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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Vontade de... introduzir algo novo na rotina


Hoje entrei na Decathlon local e fiquei maravilhada.
Desejei fortemente poder mudar um pouco a minha vida de modo a incluir uma actividade desportiva.

A loja - dois pisos cheia de coisas tentadoras, dedicava o seu espaço a diversas modalidades. Entrei e comecei logo a espreitar as bicicletas. Adoro bicicleta, mas tenho receio em usar, porque faz alguns anos que não ando numa e porque sei que ainda não perdi a preferência por aquelas nas quais consigo sentar-me sem grande esforço para os pés chegarem ao chão. Ou seja, as pequenas. Olho para as bicicletas de adulto, ou as boas de corrida e aquilo parece-me um alfa-romeu... para alguém que só conduziu minis. 



Pensei logo na Gaja Maria - a blogger mais ciclista que conheço.
"Ela entende disto tudo e podia esclarecer qualquer pessoa" - pensei eu.

É que não são só os vários modelos de bicicletas, é também a tentadora parafernália de indumentária que acompanha o aventureiro do pedal com duas rodas. Existem coisas bonitas, tentadoras que, cedendo à tentação de as experimentar, merecem ser experimentadas em pleno, como «deve de ser», e não só «conforme der».


Continuei a minha visita e fiquei maravilhada: Tudo para tiro ao alvo com arco e flecha, tudo para equitação - incluído coletes que inicialmente pensei serem daqueles que os polícias usam nos filmes americanos, os à prova de bala - tal era a aparência dos mesmos. Mas penso que eram apenas para proteger em caso de queda do cavalo...


Confesso que me surpreendeu. Em todos estes anos de vida, das vezes que entrei em contacto com a prática de equitação - através de terceiros, nunca vi ninguém - criança ou adulto - montar num cavalo usando aquela coisa rígida e volumosa. Será prática corrente? Ou o resultado do típico excesso de zelo britânico com fundamentos no pânico de processos legais?



Coisas para ioga, patins em linha, golfe, pesca... tanta coisa.

Fazia-me falta incluir na minha vida um hobbie de actividade física.
Sempre gostei de actividade física que estivesse relacionada com o ar livre, com a natureza, a descoberta de lugares...

Contudo, acho que é quase incompatível com a vida que a maioria leva.
Com excepção feita quando se tem a sorte de conhecer alguém mais - nem que seja uma pessoa - capaz de se aventurar contigo nas mesmas tentações.  

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Ser prático e transportar um bebé

À saída do metro, após ter subido uma escadaria, vi um homem que julgei pai por ter pendurado ao pescoço uma engenhoca que lhe permitia transportar ao peito um bebé minúsculo. Sim, o bebé era tão pequeno que quase não dei por ele. Foi tudo muito rápido e só pude intuir que o homem era estrangeiro, pela postura e pelo à vontade com que, com um pé desmontou a bicicleta dobrável e a seguir montou e seguiu viagem com o bebé ao peito. 

Num primeiro instante não prestei muita atenção, só me desviei mas logo depois achei estraordinário e, querendo perceber melhor, olhei para trás para avistar a cena. Mas pai, bebé e bicicleta já tinham desaparecido. Nem três segundos haviam passado. E fiquei a pensar: Uhau! Que forma espetacular de andar para todo o lado com um bebé! A bicicleta era diferente na forma, só consegui perceber que era branca e que tinha uma base peculiar. Mal lhe percebi os pedais e nem tive como prestar mais atenção à sua composição. Mas já imaginaram se mais pessoas fizessem o mesmo? Andar de metro com um bebé ao colo e de bicicleta desmontável para todo o lado? Haja portabilidade.

No entanto alguns passos adiante também fiquei a pensar: e se acontece alguma coisa como uma travagem brusca e o bebé é empurrado à força contra o volante? 

Bom, desgraças à parte fiquei com curiosidade. Gostava de ver a sociedade portuguesa experimentar um pouco mais estas formas alternativas de passear e ir a locais, sem que a presença de crianças ou a presença de um automóvel seja factores tão importantes. 

segunda-feira, 29 de julho de 2013

A Aldeia de Lisboa

Sou da opinião que Lisboa é uma cidade maravilhosa porque tem as suas raízes nas tradições aldeãs e não as perdeu totalmente para o progresso. Não perdeu o cheiro, a brisa, a luz, o verde, as flores e nem os seus recantos de encantos.


