domingo, 29 de setembro de 2013

Territorios e reconquistas Chinesas


Carregue na imagem para ver melhor. Trata-se de um gráfico removido da Wikipédia sobre locais onde foram filmadas cenas para quaisquer filmes da saga 007. Por curiosidade temos Portugal na lista. Mas não é por Portugal que coloquei aqui este excerto. É pela CHINA.

A China conseguiu invadir as economias alheias com os seus produtos e lojas de qualidade inferior. Soube explorar o povo até à escravatura para aumentar o tesouro do país e assim poder comprar empresas no exterior e até, ser credores de parte da nossa dívida. Mas não foi só desta forma que a China conquistou bens e dinheiro. Conseguiu recuperar de volta territórios mundiais pertencentes a outros países com simples acordos. Hong Kong era Britânica e Macau portuguesa, até 1999.

Não entendo muito de política mas entendo de conquistadores. E parece-me existir aqui uma irresistível vontade de conquistar cada vez mais, da forma que realmente se conquista as coisas: pela economia. Qual guerras com armas, qual quê! As verdadeiras conquistas são cerebrais.

E assim a China passou a ser um país que desde a queda do muro de Berlim expandiu-se além fronteiras.
Eu só fico a pensar, eu que não entendo de política, quanto custaria a venda de um território, de um país. Se Macau tivesse sido vendido à China, hoje esta não teria de comprar parte da nossa dívida, nos emprestar dinheiro a juros... E nós não estariamos na enrascada em que estamos! Dar Macau e perdoar dívidas externas milionárias...  Mas por acaso agora perdoam a nossa??

Não que critique o altruísmo, porque faria o mesmo. Mas não governo nada sem ser a minha vida. Não governo um país e toda a sua população, não tenho os seus interesses como obrigação profissional, pelo que a generosidade só pode ser aplicada conforme o que se doa é nosso ou pertence do povo. Têm os governantes direito de doar territórios e perdoar dívidas quando o povo está a crescer na pobreza?

Enfim, reflexões....
E amanhã (hoje) já se vai às urnas, escolher mais alguns para nos governar. Esperemos que bem, pois tão precisados estamos!!

XX

sábado, 28 de setembro de 2013

Se eu fosse má

Alguma vez tiveram a sensação de que umas pessoas não te estão a falar direito e de repente percebes que não te contactam de todo? Subitamente, vindo do nada, viram-te as costas e demonstram desprezo?

Pois acho que aconteceu comigo, há mais de uma década. E ainda hoje não sei o que aconteceu. Se é que algo aconteceu. Pois nada me disseram, eu nada fiz, só posso conjecturar. Seja o que for, o resultado para o meu lado parece ter sido o mesmo. Pessoas com quem lidava e convivia, subitamente revelam total desinteresse e vontade de sequer falar um minuto ao telefone. Têm pressa e precisam desligar. Dias depois não atendem mais um só telefonema, não dão retorno a chamadas perdidas nem respondem a algum email ou SMS.

Como nada fiz para desencadear uma reacção em cadeia destas, na altura não liguei o desconfiómetro. Tem sido com a passagem do tempo que a ocasional lembrança tem custado cada vez mais. Quanto mais o tempo passa, mais dolorosa a lembrança é. Lembro de pormenores, da minha inocência em não estranhar que uma pessoa a quem avisei que ia ligar na manhã seguinte e que queria me visitar, subitamente não atendesse o telefone nas seguintes 24h, naquelas que devem ter sido umas 20 tentativas de me comunicar. Preocupada que algo lhe pudesse ter acontecido, mais do que preocupada comigo.

Mas depois uma atitude como esta, somada a outra, a outra, e ainda a outra, tudo com pessoas diferentes mas por volta da mesma altura ainda que em dias diferentes, faz o desconfiómetro disparar. Passa-se algo! E ninguém me diz nada! Essa é a pior parte - a ignorância. Colho os frutos da sentença sem saber de que crime me sentenciaram. Que grande injustiça, não passam de carrascos!!

