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quinta-feira, 15 de março de 2018

Tiram-me do sério!



Situação constante:

Um colega na casa termina o seu duche e depois abandona a casa-de-banho. Nisto, escuta-se o som de água a correr, sinal indescutível de que deixou a torneira da banheira aberta. O que acontece?

1) A pessoa percebe a situação e fecha a torneira.
2) A pessoa ignora e deixa a água continuar a correr.

Pois nesta casa os colegas preferem deixar a água a correr.

É algo que me tira completamente do sério!


Agora mesmo aconteceu o seguinte: a rapariga entrou na casa-de-banho e pôs-se a escovar os dentes. Eu passei pela porta logo a seguir e consegui escutar o som da água a correr com toda a facilidade. É impossível que ela, lá dentro, não percebesse que tinha deixado a torneira aberta!

Ontem, depois de tomar banho, também deixou essa torneira aberta. E saiu de casa, deixando a água a correr.

No Domingo, o indivíduo, que só trabalha aos fins-de-semana por cerca de 12 horas, também deixou a água na banheira a correr. E para mim era impossível ele não escutar o barulho que a água faz ao cair. Principalmente sendo um quarto para as sete da manhã, altura em que a casa está mergulhada em silêncio total. Ele ainda perde tempo a passar pela porta semi-aberta umas tantas vezes, enquanto anda pelo corredor. Ficou cerca de um minuto no fundo das escadas, estando o banheiro mesmo ao cimo dos degraus. É IMPOSSÍVEL eles não darem conta dos seus próprios atos. 

Impossível.
E isto está a deixar-me doida!


Ao invés de tratar da minha vida, perco tempo a desabafar sobre estes comportamentos absurdos  que me estão a perturbar. Subitamente dei por mim a perceber que me impõem o papel de educadora de infância e dou por mim a presenciar comportamentos que só existem em creches. É aos miúdos de cinco anos de idade que se tem de ensinar que uma torneira não se pode deixar aberta, que eles têm de a fechar depois de terminarem de as usar e são estas educadoras de infância que têm de ir onde os meninos estiveram para organizar, limpar e arrumar a bagunça que eles deixam para trás.

Mas o que sou eu?
Vivo numa creche??

No sábado, fechei a torneira. A muito custo e incomodada. Porque o indivíduo deixa sempre a torneira aberta, é muito enervante. Tem preferencia pelos dias em que vai trabalhar, o que significa que, não fosse estar outra pessoa em casa para se dar conta do sucedido, a água ficava a correr por 12 horas. 

Uma vez irritei-me tanto por ele fazer isto duas vezes consecutivas, que decidi não fechar a água. Ele que aprendesse a girar a torneira até esta prender e fechar, caraças! Eu não sou mãe deles. Fiquei a imaginar que, eventualmente, acabaria por se dar ao trabalho de fechar a torneira ele mesmo. Mas qual quê. Não o fez. Voltou a ignorar.

Agora a rapariga fez o mesmo. Deixou a torneira a correr ontem de manhã. E eu decidi que não ia corrigir o que ela intencionalmente deixou de fazer, não ia ser a maezinha dela. Já me basta ter de andar a fechar torneiras atrás de um, agora dois?? 


E isso incomoda-me, porque sei o quanto a água é preciosa e que em certas partes do planeta escasseia. Por isso mesmo a revolta por eles a deixarem a correr é ainda maior! Eu sou capaz de afirmar que é um crime ecológio e humanitário mas neste país, aparentemente, o desperdício é algo que não lhes pesa na consciência.  Tanto ela como ele percebem muito bem que deixaram a água a correr porque não são surdos e andam pela casa até eventualmente sairem só para regressarem horas depois. A água não está incluida nas contas que pagamos, talvez daí esta total despreocupação com o seu desperdício. 

Perturba-me o estômago.


quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Nova inquilina e as coincidências que não param



Tenho uma nova colega de casa.
Apareceu no último dia de Fevereiro. 

Foi uma total surpresa para mim, ninguém me disse nada, por isso não estava à espera. 

Quando cheguei no dia 22 o indivíduo veio bater-me à porta para me pedir dinheiro para as contas do gás e electricidade (inclusive para cobrir a semana em que cá não estive). Aproveitei para lhe perguntar se já havia alguém novo para cá morar.



