quarta-feira, 21 de junho de 2017

Um minuto de silêncio



Senti NOJO ao ler nas notícias que existiram casas abandonadas após o incêndio em Pedrogão que foram assaltadas

Nojo de quem se aproveita de momentos destes para roubar. Nojo de quem é proprietário e para diminuir os prejuízos alega furto de objectos valiosos assegurados contra furto ou incêndio. Nojo de quem entra nas casas dos outros com intenção de se "ajudar" de água ou medicamentos e «ajuda-se» mais do que devia...


Orgulho dos que salvam vidas.

Alegadamente a trovoada surgiu 2 horas depois do incêndio. O que é muito natural de acontecer. Mais um com origem CRIMINOSA?? Nada surpreendente... Estas pessoas assassinas deviam provar do próprio remédio.


A noção de que somos todos irmãos


É na tragédia que se percebe o quanto o mundo é pequeno.´

A morte de tantos inocentes no incêndio em Pedrogão sensibilizou de imediato o país inteiro e os portugueses a viver no estrangeiro. 

Saiu um apelo nas redes sociais por informações de famílias desaparecidas. 

É uma tragédia que nos afeta a todos. 
Se pensamos que alguém que não conhecemos diretamente não nos é nada, estamos enganados. Vim a descobrir, por intermédio da quantidade de pessoas surpreendidas, que tantos que conhecemos isoladamente conhecem direto ou indiretamente um teu familiar. Todos interagimos uns com os outros. Efeito borboleta...

A morte trágica que está a abalar familiares meus, que tem a mesma ressonância em tantas outras famílias, serviu para perceber o quanto eram amados por colegas, amigos, família. Serviu para saber que a prima da cunhada conhecia a mãe da vítima... E que a ex-colega do emprego tem um irmão que trabalhava e convivia com a outra vítima... Serviu para saber que as empresas onde trabalhavam ofereceram ajuda, serviu para entender que nos unimos em momentos como este. 

O mundo é assim: tão pequeno.
Todos se conhecem... 
E no entanto, estamos sempre tão sós...

terça-feira, 20 de junho de 2017

O incêndio em Pedrogão é o SOS da mudança

Foram decretados 3 dias de luto Nacional pelas vítimas do incêndio em Pedrogão.




Quando soube do sucedido senti-me abalada e subitamente invadida por uma tristeza de criar lágrimas. Ponderei sobre este tipo de sensibilidade. Com tantas tragédias a acontecer por este mundo fora, sem dúvida que lamentamos todas, mas sentir profundamente só poucas. 

Qual a diferença?
O sentir-mos que estão perto ou terem acontecido com pessoas ou locais que se conhecem bem. São esses os instantes em que o ser humano se centra no que realmente é importante.

Ontem podia ter tido queixas da vida sobre algumas coisinhas singulares....
A tosse que não me passa (voltou), o fato desta incomodar o indivíduo cá de casa durante a noite e eu estar agora acordada porque é a única forma que tenho de não tossir tanto (mas preciso descansar)... Contudo, quando ele veio ter comigo, disfarçadamente, dizendo que eu devia tomar um xarope porque tossi muito alto durante a noite... nada disso me incomodou.

O que é a minha persistente tosse seca e seus surtos diante da tosse sufocante daqueles que padeceram no incêndio? Nem se pode comparar as origens.

Hoje fiquei a saber que uns familiares estão entre as 64 vítimas do incêndio em Pedrogão. Faleceram na apelidada «estrada da morte». Essa consciência de que alguém que conheceste, que viste crescer a certa altura da vida, que partilha avós, tios, sobrinhos, primos contigo faleceu dessa maneira, a morte de crianças, tudo isto obriga-te a por a vida em perspectiva. 

Sabe-se que a inalação por fogo é a principal causa de morte em incêndios. E eu só espero que o final deles tenha sido... Meu Deus! Como posso sequer imaginar? O desespero? O saber-se encurralado e o ver com os próprios olhos enormes paredes de chamas em todas as direcções? O calor??

Quem já esteve perto de um pequeno fogo, ou a quilómetros de distância de incêndios, sabe o quanto se sente intensamente o bafo, o ardor. E isto em reduzidas ou distantes proporções! Estar num...   

Incêndio que deflagrou no sábado, 17 de Junho
Em Pedrogão Grande, distrito de Leiria


É tão importante a PREVENÇÃO!!
Espero que seja DESTA que algo mude no sentido de IMPEDIR que a população esteja totalmente vulnerável diante das chamas. Tem de existir um momento na nossa história de incêndios florestais que será apontado como o «momento de mudança» e, espero sinceramente, que seja este. Afinal, este também é de origem diferente. E se a NATUREZA nos está a explicar tão claramente o que acontece, é bom que prestemos atenção ao que ela nos diz. Porque geralmente, ela avisa primeiro com um bom exemplo e depois... aplica outro devastador!

Então espero que aprendemos de vez que é VITAL incluir na nossa rotina conhecimentos de SOBREVIVÊNCIA em caso de catástrofes. Sejam elas naturais ou não.

Quantos de nós tem um extintor em casa?
Uma máscara para a não inalação de gazes tóxicos?
Sequer uma manta anti-fogo?

Falo por mim: não tenho nenhum.
Mas sempre quis ter. 

Quis ter mas nós damos tão pouca importância a estas coisas que podem fazer a diferença entre a VIDA ou a MORTE que reparei que ainda é muito difícil encontrar informação, aceder e ter disponíveis utensílios de prevenção.

Se eu for à farmácia pedir um KIT de primeiros-socorros, dão-me um estojo com gazes, adesivos, uma tesoura, desinfectante... enfim. Um Kit para estancar pequenas hemorragias e desinfectar feridas.

Mas e se eu quiser um KIT anti-incêndios?
Anti-inundações?


Faz muitos anos que sou da opinião que todos devíamos ter em casa este género de equipamento. Mas nunca consegui encontrar informação de como o obter nem de onde o encontrar. Nos dias de hoje, em que se constroem infraestruturas gigantes em betão (lembrem-se do poder mortífero da poeira lançada pela derrocada das torres Gémeas em Nova Iorque), agora que se faz terrorismo químico, é ainda mais importante saber como funcionam e ter equipamentos apropriados que nos podem salvar a vida. 

Estamos entregues a nós mesmos. Vulneráveis a 100%.


sábado, 17 de junho de 2017

Sabem quantos graus por aqui?


Quando saí do emprego às 17h, entrei no autocarro com intenções de seguir para casa. Mas em segundos soube que ia era ao centro comercial. É que no autocarro estavam 42º centígrados e sabia que no centro comercial ia sentir uma brisa refrescante de ar condicionado!

 Enquanto que o autocarro... Bom, falamos muito mal dos nossos de Lisboa mas deixem-me dizer que por cá são super descarados. Enquanto os nossos, muito de vez em quando, lá têm o ar condicionado de facto a funcionar, por cá reparei de imediato que, podem-se apanhar 20 por dia, NENHUM terá ar fresco. É tudo faz-de-conta.


No inverno sabem ter o termostato bem quentinho. Mas não estão NADA preparados para os dias de verão. Entretanto, já vi lagostas. Não sei como mas, com apenas um ou dois dias de sol, já vi um casal de brancos que viraram vermelhos. 



Pelo sim pelo não, aproveitei a ida ao centro comercial para comprar algo que já me apetecia em Dezembro: Gelado? Não: protector solar. Fator 50 e tudo o mais que tiver. Eu é que não vou ficar lagosta!!

