Acho que só algumas pessoas a viver no Reino Unido há bons anos vão entender. Talvez dependa das zonas mas onde estou não se vê este simples gesto de cortesia.
Na verdade aqui não existem passadeiras. Avistar uma é uma raridade. Talvez vestígios de uma era alienígena, uma antiga civilização.
Talvez devido a essa ausência os automobilistas perderam a noção que devem ceder passagem a peões que querem atravessar a estrada.
E quando se encontra esse hábito... É como ir ao cinema ver um bom filme.
Estava contra querer apanhar estes momentos especiais quando, subitamente, surgiu a excepção. A normalidade. Alguém que não está acostumado a parar, não parou.
É que aqui não se avista sequer a intenção de o fazer. É suposto o peão esperar os carros passarem todos. O tempo que for necessário. É continuar a esperar se o tráfego não cessar.
Os semáforos não ficam verde para o peão. Os carros param no vermelho para outros veículos noutra intercepção passar. Mas esquecem-se dos peões. Como se não existissem.
Pelo menos assim tem sido desde que cheguei a cidade onde moro.
É por isso celebro a excepção com uma satisfação que só quem é pedestre e sempre o foi a vida inteira poderá chegar perto de entender.
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