terça-feira, 20 de junho de 2017

O incêndio em Pedrogão é o SOS da mudança

Foram decretados 3 dias de luto Nacional pelas vítimas do incêndio em Pedrogão.




Quando soube do sucedido senti-me abalada e subitamente invadida por uma tristeza de criar lágrimas. Ponderei sobre este tipo de sensibilidade. Com tantas tragédias a acontecer por este mundo fora, sem dúvida que lamentamos todas, mas sentir profundamente só poucas. 

Qual a diferença?
O sentir-mos que estão perto ou terem acontecido com pessoas ou locais que se conhecem bem. São esses os instantes em que o ser humano se centra no que realmente é importante.

Ontem podia ter tido queixas da vida sobre algumas coisinhas singulares....
A tosse que não me passa (voltou), o fato desta incomodar o indivíduo cá de casa durante a noite e eu estar agora acordada porque é a única forma que tenho de não tossir tanto (mas preciso descansar)... Contudo, quando ele veio ter comigo, disfarçadamente, dizendo que eu devia tomar um xarope porque tossi muito alto durante a noite... nada disso me incomodou.

O que é a minha persistente tosse seca e seus surtos diante da tosse sufocante daqueles que padeceram no incêndio? Nem se pode comparar as origens.

Hoje fiquei a saber que uns familiares estão entre as 64 vítimas do incêndio em Pedrogão. Faleceram na apelidada «estrada da morte». Essa consciência de que alguém que conheceste, que viste crescer a certa altura da vida, que partilha avós, tios, sobrinhos, primos contigo faleceu dessa maneira, a morte de crianças, tudo isto obriga-te a por a vida em perspectiva. 

Sabe-se que a inalação por fogo é a principal causa de morte em incêndios. E eu só espero que o final deles tenha sido... Meu Deus! Como posso sequer imaginar? O desespero? O saber-se encurralado e o ver com os próprios olhos enormes paredes de chamas em todas as direcções? O calor??

Quem já esteve perto de um pequeno fogo, ou a quilómetros de distância de incêndios, sabe o quanto se sente intensamente o bafo, o ardor. E isto em reduzidas ou distantes proporções! Estar num...   

Incêndio que deflagrou no sábado, 17 de Junho
Em Pedrogão Grande, distrito de Leiria


É tão importante a PREVENÇÃO!!
Espero que seja DESTA que algo mude no sentido de IMPEDIR que a população esteja totalmente vulnerável diante das chamas. Tem de existir um momento na nossa história de incêndios florestais que será apontado como o «momento de mudança» e, espero sinceramente, que seja este. Afinal, este também é de origem diferente. E se a NATUREZA nos está a explicar tão claramente o que acontece, é bom que prestemos atenção ao que ela nos diz. Porque geralmente, ela avisa primeiro com um bom exemplo e depois... aplica outro devastador!

Então espero que aprendemos de vez que é VITAL incluir na nossa rotina conhecimentos de SOBREVIVÊNCIA em caso de catástrofes. Sejam elas naturais ou não.

Quantos de nós tem um extintor em casa?
Uma máscara para a não inalação de gazes tóxicos?
Sequer uma manta anti-fogo?

Falo por mim: não tenho nenhum.
Mas sempre quis ter. 

Quis ter mas nós damos tão pouca importância a estas coisas que podem fazer a diferença entre a VIDA ou a MORTE que reparei que ainda é muito difícil encontrar informação, aceder e ter disponíveis utensílios de prevenção.

Se eu for à farmácia pedir um KIT de primeiros-socorros, dão-me um estojo com gazes, adesivos, uma tesoura, desinfectante... enfim. Um Kit para estancar pequenas hemorragias e desinfectar feridas.

Mas e se eu quiser um KIT anti-incêndios?
Anti-inundações?


Faz muitos anos que sou da opinião que todos devíamos ter em casa este género de equipamento. Mas nunca consegui encontrar informação de como o obter nem de onde o encontrar. Nos dias de hoje, em que se constroem infraestruturas gigantes em betão (lembrem-se do poder mortífero da poeira lançada pela derrocada das torres Gémeas em Nova Iorque), agora que se faz terrorismo químico, é ainda mais importante saber como funcionam e ter equipamentos apropriados que nos podem salvar a vida. 

