quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Nova lei do Trabalho

Segundo o telejornal da SIC de hoje, heis o novo código Penal de Trabalho, datado de 25 de Julho de 2012. A lei nº23 entra em vigor já na próxima quarta-feira. O que pensam?

1) Facilidade de despedimentos de um empregado por parte da empresa (ex: inadaptação ou quebra de produtividade)
2) Direito da empresa em reduzir o período normal de trabalho do trabalhador ou suspender o contracto de trabalho por motivos de "crise" empresarial
3) Indemnizações com direito ao salário de 20 dias por cada ANO de trabalho
4) Base de cálculo não pode ultrapassar 20 salários mínimos
5) Faltar sai do bolso do empregado e se este faltar em dias que servem para esticar o fim de semana pode CUSTAR ao trabalhador o valor de 4 dias de ordenado
6) Mais DUAS horas de trabalho por dia
7) Cortes para pagamento das horas extraordinárias para METADE do agora efectuado
8) Mais DUAS horas de trabalho por dia possíveis de ser exigidas e até 150h de trabalho POR ANO
9) Deixa de ser obrigatório o ENVIO por parte das empresas para a AUTORIDADE da CONDIÇÕES DE TRABALHO do mapa de horários
10) 22 dias de Férias ao invés 25 e MENOS 4 dias de feriados a gozar

O que EU acho disto?
Acho que é tudo muito bonitinho mas não vai adiantar de nada. Pessoalmente, e já o havia dito, estas alterações alguma vez fariam mossa naquele que até agora tem sido o meu percurso laboral. Assim como muitos outros portugueses, tratam-se de cortes em direitos e regalias que nunca tive ou delas fiz uso. 

Mas em relação ao que isto vai ajudar o país, acho que muito pouco ou NADA. Porque acredito piamente que o que faz o país AVANÇAR é o incentivo ao TRABALHADOR. Este  tem de ir feliz para o trabalho. Não pode ser o lado fragilizado de todo este processo, porque sem POVO, não existem trabalhadores. Por muito valor que tenham os graúdos, os pequeninos são a força de braço. E a exploração, a insegurança, o impedir as pessoas a iniciar-se na vida activa de poder constituir família em segurança económica, só PREJUDICA o PAÍS, faz diminuir a taxa de natalidade entre aqueles com mais formação e algum poder económico, vai transformar-nos num país com uma grande população de VELHOS E POBRES. 

Fico triste com estas perspectivas. 
Fico ainda mais triste por perceber que o governo perdoou dívidas milionárias a empresas milionárias mas não perdoa tostões ao trabalhador.
Fico triste porque vi e vivi em situações laborais em que os que faziam gazeta e detestavam trabalhar eram beneficiados e estavam garantidos e os que trabalhavam e eram bem dispostos iam para a rua.
Não creio que alguma lei altere isso.

Recado:
INCENTIVO ao TRABALHADOR  = PRODUTIVIDADE

PS: Atenção para o PRIMEIRO parágrafo das leis. É que isto permite às entidades empregadoras fazer o que quiserem. ESPERO QUE A MEDIDA CONTEMPLE o DIREITO À PALAVRA do trabalhador, pois   vi muitos exemplos de pessoas trabalhadoras a serem coagidas a abandonar a empresa e vi demasiados corpos-moles com lugar vitalício garantido. A questão que coloco é: se a entidade patronal DESPEDIR um trabalhador por INADAPTAÇÃO, que é um CONCEITO, e um muito VASTO, o trabalhador poderá argumentar que se trata de uma mentira da empresa, uma injustiça porque não lhe foi dado um tempo de adequação ou aprendizagem, ou até que lhe impediram de exercer funções devidamente?