E é uma atitude cobarde destas que não entendo, jamais entenderei. Porque pessoalmente, quando sinto que algo está mal entre mim e outra pessoa e as coisas chegam a um limite que já não dá para equívocos, vou esclarecer as minhas dúvidas com essa pessoa. É a primeira com quem quero falar, geralmente não falo com outros nem para "dividir" e desabafar as dúvidas que me assolam.

A ausência desta postura nos outros me entristece. Por vezes até me revolta! Fico a pensar como seria se eu fosse uma pessoa má. Com atitudes desprezíveis e uma conversa odiosa, ao invés do coração mole e bom de que tantos ainda tiram proveito. Posso, aliás sei, que não sou nenhuma perfeição de pessoa. Tenho falhas que por vezes são mal interpretadas. Mas não sou uma pessoa má! Nestes dolorosos instantes gosto de imaginar que existe equilíbrio cósmico que vai trazer até todas as pessoas as consequências dos seus actos. Que as vai iluminar, fazer entender, arrepender e, se for o caso, procurar o perdão. Mas estou a fantasiar. Porque a justiça nesta terra não é para todos.

A falta de franqueza e honestidade parece pautar a maioria do comportamento social contemporâneo. Acho que a umas gerações atrás as pessoas na sua maioria eram mais diretas, mais sinceras, mais espontâneas e com noções mais adequadas do que é viver uma amizade. Hoje mais parece existir um jogo de interesses, um calculismo frio, quer-se tirar proveito das pessoas por qualquer motivo. A difamação é um recurso que não constrange muitos, nem a traição. É lamentável.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

A minha AVÓ

Ahah!

Lembram-se de no post anterior ter feito referência à minha avó? E a forma como ela encarava e dizia as coisas? Pois esta senhora não é minha avó mas podia bem ser. É isto que muito admiro nas pessoas mais idosas. Têm a sinceridade na boca. São francas e não o escondem. Dizem o que têm a dizer na cara, não é nas costas porque não foram educados assim. Não vão para as redes sociais, não usam de palavras mansinhas na presença da pessoa e totalmente agressivas na ausência. E acima de tudo, dizem o que dizem mas não desejam mal a ninguém. Não aproveitam a situação para vincular ódios e manifestar agressividade.

As minhas avós, os meus avós, eram assim, como esta senhora. ADORO!
Se eu estivesse no lugar dela faria a mesma coisa.

Podem até não ter muito saber ou possuir os factos todos e decerto que não têm muita escolaridade nem entendem de esquemas políticos mas na sua postura simples acabam muitas vezes por enxergar melhor, porque vêm o essencial e isso é o que basta. Tudo o que é palha, tudo o que é para "boi dormir", passa ao lado ahahah! Esta senhora é uma das últimas de uma geração muito especial. Deliciem-se.


PS: Ao contrário de alguma crítica acho que Passos foi homem ao aparecer na frente desta mulher e ao tentar dialogar com ela. Não a ia convencer (ah, não conhece a fibra destes "velhotes") mas não fugiu com dois beijinhos e trá, lá, lá.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

O voto em BRANCO


Vou abrir mão do sigilo de voto que jamais pensei violar para falar da prática do voto em BRANCO.

E se o faço é por acreditar que é importante dar o testemunho e demonstrar o quanto é perigoso recorrer a ele como forma de demonstrar que não existe um único candidato capaz de convencer o eleitor de que é a pessoa certa para o cargo. Um que nos transmita confiança, segurança, credibilidade. 


Vim falar que nas últimas eleições senti que este era um voto perigoso por permitir que não se ofereça resistência e oposição. Não impede que os "virus" políticos se propaguem. E refiro-me à política propagandista e extremista, que nesta última eleição saiu claramente vitoriosa. 

