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quinta-feira, 11 de abril de 2019

Reutilizo tudo o que me vem parar às mãos: inclusive tubos de pasta de dentes (que quase não uso)

Como muitos por aqui já sabem, não sou muito consumista ou de desperdiçar. Estou verdadeiramente optimista em relação a mudanças de práticas sociais que poluem o planeta e a cabecinha das pessoas.Vejo uma crescente preocupação em facultar produtos alternativos ao uso do plástico. Claro que tal acontece porque a alternativa é um grande negócio. E por essa razão muitos mergulham nela. Mas se o preço para deixarem de fabricar tudo em embalagens plásticas for esse, não é muito a pagar para ter o planeta de volta ao que era no tempo dos nossos bisavós. 

Falta agora retornar o interesse mundial por produtos alimentares com gosto e produção natural. Mas aí não há lucro, não há dinheiro a ganhar, e por isso a industrialização alimentar e o segmento "produto mais-caro e não mais saudável biológico" não vão sofrer alterações tão cedo. A nossa saúde vai continuar a diminuir e a nossa alimentação vai ainda ficar mais parca em nutrientes. No futuro a única coisa que vai aumentar são os casos de pessoas com problemas e a precisar de ir aos hospitais sabendo que não são desejados, tal vai ser o caos. 

Mas pela saúde do planeta... o plástico tem os dias contados. Pelo menos nos países de primeiro mundo. As alternativas tornaram-se rentáveis. Abriram-se possibilidades de negócio. As pessoas vão abandonar uma prática feia e suja que já não rende, por outra que lhes vai dar mais.

Hoje empolguei-me por estes produtos:
Sacos plásticos em silicone e shampôo em barra. 

Empolguei-me, mas não emburreci. 

Dimensões aprox. 19 x 19cm  capacidade aprox. 400 ml
Preço: 15€ / unidade

Primeiro, a durabilidade do silicone tanto pode ser a esperada, como surpreender pelo desgaste. O "saco" e uma coisa minúscula. Não vai poder conservar no interior algo mais que pequenos vegetais ou fruta. Tem umas asinhas de frango para meter no congelador? Esqueça. O volume de cada saco é diminuto. Mas o princípio está cá e é interessante. 

O que o produto tem e não tem que pode interessar: 
1) não contém PVC/latéx petróleo ou derivados
2) Antibacteriano (a sério??)
3) Fecho pinch-loc para selar os produtos (coloque dúvidas quanto à eficácia) 
4) Pode ser usado no micro-ondas (descobrir até que potência), ir ao congelador, frigorífico, forno (potência? Alguma substância nociva se liberta ao alterar a temperatura?) e pode ser enfiado em água a ferver.
5) É reutilizável (dah!), lavável à mão ou na máquina. 

Não dizem quanto tempo dura. Ms também, deve depender da utilização.
8€

O shampôo em barra atrai-me bastante. Fiquei fã deste género cómodo e fácil de tratar da higiene. Adoro o meu sabonete e gostaria de passá-lo pelo cabelo, mas desconheço se é recomendável. O cabelo já não é farto, lustroso e grosso. Está parco, como sabem, caminho para a calvice. Por isso, neste departamento, preciso de alguma garantia de que não irei acelerar esse processo. No site onde encontrei um desses produtos, aparecem comentários de utilizadores. As opiniões dividem-se mas as mais detalhadas revelam o produto como um flop. Por mais optimista que o cliente tivesse, verificou que no seu caso, o cabelo começou a cair em maior quantidade e enfraqueceu. E o que é pior: uma utilizadora ganhou uma reacção alérgica! Não sendo ela alérgica a nada e sendo aquele um produto todo "natural". Preocupante.

A vantagem deste produto, além da obvia que é te veres livre de umas tantas embalagens plásticas a poluir visualmente o espaço no teu banheiro, é que dura o dobro do shampôo convencional! Dizem que esta barra equivale a duas embalagens de shampôo líquido com 200ml.

Desvantagem, que só eu vi: No site dizem isto do shampôo:

Ora, se não testam no pêlo de animais, então estão a testá-los em humanos. Nós somos as cobaias. Por isso as críticas de reacções cotâneas etc. O que é um pouco mau... Tudo bem, em prol dos animais... mas para estes não serem as cobaias, somos nós. Isso não é inteligente ou ético. O produto e os ingredientes que lhe dão origem não é testado em pêlo vivo até o esfregares no teu cabelo. 

E vocês?
O que acham disto?

segunda-feira, 4 de março de 2019

Aprender a ser MALEVOLA Ahahahah!


Há uma coisa que nunca aprendi: ser malévola.
Saber manipular as situações e ser oportunista.
Mas gostava de aprender.

Acho que um pouco de know how nestas artes ia trazer algo de bom.
É que por vezes, a minha ingenuidade espanta-me.
Já não tenho idade para ser tão idiota.
E dou por mim a ser.



Dito isto, hoje vejo a rapariga-amiga a passar pela sala, banho tomado, toalha na cabeça, enquanto eu estou a comer uma sopa que aqueci no microondas. Passadas umas horas, a casa está toda pestilenta com o cheiro forte de cozinhados. É quando volto à cozinha. Quero preparar algo para comer enquanto todos já a usaram e a tenho disponível, não ando a alimentar-me bem. Sei que todos saíram, porque só cá estava a rapariga "emprestada" e o rapaz. Que foi trabalhar. Desci e deparei-me com duas italianas na cozinha. Duplicam-se. Estavam a lavar a louça que usaram para comer. DUAS. Não uma... duas. A mesma que cá esteve ontem. 

Mas será que dormiu cá?

Não pude mais avançar com os meus planos, pois precisava de usar a torneira e tive de esperar que elas terminassem. Isto tudo sempre com elas a falar entre si, em italiano e eu ali, a remexer na minha gaveta de congelados, à procura de algo nutritivo que fosse rápido de fazer. Eu é que parecia ser a sobresselente. Está SOL na cozinha. O tempo está horrível e o sol aparece pouco. Apeteceu-me ficar por ali. Olhei para a sala, espreitei a televisão. Continuava acesa com a imagem pausada no menu com os picks de vários episódios de uma série. Ponderei se podia usar a TV. E depois percebi...  para todos os efeitos... esta é a casa onde moro. Supostamente TODOS os meus colegas estão ausentes. E nem assim tenho a TV disponível? 

