sábado, 25 de maio de 2019

Mais um livro... e estou a gostar

Nunca tinha lido Joan Collins.
Mas vi este livro e decidi espreitar.

Para minha surpresa prendeu-me de imediato. Estou entusiasmada com a leitura de "Amor, desejo e Ódio".

Mas uma coisa perturba-me desde o início. Desde que olhei a capa pela primeira vez. Conseguem adivinhar o que se trata?




quarta-feira, 22 de maio de 2019

Fazer um curriculo à altura


Passei o dia inteiro a melhorar o currículo, adaptando-o ao estilo que o recrutador inglês quer ver.

Senti-me incomodada. E hoje descobri porquê. Além de ser moroso e mentalmente desgastante "recordar" detalhadamente 20 anos de variada actividade profissional, não gosto de falar sobre mim. Pelo menos não desta maneira, em que preciso "elogiar-me". 


Sou modesta. É um mal que me aflige desde sempre. Por isso os currículos que fiz ao longo da vida sempre me consumiram tempo e neurónios. E fiz tantos, mas tantos, um para cada candidatura, que com o tempo e a idade adquiri alergia à ideia. Devo ter feito mais de 1000 currículos ao longo da vida. Entre modelos europeus desactualizados, com foto ou sem foto e outras formas mais, acabei por «desaguar» num CV factual, com datas, funções... nada mais. Limpo de pretensões. Se quiserem saber mais, descobrem  na entrevista. É aí que me vão conhecer, não por um pedaço de papel.



Mas hoje em dia nem é mais por um pedaço de papel mas por um texto online. É isto que o recrutador vai ver e é o que tem de encantá-lo. Tens de falar de ti, dos teus grandes feitos, da tua admirável capacidade para trabalhar em equipa e ajudar a empresa a ser pioneira. Uma série de larotas para as quais nunca tive talento. Ah, é preciso nascer com esse dom! Se nasci, logo perdi. A rapariga mais-nova mostrou-me o seu CV e sem dúvida ela domina a arte de se auto-promover. No papel parece uma heroína, alguém jovem e fresco, promissor, que pode crescer numa empresa e ajudá-la a florescer. 


Ao mesmo tempo que é um currículo de uma pessoa maravilhosa, conta apenas com uma experiência profissional. Ainda tenho uma vaga ideia do que é estar a começar a vida... Curriculos quase em branco! Isso alguma vez existiu???

Como é que uma pessoa com apenas uma experiência profissional na vida pode entender, sequer alcançar as complexidades de alguém mais experiente, que tem tantas, mas tantas, debaixo do cinto? Cada qual uma luta por si só... Nada foi fácil. Muito sapo engolido, momentos de desespero, de desilusão e de alguma alegria também.


Pessoas a começar que não tiveram realmente nenhum grande contacto com o mundo laboral ainda não tem um olfacto desenvolvido. Falta-lhes passar pela experiência de meses ou anos com a "colega invejosa", de patrão "atiradiço" ou de "complot para te tramar no trabalho". 

Ainda tem as preocupações com o salário, as horas de trabalho, horas que não são pagas mas tens de fazer ou te demitem, emprego precário, trabalhos de enorme esforço físico... Ela nem sequer passou pela comum experiência de trabalhar num café ou restaurante para ganhar uns tostões extra. Mas também há quem tenha se dedicado a isso por curtos períodos de tempo sem grande dedicação e se julgue experiente q.b.

Sortudos daqueles que sabem se vender. Não os invejo, não os admiro, acho que estão bem para os tempos que correm, somente isso. 


terça-feira, 21 de maio de 2019

Uma nova categoria para Post: CINEMA


Filmes aos quais ainda não assisti e não faço questão de o fazer:

Nope

Zero Paciência



Qualquer Harry Potter

Não calhou, contaram-me vezes sem conta a história, vi partes

Os últimos 3 Homes Aranha

Sem paciência para super-heróis de acção, músculos e espadas martelos


Filmes aos quais (infelizmente) assisti e sinto obrigação de alertar todas as pessoas: não vejam!!! 
(porque é pior que bosta, é lobotomia!)


E se for exibido num canal de televisão, este é o filme que nunca irei voltar a assistir:


E vocês?

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Amizades punitivas

Um conhecido meu costumava receber muitos comentários nas mensagens e fotografias publicadas no facebook.  A determinado momento deixou de os ter. Dá até dó, perceber que só o pai e a mãe lhe deixam comentários. 

O aparente motivo? Infidelidade. 
Tudo aconteceu depois do rapaz engraçar-se com outra mulher que não a esposa. 


Sim, ser infiel não é bonito. Mas que resulte em tornar uma pessoa um párida e todos cortem os laços de amizade deixa-me atónita. Mas que mundo é este em que tantos se julgam no direito de atirar pedras, como se não fossem eles também pecadores?

A traição diz respeito a ele e à mulher. Não é algo que diga respeito aos amigos ao ponto de cortarem relações. Claro, eram todos amigos em comum e daí um partido foi tomado: o da vítima. 

Tenho a amizade num patamar mais elevado, onde se aceitam as pessoas pelo bom e o mau que têm. Não é preciso passar a mão pela cabeça, mas abandonar, assim? É desumano

Não conheço se os contornos da situação são mais graves, para justificar tal comportamento em pleno século XXI. Mas espero que seja algo que os amigos tenham decidido fazer no círculo restrito do facebook, para não ferir a susceptibilidade da agora ex-esposa. 


sexta-feira, 17 de maio de 2019

♋ !




Seguidores!  

Achei por bem celebrar este número. Ahahha
Há algo de muito ying and yang nele.


