sexta-feira, 17 de agosto de 2012

SUBMARINOS



Mas para quê precisámos nós de DOIS submarinos??
Já na altura (2008) não entendi mas agora que o caso foi arquivado e ainda por cima devido à sonegação de documentos, a coisa faz-me mais espécie.


Mas para quê precisa ou alguma vez precisou PORTUGAL de DOIS SUBMARINOS?? Já tinha os que bastassem! Adquirir duas latas para enferrujar no oceano, que além de um custo ABSURDO para um país pequeno e endividado (mais de 1000 milhões de euros) é também uma compra de problemas com despesas e manutenção elevadíssimas??

Na altura entristeceu-me e ficou como uma espinha presa na garganta. E agora esta arranha ainda mais, quando como "povo" penso nos MILHARES gastos nesse supositório marítimo de sucata velha... Anda o governo a cortar nos pequenos, nos pobres, a criar leis pouco felizes para o país e a fazer listas negras das famílias que falharem o pagamento de uma mensalidade de gás ou electricidade e nisto pergunto: E os GRAÚDOS, PÁ???

Em vez de se preocuparem com 5 ou 75 euros, troquitos no total, que tal preocupem-se antes com 5 ou 75 MILHÕES?? Comprar submarinos para alimentar o quê?? Até os EUA abandonaram o programa espacial porque sabem que os milhares fazem falta e são melhores empregues noutros sectores. Submarinos de metal para "passear" no mar ou naves espaciais de metal para "passear" na estratosfera... tudo a mesma coisa.

E parem de privatizar, estão a vender até a mãe! Até uma criança entende este principio básico: se um GOVERNO começa a VENDER todos os bens que possuí,  fica sem nada!!  
Lá foi agora o Pavilhão Atlântico (Parque Nações, Lisboa), tudo o que houver é atirado à lenha...  Decerto nem será o bem mais valioso a ir para a fogueira mas fala-se em privatizar a TAP (serviço transporte aéreo) e isso já é outra coisa... Isso... vendam-se!! A China  já tem uma cota-parte da nossa dívida, já nos "invadiu" faz mais de 10 anos com as suas lojinhas de artigos rascas que tiraram negócio a muitas outras nacionais...  (e que tal ir atrás destes a ver se registam as vendas, coisa que nunca vi uma loja chinesa fazer e ver se não fazem fuga de impostos??) O que por aí se mantém é feito na China ou noutro país qualquer que EXPLORA crianças e miseráveis... ESTE não é o RUMO no qual queria ver o meu lindo PORTUGAL.


Decerto que não sou só eu que sabe que nasceu num país maravilhoso. Já Camões O sabia e O celebrizou em verso em 10 poéticos e estonteantes cantos, Tomás Ribeiro dedicou-Lhe um inspirado poema onde O dizia um jardim à beira-mar plantado... Os estrangeiros que cá vivem depressa Lhe reconhecem as características ÚNICAS e cada vez mais raras desta proximidade de vida, deste saber... PAREM DE VENDER PORTUGAL AOS LOTES!!!

A JUSTIÇA dos homens pode ser estupidamente ineficaz, mas a de DEUS nunca fecha os olhos... Estes submarinos, se razão houver, ainda vão servir de supositório a quem de direito!

Governantes, ganhem brio. Tomem tento, sacrifiquem-se pelo país ao ponto de lhes darem sangue se a isso for... Não é para ficar parado no tempo, é para manter a IDENTIDADE e a LIBERDADE. Este país e este povo tem uma identidade que aos poucos parece estar a ser roubada por uma comunidade internacional... Se nos COMPRAREM, não seremos nada nem ninguém. Seremos uma miragem no deserto, um povo conquistado que mantém o lugar mas já não reina porque não é reino...

Tomem tento nestas palavras:

Heróis do Mar, 
Nobre POVO,
NAÇÃO valente 
E imortal...

Levantai HOJE de novo 
o ESPLENDOR de PORTUGAL!


(ver versão completa neste link PT-UK)

Pelas brumas...  
da memória...
Ó PÁTRIA, sente-se a voz,
Dos teus egrégios avós
que há de guiar-te à vitória.

Ás armas! Ás armas!
Sobre a terra, sobre o mar.
Ás armas! Ás armas!
Pela PÁTRIA lutar!
Contra os canhões, marchar, marchar!



BRUTAL!!!

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Degelo da Gronelândia, uma catástrofe?