É que já vi e já vivi algumas coisas... Numa delas a pessoa encarregue de me orientar o trabalho nunca disponibilizava tempo para me despender os recursos indispensáveis para executar a tarefa. O prazo para a mesma a aproximar-se do fim e nem houve forma de dar início ao trabalho por não poder dispor das máquinas próprias. Na altura em que me dirigi à direcção para pedir que me cessassem o contrato de trabalho, esta nem pestanejou e até avançou que tinham existido problemas com o responsável. Ao que me abstive de comentar. Ou seja: eles todos sabiam bem o que se estava a passar. Era tudo fictício.

sábado, 30 de junho de 2012

Crise? Já não é de hoje!

Os noticiários e a Comunicação Social em geral não CESSAM de falar na CRISE.
Eis o que o noticiário da TVI, hoje, explica o que é a crise de acordo com os hábitos de consumo:

CRISE É:
1. Ir de Super-Mercado a Super-Mercado à procura dos produtos mais baratos.
2. Consumir produtos alimentares FRESCOS ao invés da comida embalada.
3. Cozinhar em casa ao invés de fazer alimentação em locais de restauração.
4. Esta "dieta orçamental" -diz a jornalista, fez também "emagrecer" o consumo de outros produtos: refrigerantes, batatas congeladas, sobremesas lácteas -  "são produtos que as pessoas já não consomem tanto"  - diz a entrevistada Madalena Bettencourt, Directora do Lidl. Que ainda acrescenta: "hoje em dia as pessoas vão mais vezes às compras, compram menos e preferem confeccionar as refeições em casa".
5. A jornalista "passeia" pelo supermercado e vai falando de percentagens de consumo nos primeiros 3 meses deste ano em comparação aos do ano passado. O consumo de alimentos até subiu ligeiramente, porque se compra mais, mas o que desce é a procura de BENS NÃO ALIMENTARES, e para o exemplificar, vai fazer entrevistas numa loja de electrodomésticos. E acrescenta:  aqui, como no sector dos têxteis, cultura e lazer, o ciclo de vida dos produtos aumentou. O novo só serve quando o velho realmente  já não serve.
6. Conclui-se a reportagem chegando à conclusão que o consumo está em queda-livre, o que vai ser fatal para algumas empresas e originar o desemprego.


Vamos reflectir...
1. Não consumir sobremesas lácteas... e que tal NENHUMA sobremesa previamente confeccionada? 
2. Não consumir comida enlatada, ou embalada previamente confeccionada... qual a novidade?
3. Ir de super-mercado a super-mercado em busca dos produtos mais baratos e comprar em função do preço... desde quando isso é hábito de agora?
4. O novo só serve quando o velho realmente já não serve... Qual é o mal disso? Pelo menos que esta "crise" sirva para reeducar os hábitos de excesso de consumo para onde nos estávamos a dirigir! Tanto consumo de produtos de plástico e têxteis para quê?
5. E acrescento: deixar o carro à porta de casa (ou nem o ter) e ter de se deslocar de transportes e a pé... que mal tem nisso?


Este contínuo mencionar da CRISE pelos media já enerva. 
Falam da Crise ECONÓMICA como se ela tivesse acabado de chegar, transformam-na em NOTÍCIA, como se fosse uma NOVIDADE recente. Mas agora descobri, graças a estas descrições pormenorizadas do que são os SINAIS da CRISE ECONÓMICA, que já vivo em CRISE faz quase DUAS DÉCADAS, não morri e ninguém alguma vez se lembrou de fazer tanto alarido disso. 

Em suma: descobri que afinal muitos já vivem em crise faz muito tempo e sobrevive-se! O que é esperançoso: não se morre disto. Crise, como alguém já disse, era noutros tempos, na altura dos nossos bisavós ou avós, quando passavam fome e escasseava comida nos lares da maioria da população, assim como vestuário, dinheiro no bolso ou mesmo um tecto para uma família morar. Enquanto a crise for adoptar hábitos mínimos de consumo e aumentar os de poupança, não se vive mal. Vive-se remediado, vive-se no que alguns chamam de pobreza, mas não se está em CRISE.


