segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A velhice, o emprego e a minha pensão

Quando ingressei no mercado de trabalho senti quase de imediato dificuldade. Antes mesmo do contrato de trabalho acontecer, disponível apenas fora da área de formação, primeiro surgiram os ditos "estágios". A grande maioria não remunerados ou apenas fornecendo despesas de deslocação. Estes estágios de poucos meses eram largamente praticados pela maioria das empresas na área, que assim beneficiavam dos conhecimentos frescos e recentes dos jovens a preço de nada. A "experiência" obtida pelo estagiário - muitas vezes de pouca relevância prática - foi a cenoura apresentada diante dos seus olhos. No final do tempo de estágio, o estagiário sabia que ali a sua estada ia terminar, pois ficava mais económico para a empresa colocar um outro estagiário nas mesmas precárias condições e assim continuar a usufruir de matéria prima jovem, motivada e com ideias novas, a custo zero. 

Os estágios foram outra forma de adiar o óbvio da crise que viria claramente a assolar esta primeira razia de juventude formada no ensino superior, pós 25 de Abril. Eles adiavam a constatação de que o volume de emprego não suportava a quantidade da procura. Principalmente a procura qualificada. As universidades estavam a formar jovens que não teriam espaço no mercado laboral. Mas enquanto isso, adiava-se a fácil constatação do problema, visto que uma licenciatura durava seguramente cinco anos. Cinco anos de contribuições de propinas e despesas relacionadas com o investimento. 

Quando comecei a trabalhar, antes mesmo até, estava cheia de energia, de vontade, cheia de capacidade para trabalhar muito. E já tinha uma boa noção no que me ia meter e como as coisas funcionam. Não era ignorante, embora fosse ingénua mas mais por ter bom coração e ser no fundo uma pessoa idealista do que por ignorar o que me rodeia. O que mais queria era começar a trabalhar e nunca mais terminar. Fazer os meus descontos religiosamente e o quanto antes, para garantir alguma segurança na velhice. 

Mas os primeiros anos foram decepcionantes na medida em que os empregos surgiram intercalados por meses sem emprego. Os contratos de trabalho precários, a prazo, que ditavam que ao fim de "X" tempo ias embora. Os empregos obtidos através de empresas de contrato de trabalho temporário. Ninguém contratava diretamente, ninguém oferecia boas condições de remuneração, todos exigiam horas extra gratuítas. Fui para o estrangeiro, por gostar da função, mas também ela era temporária. Quis ficar por lá,  mas a família fez-me voltar. Retomei a procura por emprego. Nada fácil. E assim se passaram os primeiros cinco anos, depois os primeiros dez. Empregos precários, intercalados por períodos de desemprego. Os tais descontos que queria fazer são hoje uma realidade distante. Descontei tanto quanto não descontei. Não por vontade, mas por circunstância. Não vou poder contar com a segurança dos descontos para assegurar a velhice. Isso me preocupa mas já o constatei como uma realidade dura que aí vem. E toda a velhice merece ser assegurada financeiramente. Era jovem e já a pensar na velhice, mas de pouco me serviu. Quando oiço meus pais e outros como eles a refilar pelos cortes nas suas pensões, a falar das dificuldades económicas, mas com tecto e meios de subsistência minimamente aceitáveis, fico a pensar para comigo se percebem a sorte que têm. Porque apesar de tudo, a velhice deles está garantida e a vida está assegurada. Têm pensão, coisa que eu não vou ter. Direitos de assistência médica especiais devido à anterior função de um dos conjugues. Eu e tantos outros não vamos chegar à velhice com nada disso.  

