quarta-feira, 7 de novembro de 2018

#EusouNoa


Este post ia começar por algo positivo, que transmite uma luz no final do túnel. Mas como tudo, não vai terminar tão bem. Ainda há muito para falar sobre a forma como a sociedade aceita que alguns homens lidem com as mulheres.


Caso 1: O comportamento exemplar
Maura Quint é uma escritora. Certo dia decidiu colocar na sua conta de Tweet histórias sobre as vezes que NÃO FOI assediada por homens. Eis um dos seus relatos: 

«Uma vez durante o secundário, sentia-me insegura. Vesti um top apertado e curto, coloquei batom, coisas que não costumava fazer. Fui a uma festa e bebi imenso alcóol. Um homem perguntou se eu desejava sair da festa com ele. Respondi. "talvez". O rapaz respondeu: "um talvez não é um sim" e voltou a juntar-se aos amigos.»

Noutro relato, aos 20 anos numa saída com amigos, Maura conheceu um empregado de mesa. No final do turno deste aceitou ir conversar com ele fora do bar. O rapaz disse-lhe que vivia ali perto e perguntou-lhe se queria ir para a casa dele. Com dúvidas, Maura hesitou. O rapaz disse-lhe que ela podia voltar para o bar, se era o que queria fazer. E foi o que fez. Com estes epísódios ela concluiu que não sofreu nada, porque naqueles dias não conheceu um violador. 
Talvez um dos subconsciente motivos pelos quais não aprecio talent shows infantis que "adultizam"  crianças. No Brasil uma menina de 12 anos foi sexualmente assediada em comentários no tweeter, enquanto participava em Mastershef - um programa televisivo onde crianças entram em competição umas com as outras para serem eleitas "melhor chef" de cozinha. Um homem escreveu assim: "se for consensual é pedófilia"?

Este caso levou uma organização a lançar no tweeter a hashtag #PrimeiroAssedio.
E a conta foi entupida de relatos de mulheres a contar que o primeiro assédio acontece na infância. 

E esta é uma triste realidade. O assédio começa, por vezes, mesmo antes do corpo feminino se tornar mais adulto e sexualmente apelativo. Há cérebros que não fazem distinção, olham para a criança como um pedaço de carne que irá florir para algo que já lhes apetece provar. A ideia de vir a ser o "primeiro" a proporcionar a experiência sexual a uma fêmea é primária em alguns homens.

#PrimeiroAssedio
Aquele que lembro mais ancestral, remota a uma ida à praia onde um homem de cabelos brancos muito velho e barrigudo não parava de olhar para mim, criança de uns seis ou oito anos. Ele andava de um lado para o outro, mas sempre fixado. Tentou aliciar-me a ficar perto dele. Aquilo deixou-me desconfortável e fez com que não me apetecesse ficar na praia. Senti vontade de vestir a camisa e ficar quieta a um canto.

Por favor, sejam homem ou mulher, deixem aqui na secção de comentários, a vossa #PrimeiroAssedio

Na Holanda, país que julgamos avançado no pouco que lhe conhecemos uma jovem, de nome Noa, sai todos os dias à rua para ir trabalhar, mas o que mais a incomoda é o previsível assédio diário. Vai que decidiu tirar uma selfie cada vez que se sentia assediada e colocar na sua conta no tweeter, seguindo de um texto assim: "Caro assediador...". A experiência durou um mês. Vejam o tipo de foto que ela publicou e digam se não vos parece familiar.  


Mona só terá chances de sair à rua sem ser assediada quando envelhecer ou se prescindir do uso de roupas normais e bonitas ou andar com o cabelo menos vezes solto que apanhado. É como se impusessem uma burka invisível, porque, na prática, tens de estar com uma aparência que não chame a atenção dos olhares masculinos, para poderes ser... respeitada.


#EusouNoa
Já quando tinha transitado para a possibilidade de andar na rua sem ser alvo de olhares ou comentarios (algo obtido através de anos de uma atitude de nenhum contacto visual, ignorancia e indiferença, perfeitamente assegurado pelo uso de roupas velhas, largas, simples e aparência nada atrativa), sai naquele dia à rua com casaco e calça preta. Cabelo solto, ao invés de apanhado. Quando fui a atravessar a estrada, notei os carros a abrandar, ao invés de acelerar e sem buzinar se lhes "passasse à frente". Notei, inclusive, enquanto esperava o semáforo ficar verde para os peões, esses carros a desacelerar ao invés de acelerar para passar o sinal ainda "amarelo". Era o que habitualmente fazem. Quando atravesso a passadeira, sinto e percebo que o homem que vinha no carro e levou o seu tempo para parar, gostou de ficar a olhar enquanto lhe passava à frente. O seu pescoço acompanhou todo o meu movimento. E quando o sinal para automóveis ficou verde, ele não reagiu de imediato. Foi preciso levar com uma buzinadela do de trás para arrancar. Eye-candy, como dizem na américa. Uma visão que dá gosto ver. Como os comportamentos mudam! Nesse dia,  a única coisa que alterou na minha pessoa foi a indumentária. Contudo, a atitude das pessoas foi mais civil, mais tolerante, mais simpática. 