Foi quando reparei que uma estava com o comando na mão, bem sentada no sofá em frente ao televisor. Ficou claro que iam ficar ali a ver episódios da tal série. 

Sem ser pelo sol, nem me apetecia muito ficar. Mas aquela «apropriação» do espaço, o não poder estar sozinha em casa quando todos estão fora, esta hóspede que traz outra para se entreter, que encontro pela casa sempre a comer, em horários em que tantos estão nos seus empregos... subitamente tudo isto pareceu-me de mau tom. 

Fazem-me sentir má pessoa. E eu sei que não sou. Gosto de ajudar o próximo. Teria gosto em as integrar. Mas não consigo digerir estas novas formas de sociabilizar. Chegam e não são sequer apresentadas, não se apresentam, não puxam conversa com quem cá mora e não conhecem, nem sequer perguntam onde meter um prato, um copo... enquanto usam os utensílios da casa. Usufruem do espaço na boa, batem com as portas ao ponto de ser irritante, dão gargalhadas atrás de gargalhadas. Nada de cerimónias. 

Bem sei que a casa é toda italiana e que as duas, sendo italianas, devem ter deduzido que iam ficar na casa de italianos. Como eles mesmos tanta vez o disseram: "Esta é uma casa de italianos". Mas eu existo... também estou aqui. Caramba!  

O que fiz de seguida não devia ter feito. Digo que não devia, porque acho que foi um indicativo. De telemóvel em riste, fui aos interruptores verificar se as lâmpadas da sala se mantinham avariadas. É que, tirando as do teto, as das paredes subitamente deixaram de ligar. Isto já faz algum tempo. 

Nós temos um senhorio que, felizmente, gosta de ser avisado quando algo nao está bem. Mas ninguém lhe disse nada. Talvez para não o ter por perto. Agora que a vida dele ficou mais ocupada, a verdade é que deixou de aparecer quase diariamente, como fazia.

E com isso, notou-se que certos hábitos que mantínhamos por causa da sua vigilância, decaíram. Como por exemplo, o de desligar a tomada do televisor. É um requisito dele: ele não quer o aparelho em stand-by. Quê-lo sempre desligado. A porta do chuveiro também se soltou e está mal encaixada. Aos poucos, a casa começa a acumular avarias e isso nunca é bom.

Depois fiz aquilo que queria fazer desde que notei o problema na electricidade: avisei o senhorio da avaria, para que ele pudesse verificar o que se passa. Não sabendo quando ia aparecer. Ele tem os seus compromissos e já não está a morar perto. Só o alertei.

Como eu gostaria que ele apanhasse estas situações em flagrante! Como é que ele ia agir, caso visse duas estranhas dentro da sua casa, a lavar a louça, à vontade e de pantufas?? COMO é que ele ia agir se as visse sentadinhas no sofá a ver televisão? Sozinhas, desacompanhadas de quem cá mora?

E é por isto que eu digo que devia aprender a ser MALÉVOLA.
Um pouco de tudo na dose certa não faz mal a ninguém...

Podia ter planeado isto. Tentado atrair o senhorio para o flagrante. Duvido muito que ele esteja a par da situação da "hóspede". 

Ele acabou por aparecer dali a minutos. Mas nessa altura, as duas até parece que foram alertadas. Subitamente enfiaram-se no quarto e, ao contrário do comportamento dos outros dias, ficaram em silêncio. Nada de horas de risadas e portas a abrir e fechar. Que aliás, é o som que escuto delas agora. Depois de sossegadas lá devem ter percebido que já podem estar à vontade.

Sou uma idiota.
A frase acima de facto confirmou-me isso.

Mas nunca se sabe se um dia conseguirei ser malévola.
É preciso ser-se idiota para se entender os benefícios na dose certa de certas atitudes tidas como menos adequadas. É que de atitudes e comportamentos bons entendo eu. E a frase acima está correta. Pessoas muito boazinhas são idiotas. 

---------

Actualização:
De noite uma colega deixou uma mensagem no chat a dizer que alguém estava a usar a sua gaveta de congelados e ela precisava do espaço. Por isso ia deixar embalagens de carnes, feijão verde, batatas para fritar e batatas para assar na bancada. Não sabia de quem eram. Como nas primeiras semanas ela não usou a sua gaveta e eu precisava de espaço, pedi-lhe se uma comida que tinha podia permanecer ali e ela consentiu. Não quis que pensasse que desde então não as tirei como prometido e continuei a colocar lá mantimentos. Pelo que respondi-lhe que não tinha lá mais nada.

Só tive tempo de escrever isso e logo escutei vozes femininas jovens a dialogar com a dela. Só então ocorreu-me que pode ter sido a "hóspede" a meter as coisas lá. Ao ouvir a comoção, lembrei-me de colocar a possibilidade no chat. E escrevi: Pode ter sido a nova rapariga. Talvez o rapaz tenha espaço livre na sua gaveta. (para as coisas não ficarem na bancada a estragar). Espaço de congelador é o que menos há na casa. Sempre foi do que me queixei. É pouco para os que cá estão, está tudo cheio. E vem para cá viver de favor uma miúda (ou duas, já nem sei) e... compra congelados para os ir consumindo quando lhe apetecer? Mas quanto tempo pretende cá ficar? Um mês??

Lembro-me que fiquei cinco dias a viver na primeira casa a "favor", embora a contribuir para as despesas. Mas fiz questão de dizer que só ia puxar o autoclismo, de resto não ia cozinhar nem lavar roupa. Só precisava de internet e do sofá, onde dormi até o meu quarto ficar vazio.

Enquanto não ocupei o quarto não usufrui do espaço como normalmente. Na hora do almoço, saía de casa para deixar os restantes à vontade. Comi sempre saladas do supermercado, na rua. Não cozinhei, só tomei dois duches... pedindo permissão e dizendo que ia ser rápida.