Já nem penso tanto no futuro. De pouco me adiantou. Nem no presente. Vai-se indo.... A enorme força motriz que me inundava o peito foi totalmente desperdiçada em tentativas e mais tentativas. Tenho plena consciência de que muita boa energia é desperdiçada por este país, que levianamente deixa escapar jovens extremamente capazes, produtivos e com grande vontade de trabalhar. E quando tanta coisa é desperdiçada, e outra tanta tão mal feita ou dificultada, não se agoira nada com optimismo. E na verdade, não se deve olhar mesmo. Mas uma coisa eu sei: é vital uns ampararem os outros. E embora gostasse de ser eu aquela que virá a ter capacidade suficiente para se aguentar e ainda auxiliar quem precise, provavelmente vou pertencer à categoria de pessoas com uma certa idade que precisam de ajudas. E infelizmente terá de ser assim. No passado amparamos os nossos idosos com reformas acima das suas contribuições. Baixas é certo, para o nível de vida, mas altas para as próprias contribuições, curtas no tempo devido ao desconto tardio ou outras falcatruas da altura, pois tudo isto chegou depois do 25 de Abril, após uma vida inteira de trabalho que não foi contabilizado. Isto eu sei: temos todos de ser uns pelos outros, para que a malha da sociedade não colapse. Se isso vai colocar mais peso sobre os ombros dos nossos filhos, é algo que se tem de acatar. Se será sobre o peso dos nossos idosos, terá de se acatar. Não se pode é deixar cair a malha social, para o buraco fundo que é a pobreza e a miséria, do qual uma vez lá dentro dificilmente se consegue recuperar. E é por isso que trabalhamos. 

domingo, 29 de setembro de 2013

Primeiras impressões - o discurso das autarquicas

Não gostei....

De conhecer "a cara" do novo presidente da Câmara Municipal do Porto. Rui Moreira parece um galã. Isso é um mau sinal...
Já no passado o povo elegeu o candidato mais garboso, um tal de Passos Coelho, que era giro e tal. Pois... é esse o receio.

Do discurso de Manuel Alegre. Tão vitorioso, tão pouco humilde. Até pode ter razão, não lha tiro, mas é mau político se não desconfiar que "gabar-se" na bocas das urnas é algo que pode cair mal.


GOSTEI....

Do discurso de Manuel Pisarro, o candidato derrotado do PS à câmara do Porto. Tirando a parte final que é sempre um exagero exacerbado louvar a própria cidade e os habitantes (mas cliché), teve postura e palavras adequadas à situação. E o que é mais importante: pareceu sincero.



Espero, desejo e aguardo com ansiedade os quatro anos de governação do candidato independente que venceu a Câmara do Porto. Também eu, aqui em Lisboa, votei num independente para a freguesia. Vamos esperar para ver o que vai dar... Assim como temos de aguardar para ver o que Rui Moreira vai conseguir fazer pelo Porto. Parece cheio de boas intenções e agrada-me que tenha um discurso próximo à linguagem do povo. Contudo, como vai ser depois de começar a lidar com a viciada máquina política? A ver se não põe o pé na poça ou se a puser, que a saiba tratar :) Boa sorte! Parte uma perna. Merda! Carago! E todas as expressões que os supersticiosos acreditam serem bom agoiro. 

Guilherme Pinto, outro independente eleito para a Câmara de Matosinhos. Também ele discursa sobre as críticas ao regime partidário. E menciona que vai cumprir as DUAS promessas da campanha eleitoral. Emprego e solidariedade. As pessoas são mais importantes. Olé!

Isto promete. Vamos aguardar.
Portugal inteiro precisa das pessoas certas no governo.

Cumpri o meu dever como cidadã e não custou nada!

E pronto. Está feito. Desloquei-me até às urnas de voto e votei. Não demorou mais tempo do que aquele que leva a entrar num WC público e sair rapidamente devido ao mau cheiro. 