Todos estão a focar as suas atenções apenas na CRISE ECONÓMICA, quando devia-se era abordar a CRISE DE VALORES, a crise social. ESSA SIM, merece alguma reflexão. Será esta a que mais vai sofrer com as alterações económicas e dos hábitos de consumo, habituados que alguns estavam aos luxos, será esta a sofrer com o crescer do desemprego, com os maus salários... a crise SOCIAL está a cercar Portugal como um abutre a sobrevoar a carniça.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Centro(s) de Emprego




Há muitos anos atrás concluí que o Centro de Emprego em Portugal não VALIA NADA. Achei que era altamente DESMOTIVADOR e INÚTIL recorrer a esta instituição pública para tentar reverter uma situação indesejável: o desemprego. Anos depois a sensação mantém-se e NADA, absolutamente nada parece ter evoluído para que pudesse mudar de opinião.

Querem saber como foi para mim recorrer a um centro de Emprego no UK?

Muito, muito, mas mesmo muito MOTIVADOR.
Num centro destes no UK RESPIRA-SE emprego. Logo ao entrar, sente-se que se veio ao lugar certo. Uma pessoa fica de imediato OPTIMISTA.
O atendimento é simpático, igualmente optimista e sorridente.
Máquinas automáticas em fileira convidam-nos imediatamente a consultar todas as ofertas de emprego nacionais, divididas por áreas, TODAS as áreas, nenhuma fica excluída como acontece por cá.
Basta carregar num botão para IMPRIMIR as ofertas de emprego visualizadas, na quantidade que se desejar, não tem limites, é GRÁTIS e IMEDIATO, tão fácil com receber um talão da caixa multibanco.
Por aqui já faz MUITA DIFERENÇA. O utente começa logo aqui a ser ORIENTADO no caminho certo.
As ofertas incluem uma descrição minuciosa da função, sempre cuidadosamente dividida em direitos e deveres e onde surgem TODOS OS DADOS necessários, que incluem dados pessoais da entidade empregadora, contactos da empresa e salário oferecido, informação NUNCA OMITIDA como cá acontece.


E qual é o processo nos nossos CENTROS DE EMPREGO?

Em Portugal, vai-se a um centro de emprego meramente para constar numa base de dados e fazer parte de uma estatística.
É altamente DESMOTIVADOR só o espaço e o atendimento em si.
Não é DINÂMICO.
Na maioria das vezes o atendimento parece ser feito por zommbies.
Quem chega ao centro de emprego na hora de abertura, passados 10 a 15 minutos está a ver os funcionários que te vão atender ainda a entrar pela porta. Passados outros 10 minutos (para o cafezinho por suposto), esse funcionário faz o seu primeiro atendimento.
As ofertas de trabalho a consultar consistem no máximo em duas dúzias de papéis afixados numa parede, que poucos dados facultam. Recentemente verifiquei que já nem papéis afixados existem mais, só o vazio dos seus invólucros de plástico.
Algumas dessas poucas ofertas afixadas são desmotivadoras e até insultuosas, devido ao seu carácter exploratório*.
As máquinas automáticas para consulta de ofertas de emprego são, em quantidade, UMA.
E está fora de serviço. Exibe orgulhosamente um envelhecido papel onde se lê a palavra "AVARIADO".
Predomina o VAZIO. Um espaço vazio de ofertas, com cartazes coloridos com dizeres promissores mas com setas a apontar para o NADA.


Concluo que enganam o povo porque, nitidamente, o governo há décadas que não faz a MÍNIMA IDEIA do que anda a fazer. Não parece que saibam ORIENTAR o indivíduo, aproveitando as suas CAPACIDADES, valorizando-as. Cultiva-se e parece até que o que se quer são indivíduos passivos, resignados, que gostem de viver de subsídios. Num Centro de emprego em Portugal só servimos de estatística. O resto é pura ilusão e frustração.