Este calor de bafo do Inferno faz-me lembrar a praia...


E como estava com fome fez-me lembrar as sandes de ovo mechido...


Como caem bem quando está calor!!
Saídas da arca frigorífica então... com uma folha de alface. Ai, que delícia!!

Quando penso que a maioria das pessoas associa a bola de berlim a tais prazeres, enjoo. 

Só de imaginar aquele creme de ovo que, em qualquer outro lugar, adoro, sob o calor da praia... E a sede que sempre me deu praticamente à primeira dentada naquela massa seca da bola de berlim... ou aquela súbita sensação de doce em excesso do açucarado creme... Blhac! Minha rica sandoca de ovinho mexido fresquinho com a folhinha de alface crocante!!



Mas pronto... Gostos são gostos. 
Enquanto isso, a ver se não me esqueço de começar a aplicar o protetor solar. É que eu compro estas coisas e até gostaria de as usar. Mas não crio o hábito... Agora tem de ser, porque a pele é de veludo a querer ganhar rugas e a tolerância a este bafo dos infernos nunca foi coisa que me aprazasse. 

Sempre um protetor solar, ahahah! 


quarta-feira, 14 de junho de 2017

Arre, que não aguento!


E como não tenho com quem desabafar, vou fazê-lo aqui.

A injustiça é algo que me altera o sistema nervoso. Aguento-a bem por um tempo, quando dirigida a mim. Mas quando esta se estende por longos períodos de tempo perturba-me bastante. Estou em ponto de ebulição.

Acabei de regressar da reunião mensal que a empresa faz com a equipa. Defendi uma colega que se identificou como sendo a apontada por um cliente numa crítica negativa. As críticas dos clientes são deixadas no site da empresa ou, o mais comum, deixadas no tripadvisor. E ela logo se identificou como a pessoa visada numa crítica negativa, mas que gostava de se explicar em privado. Eu, feita «parvinha», ainda a defendi, dizendo que a crítica não apontava nomes e que as críticas devem ser tomadas como parte de um todo da equipa. 

Pelo menos é o que eu acho. TRABALHAR como uma equipa significa que uns se ajudam aos outros e tudo é dividido e repartido entre todos. 

No final da reunião, esta «loura» -- como foi referida na crítica, começa a dizer que, se temos problemas com as pessoas, deviamos dizer-lhes na cara e não por detrás. Diz também que deviamos trabalhar todos em equipa e quando um termina o trabalho devia ajudar os restantes. Mas no finalzinho mesmo, ela diz que uma vez já tinha terminado o trabalho dela e a outra colega também (considerado mais demorado) e a «pessoa que estava a fazer o reposicionamento de stock» ainda não tinha terminado. 

Ora, nesse momento, eu soube que ela muito provavelmente estava a falar de mim. O que foi feito do «dizer as coisas na cara das pessoas?». Logo ali já não gostei da atitude. Ela ainda, para reforçar, pediu à outra colega que confirmasse que o facto de facto aconteceu. A outra acenou com a cabeça.

Eu saí daquela reunião tão perturbada!!
O final da mesma foi ela, aliada ao meu bully pessoal, a fazer insinuações sobre mim.
Até me disse que eu «desaparecia e não avisava ninguém quando ia ao WC», o que é uma mentira muito injusta. Só uma vez, já no final do meu trabalho todo feito, quando já não havia clientes e estavamos de portas fechadas, estava eu a ajudar os outros com as suas tarefas quando o bully chama uma colega à parte e manda-a vigiar o que eu estou a fazer - é que eu, para não estourar, e consciente de que não tinha ido ao WC o dia todo (por causa da presença dele) fui sem dizer nada. UMA ÚNICA VEZ!! Sempre me disseram ali que não é preciso pedir autorização e no final do turno, com tudo feito e ele ainda a me massacrar a cabeça... por amor de deus!

Fazem da excepção a regra e isso para mim é uma injustiça que não suporto. Mais ainda porque isso foi há 3 meses e ainda serve como desculpa... Quando todos os dias estou ali à espera que a clientela diminua para poder ir fazer xixi... Ou espero terminar todo o trabalho e ter tudo atinado para pedir autorização para ir fazer xixi...

Não sou criança para pedir, mas peço. Aviso. Trabalho em equipa. Sei que sim. E trabalho muito bem. Sempre pronta a ajudar os outros. Não os acuso de fazer um mau trabalho, não os persigo, não lhes aponto os erros - que por vezes até são frequentes. Pelo menos com estes que gostam de criticar os outros. São os que mais erros cometem.

Ainda há dois dias, o meu "bully" atendeu um cliente. Eu atendia os meus. Nisto reparo num senhor com ar perdido, à espera junto ao balcão e pergunto-lhe se quer pedir alguma coisa. Ele diz-me que já pediu, que estava à espera de um café e e um chá. Perguntei-lhe quem o atendeu... rezando para que não me indicasse o «chefe-bully». Mas ele indicou-me o chefe-bully.... Como rezei com os meus anjinhos que a coisa corresse bem...  Bem que tentei não ter de o abordar. Fui buscar os tickets que saem da máquina com os pedidos afetuados. Dos CINCO papéis que tinha na mão, que tinham um tempo de registo da última meia-hora, haviam capuccinos, lattes, cafés de filtro.... mas nenhum com chá e café. Ora, não sabia se o cliente havia pago ou não. Tive de falar com o Bully e muito educadamente, chamei-o pelo nome e disse:
-"Este senhor diz que pediu um café e um chá".
_"Ah! Desculpe senhor! Peço desculpa! E ninguém lhe serviu o chá? Peço imensas desculpas senhor!" - diz ele com ar de censura e crítica. Até faz aqueles sons de reprovação. 
Vira-se para mim e diz-me:
-"É suposto alguém estar aqui a servir os cafés e chás! Desculpe senhor..." - repete ele, não a pedir desculpas porque se esqueceu e cometeu um erro, mas a acusar-me a mim de ser responsável pelo mesmo!!

E é isto que ele faz, sempre. Erra muito. Mas os erros são dos outros. 
Eu fiquei marcada com o que aconteceu com ele. Por ele se recusar a me ouvir e nem me deixar falar, eu às tantas gritei. E isso aqui é muito mal visto. Ainda por cima ele é o meu superior e, apesar de incompetente e incapaz de suportar o peso do cargo, fica mal um subordinado não «respeitar» o superior. Partiram do pressuposto que as suas implicâncias eram «tentativas de ajuda mal interpretadas» por minha parte. Tentativas de ajudar. Mas eu posso garantir: o tipo nunca me prestou NENHUM tipo de de ajuda. Nunca me esclareceu um palito!

Ao contrário: quando lhe pedia ajuda mostrava má vontade, atrapalhação ou apenas me respondia (quando respondia): já devias saber isso! E não ajudava em nada.

Depois fiquei a saber que ele derrubou uns pratos e acusou a rapariga que os segurava de ser a responsável. Quando me foram avisar ao bar que a cozinha estava cheia de pratos para serem entregues nas mesas e ninguém os estava a levar, eu fui a correr ajudar. Ele chega e num tom chateado, já a meter as mãos à cabeça, diz:
-"Só eu é que levo os pratos!".
Eu pousei o prato que já tinha na mão e deixei tudo lá...