Sou tão diferente que não sei... Muita vez duvido de mim mesma - outra coisa que tenho de aprender a equilibrar. Uma pessoa põe em dúvida os valores que lhe foram transmitidos como corretos para aquela circunstância.

Mas quando coisas destas acontecem é que percebo que não estou errada nas minhas presunções.

Cá está o que disse acima... se as raparigas tivessem dialogado, se comportado normalmente numa casa onde estão de favor, não dava em merda. Estão a usar o espaço como se fosse delas, sem cerimónias, sem perguntar onde colocar um prato... fica mal. Dá problema.


Mas a "malévola" não soube entrar em acção. Ia para deixar escrito "talvez tenham sido as miúdas que estão no quarto da P" - o que deixaria explícito a presença de hóspedes.

Não escrevi assim. Não especifiquei.
Ainda tenho muito a aprender ahah.




quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

A jarra saltitante


Não estive para me aborrecer, então nem desci à sala ontem.
Não fosse dar conta que a jarra foi novamente removida do local.

Mas desci agora à pouco...
E a jarra foi NOVAMENTE removida da lareira e colocada na berma da mesinha.

Gostava que quem está a fazer isto me desse UM BOM MOTIVO para o fazer.
Vou perguntar-lhe na cara: "Dá-me um bom motivo".

É que eu não vejo nenhum. A não ser má vontade, má indole, pirraça, coação... só coisas más.

É que é todos os dias - por vezes mais que uma vez (se eu der pela jarra removida de noite e a recolocar no lugar) pela manhã já a removeram. Acho espantoso que tenham montado a árvore de natal mesmo ali ao lado - que é suposto trazer o espírito Natalício e a compaixão entre os Homens, e desde que ali a puseram já retiraram a jarra mais de cinco vezes. Uma atitude tão feia. 

A jarra não estorva, não impede que se vejam ao espelho, não está no lugar de nada que ali estivesse antes...
No meu entender, o problema está em alguém na casa não saber partilhar espaços e achar que a sua vontade é a que tem de ser seguida. 

Porra... e eu que deixei um pai e uma mãe com essa forma de ver as coisas lá atrás, na adolescência. Porque será que sempre há quem adopte esses comportamentos?




segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

E sai hoje... a que-vai-sair vai de vez


Não cheguei a contar, mas dei uma escapadinha até Portugal.
Fui apanhar um pouco do espírito Natalício. Por mim, o Natal foi enquanto lá estive. E não preciso mais dele.

Percebi isso no dia seguinte ao  regresso. Quanto cheguei, entrei em casa todos os italianos estavam na sala. As suas caras de surpresa revelaram-me que esperavam que demorasse mais a aparecer. Só entendi a palavra "retornato" pronunciada algumas vezes, aparentemente referindo-se a mim. Se ficaram descontentes por não me terem fora por mais tempo, temos pena, ahah. Desta vez, não lhes dei a notícia com dias de antecedência. Nem disse em que dia ia voltar. Essas coisas que fazia sem dar muita importância, por não ver mal algum, não quero mais fazer. Quando são eles a viajar fazem questão de manter isso em segredo. Sabem entre eles e com todos os detalhes, mas não partilham com os outros na casa. Ainda hoje uma se foi, vi-lhes as malas, mas nada disse. Não a mim, que não interesso. Ainda me corre nas veias a cortesia de avisar, pelo que deixei escrito no quadro - como habitualmente, a informar que ia ficar fora até o final da semana. Mas não especifiquei o dia... Aprendi com a italiana-mais-velha e o italiano-rapaz, que nos informou há duas semanas quando ela subitamente desapareceu, que estava a viajar mas voltava numa quarta-feira. Só que voltou foi numa segunda. 

E ao me verem entrar, lá repetiram "estai retornato" ou algo do género. 
Qual é o espanto? Se vivo aqui? "Retornato" foi inesperado, foi? Fez-lhes comichão?


Após arrumar as coisas que trouxe comigo, subi ao quarto para descansar. Precisava, não tinha dormido na correria de fazer tudo e apanhar o avião bem cedo. 

Quando desci percebi que haviam decorações de Natal e uma árvore montada na sala. Mas saí porta fora, tinha de ir trabalhar. Foi só no dia seguinte, quando entrei na sala e vi a árvore com mais atenção, que percebi que aquilo não era o meu Natal. E que aquelas decorações bem podiam ser desmanchadas que não me ia causar tristeza.

Não foi só por ter apanhado o espírito Natalício em Portugal. Foi mais por me terem privado dele aqui. Sim, privado. Eu havia perguntado quando iam montar a árvore. Mostrei interesse em participar. Nisto chego a casa mesmo antes deles se porem a fazer as decorações, oiço-os falar algo em italiano nesse sentido, e nada de me convidar? Olha, portuguesinha, junta-te a nós e vamos por as decorações de Natal juntos?

Que cozam num caldeirão de cozido à portuguesa...

E a "estrelinha" no topo da árvore foi ontem. Quando ao final da tarde desço para a sala e verifico que uma visita que escutei entrar na casa para almoçar e espreitar o quarto que vai vagar, ainda perdurava pela sala. Prontificou-se a sair rápido, assim que apareci (se soubesse tinha aparecido mais cedo, mas foi por pura casualidade que não o fiz - não me apeteceu e só senti vontade de dormitar). Mas não se foi embora sem antes as duas me presentearem com esta conversa, em ITALIANO.

-"Questa non labora" -diz a mais-velha à visita.
-"Come non?!"
-"Non labora diesde a Setiembre e era quatro giorni fuori".


Mas que é isto...?? A manter um registo mental das minhas actividades e a falar da minha vida assim, gratuitamente, com uma estranha? Quem lhe passou procuração? De início até me agradou que a minha presença não tenha resultado nos habituais constrangimentos e interrompido o fluxo da conversa. Falavam em Italiano sem parecer que estar ali lhes incomodava. Foi a primeira vez que tal aconteceu e agradou-me. Mas enganei-me. Quando começaram a dizer "portuguesi" e "portucalo" comigo ali... já comecei a estranhar. A fazerem referência a nós, como povo, ou a mim em particular, na língua deles, comigo presente? Que má onda... 