Estamos entregues a nós mesmos. Vulneráveis a 100%.


5 comentários:

  1. Era bom que fosse um grito de mudança, uma viragem de página.
    Não acredito que seja.
    Já ouço isso há tantos anos...
    Se calhar alguém será demitido e tudo ficará na mesma.

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    1. Eu quero muito acreditar. Mas hoje li sobre a origem do fogo aqui (http://rr.sapo.pt/noticia/86643/algo_falhou_em_pedrogao_porque_todos_os_incendios_comecam_pequenos) e comecei a sentir o mesmo.

      O especialista explica que este foi um fogo conventivo, um fenómeno raro e considerado incombatível. Contudo, se for logo na origem... Porque todos eles começam pequenos. PORTANTO a resposta às primeiras chamas faz toda a diferença. E isso vê-se nestes testemunhos (http://rr.sapo.pt/video/141348/pedrogao_grande_foi_uma_coisa_de_repente_que_passou_e_que_parecia_o_diabo) - pessoas que ficaram em suas casas a apagar pequenos fogos que surgiam...

      O especialista menciona um detalhe que faz toda a diferença: O Governo não é dono de todas as matas. Ora, isso não o impediria de cumprir a sua parte com a sua área florestal e exigir dos privados os mesmos cuidados.

      O especialista ainda designa de "hérculeo e caro" o trabalho de prevenção que seria necessário para prevenir tais incêndios.

      Eu, que sou esperançosa, defendo o seguinte:
      1 A proteção Civil devia fornecer cursos de informação e prevenção para catástrofes naturais, através de cada freguesia, ou camera, a cada cidadão residente em Portugal.

      Neles ia-se aprender, por exemplo, se se deve tentar fugir (pelos vistos é o pior) ou se se deve ficar.

      2) Distribuir infraestruturas preventivas em cada residência rural individual. MESMO QUE O CUSTO fosse pessoal - cada pessoa devia saber que construir uma cave, ou ter um tanque de água ou algo do género, pode fazer a diferença entre a vida ou a morte em caso de algumas tragédias pessoais. E tal como se instalam antenas parabólicas, painéis solares, alarmes com video-vigilância - INSTALAVAM-SE equipamentos de segurança e de combate a catástrofes naturais, fossem elas de origem no fogo, água, ar ou terra.

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  2. Portuguesinha,
    São zonas desertificadas por força da debandada das pessoas para as grandes cidades, para o litoral ou que emigrara. O estado encerrou serviços vários. Rareiam as populações e restaram as envelhecidas. O estado detém cerca de 2% de floresta, a restante é de privados...quem limpa as matas?
    Para repor a simetria populacional demorará muito e duvido que funcione. Resultado? Os fogos irão continuar a devastar tudo.

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    1. Sim, Célia. Depois de ler um artigo de um especialista em incêndios entendi esses detalhes que fazem toda a diferença. A desertificação e o fim da prática da agricultura em menor escala são altamente responsáveis. Mas creio que isso é reversível. O estado não pode fazer nada se não é dono dos terrenos MAS pode colocar leis que obrigam a que os terrenos sejam limpos. Ou podem trazer de volta os fiscais das florestas para imporem multas a quem deita lixo para as bermas das estradas, etc... Pouco, talvez, mas educação cívica nesse sentido, precisa-se.

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    2. Se a eletronica serve como vigilância para controlar velocidades e impor multas, não poderá também ser usada para vigiar quem despeja detritos em bermas de estrada? Se tiram logo uma foto do carro e da matricula em caso de excesso de velocidade ou de nao pagamento de portagem, porque nao o mesmo para os que poluem o planeta?

      E CAMPANHAS DE SENSIBILIZAÇÃO E EDUCAÇÃO a passar gratuitamente nas TVs. Para EDUCAR o povo a não deixar lixo nas matas ou nas bermas das estradas - desde garrafas de vidro, de plástico, a papéis, jornais, beatas, TUDO.

      Pequenos gestos nem muito caros - que podem fazer grandes diferenças e meter todos "na linha"

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