Ouvi dizer que os trabalhadores da recolha do lixo estarão em greve até dia 5 de JANEIRO!!
Espanta-me que o governo aparentemente pareça estar indiferente aos efeitos de 15 dias sem recolha de lixo das ruas. E não são 15 dias normais não: Apanha o Natal e o Ano Novo. Apanha quilos de papel amarrotado de presentes desembrulhados, toneladas de restos não comestíveis ou parecíveis de refeições e muita, mas muita embalagem de tudo e mais alguma coisa, a maioria de plástico.
Procuro todos os anos conseguir arrumar o maior número de coisas possíveis a fim de colocar o que descobrir que é para o lixo o quanto antes no respectivo contentor. Primeiro começou como uma forma de não "entupir" em excesso os contentores nesta época Natalícia. Mas logo depois começou pela necessidade de sentir que a casa está toda limpa e organizada até o Natal. Claro que, nunca consigo cumprir este último objectivo. Os restantes afazeres e as situações "empata" não o permitem. Mas tudo o que sentir que está a encher e irá para o lixo, tento colocar lá antes do Natal.
O governo aparentemente não vai fazer nada, não vai garantir serviços mínimos e vai deixar os grevistas ter direito à greve. Dia 6 voltam ao trabalho e terão de colectar tantas toneladas de lixo fedorento com mais de uma semana de idade que o melhor será repensar se os antigos métodos de queima no quintal e enterrar lixo num buraco não devem ressuscitar.
quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
Aparencias
Tenho reflectido na importância da aparência e do status.
Quando era criança encheram-me que nem um peru de Natal a ser recheado de noções de que o que importa é ter bom carácter e boa índole. Ser bonito, rico, ou ter uma profissão de superioridade nada significavam perante a ausência de generosidade, amizade desprendida, atenciosidade e humildade.
E eu feita uma patinha (aspirante a perú) acreditei. Intrisequei. Assimilei. Me formei com base nestas mensagens, propaganda pura injectada em diversas séries familiares televisivas infantis, como "Uma Casa na Pradaria". A pobreza enobrecida por um carácter humilde, os ricos castigados pela sua avareza.
Ah, tão simples!
Acreditei em todas as mensagens, a minha noção do certo e errado nunca encontrou dificuldades em se definir e a tolerância nunca foi um mistério. Nem o respeito, nem a admiração por tudo o que é e que existe.
Hoje reflicto.
As pequenas coisas me fazem reflectir sobre a veracidade prática e verdadeira destas noções.
Noutro dia fui ao MacDonalds um pouco fora de hora, ansiosa por um snack. Tinha duas raparigas à minha frente a serem atendidas. O empregado serviu a primeira e diz-lhe: "Obrigado e volte sempre". Atende a segunda e diz-lhe "Obrigado e volte sempre". Atende-me a mim, enfia o recibo do hamburguer no saco e continua a conversar com os colegas.
Estive quase para brincar e ironizar "Então e o meu obrigado e volte sempre? Não tenho direito a ele"?
Mas acho que os jovens atrás do balcão nem iam entender. Depois reflecti nas razões que poderiam estar por detrás daquele simples acto diria até que inconsciente. A primeira rapariga era um tanto mais jovem do que eu, atraente. A segunda rapariga num casaco garboso, era um pouco mais jovem do que eu e atraente. E depois estava ali eu. Digamos que não tão jovem e atraente, pelos vistos, também já não.
Sem o perceber, ou percebendo, não sei, aquele rapaz estava a praticar descriminação e a validar que a aparência conta muito na forma como uma pessoa é tratada por quem a rodeia. Depois relembrei num flash tantas situações que vivi. Nos empregos, nos estágios, no quotidiano, como funcionária e como cliente. E lembrei mais recentemente a surpresa que tive ao perceber que as pessoas que me estavam a conhecer se entusiasmaram mais por mim ao descobrirem que de todos levava uma profissão mais aliciante. O que é que aquilo que eu faço importa para a pessoa que sou? Pensei eu. Mais simpatia dirigida a mim por causa disso? Porquê? E se dissesse que era outra coisa menos glamorosa, como iam me tratar?
Agora estou desempregada. É pavoroso o estigma que carrega o desempregado. É praticamente como um leproso era visto durante a época de cristo. Passa a ser um fracassado inútil. Uma pessoa desinteressante, um zero à esquerda, um nada.
