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segunda-feira, 30 de julho de 2018

As prateleiras no supermercado



As prateleiras no supermercado andam vazias de variados artigos.
Mas só esta semana fiquei a pensar no que existe por detrás deste sintoma aparentemente banal.

É que aqui no Reino Unido sempre achei que o comportamento dos retalhistas não é dos melhores. Não lhes parece desadequado manter umas prateleiras vazias de vez em quando em qualquer hora, mesmo nas de maior afluência. Também não parecem ter problemas com o deixarem os carrinhos e carrões com material no meio do caminho, as caixas vazias pelo chão, artigos caidos a torto e a direito, tudo amontoado e sem ordem. 

Por isso passou-me despercebido o facto desta ausência de mantimentos poder estar relacionada com o Brexit



Será que está?
Bom, para um país que importa praticamente tudo, é bem possível. 
Portugal costumava ser diferente mas hoje em dia vai-se aos supermercados e não se encontra produtos nacionais. Legumes, que existiam com fartura, fruta que era em ambudância... Agora as bananas da madeira são raras, pelo que ouvi dizer até a cereja do Fundão este ano anda desaparecida e enfim... vem tudo de fora. Bananas da colômbia e cerejas de Espanha - talvez.



O que acham?
Pensam que o Reino Unido corre risco de ficar mal fornecido de bens de primeira necessidade enquanto tenta sair da UE sem ser afectado?

Deveria Portugal seguir o exemplo e abandonar a Uniao Europeia?


Será o nosso futuro ficar de prateleiras vazias e sem produção própria??

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Após os impostos


Espero que isto do Brexit não venha estragar-me a vida. Porque se há coisa que neste país se faz em boa quantia é Pagar Impostos.

Estava a precisar ganhar mais ao final do mês. Mas isso pode implicar uma mudança de impostos, o que implica também mais descontos. Este é o país em que é preciso fazer contas. Porque até arranjar dois empregos pode ser menos vantajoso do que ter só um - se o que se ganhar num for o equivalente ao que depois se paga em impostos!

Por mês pago 450 de renda - o que é pouco para a área. Tenho o passe dos transportes - 70. E em impostos é também 70 - mas por semana, o que totaliza 280 por mês. Tudo somado, se não fizer despesas de outro género (como comida, lol) gastos fixos são de 850 libras. 



Não ganho muito mas certamente que estou melhor do que conseguiria ganhar em portugal, fora da minha área. 

Dito isto, hoje fiquei a saber que não vou conseguir abrir uma poupança porque não preencho os requisitos necessários. Ou seja, não ganho dinheiro suficiente ao final do mês.


Quando se medem as coisas pela batuta inglesa já não soa tão bem...

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Uma geração comprometida


Conheci esta jovem no emprego, 23 anos.
Pareceu simpática, de início. contou-me que a tatuagem de uma borboleta que tem no pulso representa a independência que atingiu aos 18 anos. (vão perceber que existe grande ironia nisto). Agora noto-lhe traços de algo que não me agrada muito.

Mas o mais importante e o que me leva a escrever sobre ela, foi uma conversa que tentamos ter hoje, durante a pausar de 15m a que temos direito. Perguntou-me ela (aliás, metralhou-me) há quanto tempo estava no país. Depois perguntou se vou cá ficar. E depois perguntou se não volto para o meu país. O interrogatório continuou com questões como «lá não há reforma?» e «não têm benefícios?». «Por exemplo, podes alegar que tens uma limitação de saúde e pagam-te um benefício?». 

Depois fez-me muitas perguntas sobre o estar a viver cá. "Gostas de dividir casa com outras pessoas?". "E em Portugal não dá?". "Como consegues pagar as contas?". Respondi-lhe, espantada: 
- "Trabalho. Ganho dinheiro." 
- "Eu também trabalho mas o dinheiro não me chega. Passei quatro dias em Londres e gastei-o todo".
- "Tens de controlar os teus gastos".

Ela responde-me que sempre gastou o dinheiro assim e eu volto a dizer-lhe que precisa de o gerir melhor. Ela responde-me que não. Ela vive com os pais, com casa em Londres, disse-me que paga apenas 50 libras por semana à mãe, mas não paga contas da luz, água, gás, internet ou a comida que come. E mesmo assim o dinheiro que ganha - o mesmo que eu, não lhe chega.

E é aqui que entra a «melhor» parte. Eu digo-lhe que não pode gastar mais do que tem e ela responde: 
- "Ai isso é que posso. O meu pai deu-me um cartão de débito e posso gastar mais do que tenho". 
-  "Mas não podes estar a contar com os teus pais para o teu sustento, eles não duram para sempre".
- " Não tenho de me preocupar. Os meus pais vão durar pelo menos mais 40 anos. Até lá..."

