sábado, 14 de fevereiro de 2015

Diferenças entre Lisboa e Porto?

Não querendo colocar a mão num ninho de vespeiro, vou partilhar a impressão com que fiquei após ter estado (finalmente) na cidade do Porto.

Aviso já que esta é uma opinião baseada na "primeira impressão" - as que quase nunca são justas. Vale o que vale somente por isso. Tanto para o bem, quanto para o "menos bem" :D


Então cá vai: LX versus PT

A impressão com que fiquei é que as pessoas do Porto são mais simpáticas. Têm uma carga menos "pesada" na forma de estar. Um energia mais positiva e talvez menos de "fado" (depressiva).

A cidade em si não é tão escura quanto parece- apesar de nunca ter visto o sol a brilhar. Quando chove isso não causa nem metade das inconveniências lisboetas. A chuva não veio acompanhada de rajadas de vento, caiu direitinha ou oblíqua, como um chuveirinho. Em Lisboa fica-se encharcado em dois minutos e as rajadas de vento são tantas e tão simultâneas que é como ser chicoteado com água e frio.

Andar na chuva na cidade do Porto é, por isto, mais agradável. Mas também o é devido ao piso. Mais cinzento mas sem buracos, com boa escoação de água, não tive de me preocupar uma única vez onde metia o pé, não tive de contornar "lagos" formados a meio do percurso, poças de água nem recebi aquele "chuveirinho de água suja" com a passagem dos automóveis na estrada. Em 30 segundos a pisar Lisboa esta foi a primeira enorme diferença que notei: chovia mais, estava mais frio e ia escorregando e caindo umas quatro vezes, devido ao piso excessivamente molhado. Desviei-me de dezenas de poças de água de todos os tamanhos.

Achei o Porto muito turístico e sem atrativos locais. A maioria das lojas estão fechadas a um sábado, mesmo cafés que anunciam o sábado dia de são valentim. Abertas só mesmo as dos chineses e um ou outro café e casa de refeições. Claro que, existe uma pequena excepção para o centro turístico e os pontos turísticos em particular. Nota-se que muito comércio, à semelhança da capital, está há muito fechado e abandonado. Mesmo nas ruas mais frequentadas.

O que mais me surpreendeu? A afluência das pessoas a levar flores até ao cemitério (oriental). Aquilo parecia um shopping, cheio de gente. Uma afluência incrível, a um sábado. Ou será que o "dia dos namorados" tem algo a ver?? Também à porta do cemitério deparei-me com o que mais me impressionou nesta viagem.

O que mais me impressionou? A miséria. A miséria que está por toda a parte e se reproduz e multiplica. Vi um casal a tirar folhas de couve do interior de um contentor do lixo. E uma idosa a espreitar o interior de outro. Não vi um único homem portuense que estivesse a fazer alguma coisa de útil. Nas lojas encontrei mulheres a trabalhar mas os homens -que os havia em demasia - esses deambulavam por ali, parados a ver o tempo passar, ora a fumar. Muitos com aparência de desocupados ou sem abrigo.

E infelizmente, não se pode olhar "dois mississipis" para nenhum, que são capazes de imediatamente se comportarem como se tivesses demonstrado interesse.

O "homem do norte" ficou muito mal representado a meus olhos. A bem dizer a verdade, a determinadas alturas cheguei a sentir algum receio. Eram muitos, quase todos o mesmo ar de andarem por aí... a fazer nada. Suspeito ter sido tomada como prostituta umas tantas vezes quando atravessava uma determinada avenida. Um homem, do outro lado da estrada, que estava parado perto da montra de uma mercearia para a qual eu estava a espreitar, deve ter achado que o mirava, fez-me um aceno e piscou-me o olho.Achei nojento. Outro que nem vi bem, só percebi ser muito velho, quando passei, virou-se lançado para mim, que acho mesmo que me ia abordar como abordaria uma prostituta. Numa rua muito movimentada e turística, um velho passa por mim e lança-me um piropo vulgar que eu faço por ignorar. E a lista  continua... Só pervertidos e tarados. Nada de charmosos, inteligentes ou interessantes. Eu sei que já não estou tão jovem mas passei a suspeitar que devo parecer bem pior, para ser abordada por homens que me tomam por uma daquelas que "prestam favores". De um simples "se faz favor" e um "obrigada" podem deduzir que uma mulher está a demonstrar algum interesse neles a nível sexual. Devo estar mesmo acabada.

