sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Necessidades Fisiológicas de Eliminação - são barulhentos ou discretos?


Ok. Vou falar de uma coisa chamada necessidades fisiológicas de eliminação. Ou seja: urinar e defecar. Não se choquem, é algo natural no organismo humano. Nós é que as tornamos um pouco "tabu"...


O que quero saber é COMO se comportam no acto. Isto porque, todos temos de as fazer, mas a forma como as fazemos, pelo que pude perceber, tem variantes. Facto que se deve ao sermos seres racionais com inteligência, somos culturalmente educados para certas cortesias e cuidados. É por isso que, quero fazer este pequeno inquérito.

COMO AGEM QUANDO VÃO AO WC?


A casa-de-banho é um lugar com eco e.. certos sons entram no campo "privacidade". E se há sons do foro privado que não gosto de anunciar aos sete ventos são estes, os das necessidades fisiológicas de eliminação. Quando se usa o WC de casa e estamos sozinhos, provavelmente aí podemos escolher ser mais "selvagens". Mas não se deve ser mais educado quando num espaço público? 

Faço aqui um inquérito. Peço que sejam sinceros a respeito. Explico usando-me como exemplo:


WC Públicos:
Quando estou num WC público, muitas vezes oiço alguém barulhento entrar no cubículo ao lado e praticamente após o "bang" da porta oiço uma enxurrada de líquido barulhento (por vezes acompanhado de um som saído do nº2). Acho aquilo de mau tom. Quer dizer... todos nós estamos aflitos. Mas nem todos chegamos ali e libertamos o líquido dourado de forma selvagem. Dá para ele sair com cuidado, dá para direccionar para que caia na porcelana sem anunciar a sua libertação.




Isto vale para o um, para o dois... Quando a "buzina" é activada antes daquela coisa que não tem travões, a sonoridade também pode ser controlada. Se a controlamos no dia-a-dia quando no escritório, numa reunião, em grupo, nos transportes públicos... muitas vezes nem a deixamos sair, nem baixinho nem muda. Se temos esse controlo, porque alguns se livram dela e libertam-se "à selvagem"?

É que dá muito mau aspecto... desculpem lá.

Mais ainda quando vejo uma rapariga jovem e linda, toda maquilhada, a ir ao espelho verificar se cada fio de cabelo está no lugar, retocar o batom... quando um minuto antes deu um show de sonoridade fisiológica de libertação na retrete.

WC CASEIRO:
Quando não se está sozinho em casa, no meu entender, aplicam-se as mesmas regras. E no final, se necessário, borrifa-se um pouco de ambientador com cheiro ou abre-se uma janela. Que mau gosto fazer o outro cheirar o que anda a ser despejado ali ou escutar o que se passa na "privada". Os brasileiros deram-lhe esse nome por algum motivo. No caso das mulheres que muitas vezes usam pensinhos diários, até esse som do descolar acho que fica bem evitar. Afinal, as outras pessoas não têm de saber o que tens entre as cuecas :)

Aqui em casa oiço uma sinfonia completa quando as raparigas vão à privada. Sou forçada a perceber que "tocam" músicas diferentes das minhas. Fico até a pensar, no caso de uma em particular, se não terá alguma doença... para cada vez que lá vai ser tão sonora e tocar mais que um instrumento.

Estão a ver no que dá? Não manter a coisa no "privado"?
Imaginem que viram aquela miúda gira que vos dá tesão (agora tou toda abrasileirada) e escutam-na no WC numa sinfonia de "expulsão" daquelas... Bom, se calhar iam transferir os ruídos para outra necessidades fisiológicas. Mas a coisa pode não ter correspondência... Acho eu.

Ai, mas que porcaria de conversa esta!
Desculpem lá... quis falar do assunto, mas sem meter merda. :P


quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

A jarra saltitante


Não estive para me aborrecer, então nem desci à sala ontem.
Não fosse dar conta que a jarra foi novamente removida do local.

Mas desci agora à pouco...
E a jarra foi NOVAMENTE removida da lareira e colocada na berma da mesinha.

Gostava que quem está a fazer isto me desse UM BOM MOTIVO para o fazer.
Vou perguntar-lhe na cara: "Dá-me um bom motivo".

É que eu não vejo nenhum. A não ser má vontade, má indole, pirraça, coação... só coisas más.