Saí de casa no pico da chuva que horas mais cedo ameaçava cair mas não caía. Debaixo de muita água a vir do céu e saltando o melhor que conseguia as pocinhas de água depositada no chão. Cheguei à escola de voto já ensopada, desejosa de sair o quanto antes dentro dos jeans molhados que já me atingiam os ossos. Mas porque será que em dia de eleições sempre, mas sempre chove? E bastante? Será que é um sinal? Um mau sinal porque, ao contrário do que se diz para os casamentos, não creio que a chuva traga muita sorte para um dia de decisões importantes e praticamente irrevogáveis.  (não irrevogável à la Paulo-submarino-Portas).

Regressei a saltar as mesmas poças de água que encontrei no caminho para lá. Principalmente os lençóis com uma faixa rodoviária de largura, que se encontram nas bermas dos passeios, junto às estradas, devido à forte precipitação e à deficiente escoação de águas pelos "bueiros" que os candidatos dizem que vão manter limpos. Vamos a ver se é desta que cumprem!


Em quem votei?
Bom, o voto é secreto mas posso divulgar que votei. Desta vez não deixei nenhuma casinha em branco. Dobrei cada boletim de voto sem precisar "despistar" quem me vigia "mimicando" o gesto de quem efectua uma rubrica num papel.


Ao abandonar os portões escolares reflecti no facto de ter votado. De tê-o feito exatamente como meus avós já teriam feito logo pelas primeiras horas da manhã, se fossem ainda vivos. E depois telefonariam à família, para nos avisarem que já haviam votado e para não nos esquecermos de ir votar também. Reflecti nos restantes membros sobreviventes da família que me são mais próximos. Em cinco, só eu voto. Acho lamentável que numa família próxima de cinco pessoas, só eu pratico o direito a voto. Desta vez ainda apresentaram uma nova desculpa, a falta de uma urna electrónica para se poder votar em casa. Mas a verdade é que, se em décadas não exerceram o seu direito de voto e a essa responsabilidade viraram as costas, não é certamente por maior comodidade que agora iam deixar de virar. Os argumentos futuros para continuar a não exercer o direito de voto apenas iam mudar, não cessar. "Ah, aquilo não funciona! É muito complicado, tem-se de introduzir os números de cidadão, depois o nome, depois isto ou aquilo! Não percebo nada! Eles que façam as coisas mais simples. Não estou para perder tempo". - Não tenham dúvidas que seriam estes o tipo de argumentos. 

E se ver futebol fosse um direito exclusivo aos que votam?

Me entristece esta falta de remorso. Trata-se de um simples gesto de grande importância cívica. O único que nos é pedido pelo governo, que nos aproxima da política e nos torna parte do processo eleitoral. Eu não seria capaz de ficar de bem com a minha consciência, se soubesse que em dia de voto optei por ficar na preguiça a ver televisão, a vagabundar oua reclamar da vida. Tenho até razões para reclamar, mas prefiro levantar o rabiosque e cumprir as minhas obrigações. Mas estes familiares não estão a salvo. Já lhes "puxei as orelhas" e lhes lembrei que nas próximas, as presidenciais, vão ter de votar. É neste tipo de situações que admiro ainda mais meus falecidos avós pois, apesar de muito pouco instruídos, claramente não lhes faltava a noção de dever como cidadão votante. A maioria dos filhos e netos não herdaram essa percepção. Ah, como é bom às vezes ser a ovelha negra da família!

Talvez esta nova geração de votantes, os que acabaram de fazer 18 anos, venham com uma consciência diferente da maioria das gerações que lhes antecedem. Porque já chegaram à maioridade a temer os efeitos da crise, a ter noção de que a política afecta as suas vidas, os seus sonhos, as suas aspirações. 

Uma grande gap geracional ocorreu entre a geração o pós-25 de Abril e a actual. Mais de 30 anos de gerações votantes com as costas muito voltadas para o acto eleitoral. Mas creio que, finalmente, a juventude abriu a pestana para a importância de acorrer às urnas. Agora é esperar!