- - - - - A PRIMEIRA VEZ - - - - - -

Querem saber como foi o meu primeiro contacto com um centro de emprego? Era estudante e pretendia um trabalho em part-time para conciliar com os estudos. Após explicar a situação, fizeram-me a inscrição e mandaram-me aguardar por um contacto via postal dos CTT, mas não antes de frisarem que, caso falhasse comparecer a uma entrevista, a inscrição seria imediatamente anulada. Após duas entrevistas numa das quais o indivíduo confidenciou que aquilo era uma mera formalidade exigida por lei para a empresa não perder o apoio económico do Centro e que já tinham a vaga preenchida, um dos postais não chegou à caixa de correio a horas (agora até fico a pensar se não existiu uma intenção por detrás da improbabilidade horária). Fui de imediato ao Centro de Emprego para explicar a situação e garantir o meu desejo de manter a inscrição. Mandaram-me aguardar. Depois chamaram-me para o gabinete porque ia ser atendida pela DIRECTORA do Centro. Esta directora disse-me que não ia renovar a minha inscrição porque "não era justo tirar trabalho a quem realmente precisa". E pronto: fui recambiada dali para fora pela própria directora de um centro de Emprego, que me disse que não tinha direito a um! Ainda hoje causa-me surpresa.


E é este o sistema que temos em Portugal. Há muito que tem um cancro que não é fácil de erradicar, mas também não identifico por parte do governo ou da própria instituição qualquer intenção de o erradicar. Faz muito, mas muito tempo, desde que me tornei cidadã activa, que percebi que o Centro de Emprego E FORMAÇÃO PROFISSIONAL é uma anedota. E por mais crédito que queira dar à instituição, por mais que reconheça que existem, decerto, profissionais empenhados e bons profissionais por ali, o que sempre vem ao de cima é a incompetência, a nulidade de todo este processo. A utilidade de um Centro de Emprego parece ser apenas uma: servir como fonte de estatística. O governo andou anos a manipular estes números, quer através da longevidade dos cursos universitários quer através de inúteis acções de formação a desempregados, que uma vez em formação, deixam de pertencer às estatísticas dos desempregados, por frequentarem cursos FINANCIADOS por verbas internacionais. Sem dúvida que o governo teve como objectivo na sua agenda retardar a entrada da juventude no mercado de trabalho. Parece ter forçado o indivíduo a assumir uma postura mais passiva e derrotista, forçando-lhe um sistema de espera inútil. Um sistema de ENGANO e decepção. Quis formar indivíduos passivos e dependentes de rendimentos subsidiados. Que agora as coisas estejam como estão era uma questão de tempo. Tudo isto era uma bolha de pus, pronta a arrebentar. Arrebentou!


* Uma vez encontrei num centro de emprego uma oferta em destaque onde o pretendido era recrutar de preferência jovens indivíduos para um trabalho sazonal no estrangeiro, com horário de sol a sol, advertência para a dureza da função, menção ao alojamento deficiente e em massa, de custo não incluído, por um salário miserável abaixo dos 500 euros. E indicava como "compensação" motivadora, a "atmosfera" do local, que era festiva! (só para os visitantes, está claro). E isto é PROMOVIDO pelo nosso centro de emprego!



sábado, 2 de junho de 2012

Uma história pessoal - parte 1

Há muito tempo, era eu adolescente, passei por uma pastelaria especializada em fazer uns croissants quentinhos que minha mãe adorava. Decidi fazer-lhe uma surpresa. Tinha comigo dinheiro suficiente para comprar somente a quantidade certa: um  croissant para minha mãe, outro para minha irmã e outro para mim.

Entrei na pastelaria e escolhi o sabor favorito de cada uma de nós. Eis que andavam por ali umas crianças ciganas que tinham o hábito de ir ter com as pessoas a pedir-lhes dinheiro para comida. Uma lá entrou e, sem grandes embaraços mas educadamente, começou a abordar as pessoas solicitando dinheiro, dizendo que tinha fome. Quando chegou a mim, disse-lhe que dinheiro não lhe dava mas que lhes comprava um croissant, se quisesse. O menino olhou para mim, depois para os colegas que ficaram fora da pastelaria, a espreitar para dentro com o rosto colado ao vidro e, percebendo o contentamento geral diz: Um para cada um de nós? Ao que lhe respondi: Não, não tenho dinheiro que chegue. Dou-te um bolo mas vais ter de o partilhar com os teus amigos. Ainda numa tentativa para ver se conseguia algo mais, o miúdo olha os dois croissants embrulhados em cima do balcão e sem embaraço pede-mos. Ao que respondi que não podia lhos dar, porque não eram para mim, eram para dar a outras pessoas. O miúdo consentiu e mantendo o interesse no croissant que lhe disse dar, perguntei-lhe que sabor ele e os amigos preferiam. Chocolate, claro...

