Metereologia 24 h

sábado, 3 de janeiro de 2026

Aprendizagens de vida - para quem as procura

Têm arrependimentos?

Que arrependimentos são esses?

Não tenho arrependimentos. Isso não quer dizer que esteja satisfeita com a vida que tenho. Ou ache que fiz tudo bem. Sei que existe uma outra vida, toda ela mais excitante mas mais importante, mais de acordo com a minha pessoa que nunca cheguei a viver. Contudo, esta constatação, por vezes diária, não me faz sentir pesar ou arrependimento. Talvez porque não dependeu tanto de mim. Eu fiz uma escolha inconsciente: uma escolha de carácter, de personalidade. De altruísmo. 

Bom, mas um artigo recente que li fez-me desejar falar sobre este assunto que é a VIDA. Pode ser que ajude alguém por aí. 


Quando meu avô faleceu, um familiar havia discutido severamente com ele horas antes. Provavelmente causando-lhe um mau estar que contribuiu para o desfecho final. Um outro familiar que vinha a manter distância confidenciou-me sentir-se "mal" por o ter "despachado" ao telefone no dia dos seus anos e também por ter tomado a decisão de não comparecer na reunião familiar que ocorreu dias antes do seu falecimento. Meu avô já tinha tido uma "ameaça" cerca de um mês antes. Há qual os familiares, no geral, deram pouca importância e demonstraram ter pouca paciência e disponibilidade para o transportar de carro até ao hospital, visto que várias chamadas para o 112 só devolviam a informação de "não haver ambulâncias".  

Foto: Pedro Correia (TSF)

Foi depois dessa altura que ele exibiu alterações de comportamento que achámos estranhas e fora de costume, mas nada de extraordinário: ia-se desfazendo de coisas, queria dar o animal que tinha acabado de arranjar como companhia e mandou desligar o telefone terrestre. 

Foi um dos primeiros no bairro a instalar um. Era sempre à casa dele que os vizinhos batiam na porta, para poderem urgentemente comunicar com alguém. Isto pode parecer uma realidade alienígena, impossível de conceber nos dias de hoje - dias de telemóvel/celular que faz de tudo: guarda nossos documentos, é nossa carteira, nosso telefone, nossa rede social, nossa comunicação com o mundo e nosso diário. Mas não há tanto tempo assim um simples telefone era um "luxo" não disponível a famílias comuns, de baixo poder económico. 

Hoje vejo que ele estava a antecipar o inevitável. Sentiu que o seu fim estava próximo e, como a pessoa íntegra que era, embora nem todos que lhe eram próximos fossem capazes de lhe reconhecer esse traço em particular, tratou de deixar tudo "nos conformes" para não impor aos que ficam quase nenhum empecilho. Deu o cão a outra pessoa. Ele, que sempre gostou e manteve animais perto de si. Mandou desligar o telefone fixo. Tinha tudo pago e não deixou dívidas. Deixou uma casa de três quartos no centro de Lisboa que foi paga com anos de trabalho para ali poder criar uma família de seis e, alturas existiu que se transformaram em sete, oito, nove... Deixou esse imóvel de "herança".  Que, como quase sempre, os filhos também não souberam valorizar, cada qual já tendo suas casas. Até "desprezavam" de certa forma devido a memórias menos boas de desentendimentos às quais  as pessoas teimam em segurar e associar a espaços. 

Depressa o recheio da casa foi colocado no lixo, como se valor algum tivesse um pequeno bibelô, os conjuntos de chá mantidos sem uso na vitrine, quadros que sempre se mantiveram pregados nas paredes a adornar o espaço, os copos que serviram a mesa de incontáveis natais, etc. Depois a casa foi vendida, o valor distribuído e em menos de três meses, já alguns dos filhos diziam não ter dinheiro para coisas simples e pouco dispendiosas. Provavelmente usaram o valor do que um dia foi uma casa para pagar dívidas acumuladas ou gastaram em coisas supérfluas. 

Pessoalmente faz-me confusão como uma CASA - algo que ainda hoje luto para conseguir, algo tão difícil de obter, pode se transformar em NADA em tão pouco tempo e com tanta facilidade. 