Vou partilhar convosco um dos meus maiores "sonhos" que gostava de realizar ainda com alguma juventude: conhecer o Ártico e o Antárctico, o polo Norte e o polo Sul. Estas ou qualquer outras regiões onde o gelo seja praticamente o único protagonista da paisagem. Deve ser catártico, pacífico.... 

Sinto-me de luto quando leio notícias devastadoras como o recente degelo da Gronelândia que, em apenas QUATRO dias perdeu 97% de tudo o que lá existia!!!! Não sentem o mesmo? Uma perda desmesurável, um incómodo de luto, algo assim que assusta muito e deixa-nos preocupados? 

Imagens-satélite da NASA, captadas nos dias 8 e 12 de Julho, altura de Verão na região.
Um fenómeno de degelo até então nunca antes observado.
.
E no dia 16 de Julho o glaciar de Petermann, na Gronelândia soltou uma ilha de gelo duas vezes maior que a cidade de Lisboa. São 120Km2 de gelo que fica à deriva no oceano ameaçando as rotas marítimas do Atlântico Norte.
Imagem satélite do momento da separação do glaciar Petermann

Quando era mais nova e sabia que ia gostar de visitar um lugar assim, pensei sempre que teria tempo, porque para sempre o gelo ia continuar a estar onde sempre tem estado: nos pólos. Mas em apenas uns dias, uma catástrofe destas parece deixar uma mensagem muito clara sobre a forma como tomamos tudo por garantido. Em apenas meia-vida ou 2 dezenas de anos, aquilo que sempre lá esteve está a deixar de estar e se não me apressar não restará NADA para ser visto.

(Video of an icebergue breaking appart.  Ps: no, that is not "pretty cool") .
Até me informei sobre as recentes expedições turísticas à Antárctica, local onde cada vez mais se tenta levar turistas. Porque só assim, não é? Os preços vão de uns mínimos 15000€ a 35000€, por baixo, por alguns 6 ou 7 dias, em que as roupas e tudo o demais que suponho necessário para aguentar temperaturas muito abaixo de zero não estão incluídas no preço, como é óbvio. E estudei alternativas. Graças ao canal de tv myZen, que me mostrou o Pepito Moreno Glaciar, na Argentina (que julgava calorosa), na região da Patagónia, percebi que se calhar este "sonho" pode realizar-se em outra escala, de outra forma... até um dia, quem sabe, chegar aos pólos. O problema de algumas regiões onde se podem observar belos glaciares é que existem conflitos e guerrilha, uma ameaça de instabilidade ou pobreza social que não tão poucas vezes como gostaríamos de julgar, conduzem a raptos de estrangeiros e assassinatos. No parque Nacional dos Glaciares, onde entre outros se encontra o "Pepito", julgo que é possível fazer escalada no gelo, fazem-se passeios (trekking) pelo glaciar, pelo interior de seus túneis naturais, pesca desportiva e passeios de barco (apinhados de turistas). .
(Glaciar Pepito Moreno)

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Nova lei do Trabalho

Segundo o telejornal da SIC de hoje, heis o novo código Penal de Trabalho, datado de 25 de Julho de 2012. A lei nº23 entra em vigor já na próxima quarta-feira. O que pensam?

1) Facilidade de despedimentos de um empregado por parte da empresa (ex: inadaptação ou quebra de produtividade)
2) Direito da empresa em reduzir o período normal de trabalho do trabalhador ou suspender o contracto de trabalho por motivos de "crise" empresarial
3) Indemnizações com direito ao salário de 20 dias por cada ANO de trabalho
4) Base de cálculo não pode ultrapassar 20 salários mínimos
5) Faltar sai do bolso do empregado e se este faltar em dias que servem para esticar o fim de semana pode CUSTAR ao trabalhador o valor de 4 dias de ordenado
6) Mais DUAS horas de trabalho por dia
7) Cortes para pagamento das horas extraordinárias para METADE do agora efectuado
8) Mais DUAS horas de trabalho por dia possíveis de ser exigidas e até 150h de trabalho POR ANO
9) Deixa de ser obrigatório o ENVIO por parte das empresas para a AUTORIDADE da CONDIÇÕES DE TRABALHO do mapa de horários
10) 22 dias de Férias ao invés 25 e MENOS 4 dias de feriados a gozar

O que EU acho disto?
Acho que é tudo muito bonitinho mas não vai adiantar de nada. Pessoalmente, e já o havia dito, estas alterações alguma vez fariam mossa naquele que até agora tem sido o meu percurso laboral. Assim como muitos outros portugueses, tratam-se de cortes em direitos e regalias que nunca tive ou delas fiz uso. 