Ele que dê os próprios exemplos e espero que um dia alguém faça alguma coisa. Porque é impossível não repararem! Todos sabem, até os seus superiores. Ninguém faz nada. Assim não dá. Enquanto isso eu vivo os dias de trabalho com extra stress porque tenho de dividir metade com ele... E pelos vistos, com os seus "soldados"!

Não mereço.
Vou começar a procurar outra coisa que eu não vim para aqui trabalhar no duro, sabendo que faço um trabalho de qualidade, para ser tratada como lixo. 
 

Novidades até as há... hoje é dia 13!


Talvez por ser dia 13, deu-se um «milagre» com um mês de atraso (estas coisas demoram a atravessar o oceano e a chegar ao Reino Unido). A mais recente inquilina limpou a casa.

Saí para fazer compras e demorei pouco mais de uma hora. Quando cheguei a casa tinha sido aspirada, o chão lavado com lixívia... Fiquei impressionada. Não sei se a limpeza da retrete chegou a ser bem feita - pode ser que aquela marca avermelhada seja da madeira - só descobrirei quando for eu a limpar eheh. Mas queria só partilhar isto.

Geralmente demoro 3h ou até 4h a limpar a casa... Mas sempre ouvi dizer que era lenta nestas coisas! Kkkkk. Não me pareceu que tenha ficado mal feito. Só de ter o chão aspirado e lavado, já é bom. E ter percebido que ela vai cumprir estas regras de viver na mesma casa já me satisfaz. Era só o que precisava descobrir.

E como um milagre nunca vem só - hoje também depositou dinheiro para pagar as contas!

Ou melhor, todos nós pagamos, hoje, a quantia habitual para as despesas de electricidade e gás. Foram precisos uns 5 dias de avisos... "Olha que só resta 5 libras... Olha, só temos 1 libra....". Mas hoje foi o dia. Embora o rapaz não tenha, como tinha se comprometido a fazer, me mostrado como se faz o top-up (carregamento), não me importei. Nem sei porquê, mas já o esperava da parte dele. Disse que sim e 10 minutos depois saiu com o dinheiro para fazer o carregamento sem me dizer cavaco.

Mas NÃO FEZ MAL.

E agora é um ARRAIAL de luz acesa... fornos elétricos ligados no máximo, televisão da sala, máquina de lavar que hoje trabalhou 3 vezes... Nada comparado aos gestos mais poupadinhos dos últimos dias.


Resta saber qual foi o terceiro milagre....
ADORARIA que fosse o chegar amanhã ao emprego e não mais lá ter como colega um tipo que não sabe trabalhar com ninguém!

(mas se não for esse, então que seja ter o primeiro prémio do euromilhões na carteira sem saber, ehehe!) 

segunda-feira, 12 de junho de 2017

O que os ingleses julgam de RUDE

Hoje um «chefe», meio a brincar - depois a sério, disse-me que eu fui rude por lhe ter apontado o dedo.

- Rude?!??!! - Repeti eu em espanto.
- Sim, apontar o dedo é rude.
- Não. Apontar não é rude.
- É considerado rude sim.
- OK...  

Este é um dos exemplos que posso dar para falar de uns comportamentos comuns que avisto por aqui que me têm estado a apoquentar. E acho que posso classificar todos eles nessa categoria hoje injustamente rotulada ao meu dedo: RUDEZA.

Mas primeiro quero descrever a circunstância em que «lhe apontei o dedo». Foi-me dito que precisava anotar numa folha as horas de trabalho porque (mais uma vez) a máquina que «pica o ponto» deixou de funcionar. Euzinha, sempre tão responsável, sempre preocupada e a tentar fazer o que é certo e o que me é pedido, pega na folha, numa caneta e trata de começar a escrever a hora de saída. Nisto vejo o «chefe» passar apressadamente à frente do balcão e vou para o chamar. Levanto o braço onde estou a segurar a caneta e levanto o meu dedo indicador ligeiramente - como as crianças fazem na sala de aulas da escola - onde são ensinadas que é da boa educação pedir a vez para falar, ora levantando o braço e abrindo a mão, ora pedindo "licença" como quem estica o dedo indicador para chamar um táxi ou para chamar o empregado de mesa.

Foi só isso. Na verdade, o gesto nem chegou a se finalizar. Só tive tempo de erguer o braço e o dedo no ar e de abrir a boca, porque não me lembrava do nome do chefe.

Mas se apontar o dedo é rude por estas terras, Ok...
Fiquemos com exemplos de pessoas rudes.










Sinto uma certa Dó por esta gente...
Parece que estão a querer ser «politicamente correctos» com tudo, acabando por remover as emoções boas das coisas, o calor humano dos gestos. Estão estilizados. Julgam-se livres mas estão socialmente reprimidos. E o que é pior: pegam em algo puro e inocente e conotam-lhe pecado - sinto dó deles.

São vários os exemplos que verifico no dia-a-dia que encaixam neste conceito.

Acho que apontar e agitar o dedo em riste durante uma discussão pode ser considerado rude. Pode até ser um prelúdio de violência. Mas à que distinguir as coisas!


Podem-se apontar dedos bons e dedos maus. E aqui não fazem isso. No UK um dedo apontado é um dedo apontado. Nem chega a ser "feio", como nós em Portugal ensinamos: «não apontes o dedo que é feio». Aqui é logo rude e dá à outra pessoa um argumento socialmente aceite de ter sido vítima de um gesto inadequado.

Em portugal é apenas feio. Apontar o dedo para indicar uma direcção ou a alguém é algo que se deve evitar. Mas isto de censurar um dedo apontado, é, a meu ver, uma regra arcaica, que suspeito ter tido origem na aristocracia e burguesia que se queria diferenciar socialmente dos pobres e lá estipulou como sinal de estatuto o dedo apontado. Porque os pobres e analfabetos tinham de comunicar por gestos para se fazerem entender. Eram os que usavam os punhos por não saberem resolver as suas diferenças só pelo poder da argumentação. Já os magistrados, os nobres, esses sabiam línguas, tinham muitas regras sociais a cumprir... a comunicação tinha que seguir protocolos verbais. Isso é que ficava bem.

É cómico, ridículo e até repulsivo que hoje se diga que a rudeza parte de quem aponta e não de quem o estipulou por razões tão infelizes.

sábado, 10 de junho de 2017


DÚVIDA

O que é que acham de homens com sapatos pontiagudos?




Será que estão a compensar algo relacionado com o tamanho??

sexta-feira, 9 de junho de 2017

para Inglês ver


Nunca antes esta expressão fez mais sentido quanto faz agora, que vivo em Inglaterra.
Chego à conclusão que nesta terra o que conta é o que parece ser.

Como vos contei, no emprego vinha a ser alvo regular de uma prática de bullying daquelas mesmo reles, que não é carne nem peixe mas não perde uma oportunidade de um segundo sequer, para se manifestar. E como sabem, eu dei um berro de "Basta! Estou farta! Vou fazer queixa de ti!".

Pois por ter tentado levar o caso ao conhecimento dos superiores, foi aberta uma investigação e escutada testemunhas. Testemunhas essas que nunca cheguei a saber quem eram, nem o que contaram. Também não me importei com isso, porque não. Sabia o que tinha feito, como e porquê. Assumo o que faço de bem e de mal. E não minto. 