Então sempre é verdade... usam o italiano para falar sobre a pessoa que está presente sem que esta entenda. Mas se isso significa que vão falar de mim na minha frente aproveitando-se do facto de acharem que não capisco niente de italiano... enganam-se. Estou a melhorar o meu entendimento da língua que vai ser falada nesta casa praticamente em exclusivo. Ter sido a mais-velha a agir assim não devia surpreender-me, porque, no fundo, já lhe vi a careca. Mas ainda assim, choca-me. Ela, que ficou toda irritada nas primeiras semanas em que me mudei para esta casa. Um antigo inquilino passou por cá para levantar uma encomenda e calhou referir que existiram situações chatas aqui dentro, mas que decerto a "mais-velha" já me tinha posto a par. Ela ficou enervada - notei-o no rosto, interrompeu-o com uma voz doce, para dizer: "mas o que ela vai ficar a pensar de mim? Achas que eu sou quadrilheira? Eu não falo da vida dos outros". E quando este se foi embora e mencionei tê-lo achado simpático, franziu o nariz e disse que era muito metediço e inventava coisas sobre a vida dos outros. Repreendeu-o por ter dito o que disse sobre ela, pois ela não anda a falar da vida alheia.

PIMBA!

Já diz o provérbio: mais depressa se apanha um mentiroso, que um coxo.   


terça-feira, 13 de novembro de 2018

Hostilidade



Deixei um rabisco colorido a um canto no quadro a giz da cozinha. Tem lá estado há semanas. Escrevem-se mensagens, apagam-se, mas o rabisco colorido fica lá. Não faz mal a ninguém, não incomoda. Certo?

Pois hoje passei pelo quadro e vi que alguém riscou o rabisco não com um traço, mas com vários riscos. Talvez com fúria. Talvez não. A questão é: porquê? Porquê haveria alguém de se dar ao trabalho de pegar no pau de giz, transferir pó para os dedos, para riscar um inocente padrão colorido?

No meu íntimo sei que é um sinal de hostilidade. 


A jarra que encontrei no chão quando cheguei de férias - a única peça que me pertence que coloquei na sala, continuou no chão por uma semana. Quis entender se alguém a ia colocar de volta em cima da lareira. Não existiu aparente razão para ser removida. Não colocaram nada no seu lugar. Pareceu-me apenas que tinha sido retirada por malícia. Como se ao removê-la o proprietário pudesse ser afectado. 

Ao limpar a sala, tornei a colocar a jarra no sítio. Uma semana depois uma colega recebeu um cartão postal e decidiu colocá-lo bem ao lado da jarra. Na manhã seguinte remove a jarra para um canto, para colocar o postal no centro. A jarra ficou numa das bermas. Daqui a nada volta para o chão, estou a imaginar. Em sete dias, ela colocou mais três cartões. E estão todos ainda ali, em cima da prateleira, onde os deixou. Porque não existe malícia de parte de terceiros em removê-los do lugar. Penso que cartões de aniversário são artigos pessoais que se querem guardar a nível pessoal, pelo que têm um interesse para uma pessoa só. Não é como se fossem votos de feliz natal, que é algo que, mesmo personalizado, pode ser deixado exposto antes e durante a quadra natalícia. Por norma, numa casa partilhada, é o tipo de coisa que ocupa um lugar comum por pouco tempo, depois deve ser retirada e guardada com carinho. Até mesmo para não se estragar ou desaparecer. 

Mas isso é a minha forma de pensar. Se calhar estou errada. Tendo em conta o historial da casa - as porcarias deixadas por toda a sala por meses, se calhar os cartões de aniversário vão ficar ali até o ano seguinte.

O que eu percebi é que sentiu necessidade de os exibir. Como se para mostrar aos restantes que tem pessoas que a acarinham e gostam de si. Ela contou-me que tem muitos amigos por onde passou, grandes amigos. Vive cá há 12 anos, tem família a viver por perto, pelo que acreditei. E acredito. Contudo, perguntei-lhe se fazia anos quando trouxe do emprego um ramo de flores. Respondeu-me que o aniversário era no dia seguinte. Prontifiquei-me a meter umas velas num bolo que havia comprado e cantar os parabéns, já que também lhe havia perguntado se gostava de festejar os anos. Respondeu que sim, gostava, mas quando quis saber o que pretendia fazer, respondeu "nada". O que me surpreendeu. Então gosta de celebrar, tem tantos amigos, e não faz nada?!? Diz-me que não gosta de ter a casa vazia e liga a televisão para escutar vozes, por não gostar do silêncio, da falta de pessoas. Cada vez que alguém quer fazer uma festa aqui, ela parece-me muito satisfeita. Por estas razões, mais o ter tantos amigos e ser fim-de-semana, estranhei. Ela trabalha apenas durante a semana, tem o sábado e domingo livres. E era o seu aniversário. Podia ir visitar quem quisesse. Podia ir passear, sair, divertir-se. Esteve um sábado espetacular, com sol. Contudo, não o fez. Ficou o dia, a tarde e a noite na sala, sentada no sofá, com a televisão acesa em contínua programação e o telemóvel na mão. Que é o que sempre faz.

Que raio de aniversário escolheu ter! Para quem disse gostar de o celebrar, quero salientar.


Há coisas que não batem certo. Até neste simples facto constatei que, se os italianos estivessem cá naquele dia, o «seu» aniversário tinha sido diferente. Tinha tido festa e convidados. Mas como não estavam, ela não sai da rotina. Disse-me que não queria o bolo que lhe ofereci, que era mau ter um bolo que tinha decoração de halloween... Ora, eu não sabia que ela fazia anos, comprei aquele bolo para partilhar com quem mais o quisesse. Teria improvisado uma deliciosa celebração com gosto e sinceridade. Eramos só nós as duas na casa naquela ocasião, por mim fazia-se algo. Mas ela mostrou-se pouco receptiva e então recuei. Não ia impor a minha presença, se não parece ser essa a sua vontade. Dei-lhe espaço, para gozar o dia como desejasse. E desejou ficar a manhã, tarde e noite a ver televisão na sala. Quase lhe perguntei porquê não ia ao cinema, ou sugeri ir com ela almoçar fora, pelo menos, seria diferente. Mas não me intrometi. Como disse, deixei-a estar. Porém, para quem gostava de celebrar aniversários, teve um muito solitário.