Mas em relação ao que isto vai ajudar o país, acho que muito pouco ou NADA. Porque acredito piamente que o que faz o país AVANÇAR é o incentivo ao TRABALHADOR. Este  tem de ir feliz para o trabalho. Não pode ser o lado fragilizado de todo este processo, porque sem POVO, não existem trabalhadores. Por muito valor que tenham os graúdos, os pequeninos são a força de braço. E a exploração, a insegurança, o impedir as pessoas a iniciar-se na vida activa de poder constituir família em segurança económica, só PREJUDICA o PAÍS, faz diminuir a taxa de natalidade entre aqueles com mais formação e algum poder económico, vai transformar-nos num país com uma grande população de VELHOS E POBRES. 

Fico triste com estas perspectivas. 
Fico ainda mais triste por perceber que o governo perdoou dívidas milionárias a empresas milionárias mas não perdoa tostões ao trabalhador.
Fico triste porque vi e vivi em situações laborais em que os que faziam gazeta e detestavam trabalhar eram beneficiados e estavam garantidos e os que trabalhavam e eram bem dispostos iam para a rua.
Não creio que alguma lei altere isso.

Recado:
INCENTIVO ao TRABALHADOR  = PRODUTIVIDADE

PS: Atenção para o PRIMEIRO parágrafo das leis. É que isto permite às entidades empregadoras fazer o que quiserem. ESPERO QUE A MEDIDA CONTEMPLE o DIREITO À PALAVRA do trabalhador, pois   vi muitos exemplos de pessoas trabalhadoras a serem coagidas a abandonar a empresa e vi demasiados corpos-moles com lugar vitalício garantido. A questão que coloco é: se a entidade patronal DESPEDIR um trabalhador por INADAPTAÇÃO, que é um CONCEITO, e um muito VASTO, o trabalhador poderá argumentar que se trata de uma mentira da empresa, uma injustiça porque não lhe foi dado um tempo de adequação ou aprendizagem, ou até que lhe impediram de exercer funções devidamente?

É que já vi e já vivi algumas coisas... Numa delas a pessoa encarregue de me orientar o trabalho nunca disponibilizava tempo para me despender os recursos indispensáveis para executar a tarefa. O prazo para a mesma a aproximar-se do fim e nem houve forma de dar início ao trabalho por não poder dispor das máquinas próprias. Na altura em que me dirigi à direcção para pedir que me cessassem o contrato de trabalho, esta nem pestanejou e até avançou que tinham existido problemas com o responsável. Ao que me abstive de comentar. Ou seja: eles todos sabiam bem o que se estava a passar. Era tudo fictício.

sábado, 30 de junho de 2012

Crise? Já não é de hoje!

Os noticiários e a Comunicação Social em geral não CESSAM de falar na CRISE.
Eis o que o noticiário da TVI, hoje, explica o que é a crise de acordo com os hábitos de consumo:

CRISE É:
1. Ir de Super-Mercado a Super-Mercado à procura dos produtos mais baratos.
2. Consumir produtos alimentares FRESCOS ao invés da comida embalada.
3. Cozinhar em casa ao invés de fazer alimentação em locais de restauração.
4. Esta "dieta orçamental" -diz a jornalista, fez também "emagrecer" o consumo de outros produtos: refrigerantes, batatas congeladas, sobremesas lácteas -  "são produtos que as pessoas já não consomem tanto"  - diz a entrevistada Madalena Bettencourt, Directora do Lidl. Que ainda acrescenta: "hoje em dia as pessoas vão mais vezes às compras, compram menos e preferem confeccionar as refeições em casa".
5. A jornalista "passeia" pelo supermercado e vai falando de percentagens de consumo nos primeiros 3 meses deste ano em comparação aos do ano passado. O consumo de alimentos até subiu ligeiramente, porque se compra mais, mas o que desce é a procura de BENS NÃO ALIMENTARES, e para o exemplificar, vai fazer entrevistas numa loja de electrodomésticos. E acrescenta:  aqui, como no sector dos têxteis, cultura e lazer, o ciclo de vida dos produtos aumentou. O novo só serve quando o velho realmente  já não serve.
6. Conclui-se a reportagem chegando à conclusão que o consumo está em queda-livre, o que vai ser fatal para algumas empresas e originar o desemprego.


