domingo, 27 de agosto de 2023

Acusei Positivo

 

Acusei positivo para Covid faz dois dias. Tenho me sentido... como uma pessoa com Covid se sente. Embora presentemente consiga respirar pelo nariz, o sintoma mais problemático é mesmo a forma como nos sentimos. Dor de cabeça, suor pelo corpo, tosse, nariz a pingar, garganta a arranhar, olhos inchados. Mas o pior dos sintomas é mesmo a sensação incómoda na base das costas. Consigo continuar a rotina mas é essa impressão lombar que não me permite ser muito eficiente. Para piorar a situação, ao mesmo tempo apareceu também "aquela altura do mês". O que acho que não é coincidência, pois jamais esqueço que ambas as vacinas anteciparam " a altura do mês" assim que as levei. 


De momento estou com as costas viradas para o sol. Quando este não desaparece atrás de uma nuvem. O malandro escondeu-se e não me deixa usá-lo para me curar. 

Pensa-se que o Covid "já foi" mas não. Ele nunca vai desaparecer. Em Inglaterra o clima está misto: chove e faz sol várias vezes ao dia. Já é inverno, sem nunca ter sido verão ou primavera. A minha necessidade por férias de verdade abrange tudo isto. Mas não vai acontecer. 

Estou à espera... só o tempo fará com que me sinta melhor. O bom em apanhar novamente Covid é que, penso eu, agora não apanho mais! São duas semanas a um mês - se bem me lembro, para recuperar em pleno. Mas eu quero recuperar de imediato. Sexta-feira quando fiz o teste - daqueles caseiros pois adquiri bastantes e armazenei-os, fui trabalhar. Tentando passar por pessoa saudável e mantendo as distâncias. Na realidade, estava a sentir-me estranha mas apta. A febre tinha desaparecido e senti-me, tirando o peso nas costas, bem. Quando entrei no autocarro regresso a casa não tossi. Controlei-me. Não respirei para cima de pessoas. Não abri a boca. Mas uns tipos que sentaram atrás de mim não paravam de falar e um tossiu sem cobrir a boca. Olhei para trás. Queria que tivesse consciência do gesto. Eu estava positiva e se tossisse provavelmente teria transmitido o virus. 

Ninguém aprendeu NADA com o Covid! Inglaterra jamais terá o civismo da China ou do Japão neste sentido. Aqui tudo é para "inglês ver". 

Regressei ao uso da máscara - o que aqui continua a conceder-te "funny looks" como disse um colega que diz que a usa quando vai às compras. E é mesmo verdade. Se colocas uma máscara no rosto, as pessoas olham para ti como se tivesses lepra. Alguns, se pudessem, atirariam pedras. Não se aprendeu NADA com os 2 anos de pandemia. 

Trabalhei o sábado inteiro e teria ido hoje, Domingo, também. Não fosse terem-me PROIBIDO. 

Sim, proibido... Hoje era o Domingo que eu mais ansiava. 9 horas de trabalho garantidas! Um doce. Eu adoro trabalhar aos Domingos e não fiz nenhum segredo disso. Talvez tenha sido o meu erro, pois sempre que podem, os tipos fazem de tudo para me tirá-lo. 

A JUSTIFICAÇÃO  que me deram é que não posso trabalhar 7 dias seguidos sem teruma folga. Até acreditaria nisto, não fosse o estar a trabalhar todos os dias faz três semanas. Então porquê só agora é que lhes está a fazer espécie? Desde que me deixem, eu vou trabalhar. Não sou uma pessoa que quer "apanhar tudo". Tenho um horário de merda - que não me permite pedir overtime muitas vezes. Então só posso fazer OT três dias da semana + o Domingo. Os outros dias não tenho como. Eles não dão overtime a quem trabalha de tarde. Se derem, é para a noite e fazem-te esperar 4 horas entre um turno e outro. Ridículo, passar 12 horas no emprego para receber apenas 8.

Isso sim, é que não te deixa descansar adequadamente. Anda-se sempre cansado, com a sensação que só se faz é trabalhar mas depois, financeiramente, não se vê o resultado porque as horas pagas não foram muitas. 

Não gosto dos turnos de 4h - são exasperantes para mim. O tempo não passa, parecem que duram sete dias! São monótonos. turnos de 8h, adoro. Por vezes chegam ao fim e nem dei conta do tempo a passar. Porque foi intenso. 