O que quero dizer é simples: alguém vai sempre parar ao poder. Queremos que esse alguém seja a pessoa mais indicada para o cargo. Então temos de votar. Porque um deles vai ser o governante! Não tem volta a dar. Cabe ao povo assumir essa responsabilidade. E se ninguém convencer, optem pelo voto de confiança - mesmo sendo tão difícil de dar, mesmo que tal acto nos embrulhe o estômago. E digo isto tendo praticado o voto em branco desde o tempo de Sócrates. Mas nunca como nas presidenciais anteriores senti que era um voto inútil e que mais valia ter sido usado para colocar um travão na ambição desmedida de muitos que agora estão no poder.

Se para mais nada servir, se não for para colocar um candidato DECENTE no poder, que sirva para o oposto: para impedir que o mais INDECENTE lá chegue. Isto é muito importante. É algo que, de uma forma ou de outra, com uma percepção extraordinária para quem era pouco instruído, os mais velhos sabiam no seu âmago. Lembro de minha avó dizer: "Eu vou votar. Se eu não for vai para lá aquele bandido do .... que eu não gosto nada dele e vai mandar em todos, não é? Tirar as reformas aos velhos, tirar-nos as coisas e fazer maldades. Eu não vou deixar.". Tãaaaao simples. Tão certo. 

 - - - V O T E  -  -  - 

Ano de eleições é outra coisa!

Devia ser véspera de eleições autárquicas todo o ano!

Na minha zona melhoraram com uma obrazeca um pequeno espaço que durante décadas era só um pequeno terreno de pedras por onde as pessoas passavam ou um carro ocasionalmente estacionava. Se era urgente ou necessário tornar aquele pedaço de terreno mais bonito, não. Não era vital. Mas que vai ficar melhor, vai.

E é por isto que devia ser véspera de eleições autárquicas todo o ano! Assim o povo ia poder ver melhorias a olhos vistos. Todos os dias, ao dobrar uma esquina, ia suspirar: Uau! Olha o que estão a fazer agora! Uau! O buraco no asfalto foi tapado durante a noite. Uau! Plantaram árvores onde faziam falta. Etc, Etc...

Já estão a entender a coisa, certamente.

No entanto a obra parece ter dias em que simplesmente fica parada. Agora com canteiros que demarcam o espaço onde se presume que árvores serão plantadas, no entanto sem estar ainda calcetado ou relvado. Ainda não sei bem o que de lá vai sair, pois embora a obra seja de pequena envergadura, a pressa em a finalizar não parece ser grande, O que não esqueceram logo de início foi colocar um cartaz a dizer "Lisboa melhora" ou algo do género. Mas também este não revelava mais nada. Muito menos o custo da obra ou o tempo previsto para a sua conclusão.

Também a bem ou a mal, só para alguns ou não, a câmara lançou uns meses antes das eleições as Hortas Urbanas - espaços criados para a horticultura que muitos Lisboetas já praticam há anos em terrenos baldios. Passei por um hoje e embora ainda falte plantar e ver frutos, o espaço parece limitado mas maravilhoso. É pena que decerto que nem 1% daqueles que se candidataram conseguiram obter terreno, nem numa nem na outra freguesia com espaço disponível.

Por isto tudo é que digo: devia ser época de eleições autárquicas todos os anos!


O discurso político e optimista de quem recusa os factos

Passos Coelho:

Afirmação: -"Ainda temos um longo trabalho pela frente"
Resposta: Não. Tu tens é de sair da frente para outros poderem começar o trabalho.

Afirmação: "Portugal está a recuperar, prevêem-se melhorias"
Resposta: "Portugal jamais vai recuperar dos desaires deste governo. Prevêem-se piorias, lá está ele em negação!"

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Indecisões autárquicas - H E L P!

Como sempre desde que atingi a maioridade, pretendo deslocar-me até às urnas de voto para contribuir com a minha decisão para eleger quem vai ocupar a cadeira política da minha cidade e freguesia.

Acontece que não é fácil. Não é nada, mas nada fácil.
Primeiro que tudo, onde está a informação do programa de candidatura dos candidatos? Demorei a ter acesso, até que uns panfletos começaram a inundar a caixa de correio. Eu leio essa treta toda, sabiam? Pois é. Leio. Ao menos tomo atenção a tudo o que atiram lá para dentro. 