O meu nome


O meu nome é "Portuguesa". é um nome que permite o uso de diminutivos. Existiu no tempo quem me chamasse de Portuga, Tuga e Portuguesinha.  Mas actualmente todos me chamam de Portuguesa. 

E eu sinto saudades de quem me chame de Tuga, ou até mesmo de Portuguesinha. Mas não é um trato que goste de impor. Não me vou apresentar assim para ser chamada assim. Esses são nomes conquistados, não são dados gratuitamente. Têm a ver com a relação entre as pessoas. O nome "Portuga", remete para relações de amizade verdadeiras. E a Tuga ou Portuguesinha para amizades antigas, familia íntima, para intimidade. 

Não é qualquer um que vai chamar-me por estes nomes. Podem chamar-me do que quiserem, pouco me importa. Nomes não me dizem quase nada, já se enganaram no meu chamando-me sempre por outro e não me incomoda nada. Para aquela pessoa passo a ter outro nome. É até querido. Quando o nome Portuguesa é pronunciado, é aquele que menos fala sobre mim. É como se chamassem um cão, perguntassem o nome de um rótulo... Sinto saudades de ser chamada pelos diminutivos, não por eles em si, mas pelo significado que carregam.


Quero ser chamada de Tuga, Tuguinha... 
Sinto saudade!

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Limpezas complexas


Há coisa de três semanas o senhorio apareceu porque tivemos uma infiltração de água na sala, vinda do piso de cima, provavelmente do duche. Quando desci as escadas para a sala, a mais-velha estava com ele na cozinha e apanhei-a a fazer-lhe "queixinhas". Estava a dizer-lhe que quando regressou o chão da cozinha estava imundo. 

Perguntei, como se não tivesse ouvido, o que é que estava "imundo" e ela, teve só um segundo de surpresa, mas depois disfarçou e agiu com normalidade: "O chão da cozinha". 

- Isso é porque ninguém está a cumprir o calendário das limpezas. - Respondo sem pensar, como reflexo. E aponto para o dito, pendurado há mais de um mês na parede, novo, colorido e reluzente. E durante um mês, apenas com o meu nome a assinalar que a limpeza tem sido feita.

Foi ela que o colocou ali para substituir um outro que eu tinha feito oito meses antes. Não perguntou, nem sequer comunicou. Decidiu. Deve ter sido uma decisão conjunta, excluindo, claro, aqui a vossa portuguesinha. E fê-lo para apontar o dedo, foi uma forma de retaliar e de me privar de usar o WC do piso inferior. Mas isso é outra história. 

No novo calendário de limpezas, eu sou a última a ter de limpar. Antes de mim vêm as três pessoas que nunca limpam nada. Estão a ver o que eu vou "herdar" de sujidade?? Enquanto aqui a portuguesinha limpou, que os outros não o fizessem não gerava "queixinhas" aos ouvidos do senhorio. Mas eu sabia que se falhasse... iam tentar incutir-me responsabilidades. Não demorou mais de duas semanas e o timming certo: as férias da páscoa. 

O timming é muito importante. Eram férias de Páscoa e todos os italianos foram passar um ou dois dias fora.  Portanto ela começou por aí: "eu não sei, eu estive fora", quando regressei «estava tudo sujo». O dedo estava claramente a apontar para as pessoas que ficaram cá na Páscoa: eu e a outra rapariga não-italiana. Elas dão-se bem mas a rapariga nova não é italiana. Se preciso for acho que não lamentam em ter de atirá-la para debaixo das rodas da carruagem, sacrificada. E nem se apercebe disso.


Respondi que para ser sincera não notei que estivesse mais sujo do que noutros dias. E é verdade. Muitas vezes está sujo da mesma maneira, com eles todos cá em casa, a terem de cumprir um calendário de limpeza. Ninguém parece incomodado. Ausentam-se alternativamente por 48h, deixando os caixotes quase cheios de porcaria, coisas por limpar e pensam que quando regressarem uma "fada do lar" terá resolvido o assunto. 

Deixaram lixo na casa, sujidade, caixotes quase cheios, não limparam como de costume. Voltam dois dias depois e querem, por magia, encontrar tudo como não deixaram: limpinho. 

Gostava que vivessem sozinhos, para descobrirem que a forma como abandonam a casa é a forma como a vão encontrar no regresso. Se não tiverem empregados para fazer limpezas para eles, ainda não inventaram casas auto-suficientes, que se limpam sozinhas.



Depois deste "flagra" que levou o senhorio a deixar uma mensagem no chat a pedir para que se assinalasse no calendário quando se fizesse as limpezas, é que, pela primeira vez em quatro meses, ouvi e vi as novas hóspedes a limpar uma divisão da casa. E lá vão assinalar no calendário.

Foi a primeira vez!

Não estavam a limpar. Deixavam a tarefa para outras pessoas. Limpavam só aquilo do dia a dia, um prato... a loiça que usaram. Deixam a mesa de madeira toda manchada com marcas de líquidos e gordura, migalhas, etc, não se incomodam com isso. A limpeza semanal serve para deixar tudo limpinho. Eu costumo limpar "a sério" mas verifiquei agora que eles não limpam de todo. A primeira limpeza da J. consistiu em "limpar" a cozinha dois dias depois desta ter sido limpa devido à visita do senhorio. Ou seja: pouco fez. Arrumou um pouco a bagunça das tralhas em cima da mesa, só isso. 