Vamos reflectir...
1. Não consumir sobremesas lácteas... e que tal NENHUMA sobremesa previamente confeccionada? 
2. Não consumir comida enlatada, ou embalada previamente confeccionada... qual a novidade?
3. Ir de super-mercado a super-mercado em busca dos produtos mais baratos e comprar em função do preço... desde quando isso é hábito de agora?
4. O novo só serve quando o velho realmente já não serve... Qual é o mal disso? Pelo menos que esta "crise" sirva para reeducar os hábitos de excesso de consumo para onde nos estávamos a dirigir! Tanto consumo de produtos de plástico e têxteis para quê?
5. E acrescento: deixar o carro à porta de casa (ou nem o ter) e ter de se deslocar de transportes e a pé... que mal tem nisso?


Este contínuo mencionar da CRISE pelos media já enerva. 
Falam da Crise ECONÓMICA como se ela tivesse acabado de chegar, transformam-na em NOTÍCIA, como se fosse uma NOVIDADE recente. Mas agora descobri, graças a estas descrições pormenorizadas do que são os SINAIS da CRISE ECONÓMICA, que já vivo em CRISE faz quase DUAS DÉCADAS, não morri e ninguém alguma vez se lembrou de fazer tanto alarido disso. 

Em suma: descobri que afinal muitos já vivem em crise faz muito tempo e sobrevive-se! O que é esperançoso: não se morre disto. Crise, como alguém já disse, era noutros tempos, na altura dos nossos bisavós ou avós, quando passavam fome e escasseava comida nos lares da maioria da população, assim como vestuário, dinheiro no bolso ou mesmo um tecto para uma família morar. Enquanto a crise for adoptar hábitos mínimos de consumo e aumentar os de poupança, não se vive mal. Vive-se remediado, vive-se no que alguns chamam de pobreza, mas não se está em CRISE.


Todos estão a focar as suas atenções apenas na CRISE ECONÓMICA, quando devia-se era abordar a CRISE DE VALORES, a crise social. ESSA SIM, merece alguma reflexão. Será esta a que mais vai sofrer com as alterações económicas e dos hábitos de consumo, habituados que alguns estavam aos luxos, será esta a sofrer com o crescer do desemprego, com os maus salários... a crise SOCIAL está a cercar Portugal como um abutre a sobrevoar a carniça.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Centro(s) de Emprego




Há muitos anos atrás concluí que o Centro de Emprego em Portugal não VALIA NADA. Achei que era altamente DESMOTIVADOR e INÚTIL recorrer a esta instituição pública para tentar reverter uma situação indesejável: o desemprego. Anos depois a sensação mantém-se e NADA, absolutamente nada parece ter evoluído para que pudesse mudar de opinião.

Querem saber como foi para mim recorrer a um centro de Emprego no UK?

Muito, muito, mas mesmo muito MOTIVADOR.
Num centro destes no UK RESPIRA-SE emprego. Logo ao entrar, sente-se que se veio ao lugar certo. Uma pessoa fica de imediato OPTIMISTA.
O atendimento é simpático, igualmente optimista e sorridente.
Máquinas automáticas em fileira convidam-nos imediatamente a consultar todas as ofertas de emprego nacionais, divididas por áreas, TODAS as áreas, nenhuma fica excluída como acontece por cá.
Basta carregar num botão para IMPRIMIR as ofertas de emprego visualizadas, na quantidade que se desejar, não tem limites, é GRÁTIS e IMEDIATO, tão fácil com receber um talão da caixa multibanco.
Por aqui já faz MUITA DIFERENÇA. O utente começa logo aqui a ser ORIENTADO no caminho certo.
As ofertas incluem uma descrição minuciosa da função, sempre cuidadosamente dividida em direitos e deveres e onde surgem TODOS OS DADOS necessários, que incluem dados pessoais da entidade empregadora, contactos da empresa e salário oferecido, informação NUNCA OMITIDA como cá acontece.


E qual é o processo nos nossos CENTROS DE EMPREGO?