Bom, mas meu avô partiu e, no inverno em que isso aconteceu, a chuva parou de cair e o sol apareceu. Para quem é sensível a estas coisas, para mim interpretei a súbita e inesperada mudança de clima como sinal da sua ida para o "outro lado". O céu estava de um puro azul lindo. As pessoas, alegres, até deixaram de lado os casacos compridos, os guarda-chuvas e usavam - pasme-se: T-shirts! 

Lembro-me de estar sentada algures no Parque das Nações, após o funeral - mais um dia de SUPER SOL de Inverno, ver as pessoas de t-shirt, alegres com o sol... e pensar: como pode? Sinto tanto pesar e ninguém deteta... as pessoas estão felizes. 

E é assim que devemos nos comportar na vida: Com felicidade. 
Porque a vida é mesmo uma passagem num plano. Parece promissora, longa. Parece que dá tempo para "tudo e mais alguma coisa". Mas desconfio que não é assim. Pelo menos não é assim se viveres a vida a adiar coisas que pretendes fazer. Coisas que queres fazer "um dia". Como por exemplo uma viagem a um país exótico, a compra de algo em particular, um emprego ou hobbie que pretendes experimentar... tudo ADIADO, porque a sociedade materialista e de consumo em que vivemos soube muito bem nos incutir que a prioridade é a "sobrevivência" do sistema económico, que depende de "formiguinhas" trabalhadoras que contribuam para o PIB do país. Serão recompensadas na idade avançada, com uma reforma e então poderão "usufruir" das coisas boas da vida sem qualquer dever ou amarra trabalhista. 

Só que não é assim! Quando somos novos e saudáveis parece até aceitável... porque ainda desconhecemos as consequências que o esforço contínuo e repetitivo de uma tarefa laboral impõe no corpo. O que sentimos é vigor, estamina, capacidade para conquistar e fazer de um tudo! Mas essa consciencialização altera-se com o tempo. A mente pode até querer correr, subir colinas, carregar mochilas pesadas ás costas em aventuras... mas quase com 70 anos... isso não vai ser possível. Okay?

Portanto, gozem a vida agora. Tenham responsabilidade sim, um emprego estável se possível é hoje uma benção - mas retirem sempre, todos os dias, umas horas para gozar do "nada" que é tudo. Gozar da Natureza. Do silêncio. Da ausência de computadores, redes sociais, tecnologia... Façam com que essas horas entre um compromisso e outro vos faça sentir revigorados. Não passem o fim-de-semana a descansar o corpo moído e cansado. Embora seja o melhor que se pode dar ao corpo - a mente vai sentir falta de nutrientes. Visitem antes um museu. Aqui em Portugal são tantos, tão interessantes e muitos gratuitos! 


Subitamente deu-me vontade de rever a "lula gigante". Lembram-se disso? Nas visitas de estudo da escola, quando somos meras crianças, fui levada ao aquário Vasco da Gama e lembro de olhar para uma vitrine onde estava uma Lula Gigante. E ver tartarugas ao vivo, num lago circular e murado. 

Hoje apetece-me reviver essa experiência. Não vos parece um PRIVILÉGIO poder fazer tal? Passados tantos anos, décadas, um museu é ainda uma memória viva de um momento, disponível para proporcionar muitas mais. 

E é assim que se vai vivendo um pouco.

Vivam. 
Para não sentirem arrependimentos, com felicidade, bondade no coração, alegria, solidariedade. 


  

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Uau! Esta mulher despertou meu iteresse

 

Uma pequena entrevista bastante interessante esta:


Spoiller: Não tem nada de conflituoso. Só de bastante interessante. 
Gostei da postura direta e franca de uma das convidadas: Susan Brownmiller. Então decidi investigar o que era feito dela nos dias de hoje. Infelizmente faleceu o ano passado. Curioso Dick Cavett, o entrevistador, ainda é vivo. Provavelmente o único num leque de dezenas que compareceram ao seu talk show. 

Nunca tinha ouvido falar deste talk show Americano e é superior - muito superior - diria mesmo que é um verdadeiro talk show. Porque não existe "pressa" em despachar os convidados. Embora os clips aqui mostrados tenham 15 a 30 minutos de duração, julgo que o programa durava uma hora e meia! 