 
Por uns instantes fez-se luz. Encontrei um alojamento que parece ser perfeito! 
Só precisava que alguém mencionasse como era a deslocação do aeroporto para o local. Então fiz a pergunta no website. Não comprei antes de receber a resposta. Com a resposta feita, tratei de ir logo fazer a reserva. De um dia para o outro, deixou de estar disponível.


Se de facto não estiver disponível, desisto da minhas férias na Madeira. Sinto-me profundamente dececionada com este contratempo. Foram 3 dias a pesquisar alojamentos no Funchal, sem esperança de encontrar um que não mencione algo bastante negativo e medonho. 

Encontrei um ontem - poucos detalhes dados, uma referência a sujidade de pó mas de resto, coisas positivas. Nada muito alarmante. Devia ter comprado de imediato. Não o fiz, alguém se aproveitou da minha hesitação para tomar o lugar para si. Foram uns três dias de busca, sempre com os mesmos resultados disponíveis. SEMPRE os mesmos. Ninguém pegou. Foram logo pegar naquele que me agradou? Cambada de metediços! Se não estiver  disponível espero que a estada lhes seja super desagradável. Pode não ser um desejo bonito, e os meus desejos são fraquinhos, nunca se realizam. Mas caramba! Estou cansada de ficar só com a ponta podre. 



 


sábado, 26 de agosto de 2023

Férias na ilha do calor, mosquitos e sujidade

 

Buracos nos lençóis, extremo calor sem ventalização, muito ruído, falta de limpeza, mosquitos e baratas, noites sem dormir, cães a ladrar dia e noite, discoteca ou vizinho que escuta música alta... Até agora não consegui encontrar alojamento na Madeira que não assuste!

sexta-feira, 25 de agosto de 2023

 

Eu nao compreendo estas pessoas.

Um puto de certeza menor de idade parado na rua frente ao supermercado a enfiar na mochila cada uma das latas de cerveja laguer que comprou em pack de seis. 

Uma grávida com uma barriga que parece que a criança está pronta para nascer, a fumar cigarros.

Duas amigas no autocarro sentam em bancos opostos do corredor mas não páram de falar. Sentar a janela para quê se ficam de costas e olham uma para a outra?

Esta cidade nao faz sentido.


quarta-feira, 23 de agosto de 2023

Férias - a dor de cabeça

 
Desde as 2 da tarde até agora, 8 da noite, à procura de alojamento na Madeira, Funchal. Planeio uns dias de férias lá, mas como não conduzo e pretendo caminhar, tenho de escolher bem a área onde vou dormitar. Tem de estar perto de transportes e, ao mesmo tempo, ser silenciosa, agradável. Tarefa que, em seis horas, não consegui completar. 

Alguém por aí que seja muito viajado e conheça a Madeira - o Funchal em particular, pode dar umas dicas? Até encontro alojamento a rondar as 300 libras por uma semana. Inclusive pequenos estúdios de 25 m2, que me vão facultar uma outra necessidade: ser a única a usufruir de um espaço. Tudo depende das reviews. E pelo que percebi, todos os locais turísticos na madeira sofrem de um mal comum: humidade, bolor, ausência de ar condicionado, muito mosquito. 

Já sei que vou levar comigo um daqueles "mata-mosquitos" eletrónicos, uma pulseira repele-insectos, talvez até leve uma mosqueteira. Levo também uma bateria portátil para o telemóvel. Quando descobrir como o fazer, pretendo tornar o meu telemóvel rastreável a enviar sinais de PIN - caso desapareça vítima de crime e seja preciso localizar-me entre o mato. Rezo para que escolha um alojamento com boa conecção de WIFI, porque, aparentemente, por toda a ilha esta é muito pobre. 

Pretendo caminhar nas levadas. Quais, não sei. Porque presumo que nenhuma fica no centro do Funchal - ahah, e caminhar até elas é em si uma tarefa de meio-dia. A menos que haja transporte. Mas vi um site que disponibilizava transfers por 145€ e achei um roubo! Além de que, na prática, não disponibilizava nada, não estava funcional. 