Em Portugal, vai-se a um centro de emprego meramente para constar numa base de dados e fazer parte de uma estatística.
É altamente DESMOTIVADOR só o espaço e o atendimento em si.
Não é DINÂMICO.
Na maioria das vezes o atendimento parece ser feito por zommbies.
Quem chega ao centro de emprego na hora de abertura, passados 10 a 15 minutos está a ver os funcionários que te vão atender ainda a entrar pela porta. Passados outros 10 minutos (para o cafezinho por suposto), esse funcionário faz o seu primeiro atendimento.
As ofertas de trabalho a consultar consistem no máximo em duas dúzias de papéis afixados numa parede, que poucos dados facultam. Recentemente verifiquei que já nem papéis afixados existem mais, só o vazio dos seus invólucros de plástico.
Algumas dessas poucas ofertas afixadas são desmotivadoras e até insultuosas, devido ao seu carácter exploratório*.
As máquinas automáticas para consulta de ofertas de emprego são, em quantidade, UMA.
E está fora de serviço. Exibe orgulhosamente um envelhecido papel onde se lê a palavra "AVARIADO".
Predomina o VAZIO. Um espaço vazio de ofertas, com cartazes coloridos com dizeres promissores mas com setas a apontar para o NADA.


Concluo que enganam o povo porque, nitidamente, o governo há décadas que não faz a MÍNIMA IDEIA do que anda a fazer. Não parece que saibam ORIENTAR o indivíduo, aproveitando as suas CAPACIDADES, valorizando-as. Cultiva-se e parece até que o que se quer são indivíduos passivos, resignados, que gostem de viver de subsídios. Num Centro de emprego em Portugal só servimos de estatística. O resto é pura ilusão e frustração.


- - - - - A PRIMEIRA VEZ - - - - - -

Querem saber como foi o meu primeiro contacto com um centro de emprego? Era estudante e pretendia um trabalho em part-time para conciliar com os estudos. Após explicar a situação, fizeram-me a inscrição e mandaram-me aguardar por um contacto via postal dos CTT, mas não antes de frisarem que, caso falhasse comparecer a uma entrevista, a inscrição seria imediatamente anulada. Após duas entrevistas numa das quais o indivíduo confidenciou que aquilo era uma mera formalidade exigida por lei para a empresa não perder o apoio económico do Centro e que já tinham a vaga preenchida, um dos postais não chegou à caixa de correio a horas (agora até fico a pensar se não existiu uma intenção por detrás da improbabilidade horária). Fui de imediato ao Centro de Emprego para explicar a situação e garantir o meu desejo de manter a inscrição. Mandaram-me aguardar. Depois chamaram-me para o gabinete porque ia ser atendida pela DIRECTORA do Centro. Esta directora disse-me que não ia renovar a minha inscrição porque "não era justo tirar trabalho a quem realmente precisa". E pronto: fui recambiada dali para fora pela própria directora de um centro de Emprego, que me disse que não tinha direito a um! Ainda hoje causa-me surpresa.


E é este o sistema que temos em Portugal. Há muito que tem um cancro que não é fácil de erradicar, mas também não identifico por parte do governo ou da própria instituição qualquer intenção de o erradicar. Faz muito, mas muito tempo, desde que me tornei cidadã activa, que percebi que o Centro de Emprego E FORMAÇÃO PROFISSIONAL é uma anedota. E por mais crédito que queira dar à instituição, por mais que reconheça que existem, decerto, profissionais empenhados e bons profissionais por ali, o que sempre vem ao de cima é a incompetência, a nulidade de todo este processo. A utilidade de um Centro de Emprego parece ser apenas uma: servir como fonte de estatística. O governo andou anos a manipular estes números, quer através da longevidade dos cursos universitários quer através de inúteis acções de formação a desempregados, que uma vez em formação, deixam de pertencer às estatísticas dos desempregados, por frequentarem cursos FINANCIADOS por verbas internacionais. Sem dúvida que o governo teve como objectivo na sua agenda retardar a entrada da juventude no mercado de trabalho. Parece ter forçado o indivíduo a assumir uma postura mais passiva e derrotista, forçando-lhe um sistema de espera inútil. Um sistema de ENGANO e decepção. Quis formar indivíduos passivos e dependentes de rendimentos subsidiados. Que agora as coisas estejam como estão era uma questão de tempo. Tudo isto era uma bolha de pus, pronta a arrebentar. Arrebentou!