Vai que abro a candidatura de um com a lista de TUDO o que pretende fazer pela freguesia. Muito bem, é uma longa lista, nada em particular me chama a atenção mas ao segui-la consigo mentalmente riscar quase todos os itens. Acções de Limpeza urbana... porque será que não acredito nem um pouco em nada do que lá vem escrito? Ah, já sei. Por descrédito. Por viver há uma década e picos neste canto em particular desta freguesia e saber que aquilo que ali vem escrito é um monte de mentiras. Que em todo este tempo o desleixo tem sido ofensivo. "LIMPEZA E DESENTUPIMENTO DE SARJETAS" ou "RECOLHA REGULAR DOS DEJECTOS CANINOS", por exemplo. É para rir. Só pode. Quanto aos dejectos, o povo ainda coloca o lixo no respectivo colector (colocado na véspera de uma anterior eleição) mas recolher? Está sempre a abarrotar de porcaria e a última vez que passei por um tinha até um pombo morto e a decompor-se esbarrado contra o suporte, certamente já ali conduzido pela acção do vento. 


E o que dizer das sarjetas? Se toda a berma do passeio acumula duas ou três gerações de detritos de outono, obviamente que as sarjetas estão na sua maioria entupidas. São reservatórios de húmus. Aquando a "gripe A" acumulavam também as máscaras que se colocavam a tapar a boca. Virou natal por essa altura porque as máscaras eram como flocos de neve na paisagem. Viam-se espalhadas pelo chão, pelo relvado, penduradas nos arbustos e ramos de árvores e a entupir as sarjetas. Ainda tenho fotografias dessa catástrofe algures, se achar coloco aqui. Se nem num caso de epidemia os cuidados mínimos de limpeza urbana prestados pela freguesia foram satisfatórios, o que dizer dos restantes dias do ano? 

Mudo de lista. Venha outro candidato e diga-me, senhor candidato, o que pensa fazer por esta freguesia? Ah, e tal.... faço o mesmo que os outros mas vou ser mais generalista. O que vou fazer é melhorar este e mais aquele jardim. LOL? Os jardins que foram recentemente melhorados, senhor candidato? Então vai querer ficar com os louros de um trabalho que já foi feito? Se diz que vai fazer ciclovias, aplicar relvado, colocar isto ou aquilo... Senhor, nesses jardins isso já foi feito. Não vai querer fazer outra vez, pois não? Partindo do princípio que não vai deitar abaixo para fazer igual e assim justificar gastos com dinheiro que não tem, então trata-se de uma candidatura que deixa a desejar. Fazer ciclovias, sinceramente... Se uma ciclovia fosse construída para cada candidatura daqui a nada já não existiam passeios! Tudo vira ciclovia. JÁ EXISTEM. Esta candidato só quer construir o que já existe. Ou então está assim tão desactualizado. Das duas possibilidades nenhuma abona a seu favor. Não, esta lista está mais que excluída.


Vem o terceiro. Uma lista não partidária. Leio. Normalmente não coloco muita fé devido a notar-se algumas vezes se tratarem de pessoas muito idealistas mas pouco políticas ou, o que é pior, só propagandistas. Mas esta lista não acusa ninguém, diz que vai fazer algo. O quê? O mesmo que os outros. Até mesmo a promoção do "uso da bicicleta com uma ciclovia". Não sei bem o que isto quer dizer. Porque essa de meterem a palavra "ciclovia" em todas as candidaturas como se fossem construir alguma é para rir. JÁ EXISTEM!!! Hello? Acordem... Já existem. 