Anteontem, era a sua vez de limpar a sala: pegou no aspirador e aspirou mal e porcamente aquilo, sem desviar os sofás, sem se preocupar com os recantos. E não passou um pano de pó em nenhuma parte. A TV, a mesa, tudo tem visivelmente pó. Ainda faltam DUAS outras pessoas limparem até ser a minha vez. Conseguem adivinhar a quantidade de pó que devo "herdar"?

Na véspera, o rapaz pegou no aspirador e "aspirou" a sala. No dia seguinte, ela repete-lhe o gesto. Portanto não sei o que ela andou a aspirar... Um dia de intervalo não é exatamente limpar coisa alguma, principalmente se o pó continua espalhado e negligenciado. Contudo, a sua "responsabilidade" já foi passada a outro. 

Ontem foi a vez da outra rapariga decidir limpar a cozinha. Notei muita coisa negligenciada. A única coisa que desta vez soube fazer, foi despejar os caixotes e passar um pano na tampa, que estava cheia de gosma. 

Por isso já fiquei contente.

A área das máquinas de lavar não foi tocada, e faz parte da cozinha. Nada nos balcões foi removido do lugar, até mesmo um pacote de esparguete continuou abandonado no mesmo local onde repousava fazia dois dias. Migalhas e sujidade estavam ao lado do fogão. E a porta debaixo do fogão, que por acaso é onde ela guarda os seus mantimentos, continuou com traços secos de líquidos e molhos que ali escorreram em alguma ocasião. Seria de esperar que notasse, visto que é ela quem tem de abrir aquela porta de armário.

Estou a pensar fazer limpezas da mesma forma que eles. Levo mais de uma hora a limpar seja o que for. Eles demoram 10 minutos. 



Audiolivros? É tão mau!



Afinal não consigo escutar audiobooks. Narrados em português, os que se encontram pela internet são na maioria narrados com sotaque e jeitinho brasileiro. Os que encontrei com sotaque de Portugal parecem vir todos do Porto e deixam muito a desejar. Louvo os esforços de quem se dedica a isto, mas o resultado é muito amador para o meu gosto. Não consigo escutar, estou quase sempre a corrigir a entoação!


Dito isto, imaginei o audiolivro profissional realizado pelas mesmas pessoas que fazem dobragens de filmes. Ou até mesmo por locutores da rádio. Esses têm treino, sabem narrar uma história como ela merece. E é tudo feito num estúdio com tecnologia apropriada. Por muita boa vontade que exista de pessoas comuns como eu, rara é aquela que consegue atingir o nível de qualidade que qualquer obra merece. 

Lembro-me do primeiro "audio-book" que escutei.
Que idade podia ter? Seis? Oito anos??

Na altura era um disco de Vinil, fornecido com o livro. A obra? O gato das botas altas.


E era tão emocionante! Com sons audio de efeitos especiais como chuva e trovão, as vozes a dar a entoação certa, o grito de miau... 

A tecnologia evoluiu muito e agora chamam a isto de audio-livro. Mas tanta evolução e tanto retrocesso em simultâneo. Comprime o meu coração!

Já escutaram audio livros em português? O que acharam?

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Mais um livro lido e uma descoberta

De ontem para hoje acrescentei uma nova leitura na lista de livros. Sim, li uma história de 69 capítulos em 24h. 

Fiquei a imaginar o que me levou a ler este livro tão rapidamente e sem esforço já que a intenção quando ontem lhe peguei era passar apenas por uns instantes de leitura. Já o objectivo com que abri os anteriores que até eram menos espessos em número de páginas, foi fazer uma leitura aprazerosa de uma ponta à outra, no máximo em dois dias.

Os motivos porque uns conseguem ser lidos assim e outros não, desvendaram-se, acho eu, após ler este livro. 


É a linguagem usada e a maneira como as personagens se comportam. No anterior a linguagem era actual, muito palavrão, interjeição, descrições exaustivas sobre o que a personagem está a sentir além de contínuas cenas de flashback enfiadas entre momentos de acção. Não que este último não tenha o mesmo: palavrões aqui e ali, lembranças do passado, mas não de forma tão exaustiva ou vulgarizada. Estando contextualizado noutra época - não tão recente assim mas muito diferente dos dias de hoje, apraz-me mais a forma com que as pessoas interagiam, mostrando um pouco mais de apego a valores de educação que sociedade de então impunha.


Depois vem a entrega da história. Uma das formulas mais usadas atualmente para entregar uma história, é dividi-la por personagens e ir apresentando os "núcleos" numa salada de nomes que inicialmente dificulta diferenciar quem é quem. Do "jorge" passam para a "Edna", daqui para o "João" e uns e outros andam com outras pessoas, maridos esposas e amantes, todos se conhecem e a certa altura todos se reúnem. Não há uma personagem principal, todas são personagens centrais. A informação é dada aos poucos, a conta gotas. E o final? O fim termina sempre meio em aberto, sem mais desenvolvimentos. No que uns julgam ser a "apoteose".  Sem uma "espreitadela" para o futuro. Dando aquela "aquecida no coração" de que os nossos heróis viveram felizes para sempre, quem sabe? 


Quase sempre opto por ler crimes e mistérios, raramente pego em dramas românticos, embora goste quando são romances históricos mas despreze um pouco esta moda de "contar" os "podres" de figuras nobres do passado - principalmente se não há nada factual que justifique que a percepção das pessoas sobre alguém fique associada a uma obra de ficção. Adoro quando é pura ficção, com muita investigação, a figura existiu, o mito existiu, mas o autor tomou a liberdade de inventar em torno disso. Gosto quando sinto que a obra jorra criatividade e inteligência, associada com instrução e uma forma extraordinária de explicar passados remotos difíceis de imaginar, como se estivéssemos a viver naquele século, com aquelas pessoas. 


