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sábado, 11 de julho de 2026

Ventoinha não! Por favor...

 

Tenho estado constipada nesta última semana de altas temperaturas. Bom, se estão altas não sei realmente. Pois eu sinto é frio. Uma simples aragem é sentida com muito desconforto, como se fosse uma maleita. E lá começo eu a tossir. Tanto que me parece que os pulmões poderão arrebentar se não parar. 

Tenho conseguido gerir a condição e estou só a dar tempo para que passe. Acredito que, se descansar amanhã, depois de ir trabalhar hoje, é altamente provável que na segunda, terça feira, esteja bem. 

A questão é que tenho ido trabalhar à mesma. 

Num lugar com ventoínhas industriais ligadas por toda a parte e onde observei que, incrivelmente, todas as pessoas ao chegar carregavam aparelhos de ventalização portáteis. Uns maiores que outros, mas todos bem mais que uma simples ventoínha de mão. 

"Como é que vou conseguir "fugir" a tudo isto?" - pensei, 

Além as aragens naturais presentes por todo o lado, tinha também de evitar os "tsunamis" individuais de vento frio que parecem agradar a todos - menos a mim. 

Todas me pareceram instrumentos de tortura. 


Estar adoentada com o a temperatura do corpo desregulado faz a pessoa sentir urgência em usar o WC. 
Ontem, já tinha finalizado as minhas tarefas mas ainda faltava 30 m para terminar o turno e tive imensa vontade de ir ao WC me aliviar. Olhei por toda a parte a ver se via o gerente do dia - outro que não o habitual que foi de férias - Não o vi para o informar mas ao mesmo tempo pensei no ridículo que é. Eu sou uma trabalhadora às direitas. Empenhada, sempre arranjo o que fazer, nunca fico sem rumo, a "passear". Se me ausento, ainda mais doente, é obvio que é para ir ao WC. 

Ainda assim procuro o gerente com o olhar a perscrutar todo o ambiente à minha volta, até onde ao longe alcança. Mas como ele não está em lugar algum e sou uma pessoa responsável, adulta, que precisa de usar os lavabos... pareceu-me ridículo não o fazer. 

É só uma ida ao wc quase no final do expediente, com o trabalho todo feito. Provavelmente vou demorar menos tempo do que algumas colegas que ficam ali paradas a falar umas com as outras. Segurei a vontade por algum tempo mas quando o que estava a fazer - que podia ficar em pausa sem problema - ficou completado por o tempo que era necessário - arrisquei e FUI AO WC.

Quando estava a subir as escadas para chegar ao WC estava a refletir que isto nem seria uma questão que me passasse pela mente se trabalhasse num escritório. Porque em escritórios a pessoa está a fazer o seu trabalho frente a um computador, tem vontade, levanta-se, vai e retorna ao trabalho.

Ninguém lhe vai dizer que não pode. Ou vai (pelo menos não deve) controlar a frequência e duração das idas.  

Mas em armazéns e outro género de trabalho mais "escravizador", essa autonomia não é bem vista. Encarar o funcionário como um ser humano adulto e responsável com direitos básicos - não funciona bem dessa maneira.

Quer dizer: existem sempre os "invisíveis" - aqueles que fazem tudo isto e mais "fugas" ao trabalho que ninguém deteta. Semanas se passam, meses, anos. E algumas "pessoínhas" conseguem "matar trabalho" de forma revoltante. Revoltante, cá está, porque nenhum superior lhes chama a atenção. Nem parecem perceber que na última hora de trabalho a pessoa "evaporou". Enquanto outras, nessa última hora, têm de ir ajudar colegas a terminar tarefas. 

Bom, mas 10 minutos depois regressei no meu passo apressado que já faz as minhas pernas se sentirem pesadas e mal um colega me viu - ele que tinha recomeçado a tarefa que deixei provisoriamente completa - logo gritou: "Onde tu estavas?"

Mas falou isto de uma forma como se eu tivesse fugido da prisão e ele fosse um guarda. Como se não lhe pudesse passar pela cabecinha que uma necessidade de ir ao WC era o motivo.

Está certo que algumas pessoas usam uma ida ao wc como pretexto para fazer chamadas telefonicas, empatar o trabalho, conversar, etc. Mas não faz o meu estilo. Nem o tempo de ausência deu para mais do que aquilo que fui fazer. 

Quando me empenho tanto que até vou trabalhar em condições menos favoráveis de saúde e sinto isto... não há como não me perceber estúpida.

Quando cair numa cama, nenhuma destas pessoas virá me visitar, para saber se estou bem ou se oferecerem para me ajudar. 

Inteligentes são todos aqueles que eu, no fundo, desprezo: os que pouco ou nada fazem. Os que só carregam no "acelerador" quando percebem a presença do olhar da gerência. Os que, quando ninguém está a olhar, param de trabalhar por completo. Os que chegam tarde sucessivamente e nunca são censurados. Os que estão sempre a "faltar" em dias estratégicos. Os que recebem o mesmo ordenado que eu, mas pouco trabalham para o receber. 

Esses são os inteligentes. Que quando se reformarem ainda vão estar em boa forma física, sem grande mazelas, porque nunca sujeitaram os seus corpos a esforços prolongados. 


Quando nem uma "cagadinha" (não gosto muito desta palavra mas não me apareceu outra) rápida para ajudar a expelir o virus do organismo posso fazer sem aparecer um "Hitler" por perto... é neste tipo de coisa que penso. 

No fundo, eu sou só tão apreciada enquando poder trabalhar como uma máquina. 

E já me está a ser difícil trabalhar ao ritmo delas. 


Quando isso se tornar mais evidente, nem "bom dia", nem "boa tarde" é... já foste!

Retomei a atividade que tinha deixada completa mas que entretanto precisou de um reforço e tive aquele colega sempre com os olhos fixados em mim, sem compaixão alguma pelo meu estado. Já todos tinham terminados suas tarefas, inclusive ele. Estavam todos na conversa. Mas ele estava era a observar-me. E eu, que precisava ir ao meu cacifo buscar um casaco para não "morrer" de frio com as rajadas de vento lá fora, comecei a caminhar nessa direção. Fui, no grupo, a última a sair. Até o gerente saiu na minha frente. 

Já tinha notado nele uma personalidade que não é o que aparenta na superfície. É controlador, insulta-se com nada e pouco, interpreta as coisas para um lado que não é o lado... 

Quando na véspera lhe pedi para desviar uma mega-ventoinha industrial capaz de produzir vento até um quilómetro de distância para que o ar não me atingisse diretamente, ele desviou ligeiramente, mas fez uma careta como se o meu pedido fosse absurdo. Instantes depois voltou a posicioná-la na minha direção. Quando ele se afastou e com aquilo a fazer-me tossir, cheguei perto e posicionei-a um pouco de lado para não me atingir. E ele voltou a reposicioná-la um pouco mais para mim. O que até era estranho porque a ventoinha na posição em que a coloquei deitava o ar diretamente para ele, que era o que ele se queixava que precisava a toda a hora. A solução passou por criar um "forte". Com duas peças de trabalho ali à mão - fiz uma barreira contra o ar frio. 


quinta-feira, 19 de março de 2026

Misogenia

 

No emprego quando comecei a fazer uma determinada tarefa, notei uma mudança de comportamento por parte do "grupo" de pessoas com quem ia "partilhar" aquela tarefa em particular. 

O que comecei a fazer foi CONDUZIR. 

A conduzir uma máquina. A maioria daqueles que vejo a conduzir tais máquinas são homens. Até então nunca me tinham feito sentir tanto como uma mulher. Pessoas que antes falavam comigo e me cumprimentavam à vista, deixaram de me falar de imediato. Adotaram uma expressão carrancuda. E, pelas costas à mínima coisa que acham que podem apontar, vão ter com o gerente para apontar uma "falha" minha. São tão inseguros e se sentem tão ameaçados por mim a esse ponto. Ao ponto de o meu género feminino os incomodar! Talvez por acharem que o que fazem é super especial e distinto para o seu grupo: o masculino. E que nenhuma mulher deveria se introduzir naquela área. Escutei coisas como "aprende a conduzir!", e "estacionas como uma mulher". Mas de tudo o que é dito, é o que não é dito que é mais revelador. É o comportamento e a linguagem corporal. As contantes "caretas", a atenção prestada a cada movimento meu para ver se há algo que podem ir a correr apontar a um gerente - o esforço embutido para tentar me excluir daquele meio que, claramente, tomam como o seu território e pensam que têm legitimidade para selecionar quem merece ali estar e quem não. 



Estava a ver um documentário sobre acidentes de aviação e no Nepal um avião caiu do céu porque um comandante com mais experiência, que não estava naquele vôo no comando do avião, decidiu "instruir" a comadanta. Acabou que se distraiu e não percebeu que mudou a alavanca das hélices para a posição "neutro". O avião deixou de ter como se sustentar e acabou por cair, morrendo todos. Um dos passageiros estava em "live stream" - a transmitir em direto e acabou por registar a sua morte. 

O tempo todo eu estava a pensar: Este comandante está a dar tantas ordens e a decidir coisas porque está diante de uma mulher. Vê uma mulher, pensa que ela lhe é inferior. Ao mesmo tempo que pensei isto, percebi que a sociedade no Nepal é mais aberta para capitãs. Porque a senhora era a esposa de um piloto que havia falecido num acidente. Ela não era piloto até que ele faleceu. Ela tornou-se piloto de avião em honra ao marido, depois do seu falecimento. E no geral era admirada e muito respeitada por isso. Portanto, parece-me que a sociedade Nepalence é, provavelmente, bem mais aberta a ter mulheres em funções geralmente exclusivas para homens do que a Britânica. 