E é com esta intro que vou falar da notícia que acabei de ver na TV, sobre o novo Código da Estrada e a circulação em bicicletas. Existe, em Lisboa, muita boa gente que adoptou a bicicleta como o seu meio de transporte. Acho isto extraordinário. Não por andarem de bicicleta, que também adoro e entendo perfeitamente, mas por o fazerem entre tantos veículos cuspidores de poluição. Por o fazerem em estradas grandes e movimentadas. Acho que é a prova de que por mais que o progresso chegue a Lisboa, esta terá sempre as raízes em hábitos ancestrais, sobreviverá sempre este lado mais "aldeia" e natura que muitos carregamos no ADN.


Meu avô costumava ir e vir de e para o trabalho de bicicleta. Não sei quantos quilómetros fazia mas como vivia em Lisboa e trabalhava fora da cidade levando cerca de duas horas de deslocação em cada sentido, vou imaginar que seria uma valente distância. Mas na altura, década de 50 ou mesmo 60, a estrada era de terra. Chegava coberto de pó, voltava cheio de pó. Se a estrada principal não era alcatroada, também não tinha automóveis :) Pelo que só posso imaginar o quão agradável conseguia ser o percurso. Mesmo com as dificuldades óbvias - principalmente no inverno e com chuva e frio, com a estrada de pó a virar lama - uma maratona numa já maratona - imagino. Mas o aspecto da poluição não se colocava. 

Hoje coloca-se. 

Também eu, nos longíquos anos 2000/2001 utilizei a bicicleta muitas vezes em Lisboa para me deslocar para o trabalho. Lembro perfeitamente que adorava. Na altura ainda não existiam vias para bicicleta, pelo que ia pelas estradas. Tinha cuidado redobrados por partilhar a mesma via que os automobilistas mas achava totalmente natural e viável. Contudo, de lá para cá continuo a gostar de andar de bicicleta mas já não me imagino a fazê-lo para este tipo de deslocações. E não sei bem explicar porquê. Talvez porque fiquei sem bicicleta e nos entretantos em termos de saúde e energia algo mudou, ou talvez porque a consciência ou o receio tornou-se mais forte ou a capacidade para manter o sentido de alerta apurado esteja preguiçoso. Não sei. 

Gosto destas bicicletas em que o tronco
viaja direito mas por cá não me parece
que se possa usufruir desta forma da bicicleta.
Ainda mais usando um vestido curto e
umas sandálias fashion. Porém pode ser a solução
para se ver automobilistas a ser simpáticos.
Todos os dias vejo ciclistas a passar, a subir a íngreme rua como se não custasse - e sei que custa, a descer agradavelmente rápido, enfim, muitos ciclistas - alguns em passeios de família com os filhos, passam nesta zona. Nesta e noutras, porque os há por todos os lados, faça chuva ou faça sol. O parque que tenho aqui ao lado também está sempre com pessoas de todas as idades. Desde crianças a idosos. Uns a jogar futebol, outros a passear os cães, outros a correr, a andar de bicicleta, de patins, de skate... Acho esta faceta de Lisboa muito agradável. 

Talvez passe despercebida a muitos, na azáfama do dia-a-dia, mas Lisboa mantém os seus laços com a natureza e uma vida mais simples. E talvez nunca os perca. E é por isso que é uma cidade tão encantadora. Recentemente decidi ir a pé até um centro comercial, num percurso paralelo a uma estrada principal movimentada. Enquanto pude, fi-lo por entre as habitações mas um pouco afastada do passeio. Depois a partir de um certo ponto é mesmo preciso continuar pelo passeio. E esse ponto de mudança é um Pinhal. Sempre me surpreende que, no centro de uma cidade como esta e ao lado de uma movimentada estrada, se possa encontrar um pequeno Pinhal. Ali uma pessoa pode despender uns segundos e fazer um "reset". É a ironia de contrastes. É agradável respirar fundo o ar de Lisboa naquele lugar, ao mesmo tempo que vejo e escuto o barulho dos automóveis a passar ao lado. Depois continuei o percurso pelo passeio, que está repleto de árvores e arvoredos. Muitos em plena flor, trazem aromas agradáveis. Muito diferente do lado oposto, quase sem uma árvore ou uma sombra. 

Tomara que nunca desapareçam estes elementos vitais para a qualidade de vida da cidade e da população. O progresso não justifica a morte.