Apesar de estar a chover torrencialmente, tal como das outras vezes, e as outras vezes acabaram por não serem experiências assim tão boas, esperemos que não seja a chuva um mau presságio. Mas não nos iludamos: os próximos anos não vão ser melhores. Se não forem mais complicados, já é muito bom!! Vem por aí muita dificuldade e retrocesso. Não vai ser numa única eleição que as coisas se vão resolver. Mais algumas gerações de jovens bem instruídos podem chegar à idade adulta com escassas oportunidades de um bom futuro.

NAS PRÓXIMAS eleições, as presidenciais, espero que a adesão seja massiva. 
Nada de ficar em casa! Podem ir passear, mas antes há que votar. 
Quanto querem apostar que a adesão à estreia da Casa dos Segredos 4mais logo na TVI, não vai ter tanta abstenção? 

Territorios e reconquistas Chinesas


Carregue na imagem para ver melhor. Trata-se de um gráfico removido da Wikipédia sobre locais onde foram filmadas cenas para quaisquer filmes da saga 007. Por curiosidade temos Portugal na lista. Mas não é por Portugal que coloquei aqui este excerto. É pela CHINA.

A China conseguiu invadir as economias alheias com os seus produtos e lojas de qualidade inferior. Soube explorar o povo até à escravatura para aumentar o tesouro do país e assim poder comprar empresas no exterior e até, ser credores de parte da nossa dívida. Mas não foi só desta forma que a China conquistou bens e dinheiro. Conseguiu recuperar de volta territórios mundiais pertencentes a outros países com simples acordos. Hong Kong era Britânica e Macau portuguesa, até 1999.

Não entendo muito de política mas entendo de conquistadores. E parece-me existir aqui uma irresistível vontade de conquistar cada vez mais, da forma que realmente se conquista as coisas: pela economia. Qual guerras com armas, qual quê! As verdadeiras conquistas são cerebrais.

E assim a China passou a ser um país que desde a queda do muro de Berlim expandiu-se além fronteiras.
Eu só fico a pensar, eu que não entendo de política, quanto custaria a venda de um território, de um país. Se Macau tivesse sido vendido à China, hoje esta não teria de comprar parte da nossa dívida, nos emprestar dinheiro a juros... E nós não estariamos na enrascada em que estamos! Dar Macau e perdoar dívidas externas milionárias...  Mas por acaso agora perdoam a nossa??

Não que critique o altruísmo, porque faria o mesmo. Mas não governo nada sem ser a minha vida. Não governo um país e toda a sua população, não tenho os seus interesses como obrigação profissional, pelo que a generosidade só pode ser aplicada conforme o que se doa é nosso ou pertence do povo. Têm os governantes direito de doar territórios e perdoar dívidas quando o povo está a crescer na pobreza?

Enfim, reflexões....
E amanhã (hoje) já se vai às urnas, escolher mais alguns para nos governar. Esperemos que bem, pois tão precisados estamos!!

XX

sábado, 28 de setembro de 2013

Se eu fosse má

Alguma vez tiveram a sensação de que umas pessoas não te estão a falar direito e de repente percebes que não te contactam de todo? Subitamente, vindo do nada, viram-te as costas e demonstram desprezo?

Pois acho que aconteceu comigo, há mais de uma década. E ainda hoje não sei o que aconteceu. Se é que algo aconteceu. Pois nada me disseram, eu nada fiz, só posso conjecturar. Seja o que for, o resultado para o meu lado parece ter sido o mesmo. Pessoas com quem lidava e convivia, subitamente revelam total desinteresse e vontade de sequer falar um minuto ao telefone. Têm pressa e precisam desligar. Dias depois não atendem mais um só telefonema, não dão retorno a chamadas perdidas nem respondem a algum email ou SMS.