Durante os 10 anos em que viajo de avião, nunca que um deles foi pilotado por uma mulher. Sempre um homem. Tomamos isso como "normal". Mas será que é normal? Não, não é. É um sinal camuflado do que eu mesma vim a sentir no meu local de trabalho. 

Claro, há pessoas lá que me admiram e me elogiam imenso. Não por ser mulher mas por ser boa no que faço. "Fizeste essa curva muito bem! És boa a conduzir. Nunca vi ninguém fazer isso tão bem. A maneira como fizeste essa curva foi a melhor que alguma vez vi. Muito bem, eu não faria melhor" - são expressões que já escutei. 

Portanto há quem não se sinta ameaçado e há quem não se sinta intimidado. Mas há também os que sentem tudo isso. E esses também estão por detrás do volante. Acham que são especiais, melhores que os outros. E vem alguém que eles, assim se vem a descobrir, consideram inferior e é capaz de executar as mesmas funções? Ah, então não o poderá fazer bem! E qualquer coisinha que fizer menos correta vai ser apontada junto ao gerente que é para passar bem essa mensagem

Sou boa, mas não sou perfeita. Ainda estou a "domar" a máquina. Mas eu e máquinas, geralmente, sempre nos damos muito bem. Agora dispensava a existência de machos tão inseguros e fracotes como alguns que por lá andam. Se sabem o que fazem e confiam nas suas competências, não deviam sentir-se minimamente incomodados. Será que não percebem que se estão a evidenciar como misóginos? Meros indivíduos inseguros, que não vêm as mulheres como iguais, que só se sentem confortáveis se o seu círculo de "machismo" não for perturbado. E deixem-me vos dizer: eles, os misóginos, têm todos os defeitos que gostam de atribuir como traços marcantes femininos: estão sempre a falar uns com os outros. Param o trabalho, descem do veículo para conversar com alguém. Andam uns metros, param novamente para conversar com outra pessoa. "Desaparecem" e não se percebe por onde andam só se percebe que o trabalho não está a ser feito. E a gerência naquele sítio... não vê. Ou se vê, fecha os olhos. No geral os gerentes atuam com base na regra principal: "Não quero chatices". Chamar alguém que trabalha há muitos anos ali à atenção, é puxar sarilhos. A pessoa pode não gostar e fazer a vida deles muito difícil. Puxar outros para esse meio. Ir ao sindicato fazer queixa e armar uma dor de cabeça. Então os gerentes não fazem nada, deixam andar. Só se "esticam" com pessoas com quem não estabeleceram uma relação mais próxima, as quais não temem por não as verem como pessoas capazes de ir de imediato fazer queixa ao sindicato e sobretudo para satisfazer os caprichos dessas mesmas pessoas que têm medo que lhes dêm dor-de-cabeça. 

Quanto a pilotos mulheres: partilhei casa por pouco tempo com um rapaz que estava a treinar para pilotar aviões da Easyjet. Ele tinha uma namorada e me disse que também ela treinava para piloto. Afirmou que eles (a companhia) pretende ser mais inclusiva e que tinha, talvez num grupo de 25, uma mulher. Tentam... mas não muito, entendem? É só mesmo PARA INGLÊS VER. 

E depois falamos de países menos desenvolvidos que a Grã-Bretanha, esta potência económica que já conquistou outros mundos, que é tão desenvolvida e em termos de misogenia... 

Onde está o progresso? 
Faz mais de um século que a mulher sufragista surgiu para ser vista como um ser humano igual ao seu semelhante em direitos. Elas sempre desempenharam papéis vitais na sociedade, ainda que por detrás de um homem. É que a mulher é pouco dada - a meu ver, à necessidade de aparecer. Ela sabe o seu valor sem precisar de o ostentar aos olhos dos outros. Só pessoas inseguras e que se sabem ou sentem sem valor algum sentem essa compulsividade. 


quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

Talento versus Persistência - o que é mais benéfico?

 

O Talento significa que o teu trabalho é de alta qualidade. 
O Talento quase sempre implica que muitos vão te invejar, desejar e fazer-te mal. 

A Persistência faz com que até os menos talentosos cheguem longe e atinjam a estratosfera do sucesso. 

O que vale mais?

No meu ponto de vista, a persistência. O Talento há que o esconder muito bem, porque será alvo de inveja de muitos e uma espécie de "fonte para ser explorada" por interesseiros, que vão enriquecer às custas do talento alheio. Só mostrar talento quando necessário. Não deixe os ambiciosos não talentosos tirarem proveito de algo que não têm e vencerem, por serem persistentes.



domingo, 1 de setembro de 2024

Mais um Domingo, mais 10h de trabalho

 

"Luvas de Serial Killer" - grita o homem alto, de calça branca e t-shirt azul, que parecia tão certinho. Tão subitamente agarrou na minha mão enluvada que nem ouvi o que disse. Tive de pedir para repetir. 

Estava sentada a aguardar o meu pedido de take-away de frango com batatas fritas... e ele estava em pé, tinha acabado de fazer o pedido dele. 

"Luvas de Serial Killer" - diz. 

Percebo então que decidiu fazer uma graçola a respeito do fato de me ver com luvas de borracha. Mas... o Covid foi assim há tanto tempo que as pessoas ainda se surpreendem por ver mãos enluvadas com luvas de borracha azuis? 

Se tivesse colocado uma máscara no nariz teria me acusado de ser uma assaltante de bancos, ao invés de uma assassina em série. 

-"Não." - respondo-lhe. "Luvas de 10 horas de trabalho". 


O telemóvel dele tocou nesse instante e o seu interesse eclipsou-se tão rápido como se manifestou. Curioso a ASSOCIAÇÃO mental do homem. 

Há bem pouco tempo pensei em mim nesses termos. Estava a refletir na vida, nas injustiças a mim cometidas e a forma como reajo ou reagi a tanta maledicência, malícia, inveja, maldade. E concluí que, numa próxima encarnação, para equilibrar a balança só poderei vir a ser alguém com reduzidos escrúpulos, capaz de matar pessoas por nenhum motivo especial e sem remorso. Quando um tanto em monotonia, procurar excitação no ato de criar confusão e ceifar vidas.  Isto porque, nesta reflexão sobre o equilíbrio das coisas, devido ao que vivi e vivo nesta vida, na próxima só podia encarnar o meu oposto. Porque seria o equilibrar de um desequilíbrio.

Suspeito que o objectivo das vidas que por cá passam está traçado assim.  Não para viver sempre o seu oposto mas... para a aprendizagem. O que não se aprendeu à primeira é exasperado à segunda.

Já em casa refleti na expressão popular que diz: "é preciso um para reconhecer o outro....". 

Será que o homem era do lado do mal? Ou será um apreciados do Dexter? (série de TV que NUNCA vi, by the way... ) 

segunda-feira, 3 de abril de 2023

Todas as cidades sao iguais

 Estou a precisar quebrar a rotina aqui em Inglaterra. Apetece-me conhecer lugares novos. Um autocarro dizia ter como destino Sutton e decidi pesquisar a cidade no google. 

Surge um conjunto de imagens que se renovam a cada tres segundos. Claro, sao imagens que reflectem o melhor que a cidade tem para oferecer. Surge uma fotografia aerea da topografia e quatro ou cinco imagens de diferentes parques relvados.

A vontade de visitar o lugar desaparece. Nada de diferente. Nem um museu, um restaurante, uma loja pitoresca, uma igreja. 

Só reforça a minha impressão que todos os locais aqui em inglaterra sao identicos. Nao existe singularidade. Quem visita um basicamemte vai encontrar o mesmo em todos os outros. As mesmas lojas, a mesma toponimica, as mesmas casas construidas com os mesmos materiais e com a mesma arquitectura.

Depois lembrei-me do comentário que escutei de um colega ingles noutro dia. À saida do trabalho, lamentei estar a chover e disse: "Mas o que se passa com este tempo britanico que nao para de chover?"

-"ENTÃO O QUE É QUE ESTÁS AQUI A FAZER?" - disparou ele, com reprovação na voz e denunciando um pouco de aversao a estrangeiros.


Como se um simples lamurio sobre a chuva não fosse um comportamento curriqueiro comum a todos por toda a parte. Principalmente quando nao se ve um raio de sol faz mais de um mes (e ja e primavera).  Reagiu como se fosse um ataque ao seu pais. 

Subitamente, tive a resposta aquela "pergunta" dele: "O que estás aqui a fazer?", ao constatar que todas as cidades em inglaterra sao iguais. 

Estou aqui pelo mesmo motivo que ele. Para trabalhar com o status de colarinho preto. Só que ele nasceu aqui e nao conhece diferente. Eu nasci noutro lugar e conheço. 


Estou aqui - percebi, porque Inglaterra nao passa de uma grande fábrica industrial. Estou aqui para trabalhar nessa fabrica, como quem muda para os alojamentos providenciados por uma unidade laboral. Inglaterra ser tao e somento isso, está nestas cidades uniformizadas, na ausencia de diversidade de produtos (como os meus iogurtes prediletos cujo sabor nao existe aqui), nos parques todos iguais para criar a ilusao de escape que nao esta realmente ali. Barato e quase sem manutencao. Para manter os operarios felizes nos seus curtos minutos de lazer. 

Cinco anos e ainda não se vendem estes iogurtes em inglaterra. Pelo menos eu não os encontro. Os ingleses estão limitados a um número mínimo e repetitivo de sabores. 

Inglaterra e uniformizada. Pelo menos para as massas. Tratam o povo como se nao merecesse melhor. Fazem pior que isso: nao os deixam SABER que ha melhor. Wue devem solicitar melhir. A srmelhanca dos EUA, dizem-lhes wue estao na melhir nacao da livre europa e por isso devem agradecer suas bencaos.

Nada podia estar mais longe da verdade. Por vezes, a proclamada liberdade em paises livres e tao condicionada e a realidade ocultada tanto quanto em paises rotulados de tiranos.


sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Sem noção

 "Estás sempre em casa!"- diz-me a M  depois de disparar um "vais trabalhar hoje?" assim que saio do quarto, onde permaneci tres horas .