Susan Brownmiller, aqui entrevistada junto com Sally Kempton na qualidade de membro da Woman's Liberation Movement (Movimento para a libertação das mulheres), dedicou a sua vida a causas, trabalhou como jornalista, escritora, tendo ficado muito conhecida após escrever o livro intitulado Against Our Will: Men, Women, and Rape, focado nos padrões sociais e políticos do estupro/violação e as diferenças de trato entre homens e mulheres perante a lei. Esse livro contribuiu para o debate do tema e veio a mudar leis na America que passaram a entender melhor a mulher como vítima de estupro. rape is “a conscious process of intimidation by which all men keep all women in a state of fear” (a violação é um processo consciente de intimidação através do qual todos os homens mantêm todas as mulheres num estado de medo). - , dizia ela no seu livro, o que levou a sociedade a refletir e debater este tema.  

Susan nasceu a 15 de Fevereiro de 1935, escreveu este livro em 1975. 

Faleceu em 2025, aos 90 anos.



quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

O que fiz enquanto esperava a chegada do ano? Obrigada a todos e a todos vocês SAUDE e boas energias!

 

Passei o ano a ver entrevistas e programas americanos no youtube. Mas... programas gravados na década de 1970. E foi fantástico! Ri com muito gosto de piadas com 50 anos de idade, vi artistas já há muito falecidos a falar deles mesmos com naturalidade e autenticidade. Acompanhei números coreografados de dança e canto. ADOREI. Enquanto via pensava: "Prefiro estar aqui a ver isto que é tão prazeroso do que sintonizar algo mais actual a dar na televisão". 

Por isso deixo aqui para vocês também apreciarem.

BEIJINHOS e abraços calorosos de afeto para todos, mas em particular para quem, neste instante, está com muita vontade e saudade de um. 

Fiquem bem, fiquem com saúde. 
Simplifiquem vossas vidas ao máximo e riam. 



2008

1971





quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Não foste de todo mau, 2025. Que 2026 te suplante em alegria, bem estar, saúde e progresso

 

O ano está a terminar. Não tenho nada para destacar sobre ele. Trabalhei grande parte do tempo, longas horas, dias seguidos, uns atrás dos outros. Ganhei algum dinheiro. Não sei se valeu ou não a pena. Fiz féria de 7 dias em Portugal... 

E foi isso. 

Fui ao registo de Notariado e tratei do meu assunto. Um grupo de Sefraditas estava lá a tratar da sua nacionalidade. Israel está a ser tão cruel com a Palestina. Saiu hoje nas notícias que proibiu 37 OGN de operar no país. Quando se proíbe a ajuda aos pobres e inocentes vítimas de uma guerra de ambição, está-se no caminho certo para se ser um ditadorzinho. 

2026 vem aí, está quase a chegar. 

Espero que tudo vos corra bem neste ano. Coisas más para pessoas que fazem coisas más e coisas boas para pessoas que se esforçam a ser boas. 

Feliz 2026! 

domingo, 28 de dezembro de 2025

MOrrer no dia de Natal (ou véspera)

 

Estava no emprego, uma semana antes do Natal. E acabei por concluir, do nada, que o melhor dia para se morrer era o dia de Natal. Não sei porquê cheguei a essa conclusão mas, pelo espírito de paz da quadra, esse é uma boa altura para falecer. 

É mau para os que ficam. Porque sempre associam a data à partida de alguém que gostariam de ter de volta nesta altura. Meu colega acrescentou: Mas também há muita gente que nasce no dia de Natal. 

E é verdade. 
Acho que não existe melhor altura para se morrer. Acho, até, que é uma altura abençoada para regressar à companhia do Criador.

Isto antes de sequer saber da existência da jovem de 23 anos com um grave problema de saúde que faleceu nessa altura. Concluo então que, também ela, partiu num dia abençoado e especial. Espero que a família consiga celebrar a sua vida e a união familiar todos os Natais para vir. Afinal, Jesus também faleceu. A dor da falecer no Natal ou na Páscoa não é diferente da dor sentida noutros dias. Apenas estas alturas são especiais, como se quem parte estivesse a ser marcado por ter sido alguém também especial. 

Bom ano.


sábado, 27 de dezembro de 2025

Tolerância de Ponto a 27?

 

Um dos motivos pelos quais viajei para Portugal agora no Natal foi para poder renovar o passaporte. Haviam me dito que é só aparecer e que estariam abertos no dia a seguir ao Natal. Mas isso foi lá em Outubro. Vim a descobrir que deram tolerância de Ponto para os dias 24, 26 e 31 de Dezembro. Acho bem. Mas também acho que é uma sorte fantástica para muitos! 

