sábado, 7 de outubro de 2017

Blade Runner 2049 - Fui ver em 4DX


Fui assistir ao filme Blade Runner 2049 e escolhi a versão 4Dx. Foi a primeira vez que entrei numa sala de cinema esperando que a cadeira abanasse, o vento soprasse, etc, etc. Mas sem saber ao certo o que dali podia sair. Fui para descobrir como os meus sentidos iam ser estimulados e de que forma essa estimulação ia intervir ou contribuir para a visualização da história.


A escolha do filme é importante - uma comédia romântica provavelmente nem terá porquê ser filmada em 4D mas Blade Runner é um filme de acção. O que eu esqueci totalmente é que muito da acção do filme se passa debaixo de chuva torrencial... 

Passei o filme todo a ser borrifada com água na cara. Tive de limpar os óculos 3D e logo coloquei o casaco sobre a cabeça acabadinha de sair do duche fazia nem meia-hora. Estreei calças novas, em pele, que também foram salpicadas. Havia um botão a dizer "desligar água" e bem que o accionei. Mas não resultou. Continuei a ser borrifada. Quando saí do filme estava a chuviscar. Mais água. Mas essa tudo bem. Vem do céu... No cinema não achei que contribuísse muito para o filme. 

Rajadas de vento, ainda vá lá. São agradáveis. O nevoeiro foi uma piada... um «borrifo» minúsculo em cada canto inferior do pequeno ecrã (achei o ecran pequeno, podia ver todo o enquadramento à volta, as paredes e outras cadeiras) que nem sequer entrava no campo de visão da imagem nem na área onde algo acontece. Na regra dos terços, o «nevoeiro» iria até  o cotovelo do ator na imagem e no outro lado até onde o colarinho toca o ombro. 

Exemplo da regra dos terços

Sobre o filme posso dizer que o que mais gostei foi da interpretação da atriz que fez o papel de... bom, o nome da personagem é Dra. Anna Stelline. E o nome da atriz Carla Juri. É de origem Suiça - não fosse um filme desta envergadura interpretado por atores de quaisquer nacionalidades. O que realmente gostei foi, mesmo antes de se descobrir a verdade, já consegui adivinhar pelos maneirismos e até sotaque que a atriz emprestou à personagem. A sua própria fisionomia, a forma como se mexia, como se movimentava e a forma de falar: em tudo fez lembrar a Rachel.

Essa foi a parte que mais gostei.
É aquele «pequeno detalhe» que um ator empresta à personagem que faz toda a diferença.

Outra bela interpretação veio da «substituta de Priss» - entregue à atriz canadiense Mackenzie Davis.  Assim que entra na história fá-lo com presença e sobressai na sua entrega à personagem. 


A pergunta à qual muitos querem ter resposta, não será respondida.
E faz sentido. Só assim faz sentido.

Sinto que me falta ver o filme mais vezes. Senti falta das legendas. Não que não entendesse o que os atores estavam a dizer, mas é um complemento ao qual me acostumei - principalmente no cinema, e do qual, sem adivinhar, comecei a perscrutar com os olhos assim que o primeiro diálogo fez-se escutar. Depois é que me lembrei onde estava :D 

Mas sinto que preciso ver o filme mais vezes por dois motivos. Estava indecisa entre ver o filme em 3D IMAX ou em 3D com 4Dx. Como achei que a oportunidade de ir a um filme mais interactivo não voltaria tão cedo, optei pelo último. Pessoalmente, ainda que seja prematuro, acho que compensa mais o estímulo que um filme filmado em 3D Imax proporciona. Técnicamente deve ser um SONHO: é filmado em película de 70 mm, o som é gravado à parte e não-sei-quantas pistas e o ecrãn é uma coisa do outro mundo. 


No cinema 4Dx as cadeiras sobem e descem - por vezes sem muito sentido. Abanam as cadeiras, sacodem-nos dos assentos a cada cena de pancada, um tubo de plástico bate-nos nos pés e outro nas costas. E somos molhados. Basicamente são estes os estímulos. Estava à espera de algo mais envolvente - nomeadamente CHEIROS. Queria sentir um odor. Mas o único que senti foi quando alguém na sala decidiu soltar uma bufa. :( 

Os únicos sentidos estimulados foram o do toque e o da visão pelo 3D. Achei pouco. Principalmente pelo preço de 20 libras.