A M. sofre do mesmo síndroma do qual padecia o rapaz da primeira habitação. Quem esta lembrado? É o sindrome do "quero a casa so para mim". 

Ele, 50 anos, so trabalhava aos fins de semana e ficava por casa todos os outros dias. Ainda assim sabia-lhe a pouco.  Cada vez que via um de nos tres de folga, logo nos aconselhava a ir passear, aproveitar o dia. Dizia: "Acho que nao devias ficar em casa. Digo isto para o teu bem. Fazia-te bem ir dar uma volta. Podes apanhar o comboio até outra cidade..."

Uma pessoa com turnos rotativos com horarios doidos, que todo o final de turno entra'em casa arrebentada, muitas'vezes direta para a cama sem duche por nem conseguir dar um passo mais e quando finalmente consegue um dia para descansar, tem um colega na casa a dizer-lhe repetidamente isto.

Percebe-se logo o que realmente pretendem.

A M. queixou-se que vai regressar ao trabalho ja para a semana.  "É muito dificil acordar as sete da manha e chegar a casa la para as sete da tarde"- diz-me. Concordei. Mesmo sabendo que nao o vai fazer todos os dias. "Pensei que ainda tinha uma semana mas o lockdown termina na proxima... queria continuar por casa, entendes o que quero dizer?"

Respondi que nao sabia, porque nunca estive em forlorn. (ficar por casa a receber salario mas sem trabalhar).

O que sei eu realmente sobre o que isso é? Como a pessoa se sente por ter de abandonar esse conforto de meses ou semanas e regressar a rotina?

Nao sei absolutamente nada.

Durante a reclusao obrigatoria devido a pandemia estive sempre a trabalhar fora de casa. Foi ate o meu periodo mais requisitado. 

Ha coisa de tres meses arranjei dois empregos. Porque um ja estava a ser menos regular. Nem por isso me deu mais tempo livre, porque quando se conta em ir trabalhar e no ultimo minuto recebe-se a mensagem de cancelamento, todo o teu dia girou a volta daquele compromisso. As coisas que deixaste de fazer e o que podias ter feito e nao fizeste por priorizares o descanso antes da labuta.  Muito esforço, pouco salario. 

A decisao de conseguir um segundo emprego pareceu logica. E consegui, mesmo nestes tempos dificeis. Foi o emprego que deixei na terça-feira. Teve ser. Estava a ser muito menos regular do que o prometido, com a inconveniência dos dois turnos dados por semana estarem sempre a coincidir com os atribuidos no outro trabalho. Andava a perder saude e dinheiro.

Na quinta-feira consegui outro emprego. Esta e a novidade que ainda nao havia contado. É prematuro e nao quis azedar a coisa por a mencionar cedo demais. É num armazém (é o unico tipo de emprego que tem sobrevivido ao Covid). Aquele que deixei era o de uma empresa  Americana, noneadamente a conhecida Amazon. Foi a minha segunda experiencia com empresas americanas em solo ingles e em termos de organização e simpatia estao no meu top do raking. Esta nova é alemã. Primeira impressao: desorganizada. A ver vamos.

Ja tive de cancelar o primeiro turno - para amanhã de tarde, por o final coincidir com o inicio de um turno que me ofereceram a ultima da hora na empresa a qual sempre vou dar prioridade: a primeira. 

Ja trabalho com eles faz dois anos, conheco os cantos a casa e... ganho bem - se tiver horas para fazer.

Nenhum outro lugar em parte alguma vai pagar proximo do que ganho ali. Em uma semana na Amazon, com dois turnos de extenuante trabalho, apos pagos os impostos, fazia menos do que com um unico dia de trabalho na empresa original. Fui percebendo que estava a prejudicar a minha saude e a comprometer o meu desempenho na empresa que nao quero abandonar. 

Tive de sair.

Em termos de pessoas que ali encontrei e ate de sistema de trabalho, foi uma perda. Mas tambem exigem muito de ti, fisicamente. Nem todos conseguem manter um ritmo acelerado continuo por varias horas, para atingir o target numerico. Principalmente quando a empresa exige que se cumpram as regras do covid, e impoe uma distancia de 2m a todos os trabalhadores. Tinham instalado  cameras biométricas que toda a hora enviavam um relatorio. A minha temperatura corporal era medida todos os dias a entrada e mascaras e desinfectantes estavam disponiveis por todo o lado.

Na empresa original muitos nao usam mascara, ninguem cumpre distanciamento chegando a roçar uns nos outros, existiram casos positivos de Covid e nao isolaram os trabalhadores em contacto com o infectado/a. Alem disso tudo e mantido muito porco, sujo e desorganizado. 

Existem aspectos positivos mais e menos bons em tudo.

O que me fez especie foi mesmo o comentario da M. 

No ultimo mes ando a sair de casa as 3 da manhã, para, por vezes, so regressar por umas horas e voltar a sair para mais um turno inteiro de trabalho noutro lugar. Passei 24 ou 48h sem vir a casa realmente para ficar. O meu cérebro ficou a sentir que dois ou tres dias foram apenas um.  No passado domingo sai as 4 da manha do emprego1, onde entrei as 22h de sabado, para apanhar o autocarro as 4.10, descer na estacao, apanhar um transfer e chegar as 4.30 ao emprego2. Para recomeçar a trabalhar no duro, a suar e sem tempo de ir ao wc mesmo tendo vontade. Porque não deu para parar. E ali fico a trabalhar ate as 13h. 

Apanho novamente o transfer, depois outro autocarro e finalmente chego a casa as 14h, nao tendo dormido a noite, tendo saido as 21h do dia anterior e sabendo que era para sair novamente as 18h so para regressar as  23h e voltar a sair as 3am para a Amazon e regressar as 14h do dia seguinte, já uma segunda-feira. 

Em casa o "dia inteiro" (tirando as horas que andei na cidade para ir assinar o contrato e passar pelo supermercado) só fiquei realmente ontem. Contrariada, porque a ultima da hora quando menos esperava,  cancelaram-me o turno pelo qual ansiei a semana inteira, por contar que pudesse vir a durar 12h.

E vem a M. que não sai para o emprego dizer-me que me vê sempre em casa e quer saber se pelo menos hoje vou trabalhar.















 


terça-feira, 24 de novembro de 2020

 O nome dele é Roberto.

Neste meu ultimo dia de trabalho perguntou-me se tinha facebook ou whatsapp. Despedi-me dele dizendo que foi um prazer e quem sabe um dia nos voltavamos a cruzar num armazem por ai.

Caminhava pela cidade quando me'"bateu". Porque nao lhe dei o meu numero de telefone? Nao tinha mal algum. Podia vir a ser um amigo. Foi verdadeiro o seu espanto e descontentamento quando soube que eu ia embora. Tal como foi  com as outras colegas brasileiras que la encontrei e a quem havia contado ontem dessa decisao. Uma ate fez questao de me dar boleia. Ele perguntou-me se eu tinha trocado contacto com elas. 

É porque provavelmente nao gostaria de perder o contacto comigo.

Afinal, quantas mais ocasioes posso eu ter na minha vida daqui adiante em que alguem, homem ou mulher, principalmente mais jovem, mostre interesse em manter contacto comigo?

Naquele local conheci pessoas pertencentes a um leque bem mais vasto da vida, pessoas oriundas de todos os cantos do mundo, simpaticas, cultas, inteligentes e bem educadas.  É o que vou sentir falta. 

Foi pouco tempo mas valeu pela atmosfera, os rostos e as conversas.

Ele veio ao pensamento...





domingo, 15 de novembro de 2020

Deem-me espaço, sff!




 Sabem quando só pretendes algo rapidamente, coisa de dois minutos, e nao pretendes encontrar ninguem?

Faz dias que não consigo ficar a sós. 

A casa pode estar silenciosa, sem ruidos de gente de um lado para o outro. Se aproveitar esse instante para ir à cozinha tirar algo do frigorifico com ideias de seguida subir novamente ao quarto, sei que em segundos aparece alguem. 

Nao importa a que horas o tente fazer. Tanto pode ser as três da manha, como as seis e meia. Ou sete. 

Esta gente nao dorme??

Estou a ir ou a chegar do emprego. Cansada. Sabe bem ficar apenas uns minutos sozinha e em silencio, sem que para isso seja preciso ir logo fechar-me no quarto. Tenho horarios noturnos e mais ninguem na casa os tem. Não há realmente justificação para andar a esbarrar em pessoas. Deem-me espaço, sff.

Só eu estou a ir trabalhar. Dois deles tambem podiam fazê-lo mas preferem a preguiça. Porque pagam-lhes na mesma. Então para quê se ralarem? Ficam por casa, desocupados. Vao as compras, vao passear... mas nao saem para trabalhar.

(Discordo totalmente desta postura. Mas isso é um à parte). 

Nesta clausura de ócio deixam de ter o que fazer e com o que se preocupar. Por vezes sinto que descem só para observarem o que posso estar a fazer. Escutam os meus passos a descer as escadas em madeira e decidem vir atras. 

Tambem e quando  lhes da vontade para tossir a grande e a francesa (o rapaz) sem cobrir a boca, porque  isso e para mariquinhas. 

Ou então, quando estou na cozinha, entram como quem nao quer a coisa só para olhar o que faço. 

Quando cheguei do trabalho sexta-feira de madrugada, ainda o dia não tinha raiado, decidi que ia tomar um duche, lavar a roupa e preparar o que comer. Mal ponho  a chave a porta vejo logo o rapaz, a preparar-se para sair pela outra porta para ir fumar. Lá se vai a chance da solidao matinal. Ponho a roupa a lavar na máquina e vou para o duche. O tempo todo oiço ruidos fortes na cozinha. Lá se vai aquele silencio sepulcral e tranquilizador que tanto almejava... 