Precisam é de algumas REPARAÇÕES, já que no recente vendaval de ABRIL deste ano, as árvores que tombaram fizeram sérios danos nos "passeios de calçada e na ciclovia" - palavras que os candidatos tanto gostam de incluir nos seus programas. E garanto: desde ABRIL até HOJE, quase mês de Outubro, NENHUM, ZERO, NADA, absolutamente NADA foi feito para arranjar a calçada. Nem os buracos deixados pelas árvores. Nem a ciclovia que ficou cheia de rachas e sulcos com a movimentação das raízes. As árvores caídas, convém frisar, foram removidad por PARTICULARES que durante a noite ali apareceram com motoserras e levaram-nas às postas. E não, não eram empresas contratadas nem eram da câmara de Lisboa ou da junta de freguesia. Desses ainda se aguardam acções!!


Estão a entender os dilemas de um cidadão votante?
O que fazer? Por favor esclareçam-me.
Aceitam-se sugestões.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Jorge Jesus é crucificado

Ontem vi um filme excelente na televisão. Chama-se Crimes Pensados*. Pensei cá para comigo que dificilmente se vê um filme assim. Um filme de origem americana que mostra decisões políticas, decisões sociais e comportamentos individuais e de massas e neles expõe a reflexão e a clareza como poucos o conseguem fazer. É um filme que não mostra as coisas pelo habitual filtro patriótico que eleva toda e qualquer decisão americana ao heroísmo. Não justifica ou desculpa nada. Fala de liberdade colectiva e individual, de direitos e de ameaças. E aborda o pânico colectivo, o histerismo e as posições extremistas ou radicais.

E é por esse lado que vou abordar a notícia que hoje vi na TV sobre a suposta agressão de Jorge Jesus (treinador do Benfica) à polícia. Na realidade o que me chamou a atenção no noticiário da TVI foi o pivot ter dito:
-"Na opinião de X, Jorge Sampaio devia ter sido logo preso".

Say What??
Onde andei eu e o que aconteceu durante a madrugada para estarem a noticiar que um ex-presidente da República merecia ter sido logo preso?

- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -- - - - - - - -  - - - - -- - - - 

Naturalmente foi uma gaffe do pivot. Mas foi preciso passar a notícia para se perceber que se tratava de Jorge Jesus e não o outro Jorge. Entra a VT e vejo imagens num campo de futebol de um monte de gente a segurar alguém pelo braço e um outro a fazer aquele gesto reflexivo de afastar quem está a prender e torcer o braço de outro. Depois vejo esse alguém a ser puxado por três silhuetas com dizeres "Polícia" nas costas. E de seguida entra um debate onde um comentador desportista defende "a fogueira", por assim dizer, como castigo para o herege. Vem outro e diz que não aconteceu nada demais e nenhum radicalismo deve ser aplicado.

E então o filme que vi de véspera voltou à lembrança. Que belo filme!

É que nele fica claro que existem pessoas que optam por usar certas situações de equívoco como pretexto para destilarem o seu ódio e incitarem a prática colectiva do histerismo. Pessoas que não são capazes de agir com isenção e imparcialidade. Que preferem puxar um dos lados da venda da Senhora Justiça para incitar à violência, ao ódio, ao fanatismo. 

Para uma sociedade como a nossa, que faz pouco tempo que saiu de um regime político opressor, tal uso da liberdade me deprime. Ainda bem que hoje temos esta liberdade, de poder criticar tudo e todos. De poder ir contra as decisões daqueles que nos governam e poder dizê-lo como de direito. Ou poder fazer o contrário. Temos direito ao pensamento livre. Mas a leviandade com que alguns tratam esta liberdade que não foi por mim conquistada já que nela já nasci, mas que outros tiveram de conquistar por mim, é algo que me entristece. 

No entanto sinto que todos os dias "lutamos" para ter e manter essa liberdade. Porque tem de se falar e expor as injustiças. Porque todos os dias, em diversas situações quotidianas tantas vezes nos confrontamos com situações que trazem à tona as noções mais básicas de direito, justiça e liberdade. 