Os meus olhos abrem mais do que o seu tamanho normal. Ela tinha mesmo acabado de dizer com normalidade que contava explorar economicamente os pais por mais 40 anos??

-" É sério. Os meus pais ainda são novos. A minha mãe tem 45 anos. Vai viver pelo menos mais uns 40."
- "Sim, tomara mas... nunca se sabe. Não podes estar a contar com a ajuda deles".
- "Mas eles vão durar pelo menos 40 anos ou mais. A minha avó morreu com 101 anos, por isso..."

POBRES PAIS...
Sim, porque se por acaso forem ricos, vão ficar pobres num instante. Se é que já não estão. Têm uma filha que conta com a ajuda financeira deles por mais de 40 anos... A naturalidade com que ela disse esperar que os pais a sustentem, a forma como falou do cartão de débito dado pelo pai. Como se fosse algo comum como um pacote de pastilhas, como se pudesse realmente gastar o que lhe apetecesse. 

É ESTE TIPO DE mentalidade britânica que me faz temer o futuro deste país. Eu até lhe disse que, daqui a uns anos, se não controlar os seus gastos, depois vai ser uma daquelas pessoas velhotas que refila: "Malditos emigrantes, vêm para aqui roubar empregos!". 
-" Ah, não. Eu não sou assim" - diz ela.

Mas vai ser. Muitos deles estão a caminhar para isso. O Brexit é só a ponta do iceberg. E o resto vai aparecer daqui a muitos anos.



É que os jovens que conheci não demostram nenhuma simpatia por continuar os estudos. Dizem sempre que é muito caro - e pode até ser. Mas também oiço que o Estado ajuda. Depois ficas a pagar um «x» consoante o ordenado que ganhares. Os emigrantes aproveitam isto. Os nativos não.

Isto vai resultar numa inversão de poderes. Que já existe, aliás. Ou seja: vêm emigrantes tanto para trabalhar, quanto para estudar e conseguir melhores empregos. Já os ingleses, estão a deixar as escolas, não querem prosseguir os estudos alegando «o preço» e contam em gastar dinheiro que não têm.

Estão muito acomodados. Nasceram com tudo de mão beijada e sem que lhes seja exigido muitas responsabilidades - pelo menos é essa a vibração que sinto das pessoas jovens com que me cruzei. Não todas, felizmente, mas de uma forma generalizada.

Esta rapariga tirou um curso superior - disso-mo, quando lhe tentei explicar que tinha percebido que poucos jovens gostam de prosseguir os estudos. E se tirou, decerto que não foi para trabalhar onde está agora. Portanto já posso presumir que os pais - cansados dos seus gastos e frustados por os estudos pelos quais pagaram não resultarem em emprego remunerado - impuseram que ganhasse algum dinheiro. Mas se já a mimaram de outras formas e ainda lhe permitem que gaste tudo o que tem e mantêm um cartão de débito - então... qualquer tentativa poderá já vir tarde.


Sabem o que mais me chocou ver aqui no UK?
Um toddler. Sabem o que é um toddler? É a expressão que eles têm para designar uma criança que mal começou a andar. Estava esta criança a ser empurrada num carrinho de bebé, no jardim. E pergunta ela à mãe: "Where's my money?" "Mommy, I want my money", "Mummy, money!" "My money".
O rapaz procurava alguma moeda que lhe terão dado para as mãos. Dinheiro. Que deixou escorregar algures para o carrinho. Mas a forma como se fixou no dinheiro e o pronome possessivo... Fiquei chocada. A mãe, de início, ainda lhe respondeu: "O dinheiro está aí contigo". Mas à medida que a criança insistiu que o queria, a mãe ignorou-o. Como se tivesse adivinhado a minha surpresa. Eu preferia ter escutado a criança a pedir à mãe um brinquedo ou um boneco de peluche que tivesse deixado escorregar. Agora... dinheiro??

Se começar assim tão cedo, este facilitismo em receber dinheiro e o valorizar, então o UK terá, decerto, um grande iceberg debaixo das águas serenas... E a salvação está, mais uma vez, nos emigrantes.


É que as barreiras, criamos-nas nós.
O mundo é um só.
E estas gerações jovens do UK, não passaram por uma guerra, algumas sempre viveram em facilitismos, sem lhes exigirem que trabalhassem ou ganhassem responsabilidades em troca de terem tudo o que querem. Vão continuar a querer ser tratados de forma beneficiada e não vão ser. Vão alegar algum problema de saúde para viverem de benefícios do estado. E quem vai trabalhar? Os emigrantes :P

E a jovem que tatuou uma borboleta para representar a sua independência... precisou que os pais lha pagassem. Como ainda pagam muita coisa. Grande noção independência.