Gosto de ver programas sobre crimes. Mas tenho um critério a este respeito. Ou melhor: gosto quando a forma como falam dos crimes é factual, descritiva e sem enrolamentos. Mas existe um estilo de apresentar este formato televisivo pelo qual sinto total desdém. E esse é: o do egocentrismo.
Programas de TV no geral, aliás - cujo conteúdo é atropelado para que a pessoa que o faz seja destacada, causa-me o pior do desdém. Não aguento. Mudo logo. Mas mudo com uma urgência de quem se se sujeitar a mais um milésimo de segundo daquilo estivesse a ser violentamente agredida.
Não suporto, portanto, este tipo de conteúdo em que, tudo o que possam abordar, não passa de uma desculpa para o foco estar no veículo, não no conteúdo.
Ai, repúdio!
Usar fatos e eventos de tragédia reais, que envolvem perda e sofrimento, para proveito próprio REPUDIA-ME. Seja em documentário seja em REPORTAGEM.
Ao jornalista então, cabe a alta responsabilidade de saber se separar a si mesmo do material que está a abordar. Em algumas pessoas isso não existe. Existe é a convicção pessoal e constantemente repetida para o público que assim é. Praticamente uma lavagem cerebral permanentemente efetuada para que a percepção dos outros corresponda à desejada. E se não for, não faz mal. Até a rejeição é usada para se tentar sair bem na foto, com uma falsa sabedoria emitida para impressionar os defensores. O "recrutamento" de "fiéis" é absolutamente indispensável ao egocêntrico. E o universo é um infindável fornecedor de matéria prima.
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Acreditam que todo este texto saiu da simples introdução de um segundo do programa "I am homicide" no canal de TV Investigation Discovery?
Pois é... O genérico do programa - a abertura - começa assim: "In mine I"...
Pois é... O genérico do programa - a abertura - começa assim: "In mine I"...
Desliguei. Logo. Até pelo tom de voz se nota uma grandiosidade...
Pelo que entendi este programa é apresentado por um ex policial(?) ou investigador que, em criança, passou pela tragédia de um homicídio na família. A FORMA como ele usa isto na intro para receber compaixão mas, acima de tudo para se promover e auto-validar também me repudia. E não é o único dentro deste niche. Lembro agora que existe uma tal de Paula Zan - que tem de estar sempre a repetir o seu nome - e cujas entrevistas que faz a pessoas estão constantemente a ser cortadas para introduzir o seu rosto.
Naquele resumo que se faz dos programas que passa nos intervalos - as promos - o formato é: Ela aparece e faz uma pergunta. Imagens de várias pessoas e crimes a passar sempre intercaladas pelo rosto dela - ela está ali como foco - e a voz dela soa sem parar, a interrogar, a perguntar, com rosto a aparecer e sem o rosto a aparecer. "Eu sou a Paula Zan" - diz. Mas é preciso estar sempre a repetir a si mesma quem é? Por acaso sobre de esclerose?
Pode até ter o seu mérito... mas quando o formato surge assim - tão manipulado e centrado no veículo transmissor mais do que no conteúdo, não consigo acompanhar. O repúdio é enorme.
Tem também outro programa do género que nunca vi, por me gerar o mesmo repúdio. Não lembro o nome mas, muito provavelmente, carregava o nome da autora. Logo na promo ela se auto-intitula uma ex-promotora (nos EUA acho que é uma espécie de advogada) que NUNCA PERDEU UM CASO.
Ai, a soberba!!!! Nunca perdeu um caso... Acho que é uma coisa horrível para se vir vangloriar em televisão. E altamente se não mesmo estatisticamente improvável. O que me faz suspeitar que o seu ego é tão gigante que se recusa a admitir erros. Provavelmente foi expulsa do meio e agora ia para a TV para obter a validação fanática das massas.
Ai, a soberba!!!! Nunca perdeu um caso... Acho que é uma coisa horrível para se vir vangloriar em televisão. E altamente se não mesmo estatisticamente improvável. O que me faz suspeitar que o seu ego é tão gigante que se recusa a admitir erros. Provavelmente foi expulsa do meio e agora ia para a TV para obter a validação fanática das massas.
Ela e muitos outros aproveitaram esta onda de programas de TV sobre crimes. Ai, que repúdio pela necessidade de se Auto vangloriar, de se auto-promover como ouro mais ouro que o ouro. Como especial, fantástica, incrível.
Esta forma DESCARADA de auto promoção... Não me interessa se ela é a autora do programa, se o apresenta... não é moralmente correto usar o TRUE CRIME (Crimes verídicos) para se promover. Uma pessoa com ambição cega de subir na carreira à custa da desgraça é repulsivo para mim.
Acho que a "versão" portuguesa disto que quero exemplificar - ou pelo menos uma, é esta. Neste excerto contei mais de 60 "eus" e "mims".
Acho que a "versão" portuguesa disto que quero exemplificar - ou pelo menos uma, é esta. Neste excerto contei mais de 60 "eus" e "mims".
Se o interesse do jornalista/apresentador/narrador for legítimo, a última coisa que importa é mostrar a cara. E preocupar-se se a maquilhagem está bem feita, se a enunciação da frase ficou bem, se o cabelo tem a cor desejada através da lente...
Façam programas com outros conteúdos para se "auto" promoverem. Para se destacarem dos demais tubarões e subirem de escalão no mundo competitivo da televisão. Mas não o façam com as histórias reais de assassinatos, acabando por usar os possíveis entrevistados - muitas vezes pessoas afetadas - para chegar ao único propósito de criar um conteúdo que impressione a administração e te faça subir que nem um foguetão rumo à fama e ao ordenado gorducho.


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