O estranho é que virei eu a agressora e ele, a caridosa vítima. 
Aqui, em Inglaterra. O país "das leis contra tudo". Numa empresa onde tive de fazer uma extensa formação que incluiu vários módulos sobre os diferentes tipos de descriminação e bullying - classificando todos os exemplos como inaceitáveis. Exemplos esses que nem vos passa pela cabeça!

E é aqui que sinto um desdém pelas causas e um foco exclusivo na consequência?


«É a tua interpretação». - disseram-me mais que uma vez, a cada tentativa de exemplo. "Talvez ele quisesse ajudar" - responderam de modo factual.

Não, não é a minha interpretação. É bullying mesmo!

Logo aqui... 
De facto nem sempre a reputação corresponde à realidade. E cheira-me que o Reino Unido tem reputação de muita justiça social que, na prática, não é executada. A menos que o caso diga a respeito a coisas pontuais muito específicas nas idades e géneros.

Devem julgar que o bullying só existe entre crianças e jovens. Esquecem-se que estes bullies crescem e chegam à terceira idade.

Por ter gritado, fui eu a rotulada de bully. Lol. O outro aproveitou de imediato a situação para se vitimar. O que eu obtive foi um cadastro de violência registada em processo e com direito a expulsão imediata caso algo semelhante se repita. Gritar... O que causou esse outburst passou-lhes ano lado...



Não devem ter lido BD suficiente em crianças... 
Essa coisa de tolerância «zero» a uma voz elevada não faz jus às mais cruéis nuances de bullying

A ironia de cada detalhe por vezes fazem um bailado na minha cabeça. E fico a pensar: "vale a pena??".

Se vale a pena continuar a trabalhar naquele lugar. É sobre isso que me interrogo.
Doidos por me ver expulsa devem estar um ou dois... Mas eu não me apeteceu virar as costas. Enfrentei de frente, como um forcado encara um touro. O trabalho não tenho nada contra ele. Ainda não me cansei. Vou para o emprego contente, ando a cantarolar para com os meus botões. Desagrada-me quando noto que há pessoas a fazer menos do que podiam e não ajudam, mas acho que sou das poucas que faz o que faz por gosto e não porque é uma ocupação não muito exigente que paga decentemente.


Mas até nisto noto que o que conta é o «parecer fazer»... Não conta o fazer com que outros não façam, o ajudar... Se os números - que é o que realmente importa por estas bandas - não forem satisfatórios, de nada interessam as características humanas que te deviam valorizar como empregado.

Vou dar um exemplo muito claro:
Estão seis pessoas a trabalhar com caixas registadoras. Durante o expediente há sempre uma maioria que faz por registar o maior número de pedidos, que faz por estar mais a trabalhar ali do que noutra tarefa qualquer que os afaste do dinheiro. Isto porquê? Além da preguiça (custa menos trocar dinheiro de mãos do que fazer trabalho mais sujo ou pesado) o motivo principal são os NÚMEROS. O sistema regista QUANTO é o lucro que dás à empresa. E todos espreitam na folha a quantia que cada qual fez, para se comparar e ver se fez mais. O sistema também conta as vezes em que cometes ERROS. Cada vez que se apaga um pedido - ainda que o motivo seja o cliente ter mudado de ideias - não é a QUANTIDADE de vezes que isso é feito que é contabilizado, mas O VALOR.

Por exemplo: Se um cliente pede algo no valor de 13 libras e muda de ideias, mesmo que a seguir peça algo do mesmo valor ou superior, o que conta para as estatísticas é o TOTAL do valor dos erros. O sistema define assim porque cada erro é uma OPORTUNIDADE para o empregado ROUBAR dinheiro. Algo que o cliente pagou, recebeu, mas não entrou na caixa. São os números que fornecem a suspeita de que possa haver um furto. 

TUDO é contabilizado, todo o stock é contado, não se pode tirar um pacote de chá sem dar vazão do seu paradeiro nem vender um artigo por engano, pensando se tratar de outro. Fazem logo uma investigação. Cada desperdício é medido ao milímetro. Porque o que importa são OS NÚMEROS. E quem comete «mais» erros, por muito bom que seja a lidar com clientes e com o factor humano, tem menos valor que um trabalhador que dá mais lucro.

«Hoje», pela primeira vez, perguntaram-me, no final das contas feitas à caixa: "A que horas é que entraste no serviço?". Demorei apenas uns segundos a entender a relação entre o se estar a fazer a caixa e a pergunta fora de contexto. É que, comparativamente aos restantes, hoje fiz menos 200 libras. 


Andei a pastelar ao invés de trabalhar?
Claro que não!
Digo-vos que muitos dos que fizeram mais dinheiro pastelaram bastante. Conversaram, contaram piadas... Mas quando viam um cliente a aproximar-se era quase um "empurra, chega para lá que eu é que vou registar este!".

Foi um dia de pouco movimento. De modo que chegou-se ao ponto de estarem três empregados a servir um só cliente. Mas só um destes empregados fica com os créditos, compreendem? Porque foi ele que registou e colectou o dinheiro. Se ele depois não fez mais nada é irrelevante. O que conta são os números. E os números não registam a qualidade, a simpatia... 

Estive o dia todo sem parar de trabalhar - como gosto de fazer. Ajudei os outros com os seus pedidos (deixando de registar os meus até porque haviam «gaviões» à caça da lebre) e ainda me pediram para dar formação a novos empregados. O que fiz. Bem feito, diga-se de passagem. Deixei-os serem eles a usar a registadora, levando, claro, mais tempo no processo. E isso reflecte-se em mim de que forma? Vão concluir que sou prestativa? Não. Vão me dizer que fiz menos 200 libras.



Depois contarei mais sobre este tema... por agora fico por aqui. Sabem, vou trabalhar daqui a 3h... Saio de casa daqui a uma hora e meia para apanhar o transporte que só passa duas vezes a esta hora... O curioso é que não dormi. Contava entrar mais tarde - porque todos os dias a hora é diferente e nos anteriores entrei às 7am. Por isso eram 22.20h quando senti sono e pensei que ia adormecer cedo e dormir as tão apontadas 8 horinhas... Pela primeira vez em semanas.

Mas lá me lembrei de consultar o horário e foi com um susto que o despertador me indicou que teria apenas 4h e 20 minutos de sono, se entrasse em «hibernação» de imediato! Escusado é dizer que a coisa já não funcionou. O meu cérebro começou a pensar e...  Precisou vir escrever. Já não vou dormir. Mas o que me preocupa é que, dormir dormir, só consegui fazê-lo dia 7, entre as 17.30 e as 21h00...

Mas garanto-vos que não estou (ainda) com o cérebro em papa! :)

Será que vou ficar às escuras?



Hoje falei com o colega de casa, avisando-o para estar atento aos contadores da luz e gás. Pois devemos estar quase a atingir o limite e a precisar de fazer novo depósito. Ele não se mostrou muito interessado ou preocupado com a conversa. Disse, inclusive, que ainda tinhamos «muito». Mas há quatro dias, quando fui espreitar o contador da luz, este já estava nas 9 libras. Se se gastar 2 por dia... Temos realmente muito?

Algo se passa que ainda não entendi... Primeiro ele apressa-me quase num bulling insistente e exagerado para dar a minha parte porque "só falto eu" e já "faz dois dias"... Quando na realidade fazia menos de 12h... E se «só faltava eu» não tinha como o saber porque ele nunca coloca a parte dele no molho do dinheiro e nem deu tempo durante a madrugada para o descobrir!


