Nunca fui pessoa de fazer mexericos. Ou de saber de algum.
Quando alguém me vinha contar algo acho que não reagia como a maioria: não demonstrava entusiasmo excessivo, não alimentava.
As pessoas devem ter percebido a minha falta de talento para a coisa e deixaram de me incluir na rede "social" que é o mexericos, que defino como o "antes de Cristo" das redes sociais atuais.
E sabem que mais?
Se não estou incluída, então devo fazer parte do mexerico.
Isso foi algo que descobri recentemente. Até então nunca me tinha passado pela cabeça 🗣️.
Porém ontem... Ontem foi diferente. Fiz parte de uma conversa de mexericos. A colega que estava comigo a escutar disse que era "fun" (divertido?) saber de mexericos.
E pela primeira vez entendi o que isso significa.
Isto fez-me refletir na quantidade de interacções sociais perdidas que tive. Onde só devo ter sido alvo de mexerico, nunca parte da rede transmissora dele.
E quantas vezes APONTADA como autora de um, sem saber? E ter sido ostracisada por isso?
Olhando para trás, desde a escola primária até a idade adulta, hoje detecto muitos episódios que posso ler dessa maneira.
Em Macau são conhecidos por xuxumecos
ResponderEliminarNão tenho redes sociais mas oiço muitos que deixaram pelos mexericos!
ResponderEliminarBeijos e um bom dia!
Pois. Quem não é dado a mexericos, sofre deles pelas costas. De qualquer modo, fazer mexericos também não é minha praia.
ResponderEliminarBeijinhos.
Talvez este mexerico tenha sido agradável para mim porque a pessoa alvo do mexerico me fez muito mal - ainda faz - e tudo o que observo nela e que pensei que só eu notava - afinal é partilhado por muitas outras pessoas também.
ResponderEliminarTalvez essa tenha sido a razão de gostar de fazer parte de uma conversa de mexerico. Algumas coisas que ouvi dizer batiam 100% certo com o que via com os meus olhos e me incomodava. A pessoa usa o fato de ser mulher para ser super simpatica com tudo o que é homem no local de trabalho. Mas com mulheres, não parece ser tão afectuosa. Esse recurso que ela usa faz com que seja poupada de trabalhar. Passa o shift a passear, a andar de um lado para o outro a conversar com tudo o que aparece. Mas se for homem, é certinho. Ela vai, como uma flecha, direta a eles. Notei um ou outro deixou de ser o mesmo comigo depois dela andar a rodeá-los. Ela influencia as pessoas nesse sentido - deve recorrer a mexericos que ela própria lança.
Bom, essa parte do mexerico me encheu a alma. Pensava estar isolada nessa percepção. É bom saber que outros detetam também. Depois soube que ela já teve muitos problemas e fizeram queixa dela algumas vezes. Isso não acreditei. Infelizmente não deve ser verdade. Porque ainda anda por lá, a seduzir tudo o que é macho. E eles gostam. Permitem. Saem do lado dela com um longo sorriso nos lábios. Se fosse homem ia sentir-me OFENDIDO com uma pessoa como ela! A tentar influenciar-me com sorrisinhos e palavrinhas de sedução. É assim tão fácil manipular a mente de um homem??
Também disseram que ela andava com alguma intimidade com um gerente - não acreditei. Ainda que tenha conhecimento que ela "melhorou" de estatus lá dentro assim que foi para a cama com um colega. Ou seja: mal tinha aparecido ali, já se queixava que não tinha shifts suficientes e era melhor que todos aqueles "pretinhos". Depois passou a ter shifts todos os dias. Quando se viu aflita contou-me a razão: tinha se envolvido sexualmente com a pessoa que lhe podia dar esses shifts.
Mas contou a coisa como se ela fosse uma vulnerável vítima de um monstro. Contou-me algo horrível dele e eu fiquei genuinamente aflita, desconfortável, preocupada com ela. Hoje não acredito nesta versão que ela me contou. Eu sofri e fiquei verdadeiramente aflita por ela - ao mesmo tempo que me dava conta que ela me bombardeava com problemas tão exacerbantes que iam além da minha capacidade e familiaridade. Ela me envolveu demasiado.
Esta pessoa é especialista em manipulação. Mas como desperta em algumas mulheres essa percepção da sua obvia manipulação por meios de sedução, ela se diz vítima de inveja delas. Sempre vítima, nunca culpada de nada. E sempre a precisar de ajuda de um homem, pobrezinha. Nunca falou com mulher alguma ali dentro, até chegar a altura de andarem a recrutar pessoas para serem contratadas. Só então ela passou a sorrir para todos os homens e também a esforçar-se com mulheres. Queria mesmo aquele contrato. Eu costumava chamá-la dentro da minha cabeça de "Miss simpatia" - parecia estar no concurso de Miss. Cada vez que via passar alguém abandonava o seu trabalho - a gerência nada dizia ou parecia ver - e ficava entre 5 a 15 minutos sem trabalhar, só a conversar. Cada conversa era um investimento para ser contratada.
E foi. Quando me disseram que eu tinha sido aceite e ela também, senti-me INSULTADA. Se acham que o trabalho dela é ao mesmo nível do meu, é um insulto.
Ainda que soubesse, no fundo, que ela ter sido aceite foi mais o resultado de uma teia de sedução, de flirt, que ela manteve acesa durante o tempo de duração das decisões.