Peço que reflitam nisto.
Estava na camioneta a caminho de uma localidade remota quando, ao passar por uma estrada cheia de predios e moradias recentes, vejo algo que me parece deslocado e sem propósito. Numa moradia grande, com um pequeno corredor exterior vejo um homem de uma certa idade, sentado, a olhar para o nada. Tinha uma boina na cabeça, coisa que já nao se usa e rouoas tradicionais que meu avô usaria por serem aquelas com que se habituaram noitros tempos. Parecia estar a querer se ocupar com alguma coisa mas nao ter com quem o fazer. Pareceu-me solitário. Um condenado a uma existencia sem sentido, vazia e repetitiva. Penso que esta sozinho naquela casa e fico a pensar quem mais podera ali viver sem prestar muita atenção aquela vida em fim de vida.
O veículo avança e meus olhos batem noutra cena que parece desajustada. Vejo uma idosa de lenço na cabeça, roupas antigas, jeito e aparência tradicionais identicas as de minha falecida avó faz ja 15 anos e o que estranho é vê-la numa varanda alta de um terceiro ou quarto andar. Cobria os olhos com a mao, a bloquear o sol.
Tanto ela como ele, emanaram para mim a mesma energia. Energia de alguem que concordou em abandonar o seu espaço com as suas coisas e deixar para tras as suas routinas, se calhar para ajudar um filho ou filha a viver melhor, ajudar a cuidar dos netos e vendendo seu casubre para, com o dinheiro, "comprarem algo melhor" e viverem todos juntos.
Só que, aquele que ja fez a sua jornada precisa muito mais de ter as coisas ao seu ritmo do que viver no ritmo dos outros. Nao é mais o seu. A natureza muda como o corpo mudou. Acho que remover uma pessoa saudavel do seu espaço é cruel. Ainda que viva num meio algo deaorganizado, empoeirado... se é autonamo, deixem a pessoa estar. Ajudem sim, mas sem darem ordens e juizos de valor.
Aquelas duas pessoas, separadas por uma localidade, deciam ter muito em comum. Ambas, ao perceber os confotaveis raios de sol, sairam de seu casulo para, mais uma vez, sentirem algo. Sentir. Sentir o confortante abraço quente do sol, abandonando por instantes suas paredes de tijolo frias de solitária.
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