Quando a empregada me entregou o bolo passei-o para as mãos do miúdo que, todo contente e eufórico como os amigos que ficaram no exterior, correu para fora da pastelaria com o croissant quentinho com recheio a chocolate nas mãos e já a dividir com os restantes, dispersando todos de seguida.

Provavelmente aquilo era normal para aquele bando, talvez pedissem moedas todos os dias por hábito, talvez nem tivessem mesmo fome, andavam sempre por ali a pedir e como aprenderam a não entrar todos ao mesmo tempo abordando as pessoas de uma forma inconveniente, mesmo que o dono ou os empregados da pastelaria se sentissem incomodados, ninguém os mandava sair. Costumava perceber a presença deles quando estava de passagem, até porque, quando um estabelecimento liberta um aroma tão convidativo como aquele, é irresistível para um adulto, quanto mais para crianças. A pastelaria estava sempre cheia e os croissants quentinhos sempre a sair. Habitualmente as pessoas não lhes davam dinheiro, até porque dizia-se que os pais ciganos não trabalhavam e punham as crianças a pedir, como se fosse uma profissão e depois recolhiam o dinheiro para si e não compravam comida. Normalmente a mendicidade das crianças   recebia como resposta um "não", ou acenava-se negativamente com a cabeça, ou mais recorrentemente, dizia-se apenas "não tenho dinheiro", ou "hoje não", etc.

Dinheiro também não ia dar, não sei o que fariam com ele. Não o considero ajuda, dinheiro não se come. Mas comida dava na boa. Nem pensei muito nisso, para ser sincera. Fi-lo com naturalidade. Como só tinha dinheiro para comprar 3 croissants, tomei a decisão consciente de prescindir daquele que seria para mim. Embora estivesse com uma fome gigantesca, podia sempre comer algo ao chegar a casa, não é? E por mais que salivasse por um daqueles croissants quentinhos com recheios saborosos, podia prescindir deles e contentar-me com uma carcaça com manteiga. Só não queria era deixar de surpreender minha mãe e irmã, levando-lhes aqueles croissants quentinhos com os seus recheios favoritos.

Tentei chegar a casa o mais rápido possível, visto que tinha de apanhar transportes. Só pensava nos  croissants, que não podiam esfriar, não tinham piada quando consumidos frios. Quando entrei, chamei-as até à cozinha e mostrei-lhes o que lhes tinha trazido. Estava toda entusiasmada e esperava vê-las a comer os croissants com deleite. Mas foi aqui que tive a minha surpresa, que foi a falta de entusiasmo delas. Sempre gostaram imenso dos croissants, mas não quiseram comê-los logo. Disseram que não tinham vontade, estavam cheias. E eu que corri para que os pudessem receber quentinhos. Fiquei mesmo surpresa com a aparente apatia que a minha surpresa suscitou.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Figuras ridículas na cegueira de uma obsessão

Já aqui se falou deste assunto mas está na altura de voltar a falar.
FUTEBOL e a selecção. Que paranóia é esta??

O que é que leva as pessoas a irem para a TV fazer figuras patéticas por causa disto?
OK, é altura de jogar a selecção mas é apenas um bom momento num desporto. Muitos outros passam pelo mesmo. O alarido é desproporcional e ridículo. E porquê quer isso dizer que têm de se transformar os portugueses em idiotas balbuciantes, cantantes e pulantes?

