segunda-feira, 16 de abril de 2018

Centros históricos de Lisboa para habitar?

Peço a vossa atenção para esta informação da CML:


Segui este link por achar fantástico estarem a facilitar a habitação nos centros históricos de Lisboa. São zonas que estão a perder habitantes de bairro a grande velocidade e no seu lugar surgem condomínios para serem vendidos ou alugados a estrangeiros. É muito triste ver uma cidade a morrer desta forma. Com vida emprestada, vida provisória, vida de comércio apenas. Sem famílias com filhos a estudar nas escolas locais. Mas com turistas e estudantes vindos de fora. 


Porém quando li esta descrição a minha felicidade caiu por terra.
A minha interpretação da mesma é que famílias e idosos são despejados das suas casas de toda a vida, para que o ganancioso proprietário possa remodelar e adaptar a mesma ao turismo. A câmara tem estas casas fraquinhas que de outro modo acabariam em ruinas e por uma módica quantia disponibilizam-nas mas apenas a pessoas que já morem no bairro e que façam parte dos infortunados. 

Então não se está na realidade a combater nenhum ciclo de desertificação, não é verdade?
Pelo contrário. Os miseráveis continuam miseráveis e provavelmente terão de pagar mais por isso. E os ricos vão virar milionários. Quanto ao centro histórico, vai perdendo as famílias e transforma-se num misto de escritórios com casas para alugar não a trabalhadores com filhos, mas a estudantes de outras partes do país e do mundo e a pessoas com um bom nível de vida que ali querem ter um espaço para esporadicamente visitar. 

5 comentários:

  1. Tenho um amigo que nasceu em Alcântara e viveu sempre nessa casa. O senhorio conseguiu ir correndo com todos os inquilinos, uns que morreram e outros que ele lhes fez a vida negra até que as pessoas saíram. O meu amigo manteve-se firme e o homem foi deixando cair a casa sem fazer quaisquer obras. O que ele queria era vender o espaço para a construção de um hotel. O Luís foi aquentando, mas quando a água começou a escorrer pelas paredes em direção às tomadas electrificas, acabou arranjando um apartamento em Almada e mudou-se. Mas não queira saber o que ele sofreu até à saída e as coisas que se lhe estragaram. Nasceu e viveu lá 60 anos.
    Um abraço

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    1. Obrigada por este seu contributo real, Elvira. É preciso dar rostos a esta realidade. Sugiro que reflicta neste caso que conhece e, quem sabe, noutros, para escrever uma das suas histórias.

      A Elvira é inspiradora, comove os leitores e este é um tema importante, real, nosso, bem português, que ia emocionar muitos e alertar consciências. Afinal, é parte para isso que a escrita serve. Mas depende do mérito do autor. E acredito que a Elvira tem esse dom e pode solidificar o exemplo dos "Luises" desta vida muito bem.

      Uma vez nas finanças ouvi o caso de uma senhora muito idosa que sempre pagou a renda mas nunca recebeu recibo. Agora estavam a solicitar-lhe uma fortuna e a exigir provas de arrendamento caso contrário, seria o despejo.

      Há muita coisa demasiado triste neste mundo.

      Um abraço.

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  2. Estive hoje a ver os preço do imobiliário em Lisboa.
    Dispararam de maneira incrível.

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  3. Seria de esperar que as coisas mudassem com a chegada do turismo mas acontece o oposto. Aproveita-se para explorar os estrangeiros e os nacionais pagam por arrasto.

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    1. A ideia de que o turismo é uma fonte de riqueza nacional, uma espécie de "praga" que o cidadão local tem de suportar por lhe trazer riqueza, para mim já caiu por terra, Ana. É uma ilusão.

      Estão as pessoas mais ricas por isso? Está a cidade? Pagam menos impostos? Existem menos dívidas?

      Começo a ver nestas aberturas, nestas rachas na parede, que tudo não passa de fumo para os olhos. Explorar para só alguns lucrarem sempre foi o objectivo de qualquer comoção.

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