Agora quero só ver se ele vai adiar um assunto tão sério como o ficar sem luz e gás, arriscando-se a ficar sem argumentos diante da pressa que demonstrou na vez anterior. Ou se vai submeter todos nós a este desnecessário processo, 

Infelizmente só ele é que sabe fazer os pagamentos...
Assim que cheguei também quis aprender, mas nenhum teve «tempo» para mostrar como se fazia. Se o indivíduo de facto for embora durante o verão como argumenta que irá fazer, não vai cá estar ninguém que saiba fazer os pagamentos. É ou não é triste? Foi mais uma forma que ele encontrou de estar sempre no domínio das situações e se tornar mais indispensável do que realmente podia ser. O ir de férias é o único motivo que encontro para justificar a sua exigência no depósito de uma quantia elevada. Esperaria ele que durasse até se ir embora?

Agora quero só ver se vai também exigir o mesmo valor que exigiu da última vez - se sentir que não vai cá estar para usufruir e vai ter de pagar sabendo que não terá proveito. Tomara que isso aconteça porque seria, no mínimo, justiça poética. 

É só essa a curiosidade que me resta _:)

Contudo temo realmente ficar sem luz quando dela precisar! E eu, sem computador... fico desconectada do mundo. Algo que não posso deixar acontecer quando se vive só. 

terça-feira, 6 de junho de 2017

Rajadas de vento que abrem portas


A porta estava aberta. E então eu vi. Vi o interior do quarto da «nova» colega de casa.
Ela é simpática. Muito simpática. Bonita, carismática, parece descomplicada...


Mas deconfio que descomplicada ao ponto de ser desleixada...

Hoje entra a SEMANA de ser ela a limpar a casa.
Quero só ver se vai mexer um dedo - já que não mexeu da outra vez.

Mas diante DISTO...
Que vos parece?




PS: aqui chove sem parar e tem estado muito vento. Todas as portas e janelas da casa batem com a ventania, por mais que se tende impedir, fechando-as bem fechadas. A porta do quarto da mais recente inquilina é das que mal fecha. E foi o vento que a abriu, escancaradamente. Se comigo, de porta bem fechada e apenas uma frecha da janela aberta, acontecia as persianas abanarem violentamente e a janela se abrir na totalidade - então numa porta de fecho "solto"... Tudo fica exposto. 

domingo, 4 de junho de 2017

O hábito da numismática e como me ensinou a conhecer as pessoas


Trabalho com uma caixa registadora cheia de moedas, onde sempre tenho mais possibilidades de encontrar moedas para a minha colecção. Mas tem sido diretamente pelas mãos dos clientes que tenho apanhado quase todas. 

Num aglomerado de 200 moedas... a que tem uma cunhagem diferente vem quase sempre parar às minhas mãos por intermédio de um cliente simpático - às vezes na forma de gorjeta (que não posso aceitar). Acho isto muito curioso :) 

Digo que são os clientes simpáticos, porque os menos simpáticos e sovinas não costumam dar essa sorte. Numa ocasião uma mulher de origem oriental (nossa, como eles são forretas! Sem querer ofender mas existem traços que definem certas origens geográficas) espalhou um monte de moedas em cima do balcão e disse que queria o produto X (a coisa mais barata que temos no menu - uma espécie de bolo com chá). 


Tendo à minha frente cerca de duas dúzias de moedas, comecei a selecionar as de maior valor para chegar Às 3 libras e picos... A mulher tinha duas moedas de 2 libras com ela, três de 1 libra e muitas de outros valores. Reparei de imediato que tinha o suficiente para o mais barato que existe no menu - e então disse-lhe que tinha o suficiente. Uma moeda de 2 libras estava com o rosto ao contrário então por instinto virei-a e mirei-a, porque era diferente mas no fundo estava a tentar perceber se era uma moeda inglesa ou de outra nacionalidade. A mulher vai com a mão À moeda, pega nela, e mete-a no bolso. Todas as outras deixou ali em cima do balcão, como quem despeja um fardo e que seja a outra pessoa a encarregar-se de descobrir ali a quantia necessária. Foi a forma como meteu de imediato a moeda ao bolso, tentando disfarçar... Tornou-a mesquinha aos meus olhos.

A moeda que a mulher levou ao bolso

E depois tem os generosos. Hoje não foi dia de clientes generosos, mas de clientes que querem pagar tudo com moedas do mais baixo valor. Querem pagar 15 euros com moedas de 10, 5, 1 centimo, uma ou outra de 1 euro... Estão a ver a cena??

Raramente aparece um generoso. E quando aparece... Bom, hoje apareceu um. Devia ser americana, pois esses têm o hábito da gorjeta no recibo. Ficam bem aliviados e contentes quando percebem que neste país não são obrigados a isso. Ficam mesmo contentes em não deixar tusto. Mas uns poucos ainda «agarrados ao vício» do julgamento social costumam deixar uns trocos em cima da bancada - pensando eles que as moedas vão para um recipiente de gorjetas e são divididas entre todos. O "chefe" do dia viu 3 libras abandonadas no balcão, perguntou a todos se eram de alguém e ao ver que não, acho que as meteu ao bolso. Logo a seguir apareceram uns refrescos que ele foi comprar...


O problema de certos superiores é que eles tiram proveito da posição para serem... mesquinhos. Este não meteu as moedas na caixa da caridade - é para lá que vão todas as gorjetas deixadas pelos clientes. É uma maneira bem típica dos ingleses, fazer caridade sim - mas com o dinheiro dos outros. Este vai ser um tema para um próximo post...  E como o vejo sempre a comer os excedentários alimentícios e as bebidas que estão boas mas que são «sobra» (estamos proibidos de comer durante o expediente ou de levar comida excedentária para casa ou nos servirmos dela), deixa-me a impressão que é um indivíduo capaz de meter as gorjetas a seu uso pessoal.

Hoje foi também a primeira vez que respondi a um cliente que me estava a empatar o tempo de serviço com pedidos intermináveis e um pagamento por moedas cada vez de valor mais reduzido, que pode se ver "livre" das moedas - como estava a dizer - enfiando-as na caixa de caridade. Afinal... se as pessoas não querem as moedas, ao invés de tentarem pagar um hamburguer de 11 libras com esses trocos, porque não pagam com notas e metem as moedas na caridade? Ainda por cima estava a dar em direto na TV o concerto de caridade para as vítimas do atentado de Manchester (próximo post, estejam atentos!). E que tal deixarem-se contaminar um pouquito pelo«espírito da coisa» e deixar ali umas moedas??

Boa semana, pessoal! 

  

sábado, 3 de junho de 2017

Alimentação noutro país


Desde que estou a viver em Inglaterra a minha alimentação deixou de incluir determinados produtos na quantidade a que estava acostumado. Na minha opinião os portugueses consomem muita carne. Não é por isso que aqui praticamente não como nenhuma. Mas o facto é esse: raramente toco em carne.


O que como então, ao invés disso?
Peixe...


Também não tanto. Se calhar só como «industrializados», produtos que vêm já feitos ou semi-preparados. Deixei de me alimentar com comida preparada do fruto à refeição. Mas em termos da diminuição do consumo de carne (vermelha em particular), não sinto falta alguma e desconfio que o corpo não precisa nada dela. Deve fazer mais mal que bem... mas lá que é gostosa, é.