"Não sei de nada" - respondeu.


Eu devia ter suspeitado que vinha aí alguém. Porque ele voltou a recorrer à mesma técnica de vir pedir dinheiro na véspera da nova inquilina se mudar. E não aceitou adiar para o dia seguinte - dia da chegada dela. Porque já sabia que ela ia aparecer. Mas mencionou-o? Não! 

O modus operandi dele não varia muito. Quase nada. 
É até enjoativo, depois de se perceber, vê-lo a "trabalhar".

A rapariga chegou e durante horas ninguém me disse nada. Não fosse eu descer à cozinha num momento em que os dois falavam e nem lhe tinha visto o rosto. Tal e qual como aconteceu com a outra. E é ele que gosta assim. Caso contrário, teria mencionado a sua chegada e também feito as apresentações.

Ele nem gosta que alguém mais queira conhecer a pessoa. Não antes dele, pelo menos. Tem de ser ele o primeiro a ter contacto imediato e estabelecer as regras. Porque assim, caso eu queira opinar e for contra algo que ele já disse, pouco posso fazer, além de ficar mal vista com a nova colega.

Eu queria poder a receber com um: Bem vinda! Como te chamas? Olha, queres isto, aquilo, funciona assim, deixas aqui dinheiro para as contas... 

Ele faz questão de se apoderar da pessoa e não a larga tão cedo. Não dá espaço para que outros se aproximem. Assim que eu entrei na cozinha ele não pareceu agradado. Hesitou e depois disse-me o nome da rapariga. Apertei-lhe a mão, disse-lhe o meu nome e não tive tempo para olhar o rosto dela como deve de ser, porque ele fez questão de sair da cozinha para continuarem a conversa longe de mim. 

Foi com a sensação "já vi isto antes" que percebi que ele, com o pretexto de lhe mostrar a casa (que já havia mostrado, como é óbvio), ia sondando a vida da rapariga. "Amanhã vais trabalhar?", "Quantas horas trabalhas?", "Quais as horas a que trabalhas?", "Quando folgas?", "Onde é que trabalhas?". 

E como quem não faz de propósito mas já com tudo mais que estudado, faz perguntas em duplicado ou triplicado. "Disseste que amanhã vais trabalhar?".

Nada disto é conversa trivial. Tudo serve um propósito egocêntrico.

Conhecer de imediato os horários de todos da casa é algo que ele sempre tenta fazer. Agrada-lhe ser detentor de todo esse conhecimento e saber exatamente quando tem a casa só para si. Quer estar no controlo de tudo, ser o único que sabe a que horas é que fulana sai de casa, se sai para trabalhar ou vai de férias, ou dar um passeio. 

Estou aqui de mangas arregaçadas e incapaz de descansar e relaxar exatamente por causa do calor excessivo que sinto na casa. E não posso desligar a porcaria da caldeira que o homem não deixa. É quase meia-noite e a caldeira está ligada consecutivamente há 9 horas. Mais sete horas que esteve da parte da manhã e temos um consumo exagerado de gás. 



Uns são mais friorentos que outros mas eu acho isto um exagero. O bafo quente que me atinge os pulmões assim que abro a porta do quarto para o corredor, até me assustou. É muito abafado. A porta do quarto dele fica ao lado, e ele a tem encostada. Só podia vir dali a fonte de calor. Estiquei a mão até a abertura e o calor que radiou dali fez-me supor que o radiador devia estar perto. Ele só pode estar também a morrer de calor ali dentro. Mas por algum motivo de gosto pessoal prefere assim. O mal está que impõe essa preferência aos restantes e esta têm consequências económicas.

Em termos financeiros é um roubo: sozinho ele é responsável pelo consumo diário de 5 euros só de gás. 

Isto é um regime DITADORIAL... 
E o ditador é quem manda. Quanto dinheiro quer, quando, por quanto tempo, quem o dá e quem não o dá.

Por mim, quase nem ligava a caldeira. Nem sempre sinto frio que o justifique e não aprecio o ar pouco oxigenado que os radiadores provocam.

De momento não tive opção: tive de abrir a janela.
E estou a gostar. Calor e ar fresco. Delícia!!

Acho que devia ir morar para países escandinavos... 
Aqueles onde as pessoas vão nuas para as banheiras de água quente externas à casa, no meio da neve :D