* Uma vez encontrei num centro de emprego uma oferta em destaque onde o pretendido era recrutar de preferência jovens indivíduos para um trabalho sazonal no estrangeiro, com horário de sol a sol, advertência para a dureza da função, menção ao alojamento deficiente e em massa, de custo não incluído, por um salário miserável abaixo dos 500 euros. E indicava como "compensação" motivadora, a "atmosfera" do local, que era festiva! (só para os visitantes, está claro). E isto é PROMOVIDO pelo nosso centro de emprego!



sábado, 2 de junho de 2012

Uma história pessoal - parte 1

Há muito tempo, era eu adolescente, passei por uma pastelaria especializada em fazer uns croissants quentinhos que minha mãe adorava. Decidi fazer-lhe uma surpresa. Tinha comigo dinheiro suficiente para comprar somente a quantidade certa: um  croissant para minha mãe, outro para minha irmã e outro para mim.

Entrei na pastelaria e escolhi o sabor favorito de cada uma de nós. Eis que andavam por ali umas crianças ciganas que tinham o hábito de ir ter com as pessoas a pedir-lhes dinheiro para comida. Uma lá entrou e, sem grandes embaraços mas educadamente, começou a abordar as pessoas solicitando dinheiro, dizendo que tinha fome. Quando chegou a mim, disse-lhe que dinheiro não lhe dava mas que lhes comprava um croissant, se quisesse. O menino olhou para mim, depois para os colegas que ficaram fora da pastelaria, a espreitar para dentro com o rosto colado ao vidro e, percebendo o contentamento geral diz: Um para cada um de nós? Ao que lhe respondi: Não, não tenho dinheiro que chegue. Dou-te um bolo mas vais ter de o partilhar com os teus amigos. Ainda numa tentativa para ver se conseguia algo mais, o miúdo olha os dois croissants embrulhados em cima do balcão e sem embaraço pede-mos. Ao que respondi que não podia lhos dar, porque não eram para mim, eram para dar a outras pessoas. O miúdo consentiu e mantendo o interesse no croissant que lhe disse dar, perguntei-lhe que sabor ele e os amigos preferiam. Chocolate, claro...

Quando a empregada me entregou o bolo passei-o para as mãos do miúdo que, todo contente e eufórico como os amigos que ficaram no exterior, correu para fora da pastelaria com o croissant quentinho com recheio a chocolate nas mãos e já a dividir com os restantes, dispersando todos de seguida.

Provavelmente aquilo era normal para aquele bando, talvez pedissem moedas todos os dias por hábito, talvez nem tivessem mesmo fome, andavam sempre por ali a pedir e como aprenderam a não entrar todos ao mesmo tempo abordando as pessoas de uma forma inconveniente, mesmo que o dono ou os empregados da pastelaria se sentissem incomodados, ninguém os mandava sair. Costumava perceber a presença deles quando estava de passagem, até porque, quando um estabelecimento liberta um aroma tão convidativo como aquele, é irresistível para um adulto, quanto mais para crianças. A pastelaria estava sempre cheia e os croissants quentinhos sempre a sair. Habitualmente as pessoas não lhes davam dinheiro, até porque dizia-se que os pais ciganos não trabalhavam e punham as crianças a pedir, como se fosse uma profissão e depois recolhiam o dinheiro para si e não compravam comida. Normalmente a mendicidade das crianças   recebia como resposta um "não", ou acenava-se negativamente com a cabeça, ou mais recorrentemente, dizia-se apenas "não tenho dinheiro", ou "hoje não", etc.

Dinheiro também não ia dar, não sei o que fariam com ele. Não o considero ajuda, dinheiro não se come. Mas comida dava na boa. Nem pensei muito nisso, para ser sincera. Fi-lo com naturalidade. Como só tinha dinheiro para comprar 3 croissants, tomei a decisão consciente de prescindir daquele que seria para mim. Embora estivesse com uma fome gigantesca, podia sempre comer algo ao chegar a casa, não é? E por mais que salivasse por um daqueles croissants quentinhos com recheios saborosos, podia prescindir deles e contentar-me com uma carcaça com manteiga. Só não queria era deixar de surpreender minha mãe e irmã, levando-lhes aqueles croissants quentinhos com os seus recheios favoritos.

Tentei chegar a casa o mais rápido possível, visto que tinha de apanhar transportes. Só pensava nos  croissants, que não podiam esfriar, não tinham piada quando consumidos frios. Quando entrei, chamei-as até à cozinha e mostrei-lhes o que lhes tinha trazido. Estava toda entusiasmada e esperava vê-las a comer os croissants com deleite. Mas foi aqui que tive a minha surpresa, que foi a falta de entusiasmo delas. Sempre gostaram imenso dos croissants, mas não quiseram comê-los logo. Disseram que não tinham vontade, estavam cheias. E eu que corri para que os pudessem receber quentinhos. Fiquei mesmo surpresa com a aparente apatia que a minha surpresa suscitou.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Figuras ridículas na cegueira de uma obsessão

Já aqui se falou deste assunto mas está na altura de voltar a falar.
FUTEBOL e a selecção. Que paranóia é esta??