Perante isto tenho de me perguntar onde está o certo. Mas certo ou não, parece ser a realidade. Que quase todos seguem, que nem formigas em carreirinha. Uma pessoa mais bem vestida que outra que se candidate a uma função tem preferência diante da outra. Só o aspecto está a ser contabilizado, nada mais. Nunca me importei com o meu aspecto nesse sentido. A minha única preocupação era aparecer bem e confiava em mim mesma, me mostrando tal como sou. De resto nada de truques, falsidades, semi-verdades... todas essas coisas são tão desnecessárias para mim.
No entanto ando a reflectir. Será que com a idade a avançar uma pessoa deve recorrer a alguns subterfúgios? Porquê um "bom dia volte sempre" não é dado tanto a uns como a outros, e mais a jovens atraentes? Pensei em todas as vezes em que me fizeram sentir atraente, em que me disseram atraente, e das vezes em que uma aproximação com base na aparência me incomodou. Agora não sei mais se agi bem ou se agi com demasiada inocência. Começo a pensar que se calhar "um pouco" de aproveitamento por se ter nascido bonito ou atraente, afinal, não tem mal algum. É usar o que Deus deu...
Que digo eu??
Não sei. Devem ser os fumos dos aquecedores...
Quando era criança encheram-me que nem um peru de Natal a ser recheado de noções de que o que importa é ter bom carácter e boa índole. Ser bonito, rico, ou ter uma profissão de superioridade nada significavam perante a ausência de generosidade, amizade desprendida, atenciosidade e humildade.
E eu feita uma patinha (aspirante a perú) acreditei. Intrisequei. Assimilei. Me formei com base nestas mensagens, propaganda pura injectada em diversas séries familiares televisivas infantis, como "Uma Casa na Pradaria". A pobreza enobrecida por um carácter humilde, os ricos castigados pela sua avareza.
Ah, tão simples!
Acreditei em todas as mensagens, a minha noção do certo e errado nunca encontrou dificuldades em se definir e a tolerância nunca foi um mistério. Nem o respeito, nem a admiração por tudo o que é e que existe.
Hoje reflicto.
As pequenas coisas me fazem reflectir sobre a veracidade prática e verdadeira destas noções.
Noutro dia fui ao MacDonalds um pouco fora de hora, ansiosa por um snack. Tinha duas raparigas à minha frente a serem atendidas. O empregado serviu a primeira e diz-lhe: "Obrigado e volte sempre". Atende a segunda e diz-lhe "Obrigado e volte sempre". Atende-me a mim, enfia o recibo do hamburguer no saco e continua a conversar com os colegas.
Estive quase para brincar e ironizar "Então e o meu obrigado e volte sempre? Não tenho direito a ele"?
Mas acho que os jovens atrás do balcão nem iam entender. Depois reflecti nas razões que poderiam estar por detrás daquele simples acto diria até que inconsciente. A primeira rapariga era um tanto mais jovem do que eu, atraente. A segunda rapariga num casaco garboso, era um pouco mais jovem do que eu e atraente. E depois estava ali eu. Digamos que não tão jovem e atraente, pelos vistos, também já não.
Sem o perceber, ou percebendo, não sei, aquele rapaz estava a praticar descriminação e a validar que a aparência conta muito na forma como uma pessoa é tratada por quem a rodeia. Depois relembrei num flash tantas situações que vivi. Nos empregos, nos estágios, no quotidiano, como funcionária e como cliente. E lembrei mais recentemente a surpresa que tive ao perceber que as pessoas que me estavam a conhecer se entusiasmaram mais por mim ao descobrirem que de todos levava uma profissão mais aliciante. O que é que aquilo que eu faço importa para a pessoa que sou? Pensei eu. Mais simpatia dirigida a mim por causa disso? Porquê? E se dissesse que era outra coisa menos glamorosa, como iam me tratar?
Agora estou desempregada. É pavoroso o estigma que carrega o desempregado. É praticamente como um leproso era visto durante a época de cristo. Passa a ser um fracassado inútil. Uma pessoa desinteressante, um zero à esquerda, um nada.
Perante isto tenho de me perguntar onde está o certo. Mas certo ou não, parece ser a realidade. Que quase todos seguem, que nem formigas em carreirinha. Uma pessoa mais bem vestida que outra que se candidate a uma função tem preferência diante da outra. Só o aspecto está a ser contabilizado, nada mais. Nunca me importei com o meu aspecto nesse sentido. A minha única preocupação era aparecer bem e confiava em mim mesma, me mostrando tal como sou. De resto nada de truques, falsidades, semi-verdades... todas essas coisas são tão desnecessárias para mim.