Quando saio para preparar algo para comer, já não lá esta ninguem. Mas também, empatei-me no duche propositadamente para isso.

Reparo que o micro-ondas foi deixado aberto. Achei por isso que tinha sido a M. A autora dos ruidos que ouvi enquanto estava no duche, porque já presenciei que, pela manhã, ela é ruidosa na cozinha e deixa a porta do microondas aberta. 

Cortei um pao que tirei do frigorífico, estou a enfiar duas fatias na torradeira e aparece-me a M. Que se poe a preparar algo para ela também. Logo me pergunta porquê o frigorifico esta aberto. (Para depois ser ela a deixa-lo assim). Fica ali parada, a olhar para o frigorifico, maos a cintura, com ar de censura. Só o ja começar com as implicancias ja me chateia porque me priva da tranquilade com que sonhava por chegar a casa aquela hora. 

Pao com queijo e torradas nem é coisa para demorar muito a preparar. Mas foi tempo que nao me foi concedido.  Podia ser. Faço questao de os deixar a vontade quando precisam do seu espaço. Podiam fazer o mesmo comigo. Principalmente se sou a única a sair para trabalhar e estou a chegar do emprego, com fome, cansada e são sete da manhã! 

 

              O manipulo da porta das traseiras

Estamos todos a tentar manter a distancia de dois metros devido a pandemia. Quando estou na cozinha lavo o manipulo da torneira com sabao, limpo superficies, nao toco na porta do frigorifico sem ser com um papel guardanapo, caso contrario estou sempre a ter de lavar as maos por de seguida ter de tocar em comida. 

Dai a porta ficar aberta, enquanto retiro o pao, a manteiga e desvio do caminho tudo o que esta na frente, para voltar a encaixar tudo de volta na prateleira que me foi concedida como se um jogo de tetris se tratasse.

A M. Apareceu, abre com as maos a torneira que eu lavei e por esse motivo terei de a lavar novamente ou tocar nela com algo descartável. Tambem tem o habito de falar por cima do tacho de comida que tenho ao lume e esses pequenos gestos acho que sao evitaveis. Numa cozinha pequena em que nos cruzamos para abrir armarios, quando estamos tambem a tentar manter a distancia de dois metros por causa da pandemia. Nao seria mais sensato deixar cada qual usar o espaço à vez?

Eu e a M. Temos muito presente a preocupação de contágio. Ela nao fala de outra coisa. E ate ligou para a linha do Covid a fingir sintomas para receber de graça um kit de teste. Ela teme que o novo rapaz esteja doente. O antigo também. Esta convencida disso.

Por isso somos as que tem mais cuidados ao tocar nas superficies como a porta do frigorifico e a manter as coisas limpas. Mas ela nao nota quando é ela a falhar. So percebe as falhas dos outros. 

Nessa madrugada a M. perguntou-me se estava zangada (porque lhe respondi que o frigorifico estava aberto porque eu o queria aberto) disse-lhe que nao, mas depois mudei para um sim. De certa forma. E apontei para a bancada. Uma gosma vermelha e seca estava em destaque. Mas nao roubava de todo o protagonismo das brancas e das migalhas por todo o lado. 

Vai ela, que sempre diz que é "ele" que deixa tudo sujo e faz gestos e caretas de nojo, sai-se com esta: "ah, esta vermelha acho que fui eu, ontem de noite".

Lol.

Depois da senhora da limpeza ter cá vindo fazer o que lhe compete, o vidro do duche no WC  de cima ficou quase translucido. Durou apenas instantes. Duas horas de M. Dentro do Wc e olhem o resultado:

                         Estas marcas sao do lado de fora!

Limpinha e asseada era a que saiu.
No wc dela este vidro estava sempre translucido.

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

A aproximação do COVID

 Disse-me que tinha feito o teste porque estava com tosse e aguardava o resultado. Duas horas depois envia-me um texto a dizer que deu positivo. 

Trata-se de uma colega minha, a mesma que há três meses foi fazer o teste do Covid19 comigo. Foi a última vez que tivemos juntas. Na altura ambas tivemos resultado negativo. Mas hoje a coisa mudou para ela, os filhos e o marido. 

Fiquei triste. Ela parece estar na boa. Há uns quatro meses contou-me que teve amigas com o Covid19 - uma delas grávida, e que já tinham recuperado. Também tinha aquela postura de "se tiver de vir vem, evitar não adianta muito não". 

Ela é brasileira, casada com inglês e tem vida feita aqui em Inglaterra. Deve ter quem a ajude e família do marido por perto. Ainda assim prontifiquei-me a ajudar no que pudesse. Comprar mantimentos para a casa  deixar tudo à porta, estar aqui para a ouvir se quiser falar...

Se este "bixo" vier bater-me à porta (o diabo seja cego, surdo e mudo! Cruzes canhoto!) espero ter alguém que me estenda uma mãozinha amiga. Não faço ideia quem poderá ser. Ou se existirá essa mão amiga. Por isso mesmo, não posso baixar a guarda. Estou sozinha. E sozinha terei de sobreviver a qualquer maleita que sobre mim recaia.

Rezo para que este Covid desapareça logo porque já cansa!

A partir de quinta-feira o UK vai ficar um mês em Lockdown.

É pouco. Muito pouco. E também muito pouco eficaz. As pessoa já desobedeciam enormemente quando este durou três meses. Nem vão notar que existe. Só poderão sair de casa para compras de bens essências (mais passear o cão e dar as voltinhas do costume) ou ir trabalhar se for essencial. 

É o meu caso: sou considerada trabalhadora essencial. Por trabalhar nos correios. 

Onde já existiram casos positivos de Covid19.

Parti o ombro, estão a dar poucos ou nenhuns shifts, quase que não consegui avião para regressar ao Reino Unido. Não consigo parar de pensar que tudo isto é o destino a dar "dicas" de que devo ficar em casa e isolar-me. 

Mas também em casa, quem cá mora, sai para trabalhar... 

Vai dar ao mesmo.

Um abraço, fiquem bem, cuidem-se.


quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Ajudar os outros

 

Consegui um novo emprego. Devo começar para a semana. Não é permanente (o que é hoje em dia?) mas deve durar até o final do ano.

O que mais gostei foi que eu partilhei esta oferta de emprego e a contratação imediata com duas colegas. Uma sabia que não tinha emprego e tem dois filhos que cria sozinha. A outra está melhor da vida, mas sempre foi um pouco minha amiga em momentos em que precisei e achei por bem lhe dizer, não fosse ela precisar. 

Ao invés de guardar só para mim para não ter concorrência, partilhei com quem achei que também estava a precisar. E isso fez-me sentir bem. Mesmo que não conseguisse o emprego, se por minha intervenção uma delas o conseguisse, ficaria bem na mesma.

Em momentos de necessidade, precisamos de nos ajudar uns aos outros. 

E quem sabe, um dia, somos nós os ajudados.

Deviamos praticar mais esta doutrina. 



quinta-feira, 30 de julho de 2020

Cuidado comigo (no futuro)

Tenho medo de quem poderei vir a ser numa proxima reencarnacao.

Nesta sou uma panhonha que espera sempre o melhor das pessoas. Na proxima... decerto serei o oposto. Nao é assim que as coisas funcionam?

Fui mandada executar uma tarefa junto de outras pessoas e nao estou a faze-lo a mais do que uns minutos, quando decido ir ao WC. Nao tinha tido tempo ate entao.

Quando regresso, o gerente chamam-me a parte, para me fazer uns reparos em relacao a forma como trabalho.

Obviamente alguem foi ter com ele fazer queixas. Falsas e mentirosas. Este tipo de atitude tira-me do serio.

Quem me conhece - e acho que o manager deve saber isto, sabe que nao viro as Costas a trabalho. Faço por ser rapida, eficiente, organizada e estou sempre a ajudar os outros e a trabalhar em equipa. Muitas vezes nem dou conta, mas aproveitam-se disso.

A tolerancia que tenho com este tipo de mesquinhice ainda existe, mas nao e maia algo que nao me atinge. Nao depois daquela casa. Tanta mesquinhez  é deveras irritante.

Fosse eu ja reencarnada e explodia com as gajas que foram fazer queixinhas. Duas velhas preguiçosas e lerdas com contracto de trabalho que olham de cima para baixo OS outros, achando-se superiores apenas devido a longevidade do posto.

Mete-me nojo.

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Sensibilidade ao desemprego

Ainda aqui nao contei, mas emocionei-me e tive discretamente de limpar as lagrimas por duas vezes, quando uma das italianas a viver nesta casa deu de frosques pela calada.

Claro que, semanas antes, meses até, já eu notara uma agitação. A habitual postura de me manterem de fora das conversas que normalmente  estariam a ter se eu nao estivesse presente, deu o alerta. Isso e o barulho de coisas a serem mexidas no quarto dela, o caixote de lixo entupido até a tampa deixar de fechar em apenas umas horas apos ter sido colectado pela camera e o constante uso do aspirador no seu quarto.

Nunca foi de limpezas demoradas logo, a mudança de habitos denuncia que algo se esta a passar.

Mas claro, nada foi dito na minha presenca nem nenhuma conversa que iniciei com eles, sobre tudo e mais alguma coisa, os faz mencionar o que, de outra forma, seria mais do que natural e esperado: ela ia abandonar a casa.

Sabem os meus horarios, sabem que ia trabalhar de tarde, saindo de casa pelas 4, mas, muitas vezes, optando pelo meio-dia, uma da tarde, de modo a ir para as filas das lojas a tempo de comprar mantimentos e seguir para o emprego.

(Mas na verdade, tambem para lhes conceder ainda mais tempo do todo que ja tinham para ficarem a sos com a casa. Julgando eu que ficariam gratos e simpaticos. Big mistake.)