O ramo de flores que os colegas de emprego lhe ofereceram, veio enfiado num saco com água. Assim as recebeu, assim as deixou na beira da mesa da sala de jantar, encostadas à parede. Nada de abrir e tirar as flores do plástico, nada de as compor e escolher um local para embelezar. Estão a murchar, a água nunca foi trocada, as flores parecem ter sido esquecidas naquele canto, onde nem se dá por elas, onde são desperdiçadas. Podia muito bem tê-las composto numa jarra e as colocado no centro da mesinha redonda, ao lado da poltrona, perto da porta que dá para o jardim. Ficariam tão bem! Dá um ar de cuidado, de atenção, até mesmo de apreço para com as flores recebidas Mas não. Ali as deixou, ali ficaram, ali vão ficar até as meter no lixo.

É esquisito. Ou há algo mais nisto, ou é o «sangue italiano» que é muito particular e os faz inclinarem-se mais para o convívio com outros italianos. Afinal, durante a 2ª GG, identificaram-se com os valores narcisistas e separatistas de Hitler. Se calhar não é à toa que gozam de uma reputação excessivamente nacionalista e conta-se que olham com maus olhos quem entrar no seu país e não saber falar a língua. Sei por facto, que olham com repulsa para as pizzas pré-fabricadas. Mesmo que a massa tenha sido feita fresca na loja, para eles, aquilo não é pizza e é sacrilégio levar uma à boca. Pizzas de verdade têm de ser feitas de raiz, com ingredientes específicos italianos de origem italiana e sem variações. Ananás na pizza? Nem fales disso, se queres manter uma relaçao com um deles.



 São todos muito "educados", com os "bons dias" e "olás". Mas é só isso. É frio e distante. Em todas as outras coisas que servem de sinais de aceitação, falham. Já dei exemplos: nunca convidarem para jantar, fazerem festas e trazerem pessoas cá para casa sem estenderem, pelo menos uma vez, um convite a ti ou sequer te comunicarem que vão receber pessoas. Recusarem todas as vezes que lhes ofereci comida ou disponibilizei mantimentos, não mostrarem interesse em ter uma conversa com algum conhecimento pessoal, etc, etc. 

São esses os "sinais" indicadores de que uma pessoa quer estar contigo e está aberta a te conhecer. Por exemplo, a "mais nova" faz isso. Ou melhor, fazemos. Posso ter uma conversa com ela, já trocamos informações pessoais. Aquela cuja presença eu mais temia por a saber amiga de outra na casa ao lado, onde mora a vizinha histérica, acabou por ser a mais normal. É amigável. As coisas fluem naturalmente, as reacções são naturais. Os italianos... não sei se é o "lote" que me calhou, mas... não mostram interesse em ti. Dizem os "bons dias" e pronto. Ficam-se por aí. E unem-se de uma maneira que não é bonita de ver. Uma das italianas nunca limpou a casa. Nem sequer uma vez. Seria de esperar que os próprios amigos a chamassem à atenção e reclamassem. Mas não. Ser italiano nesta casa parece ser um cartão de impunidade, como aquele "livre da prisão" do jogo monopólio.

No Domingo, sem nada dizerem como habitual, a mais velha recebeu na casa a ex-colega, a jovem mal-educada que cá viveu com o namorado. De quem eles não gostavam muito mas, como era o «escolhido» da compatriota, acabou aceite. Mas sempre com «pé atrás». Tanto que quando os dois sairam daqui para irem viver juntos, a mais "velha" vaticinou que a mal-educada ia arrepender-se, que ele ia "fazê-la sofrer". "Tem mais chances de ser o contrário" - pensei.

Dei conta de alguém entrar na sala por volta das 11 da manhã. Mas não fui logo espreitar quem era, não faz o meu género. Dei espaço, tempo, privacidade. Só não contava é que traçassem de imediato uma barreira. Porque o hábito de fecharem a porta da sala regressou assim que a outra se enfiou cá dentro. Até à meia-noite, mantiveram-se na sala, de porta fechada. Quando finalmente desci para me servir de algo na cozinha, cumprimentei-as (foi então que vi quem era) mas não puxei conversa, porque assim que me ouviram aproximar, pararam de conversar. Ficou um silêncio estranho, trocavam olhares mudos, como se a minha presença as incomodasse. Até podiam estar a falar de assuntos particulares, íntimos, desabafos. Tudo bem. Mas cá está: é a atitude como um todo.

Uma pessoa normal - a meu ver - quando é interrompida no meio de uma conversa privada, é capaz de cumprimetar outra, meter conversa de "chacha" e depois sabe que pode retornar ao assunto sério. Não podem esperar estar a dividir uma casa com terceiros e ocupar a sala por 13 horas, sem serem  interrompidas. Não é bonito. Deviam, segundo as minhas normas de boa educação, dizer: "Olha, portuguesinha, fulana X vem cá. Ou está cá em baixo. Vem dizer um olá. Vamos beber um chá, queres um também?".

Coisas assim. Normais.
Vocês não acham que isto é que é um comportamento normal? Educado, ao menos?

Eu tenho um palmo de testa... se percebo que querem ficar sozinhas na sala, não ia ficar ali a empatar. Quem empata são elas, que tomam o espaço para si, fechando a porta, já de si uma forma de fechar a entrada a terceiros. E quando te vêm chegar ficam a olhar para ti como se tivesses interrompido algo e a desejar que vás embora. Depois aparece o desenho no quadro a giz rabiscado...

É desnecessário.

Não existe convívio orgânico, paciência. Não vou morrer por isso, não vou embora daqui nem vou alterar o que tenho de bom. Vou continuar a dizer os bons dias e a perguntar como foram as suas férias (ninguém quis saber das minhas). Porque esse interesse é genuíno em mim. Não pretendo perder o que não está mal para ser perdido. Posso nao lhe dar o uso que esperava, mas não vai secar. Ao contrário: vou mostrar outra forma de reagir a uma situação e talvez esse exemplo seja seguido, talvez não, e prefiram ir rabiscar mais desenhos deixados por mim no quadro.