Encaixo estes últimos livros que li na categoria de romance dramático. O último é mais fiel à sua categoria e não recorre ao mistério incluído no próprio título, para apelar à curiosidade. Nada de "Segredos, mentiras, fantasmas". Contudo, também tem as suas revelações dramáticas, contadas à medida que a história progride. 


E vocês?
Sabem quais são as suas preferências de leitura?


segunda-feira, 13 de maio de 2019

O equilíbrio é uma coisa rara



Quando estamos em minoria não há volta a dar: temos de nos vergar e seguir a carneirada. 
Certo ou errado, ser um D. Quixote tem sérias implicações. Aliás, não era ele louco?


Esta intro para dizer que decidi falar abertamente com os colegas de casa. Não o cabecilha, como estava inicialmente a imaginar. O acaso quis que fosse a mais-nova. 

Ele  arrastou-se uns bons instantes pela sala para escutar a conversa que estávamos a ter, que no momento tinha o foco no "não ser preciso" avisar quando se traz pessoas para dentro de casa. Foi embora assim que mencionei que também ia falar com ele. Se é essa a "lei" da selva, como posso eu incutir na cabecinha deles que acho que essa cortesia é bem vinda e cai bem?

Não, não é preciso... Tragam quem trazerem, durmam cá inclusive. "No explanation needed". 

Dança conforme a música, Portuguesinha...

Irei falar também com os restantes.


Quanto aos assuntos discutidos, existirão sempre acusações de parte a parte e mentiras serão pronunciadas. Escutei algumas. Não tenho provas, o testemunho de terceiros está comprometido e é a palavra do indivíduo contra a palavra da maioria. Engole-se para um bem maior. No fundo existem sempre dois lados e até duas verdades. Por saber disso, é que quis escutá-las.

E assim podem-se clarificar as coisas. Porém uma constante emerge: quem sempre mostra a iniciativa de quebrar o mau ambiente sou eu. Pode passar muito tempo, mas busco sempre uma conversa clarificadora. Esteja eu inserida no grupo de opinião maioritária ou no da minoria. Seja um problema que sinta existir entre mim e apenas outra pessoa, ou mais que uma. Tenho de dar valor a esta qualidade quixoteana rara nos dias de hoje.

Raro também nos dias de hoje, é a pessoa mostrar a dignidade de se disponibilizar para te escutar e ainda mais raro ainda, mostrar que tem vontade de clarificar o ar de quaisquer impurezas.

É fácil ser a maioria.
Outros fazem ressonância com a tua batuta.  


Espero que as coisas melhorem para o meu lado. É verdade: fui preterida. Mas a versão que me foi apresentada indicou que me isolo. É um pouco verdade, até porque também é um pouco consequência. Essa parte de se recusarem a admiti-lo vai-me custar. Tanta vez lhes ofereci para partilharem uma refeição comigo e recusaram todas. Nenhuma vez me chamaram para dividir uma com eles. Isso contribuí e não é pouco para uma pessoa sentir-se preterida. Mas águas passadas não movem moinhos. É um comprimido que terei de engolir. Talvez me compre o direito de aqui viver sem estar obcecada pelos pequenos nadas que já se estavam a transformar em rochedos. 

Estava a ser cada vez mais injusto para mim.
Mereço melhor. 


domingo, 12 de maio de 2019

Leitura com mensagem


Experimentem quando estiverem a ler um livro, fixar o olhar num ponto específico e ir abrindo várias páginas ao acaso. Só vale registar a primeira palavra que o olhar apanha. Mude de página rapidamente, folheando várias, fazendo pelo menos quatro tentativas. Junte todas as palavras numa frase.

Tem mais piada se antes de fazer este exercício, concentrar-se e interiorizar algo para a qual procura uma resposta. O livro vai dizê-la.

Contem aqui que palavras formularam!

Secret will eventually catch up again 

Este foi o primeiro resultado que obtive e surpreendeu-me como as palavras ao acaso combinam perfeitamente numa frase coerente. Fiz isto na brincadeira mas fiquei pasmada como bateu certo... à primeira, à quinta vez, ehehe.

E no espírito da coisa, uma das palavras, cortada ao meio por um infén, valeu apenas pela metade que os meus olhos apanharam. Por isso fui atrás do que poderia significar metade da palavra (que era palavra por si só). Fui parar a esta frase: Estas perdiendo el tiempo pensando, pensando. O que conduziu a esta bela descoberta: 


Divirtam-se!




quinta-feira, 9 de maio de 2019

Isto é racismo ou uma infelicidade?


Um apresentador da BBC foi sumariamente demitido por ter feito este tweet


Acusações de RACISMO caíram-lhe em cima. O tweet foi logo apagado e o profissional pediu desculpas, justificando que só pretendia parodiar o "circo" mediático. De nada lhe adiantou. O seu acto foi punido radicalmente: despedimento. 

Virou párida!

Quem o vai contratar agora, que toda a nação o condena e foi publicamente demitido?


Eu pergunto para onde caminha o mundo quando este disparate acontece. É mais importante não levantar ondas, não chatear ninguém, publicar coisas que não levantem consternação, do que aceitar que a vida também traz humor, que as pessoas cometem erros, que vão dos pequenos aos grandes. 

A BBC emitiu de imediato uma declaração:
"Foi um erro grave de julgamento e vai contra os valores que nós, como estação, pretendemos incorporar"

LOL. Um erro grave, contra valores. Nada de reprimendas, nada de um aviso "da próxima vez...". Não. Tocou na família real, cortem-lhe a cabeça!