Penso que os sentidos são mais estimulados nos filmes em IMAX, porque a audição ganha MUITO detalhe. Neste filme o som estava muito alto e basicamente foi isso. Não se sentiu o barulho da água a correr da direita, enquanto da esquerda vinha outro som - como acontece nos filmes IMAX.

A promessa de envolvência que o 4Dx promete é mais propaganda do que real. O Imax fornece muito mais aos sentidos - e não se sai da sala molhado. Acho que o «estar dentro do filme» é um exagero (principalmente devido à tela minúscula) e, para ser sincera, um dos motivos pelo qual acho que devo assistir novamente ao filme, é porque de certa forma os «efeitos» interferem com a apreciação do mesmo.

Como posso concentrar-me na acção se enquanto esta está a decorrer estou a cobrir-me com o casaco, de forma a este não ser levado com o vento nem me deixe levar com a "chuva"? 


Certamente que o filme passará em breve nas televisões. Vai estar disponível para aluguer nos videoclubes caseiros, disponível em DVD com cenas extras e comentários, etc. Vai sair em pack promocional junto com o original... 

Outras oportunidades surgirão. E aí uma pessoa vai descobrir como o filme se situa diante do todo.
O original, contudo, é imbatível. Porquê? Pelas condições em que foi feito. Com os artistas envolvidos sem saber se o filme ia ser parado e nem sequer ia ser exibido. Com eles a filmar com apenas segundos para terminar cenas. Com o diretor a saber que dali a pouco ia ser demitido. Um filme único na produção - assim como foi "O Tubarão". E um filme onde a criatividade de muitos foi acolhida como contributo para "salvar" uma produção que estava a sofrer muitas contrariedades. Resultado? Obras-primas.

5 comentários:

  1. Fartei-me de rir com "o único que senti foi quando alguém na sala decidiu soltar uma bufa. :( " ahahah.
    Um dia vamos ter a tv com cheiro! Tomara que isso seja bom na maioria das vezes mas quando acontecer um desses deslizes vai ser lixado ahahah
    Imagina o que era ver um anuncio de um perfume e poder sentir o aroma? seria altamente revolucionário!
    Quanto a este filme, ainda não vi.

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    1. Televisão com bom cheiro, com o perfume de um campo florido, com o ar gelado de um iceberg, com o cheiro de terra molhada... Nã. É bom demais, não vai acontecer. Provavelmente só terão em stock o cheiro do cão a fazer as suas necessidades KkkkkK! :D :D Imagina aquelas comédias disparatadas que usam e abusam da «piada» da diarreia... Por favor. Ninguém no cinema ia gostar disso.

      Falando em perfumes, tenho um novo que ainda estou para comprar :D

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    2. PS: Obrigado por comentares este post.
      às vezes parece que ninguém gosta de falar de cinema :D

      O que decerto não é o caso. Deixa-me intrigada. Bjs

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    3. Eu gosto mas pelo que vejo na net, cinema parace uma coisa de homens. Além do meu blog de cinema só conheço mais uma mulher que aborda esta temática. Será por as mulheres trabalharem muito e não terem tempo de ir ao cinema? mistério!

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    4. Eu gosto de ler qualquer blogue sobre cinema - desde que dê uma perspectiva pessoal e não se limite a copy-paste dos press releases. Para isso vou ao resumo de cada um ... lol.

      A questão é que ao longo dos anos li e comentei IMENSOS. E reparei que alguns blogues são muito seguidos e outros nada, sendo ambos quase iguais. Os mais seguidos são aqueles cujos autores conhecem a obra inteira do realizador e se pautam por isso. Conhecendo detalhes mais técnicos que podem ser fastiosos para o leitor comum.

      Pelos vistos, o «leitor comum» do universo blogueiro gosta de cinema mas só faz posts ao estilo "Gostei do novo filme da Barbie"!. E recebe logo 200 comentários Ahahah.

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