No filme, tal como nesta situação futebolística, uma acção artística que causou polémica foi tratada como um acto de terrorismo e um dos ambiciosos policiais queria fazer daquele caso um exemplo para não se brincar com coisas sérias. Ao mesmo tempo, se isso lhe fosse útil para ser promovido, seria óptimo. A punição para o artista devia ser severa, com um máximo até 20 anos de cadeia para assim dissuadir outros artistas de proceder com igual ousadia. Um outro policial e seu superior defendia que o histerismo não é bom concelheiro e que não existiu intenção de causar dano. Abordou a carta da primeira ementa, o outro praticamente defecou nela. Enfim, vejam o filme que vão entender melhor.

A questão aqui, comparativamente à notícia sobre a agressão de Jorge Jesus, (que meus olhos não viram) é que percebe-se que alguns estão a se aproveitar de uma situação perfeitamente inocente e que surge de um equívoco para despoletar conflitos e polémicas. Que mau uso para a liberdade! Mas enfim, têm direito a ela e isso é que é o melhor de tudo. Mas deviam polvilhá-la com bom senso. O que tantas vezes falta. Ao invés de, neste caso, tentar incendiar ainda mais as coisas, como um tal de Nero fez a Roma e dizer que foram os cristãos... Tirando proveito do fanatismo do futebol e do clubismo. E seguem a exigir acções extremas de punição e multa sobre algo que não tem qualquer gravidade. 

De um grão de areia querem fazer uma montanha, entendem? Tudo porque desgostam de uma pessoa. Mas DESGOSTAR de alguém não nos deve privar do nosso sentido de justiça

O filme abordava isto muito bem, através de um suposto pedófilo. JULGAR antes mesmo de dar oportunidade de um julgamento honesto. Passar logo uma sentença sem antes conhecer bem os factos. É a precipitação para a acção, o sensacionalismo e o radicalismo. Atitudes tão contrárias a uma sociedade justa e tão mais adequadas a regimes opressores como o comunista na China, o ditador da Coreia do Norte, os dois pesos duas medidas das sociedades praticantes de diferentes direitos sociais entre seres humanos baseados apenas no estatuto ou no sexo, etc.

Não é por esse caminho que queremos rumar, pois não?


Veio-me à lembrança o tal cartaz autárquico que trazia na imagem uma jovem toda produzida, com roupa, maquilhagem e cabelo pouco comuns de se verem em cartazes políticos mas habituais para festas. E pergunto-me até agora porquê algumas pessoas subtraíram esse cartaz de blogues e páginas criadas sobre cartazes? (além da ameaça de processo judicial da visada). É que uma coisa é a difamação - coisa que o cartaz não pratica, outra é a liberdade de informação. Como pode uma página de "tesourinhos autárquicos" cujo âmago de criação é abordar todo e qualquer cartaz político excluir um como se nunca tivesse existido? 

A LIBERDADE e o DIREITO do cartaz existir deve ser mantida. Não ocultado como se nunca tivesse ocorrido. Isso é opressor porque ele não era ofensivo nem atentou contra ninguém. Fez parte da história destas eleições e como tal merece estar numa página como todos os outros. O que impede agora que outros não exigem também a remoção dos seus cartazes, caso achem que não ficaram bem vistos na fotografia? A acção de remoção como que a passar uma borracha abre um precedente que legitima a que qualquer outro que se ache prejudicado por um cartaz exija o mesmo direito à remoção. E havendo um precedente automaticamente a sua alegação tem legitimidade. Não é isso uma manipulação? É. Porque remove um pedaço da verdade. O problema existiu, o cartaz existiu e alguns comentários depreciativos foram feitos. A questão não é o cartaz, é o tal uso da liberdade com excesso de libertinagem. Mas o cartaz por direito pertence ao mesmo lugar que todos os outros. 

A liberdade é um bem precioso. A igualdade é um direito precioso. A justiça é outro direito precioso. Muitos não vivem nenhuma destas dádivas como deviam vivê-las por este mundo a fora. Digam o que disserem, é uma enorme bênção esta que nos trouxe a revolução dos cravos. 


*Strip Search, no original, do director, escritor e actor Sidney Lumet