Mas o pior é que as instituições, nomeadamente a BBC, pensa como muitas hoje em dia:

"está a levantar problemas? Temos de afastar a imagem da nossa empresa desse berbicacho! Envia um comunicado a dizer que estamos consternados, foi um acto isolado da exclusiva responsabilidade do indivíduo e que não nos identificamos com o que ele fez. Demite o gajo já!". 

Quero saber onde está o racismo?
O que é racismo, afinal?
Racismo contra o chimpanzé
Onde está a descriminação por cor de pele?


Também há umas semanas o New York Times removeu um cartoon sátiro de um cartonista português exibindo a mesma atitude de subserviência e RECEIO. "A imagem era ofensiva e foi um erro publicá-la" - disse o "conceituado" jornal. 

São uns vendidos. 

Je suis Charlie.
Sempre


terça-feira, 7 de maio de 2019

Após a tempestade vem a bonanza

Acredito nisto. A vida é feita de altos e baixos.
O que não entendo é a proporção. 
Estou numa tempestade de oito meses. 
Nem a passagem do cabo do Bojador imagino ter sido tão tormentosa.

A bonanza foi-me sempre roubada. 


Conseguem entender?



Estou enviando amor a todos aqueles que estão a dar o seu melhor para curarem-se de coisas sobre as quais não querem falar.  

sábado, 4 de maio de 2019

Pelo UK: falta a ASAE

Tenho pena que no Reino Unido não exista uma ASAE à portuguesa.
Faz-me confusão que vendam o pão e todos os produtos de pastelaria em expositores desprotegidos contra germes. Estas imagens foram tiradas dentro de um supermercado que ainda tinha esperança que fosse a excepção à regra: LIDL. Mas estando em Roma, sê romano.... Neste caso, sê inglês.


Podiam fazer à boa moda antiga: e cobrir os pães quentes com um pano em algodão ou os bolos cremosos com papel manteiga. Mas isso não é atractivo para a vista. Então, deixam-nos assim, à mercê dos espirros e da manipulação humana. 


Posso até sentir-me tentada em levar uns. Mas há sempre algo no momento que me relembra o perigo. Mesmo em frente da tentação de pastelaria, um homem espirra, uma mulher tosse e as crianças tocam com as mãos em tudo o que for deixado ao seu alcance  nas prateleiras mais baixas. 

A cena que presenciei e não me sai da cabeça foi a de uma menina que pegou num bolo, levou-o à boca, passou-lhe a língua e depois voltou a colocá-lo junto aos outros. Lambido foi, lambido ficou. 


Sinto falta de ver bolos em expositores protegidos por vidro/PVC. A ASAE é uma entidade que devemos agradecer por existir em Portugal, nos parâmetros que existe. 


Nota: Enquanto contemplava os pasteis de nata, uma empregada aproximou-se e meteu uma nova remessa em cima dos anteriores. Consegui registar com o olhar quais os que ainda não tinham sido tocados por ninguém. Comprei dois. Mas o sabor deixou muito a desejar. Aqui estão eles.



quarta-feira, 1 de maio de 2019

Títulos e distinções virtuais


De início pensei que era uma coisa desnecessária. Mas acabei por simpatizar com as recentes "distinções" do facebook. Tem a mais conhecida "Top Fã" de uma página que segues, e "Mestre das Partilhas". Agora dou por mim distraída ao surpreender-me com a distinção atribuída a cada um. Hoje recebi uma e decidi aceitá-la. Mas no smartphone aquilo não funcionou. 

Dizia algo do género "fã da cultura". 


Já deram conta?


Velórios e últimos adeus

Até este momento da minha vida ainda só estive presente em três velórios.

Os dos meus avós e o de uma irmã de um deles.

O que retirei desta experiência é que cada um é diferente
E é assim mesmo que tem de ser. 

Estava aqui a pensar e subitamente percebi que é até possível um dia não vir a estar presente num velório, mesmo sendo o de uma pessoa de quem gosto ou tenho por laços de sangue obrigação de lá estar. Não fará de mim uma pessoa que goste menos ou mais do falecido. E o julgamento de terceiros não devia condicionar.  


Digo isto porque, como disse, cada um foi diferente. No primeiro, fui ao velório e fui à cremação. No segundo, fui ao velório mas não à cremação. Sabia que a pessoa não queria ser cremada, embora um familiar tivesse garantido que sim e os outros foram atrás por acharem a ideia bem mais cómoda e repudiarem a existência de um corpo enterrado e o seu lugar assinalado com uma lápide. Como se isso fosse um absurdo, quando o sepultamento tem sido a prática de gerações e gerações. Depois acrescentaram não estarem para "ter de cuidar da manutenção da campa". Como se isto fosse sobre eles, e não sobre a pessoa falecida e o seu último desejo.

Não fui e não senti falta de ir. Nem precisei, escutei a voz da pessoa que faleceu aquando o seu velório, logo após os procedimentos do padre. Mais ninguém pareceu escutar e eu soube o que ela queria e fiz-lhe a vontade. 

Ela falava a rir, daquela maneira que ria quando era viva, estava ali presente, claro, como estaria também se viva fosse. Gostava de ver o que estava a acontecer no momento e estar com pessoas. Já o meu avô esteve ausente no seu velório, só "apareceu" no final, depois da cremação consumada. Queria nos tirar o pesar, estava incomodado com ele quase sem o entender. Fazia questão de repetir que estava bem, que nunca se sentiu melhor. Estava feliz, podia correr, tinha energia e estava com uma pessoa querida. 