Entao, sem que constituisse realmente uma surpresa, uma noite ao regressar do emprego, o carro do namorado dela que aqui estava a viver na casa e que fazia meses que ocupava a entrada, nao estava mais. Haviam sinais de disturbios no chao do wc, como se alguem tivesse arrastado algo pesado. E no wc, nao encontrei as gavetas de arrumos onde ela mantinha traquitana.

Nao sei porque lhes passa sempre pela cabeça que eu me surpreendo ou que vao conseguir irritar-me por eles me excluirem do que se passa pela casa. Acho tao previsivel terem esse conportamento, que sei detecta-lo so pela postura e linguagem corporal.

E depois, sempre a acharem que nao capisco niente de italiano,  como se nao fosse facil identificar palavras e frases que sao semelhantes as minhas, originarias do mesmo Latim.

Ouvi-os falar sobre viajar para italia pelo menos umas seis semanas antes do sucedido. Estava a ver é que nao iam, de taaaanto tempo que levaram.

Ainda assim, nao foi o suficiente para se organizarem devidamente pois, quando la chegaram, tiveram de regressar. 🤣🤣

Uma viagem de automovel de horas ate a fronteira de italia, para terem de voltar no dia seguinte.

Nessa manha, ao sair do quarto e ao entrar na sala, dei os bons dias aos dois cabecilhas do covil que, como sempre, iniciam cedo (e sempre no mesmo lugar) a sua rotina de vilanice. Dei os bons-dias e perguntei direto se ela tinha ido embora da casa.

Um instante de surpresa passou-lhes pelo olhar, hove uma hesitacao e de imediato a Gordzilla (porque tudo que diga respeito a italianices ela logo intervem como se tivesse de defender a patria de um insulto) diz "sim e nao".

Eu fiquei a aguardar um desenvolvimento e ela meio calada, a nao querer dizer nada que me pudesse esclarecer. É este tipo de atitude com que sempre tive de lidar. Insisti, dizendo algo como: "como assim?" e foi entao que disseram que ela tinha abandonado a casa MAS ia regressar porque nao tinha permissao para entrar em Italia. Esqueceu-se de se informar sobre isso. 😂

Para contextualizar, ainda se estava em lockdown por causa do virus covid 19. E italia foi dos primeiros paises a fechar estabelecimentos, a fechar fronteiras para impedir a circulacao de pessoas e a impor quarentena regional. Portanto, nao deixa de ser um lapso invulgar, que lhes custou o terem de regressar ao Reino Unido.

E a Piada é que abandonaram acasa que nem ratos, pela calada, e as escondidas de mim. E quando estao a regressar, quase a estacionar o carro, eu sou a primeira pessoa que tem de ver.

A unica coisa que lhes digo é bastante simpatica ate. Imaginemos os cenarios:

1) Podia mostrar-se zangada por um colega de casa nao me ter mencionado que ia embora
2) podia ter gozado com a cara deles e fazer troça, dizendo piadas visando humilha-Los com o seu inegavel fracasso
3) Podia ter dito: bem feito! É para aprenderes a ser decente. Cá se fazem, cá se pagam. Ahah.
4) Podia ter cobrado uma "explicacao" e atirado-lhes na cara que nao gostei que se tivessem ido embora sem mo dizerem. Quer gostem quer nao, sou colega, vivo na casa e o certo era dizer.

Mas o que lhe disse, com um genuino sorriso e sem fazer julgamentos de valor foi:

-Ola. Já soube da tua pequena  aventura.

E assim nao a fiz sentir-se mal por estar a regressar a um lugar que tinha abandonado e que comecou a esvaziar nos momentos em que eu nao estava por perto para desconfiar. Nao a fiz sentir-se mal por ter sido parva e nao se ter informado devidamente antes de partir. Foi impedida de entrar no proprio pais por estar registada como moradora neste.

Mas onde entram as lágrimas? Querem voces saber, caso Tenham lido até aqui.

Entram quando perguntei se ela ia regressar para o seu emprego.

Disseram-me que provavelmente ela o tinha perdido. Como sabia que ela tinha acabado de assinar contrato, coisa que eu estava na esperanca de tambem poder fazer quando fiquei sem o meu emprego, logo aí o meu coracao sentiu pensar por ela. E ha medida que a conversa entrou na eventualidade da empresa falir e ter de a dispensar, fui ficando emotiva. Aos meus olhos vieram lagrimas. Que removi com a mao, esperando que a minha sensibilidade nao tivesse sido notada pela Gordzilla, que era quem me estava a dizer aquilo. Faco isto duas vezes, sem conseguir conter pesar pela situacao de desemprego e incerteza que, subitamente, caiu em cima da rapariga. Mesmo tendo feito parte da quadrilha de gangsters.

A situacao dela e tambem de muitos outros. Sinto compaixao. Acho natural. EU sei muito bem o que nos faz na alma, na mente, estar no desemprego. Sinto receio de estar nessa situacao novamente. Tenho isso presente todos os dias.

E é por isso que hoje senti uma pontinha desse receio novamente. Os meus turnos sao facultados semanalmente. Nada é certo. Mas nos ultimos dois meses tenho mantido um horario de 38/43h semanais.

Porem é uma angustia constante. A qualquer instante podem Puxar o tapete por debaixo dos meus pes. E hoje, enquanto aguardava que me propusessem por mensagem os restantes dias da semana em falta para que pudesse confirmar que os fazia, percebi que nao me facultaram 5 dias. Alem disso, voltaram a reduzir o horario. Agora é menos meia-hora todos os dias. Isso significa 2h30m a menos de salario. Adicionando um dia, da 10h15m a menos.

E tudo porque?
Ontem estive a treinar duas novas empregadas. Vi uns seis novos funcionarios. Soube que uma colega teve o turno cancelado. As novas funcionarias que estive a ensinar ficaram a fazer o trabalho normalmente entregue a esta outra.

Eles nao precisam de novas pessoas. Mas como agencia de recrutamento, estao sempre a injecta-Las. So que, para isso, tem de remover outras. A desculpa que me foi dada é que a empresa pediu menos pessoal, e os novos empregados substituem outros que abandonaram o serviço.

Tretas.

Assim que chegaram, ja me causaram prejuizo.

Fui simpatica e ensinei tudo o que sabia. Mas o tempo todo nao deixei de recear ter os meus turnos cancelados por causa delas estarem ali.

Perguntei a uma se procurava outro emprego. Ela respondeu que sim  mas nao me pareceu fazer esforços. Pois mencionei-lhe que tinha começado  ver ofertas razoaveis na internet e o seu desinteresse foi visivel.

Aquela funcao é fisicamente ardua mas muito simples. Gente preguicosa que nao puxa pelo lafo fisico e se acomoda na simplicidade é o que mais há por lá.

E depois, de inicio nao mas, ao final de 12 semanas, pagam bem. Nenhum outro emprego do genero oferece 12 a 13 libras por hora. E é essa a real motivacao por detrás de muitos que ali estao.

Esta rapariga estava a espera de ser chamada de volta para trabalhar com a Norwegian. A probabilidade disso acontecer e muito remota. Ela propria o disse. Vi o gerente a engraçar com ela e a dizer-lhe que tinha uma ex gerente ali a trabalhar.

Percebi que beleza e posicao fazem os outros olharem para ti com mais respeito e interesse. Dedicacao ao trabalho e eficiencia, nem por isso.

Toda a minha vida regi-me por valores que pouco me valem.

Mas mudando de volta para as lagrimas derramadas pela desgraça de quem nao as merece: quando mostrei pesar pela situaçao, a Gordzilla muda de atitude e, de garras afiadas, começa a defender a italiana como se alguma vez esta tivesse estado sobre ataque. E diz, num tom de voz desagradado: "ela arranja outra coisa depressa. Tem experiencia, tem muitos anos de experiencia, é uma profissional!".

Percebi de imediato que ja estava a defender a italiana de alguma acusacao minha que so se passava dentro da cabeça dela. E parei.

Uma pessoa com pesar, a lamentar o sucedido, mesmo tendo acontecido com alguem que nao fez por merecer a minha compaixao, e ainda assim acabo a ser destratada.

"Profissional com anos de experiencia". Pois sim!

Porque é italiana, nao pode sequer recair sobre ela a possibilidade de nao ser perfeita, desejada. Essa imagem que querem projectar e que nao pode ser desmanchada, nem pelos factos.

E os factos é que ela nem um ano tinha de experiencia naquela funcao. Pelo menos foi o que me contou. Costumava trabalhar num restaurante em Londres. Vivia das gorjetas.

E a Gordzilla a galar-me dos "anos de experiencia" como hospedeira de bordo.

Aparências.

Enfim.

sábado, 4 de julho de 2020

Nao consigo ganhar mais dinheiro

"Mato-me" a trabalhar para ver se consigo chegar aos 500 por semana. Mas nao consigo. Por mais horas e melhor remuneracao que busque, os impostos levam tudo. Faco horas extra e esse valor é todo para os impostos (no Reino Unido).

Dois dos cinco dias por semana emnque trabalho sao para os impostos. É um tanto frustrante, para nao dizer bastante.

Nao sou contra pagar impostos. Apenas acho que esta desajustado o que cobram para o que ganho. Ja tentei por tudo ajustar isto, perceber em que "escalao" vou sentir menos a "facada".

Quando comecei a ganhar mais (desde o inicio do novo ano fiscal em abril) foi quando inventaram uma nova pensao para a qual retiram mais um tanto do meu salario. Posso cancela-la, mas deram um prazo de umas duas semanas para ser reembolsada. Depois disso, posso cancelar mas nao devolvem o dinheiro. Quando li isso fiquei surpresa, porque considero uma manobra de apropriacao injustificada.