Para não mencionar a deslocação do aeroporto para o alojamento e vice-versa. Preço da viagem de avião para finais de setembro está razoável, menos de 100 libras ida e volta, desde que a partida e regresso seja em Lisboa. Não dá para ir nesta aventura de Londres - os valores triplicam. Alojamento entre 300 a 500 libras - tentando diminuir esta valor, ainda assim, já faz uns 600 em gastos. Mais uns 1500 que vou gastar em Lisboa por três semanas. E os 100 que gastarei por ter mudado as datas de vôo, pois as minhas férias eram para ter começado na passada segunda-feira. 

Vontade para fazer isto, tenho. Necessidade e desejo também. Pessoas a dizer-me para não o fazer- sempre. (família). Nem está caro - embora vá regressar das férias com menos uns 2500 euros no saldo. 

Porém para visitar a ilha da Madeira estou limitada à minha incapacidade para conduzir um automóvel. Dizem-me que, para conhecer a Madeira, só mesmo de carro. Não tenho ninguém para me acompanhar, embora o alojamento que estou à procura ofereça o mesmo valor para 1 ou 2 pessoas. Então vou comprar para duas, ahaha. Pode ser que se dê algum milagre e surja uma companhia inesperada. (não). 

Para conhecer a ilha minhas pernas terão de fazer o serviço - com gosto. 

Alguém sugere algo??


Montras

 Já é Natal!

Pois é. O comércio já começa a por ca fora o seu stock natalício.


Já está a mostar as oferendas habituais...


Os cofrets de banho, higiene e afins. 
Prateleiras sem fim!

Embora antes do Natal ainda exista o Halloween
 

Este tinha pouco destaque na loja e nem esperaram a data passar para tirar as de Natal.

Estamos em Agosto.
Halloween: 31 de Outubro (2 meses)
Natsl: 25 de Dezembro (4 meses)

E se querem comprar passagens de avião para este natal, apressem-se!! Os preços também já avançaram 4 meses.
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Quando era criança ofereceram-me uma boneca que eu queria muito: uma do meu tamanho!

Vi estas na loja e logo reparei no mal que se está a fazer às crianças.


Conseguem perceber ao que me refiro? Vejam bem:

No meu tempo, garanto-vos: as pernas das bonecas eram mais cheínhas. Aqui sao dois paus, que nem se tocam. E a cintura? Bonecas magras mas mamalhudas.


Estamos a dizer às meninas que isto é belo. È o mais desejável. Perninhas finas, praticamente só ossos e umas salienças para o peito. 

No meu tempo as bonecas tinham também mais cabelo! Bonito. Estas estão, de facto, mais fiéis a realidade actual: pessoas com pouco cabelo, fios finos e penteados sem graça.




terça-feira, 22 de agosto de 2023

Pessoas com deficiencia

 Em dias de sol subitamente surgem pelas ruas um maior numero de pessoas com deficiencias que os torna dependentes de terceiros. Desde crianças em carrinhos de bebé empurrados por membros da família a adolescentes e adultos acompanhados de cuidadores.

Esses cuidadores, aqui ma zona, quase sempre sao emigrantes vindos de africa. É um traço comum, não sei a razão. 

Vêm-se muitos. Subitamente, com a presença do sol e do bom tempo, vejo-os em maior numero pelas ruas e começo a reflectir sobre como é suas vidas quando nâo está sol. Percebo que o número de pessoas com atraso cognitivo é bem significativo - ao contrário da impressão que o dia-a-dia pode causar.

Como não saem muito de suas casas, não os vemos. E como não os vemos, achamos que não são muitos. Mas são. Inclusive crianças o que significa que ainda continuam a nascer bebés com problemas de formação.

Deve ser uma realidade muito intensa que muda a perspectiva de tudo. Confesso que sempre temi um pouco ao imaginar que podia acontecer a um filho meu. Como ia eu agir? Acho que, se ja tivesse tido um filho saudavel, conseguiria lidar melhor. Mas se nao tivesse, acho que precisaria de passar por essa experiencia, igual a da maioroa dos pais e, tal como muitos que tem filhos com problemas, acabaria por providenciar outro, receando mas esperando que este nascesse totalmente saudavel.

Quando me imaginei mãe, um ser saudável sempre foi o que me surgia no pensamento como desejo. Desde que viesse saudável, o resto se arranjaria. Do resto me encarregava eu.