Se não quiserem não acreditem mas isto aconteceu. Acho que se os mortos "falam" do além, fazem-no com todos. Mas escuta apenas aqueles que estiverem na frequência certa, num momento em que se torna possível. E lá por acontecer uma vez, não é garantia que acontece mais. São muitas as variantes.  

Mas isto para dizer que contemplo a possibilidade de um dia não comparecer nem a um velório, nem a uma cremação/enterro. E se calhar, talvez compareça a todos ou, com sorte, somente ao meu. 

Gostava de ver todos a serem eles mesmos, sem máscaras. Mas há quem use máscaras a vida inteira e assim, quando uns aparecem para velar o morto, é como se aparecessem para o enterro de um desconhecido. Vêm prestar um extremo pesar junto à família por alguém que só existiu para eles. 

Isto faz sentido? 

Sim, faz. Basta pensar quando um artista morre. As massas entram todas em luto mas só a família sabe realmente quem era a pessoa que estão a velar.


Estava no facebook quando vi o post de uma pessoa que conheço bem. E o que ali aparece não é o que a pessoa é no dia a dia, sem os "holofotes" das atenções de terceiros. Imaginei aqueles que comentam o post a aparecer ao velório... transtornados, como se tivessem perdido a pessoa mais simpática do mundo. Mais um dos "bons e justos" que se vai, etc. etc. 

Ao perceber isto pensei que não ia gostar de estar presente.
Mas a vida é assim mesmo e não admitir que seja também não ajuda ou altera seja o que for.
É navegar com a corrente?





segunda-feira, 29 de abril de 2019

Trailer trash made in UK


Hoje o dia não começou bem.
Foi muito frustrante ir à marcação no Centro de Emprego. Não imaginam como é... como foi. Sentes que és uma nulidade. A preocupação contigo é zero. A ajuda, sub-zero. Sentei-me, disse que tinha perguntas para fazer, recebi como resposta: "nada de perguntas agora. Primeiro temos de seguir os procedimentos".

E os procedimentos foram:
"Diga-me o seu nome completo". 
"Data de Nascimento".
"Morada".
"Número de Contribuinte".

Cada vez que lá vou tenho de "confirmar a minha identidade" desta forma. É só isto que lhes interessa. Rigorosamente mais NADA. Escrevem no computador que compareci na data combinada, querem saber se estou a trabalhar e apressam-se a mandar-me embora. Não há "tempo para perguntas" porque já estão "atrasados para atender o próximo". Disse-me quem me atendeu, que "já tinha passado o meu tempo". Quis saber quanto tempo disponibilizam para o atendimento. Soube que eram 10 minutos por pessoa. Só que o PORMENOR dele me ter atendido 6 minutos depois da hora marcada foi conveniente deixado de lado. Não estava ali há mais de três. Logo fui "educadamente" convidada a sair. "We are finish. You can go".  

Era preciso registar no computador dados vitais sobre o meu part-time mas "o sistema estava em baixo". O que não acreditei. Com tanto apressar, para mim tratou-se de um pretexto para não prejudicar a sua média de atendimento elevado (mas ineficaz). Atirou para o próximo essa responsabilidade. Tive apenas tempo de informar que havia um dia que não podia comparecer à marcação. Perguntei se podia adiá-lo. 
- "Não. Tem de aparecer".
- "Mas não posso. Não vou aparecer. O que acontece se não puder comparecer?".
- "Tem até 5 dias para aparecer ou desaparece do registo. Convém aparecer no dia seguinte".
-"Não posso. Só no quarto dia". 
-"O que é que vocês fazem aqui para realmente ajudar alguém a arranjar emprego?"
-"Fale com o David da próxima vez que vier, ele é que é o seu working coach. Adeus.".
-"Ok. Obrigada".



Senti-me desmotivada. E fiquei com a sensação que os astros não estavam a conjugar as suas energias para que o meu dia corresse melhor. Decidi não ir a mais nenhum lugar e permanecer o resto do dia em casa. Tinha planeado passar por umas lojas mas decidi ir só a uma, pela urgência.  Não encontrei o que pretendia e de certa forma isso não me surpreendeu, tendo em conta a forma como o dia tinha começado. Saí da loja, esgotada, sem energias... precisei de me encostar e sentar no chão. Caminhar pareceu algo penoso e o percurso até casa leva um quarto de hora. Optei por apanhar o autocarro gratuito que ia aparecer dali a três minutos. Fico na fila a aguardar a vez... o autocarro chega, atrás de um outro, que leva o seu tempo a "despejar" passageiros. Quando me preparo para entrar no que estava atrás, verifico que já tinha partido. Habitualmente eles não fazem isso. Só partem após avançarem à frente. Mais uma vez... senti que era a energia dos astros que não estava boa para mim. Era urgente ir logo para casa. E não sair mais de lá.

Chegada, enfiei-me debaixo do chuveiro - algo que estava prestes a fazer antes de ter saído para o Centro de Emprego, quando dei conta que me enganara na hora da marcação e tinha de sair de imediato. 

Tomei o duche e preparei-me para um exílio caseiro. Precisei telefonar para uma instituição governamental a fim de esclarecer o tal "erro" do centro de emprego, e fui instruída a enviar uma carta ainda hoje para um certo endereço. (Vá lá, aqui foram simpáticos, prestativos, não me despacharam e tudo correu pelo melhor). Soube então que tinha de sair novamente de casa. Mas era para um bem maior. De banho tomado e tendo falado telefonicamente com uma pessoa decente, até senti que alguma energia pouco benéfica se tinha esvaído... Planeei na minha mente a forma mais prática e cómoda de fazer o procedimento e lá fui. 

