Um dos acontecimentos mais falados no início do ano foi o desaparecimento de um tal Maycon. Que, se não tivesse sido um ex-concorrente de um reality show - continuaria a ter destaque nas notícias, mas sem essa vertente de ter sido alguém que se tornou conhecido em muitos lares, simplesmente porque alguém liga a sua televisão.
Eu acompanhei essa edição da Casa dos Segredos. Foi aquela em que surgiu o Mormon Diogo, que acabou por ganhar o programa. Foi a edição (mais uma) em que coisas horríveis foram feitas e ditas - aparentemente sem consequência. Foi a edição em que a má educação, o insulto, o bulling de um grupo de pessoas que se acham moralmente boas a destruir um indivíduo isoladamente - grupo esse fortemente apoiado dentro e fora do reality show- se tornou o espelho da realidade revoltante do que também se passa na vida fora dos ecrans.
De todos os concorrentes aquele que acabei por concluir ser o pior de todos, neste sentido, foi o Maycon. Não vou aqui "sugar coated" nada, por o rapaz estar morto. Atenção: tenho todo o respeito pela vida, por todas as vidas e acho lamentável a perda de uma assim. Mas talvez, para quem notasse realmente o ódio que ele sentia pelo Diogo - um ódio crescente, gritante, que só o impedia de ser mais físico por se encontrar filmado por cameras - saberia que este é um indivíduo muito rígido nas suas ideias. Notoriamente incapaz de se achar errado, mesmo diante de evidências visuais e auditivas, incapaz de pedir desculpas sinceras e apagar o ódio dentro de si. Maycon alimentava dentro de si sérios sentimentos de rancor, ódio, amargura. Dentro da casa manteve-se próximo de pessoas neuróticas, narcisistas e tóxicas, que também sabiam como alimentar o mesmo desdém. Sem dúvida, quem faz os castings sabe escolher o que aparenta ser, mas não é. Ele se apresentou como alguém muito calmo, que nunca levanta a voz, vindo do mundo do surf. Mas essa fachada não significa sempre que quem aparenta ser assim por dentro seja uma pessoa da paz. Pode estar a viver num constante tumulto e ser algo irrealista sobre si mesmo.
Nas notícias, os "amigos" disseram em reportagem achar muito estranho a mãe dele dizer "o meu filho está morto" e, segundo eles, "não querer saber ou fazer mais esforços".
Quando ouvi essa parte achei que lhes caiu muito mal! Estar a julgar a reação da mãe e dizê-lo assim, publicamente. Quase como a apontar o dedo de suspeita. Já tinham levantado suspeitas de crime - sem qualquer evidência mais forte para tal. Apenas baseados numa mensagem de texto escrita em estilo "brasileiro", de onde a mãe de Maycon é natural. Pareceu-me é que estavam a tentar de tudo para não aceitar a outra possibilidade: que ele tirou a própria vida. Estavam em negação, mostrando a audácia de ter certezas absolutas. E por isso criticaram uma mãe que, provavelmente, já o sentia dentro do seu ADN. Ninguém sabe mais que uma mãe. Uma mãe sabe coisas e os amigos sabem outras - em diferentes níveis. Mas uma mãe, ainda mais uma cuja casa abriga o filho, conhece melhor os seus estados de espírito.
Ainda bem que existem investigadores, policiais e médicos forenses que analisam os fatos e chegam a conclusões com base nestes. Caso contrário este mundo seria o caus em que já está a mergulhar nas redes sociais e reality shows. As pessoas acreditam com tanta facilidade em teorias da conspiração, em assassinatos sem motivo algum mesmo quando a pessoa teve um pico emocional devido a uma discussão... Se formos a julgar pelas noticias, damos em doidos. Por isso - e desde o caso Casa Pia em particular (que circo!) é que eu fico apenas com os fatos e aguardo que uma investigação produza mais fatos. O que se passa entretanto é o circo mediático. Especulações.