Como nada fiz para desencadear uma reacção em cadeia destas, na altura não liguei o desconfiómetro. Tem sido com a passagem do tempo que a ocasional lembrança tem custado cada vez mais. Quanto mais o tempo passa, mais dolorosa a lembrança é. Lembro de pormenores, da minha inocência em não estranhar que uma pessoa a quem avisei que ia ligar na manhã seguinte e que queria me visitar, subitamente não atendesse o telefone nas seguintes 24h, naquelas que devem ter sido umas 20 tentativas de me comunicar. Preocupada que algo lhe pudesse ter acontecido, mais do que preocupada comigo.

Mas depois uma atitude como esta, somada a outra, a outra, e ainda a outra, tudo com pessoas diferentes mas por volta da mesma altura ainda que em dias diferentes, faz o desconfiómetro disparar. Passa-se algo! E ninguém me diz nada! Essa é a pior parte - a ignorância. Colho os frutos da sentença sem saber de que crime me sentenciaram. Que grande injustiça, não passam de carrascos!!

E é uma atitude cobarde destas que não entendo, jamais entenderei. Porque pessoalmente, quando sinto que algo está mal entre mim e outra pessoa e as coisas chegam a um limite que já não dá para equívocos, vou esclarecer as minhas dúvidas com essa pessoa. É a primeira com quem quero falar, geralmente não falo com outros nem para "dividir" e desabafar as dúvidas que me assolam.

A ausência desta postura nos outros me entristece. Por vezes até me revolta! Fico a pensar como seria se eu fosse uma pessoa má. Com atitudes desprezíveis e uma conversa odiosa, ao invés do coração mole e bom de que tantos ainda tiram proveito. Posso, aliás sei, que não sou nenhuma perfeição de pessoa. Tenho falhas que por vezes são mal interpretadas. Mas não sou uma pessoa má! Nestes dolorosos instantes gosto de imaginar que existe equilíbrio cósmico que vai trazer até todas as pessoas as consequências dos seus actos. Que as vai iluminar, fazer entender, arrepender e, se for o caso, procurar o perdão. Mas estou a fantasiar. Porque a justiça nesta terra não é para todos.

A falta de franqueza e honestidade parece pautar a maioria do comportamento social contemporâneo. Acho que a umas gerações atrás as pessoas na sua maioria eram mais diretas, mais sinceras, mais espontâneas e com noções mais adequadas do que é viver uma amizade. Hoje mais parece existir um jogo de interesses, um calculismo frio, quer-se tirar proveito das pessoas por qualquer motivo. A difamação é um recurso que não constrange muitos, nem a traição. É lamentável.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

A minha AVÓ

Ahah!

Lembram-se de no post anterior ter feito referência à minha avó? E a forma como ela encarava e dizia as coisas? Pois esta senhora não é minha avó mas podia bem ser. É isto que muito admiro nas pessoas mais idosas. Têm a sinceridade na boca. São francas e não o escondem. Dizem o que têm a dizer na cara, não é nas costas porque não foram educados assim. Não vão para as redes sociais, não usam de palavras mansinhas na presença da pessoa e totalmente agressivas na ausência. E acima de tudo, dizem o que dizem mas não desejam mal a ninguém. Não aproveitam a situação para vincular ódios e manifestar agressividade.

As minhas avós, os meus avós, eram assim, como esta senhora. ADORO!
Se eu estivesse no lugar dela faria a mesma coisa.

Podem até não ter muito saber ou possuir os factos todos e decerto que não têm muita escolaridade nem entendem de esquemas políticos mas na sua postura simples acabam muitas vezes por enxergar melhor, porque vêm o essencial e isso é o que basta. Tudo o que é palha, tudo o que é para "boi dormir", passa ao lado ahahah! Esta senhora é uma das últimas de uma geração muito especial. Deliciem-se.


PS: Ao contrário de alguma crítica acho que Passos foi homem ao aparecer na frente desta mulher e ao tentar dialogar com ela. Não a ia convencer (ah, não conhece a fibra destes "velhotes") mas não fugiu com dois beijinhos e trá, lá, lá.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

O voto em BRANCO


Vou abrir mão do sigilo de voto que jamais pensei violar para falar da prática do voto em BRANCO.