Partilhem o vosso #EUsouNoa na secção dos comentários.

A Holandesa nas selfies com os homens que se meteram com ela
e disseram/fizeram algo que a deixou incomodada



terça-feira, 6 de novembro de 2018

Já tinha esquecido...


... o quanto estar a responder a anúncios de emprego é extenuante e, dispendioso.


Preciso fazer-vos uma descrição DETALHADA do que é preencher um formulário de emprego.
Para começar, tudo é feito online. Agora o que te forçam a escrever... é tortura!


Até o nome completo da minha mãe tive de lhes dar. Estava lá, "campo obrigatório". Querem sempre saber o que andaste a fazer nos últimos cinco anos. Todas as moradas onde moraste, os empregos que tiveste desde o dia de entrada ao da saída, motivos para sair, descrição das funções e mais "alguma" coisa que distinga dos demais.

São formulários extensos e penosos, pelo menos duas horas para serem preenchidos. Estive para deixar aqui um step-by-step, mas já tinha "perdido" demasiado tempo no preenchimento. Agora chegou a fase de ir à entrevista. O processo continua burocrático e dispendioso. Pedem-te documentação, fotografias (sim, de passe, lol) e até a cópia da aplicação que submeteste online. Imagine se eles se vão dar ao trabalho de imprimir eles mesmos. Ou Deus permita, consultem tudo online, num laptop ou tablet. 

Não! Traz não uma, mas duas cópias dessa aplicacação online, que foi tão extensa que são bem capazes de corresponder a 20 folhas. Traz em duplicado. Então vá lá... imprime 40 folhas, PAGA por elas, vai tirar duas fotografias tipo-passe e PAGA por elas, traz-me o teu extrato bancário, prova de morada, comprovatido de permissão para trabalhar no Reino Unido, número de trabalhador, cartão de identidade...


É sério quando digo isto: só não te pedem uma gota do teu sangue porque ainda não arranjaram um pretexto legal para o fazer. Acredito que será muito provável que no futuro nos imponham tantos atentados à liberdade e à identidade pessoal quanto esta. Sermos forçados a dar sangue para nos extrairem a condição física, o potencial de trabalhador, o ADN!

O chato é que descobri também o quanto é difícil obter emprego. Muito mesmo. Esta conversa fica para outro post, mas o mundo está mesmo todo "fornicado". Tudo aparenta ser o que realmente está longe de ser. As melhores ofertas actualmente são para contratos para Janeiro ou mesmo Abril. Entendem? O que aparecer agora são migalhas, atiradas aos pobres. Uns poucos serão escolhidos entre os demais para trabalharem que nem cães a troco de migalhas e a sujeitarem-se a qualquer tipo de horário "flexível", sem contrato fixo e a poder ser demitido assim que te tornares dispensável - o que será daqui a um mês.

E tudo isto - a candidatura, a documentação e o dinheiro gasto - só te garante que vais a uma entrevista. Não te garante emprego. 




segunda-feira, 5 de novembro de 2018

De 200 para um


Lembram-se deste post onde perguntava como podia ficar rica rapidamente, já que tinha gostado de uma caneta e esta custava 200 euros? Pois tive de me contentar com uma que custou... um.

Ahhaah.
E posso dizer que, no fundo, faz o mesmo trabalho.
Agora só me apetece ter coisas para escrever, papéis para assinar. A escrita sai tão fluída, tão natural e sem esforço. Tem tudo a ver comigo.



sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Ser um pouco para os outros - promoções



Vinha do supermercado, onde fui comprar artigos em promoção. Alimentos que vendem a preço reduzido, por expirarem no dia. Este supermercado faz isso - acho que todos deviam fazer. Mas só um faz. Os outros, reduzem para preços altíssimos, um produto que vai para o lixo dali a horas. Este começa por manter 75% do valor inicial. Depois reduz para 50% e, finalmente, deixa ficar apenas 15%. 