Concluiu-se então que as suspeitas dos "melhores amigos" estavam infundadas. O Maycon decidiu SIM, acabar com a sua vida. Num derradeiro gesto de cobardia e egoísmo - diriam uns. De incapacidade de lutar e resistir às contrariedades que a vida nos apresenta. E elas são tantas!
Gostava que ele, Maycon, tivesse dado uma oportunidade ao Diogo e se aproximado mais deste (agora indo para o idílico fantasioso). Talvez hoje estivesse mais capaz de lidar com as contrariedades e assim, jamais teria cometido o ato que cometeu e estaria vivo. Mas viver requer coragem. Coragem de verdade. Coragem para aceitar que não se vai realizar sonhos como imaginamos. E principalmente, coragem para aceitar que temos defeitos e estivemos errados. Que podemos ser nós, os "maus" da fita e ganhar coragem não para terminar a vida, mas para mudar o rumo, continuando na luta.
E, a nota pessoal, se ele se rodeava cá fora de amigos como aqueles que encontrou na casa, então não eram os melhores para começar. Devia ter procurado pessoas diferentes para alcançar um espectro maior de rede de apoio.
Foi uma questão de tempo até alguns dos concorrentes que participaram no reality show com ele se manifestassem. Pessoalmente, gostaria muito que se mantivessem na obscuridade para onde voltaram porque, para se manifestarem da maneira que fizeram - extremamente oportunista a meu ver - pelo menos de determinadas pessoas - melhor teria sido o silêncio.
Imaginem só, o rapaz desaparecido, suspeitas de assassinato ou suicídio... e saem-se com isto:
9.1.2026: Nufla, que se auto proclama cantora mas sobressaiu no reality como desafinada e até surgiram memes atrás de memes a gozar com ela - de IMEDIATO lançou uma música em sua homenagem.
Isto é ou não é tirar PROVEITO para se auto promover?
Esta campanha publicitária lançada a 2 de Janeiro pela marca de preservativos Control foi altamente criticada por Renata Reis, Renata escreveu: “Gostaria de expressar o meu profundo desagrado em relação ao post publicado pela vossa marca”, “O desaparecimento de Maycon é de extrema gravidade, e considero irresponsável a publicação de um conteúdo que, mesmo sem fazer uma menção direta ao caso, tem uma relação implícita que é impossível de ignorar. A coincidência de um post promovendo as grandes ondas da Nazaré, num momento em que o caso está sendo amplamente discutido nos media, não pode passar despercebida”.“Acho extremamente grave que uma marca de renome como a Control, que deve ser exemplo de responsabilidade e respeito, se envolva em um contexto tão delicado sem considerar os impactos emocionais que isso pode causar. Todos nós temos o dever de respeitar a dignidade das pessoas e, acima de tudo, demonstrar humanidade”. Nufla: “Usar como estratégia de marketing um local diretamente ligado ao desaparecimento do Maycon é só sem noção! É falta de empatia, de respeito e de humanidade”, “Enquanto a família e os amigos vivem uma angústia diária, à espera de respostas, vocês acharam aceitável explorar esta dor para se promoverem”, Rúben: a Nazaré naquele momento representa “angústia, espera e dor real”. “Há momentos em que o silêncio ou a prudência comunicam mais do que qualquer campanha”.
Miúdos, tomem um comprimido para relaxar sim? O mundo não gira em torno de nós. As nossas dores e sofrimento são alheias aos outros. Até mesmo se tratando de um caso mediático nas notícias. As marcas desenvolvem estratégias antecipadamente e podem ter campanhas prontas a ser lançadas meses antes. E é só uma marca de preservativos a falar de tamanhos sem mencionar falésias, etc. Só menciona a localidade. É facto que a Nazaré se tornou MUNDIALMENTE conhecida por ter as maiores ondas. Será sempre conhecida assim. Era antes do Maycon e outros se atirarem do precipício, vai continuar a ser. O mundo não pára e não se altera. Embora a nossa dor gostasse que assim acontecesse.