Contudo, não achei nada bem a DIFICULDADE em descobrir se certos locais estão a funcionar ou não. E foi assim que descobri que hoje, dia 27 de Dezembro, o registo de Notariado TAMBÉM fechou. Então tiveram tolerância de Ponto para os dias 24, feriado a 25, 26 e 27 sendo que estão fechados a 28. CINCO FANTÁSTICOS dias para a maioria dos trabalhadores da função pública. 

Acho que só mesmo em Portugal. 

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

O Natal dos Beckam, o Natal dos Reiner

 É Natal!
Feliz Natal para todos.. 

Para mim Natal é uma altura de paz. Estar com família para valorizar de onde viemos e todos que o celebram partilham este estado de espírito. 

Por isso fiquei triste pela família Beckam quando o meu feed de notícias me informou que o filho mais velho, casado há dois anos, cortou todo o tipo de comunicação com a família. Pai, mãe e irmãos. E, aparentemente, por motivo algum! 

Logo pensei: "Pelo menos não lhes cortou a garganta" - fazendo referência a outra notícia que realmente me deixou de boca aberta de choque: A morte por assassinato de Rob Reiner e da esposa, alegadamente, mas com uma certeza de 100%, pelas mãos do filho mais novo. 

Dizem nas notícias que Brooklyn "desamigou" a família inteira do seu facebook, após a mãe, Victoria Beckam ter colocado um "like" num post seu, em que grelhava um frango. 

Ao que parece ele não fala com a família, não atende telefones, não responde a mensagens, não foi ao aniversário do pai nem apareceu quando este foi recentemente condecorado. 

O "gosto" da mãe no seu post na rede social fê-lo perceber que a família que o criou podia saber o que ele fazia por ali e então cortou esse último recurso que os pais tinham para saber do filho. 

Ainda soltou um comunicado - ou alguém da família da esposa o fez por ele, a dizer esta barbaridade: 

A família bekam them de o deixr em paz

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

I wish them diarrea

 

Na cidade onde vivo aqui em Inglaterra parece ser standard procedure (hábito comum) que os motoristas de autocarro não abram a porta quando acabam de a fechar na tua cara.


Eles verificam pelo espelho se podem arrancar e, na maior das tranquilidade, vão embora.

Deixando o passageiro com o choque e descrédito do quanto este gesto é, para usar a palavra favorita e mais comum aqui, RUDE.

Um atrás do outro, salvas raras excepções, é isto que acontece.

Hoje estou quase a dobrar a esquina para alcançar a paragem. Oiço o ruído de motor de veículo grande a aproximar-se e começo de imediato a apressar o passo - já por si apressado por defeito.

Olho para o autocarro que surge á minha direita, a descer a avenida mas não consigo identificar o número. Desde que eles removeram toda a frota "moderna" (com 20 anos) devido a um incidente e a substituíram pelos antigos (e melhores) veículos, que o número do autocarro não é mais facilmente visível. Principalmente quando desce a avenida a grande velocidade.


Corro para o alcançar. Totalmente possível devido á limitada distância que nos separa. Isso mais o ter de receber passageiros e os largar, me dá os segundos que preciso.

É só dobrar a esquina e correr uns cinco metros. 

Quando chego a curva três mulheres, cada uma segurando a sua cadeira de plástico infantil, caminham lado a lado na conversa. Sempre me interrogo porquê as pessoas têm de bloquear uma passagem inteira. Mas é assim mesmo. Três mulheres com três mini cadeiras!!!

Contorno-as rapidamente, assim que percebi a direção que iam tomar nessa curva.

Desvio-me de mais gente e alcanço o autocarro está um passageiro a sair e a porta traseira a fechar.

Infelizmente nenhuma fila de gente para entrar. Ainda não vi a identificação do autocarro em lado algum. Chego a porta da frente e dou um passo mais para avistar o número na frente do mesmo. E o motorista arranca.

Mais um. A ter estes comportamento que, para mim, é tão feio e totalmente desnecessário.

Que custa, a sério? Esse micro-segundo em que entraria no bus?

Quando ele se afasta as pessoas não paragem estão, naturalmente, a olhar para mim. Pergunto se era o número X, dizem que sim. E deu-me espontaneamente:

"May he have diarrhea today. Bless him 🙏🏾".

Estás coisas saem-me assim. Mas não é a primeira vez nem será a última.