É que é todos os dias - por vezes mais que uma vez (se eu der pela jarra removida de noite e a recolocar no lugar) pela manhã já a removeram. Acho espantoso que tenham montado a árvore de natal mesmo ali ao lado - que é suposto trazer o espírito Natalício e a compaixão entre os Homens, e desde que ali a puseram já retiraram a jarra mais de cinco vezes. Uma atitude tão feia. 

A jarra não estorva, não impede que se vejam ao espelho, não está no lugar de nada que ali estivesse antes...
No meu entender, o problema está em alguém na casa não saber partilhar espaços e achar que a sua vontade é a que tem de ser seguida. 

Porra... e eu que deixei um pai e uma mãe com essa forma de ver as coisas lá atrás, na adolescência. Porque será que sempre há quem adopte esses comportamentos?




terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Famili lar

É o que almejo desde pequena. 


E olhem que feliz parece estar o esquilo, no calor da sua casa.
Felicidade pode ser algo tão simples como chegar a casa, ficar à vontade e ir cozinhar algo que se goste.

Vai arrepender-se?


A que-vai-sair saiu. E talvez venha a arrepender-se.

Lembrou-se tarde de ir perguntar na casa ao lado como era a vida lá... E descobriu que existem "problemas". 

Afinal, as coisas não mudaram muito desde que lá estive a viver uns 20 dias, em Abril. Veio de lá e contou que estão a ter problemas com a louça e a roupa e enviam mensagens uns aos outros para irem fazer isto e aquilo...


Afinal, continua! Os SMS ao invés da conversa frontal e desarmada.


O mal daquela casa é ser habitada por três colombianos que formavam uma trupe. Muito à semelhança do que se passa aqui com italianos. Por isso defendo que não se deve ter muito de uma só coisa. Criam-se sempre ambientes. Mas um dos colombianos deu à sola... e o trio Odemira ficou maneta. Acontece que vai ficar também perneta. 

Sobra apenas uma. Que está a perder as forças mas é resistente... As que entretanto se mudaram para lá, esperam que, com tempo, essa se mude e saia da casa. Por um motivo simples: só fala espanhol. Não fala inglês. E na ausência dos «compadres» e companheiros de traquinices, na ausência de quem fale espanhol com ela, acham que vai acabar por sair.

Talvez sim...
É o que digo: o destino acaba sempre por encontrar uma forma.

Quando cheguei a esta casa fui muito mal recebida pela italiana-mais-jovem que fingiu que nem me viu e limitou-se a sair do quarto para apagar a luz que acendi para poder subir as escadas em segurança. Nem um olá, nem um "bem vinda de volta" - nada. Ao bom jeitinho italiano de acolher outros. 

Essa foi a primeira a sair.
Sobrou-me a Colombiana da casa ao lado - que tanto mal me fez enquanto lá estive e também quando me mudei. Tentou infiltrar-se aqui, impor a sua presença e a sua insuportável voz estridente. Mas o pior era a sua ignorância. Perdoável, se fosse de boa índole, mas ela é malévola. E nada me tira da cabeça que ter aconselhado a amiga da que-foi-embora a convidá-la a mudar-se para lá foi o seu último gesto de malícia e interferência. Só Deus sabe os conflitos que tal acção já gerou. Tem sido um stress desde o final do mês passado até finalmente ter-se encontrado alguém que vai ocupar o quarto por apenas um mês. (Dizem que é uma jovem portuguesa, a ver vamos). 

Mas o quarto foi reservado por uma italiana. Por isso... mesmo que a que-foi-embora mudasse de ideias - como desejei que mudasse - a coisa foi feita de tal maneira que o senhorio avisou logo que por já ter assinado contrato com a italiana-escolhida, que o quarto já não estava disponível. Coisa em si também esquisita vindo dele, pois decerto que lhe ia propor o outro se realmente lhe interessasse ter a que-saiu de volta. Ela vai fazer falta. Era um ar de frescura e diferença, quebrava o excesso de italiano nesta casa e, para ser sincera, era fácil de conversar e cumpria sempre as suas obrigações com a limpeza da casa. E bem. O pacote inteiro, a bem dizer. É raro encontrar alguém assim e duvido que o raio caia duas vezes no mesmo lugar.

Mas a vida é assim mesmo, gira e dá voltas. Nem eu sei onde vou parar nestes giros. Ninguém sabe. Por mais que tentem manipular as situações e incliná-las a seu favor. 