Nao sei se quero a pensao, se preciso dela, se compensa. Assim que me inscrevi para trabalhar os recrutores logo me avisaram que era um esquema, e devia optar por recusar. A velhice e a reforma assusta-me. A estimativa que a propria HRMC (financas) faz indica um valor de 300 por semana, com poucas possibilidades de aumentar mesmo que comece a ganhar mais. Esta la escrito, no portal, junto com o teu cadastro de contribuicoes.

Contribuicoes essas das quais ja fui roubada duas vezes, por empresas de trabalho temporario que me cobraram os impostos, mas nao os declararam as financas. Eu detectei ambos os casos e tentei resolve-los. Ainda estou a tentar. O primeiro, data de 2018, já dei como perdido. Tres meses de trabalho arduo, pagando pelo menos 100 libras por semana as financas. Isso totaliza 1200 libras que o "patrão" se apropriou. Nao admira com isto que o charlatão mantenha-se no ativo. Por cada empregado novo que obtem, este paga-lhe a empresa e ainda "fornece" o extra dos impostos.

Todos sabem e nao lhe dao valor, mas o gajo, como alguns 💩, continua a flutuar no esgoto.

Nao consigo informar-me sobre isto da reforma. Com o corona esta tudo fechado. Muitos serviços podiam e já deviam voltar ao ativo. Mas creio que se desculpam.com o virus para continuar a fazer pouco ou nenhum e assim recuperar de perdas financeiras, ao mesmo tempo que continuam a trabalhar com pessoal reduzido e em casa.

Desconto tanto para nao usufruir de nada. Os meus impostos vao pagar a vida de preguicosos, ociosos, viciados, aproveitadores. E quando chegar a minha vez de precisar, de ir ao hospital, de fazer um exame caro, nao vou ter dinheiro que chegue para pagar um melhor servico e ate conseguir algo da.NHS vai ser preciso muito desesperar.

Enfim...
Era so para desabafar que a semana passada paguei 105 libras de impostos,por um salario que nao chegou as 500 libras.

Voces devem estar a pensar: mas isso é muito! Afinal, falamos de valores aproximados a estes quando mencionamos o salario mínimo mensal em Portugal.

Pensem.so nisto para poderem ter uma ideia: quando o Brexit foi aprovado, a nova condicao para entrar no Reino Unido e que se ganhe um salario minimo de 20.800 libras anuais.

Isso retire praticamente toda a emigracao Mao de obra barata, onde me incluo. O minimo para se pagar impostos mais caros é 12500 libras anuais. EU fiz mais que isso por 80 libras. Da para acreditar????

Ganho menos, pago mais impostos
 Mas nao ganho o suficiente para, a luz das novas regras, ter direito a emprego no UK.

E o Boris Johnson queria que o limite minimo fosse 30.000 libras!

Mais vale dizer: de fora, so queremos o vosso melhor, os altamente qualificados. (porque os usam para continuar a levar este pais para a frente).

Dos outros nao precisam, existem em demasia. Alem de que o numero de ingleses   ociosos, a sugar na veia do Estado, a parir filhos atras de filhos para ganharem casas, subsidio de desemprego e subsidios de familia  é bastante elevado. Precisam de os forcar a fazer o trabalho que esta presentemente a ser feito pela mao de obra imigrante.

É que os ingleses, a semelhanca de alguns portugueses, mesmo pouco qualificados, consideram que se ganha pouco gangs today as funcoes, e por isso nao compensa o esforco de acordar cedo e ir trabalhar.

Reclamar subsidios e melhor.
Alguns jovens com.licenciatura, se nao conseguirem um bom emprego assim que terminam o curso, preferem receber subsidios a arranjar qualquer outra coisa
 Eles nao sabem o que e ter de trabalhar para viver. Por isso nao se preocupam em encontrar qualquer tipo de trabalho enquanto o desejado nao chega. Preferem dizer que estao ativamente a procura e, ate la, recebem subsidio.

   





sexta-feira, 12 de junho de 2020

Acho que me vou converter ao Islao


Só para ter as melhores tarefas la no emprego.

Parece impossivel....
Nenhuma senhora de lenço na cabeca se presta as funcoes realmente de esforço fisico. Uma chegou ha quatro noites, tem xa estado sempre sem lhe cancelarem shift algum e so trabalha no facil. Que neste caso é a separacao primaria.

Eu estou nessa funcao, e o manager tira-me do que estou a fazer, para me mandar fazer outra totalmente absurda, somente fisica, que devia ser executada por um homem. Vai demorar imenso tempo a ser concluida  sozinha.

Claro que duas mulheres de Lenco na cabeca tomaram o lugar e a funcao que eu estava a executar e bem.

EU puxo, eu empurro, eu vergo as Costas incontaveis vezes para apanhar packets grandes e minusculos, leves e super-pesados.

Elas atiram... pacotes.


quinta-feira, 4 de junho de 2020

Novidades sem novidades

Já passaram alguns dias desde que fiz um post. Isso deve-se maioritariamente ao facto de ter mudado de horario de trabalho.

A agencia estava a cancelar, reduzir para metade e a limitar os turnos para tres por semana. Em alternativa disponibilizaram o turno da noite. Por enquanto este tem a duração de oito horas, cinco dias por semana. Mas também este pode ser cancelado.

Sinto-me um pouco manipulada, porque sei que outros continuam a receber ofertas para o turno da tarde, aquele que eu fazia.

Suspeito que tem os seus favoritos e numa lista à parte, colocam os nomes daqueles que acham que podem dispensar.

Mesmo sendo dificil aguentar as noites a trabalhar, porque de seguida mal se consegue dormir, prefiro que me dem turnos certos do que estar diariamente a temer receber a temível mensagem: "o seu turno foi cancelado".  Isso causava-me profunda ansiedade.

No último sábado fez-me chorar baba e ranho por umas três horas. (Pronto, ate o dia seguinte, mas presumo que foi apenas o catalizador para o facto de tudo parecer estar a desmoronar).

Tenho uma vida laboral incerta.

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Quanto há casa, ao final de um mês ainda estou à procura. Aquela que partilhei aqui como estando a ser renovada para ser ocupada em uma semana, continua fechada e sem sinais de estar pronta.

A busca tem-me feito perceber que estou numa excelente casa. Feita à medida das minhas necessidades. Facto que a gorda sabe muito bem. Por isso é tão possessiva a respeito do espaço e quer ser ela a mandar e a tomar as decisões que a afectam: novos inquilinos, material de limpeza, arrumos, decoração, uso do espaço comum, etc.

Quando fala diz que a "decisão é do senhorio" mas ela age como o grilo falante: está sempre a sussurrar no ouvido dele o que este deve pensar e como deve agir.

Puro veneno manipulador destila a Godzilla.

(Pronto, ficam a saber o cognome que lhe atribuí depois de sentir o chão da sala a tremer e a mesa a abanar à sua passagem).

E não, nao foi imaginação. Deve ter pisado num sitio especifico que provocou o abanar mas se nao fosse tao pesada, não teria surtido efeito. E conhecendo-lhe o caracter de vibora venenosa, achei que de subito tinha-me surgido o equivalente ao trato dado por ela quando falava de mim com outros "fratelos".

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Quanto as dores da paixonite, que haviam regressado devastando-me por dentro tal como aconteceu no verão passado, depois da reza a Eles, fiquei muito mais serena. Nem quero pensar nisso. Não me foge o pensamento para ele. Isso sim, é um milagre. Sei que é, só pode ter sido intervenção vinda do além. Pode não durar mas agradeço que esta dor- a pior de todas- tenha desaparecido.

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E é isto. Novidades sem novidade.

E vocês? Têm alguma?






sexta-feira, 22 de maio de 2020

Dia de negas

Puxa, está difícil passar pelo dia de hoje.

22 de Maio devia entrar no calendário como o dia das negas.


Pela noite soube que o quarto caro mas jeitoso que pretendia agarrar deixou de estar disponível. O barato que tinha marcado para visitar, recebi mensagem dizendo que o anunciante nao o disponibiliza mais (o anuncio ainda está on).

Recebi msg cancelando meu turno hoje. Todos esta semana foram cancelados. Tem contribuído para a minha ansiedade.

Envio msg ao gerente perguntando se devo aparecer. Diz que não.

Envio msg ao gerente da noite que há um mes garantiu-me que sempre nos dava trabalho. Nem respondeu.

Recebo msg da agencia a dizer para aparecer as 18. (Mais um turno reduzido para metade). Das 40h que esperava ter esta semana, fiz 16h. Depois recebo mensagem a reduzir o turno da proxima sexta. Provavelmente ate lá cancelam-no.

E para dar a estocada final, ontem marcaram um turno para sabado e outro para domingo. Uma hora depois ligaram para saber qual preferia fazer, porque nao podia ter os dois. Escolhi o de domingo. Faz minutos, cancelaram o de domingo.

Enviei um email a pedir para me devolverem o de sábado.

Só o trabalho me dá ânimo.
Se o perder sobra-me.... nada

Sem trabalho, sem casa...

Porquê???

Que desanimador.
E nao adianta o "vamos todos ficar bem" ou o "vai aparecer melhor". O desejo e a realidade não se mesclam.

Sobreviver ao dia de hoje - o dia das negas.
Difícil.

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quinta-feira, 14 de maio de 2020

O primeiro livro lido na transversal

O dia no trabalho estava a ser monotono e enfadonho. Os minutos nao passavam. Meteram outros na funcao que eu estava a desempenhar tao bem e nao tinha nada para fazer por mais que me esforçasse para fazer tudo o que me fosse permitido. Perguntei a outros gerentes se precisavam de ajuda. "Nao, eu nao preciso de ninguem" - disse um com a arrogancia do costume.

Estava a exasperar. Estava irritada. Decidi perguntar ao gerente que me deixou à toa horas antes, se podia ir para a segunda pausa.