O que é que leva as pessoas a irem para a TV fazer figuras patéticas por causa disto?
OK, é altura de jogar a selecção mas é apenas um bom momento num desporto. Muitos outros passam pelo mesmo. O alarido é desproporcional e ridículo. E porquê quer isso dizer que têm de se transformar os portugueses em idiotas balbuciantes, cantantes e pulantes?

Lamentei não ter gravado no passado as figuras PATÉTICAS dos nossos pseudo-famosos a apoiar a selecção. Hoje carreguei no botão para apanhar uns cromozinhos para a posterioridade. A sério que acho tudo isto RIDÍCULO. Volto a dizer que deviam aplicar esta energia para contrariar a crise. Afinal, quem vai jogar são os jogadores, o povo fica na bancada! E o dinheiro que se gasta nestas m*rd@s?? E o aproveitamento comercial? Até BATATAS FRITAS estão a ser alvo de anúncio televisivo à pala do futebol e de uma personagem de uma novela... é nojento.

Usam até as crianças neste que é o DIA delas para falar de jogos de futebol... blhac!

Que opinião têm disto?

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Os pais discriminam os filhos. SIM ou NÃO?

É a verdade. Pronto, está dito.

Preferências entre filhos


Por observações que tenho feito, cheguei à conclusão que este "mito" é VERDADEIRO.

Os pais, de facto, são capazes de tratar um filho aparentemente beneficiando-o mais em relação a outro.

Mesmo entre as famílias que dizem "gostar por igual", o trato pode ser diferente.


A discriminação não quer dizer que gostem MAIS ou MENOS de um filho.

Mas SIGNIFICA muitas outras coisas e pode resultar também em diferentes resultados:


discriminação

1) Um pai/mãe que dê preferência de afectos a um filho e não a outro, vai fazer com que o último se sinta menos à vontade de os expressar. Será um indivíduo mais acanhado e reservado.

2) Um pai que prefira gritar mais com um filho do que com o outro, vai fazer com que o clima de tensão entre os dois esteja sempre presente.

3) Um pai que critica de forma desmotivadora as ambições de um filho, vai fazer com que este ponha em causa as suas capacidades.

4) Um pai que não ajude um dos filhos a conquistar as suas metas, compromete o seu futuro e felicidade.


Quero agora saber se concordam com esta (polémica) análise.

Não sendo ainda "pai" (sem ser postiço) mas tendo crianças na família, sei que gosto de AMBAS, cada uma na sua forma e conforme a vivência acumulada com cada uma. Não MAIS, não MENOS.


Como adultos, os pais

carregam uma bagagem emocional

Criança feliz

Mas cheguei a esta conclusão mais por observação alheia e também um pouco por experiência como filha. Por vezes o que falha na relação entre pais e filhos é apenas a COMUNICAÇÃO, que é defeituosa. Outras vezes é a noção que os pais têm de que a vontade deles tem de ser soberana e a razão nunca pode estar do lado da criança. Não é assim e se forem teimosos podem danificar para sempre a comunicação eficiente entre os dois. Um pai é uma AJUDA PRECIOSA para um filho, o amor de filho para com os pais é incondicional. Isso comprova-se pelo simples facto de se saber que crianças adoptadas que nunca conheceram os pais biológicos (e outras que não têm razões para desconfiar que o são e sentem-se estranhas e incompletas), ao longo da vida jamais deixam de pensar no assunto como algo que precisam de satisfazer. De resto tenho observado mães mais severas para determinados filhos, aos quais parecem descrever a terceiros só por base dos seus defeitos, enquanto que descrevem o segundo só com qualidades. O engraçado é que a mesma observação tem quase sempre provado que estas mães não distinguem assim tão bem quem tem mais o quê e, quando mais adultos, são sempre os filhos mais "maltratados" os que estão mais presentes, aqueles que se preocupam com mais autenticidade com os progenitores.


A questão está lançada. O que têm a acrescentar a este texto?

CONCORDAM ou DISCORDAM?