Porque vão estar rabiscos no quadro, sempre que me der vontade. Não vejo mal algum nisso.

Mas é factual e tem de se aprender a viver com as cartas que nos são dadas.
Podiam ser outras, podiam ser melhores mas também podiam ser bem piores.

Por mais que alguém nos diga que foram criados a convidar outros para partilharem as refeições à mesa, tem de se acreditar é no que se vê, não no que se ouve. Talvez tenham sido educados assim, esqueceram foi de estender o convite a não-italianos. Já os portugueses, foram criados a: " ♪ e se à porta humildemente bate alguém, senta-se à mesa com a gente  ".

Esse alguém não tem de ser português.

" ♪ fica bem essa franqueza, fica bem. E o povo nunca a desmente ♪  ".
"♫   a alegria da pobreza, está na grande riqueza, de dar e ficar CONTENTE ♪  ".

Palavras tão certas.


terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Upgrades - o ambiente de casa


Caminhava em direcção a casa e quando estava quase a chegar, vejo o indivíduo sair pela porta. Aquele a quem não quero por a vista em cima desde a agressão à qual me sujeitou. Infelizmente moramos na mesma casa mas quase não o vejo, porque eu o evito e espero que ele faça o mesmo. Até hoje só o vi uma vez, antes de ir para Portugal - e o cumprimentei com um "Olá", mais nada. Porque sou educada e não perdi a educação. Ele respondeu com outro e cada qual afastou-se. Mas eu não sinto uma boa energia vinda dele. E essa é uma das razões pela qual venho a sentir inquietude.

E hoje ela intensificou-se quando o avistei. Senti mesmo malícia. A direcção que ele tomou fez-me ponderar que estava a tramar algo nada bom.

Após o sucedido em dezembro passado, pressenti que a atitude dele seria ir contar aos outros a sua versão sobre a desnecessária violência a que me sujeitou. De forma a que, na história contada por ele, pudesse parecer que foi «atacado» e o que fez foi só ripostar - um «direito» que lhe assiste. Coisa que não tem ponta, nem sequer uma migalha de fundamento. E por mais que ele possa tentar, a educação com que o abordei e o cuidado que tive, impossibilita qualquer mal entendido ou distorção. Mas, como disse, intuí que ele ia contar uma história aos outros moradores de forma a os trazer para «o seu lado». E, uns dias após o natal, caminhava para casa de noite, e estava a intuir que ia ter alguma novidade... Que ia ter aborrecimentos, que algo ia acontecer na casa por intermédio do paleio dele.

E quando cheguei a casa, tinha colado um bilhete na maçaneta da porta. Eu sabia que ia ter novidades! Eu estava a intuí-lo... Era da colega do piso de baixo, a pedir de volta o edredon que me havia emprestado. Ora, ela até mo quis dar, eu é que disse que era dela e fazia questão de lho devolver. Uma vez, em conversa com o indivíduo - que não simpatiza com ninguém e me deu a entender que a rapariga do andar de baixo estava incluída - disse-lhe que a achava simpática, porreira. Ele fez careta feita. E eu acrescentei: "até me emprestou o edredon dela. Sim, acho-a simpática".

E agora chegava a casa e ela queria o edredon de volta. Assim, do nada. E ao invés de mo dizer, deixou recado. Tudo bem, até acho compreensível diante do fato de me encontrar a trabalhar non-stop. Só que senti que tinha sido uma decisão fortemente influenciada pela energia negativa do indivíduo. Até hoje não tenho como o saber, mas o que intuí foi que tinha sido por uma conversa com ele que ela tomou a iniciativa de tomar de volta o seu edredon. Ela havia-me dito que não precisava dele, só no início de Dezembro, caso aparecessem uns amigos para pernoitar. O início do mês passou e já estavamos quase no dia 31! Aliás... iamos entrar na noite de 30. Os amigos dela não viriam para a passagem de ano - isso eu tinha a certeza. Portanto, ela até podia precisar do edredon, mas talvez lá para meio de Janeiro. 

Só que eu nem reflecti muito nisto. Simplesmente limitei-me a embrulhar o edredon o melhor que pude, voltei a metê-lo no saco de plástico que guardei para o efeito da devolução, bati-lhe à porta, pedi desculpas por permanecer na posse do edredon por tanto tempo e agradeci o empréstimo. E foi sentido. Foi um gesto bonito e desapegado da sua parte e eu reconheci-o. O mal está no «veneno» que outras pessoas querem meter no ambiente. Como se viver junto numa casa partilhada não fosse já tenso o suficiente. Não é preciso se inventarem modas nem meter lenha na fogueira. Este indivíduo adora conflitos. Diz que não, mas não foge de uma briga que ajuda a criar sem qualquer necessidade. 

Bom, quanto ao edredon, foi devolvido com um gesto de agradecimento e um presente e a rapariga não chegou a precisar dele. Infelizmente, despreparada como me mantinha, achei que 3 cobertores seriam suficientes para me manter quente durante a noite. Errado! Não aqui, não naquele período de tempo, em que as noites criavam gelo lá fora. A noite foi muito fria, mal consegui dormir e foi nessa noite de 29 de Dezembro que apanhei a constipação que me deu a tosse que me durou até esta minha ida a Portugal (e ao médico).

Quando o indivíduo me preparou aquele espetáculo ridículo, sugou-me a alegria desta nova vida que mal tinha começado a saborear. Teria gostado de desabafar e também ia gostar de relatar o sucedido a alguém cá de casa, mas nada contei. Primeiro, porque achei que era um assunto que só a nós dois dizia respeito. É até falta de carácter ir encher os ouvidos de outras pessoas, sem antes tentar resolver as coisas entre os interessados. E depois, para quê encher a casa de más vibrações, com relatos de conflitos? Pela paz na casa, pela harmonia, fiz o sacrifício de me calar e guardei dentro de mim este mal estar e desconforto.

O meu desabafo foi só aqui, no universo virtual.