E se o faço é por acreditar que é importante dar o testemunho e demonstrar o quanto é perigoso recorrer a ele como forma de demonstrar que não existe um único candidato capaz de convencer o eleitor de que é a pessoa certa para o cargo. Um que nos transmita confiança, segurança, credibilidade. 


Vim falar que nas últimas eleições senti que este era um voto perigoso por permitir que não se ofereça resistência e oposição. Não impede que os "virus" políticos se propaguem. E refiro-me à política propagandista e extremista, que nesta última eleição saiu claramente vitoriosa. 

O que quero dizer é simples: alguém vai sempre parar ao poder. Queremos que esse alguém seja a pessoa mais indicada para o cargo. Então temos de votar. Porque um deles vai ser o governante! Não tem volta a dar. Cabe ao povo assumir essa responsabilidade. E se ninguém convencer, optem pelo voto de confiança - mesmo sendo tão difícil de dar, mesmo que tal acto nos embrulhe o estômago. E digo isto tendo praticado o voto em branco desde o tempo de Sócrates. Mas nunca como nas presidenciais anteriores senti que era um voto inútil e que mais valia ter sido usado para colocar um travão na ambição desmedida de muitos que agora estão no poder.

Se para mais nada servir, se não for para colocar um candidato DECENTE no poder, que sirva para o oposto: para impedir que o mais INDECENTE lá chegue. Isto é muito importante. É algo que, de uma forma ou de outra, com uma percepção extraordinária para quem era pouco instruído, os mais velhos sabiam no seu âmago. Lembro de minha avó dizer: "Eu vou votar. Se eu não for vai para lá aquele bandido do .... que eu não gosto nada dele e vai mandar em todos, não é? Tirar as reformas aos velhos, tirar-nos as coisas e fazer maldades. Eu não vou deixar.". Tãaaaao simples. Tão certo. 

 - - - V O T E  -  -  - 

Ano de eleições é outra coisa!

Devia ser véspera de eleições autárquicas todo o ano!

Na minha zona melhoraram com uma obrazeca um pequeno espaço que durante décadas era só um pequeno terreno de pedras por onde as pessoas passavam ou um carro ocasionalmente estacionava. Se era urgente ou necessário tornar aquele pedaço de terreno mais bonito, não. Não era vital. Mas que vai ficar melhor, vai.

E é por isto que devia ser véspera de eleições autárquicas todo o ano! Assim o povo ia poder ver melhorias a olhos vistos. Todos os dias, ao dobrar uma esquina, ia suspirar: Uau! Olha o que estão a fazer agora! Uau! O buraco no asfalto foi tapado durante a noite. Uau! Plantaram árvores onde faziam falta. Etc, Etc...

Já estão a entender a coisa, certamente.

No entanto a obra parece ter dias em que simplesmente fica parada. Agora com canteiros que demarcam o espaço onde se presume que árvores serão plantadas, no entanto sem estar ainda calcetado ou relvado. Ainda não sei bem o que de lá vai sair, pois embora a obra seja de pequena envergadura, a pressa em a finalizar não parece ser grande, O que não esqueceram logo de início foi colocar um cartaz a dizer "Lisboa melhora" ou algo do género. Mas também este não revelava mais nada. Muito menos o custo da obra ou o tempo previsto para a sua conclusão.

Também a bem ou a mal, só para alguns ou não, a câmara lançou uns meses antes das eleições as Hortas Urbanas - espaços criados para a horticultura que muitos Lisboetas já praticam há anos em terrenos baldios. Passei por um hoje e embora ainda falte plantar e ver frutos, o espaço parece limitado mas maravilhoso. É pena que decerto que nem 1% daqueles que se candidataram conseguiram obter terreno, nem numa nem na outra freguesia com espaço disponível.

Por isto tudo é que digo: devia ser época de eleições autárquicas todos os anos!