A pesar de ter crescido com algum contacto com pessoas com deficiencia fisica, e, por consequencia, por vezes avistar e partilhar espaços com pessoas em cadeiras de rodas tetrapelegicas e com deficiencia cognitiva, não sei quem eu seria se essa fosse a minha realidade. Se tivesse de cuidar de alguém nessas condiçôes ou se subitamente algo limitativo acontecesse a mim ou a um dos meus.

Reapeito quem vive esaa realidade.

Não sei como eu lidaria com ela.

Acho que ninguém sabe, até lhe acontecer.



quarta-feira, 16 de agosto de 2023

Vejam a extenção das consequ^ncias dos jogos online

 

Se conseguirem sintonizem o canal ACM Crime e vejam o quinto episódio de Web of Lies - sobre SWATTING.

Um crime hediondo que, claro, só pode acontecer nos EUA...

Mas não se iludem. O que acontece por lá, depressa surge noutros cantos do mundo. 


SWATTING consiste no crime de realizar um telefonema para a polícia de emergência reportando um crime sério que precisa de intervenção imediata. A polícia especial SWAT aparece em minutos. Uma polícia que foi desenvolvida para lidar com ameaças de terrorismo, perigo imediato. Ou seja: pronta a disparar. 

Em 2019 esta polícia recebeu um telefonema de um homem que afirmou ter acabado de assassinar o pai. E preparava-se para assassinar a restante família, que mantinha refém. Depois de dar o endereço, em minutos a polícia surgiu aos berros e armada, para que o homem surgisse fora de casa. 

Usando uma T-shirt azul e calças brancas, um homem surge no alpendre e, ao baixar um braço, o polícia julga que ele vai apanhar uma arma e dispara um tiro fatal direto no coração. Tratava-se de uma chamada FALSA de sequestro e homicídio. 

Descobriu-se que tudo não passou de uma técnica de vingança usada por adolescente, que ficou chateado quando foi morto num jogo online por fogo amigo. Sempre interagindo no computador, procurou descobrir o verdadeiro endereço do jogador que o "prejudicou". Os dois trocavam mensagens provocatórias, instigando e desafiando. Estavam a medir "pilinhas", a ver quem era o mais inteligente e apto. Tyler Barris chegou mesmo a oferecer os seus serviços como SWATTER para que outros, em troca de dinheiro, pudessem exercer uma espécie de vingança a quem os prejudicou. Ex-namoradas viram suas casas invadidas pela polícia, naquela violência súbita, de algemas nos pulsos e armas apontadas. 


Em 2019, por causa de um estúpido jogo online e uma aposta de menos de 2 euros, Tyler jurou vingança. Descobriu a morada do seu alvo e fez a chamada que resultou na morte de Andrew Finch, pai de família. A pessoa que ele queria prejudicar já tinha mudado e a casa fora ocupada por outras pessoas. Infelizmente, com uma fatalidade. 

Fiquei PASMA com as ramificações de um simples jogo online. De facto as coisas podem tomar proporções gigantescas e devastadoras. Swatting é um crime federal - e deve ser mesmo. É um crime que tem aumentado nos Estados Unidos e que põe muitos adolescentes na cadeia. 


Fico a pensar na criança que tenho na família. Típico miúdo agarrado ao telemóvel a jogar o dia inteiro. Faz-se de tudo para que saia de casa, mas não quer. Fica chateado por largar o vício. Não gosta de ir à escola. Não gosta de acompanhar alguém às compras. Porque implica não ficar a jogar. Ainda é novo - 10 anos. Mas tem sido uma batalha desde muito cedo. Esta sua tendência não parece querer alterar - só faz é crescer. 

Quando lhe perguntei sobre o futuro e o trabalho, respondeu muito rapidamente que nunca ia trabalhar. Que ia ser um desempregado. Ia só viver dos jogos. Desafiei-o. Ele respondeu que tem quem viva de jogos. Eu a dizer para ele ir para o parque brincar com outras crianças, esfolar os joelhos, cair, machucar-se... faz parte. Mas ele nunca foi criança para isso. É a única criança que se destaca entre muitas, por não mostrar o mesmo tipo de energia para a brincadeira. Energia ele tem, e muita! Mas não tem aquele à vontade e desembaraço. Não tem ímpeto. Retem-se. Tem receio. Uma vez naquelas máquinas de exercício físico, ele viu um insecto. Teve uma instantânea reacção de medo e afastou-se. Uma menina com metade do tamanho e idade dele, aproximou-se e começou a usar a máquina, sem receio da presença do insecto. E nisto diz à mãe:
"Mãe, olha está aqui um bicho amarelo. Eu não tenho medo. Não precisamos ter medo dele porque ele não faz mal se eu não lhe fizer mal". - um recado claro à reacção que eu, tal como ela, tinha notado no rapaz. 

