam uns dos outros, podiam existir espiões em toda a parte. Por outro lado, as pessoas também se ajudavam. Depois dos bombardeamentos muitos voluntários saiam à rua em busca de socorrer prováveis sobreviventes, distribuindo pão, chá... Conforto para uma situação de calamidade. Alojar desalojados foi uma das necessidades.

Homens e mulheres - principalmente mulheres, muito corajosos estiveram na linha da frente e nos bastidores de cada contributo para o que a guerra terminasse com a vitória dos Aliados. Uma parte do livro descreve ao de leve o serviço de inteligência e o seu quartel de informação. Eram fileiras de mulheres que passavam dias e noites de auscultadores nos ouvidos, procurando escutar sons, mensagens, códigos. Procurando sobreviventes, procurando pedidos de ajuda camuflados, procurando informações secretas sobre o inimigo. Parece simples mas é um trabalho de grande desgaste psicológico e cansativo. 

Existiu muita gente nesta guerra envolvida nela de uma forma ou de outra. 
É algo que sinto que ainda vou descobrir um pouco melhor.