Demorei a ter a confirmação mas, hoje soube que ele contou o sucedido ao rapaz cá de casa. Há rapariga, soube-o uma semana antes de viajar para Portugal, em finais de Janeiro. Ela disse-me que "ele havia-lhe contado" e depois acrescentou duas expressões preocupantes. "Mas eu compreendo o lado dele" e "coitado, às vezes passou tarde por lá (emprego) e ele ainda lá está". Ainda disse: "chega cansado, tem o direito de relaxar". Isto confirmou-me que ele havia feito um bom trabalho com ela, pois eram as palavras dele a sair da boca dela. Talvez ela o percebesse por ela mesma. Eu preferi manter-me como sou, sem usar das mesmas armas - embora eu tenha legitimidade porque eu estaria a relatar a verdade. Respondi-lhe apenas que ele foi rude, deixei de fora a violência e o tom de ameaça. Isso e muitos outros detalhes, preferi omitir porque, acreditem ou não, custa-me falar mal de alguém, ainda que essas palavras sejam fiéis e o descrevam como é! 

Concordei que ele tinha direito a chegar a casa e relaxar... Embora a realidade é que ele chega às 22h e o barulho do televisor escuta-se até às 4h da manhã! Quantas horas precisa para relaxar e quais dessas precisam de ser com o som da TV muito alto? Mas o que é que relaxar tem a ver com o som da TV? Ele até podia ficar acordado a noite inteira que eu não queria saber. Não deve é fazer com que os outros façam o mesmo. 


A compreensão que ela demonstrou pelo horário dele, que até sentiu pena por o ver trabalhar até tarde, não tinha fundamento porque eu estava praticamente a fazer um horário semelhante. Apenas entrava e saía uma hora antes. E mais: estavamos praticamente lado a lado. A loja dele e a minha ficavam a uma curta distância. Se ela o via lá, fiquei curiosa em perceber se pro acaso não me via a mim! É que se visse, saberia que quando eu saio ele já tem a loja dele fechada. Se estiver lá dentro, é a tratar de inventário... porque a atender clientes é que não é. De resto, a real diferença é ele trabalha numa loja de artigos leves de terceira necessidade e há dias em que nem tem clientes. Já o meu trabalho é bastante pesado (literalmente), passava as 9 horas todas a correr de um lado para o outro, sem tempo para ir ao WC e chegava a casa pronta para desfalecer na cama! Coitado de... quem?? Longas horas de quem?

Bom, mas tudo isto para contar que hoje ao chegar vi-o sair. A vontade era parar e esperar que desaparecesse para eu poder entrar. Mas preferi não atravessar logo a estrada e continuar a andar até o candeeiro - o meu ponto de referência que me diz que é ali que fica a casa. Ele também deve ter-me visto. Se calhar até me viu da janela, e decidiu sair. A direcção que tomou e como ia vestido é que me integrou. Por não usar casaco - e estava tanto vento, tão cortante hoje de tarde, que pela primeira vez o senti com o casaco vestido. Ele virou para o lado da rua sem saída, que calha ser a direcção onde fica a casa da senhoria. E como não levava casaco, gorro, nada... Deduzi que não ia demorar. Entrei e apressei-me a ir para o quarto. Subitamente o outro rapaz abre a porta para me cumprimentar. Achei forçado mas até me motivo a ir descansar para o meu.

Nisto o tempo passa, o indivíduo não aparece e eu penso em tirar uma soneca. Só que não! :) Oiço no corredor o outro rapaz a chamar por mim. Vou aqui confidenciar uma coisa: desde que percebi certas coisas cá em casa, eu prefiro ter o meu gravador do telemóvel sempre a funcionar. Por vezes ligo-o, porque nunca sei o que vai acontecer da porta para fora. Sempre tive o costume de querer registar coisas em vídeo ou audio. Sempre. É como um hobbie. Mas ao chegar nesta casa e neste país, percebi que tudo funciona por provas. Naquele dia em que a TV dele estava alta, eu gravei uns segundos mas, como o telemóvel é rasca e nenhum capta o som como o ouvido humano, só tinha era estática. Pensam que pretendia mostrar o som? Claro que não! Apenas gosto de registar as coisas. Nunca se sabe se um dia serão como aquelas imagens antigas e raras do «antigamente». Talvez registe algo que se perda no tempo e um dia as imagens irão esclarecer como era alguma coisa :) Enfim... coisas cá minhas. Só que a maneira como ele agiu - como uma criança a ter um ataque de birra - duvidando que o som da TV alguma vez pudesse ter estado demasiado alto, etc e tal, porque ele põs em causa eu estar a dizer a verdade (e porque me interessaria em inventar?), eu senti falta daquela gravação. E de um bom gravador! Quem já usou um sabe muito bem que não há igual :) 

Bom, então por isso, por vezes, como não sei que conversas vão ser puxadas, decidi que meter o TM a gravar som era um hábito a criar. Só que, cada vez que tenho uma conversa realmente interessante, acabo por não o levar. E foi o caso de hoje. 

Quando o outro rapaz (que não se dá com a rapariga de baixo e também tem as suas falhas) me chamou, lembrei-me que devia ir buscar o meu auxiliar de memória, como uma salvaguarda... até mesmo para, se precisar, pode reproduzir com exactidão alguma coisa dita. Só que, não o fiz. Quando passei pela porta ele estava no corredor, a querer saber se eu havia tido um conflito com o indivíduo.

Porque queria dizer-me para contar-lhe ou à senhoria, caso isso acontecesse. E também ele relatou-me factos do passado, nos quais o indivíduo foi rude também para com outros inquilinos. Segundo o que este conta, o outro teve problemas com todas as pessoas que já moraram nesta casa. Essas pessoas acabaram por sair. Depois acrescentou que ele havia lhe contado da nossa discussão e acrescentado coisas ridículas como: "ela que não mudasse a posição da cama" e até inventou que eu havia lhe pedido para ir ao médico comigo... Isto foi o que este segundo rapaz me contou! Eu dou-lhe pouco crédito, embora tenha a certeza que o outro foi buscar cada lamento possível de torcer para tentar me retratar com más cores. 