No entanto ando a reflectir. Será que com a idade a avançar uma pessoa deve recorrer a alguns subterfúgios? Porquê um "bom dia volte sempre" não é dado tanto a uns como a outros, e mais a jovens atraentes? Pensei em todas as vezes em que me fizeram sentir atraente, em que me disseram atraente, e das vezes em que uma aproximação com base na aparência me incomodou. Agora não sei mais se agi bem ou se agi com demasiada inocência. Começo a pensar que se calhar "um pouco" de aproveitamento por se ter nascido bonito ou atraente, afinal, não tem mal algum. É usar o que Deus deu...
Que digo eu??
Não sei. Devem ser os fumos dos aquecedores...
domingo, 22 de dezembro de 2013
Praia de Inverno
Gosto de ver o mar. Já trabalhei no meio dele (ver post anteriores) e mesmo anos depois de tudo terminar a vida no mar entranha-se e a normalidade em terra estranha-se. Sente-se saudades, mesmo sabendo-se o quanto custa lá andar. O mar é hipnótico, tenta nos seduzir como o canto de uma sereia. Mas também é temeroso. Sabe-se que tem mistérios e perigos. O mar impõe respeito.
Mas somos todos criaturas da terra. No mar podemos estar, mas não ficar. Se ele nos quiser lá, reclama-nos para sempre. Impressionou-me a matemática das recentes notícias de mortes no mar. Primeiro foram o grupo de sete estudantes universitários que se sentaram na praia a contemplar as águas e o mar reclamou-os arrastando-os até si com uma onda colapsante. O mar só devolveu um. Sete dias depois tragédia similar volta a ocorrer, com uma onda a derrubar a embarcação de sete metros de comprimento onde um grupo de sete amigos pescadores se encontravam na pescaria. O mar só devolveu um.
O mar engole quantos quiser, mas pelos vistos só devolve um.
São pessoas cuja vida que lhes é tirada de uma forma tão trágica, deixando os seus subitamente sem a sua companhia. Ler aqui um relato bem simples mas muito humano sobre quem eram este grupo de pescadores e como a intuição por vezes deve ser seguida.
Etiquetas:
colapsante,
estudantes,
inverno,
meco,
onda,
pescadores,
praia,
sete
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
Imagens de Natal
E porque é Natal e na imprensa tudo o que vejo são referências ao consumo de produtos com ilustrações do Pai Natal da Coca-Cola, vou então prestar homenagem à época Natalícia de uma forma diferente.
sábado, 14 de dezembro de 2013
Doação para cancro
Pesquisando no google sobre doação de perucas para pacientes com cancro.
Resultados:
"Irmã de cabelo", "Banco de Perucas" ou "seu cabelo pode virar peruca e ajudar mulheres" - BRASIL
"Hair Donation and Wigs - cancer research UK" - Inglaterra
"Wigs and Air Donation - American Cancer Society" - U.S.A.
E pergunto onde raio existe algo do género aqui, em PORTUGAL
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
Viver em constante estado de FADIGA
Acho que muitos de nós vive fatigado. Faz tudo fatigado: come, dorme, limpa, veste, cuida, viaja e às vezes até só adormece quando fatigado.
Meu corpo acorda querendo estar em plena energia mas está fatigado. O cérebro quer contrariar todos os sinais. "Não, não estás cansada. É só impressão e passa já, já. É porque acabaste de acordar."
E bem treinado, o cérebro engana-se a si próprio o tempo todo. Depois vem um dia - um único dia qualquer em que por alguma razão desconhecida acontece um fenómeno raro. Tens energia. Sentes-te relaxado e com capacidade para fazer aquela limpeza detalhada, organizar as gavetas do armário, limpar as dobradiças, arestas e brechas de todas as portas, janelas e rodapés. Que bom! - pensas.
Depois vem o dia seguinte. O corpo sente-se cansado e mole. O teu cérebro diz-te: "Continua a ser dinâmica. Vai organizar, limpar, fazer coisas, sai, vai às compras, anda a pé ou de bicicleta" e o teu corpo ri-se numa contração sofrida e faz o teu cérebro mudar de ideias.
Recordo-me tão bem, mas tão bem de quando criança acordar com energia para dar e vender. Sentia tanta vitalidade que sentia que podia com tudo, fazer tudo, estava pronta para tudo. Podia até voar se me esforçasse! Ah, como é de curta duração...
A medicina e a ciência progride tanto e não há meio de eliminar a fadiga e reestabelecer índices de energia infantis, para dar, embalar e vender! Ou há disso por aí?
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Rebeldia na adolescência
"Rebeldia é fruto de indecisão e insegurança"
Escutei esta definição agora e achei bonita ao mesmo tempo que me senti triste.
Não fui uma adolescente rebelde.
E acho que devia ter sido.
Subscrever:
Mensagens (Atom)








