sábado, 9 de janeiro de 2016

A saúde trata-se fora dos hospitais e ao telefone

Depois do Natal, antes de tomar conhecimento do caso do falecimento do jovem com aneurisma cerebral, vi estas publicidades na barra lateral do facebook e guardei, com intenção de fazer um post para abordar um tema sério: a saúde.

E o que é que penso disto?
O PIOR!

Primeiro, uma introdução a meu respeito: Nunca fui a um hospital. Nem sei lá ir ter, para ser sincera. Faço o tipo de pessoa que vai trabalhar doente, sai à rua para tratar de recados com uma constipação... etc. Não recebi uma boa educação sobre comportamentos de combate a doenças, desconheço os nomes de medicamentos considerados comuns e, com isso, é comum ter sintomas ou ficar doente e demorar a o perceber. 

Sou o tipo de pessoa que ao ficar constipada, como aconteceu este Natal, acha que aquilo passa com repouso e melhor alimentação. Nem lhe ocorre ingerir medicamentos, nem pensa que é algo grave. Primeiro dou «tempo» para que passe por si. Se insistir, então procuro alternativas. Foi durante o próprio convívio familiar natalício, de olhos vermelhos, muitos espirros, voz fininha e tosse é que percebi, diante da insistência de terceiros, que devia atacar aquilo com medicação. E lá fui tomar um antigripe. Passado uma hora já conseguia sentir os sintomas a regredir. O que de facto veio a acontecer. Embora, até hoje, a tosse ainda dê ares da sua graça.

Portanto, sou a antítese de tudo o que estes cartazes indicam e sou também o PIOR tipo de pessoa para si mesma.

Ainda assim, não concordo com a mensagem destes cartazes.
"Não vá ao hospital", "não vá às urgências", "fique em casa", "seja antendido por um médico através da linha de telefone saúde24".


 Lol. Agora os médicos podem fazer consultas ao domicílio por telefone? Fantástico! Para quê ir a um médico de todo? Porque não executar também cirurgias pelo telefone? Já agora, porque não deixar as pessoas pesquisarem no google os seus próprios sintomas e decidirem por elas mesmas o mal de que padecem? Para quê exames ao sangue ou outros? Nãh! Por telefone primeiro... E se a pessoa ao telefone errar na avaliação de gravidade do caso, ups! Foi porque o «paciente» omitiu alguma informação. A «culpa» é do paciente. Então, já vão dizer que devia ter ido ao hospital... Afinal, o "médico", por telefone, não está sequer a ver o rosto do paciente... sabe lá como está o tom da pele, o branco dos olhos.. não vê nada.

Ora esta! Se uma pessoa se dirige ao hospital, é porque acha que o deve fazer. E não devia importar que sejam 1000, 2000, 3000... os hospitais servem para isso mesmo. Para atender as pessoas, da melhor forma possível. Nunca que pensei que iam dizer às pessoas que se sentem doentes para NÃO IR a um hospital e facultar como recurso um atendimento POR TELEFONE.

Eu sei onde eles querem chegar e o que os motiva. Mas não concordo. Discordo em absoluto. 
Acho ultrajante para a população e indigno da comunidade médica.

12 comentários:

  1. Bom eu só vou ao hospital quando o médico do centro de saúde me envia para lá, ou quando tenho consultas externas por causa das doenças crónicas, que sou seguida por especialistas de lá, ou para ser operada e já fiz 8 cirurgias, o que dá para ver que vou muita vez ao hospital.
    Mas nunca fui às urgências por uma constipação ou gripe. Para isso tenho a consulta aberta no centro de saúde que quase ninguém usa, porque correm para as urgências do hospital e por isso elas estão sempre um pandemónio. A linha de saúde 2424, não é para tratar doentes. Pelo menos não era quando eu recorria a ela quando os meus pais eram vivos e pioravam de repente. Eles vão fazendo perguntas, e sempre que o estado do doente lhes parece mais grave, eles mesmo fazem a inscrição no hospital mais perto e chamam a ambulância para levar o doente. Nunca me receitaram nada pelo telefone. Mas pelo menos duas vezes deram-me indicações muito válidas e a minha mãe melhorou sem ir às urgências. Há dias a minha tia de 97 anos, começou com tonturas, não conseguia segurar-se de pé. A minha prima telefonou para eles, e mandaram levá-la ao hospital, e chamaram a ambulância e quando a minha tia lá chegou a inscrição já estava feita.
    Um abraço e bom fim de semana

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  2. Sabe que há pessoas que vão ao hospital com uma simples constipação e saem de lá com uma bactéria que às vezes os leva à sepultura? Aconteceu com o marido de uma amiga minha.
    Abraço

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    1. Querida Elvira, antes de mais, desejo-lhe saúde. Isso é o que todos deviamos ter :) Claro, um dia todos iremos atravessar para o lado desconhecido... Mas que seja com saúde até o momento da travessia.