"Se nao me sabem aproveitar para trabalhar, entao vou valorizar o descanso".

Em boa hora o fiz.

Sentei na biblioteca, puxei de um livro de cores vibrantes e ar de novo que ali surgiu e li a sinopse. Saltei ao calhas para o meio da historia e para meu espanto, estava a descrever o momento em que a historia realmente começa.


Pensei ca com os meus botoes que outros escritores colocam esse instante logo no inicio, para agarrar o leitor. "Que monotono deve ser a,leitura das paginas anteriores. Todas dedicadas à apresentacao e contextualizacao de personagens e ambientes" - pensei.

Lido o capitulo em que tudo acontece (uma crianca é encontrada inconsciente num jardim comunitario durante uma festa) decido saltar mais uns tantos.

E que bem que o fiz!
Fui parar a outro momento chave, que resume tudo o que foi arrastado na fase de suposicoes e suspeitas. Uma das vizinhas estava a falar com uma das crianças sobre o ataque no jardim e nesse capitulo definiu-se tambem tracos de personalidade de maridos ate entao ausentes, sogro, historias do passado, irmas que nunca foram....

Saltei mais um pouco mas quando fui ver as horas, ja tinha passado 10 minutos do tempo dado para a pausa. Larguei o livro deixando a pagina marcada e regressei ao trabalho.

No dia seguinte, ontem, cancelaram-me o turno. Fiquei de rastos mas decidi deixar passar essa sensacao devastadora. É o trabalho que ja comeca a ser cancelado, é a busca de uma nova casa que se revela uma tarefa com poucas chances de dar certo.

Nisto chamam-me para fazer um turno das 1800-2200. Fui. Cheguei cedo e por isso fui directa à biblioteca, cheia de colegas a conversar e a beber. Peguei no livro e fui para uma zona mais reservada. Salto para a parte em que a vitima ja recuperou a consciencia, fala com a irma que a descobriu insconciente e com "tudo à vista" e recorda-se daquilo que fez com o namorado.


A reacao de uma amiga é descrita, assim como o que fez enquanto esperava pelo namorado no jardim, ate ao momento em que se sente a desfalecer.

Dai salto para o momento em que a policia quer falar com as filhas da vizinha que se pos a investigar e nesse instante sabe-se quem é o atacante porque as motivacoes indicam o suspeito.

No final, tudo ę encoberto, a vitima quer esquecer o assunto, o casal que sabe a verdade arma-se em bom samaritano.

E a historia acaba assim.


Fiquei muito agragada com a forma como li este livro. Percebi mesmo que apanhei todos os momentos chave. Foi uma leitura transversal perfeita. E fez-me muito bem.

Ja vos aconteceu algo assim?

segunda-feira, 13 de abril de 2020

A Páscoa correu bem



Passei um Domingo de Páscoa agradável, porque estive a trabalhar. Trabalho intenso, físico, de longa espera até poder fazer uma pausa. Mas relaxado, num ambiente amigável. 

Que melhor podia pedir?

Dentro de casa sei que ia encontrar o oposto. O que ia estragar o meu dia, fazer-me ficar deprimida, magoada, em sofrimento e a soltar lágrimas. O trabalho foi a minha salvação.



Quando regressei, os sinais de farra estavam visíveis. Os italianos decidiram comer no jardim - factor raro - e moveram a mesa de ferro forjado para junto da vedação do vizinho. Porquê? Não sei, não me interessa. A mais-gorda quis logo saber, ao me ver entrar, se tinha ido trabalhar. Respondi-lhe que sim. 


Troquei-lhe as voltas. Ela tinha preparado todo um festim para mo exibir debaixo do nariz, mas no qual me deixava excluída. Como sempre fez. Inclusive, mudou-o para o jardim, lugar onde eu costumo estar, onde costumo ir para comer. Também queria privar-me desse prazer, decerto. E eu não estive presente para lhe dar esse gostinho. Nem dei sinais de ausência. Deixei o saco que uso todos os dias no lugar, para que a sua ausência não lhes servisse de pista. Ouviram-me sair, mas decerto deduziram que podia voltar a qualquer instante.

Na sexta-feira Santa montaram um jantar todo caprichado, mas não me convidaram, nem sequer mencionaram que tinham esses planos. Não foram capazes de oferecer um chocolate dos muitos que abriram nem uma taça de vinho (com tanta garrafa que trazem e armazenam logo quatro no meu frigorífico). Não escrevi eu aqui que ela precisava recordar-se do significado da quadra, por isso o escreveu  "Esta é a semana santa" no quadro negro na cozinha?


Eles não têm um conceito real do que significa a Páscoa. Continuam maldizentes, intriguistas, mesquinhos e pateticamente embrulhados nestes actos de ostracizar o semelhante.

Assim que o senhorio abandonou a casa nesta sexta-santa, (veio cá com o pretexto de acabar de arranjar o WC), eles começaram logo a preparar a sala. Dava para sentir no ar, que só estavam à espera que ele saísse. Pouco depois, escutei baterem à porta da rua. 

Convidados? Em pleno Covid-19 lockdown?? Anda a polícia a divulgar cartazes para que as pessoas não se reunam em grupos nas suas casas nesta altura da Páscoa, para não fazerem churrascos e festas no jardim, com convidados... e estes italianos trouxeram cá para dentro um outro italiano. Sei lá eu se saudável! É simplesmente um comportamento que não se pode tomar. E eles tomaram-no. Em plena quarentena.


Tenho sorte em poder ausentar-me desta casa para ir fazer algo útil, mais útil ainda neste conceito de Pandemia Mundial. O meu trabalho de armazém consiste em separar correio postal. Ajudo a que as pessoas que estão fechadas em casa possam receber, enviar e ter em suas mãos algo que alguém que lhes quer bem desejou lhes enviar. Esse é o trabalho que mantenho há quase dois anos, mas por uma agência, como trabalhadora ocasional. Dava muito pouco dinheiro - nem o suficiente para metade da renda.

Agora com a situação que vivemos, perdi o emprego principal que tinha há dois meses e que podia gerar um contrato, mas em contrapartida ganhei horas e turnos decentes neste que já dura muito mais e com o qual estou satisfeita. Ali muitos me conhecem, muitos gostam e mim e no geral é um ambiente simples e descomplicado onde se trabalhar. Tudo o que quero. Pagam melhor do que em qualquer outro lugar, mas não davam nem 10h por semana. Com o Covid, isso mudou. Está muito melhor agora. É lamentável que esteja a correr riscos, mas penso que é o mesmo risco que qualquer outra pessoa que tem de se deslocar para o trabalho corre. Excluindo os profissionais de saúde, que esses estão mesmo no epicentro das pessoas contaminadas que procuram auxílio. Porém, quantas contaminadas que não o sabem podemos nós nos cruzar na rua e emprego?

No armazém onde trabalho, que é enorme, estão também outras três centenas de pessoas. Lidamos com camionistas, que viajam por todo o lado e carregam e descarregam os camiões com os carrinhos de correspondência e encomendas. Tocamos em mais de 1000 pacotes por dia. Sabemos lá qual deles pode transportar um vírus.

Sem dúvida, é um risco.
Mas para ser honesta, o Covid fez-me perceber que ficar em casa é-me muito mais prejudicial.

Hoje, segunda-feira, é feriado. Então fiquei mesmo por casa. Não é bom. Dos poucos segundos que tive em contacto com outra pessoa, passaram-me a sensação de não me desejarem por perto. Se não aguentam a minha presença nem por segundos num único dia da semana... Até conversa de treta não consegui estabelecer por mais que alguns 5 segundos. Tal era o desinteresse.

Não me rala. A única coisa a que tenho de estar atenta é onde ponho as mãos, o que uso para comer, para preparar comida... Porque não sei onde os restantes andam com as suas, nem para onde espirram. Sei que não são de tomar tantos cuidados quanto eu. Tenho estado atenta ao comportamento da rapariga do andar de baixo, que praticamente tem estado a viver enclausurada dentro do quarto. Não é muito habitual e fica claro que algo se passa. Com ela ou com o namorado, que está ainda mais "invisível" que ela. Se algum deles apresentar sintomas de gripe ou constipação, SEI que vão procurar ocultá-lo de mim, do senhorio. Vão mantê-lo em segredo, tentando que eu não o perceba. Sei que não posso contar que tenham um comportamento exemplar e atuam como pessoas decentes e responsáveis. Têm demonstrado não saberem o que isso é. Para os italianos, qualquer sintoma é de outra coisa qualquer, não é Corona. "Como ousas insinuar??" - é o tipo de atitude que têm. Claro... como se desse para saber.

A rapariga do andar de baixo não só anda muito enclausurada no quarto, como começou a fazê-lo depois de regressar de uma interrupção de quarentena. Ela e o namorado ausentaram-se por três dias. Não sei para onde foram, com quem estiveram, nem o que andaram a fazer. Sei que regressaram faz duas semanas, e quase de imediato comecei a ouvir a rapariga a tossir e a assoar-se constantemente. Parece estar a querer evitar o contacto e vive enfiada no quarto. Daí vai para o WC tossir e assoar-se, e de volta para o quarto. Deixa as suas coisas espalhadas pela casa, as toalhas que usa nas cadeiras, sofás, etc e sai de vez em quando, para alimentar-se e parece estar bem... mas hoje ao passar por mim na cozinha, olhou-me intensamente. O que não é habitual. Geralmente recebo aquele olhar "mal olham para ti". Que foi o que ela me deu na sexta-feira Santa, quando cá receberam o italiano. Fiquei ali parada a olhar para eles, à espera que se dignificassem a dizer algo, a apresentarem-me o indivíduo (porque o sabia um candidato) ou a mexerem-se para que eu pudesse passar e alcançar a cozinha. Ela só me olhou de relance, com um desdém do tamanho do universo. Típico de quem sente que está a aumentar em número... Quando recebo olhares não de relance mas que olham no olho,  sei que está a acontecer algo menos bom. Isso e mostrarem-se mais afáveis na voz. É sempre mau sinal. Para mim aquele foi um olhar de "estou a esconder alguma coisa", que me disse que se estava a passar algo que eu ainda não sabia, mas que ela sabia e estava a rejubilar-se nisso.