Desde que aqui cheguei - e me perdoem a imagem gráfica - nunca sei de que «cor, forma e consistência» vão sair os dejectos que o corpo tem de despejar cá para fora... É sempre um "Kinder surpresa" Ahahaha. 

Perderam o tom característico da :poop: 



Acho que sempre se mudam os hábitos alimentares quando se muda geograficamente de lugar. Deve ser a coisa mais comum de acontecer. 

quinta-feira, 1 de junho de 2017

O Elvis lá do sítio


Confesso-me:
O género masculino tem uma característica que muito me fascina. E ela é... a voz.
Não uma qualquer, mas um certo timbre de voz, que até hoje não sei definir bem.

Exemplo de homem inicialmente atraente
(bonito, com profundidade no olhar)
Qual músculos, qual rosto, qual quê!
Há uma certa voz, possante, grave, mas ao mesmo tempo serena...
Das raras ocasiões em que escutei vozes assim, tive de esconder que não me fascinavam e não demonstrar nenhuma alteração, Kkkk.

Porque eles sabem...
Sabem-na toda. E já contam com esse trunfo.
(os sacanas).
Não atrai... (olhar pouco profundo, ar palerma Kkkk)

E porquê conto eu esta história?
Bem, recentemente andei a ver vídeos de música (não deram por nada, pois não? Eheheh.).
E isso trouxe-me uma lembrança.

Não é nada de muito relevante mas... lembrei.
Andava pelos meus 15 anos. Quando numa rara ocasião em que me foi permitido sair de casa, conheci um rapaz que logo simpatizou comigo. Educado - o que me agradou, bonito - o que procurei não valorizar e... com uma voz muito mas muito mais adulta que a sua idade. Agradou-me ouvi-lo falar. Agradou-me todo o seu jeito de ser. Traços no rosto dele faziam-me lembrar alguém... só não conseguia lembrar quem.

Foi então que descobri. O rapaz parecia-se com o Elvis Presley
Com a minha mente criativa já a imaginar histórias, olhei discretamente para ele e pensei: "É possível. Quantos filhos não poderá um artista como o Elvis ter espalhado pelo mundo? E um veio aqui parar...".

Se era ou não, nem era relevante. Era mais o enigma. Dava ares dele, mas, atrevo-me a dizer que era ainda mais perfeito. A verdade é que o rapaz era LINDO de morrer, tinha aquela voz deliciosa de escutar mas, a meu ver, ele era realmente lindo porque era muito educado, tranquilo. daqueles que pedem licença, dão a vez às senhoras, mostram interesse em te escutar e tudo e mais... 



Infelizmente e não por vontade dele, não fui mais longe e fiquei pelos breves contactos. 
Fui uma parvalhona!!!

terça-feira, 30 de maio de 2017

EU avisei que não me cansava


Isto está muito bom. É para ver.


Menos engraçado mas... igualmente interessante


Sátira interessante.


Humor com tudo em cima:



LUíSA SOBRAL

Muito interessante... um video-poema musical



Muito interessante... a conversa em 7 minutos de entrevista.


BASTIDORES:
Muito esclarecedor e tira-teimas:


segunda-feira, 29 de maio de 2017

After you're gone... You just been discovered

Epá!
Eu não me canso. Não me canso...
Tomem lá mais uma. Tão boa.

Gostando-se ou não do estilo, quando se encontra um artista com A maiúsculo, reconhece-se que há magia. E magia aprecia-se.


domingo, 28 de maio de 2017

Ainda as baladas...


Uma das críticas feitas a Salvador Sobral recaiu sobre a sua performance em palco. Acho até que a antipatia de muitos pela música se deveu mais a isso do que à voz ou melodia em si. Salvador sentiu a música e emprestou o corpo para interpretá-la. Foi realmente um momento mágico.

Para aqueles que acham que aquele gesto com a cabeça é coisa de "doente", que não é coisa de "artista", que é show-off e sei lá mais o quê, reparem neste vídeo e foquem-se no minuto 2.13s



No final da interpretação (e que interpretação!!), 
não se esqueçam de apanhar o queixo do chão!

Isto é arte musical...
É a música que emociona, é a poesia cantada e tocada... É o proporcionar de muitas emoções sem precisar de entrar numa montanha russa de luzes a piscar da feira popular e apelar ao medo das alturas e da velocidade...

voz, melodia e poemas.

A mesma música com performance dos artistas originais, os Righteous Brothers, igualmente responsáveis pela maravilhosa "Unchain Melody". 


E aqui deixo outro vídeo-performance do senhor Bill Medley (o da direita na still picture acima) muitos anos mais tarde (já com perda vocal mas muita fibra) a dar um admirável show para os fãs. Adoro a intro humorística que ele faz, onde diz que esta música superou o número de vezes que "Yesterday" dos Beatles passou na radio americana,

Vencer os Beatles não é tarefa fácil, merece mesmo uma nota de destaque :))




E porque não me canso tão depressa desta onda musical provocada pelo festival da Eurovisão (já o ano passado, sem ter assistido, aconteceu a mesma coisa e andei semanas a apreciar música.) aqui fica mais uma versão de "Amar pelos Dois" - desta vez uma versão do próprio Sobral (nada de cópias ou imitações)m en direto, na RTP, já após a vitória. 
E acreditem: Continua a a-rr-e-pi-a-r!! 
Isto é arte. É música, é interpretação.


Imagino se a Amália fosse viva... Ela ia adorar o rapaz!





  


São colecionadores?


O Reino Unido está a realizar mudanças na sua moeda corrente.

Introduziu uma nova moeda de a 28 de Março. 
Em Setembro do ano passado também havia mudado as notas de , que antes eram em papel e agora são em polímero plástico (como as escocesas e as austríacas). 

As de 10£ se seguirão, mas, por enquanto, não estão em circulação.

Nova moeda de 1£

E com isto, dei por mim a interessar-me pelo design da antiga libra e pela «raridade» das novas moedas/notas. Tal como quando surgiu o Euro, que me fez coleccionar uma moeda de cada país - agora apetece-me fazer o mesmo com a actual moeda inglesa - a antiga moeda de libra em particular, que vai sair de circulação a 15 de Outubro.

Não é difícil vir parar-me às mãos uma moeda que chama mais a atenção por ter um desenho diferente. A primeira que guardei foi uma de 2£. Tão brilhante que parecia nova. Mas, se estão recordados da minha história sobre o gato ou a lua - foi essa moeda "amuleto" que tive de dar ao motorista do autocarro para poder regressar a casa quando perdi o título de transporte.


Inglaterra tem 26 desenhos diferentes na moeda de 1£ que será retirada de circulação. Se for guardar um de cada (isto se conseguir, claro), é um investimento de 26 libras. Se fizer o mesmo para as de 2£, as notas de 5£... enfim. Estão a perceber a coisa, não estão? 

Mas olhem... tenho poucos entretenimentos e é um passatempo que me distrai e me entusiasma.
A dita «mais rara» de encontrar (porque a percentagem cunhada foi menor) já a tenho. Fiquei feliz quando percebi qual era :)
Valerá talvez umas 5 libras se for bem vendida a um coleccionador... Depende do timming e do interesse.