Escusado é dizer que não são poucas as pessoas que ficam a rondar as prateleiras até chegar o momento da grande redução. E eu sou uma delas, ahahha. Vou a um supermercado que não faz promoção e deixo 20 libras. No da promoção há quem lá vá TODOS OS DIAS e só compram a preços reduzidos. Nem cinco libras gastam. Hoje uma senhora pegou em várias caixas enormes que continham fruta e meteu no seu carrinho. Tinha 11 caixas, fora tudo o resto. Sabem quanto pagou pelas 11 caixas com fruta? Cinquenta e cinco cêntimos. 



Sim, perceberam bem. Deliciosas maças ainda bem frescas por sinal, uma dezena delas por caixa. Um pomar de 110 maças por por meio euro... 

Mas não é fácil. Não, não é. Pode não haver ninguém por perto mas assim que lhes "cheira" a coisa boa, "atacam" que nem doidas. Vi um funcionário a colocar um produto na prateleira das promoções de carne e fui espreitar. Eu estava ali mesmo ao lado dele. Era só me virar para a esquerda. Pois do nada, surgiu uma mulher e um homem. A mulher lançou as mãos a duas embalagens de carne cá com uma rapidez que mal tive tempo de ver o que se tratava. Aliás, aprendi que não é para escolher. É para tirar logo. A escolha vem depois. Se ficares a olhar e a decidir, ficas a olhar para um espaço vazio. Um segundo, tudo se vai. 

Isto é engraçado - por enquanto, porque não vou lá todos os dias. Mas aquelas mulheres e homens vão. Porque seja lá quando eu lá for, elas estão lá sempre. São fixas. Não as vi lá quando pela primeira vez dei conta deste tipo de promoções. Mas elas são profissionais. Vão ali, vão a outros lados, recrutam familiares para ficarem na "guarda". Uma destas mulheres (muçulmana, por sinal) - a que hoje levou grande parte das caixas, recomendou-me que fosse todos os Domingos a um mercado, pois no final, para não terem de levar as caixas de fruta para casa, eles vendem ao desbarato. Uma caixa (sim, daquelas grades de madeira) vendiam a uma libra... Morangos, cerejas... disse-me ela.

Opá, só podem estar a gozar.
Mas se ela o disse, acredito. Tem experiência. Para quê quer tanta fruta, isso é que não faço ideia. Mesmo. Eu vou comprar para mim. Aliás, na primeira vez, por acaso, comprei para mim e para outros também. Já que estava tão barato, lembrei-me dos colegas na casa (na altura dois) com quem de vez em quando partilhava refeições. Como um deles pela manhã levava sempre uma sandes para ser o seu almoço ou chegava tarde e queria comer, comprei a pensar nas próximas refeições. Gastei umas cinco libras a comprar sandes e saladas a.... 20 centimos cada. Podem perceber que até trouxe em quantidade, ehehe. Ninguém sabia das promoções - muito menos eu. Até fiquei uns bons cinco minutos a aguardar que um funcionário aparecesse para que me explicasse porquê os artigos dentro de um carrinho de compras estavam à venda por 20 centimos. Queria saber se tinham sido comprometidos na sua integridade, se tinham ficado fora do frigorífico, por exemplo... Tão inocente!


Fui para casa toda contente, partilhei a novidade e a comida. No dia seguinte só tinha uma embalagem e meia de sandes para o almoço. Pois....! Acho que gostaram além da medida, pois na véspera eu só havia comido a metade da sandes em falta.

Mas a razão porque cá vim escrever não é esta. Está relacionada, mas não é o que cá me trouxe hoje. Porém, fiquem com esta por agora. Mais tarde contarei então o que aconteceu enquanto vinha a sair do supermercado... 


quarta-feira, 31 de outubro de 2018

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Eles voltaram!!



Olhem quem está de volta. Os seguidores!




Juro que não fiz nada para que regressassem ao seu cantinho. Eu os tinha lá, até o google blogger mudar alguma coisa e terem desaparecido. "Sábia", não apaguei nadinha de scripts e deixei tudo como estava. Foi há o quê? Três, quatro anos??

Bem vindos, you're here!

PS: Afinal sempre andavam por cá? Ou é intermitente?

domingo, 28 de outubro de 2018

sábado, 27 de outubro de 2018

Porquê preciso de ser rica...


Vi uma caneta de que gostei. Porque não comprar?
Afinal, o que custa ter UMA coisa por prazer?



Custa quase 200 euros.

Uma caneta!

Se isto é por uma caneta, imaginem se "ousar" ir mais longe...
Nunca terei aquilo que me atrai.
Muitas coisas queria-as na juventude. Só fazem sentido assim.
Ainda a adiar...

O quê?
No túmulo vai ser útil uma caneta destas? Kkkk
É no túmulo que vou usar roupas impecáveis?

Provavelmente, sim!


Alguém sabe como tornar os rendimentos actuais 500 vezes superiores?