Espero que a que-foi-embora não se arrependa. A pesar de ter desejado que quem viesse para esta casa fosse barulhento até mais não. Mas desejou isso por pensar que a outra - a italiana-que-não-limpa ia ficar. Afinal, se calhar já não lhe pomos a vista em cima muitas mais vezes. Antes do novo ano, já cá não mora.

Isto é fantástico... tantas reviravoltas.
Mas andam todos muito calados a respeito da inquilina que vem ocupar o quarto que vai vagar pela que não limpa. Sei que já estão a recrutar: italianos, claro. A que apareceu aqui ontem pareceu-me sentir-se muito à vontade. Vamos a ver se cai na esparradela de vir para aqui morar.

É que ninguém lhe diz que o senhorio é uma espécie de sexto inquilino...
Aparece regularmente, praticamente todos os dias, a qualquer hora, mais que uma vez, puxa da chave e entra casa a dentro. Vai ao frigorífico e serve-se de leite. Fazendo observações sobre tudo. Verificando as tomadas, a quantidade de luzes ligadas, se as janelas estão abertas, se estão fechadas, que programa estás a ver na TV, se estás de folga, quando vais trabalhar, o que estás a fazer, como o estás a fazer, se a máquina de lavar roupa foi deixada com a porta aberta para arejar and so on...


Eu não sei se aceitaria mudar-me para uma casa só com portugueses. Gosto demais da diversidade. Aliás, é o que me atrai neste estilo de vida. Poder dar de caras com alguém de boa índole, claro, mas que possa transmitir-me novos conhecimentos, passar-me cultura diferente, experiências e histórias da sua terra. Isso é fascinante. Se morar só com tugas... claro que há coisas a dizer. Mas não é tão fascinante quanto conhecer alguém oriundo de um país onde nunca pisaste.

A que-vai-embora é da Grécia. Adoro ouvir falar grego. Gosto do som. Não sei nada - aqui e ali parece que algumas palavras são parecidas. Infelizmente não vou poder aprender mais por ela sair desta casa. Na verdade, falamos sempre em inglês, como é de bom tom e da boa educação. Mas das vezes que a escutei a falar ao telefone na sua língua, gostei.

E ela sempre me cumprimentou, desde o primeiro dia, com um "obrigada". 
É uma das palavras que sabe em português. 
É simpático. 

Bem mais que o que a cultura italiana me passou. Mas se calhar, cada caso é um caso. Ainda assim, em quatro italianos nenhum fugiu à regra por isso... acho que os Gregos podem ser mais abertos. Embora sempre tenha escutado que é preciso ter cuidado com os presentes Gregos, ehehe

Um dia, se necessitar e for certo, vou partilhar com alguém o que passei na casa ao lado. O que ela me revelou hoje deixou-me um pouco apreensiva. Pensei que o clima na casa tinha mudado completamente com a introdução de novas pessoas e a saída das piores. Mas pelos vistos continua a infantilidade de enviar mensagens repreensivas ao invés de falar com as pessoas na cara e na boa. Como se alguém ali tivesse mais moral ou fosse acima dos outros para se prestar a esse papel. 

A casa é também menor, embora os quartos sejam, ao que sei, imensamente grandes. Mas para quê se quer um quarto grande? Eu tive um e desejei um pequeno. Este meu pequenino, que adoro, não o trocaria por nenhum dos outros onde cabe três vezes!

E pago menos para usufruir do mesmo espaço em comum. 
Sei por experiência que mais vale assim, pois na primeira casa era a que pagava mais para quê? No final só saia prejudicada. Os outros podiam dar-se ao luxo de certas manias de superioridade porque todos os meses poupavam mais de 100 libras comparativamente a mim. Então o que lhes custava dar mais 20 libras pelas contas? Mas a mim o valor de toda a soma já ascendia o que podia encontrar por um quarto noutra casa com melhores condições. 

E tanto assim é que a senhoria baixou o preço dos quartos assim que saí. Mas não esqueço que me disse que aquilo não era "um hotel de cinco estrelas" quando levantei essa possibilidade... Ela era totalmente marioneta do rapaz. Depois deu sair ele usou a minha ideia para atrair mais pessoas pois a casa praticamente cai aos pedaços e muitos a rejeitam de imediato. 



segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

E sai hoje... a que-vai-sair vai de vez


Não cheguei a contar, mas dei uma escapadinha até Portugal.
Fui apanhar um pouco do espírito Natalício. Por mim, o Natal foi enquanto lá estive. E não preciso mais dele.