Terminadas as burocracias (sim, porque não foi só enviar uma carta...esse foi o último passo), não fui ao supermercado no qual gosto de ir. Sabia que o correcto era regressar a casa. Pelo caminho entrei no MacDonalds, talvez comprasse um hamburguer. Mal entro, não sei se foi o cheiro, se foi outra coisa, começo a sentir-me indisposta. Meter algo no estômago naquele instante tornou-se inviável. 

Optei por seguir caminho direta a casa. Algures um sino eletrónico bateu palidamente as 17h. Não era o som do sino que gosto de escutar: o da minha igreja. Em frente, há uma igreja antiga - bastante antiga até, já que a parede da estrutura principal data do século XIII. É uma visão e um lugar que me faz sentir bem e me ameniza. Foi ali que fui quando estava a lidar com a tragédia de Pedrogão. Acolheram-me, sorriram, cantou-se, foram simpáticos. Foi um momento espiritual. Ali pedi uma reza pelas almas dos familiares que faleceram. Pouco depois disso e de outras formas de rezar, senti que estavam em paz. Talvez também por este motivo tenha ficado a simpatizar ainda mais com aquele pequeno edifício de uma torre e uma nave. 

Há outra igreja mesmo ao lado e nem dou por ela. Talvez devido a ter um portão, com cancela e sinais de proibição por toda a parte. Muito pouco "cristão".


Estava a rumar para ela. Para a "minha" igreja. Queria, precisava. A igreja fica entre passagens pedonais movimentadas. Enquanto seguia na sua direcção, tentava decidir por quais dos caminhos ia atravessar. Quase segui o mais comum e agradável, rodeado de arbustos e árvores. Mas estava muito movimentado e por isso optei por contornar a igreja pelo exterior, grata por poder apreciar as suas vistas, agora mais visíveis devido à sebe ter sido podada. Decidi tirar fotografias.

De todo o dia, aquele foi o instante que fez o negativo dissipar-se. Até o mal estar ao entrar no MacDonalds um minuto antes já tinha desaparecido. Estava serena, feliz por olhar a arquitectura da igreja. Ia fotografá-la e levá-la comigo para apreciar tranquilamente em casa. 

Sinto muita gente a passar atrás das costas e pensei comigo mesma que desejava que não houvesse tanto movimento. É desconfortável. Não permite ter alguma privacidade para tirar umas rápidas fotografias. Com tanto instante para passar, tinha de aparecer muita gente durante o meu impulso fotográfico?

Mas a linda visão da igreja dissipou este pensamento. Concentrei-me no acto, pois era impossível com a claridade, precisar se estava a enquadrar bem a igreja ou até se a imagem estava focada. Queria ser o mais rápida possível mas ser artística, encontrar um bom ângulo, que fizesse sobressair aquela beleza. Fui por tentativas. A expectativa de chegar a casa e ver como as imagens ficaram toda igual à expectativa daquele instante em que se regressava da loja fotográfica após levantar as revelações de um rolo fotográfico. 

Nisto sinto alguém passar de trás para a minha frente e uma voz feminina com sotaque britânico diz aquilo que mais me repugna escutar no Reino Unido:  
-"That's rude!".

Os britânicos desta terrinha fedorenta gostam muito de virarem-se para desconhecidos e acusarem-nos de terem qualquer comportamento "rude". 

Essa petulância quase me tira do sério. 
Rude é a atitude que acabaram de ter.

Olhei na direcção da voz e vejo uma jovem com ar de Trailer Trash


Foram os americanos que inventaram esta expressão "trailer trash". É um termo pejorativo que faz referência a pessoas de raça branca, pobres e que vivem em caravanas. Tenho percebido que encaixa em algumas pessoas desta cidade na perfeição. Estas jovens podem não viver em caravanas (eram duas, uma estava atrás de mim, e segurava um carrinho de bebé. Se havia uma criança dentro não percebi mas por essa possibilidade a "mãe" devia ter mais juízo). Inicialmente só dei conta da mais-gorda à minha frente. Ambas "encurralando-me" entre si. Sabia que devia ignorar, mas elas estavam a querer provocar. No meu instante de serenidade com o lugar. Acabei apenas por dizer que se tratava de uma linda igreja. "That is rude! Taking pictures!" - repete com altivez a gorducha. Rude, se elas quisessem saber, era tirar selfies de biquinho e postar no facebook - acrescentei, sabendo que o conceito dificilmente ia cair em terra fértil. Fiquei incomodada por não poder tirar rápidas fotografias em paz. E por elas terem conspurcado aquele momento de serenidade.  


A trailer trash mais-gorda, de chinelo, leggings e t-shirt justa, reforça o ataque:
-"Isso é rude! Tirar fotografias às campas! Esta não é a tua gente!".

As igrejas antigas têm campas. Não é nada de extraordinário. Toda a cidade as têm. Não é proibido fotografar nem sequer é proibido entrar e olhar. Muitos cemitérios hoje em dia - principalmente os antigos, disponibilizam visitas guiadas ou permitem que sejam uma via de passagem. Mesmo que fosse indelicado - que não é, existe respeito, pelo menos de minha parte. Estas campas que apareciam no espaço à volta da igreja tinham formas diferentes, letras totalmente esbatidas ou estavam parcialmente destruídas. Tenho muita curiosidade em saber de que ano datam, se contam as suas histórias... mas só uma vez me aproximei, sem ser muito evasiva. E depois, nessas mesmas campas vi eu, por muitos meses, uma tenda de campismo. Alguém estava a dormir no cemitério. 