Uma dessas coisas pode ser o facto de estarem à procura de outro italiano para cá vir morar. Foi isso que os espevitou há dias, depois da rotina desta quarentena já estar a desmotivá-los. Um dos rapazes abandonou o quarto, por estar em quarentena em Itália e não querer pagar renda. O quarto vai vagar no final do mês, Mas já está tudo em movimento para cá enfiarem alguém do seu agrado. Alguém com o "selo de qualidade". Estão a falar com todos os italianos, procurando encontrar quem queira mudar-se para cá. Pintam a casa como um lugar ideal, toda italiana, com festas e festins italianos. Só tem um inconveniente... ainda cá mora uma portuguesa. Mas ela é posta de parte, não conta.

A necessidade de meter outra pessoa cá dentro tem-nos dado um novo alento, um novo propósito. Têm estado a sondar quem pode vir para cá, quem é o melhor candidato. Ontem à noite, estava quase a adormecer, quando tenho de ir buscar algo lá abaixo e voltar para a cama. Nisto quando estou a passar rapidamente pelo sofá, a mais-velha, que está a falar por video-chamada no telemóvel, no alto do seu cinismo, chama o meu nome, o que é insólito, vira o telemóvel  para mim e diz: "Fulano está ao telemóvel".

Fulano é o "rei", o ex-colega que saiu desta casa. Nunca quiseram saber de mim. Não falaram comigo cá dentro. Passavam-se horas com nós os dois na sala e ele não abria a boca para me dizer um ai. Não me desejou feliz ano, nem feliz Natal... Nada. E agora, subitamente, estava interessado em me cumprimentar?

Claro que não. Foi só mais uma provocaçãozinha, porque entretanto, eu já deixei claro que não gosto dele. Quando cá esteve limitei-me a cumprimentá-lo secamente. Queria o quê? Reverência? Nunca fui uma das suas vassalas. Fui simpática porque é de minha natureza e porque dividi o mesmo espaço que ele. Mas depois disso, não tenho qualquer obrigação, sem ser por minha natureza cordial. Não sou hipócrita, não vou perguntar como lhe está a correr a vida. Mesmo que a minha natureza seja essa - e é - no caso dele e de outros cá dentro, não são merecedores desse tipo de carinho. Sim, porque se trata de uma forma de mostrar carinho por alguém - perguntar como está. Nem isso quero saber.

O que é revelador, é a atitude da mais-velha. Para agir como agiu, mal me viu, é porque estava muito feliz. Provavelmente estava a "descascar" na minha pessoa nesse preciso momento. O "rei" deve ter sido contactado para dar continuidade a uma das suas principais anteriores funções: recrutar italianos-moradores. Se bem que é uma pessoa muito narcisista. A partir do momento em que deixa de ser um problema que o afecte, não vai perder muito tempo com isso. A menos que lhe seja fácil. Se for difícil, não se dá ao trabalho. Mas por maldade... fazem tudo.

Já escrevi muito. Mas apeteceu-me ir aos detalhes. Resta-me incluir que a minha reacção quando ela virou o telemóvel para mim e mostrou-me o rosto dele, outra forma de continuar a invadir o espaço, eu reagi assim:
"Quem é fulano?" "Olá, boa páscoa".

E foi só isso.
Fulano ainda pronunciou, com atraso considerável "Olá portuguesinha".

Lol.
Nunca usou o meu nome enquanto pode. Privou-me de vários olás cordiais enquanto cá esteve.
Agora pode enfiá-los todos num lugar que eu cá sei. AHAHAH.

Boa semana para todos.
E acreditem, estou bem.
Quero que estejam bem também.

Noutra ocasião, vou deixar-vos ideias com que possam se entreter enquanto se prolongar a quarentena. Forte abraço, obrigada e Força.




segunda-feira, 6 de abril de 2020

Foi e veio como fumaça


A colega de quem falei aqui, nunca mais deu sinais de vida. 
Ligou-me a semana passada, mas não consegui atender a chamada a tempo. Liguei-lhe eu, ia a caminho do trabalho. Deu sinal de ocupado. Voltei a ligar horas mais tarde. Tocou, tocou, mas ninguém atendeu. 

 E ficamos assim. 


Isto sempre acontece. Quando alguém me faz confidências muito íntimas, encontra compreensão, percebe-o e elogia-me. Mas depois, não é afastado, afasta-se. 

Tenho teorias: sentem vergonha, embaraço, receio. E esses sentimentos falam mais alto. Ou metem na cabeça (sem fundamento algum) que já não quero nada com elas devido ao teor grave das confidências. Temem ter falado demais, a minha presença recorda-lhes a confidência e «desaparecem».

O certo é que eu própria havia lhe contado esta particularidade que, por vezes, acontece a quem me usa para desabafar os seus problemas. Vai que ela faz o mesmo.

Não vou correr atrás.
Quem quebrou o contacto não fui eu e fui a última pessoa a tentar comunicar. Se não quer, não me faz mossa. A oportunidade de ter alguém que não a ia julgar e estava disposta a escutar surgiu-lhe na minha pessoa. Mas a minha pessoa não vai mais estender o braços a quem aparece depois de ter desaparecido. Principalmente se me mente. Disse-me não conhecer o homem que interrompeu a nossa conversa sobre o tipo que não a deixava sossegada. Tenho a certeza que era ele a pessoa com quem ela teve sexo em troca de mais turnos e depois, segundo ela, não a deixava em paz. Quando ele quis validar aos meus olhos o seu poder para arranjar turnos repetiu-me várias vezes: "Pergunta à tua amiga!" "Eu arranjei turnos para ela". 

Turnos nessas condições? Não preciso.

Naquele lugar sorrio a todos, aceno a todos, mas sou diferente de todas. As outras, são de conversetas sedutoras com os gerentes e gostam de mostrar que sabem o que estão a fazer quando na maioria das vezes não sabem. Eu sou diferente. Se não sei pergunto e se não receber uma resposta satisfatória, parto à descoberta. Não me traz vantagens, mas é a minha forma de ser. Sou simpática sem dar muita confiança ou recorrer ao charme feminino. Há mesmo quem diga que não sou simpática. Que devia sorrir mais. Mas depois sorri-se como ela e... dá merda.


Pois então...
Deixei de ver a "amiga" e com ela foram os seus dramas.
Se estiver grávida - como suspeitou - até seria bom que o filho fosse do gajo e não do marido - com quem ela dizia não andar a ter intimidade. É que um deles é caucasiano e o outro não é. Ia dar uma novela mexicana do caraças. Mas por vezes, este tipo de coisa acontece por uma razão. Se calhar o marido precisa saber que anda a carregar um par deles e ela precisa aprender na pele a não descriminar pessoas por seus traços físicos. É que um aspecto na sua personalidade saltou à vista logo no primeiro dia: é racista. Tem problemas com certos grupos, chama as pessoas de pele escura de "pretitos" ou "preto", diz não suportar paquistaneses e falou depreciativamente de asiáticos e outras etnias. Deus, que tudo vê e tudo sabe, pode ter querido "passar a lição" de uma forma mais "criativa".

Um abraço a todos vocês.
Dentro dos possíveis, tenham uma excelente Páscoa.


Actualização: Falando no Diabo... A dita ligou-me. Não ignorei. Falei-lhe como sempre falo com as pessoas. Ela ainda está descontente com o indivíduo. Não gosta de trabalhar com ele. Mas já sabe como lidar com a situação. Acho que ela exagerou no drama. Ele não tem qualquer poder ali dentro para a ameaçar tirar o emprego. Ela é que lho deu. Fizeste a cama? Deita-te nela...

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Saí de casa



Conto trabalhar todos os dias para a semana que vem. Quem sabe, turnos de 12 horas. Se mos forem propostos, talvez os aceite. Percebi que, nessas condições, não teria outra oportunidade para ir às compras e decidi sair de casa. 

Estando agora a evitar beber água - pelo menos a cá de casa, pois desconfio que não me faz bem, precisei ir comprar sumos e leite. E lá fui, passando por duas outras lojas pelo caminho, em direcção ao Lidl, que fica a 30m de caminhada do local onde vivo. 

Não é que tenha valido muito a pena (já não tinham ovos, massas, papel higiénico nem vê-lo, produtos de higiene, limpeza etc) mas fui lá principalmente para ter snacks para mordiscar enquanto estiver a fazer turnos longos. 

Trinta libras depois, foi praticamente só isso que comprei. Não trouxe o leite - temi não ter espaço para o transportar. Não trouxe carne - temi não ter espaço para a preservar. Numa casa partilhada, não dá para armazenar produtos a teu belo prazer. 

Cebolas, bananas, cenouras, sumos em pacote, pacotes de bolachas qb, chocolates, salsichas, tomate pelado, detergente para a louça, azeite, iogurtes, vinagre - acho até que comprei coisas que não teria comprado não fosse o receio de vir a precisar delas e não as ter disponíveis. É que não pretendo ir às compras muitas mais vezes. 

Mas sabem porquê estou a fazer este post? Sabem porquê saí de casa? Porquê fui às compras?

Porque estando em casa, neste contexto, é inevitável.
Parece que regrido emocionalmente.
Estou de volta a Setembro de 2019. 

Ele.
No meu pensamento quando estou na cama, quando estou no duche. Em toda a parte, a toda a altura. Desejado pelo meu corpo e chorado no meu olhar.
Ele é veneno


Para o «matar», tive de sair.