É gente que não sabe conviver com gente. Ele tem 40 anos e agiu com menos maturidade que o rapaz de 4 que tenho na família. Menos que adultos de 30, adolescentes com 20, miúdos com 12! Fez uma birra e ficou de cara fechada. E depois foi a correr a contar a todos a «bruxa má» fez-lhe mal. lol. Foi ele que insultou, agrediu e ameaçou. E tudo por... nada. Não era caso para nada daquilo. Demonstrou que é incapaz de ter uma conversa cordial e educada. E homens crescidos, adultos, independentes e assim... blhac! Foge!

Descobri também que este rapaz quer mudar de casa. Engraçado... todos querem mudar de casa - confidenciei-lhe. Sim, porque o indivíduo repetiu-me 50 vezes o mesmo, este também, a rapariga intuo que também não está muito satisfeita e já nos dissemos muitas vezes que pretendiamos encontrar outro sítio... E é por causa de pessoas como estes dois indivíduos ( o outro não é muito diferente, existem parecenças) que se transforma o ambiente de uma casa em algo que pesa. Andamos todos a nos evitar uns aos outros. E eu que pretendia um convívio entre os 4 pela época do Natal, comprei comida, comprei decorações e até presentes para cada um deles!! Ainda estão na gaveta. 

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

A humanidade é o seu meteoro

A melhor coisa que a geração actual fez pelo mundo foi tornar lucrativo nadar com golfinhos, baleias e até tubarões. 

Felizmente, neste mundo totalmente vocacionado para o CAPITALISMO, há quem consiga substituir um grande mal que é lucrativo por uma alternativa muito melhor. E assim, um ex-CEO (diretor de empresas) transformou a caça às baleias em turismo. Outros lhe seguiram o exemplo, de longe mais lucrativo.

Quando o autor do livro que deu origem ao famoso filme "Tubarão", de Spielberg entendeu o mal que o seu «monstro» fictício tinha lançado no mundo, foi peremptório: se o tivesse adivinhado, jamais teria escrito a obra. Martirizou-se e tornou-se activista dos direitos destes animais do oceano.


Graças ao mediatismo de um grande filme, milhares de milhares de tubarões de todas as espécies passaram a ser caçados em massa. Muitos se EXTINGUIRAM.


Na China (oh paísinho cheio de desgraças!) o folclore dita que quase tudo o que existe no mundo é a cura para todos os males que o afligem. É bem estúpido acreditar numa estapafúrdice destas, não é? E assim a caça em massa a praticamente todas as espécies do mundo não cessa nunca. Tudo se caça, tudo fica assim mais perto da extinção.

São as baleias, os golfinhos, os tubarões para a sua sopa de barbatana, as mantas... pelas guelras. Supostamente curam cancro e tudo mais que o comerciante impingir. Não existem provas mas, como todo o bom comerciante ávido por dinheiro ao longo dos séculos, um qualquer teve a ideia de lucrar com mentiras e assim a China é um país cheio de crenças sem fundamento que resultam em crimes contra a humanidade e o planeta



BARBATANAS DE TUBARÃO
Hong-Kong

Não posso reclamar a autoria da frase que escolhi para título deste post. "A humanidade é o seu meteoro", frase que faz referência à teoria de extinção das espécies na altura dos Dinossauros. Escutei-a neste filme-documentário: Racing Extinction. ( Setembro 2015) 

TODOS têm de o ver.

nota:
está indisponível no youtube, como seria de esperar quando existem verdades inconvenientes e «frescas». Dos três links que encontrei aqui, aqui e aqui, todos exibem apenas uma imagem parada. Como é recente, pode ser encontrado na net por «outros meios» ou mesmo estar disponível para aluguer em alguns serviços do género. O Discovery Chanel exibiu-o em Dezembro. É rezar para que volte a exibi-lo novamente! Pelo menos UMA VEZ POR MÊS, o filme devia estar sempre em loop de programação.


sábado, 8 de dezembro de 2012

Cosméticos: como reciclar?

Sempre fui uma criança a quem fazia confusão deitar as coisas fora.
Fosse o que fosse. Se roupa deixasse de ter utilidade, diziam-me que virava lixo. Se bebia refrigerante por uma lata, logo a seguir virava lixo (embora no me caso virasse porta-canetas). Se desembrulhava um presente, o próprio papel, laço, embalagem, fosse de cartão, plástico, esponja ou esferovite, sentia relutância em colocar no lixo. Se lia uma revista, porque a seguir ela tinha de ir para o lixo? Se usasse um palito para os dentes, ou acendesse um fósforo, porquê tinha aquilo de ir para o lixo? Com certeza ainda podia ser util para algo, podia juntar muitos palitos ou fósforos queimados e decorar uma caixa, ou um caderno, ou construir algo... 
Pensava tanto assim que meus pais eram os primeiros a tirar das minhas mãos quaisquer embalagens ou coisas para eles inúteis, para me impedirem de ter «ideias malucas». 

Até casca de nozes guardei e num natal fizeram mesmo parte da decoração da árvore, pintadas que foram com tinta plástica que se compravam em latinhas minúsculas (alguém se lembra?). 
Também achei boa ideia usá-las como embalagem de oferta de presente... 
(sim, encontrei coisas para lá meter  :) )

latinhas de tinta de 25 ml

De momento estou com um dilema em mãos. Quero me livrar dos cosméticos fora de prazo e praticamente nunca usados que separei faz mais de um ano. Mas vou colocá-los onde? Quem recolhe isto? Lixo normal não consigo...  já tentei. Prefiro deixar as embalagens por ali, mas já me incomodam. Preciso do espaço e de um ambiente mais «ZEN».  

Alguém recicla estes produtos? Despejá-los no gargalo e deixar a água encarregar-se de os levar não parece fazer sentido. No fundo, estaria a poluir o bem mais precioso que temos, ainda que suponho que o trato às águas sujas é super-potente para conseguir que as mesmas voltem ao meio-ambiente sem serem tóxicas. Se calhar é a melhor solução: o gargalo. Assim se garante que passam pelo ciclo rigoroso de tratamento de águas tóxicas antes que entrem em contacto com o meio-ambiente e vire uma ameaça...

Que sabem a este respeito? OPINIÕES SÃO BEM VINDAS!!



PS: Penso nestas coisas mas não sou uma santa ambientalista, ok?