Os mortos decerto não se incomodaram. E os responsáveis pela igreja pelos vistos permitiram. O que só reforça a boa energia que o lugar me deu. Vemos sem abrigos sentados por todas as ruas da cidade. Está a tornar-se desolador. Quando para cá vim há dois anos não haviam tantos. Essa visão é para mim algo bem rude e difícil de ver. 


Entre outras coisas, mandou-me foder a minha mãe, fez o movimento pélvico para trás e para a frente e mostrou-me o dedo do meio.

A rapariga a empurrar um carro de bebé ria-se, gargalhava. Mal virei as costas, também ela me chamou rude e ambas continuaram caminho mas na direcção oposta à que seguiam quando começaram o ataque verbal. Provavelmente satisfeitas consigo mesmas por terem conseguido provocar uma discussão com uma estranha. Não precisavam mais de ir para outro destino... já tinham despejado a verborreia toda.


Este lugar está cheio delas e deles. Trailer trash à moda do Reino-Unido. São um "cozinhado" onde a maioria é muito jovem, falam com um sotaque afectado, fervem em nenhuma água e cospem asneiras cada vez que abrem a boca. E o país ainda teme a entrada de estrangeiros... Por pior que sejam, ainda não encontrei UM que não viesse atrás de uma vida melhor e, mal ou bem, pronto a trabalhar para isso. 


Já para estes jovens na casa dos 20 anos, aqui nascidos, trabalhar parece uma palavra que os assusta e uma actividade que é para evitar ao máximo. Eles, pelos jardins e bares, envoltos em atividades ocultas, agrupados de forma suspeita. Elas já de bebé a xular os benefícios do governo, para os quais contribuem o salário dos estrangeiros. 

Roubos, crimes com faca, mortes e violações. Não são poucos os casos a acontecer nesta localidade. Isso me espanta, porque há coisa de três meses uma mulher foi violada no jardim local durante a manhã. E têm havido esfaqueamentos - entre este género de indivíduos trailer trash que cada vez mais habitam esta zona.

Não fosse pelos estrangeiros trabalhadores e alguns poucos bem educados e instruídos britânicos que imagino existirem a trabalhar em empresas de pessoas requintadas e por isso inacessíveis ao comum mortal, pouca coisa se aproveita do original que por cá anda.

Se é este o futuro do Reino Unido, tenho de emigrar novamente e rapidamente.

Mas para onde?

Isto tudo para concluir: a sensação estava certa. Hoje não era um dia para sair de casa.



sábado, 27 de abril de 2019

Moda de Verão


O que eu gosto da Moda de Verão é regressar aos anos 80.

Se não acreditam, fiquem atentos ao tipo de indumentária que as lojas disponibilizam. Tudo isto que é usado hoje, foi usado por mim quando era criança. E voltaria a usar - achasse eu que tinha corpo para muitas destas peças. Continua a ser um estilo que aprecio: descontraído, confortável e prático. Com uma pontinha de "edge" (irreverência) aqui e ali. 

São looks CLÁSSICOS...  nunca passam de moda. 

Aqui têm imagens de roupas que fotografei nos cabides de uma loja. Julguem por vocês mesmos.


1- O Blusão de Ganga Preto
Curto, pela cintura, um must na década de 80. Este até tem franjinhas. (E ficam bem).


2 - Os blusões curtos com materiais e corte típico de outras décadas

3 - O blusão de ganga branco



 4 - Clássico: Camisa de ganga comprida


5 - JURO que fotografei isto por causa do material. TÍPICO anos 80!
De uma psicadélica mix cor. Ainda guardo o fato de banho infantil que tem estas ( e mais)  tonalidades. 



6 - Outro material típico dos anos 80: a rendazinha branca, leve, floral... 
 ... nas calças confortáveis, largas, leves

7 - Este fotografei pelo DESIGN. Remete até para a década de 60. O fato de banho listado é um clássico, aqui com um toque de modernidade ao ser amarelo torrado e o twist está no largo cinto que lhe confere elegância, sofisticação e ar de... outro tempo, ainda que sendo lindo hoje. 

                                  



8 - Alguém está pronto para o Disco


9 - O CORTE. Essencialmente é o corte, mais o contorno branco que faz muito lembrar os calções da década de 70/80. Estes são enormes. Não usaria logotipos publicitários. Mas gostos são gostos :)

E aqui a introdução mais "moderna" no mesmo estilo de calção-algodão com fita de apertar: o logo é o de uma conhecida (e sem graça) série de comédia de TV nos anos 90. 


10 - O estilo é todo 80... As listas também. Os tamanhos é que não são para todos os corpos! 

11 - Aqui são os materiais usados e as cores. Em muito faz lembrar a qualidade da década de 80, a leveza dos tecidos. Adoro este amarelo. Teria saído da loja com uma camisa deste material e cor (não fotografei) mas não tinham para o meu tamanho. Convém dizer que isso já é de esperar. Estas roupas estao disponíveis para esguias e magras silhuetas. É a única diferença comparativamente às dos anos 80! 

                                     







12 - Na cor, no material, nas listas, no plisado... quem não usou algo assim se viveu nos anos 70/80?
                                                 

                              13 - E que não falte o Macacão! Ah, não pode faltar não.   



       14 - Outra vez as rendinhas...  A blusa branca de algodão com furinhos florais era um MUST   




 15 - E o nó... Toda a roupa tinha de levar nós na cintura ou ser cortada "à selvagem". Aqui só faltam uns acessórios: as polainas e a tira para o suor da testa. Acrescentando estes elementos e subitamente estamos num episódio da série "Fama".