Os "homens do norte" têm uma certa fama de serem os "machos" que vão direto ao ponto sem muitos rodeios, mas se isso é o que vi, é apenas deprimente e ultrajante.

A simpatia das pessoas que atendem no comércio foi, como disse, geral. Mas como não existe pano que não tenha nódoa, numa determinada cantina de comida low cost encontrei a excepção. Numa jovem rapariga que começou por me atender mas quando comecei a falar já estava a prestar atenção a duas clientes já atendidas ao lado. Estive quase para virar as costas e ir embora. Segurei esse impulso por estar numa cidade que não conhecia, para dar uma oportunidade e não julgar de imediato a atitude da pessoa. Passado um minuto volta a dar-me atenção e ainda por cima repete que as clientes já estavam a ser atendidas por uma sua colega. Sou atendida, para logo a seguir voltar a ser ignorada. Sabem aquela empregada que não esboça um sorriso, nem te olha na cara e depois faz que não ouve? Resisti à tentação de lhe perguntar se era de Lisboa ou natural do Porto, ahahahah! (também, certamente não me responderia). Este local também pareceu frequentado por alguns indivíduos de aparência mais estranha, que ali ficam sem consumir nada, sentados nas mesas, com ar estranho e muito próximos de ti.

E pronto: justo ou não.
Eis a primeira impressão.
Digam "sim" ou "não".


PS: De uma forma generalista, tendo a concluir que a SIMPATIA é algo que existe em mais força em cima (no norte) e vai-se perdendo até chegar lá abaixo (no sul). Porque para ser sincera, tirando poucas excepções, os algarvios também não gozam lá de uma boa reputação nesse sentido. E são os próprios que por vezes o dizem.


6 comentários:

  1. Gostava que viesses a Braga para saber a tua apreciação...

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    1. Gostava que me desses a tua. Isso tem água no bico?

      Já fui a Braga, duas vezes, mas foi mesmo de turista, de passagem, como dormitório. Entrada no hotel, saída, caminhada pela rua principal cheia de flores, visita à sé e de volta no carro. Acho que "não conta".

      Porém tenho uma impressão sim. Achei mais bonita e menos claustrofóbica que o Porto. As pessoas também me pareceram, se não me falha a lembrança, mais metidas com a sua própria vida do que interessadas em reparar na dos outros. Isso tanto é bom, quanto pode ser mau. No Porto essa forma de a tua presença ser tão notada por homens que deambulavam sem nada fazer me incomodou. Não o notei enquanto estava acompanhada, mas assim que fiquei por minha conta.