Percebi isso no dia seguinte ao  regresso. Quanto cheguei, entrei em casa todos os italianos estavam na sala. As suas caras de surpresa revelaram-me que esperavam que demorasse mais a aparecer. Só entendi a palavra "retornato" pronunciada algumas vezes, aparentemente referindo-se a mim. Se ficaram descontentes por não me terem fora por mais tempo, temos pena, ahah. Desta vez, não lhes dei a notícia com dias de antecedência. Nem disse em que dia ia voltar. Essas coisas que fazia sem dar muita importância, por não ver mal algum, não quero mais fazer. Quando são eles a viajar fazem questão de manter isso em segredo. Sabem entre eles e com todos os detalhes, mas não partilham com os outros na casa. Ainda hoje uma se foi, vi-lhes as malas, mas nada disse. Não a mim, que não interesso. Ainda me corre nas veias a cortesia de avisar, pelo que deixei escrito no quadro - como habitualmente, a informar que ia ficar fora até o final da semana. Mas não especifiquei o dia... Aprendi com a italiana-mais-velha e o italiano-rapaz, que nos informou há duas semanas quando ela subitamente desapareceu, que estava a viajar mas voltava numa quarta-feira. Só que voltou foi numa segunda. 

E ao me verem entrar, lá repetiram "estai retornato" ou algo do género. 
Qual é o espanto? Se vivo aqui? "Retornato" foi inesperado, foi? Fez-lhes comichão?


Após arrumar as coisas que trouxe comigo, subi ao quarto para descansar. Precisava, não tinha dormido na correria de fazer tudo e apanhar o avião bem cedo. 

Quando desci percebi que haviam decorações de Natal e uma árvore montada na sala. Mas saí porta fora, tinha de ir trabalhar. Foi só no dia seguinte, quando entrei na sala e vi a árvore com mais atenção, que percebi que aquilo não era o meu Natal. E que aquelas decorações bem podiam ser desmanchadas que não me ia causar tristeza.

Não foi só por ter apanhado o espírito Natalício em Portugal. Foi mais por me terem privado dele aqui. Sim, privado. Eu havia perguntado quando iam montar a árvore. Mostrei interesse em participar. Nisto chego a casa mesmo antes deles se porem a fazer as decorações, oiço-os falar algo em italiano nesse sentido, e nada de me convidar? Olha, portuguesinha, junta-te a nós e vamos por as decorações de Natal juntos?

Que cozam num caldeirão de cozido à portuguesa...

E a "estrelinha" no topo da árvore foi ontem. Quando ao final da tarde desço para a sala e verifico que uma visita que escutei entrar na casa para almoçar e espreitar o quarto que vai vagar, ainda perdurava pela sala. Prontificou-se a sair rápido, assim que apareci (se soubesse tinha aparecido mais cedo, mas foi por pura casualidade que não o fiz - não me apeteceu e só senti vontade de dormitar). Mas não se foi embora sem antes as duas me presentearem com esta conversa, em ITALIANO.

-"Questa non labora" -diz a mais-velha à visita.
-"Come non?!"
-"Non labora diesde a Setiembre e era quatro giorni fuori".


Mas que é isto...?? A manter um registo mental das minhas actividades e a falar da minha vida assim, gratuitamente, com uma estranha? Quem lhe passou procuração? De início até me agradou que a minha presença não tenha resultado nos habituais constrangimentos e interrompido o fluxo da conversa. Falavam em Italiano sem parecer que estar ali lhes incomodava. Foi a primeira vez que tal aconteceu e agradou-me. Mas enganei-me. Quando começaram a dizer "portuguesi" e "portucalo" comigo ali... já comecei a estranhar. A fazerem referência a nós, como povo, ou a mim em particular, na língua deles, comigo presente? Que má onda... 

Então sempre é verdade... usam o italiano para falar sobre a pessoa que está presente sem que esta entenda. Mas se isso significa que vão falar de mim na minha frente aproveitando-se do facto de acharem que não capisco niente de italiano... enganam-se. Estou a melhorar o meu entendimento da língua que vai ser falada nesta casa praticamente em exclusivo. Ter sido a mais-velha a agir assim não devia surpreender-me, porque, no fundo, já lhe vi a careca. Mas ainda assim, choca-me. Ela, que ficou toda irritada nas primeiras semanas em que me mudei para esta casa. Um antigo inquilino passou por cá para levantar uma encomenda e calhou referir que existiram situações chatas aqui dentro, mas que decerto a "mais-velha" já me tinha posto a par. Ela ficou enervada - notei-o no rosto, interrompeu-o com uma voz doce, para dizer: "mas o que ela vai ficar a pensar de mim? Achas que eu sou quadrilheira? Eu não falo da vida dos outros". E quando este se foi embora e mencionei tê-lo achado simpático, franziu o nariz e disse que era muito metediço e inventava coisas sobre a vida dos outros. Repreendeu-o por ter dito o que disse sobre ela, pois ela não anda a falar da vida alheia.

