Desde que emigrei tenho encontrado muitos portugueses. Existem portugueses por todo o lado! Nas ruas, nas lojas... A cada passo dado, cruzamos-nos com alguém a falar a língua de Camões. Uma criança passa com um brinquedo e a contar os rebuçados que tem na mão na nossa língua Ibérica. No emprego não faltam Portugueses. Hoje dei-me conta que as quatro pessoas dentro da pequena divisão do escritório eram portuguesas e que o inglês falado era dispensável. Fui às compras de roupa e fui atendida por uma muito prestativa empregada portuguesa. A minha língua materna não chega a não ser praticada.
Mas também percebi outra coisa: todos os portugueses que conheci perguntam-me se sou «do continente». Respondo que sou de Lisboa. E todos com quem me cruzei são... da Madeira.
Ora, isto é significativo. Existem duas informações que se podem tirar deste pormenor.
A primeira é que os lisboetas ou os de outra parte, não se encontram muito por aqui, nesta cidade, nesta zona, neste sector de trabalho. Sim, porque acredito, com toda a certeza, que existem portugueses de todos os cantos espalhados pelo UK. Mas aqui predominam os habitantes nascidos na Ilha da Madeira.
Ora, a Madeira é uma ilha conhecida pela sua beleza mas também pela sua população pobre. Quem não se recorda dos apelos de ajuda aos necessitados? Das notícias sobre a prostituição infantil e o turismo sexual? Da mãe a viver no topo da ilha com vista para o "paraíso", que se suicidou após dar veneno ao filho deficiente, porque estava desempregada e com uma doença fatal e vivia sozinha? Isso é miséria, pobreza...
Que uma grande parte da juventude da ilha decida emigrar, não é exatamente novidade. Assim tem sido há muitas gerações. O arquipélago da Madeira sempre produziu população emigrante em quantidade. É um lugar ainda com poucas oportunidades, onde muitos vivem com dificuldades. Isso explica a quantidade de madeireinses que se encontram espalhados pelo mundo. Louvável que a juventude e até a não-tão juventude, tenha este tipo de coragem.
Só que, infelizmente, a maioria dessa corajosa população também é pouco qualificada. Emigra aos 18 anos, ou mesmo mais cedo. Não levam na bagagem grandes estudos logo, a própria ambição e os empregos que vão preencher serão sempre os de menor qualificações.
O facto de encontrar muitos madeirenses quase que confirma que, no departamento das qualificações pessoais estou um pouco deslocada. Devem existir lisboetas por aí... Alguns com formação qualificada em áreas distintas. Resta saber por onde andam.... Não é por aqui. Descobri-los ia permitir-me descobrir se existe uma hipótese de me «juntar a eles» e, mais importante ainda, descobrir se é isso que pretendo.
Abraços e BFS!