segunda-feira, 8 de junho de 2015

A ironia das aparências



Conversava com dois jovens conhecidos sobre a minha vontade de praticar desporto. Recentemente senti vontade de correr mas não consigo começar sozinha, preferia estar inserida num grupo ou acompanhada de outra pessoa. Sempre gostei de praticar alguma atividade física mas nenhuma foi a que pratiquei desde que na juventude as escolas acabaram com a disciplina de Educação Física. 

O que tenho feito nas últimas décadas se resume a andar bastante a pé e a correr regularmente para estar a tempo nos locais ou para alcançar os transportes públicos. Ainda assim, é mais exercício do que o praticado pelo casal com quem conversava. Ele com 25 anos, ela com 22, nenhum dos dois a olhar com simpatia para a ideia de praticar qualquer desporto. Era «do carro para casa» e assim adiante. Disseram-me mesmo que detestavam correr, transpirar e correr então, é que "nem pensar".



Vai que, por ironia do destino, dias depois a chefe da empresa onde eu e esta colega de 22 anos estagiávamos diz que precisa de alguém que faça corrida para testar um novo aparelho que saiu no mercado. Imediatamente olha para ela, jovem, magra, em forma e deduz que ela é dada a desporto. Convida-a para correr. De seguida, pergunta a outras colegas, também elas reticentes. Não me pergunta a mim, que sou tão «cheinha» quanto ela, a chefe.

No «meu tempo», gostava tanto de correr que o fazia diariamente, ao sair da escola, acabando por desenvolver um hábito entre outros colegas, uma competição. Veio-me à lembrança o diploma que recebi na prova de resistência, por ter sido a que ficou a correr por duas horas seguidas. E as medalhas que ganhei em provas de corrida.


Recordei também como insiro no meu dia-a-dia pequenas atividades que outros não estão dispostos a fazer, por preguiça. Era eu a que não se importava de fazer todos os dias 30 minutos de caminhada até à estação, era também a única que ia a pé até ao centro comercial mais próximo, que ficava a 20 minutos de distância e numa subida de respeito. Nunca ninguém lá foi a pé sem ser eu. Acho até que nem de carro, só por dar trabalho de ter de entrar, sair do estacionamento, entrar noutro estacionamento e ter de andar tudo «aquilo» até as escadas rolantes, até chegar ao piso pretendido...

É a realidade. Sou gorda sim, tenho peso em excesso, levo uma vida sedentária, mas sinto-me bem quando estou em esforço físico. Não aquele de ginásio, de movimentos anormais repetidos e ar com cheiro estranho mas estou quase sempre a procurar uma boa caminhada, ao ar livre, as distâncias nunca me amedrontaram e adoraria fazer subidas em terrenos montanhosos. 


Há anos que tenho a sensação que um dia ia participar nas corridas nas pontes sobre o Tejo mas ainda não o fiz porque, tão simplesmente, não encontrei uma única alma que partilhasse desse mesmo gosto. De forma a que o meu desejo pudesse ter a coragem de «sair» do buraco onde se enfiou e da vida sedentária a que fui apresentada. Simplesmente não consigo achar essa «turma», esse circulo de pessoas mais ativas. Estou mesmo por «outras bandas». Todos que conheço têm pavor a esforço físico. Eu, a rechonchudinha, nem por isso!

Adorava subir às árvores quando pequena, tinha impulsos e desejos de fazer coisas "malucas", que não entendia mas que hoje se chamam de "desportos radicais". Queria saltar de paraquedas, andar de parapente, de asa delta...  Como as pessoas erram quando julgam pelas aparências!


5 comentários:

  1. Tenho que ter cuidado em comentar aqui, pois meu blog pode ser um motivo de choque para a "Alfacinha"....
    Meu blog tem conteúdo proibido e perdoe-me se entro sem pedir licença...
    Mas comento: Eu corro, pratico esportes em geral (tênis e boxe).... mas dou uma sugestão.
    Procure locais onde pessoas correm....assim é praticamente certo que você, ao abordar um(a) corredor(a), terá a chance de pedir-lhe ajuda.... e correr com ele(a)...
    Ao invés de procurar no teu círculo de relações, procure no círculo de relações de quem pratica....

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Já tinha chegado a essa conclusão, porque é verdade. Quem quer ser astraunauta tem de chegar perto de um :D
      Obg pela preocupação e ninguém neste blogue está proibido de comentar.

      Eliminar
  2. Olá PT não sabia que tinha essa porcaria do robot sei lá mais o quê!! Vou tentar resolver isso, mas só quando chegar a casa, porque aqui no trabalho tenho tudo bloqueado.( Bella Condessa) bjokas

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Quase nunca o dono do blogue sabe que aquilo está ativo. Também por isso deixei a mensagem. Mas deves ficar contente porque tem um lado simpático: se ainda assim tens quem passe por essa chatice para deixar um comentário, é porque acha que merece a pena :D

      Eliminar

Partilhe as suas experiências e sinta-se aliviado!