PIMBA!

Já diz o provérbio: mais depressa se apanha um mentiroso, que um coxo.   


quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Sabem o que gostava de receber?



Ouro, incenso e mirra!

Não que queira entrar em sacrilégio e comparar-me ao menino Jesus, ahaha.
Mas esses presentes simbólicos e singelos  (ouro é singelo hoje em dia) agradam-me.


Tenho cá uma curiosidade pela mirra... Há 2018 anos devia haver aos montes. Agora há ouro, há incenso em pausinhos mas mirra? Onde se encontra e para que serve?

Nestas caixas de veludo trabalhadas por fora então... lindo!

Adenda: Mudei de ideias! Já não quero a mirra. Pelos vistos foi presenteada como um prenúncio da morte do acabado de nascer Rei-Deus. Má onda a dos Magos... Qual deles terá sido? O malandro do Baltazar? Ou o noviço do Gaspar? Não creio que tenha sido o idoso Belchior  :)

domingo, 2 de dezembro de 2018

Fiquei tão triste...


Quis saber o que as "crianças" na familia podiam gostar de receber pelo natal.
Digo crianças porque "ainda ontem" eram pequenas e porque as tive no colo, troquei-lhes as fraldas, vi-as desenvolver... e tudo isso parece-me que foi há pouco tempo. Mas com 19 e 17 anos, sei que são adolescentes, "doidas" por coisas femininas, roupas, acessórios, maquilhagem, produtos de beleza.

 * * * * * *  O NATAL

Pela primeira vez fiz algo com o qual não concordo muito: perguntei aos pais o que elas podiam gostar de receber. Digo que não concordo muito, para evitar dizer que não concordo de todo. Mas vamos a ver se consigo explicar bem a diferença entre pedir uma referência e "levar com uma encomenda". Uma coisa é perguntar para ter ideias e inspirar. Sem a pessoa esperar receber aquilo em particular. Pode ser que sim, pode ser que não. Outra é saber exatamente o que se vai receber porque se usa o Natal como uma época de transacção comercial em que se realizam desejos de consumo fúteis e superficiais. Quem "oferece" nem se dá ao trabalho de PENSAR e quem espera receber tem uma lista de artigos, cada qual criado para «sugerir» a uma específica pessoa. Isso é pura transacção comercial, com fundamentos na vaidade e no consumismo. Um hábito que em tudo mata o espírito Natalício. Não aprecio. E por isso, não costumo compactuar. Faço a minha parte para que esta parte do natal se mantenha alegre, com troca de lembranças, lembranças essas que são incógnitas, que podem fazer rir à gargalhada (as melhores). Nao é natal se sair aquele sorriso traçado, quando se tira do embrulho exatamente aquilo que se encomendou.



Bom, mas dei um título específico a este post porque... Senti-me triste. Não por mim, mas por elas. Perguntei à mãe de uma o que poderia ela desejar. Recebi como resposta uma carteira da loja "fulano". Sei que elas gostam de se vestir e adornar com marcas. Mas marcas também são casas como a Zara, no meu tempo, a Maconde... eram "marcas". Empresas de venda de roupa a retalho económicas. Mas o que estas meninas cujas fraldas troquei estao acostumadas é a outro tipo de marcas. Marcas rotuladas de luxo. 

Eu sabia disso. Mas não estava preparada para entender a extensão desse tipo de educação.
Por isso sinto esta profunda tristeza...
Que não sei explicar. Ou sei, vamos a ver, vou tentar.

Uma carteira na loja do dito-cujo custa online 100 libras. Esse é o valor mais económico. Fiquei a olhar para a carteira... a ver se tinha algo de especial. Mas não tinha. É comum e banal... Podia-se encontrar o mesmo design nas lojas dos chineses. Simples, com um laço na frente. Está certo, a qualidade pode nao ser a mesma. Mas o que se está a pagar não é a qualidade, é o nome associado a quem "fez" a mala. Um absurdo. 