A vantagem é que nunca perdem o valor real. Excepto quando saem de circulação,

Para um coleccionador, existem ainda as edições especiais e as moedas raras. Geralmente, as raras surgem de um erro de impressão. E as edições especiais são para lá de caras. Mas acho imensa piada às moedas coloridas, que já existem um pouco por todo o lado. Aqui no UK lançaram uma coleção colorida de moedas de 0.50p (metade de uma libra). Pretendia comprar mas, além de terem esgotado, acho que pediam uma fortuna por cada moeda! Estão a ver aí... umas 30 libras (lol). 

Moeda da Isle de Man,
prata e titânio

Moeda colorida portuguesa
2010

O outro motivo pelo qual estou a fazer este post é que muitos de vocês podem ter libras aí em casa, desconhecendo que, se não forem ao banco, o dinheiro pode perder o valor. Ainda vai demorar, é claro. Mas é melhor prevenir. 




quinta-feira, 25 de maio de 2017

Mais umas coisas que precisam saber sobre... ai pois é!


Já estão fartos de posts sobre a Eurovisão e a vitória do Salvador Sobral?
Pois eu não! Ehehhe ;)

Já li teorias sobre a criação da melodia (inspirada em Moon River, veja-se só! Nada a ver... em comum, só serem baladas) e a criação da letra (do sting...). Mas por acaso andava eu nestas andanças sobre as músicas que se sangraram vencedoras do festival europeu durante estes quase 60 anos quando chegou ao ano de 1964 e reconheço de imediato uma melodia que ouvi vezes sem conta enquanto criança: Non ho l'eta, de Gigliola Cinqentti.


Como gosto muito da melodia, deixei-a ficar aberta no youtube para ouvir mais tarde. Mas mesmo sem a ouvir novamente, logo estabeleci um paralelismo entre ela e "Amar pelos Dois". Ambas baladas, ambas diretas ao coração, lindas melodias, interpretadas por vozes versáteis, cristalinas e poderosas, que conquistaram os corações dos ouvintes, que as sagraram vencedoras. Já houve uma altura em que o Festival da Eurovisão apreciava baladas como a que Salvador levou à eurovisão neste ano de 2017.


Era minha intenção mostrar os dois vídeos aqui, para que se entendesse as semelhanças no sentido do que é um género musical e o que é qualidade. Mas a minha surpresa foi ainda maior, quando procurei escutar Non ho l'eta com a artista já matura, num vídeo com legendas em português. 



AGORA DESCUBRAM ONDE 
NÃO ESTÃO AS SEMELHANÇAS! 





NOTA:

Quem entende italiano deve entender que a tradução não é muito fiel, pero, fui procurar uma outra tradução. E esta sim, fiel ao original, mostra uma história ainda mais bonita e muito mais afastada da letra de "Amar pelos Dois". A música Italiana fala da paixão avassaladora de uma jovem menina por um homem maturo. E ela canta que não tem idade para o amar, nem para sair num encontro amoroso com ele mas implora que a deixem viver um amor romântico (de forma platónica) por mais um dia... Contudo, se ele a quiser esperar, se ele esperar por ela, nesse dia ela vai amá-lo muito!

Que lindo! Não é?
Amo as duas melodias. A da Luísa tem algo de especial logo no início, é mais soft... muito bela.
A Italiana é já um clássico. Bela também.

Aqui fica a versão mais satisfatória, mais uma vez, interpretada pela própria, a vivo e a cores, anos mais tarde.


E como não me canso e gosto de ver mais actuações durante uma linha de tempo, aqui está uma fantástica interpretação da mesma cantora, em 1993, num show em Tóquio.


PORQUÊ não existe esta música com letra em PORTUGUÊS é que não entendo.

Ora vamos lá imaginar uma bela voz para a cantar... Quem nomeariam?


Letra (minha versão):

Não tenho idade.
Não tenho idade.
Para amar-te. Não tenho idade.
Para sair sozinha, contigo.
E não teria... muito
a dizer-te
Porque tu sabes muitas mais coisas que eu!

Deixem que eu viva, um amor romântico,
na incerteza, de que chegue o dia,
mas agora não!

Não tenho idade.
Não tenho idade.
Para amar-te. Não tenho idade.
Se tu quiseres... Se tu quiseres...
Esperar-me
E um dia terás todo este amor que tenho por ti!

Não tenho idade.
Não tenho idade.
Para amar-te. Não tenho idade.
Se tu quiseres... Se tu quiseres...
Esperar-me
E um dia terás todo este amor que tenho por ti!


No entanto, como me lembro de uma ideia engraçada que existiu na década de 80/90, aqui achei o que queria! Digam lá o que pensam daquela que julgo ser a única adaptação desta música para português.


terça-feira, 23 de maio de 2017

Mais reações Aa Amar pelos Dois

Adoro ver as reacções de outras pessoas à música com que Sobral venceu o Eurofestival e perceber se existe um consenso.

Aqui ficam algumas reações da América, Austrália e Espanha.



Austrália: "Portugal has to win!"


Espanha: "So nice! So beautiful!"


segunda-feira, 22 de maio de 2017

Saber-se que se tem seis meses de vida


Curiosa para saber sobre o quê Salvador Sobral padece, googlei o seu nome e, por aquilo que divulgam alguns sites, o rapaz tem uma insuficiência cardíaca grave, usa uma espécie de pacemaker daqueles com uma mochila à frente do peito e precisa de um transplante de coração com urgência.

Li, inclusive, que os médicos estimaram que, sem um coração novo, ele viveria somente mais seis meses de vida.

Abstraindo-me agora de quem é - conseguem imaginar?? O impacto que uma coisa destas tem para a família e para o próprio? A angústia? O choro? Os receios? Os medos? A contradição de se desejar que alguém morra logo para que outro possa viver?

Saber-se que se tem um prazo para deixar de viver... E um tão curto. O que isso faz a uma pessoa? No que isso torna todos os nossos dias? Olhar para o céu, para qualquer coisa, tendo quase a certeza que daqui a um sopro de meses, pode-se já não estar cá para olhar?

Cantar uma música?
O que isso faz??

Se a pessoa não fosse quem é, e fosse ainda um estranho para Portugal, o seu estado de saúde seria o tipo de post que se partilharia no facebook, para «ajudar» a aumentar a palavra e se encontrar um coração. Ou para se fazerem rezas pela sua saúde. 

Começo mesmo a achar que no dia 13 de Maio existiu de verdade muitos milagres. 

Posso dizer que já ouvi tantas covers da música composta pela Luísa Sobral e interpretada pelo irmão Salvador. Escutei em Russo, francês, «brasileiro», inglês... português. Mas em todas achei que faltou algo. Principalmente na interpretação. Faltou uma certa emoção e fez muita falta.

E subitamente entendi uma verdade absoluta:
NINGUÉM poderá cantar esta música como o Salvador pode.
Só ele tem aquela sua sensibilidade para sentir a música, só ele tem aquela franqueza (e porque não tê-la, se se sabe que o tempo urge?) e só ele poderia, com aquilo que lhe vai no coração, cantar a música com o seu coração. O seu coração que lhe falha, que bate mais forte, na alma, mas falha no corpo. Como é que algum outro pode cantar com aquela emotividade se nenhum está prestes a morrer?



"Ouve as minhas preces"

E quantas não estão a ser feitas, por outro motivo? Para que Salvador consiga o coração de alguém? Que coisa é esta de alguém ter de morrer com morte cerebral, para que outra pessoa possa viver? Que raio de segunda-vida é essa e que impacto psicológico e emotivo pode acarretar? 