Ele até pode escalar uma pequena parede e andar no escorrega e diverte-se. Mas enquanto os outros, mais pequenos que ele inclusive, o fazem num movimento contínuo, destemido, ele é todo cuidadoso, moroso. Tem receio de se magoar. Um simples arranhão pode ser um drama. Então ele é receoso, fica mais afastado, embora se note que gostaria de estar a interagir mais com os outros meninos. Numa ocasião não se agarrou bem ao escorrega e roçou os dedos na beira, aterrando de joelhos e mãos na areia. Quase chorou. Quase desistiu. Mas como não fizemos caso, não o chamámos para "curar o dói-dói", ele ignorou e voltou a brincar. 

Outras crianças nem se importavam. Riam, riam, riam, decidiam descer do escorrega em grupos de quatro e cinco ao mesmo tempo, aterravam na areia de qualquer jeito, e riam. 

Infelizmente esta sua natureza não parece ter muita vontade de brotar. Agora estou longe e, para ser sincera, já me desgastei demais em esforços feitos para lhe despertar este gosto pela brincadeira, pelo ar livre, para a descoberta - para uma vida fora do monitor de um jogo. Acho que os pais aceitam bastante este lado e por isso ele sente que não precisa de mudar, os pais não se importam que ele seja recluso, viciado em jogos, não goste da escola, não tenha amigos fora de um ou outro de turma e que os que os una seja os jogos online. 

Esta geração é diferente. Alguns já nascem sem sentir qualquer atracção pelas "brincadeiras de criança" que fizeram parte da vida de todas as gerações anteriores. Mesmo pobres e miseráveis, a ter de trabalhar na infância, sempre se inventava uma brincadeira. 

Ele não tem interesse por bonecos, carrinhos, colecções, livros, nunca gostou de escrever nem o próprio nome. Tinha que ser convencido através de muita, muita e cansativa persuasão. Nunca gostou de rabiscar e para fazer um desenho de uma bola ou mesmo escrever uma frase para um trabalho de escola, sempre foi uma tarefa demasiado exaustiva, que tinha de ser pedida constantemente, incentivada e levava horas para quem um rabisco ou palavra surgisse dali. 

Acho que não tenho de me preocupar mas... nunca se sabe. 
Esta geração dos jogos só vive em torno daquela fantasia. Num outro caso que já mencionei aqui, uns adolescentes deram um tiro na cabeça de uma menina de 14 anos porque era só isso que faziam nos tempos livres: jogar jogos de tiros. E queriam fazer aquilo numa pessoa de verdade. Agora este Tyler, cometeu homicídio por Swatt - tudo adolescentes que vibram com os jogos. 

Cada vez que escuto o miúdo a gritar ou a dar murros no sofá porque o jogo não correu como queria, digo-lhe para se acalmar, que não é preciso exaltar-se tanto. Mas vê-se que ele vive aquilo. 

Porém, acredito que não vai sair dali nenhum criminoso. Não tem tendências para isso. Contudo, pode sair uma pessoa meio reclusa. O que para mim, que fui criada em reclusão involuntária, consigo ver a desgraça a longo prazo. Mas se for escolha dele - então a experiência será diferente da minha, que não tive escolha, foi-me imposto. 

Mas se calhar, vai ser apenas um período da sua vida e outras coisas no futuro também vão chamar o seu interesse. A ver vamos. Uma coisa, contudo, todos nós na família - aqueles que sabem do "segredo", gostaria que terminasse. O miúdo não tem problemas alguns. Os pais também não! Mas nós... avós e tios, não vemos com bons olhos que o miúdo se recuse a dormir na casa de um amigo, ou na casa dos avós, com os primos, ou que vá uns dias de férias com os meninos de escola, ou seja o que for - ele RECUSA dormir fora de casa. Diz logo que não! Recusa aqueles passeio que em criança todos gostavam de fazer - com outros meninos, dormir em camas boliche, brincar, ir para a praia. Não tem interesse. Ele recusa dormir fora de casa porque ele só dorme com o pai e a mãe.