      No fundo sei o que eles pretendem, mas faz-me aflição quererem reduzir o número de pessoas que vão ao hospital nesta época do ano. A maioria, acho eu, são pessoa de muita idade e poucos recursos. O que a linha saúde quer é fazer a triagem dos pacientes, para encaminhar os casos realmente sérios para o hospital. E impedir os que têm uma gripe tratável em casa, de ir ocupar o tempo dos médicos. Tem lógica, mas aflige-me à mesma. Faz-me recordar a campanha "só chame o 112 em caso de emergência", indicando os números de chamados não urgentes por ano. Ora, assim uma pessoa até se sente culpada só se lhe ocorrer recorrer ao serviço! Ainda morre por não querer "importunar" com o que pode não ser grave. penso que na altura desta campanha das ambulâncias (o video desapareceu pouco depois de ser lançado) não havia a triagem.

      A população está a envelhecer. São ainda muitos os que não sabem ler ou escrever. Irão ser cada vez mais aqueles que, pela maior idade, se sentem seguros com o atendimento personalizado de um médico que os observe e lhes explique como tomar os remédios.

      Fico contente que o seu testemunho seja esse. Triste por ter tanta pessoa à sua volta a precisar de cuidados, mas creio que essa é mais uma coisa com que temos de aprender a lidar quando todos ficamos mais velhos e as células do corpo teimam em fazer das suas :)

      Sempre ouvi dizer que hospitais são locais onde existem bactérias e sim, pode-se entrar com um doença e morrer com outra apanhada lá. Espero não vir a precisar deles. Quando preciso vou a centro de saúde, tanto eu como a minha família, sempre fomos. Está sempre cheio, é difícil encontrar um dia livre para marcar consulta. Não sei se existe essa tal de consulta aberta, mas a existir, decerto estará cheia. O centro está sempre cheio.
      Abraço e saúde!

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  3. Infelizmente para mim, meus pais já faleceram. Ambos no hospital do Barreiro.
    Não sei como é na sua zona, mas aqui no Barreiro, todos os centros médios têm consulta aberta. Normalmente estão dois médicos nelas. Como tenho muitos problemas de saúde, já por várias vezes recorri a essa consulta, mais barata que no hospital (para quem não é isento) e sempre fui muito bem atendida. É questão de se informar quando precise de ir com algum familiar, se na sua zona não existe essa consulta aberta.
    Um abraço

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    1. Muito obrigada Elvira. Sempre disposta a ajudar! Muita saúde para si, é o que mais desejo.

      PS: perdi o início do seu conto e ainda agora fui espreitar, mas já vai avançado. Assim quando tiver mais horas, volto para ler do início. Já sei que vou me entusiasmar :D

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  4. Mas que mau feitio, cá para mim isso é fígado, devias ir ao hospital ver isso...

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    1. Rsss. Até pode ser que tenha um órgão que me esteja a dar "maus ares", rsss. mas deixa estar. Vou para o hospital prá próxima!

      PS: Será que se ligar para a linha 24 e me queixar de mau humor, caimbras, sonolência e irritabilidade eles chegam lá? :D

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  5. Por mimm felizmente ainda não tive de ir a um hospital de urgência. Gostei de ler o que escreveu em comentários acima Elvira Carvalho sobre algo que funciona bem.

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  6. Eu ligo algumas vezes para a Linha de saúde 24, sobretudo por causa das miúdas. Mas confesso, vou com elas muitas vezes às urgências, privadas, que é para isso que me esfolo a pagar o seguro de saúde.

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    1. Maria,
      Quem tem crianças nem pensa duas vezes. Acho bem. Não conheço quem não use a linha ou corra para as urgências quando se trata da vida de uma.

      Acredito inclusive, que a prática de ligar antes vai acabar por ser a norma, porque a tendência mostra que a opção tem sido essa: pegar no telefone para tentar resolver, à distância e de forma não pessoal, qualquer assunto.
      Abraço!

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  7. A mensagem publicitária estará eventualmente mal concebida.
    Se bem percebo, o que se pretende é que as pessoas não entupam as urgências hospitalares com situações (uma constipação é um bom exemplo) que podem e devem ser resolvidas por outros meios.
    Boa semana

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    1. Acho que é mesmo por aí, Pedro. Acertou no alvo.

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