Que dádiva é esta, de se doar vida?
Que angústia é essa de se sentir o fim?

E como poderia ele não cantar como cantou, tendo tudo isto na alma? 

Sim, já vi muitos tributos e muitas covers desta canção.
Mas na interpretação, todas deixam a desejar.
Ou são algo planas e previsíveis, ou a voz é esganiçada e a interpretação fracote. Uns gemem a música, não a cantam. Outros fazem «olhinhos» de românticos. Salvador fechava os olhos. Segurava as mãos, vibrava com cada pedacinho...

Não foi nada à toa que ele chegou e tocou os corações.
Que ironia!
Mas foi o que a música e a interpretação fez.
Conquistou pelo sentimento.

O MUNDO gostou desta canção e do seu intérprete. A barreira linguística nem sequer existiu. Não houveram muros. Diques e barragens foram demolidas para deixar as águas fluir... 

E corações por todo o planeta se sensibilizaram.
Esta melodia é universal, ficou globalizada. Ainda dará o que falar.

Só espero é que não tenha sido uma glória de despedida... 
Mas se vier a ser, só aumenta a beleza da dádiva. 


sábado, 20 de maio de 2017

Dei uma de Maria de Fátima



Alguém sabe ao que me refiro com o título que escolhi para este post?
Provavelmente muitos poucos entenderão.


"Maria de Fátima" é uma personagem. De uma telenovela. Dos anos 80...
Ficou famosa por ser «má». Ela quer tanto subir na vida e ter muito dinheiro, que engana todos com o seu jeito angelical e bondoso de ser. A novela tem o nome "VALE TUDO" e vale mesmo tudo para a ver. Mesmo nos dias de hoje. Recomendo-a já. Continua bastante actual, ainda que na novela os telemóveis sejam raros e tenham o tamanho de um tijolo. Em tudo o resto, a novela não podia mostrar melhor a realidade como ela ainda hoje é. Pessoas normais, que acordam com o cabelo despenteado, que o vento na rua despenteia, o povo que aparenta mesmo ser povo, as praias que têm povo e não figurantes bonitinhos... Além de tudo o resto, claro.


Mas história à parte, "Maria de Fátima" não é só o nome de uma personagem. Ganhou também direito a ser uma expressão. Com um significado. Uma pessoa capaz de enganar, manipular, ser dissimulada para conseguir os seus objectivos, resumia-se tudo isso com as palavras "Maria de Fátima".


E digo eu que dei uma de "Maria de Fátima?" - Bom exagerei. Muito. Porque queria «fazer bonito» Kkkk. Por muito que tentasse, jamais chegaria aos pés de uma Maria de Fátima. Mas posso ser uma Maria de Fátima Mirim... ou uma aprendiz com pouco sucesso.

O que pretendo dizer é que tenho muita dificuldade em mentir. Quase nunca o faço. Maria de Fátima fazia-o com quem respira. E eu disse uma mentira e por isso, por ter conseguido, senti-me uma Maria de Fátima! 

Só a ideia de ter de recorrer à mentira me exaspera. Contudo, sou uma adulta. SEI que tem ocasiões em que mentir pode servir um propósito, e este até pode ser um bom propósito. Não gosto e é raro mas, se meter na cabeça que vou o fazer, e me convencer disso (é a parte mais complicada), sou capaz de o fazer.

Divido a casa com um rapaz que gosta pouco de trabalhar. Ele vai para o emprego mas sempre contrariado. Não vê propósito no conceito de trabalho em si. Quer viver de... o que lhe dá prazer. Mas como isso não dá dinheiro a todos (só a uma minoria), tem de se sujeitar às normas sociais que ditam que é preciso dar trabalho em troca de dinheiro para se obter bens e serviços.

Acontece que o rapaz está sempre a dizer-me para telefonar para o emprego a dizer que estou doente. Não importa se me queixo ou não. Ás vezes basta eu dizer que tive um dia cansativo e quero relaxar, já ele vem com a conversa: "Telefona a dizer que estás doente e não podes ir". "Eu faço isso regularmente". 

Eu bem lhe digo que isso não resulta comigo. Sei que não ia conseguir e que a minha mentira seria transparente. No emprego eles nunca acreditam na falta por motivos de saúde. (Desconfiam sempre da pessoa de forma sarcástica). Depois tem outra questão: A ideia de brincar com a saúde, por vezes acho inapropriado. A saúde é preciosa. Usá-la como pretexto para «escapulir» a responsabilidades - sejam elas não ir a uma festa de aniversário ou desmarcar um convívio - acho que não é correto. O que custa às pessoas dizer: "Olha, não me apetece ir? Mudei de ideias?" Porque têm de inventar logo uma doença?

Acho que essas desculpas acabam por chamar as efermidades e o melhor é nem brincar com isso. Mas não é essa a principal razão de sentir desconforto com as mentiras. Simplesmente é assim. Mas como adulta, tenho de aprender. Aprender a mentir. 

E achei que era altura. 
Por razões a meu ver muito válidas (ler post sobre assédio laboral), decidi que não ia trabalhar num certo dia. O que ia dizer para poder faltar é que não tinha ideia. Mas aos poucos começou-se a formar algo. Diria até que estava a ter «achegas» espirituais, porque não tenho em mim esta capacidade de refletir e entender o que se deve fazer. 

Desde que cheguei ao UK muitas têm sido as pessoas a viver cá que me têm dito que, para se conseguir algo (casa, telemóvel, contrato de serviços, emprego, etc, etc), há que mentir. Até mesmo nos blogues que sigo, de pessoas a viver aqui, também elas escrevem que é preciso "exagerar a verdade"- manipular as coisas. É nesse sentido que uso a expressão "Maria de Fátima". 

O curioso é que, para mentir, tive de tornar a mentira VERDADEIRA.
E é aqui que queria chegar. Para poder dizer que aconteceu "isto ou aquilo", tive que fazer com que acontecesse. Com consequências menos graves do que dei a entender - claro. Mas também sempre ouvi dizer que é preciso exagerar nas dores para se fazer de doente, e exagerar nos feitos, para se fazer de herói. Então exagerei um pouco - sabendo que é natural, no início, pensar-se que algo é mais sério do que se pensava. Relatei o sucedido verdadeiro, mas de uma ocasião passada. Então, facilitou a mentira porque estava a contar uma verdade. E quanto ao pretexto que dei, acabei por torná-lo verdadeiro. Porque só assim consigo «mentir». Sabendo que não era mentira, que tinha realmente acontecido o que relatava.  


Na novela "Maria de Fátima" era filha de "Raquel". Uma personagem tão boa, recta, correta, honesta, crédula, bobinha - com a qual me identifico. Na altura em que a novela passou, nem tanto. Percebi-o depois, durante uma reprise no canal Brasileiro, já adulta. Mas até na novela, por vezes, dá para entender os motivos de Maria de Fátima. Tendo Raquel como exemplo de mulher adulta e um pai alcólatra como exemplo de homem, ela viu tudo aquilo que não queria para si. Raquel, por muitas ocasiões, sai prejudicada por ser como é. Acaba por se colocar em situações que a ferem e também erra por ser... boa. Mãe e filha são dois opostos e no equilíbrio é que está o saber viver. Raquel também tem de aprender! Aprender a mentir... Aprender a ser dura. A destratar quem merece. Para crescer.

E é aqui que me encontro... 


E porque não? Aqui ficam umas cenas de resumo da mencionada novela.