      Mas Braga também é norte, certo? :D
      Abrejos

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  2. Apesar de partir com o estigma de Homem do Norte, elogio a forma sincera e honesta da escrita.
    Conhecendo também as duas cidades, vou tentar dar a minha visão.
    Quanto à chuva, não há comparação possível entre tripeiros e alfacinhas. Vocês são uns abençoados. Por aqui chove quase 10 meses por ano. Muitas vezes mesmo no Verão, quando o resto do país está na praia. Aceito que, quando é para dilúvio, estar em Lisboa não é nada simpático. Já passei más experiências por aí.
    Da simpatia das pessoas foi o ponto que achei mais interessante. Como natural do Grande Porto, tenho uma visão diametralmente oposta. Acho as pessoas do Porto (dos 30 para cima) relativamente sisudas no dia a dia. Ao contrário dos Lisboetas que me parecem sorrir com mais facilidade. A diferença está na genuidade e empatia. No Porto as pessoas são bastante mais prestáveis e prontas a ajudar desconhecidos. E quando sorriem, fazem-no sinceramente. Ao passo que em Lisboa tudo é muito impessoal. Cada um parece estar num mundo próprio, só deles. E quando sorriem, há uma sensação omnipresente de falsidade por detrás dos lábios.
    Obviamente estou a generalizar. Como em tudo, existem excepções para os 2 lados.
    O Portuense é também mais humilde quando comparado com o lisboeta. Talvez seja essa uma, senão a principal razão, porque vocês são bastante mal vistos por cá.
    Por fim, o comentário que faz da fauna masculina, compreendo, lamento, mas tem explicação. Em certos locais da cidade, nota-se de forma vincada a segmentação social da população. As pessoas que encontrará na baixa do Porto num domingo, estarão nos antípodas das que encontrará na Foz a essa mesma hora. Decerto que se tivesse visitado os mesmos locais num dia normal de trabalho, essa impressão estaria mais diluída.
    "Broncos" existirão em todas as cidades e o Porto não é excepção.
    Por fim, um ponto que não referiu mas penso pertinente, apesar de alguma pequena criminalidade, o Porto é uma cidade bastante mais segura do que Lisboa.
    Mais do que discutir diferenças, o que está errado em Portugal é a estereotipização que os media Lisboetas fazem das diferentes regiões do país. Programas como aqueles das tardes de domingo deveriam ser banidos. As pessoas que geralmente neles aparecem, estão longe de representar as populações locais. Contudo, a ideia que passa, é que aquilo é o Portugal provinciano.
    Dada a minha visão, espero que um dia volte a visitar o Porto e possa disfrutar de uma melhor experiência, sem chuva e sem "broncos".
    Ah! Numa coisa ganhamos aos pontos. Os nossos restaurantes vencem os vossos de goleada. Especialmente os de Matosinhos/Leça da Palmeira :-)

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    1. Bem vindo ao meu cantinho Hugo.
      Apreciei muito que cá tivesse vindo e deixado um comentário. Sei que este post é lido com frequência mas se quem lê não comenta, entra e sai sem se saber o que achou.

      Acredito no que diz, pois tem conhecimento de causa. Eu apenas fiz uma visita rápida e foi com base na primeira impressão condicionada a parte da cidade num fim-de-semana alongado. E preços, nesses restaurantes, são mais em conta?

      A TV é um universo à parte. Não discordando do que diz, por algum motivo esses são os programas que se diz à boca solta serem para os emigrantes. Não é uma observação pejorativa, pelo contrário. Uma vez fora dá-se valor a tudo o que venha de cá e esses programas só por mostrarem uma paisagem local, um sotaque, uma dança típica... já tocam nos corações dos que estão longe à muito tempo. Se bem que a razão para existirem não é essa :) Eles existem porque são mais baratos de produzir e especialmente por poderem angariar dinheiro com as chamadas de valor acrescentado.

      Agradeço-lhe ter cá vindo espreitar e deixar um comentário. Espero voltar um dia ao Porto novamente, para conhecer a cidade melhor. Abraço.

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  3. Sinceramente, és uma idiota. Independentemente de teres estado pouco tempo no Porto, nota-se claramente que o teu poder de reflexão é igual ao de uma criança de 6 anos. Nunca tinha lido semelhante disparate. Acho que devias deixar a escrita.

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    1. Há pessoas que se vêm ao espelho e julgam os outros por aquilo que são. Claramente é o seu caso, que dá até para rir, não fosse igualmente triste a crescente idiotice que se verifica pelas gerações. O teu comentário «unknown», de perfil privado tal e qual os maires cobardes, merece de mim o desprezo que o teu julgamento precipitado e ignorante merece. Seis anos é muita maturidade comparado ao disparate que destilas aqui. Publiquei o teu comentário porque sou democrática e todos aqui têm o mesmo direito de expressão, ainda que só digam disparates. Achas que devia deixar a escrita--- que disparate. Tanto disparate junto! Conheço crianças de cinco anos com mais educação e mais visão que este teu disparate idiota que revela ignorância, incapacidade de distinguir conceitos básicos que se aprendem na escola primária e só visa provocar e insultar. Eu não sou obcecada pela minha cidade feita uma parvinha que, ao ler qualquer referência a ela, desata a atacar o pinante. Nem sou xenófoba. Cumprimentos e amadurece, se ainda fores a tempo!

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