E como pode alguém "gostar" de tudo o que vem "daquela marca" e não olhar para demais ofertas que possam aparecer, não se interessarem, por não terem um "rótulo" famoso? Como podem as pessoas limitar-se tanto a uma visão superficial, consumista e se tornarem escravas (é o que penso) e marionetas (acredito piamente) da ditadura de gananciosos sem escrúpulos, que vendem tudo a preços exorbitantes em troca de nada? (um nome!). É que ficam mesmo escravas. Tudo o que possuem tem de ser "deste e daquele". A cueca, o sutien, o verniz, a maquilhagem, a escova de cabelo... Escravas, marionetes, telecomandados à distância. Basta "acenar" com a "cenourinha" na ponta de uma vara e lá vão eles... dar muito dinheiro para possuir algo tristemente supervalorizado.


Sinto um pouco de desdém por esse lado superficial do consumismo. Não me interpretem mal: gosto de qualidade, aceito que tenham de existir alguns a ganhar mais que outros por produtos um pouco melhores. Mas quero ver mais originalidade, qualidade, e novidade por parte de quem clama ser melhor ou original. E isso não acontece. Depois de se ter o nome criado, podem "impingir" as coisas mais feias e despropositadas. Às tantas até copiam o design e ideias de outros que vendem roupa na rua ao desbarato. 

Podia-se consumir ambos. Nao é? Em dose equilibradas. Ao menos parece-me que nos tornamos pessoas mais mundanas do que daquelas que vivem numa bolha, se soubermos nos movimentar em todos os "mundos".

Sinto tristeza por as meninas terem sido criadas assim. Entendo que os pais queiram dar "do melhor" aos filhos. Mas acho que faço mais o "time" dos pais que deixam os filhos passar por "dificuldades" e não os mimam oferecendo-lhes tudo o que desejam. Faço sim, muito mais parte do time dos que não dão tudo numa bandeja... Ia querer criar um indivíduo que saiba safar-se sozinho, que valorize as coisas certas (não que elas não valorizem mas dão demasiada importância a marcas) e saibam diferenciar as coisas.

Depois, tem o mais importante: se és tu que ganhas o dinheiro para comprar as tuas próprias coisas e te apetece um Ferrari - tudo bem. Pode parecer uma loucura mas se é o que realmente desejas.... E estás disposto a pagar para isso, tens dinheiro, é teu, e decides usá-lo assim.... Outra coisa é seres totalmente dependente financeiramente e te vestires da cabeça aos pés com coisas caras.

Caras e sem sal... Sem sal, meus caros. Por vezes até feias. 
Quando vejo pessoas vestidas de "marcas" da cabeça aos pés, muitas vezes não vejo nada. Não vejo nada especial, não vejo nada singular, não vejo identidade... não vejo bom gosto. Há que saber fazê-lo. E não é por lhe vestires a pele que viras cordeiro. Ou se calhar devia dizer o contrário: já é cordeiro. E nem sabe!

Tive uma troca de ideias com uma das raparigas e ela contou-me que "não entendo" e que ela gosta de marcas caras, gosta mesmo. Foi então que lhe fiz a pergunta que a deixou sem resposta: E se descobrires que é falsificada como tanta coisa é? Aí já deixas de gostar?

É que não basta ser de "marca". Tem de existir LEGITIMIDADE no nome. Tens de dizer e ter como comprovar que foste "àquela" loja comprar aquela marca. Não é invenção, não é mentira. E para quê? Por status social? Vaidade? Sim... simplesmente por causa disto. 

Se eu comprar uma pela de roupa no chines e conseguir aplicar-lhe um rótulo de marca de luxo e colocar à venda numa loja afamada... segue. Desde que seja legítimo. A qualidade pode não ser superior como seria de esperar, mas estando comprovado a origem, não se perde estatos social.

Fiquei triste por causa disto.
Por causa delas. Tão doces, tão amáveis, tão imaturas ainda em tantos sentidos... e já escravas da moda. Das normas sociais consumistas, criadas com o único propósito de enriquecer outros. 

Espero é que a vida e o circulo por onde se movem lhes consiga também proporcionar um emprego cuja rentabilidade monetária lhes permita dar continuidade a esses luxos. Porque senão ainda viram muchers. De pais, até estes desaparecerem, de parentes "ricos", até não poderem mais... Direitinhas ao "casamento" com alguém originário de uma família com "reputação" e com um rendimento certamente lhes proporcionará o estilo de vida a que foram acostumadas.