Não sei... mas acho que não passa, mais uma vez, de um PRETEXTO para sobressair nos grande media, visto que têm pouca projecção. Ou seja: estas pessoas estão a USAR a tragédia para se promoverem. É até comum aqueles que apontam primeiro o dedo a criticar algo, estarem nesse instante a fazer exatamente isso.
(por terminar)
Minha energia e orações vai para a mãe. Que o que nós chamamos de Deus a acompanhe e lhe dê a força que desconfio que tem. Que não se culpe - não foi culpa dela. Não foi culpa da namorada - (que os amigos tentaram dizer não ser realmente namorada mas conhecida), não foi do dono do bar, não foi dos amigos (?) não foi de ninguém. Ninguém tem culpa. O Maycon deve ter ido muitas vezes aquele lugar, parado o carro e imaginado como seria "terminar tudo". Muitas vezes. Devia fazer parte do seu quadro psicológico este género de reação à adversidade emocional.
Pessoalmente acho que ele se via como um fracasso. Um fracasso que desapontava todos os que ele mais gostava e para os quais queria ser visto como um herói, não uma decepção. Desapontou a namorada, discutiu com a mãe.. nada do que ele desejava acontecia. E era muito focado no ódio - uma das suas últimas mensagens dizia:
"A quem duvidou: os cães ladram… A quem apoia desde sempre: isto só faz sentido convosco. 2026 é visão, disciplina e consistência. Bom ano, família",
Isto parece algo normal, certo? Mas à luz do que agora sabemos e visto por olhos de quem sabe olhar, nota-se o foco nos outros. Aqueles que não gostam, que são contra ele... E depois os que estão com ele. "Só faz sentido convosco" é um cliché para quem depende de eventos e precisa agradar por onde passou mas também se pode daqui observar, mais uma vez, que a percepção de como é visto pelos outros é o foco da sua mensagem de viragem de ano.
Não são os seus sonhos, os seus projetos. Não é agradecer à mãe, a um amor. Não é gratidão. Ter projetos fica implícito mas de uma forma até muito centrada na sua percepção dele mesmo. "Visão", "disciplina" "consistência". O que é isso? Em termos práticos?
Talvez uma insistência em tentar trilhar um caminho sem mudar os ingredientes mas esperar que o bolo saia diferente em 2026 do que tem saído nos anos anteriores.
A mensagem também dizia:
"2025 foi intenso. Aprendeu-se muito, viveu-se mais ainda. Uma das datas com mais significado para mim é o Ano Novo… porquê? Não sei. Talvez aquela sensação de recomeço, mesmo sabendo que, no fundo, está tudo igual",
Acho que isto diz tudo. O que quis dizer em cima.
Foi intenso... mas não bem sucedido. Ainda não tinha alcançado o que pretendia. E depois esta admiração pelo Ano Novo, sem saber porquê, mas acabando por admitir que é a sensação de um recomeço - uma nova oportunidade para tentar o sucesso de novo. Acabando por admitir que fica tudo igual.
Quantas vezes ele e outros não terão parado ali o carro, olhado o escuro sabendo que o mar esta metros abaixo na escuridão e pensado "e se eu acabar tudo aqui?". É fácil, está escuro, nada se vê menos se sente.
Acho que ele entrou naquele "loop" de autocomiseração e acreditou que, aos 26 anos, a caminho dos 30, a viver na casa da mãe, sem grandes prospetos de futuro, sem grande coisa para oferecer... começou a ver o copo vazio. E não teve coragem para fazer marcha atrás, voltar para casa e lutar para que 2026 fosse realmente melhor. Já estava escrito. Já estava no ADN dele. Que pena que ele não entrou na escola do Diogo! Mas que pena mesmo.
(post por terminar)

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