Lamentei não ter gravado no passado as figuras PATÉTICAS dos nossos pseudo-famosos a apoiar a selecção. Hoje carreguei no botão para apanhar uns cromozinhos para a posterioridade. A sério que acho tudo isto RIDÍCULO. Volto a dizer que deviam aplicar esta energia para contrariar a crise. Afinal, quem vai jogar são os jogadores, o povo fica na bancada! E o dinheiro que se gasta nestas m*rd@s?? E o aproveitamento comercial? Até BATATAS FRITAS estão a ser alvo de anúncio televisivo à pala do futebol e de uma personagem de uma novela... é nojento.

Usam até as crianças neste que é o DIA delas para falar de jogos de futebol... blhac!

Que opinião têm disto?

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Os pais discriminam os filhos. SIM ou NÃO?

É a verdade. Pronto, está dito.

Preferências entre filhos


Por observações que tenho feito, cheguei à conclusão que este "mito" é VERDADEIRO.

Os pais, de facto, são capazes de tratar um filho aparentemente beneficiando-o mais em relação a outro.

Mesmo entre as famílias que dizem "gostar por igual", o trato pode ser diferente.


A discriminação não quer dizer que gostem MAIS ou MENOS de um filho.

Mas SIGNIFICA muitas outras coisas e pode resultar também em diferentes resultados:


discriminação

1) Um pai/mãe que dê preferência de afectos a um filho e não a outro, vai fazer com que o último se sinta menos à vontade de os expressar. Será um indivíduo mais acanhado e reservado.

2) Um pai que prefira gritar mais com um filho do que com o outro, vai fazer com que o clima de tensão entre os dois esteja sempre presente.

3) Um pai que critica de forma desmotivadora as ambições de um filho, vai fazer com que este ponha em causa as suas capacidades.

4) Um pai que não ajude um dos filhos a conquistar as suas metas, compromete o seu futuro e felicidade.


Quero agora saber se concordam com esta (polémica) análise.

Não sendo ainda "pai" (sem ser postiço) mas tendo crianças na família, sei que gosto de AMBAS, cada uma na sua forma e conforme a vivência acumulada com cada uma. Não MAIS, não MENOS.


Como adultos, os pais

carregam uma bagagem emocional

Criança feliz

Mas cheguei a esta conclusão mais por observação alheia e também um pouco por experiência como filha. Por vezes o que falha na relação entre pais e filhos é apenas a COMUNICAÇÃO, que é defeituosa. Outras vezes é a noção que os pais têm de que a vontade deles tem de ser soberana e a razão nunca pode estar do lado da criança. Não é assim e se forem teimosos podem danificar para sempre a comunicação eficiente entre os dois. Um pai é uma AJUDA PRECIOSA para um filho, o amor de filho para com os pais é incondicional. Isso comprova-se pelo simples facto de se saber que crianças adoptadas que nunca conheceram os pais biológicos (e outras que não têm razões para desconfiar que o são e sentem-se estranhas e incompletas), ao longo da vida jamais deixam de pensar no assunto como algo que precisam de satisfazer. De resto tenho observado mães mais severas para determinados filhos, aos quais parecem descrever a terceiros só por base dos seus defeitos, enquanto que descrevem o segundo só com qualidades. O engraçado é que a mesma observação tem quase sempre provado que estas mães não distinguem assim tão bem quem tem mais o quê e, quando mais adultos, são sempre os filhos mais "maltratados" os que estão mais presentes, aqueles que se preocupam com mais autenticidade com os progenitores.


A questão está lançada. O que têm a acrescentar a este texto?

CONCORDAM ou DISCORDAM?

domingo, 13 de maio de 2012

Descriminação ao que vem de Lisboa




Como o nome neste blogue diz, sou de Lisboa. Sou uma “Alfacinha de Portugal”. Mas quando tive de complementar os estudos no ensino superior, fui parar a outra localidade. Foi preciso chegar ao último dia de muitos anos de curso para descobrir o seguinte:

Colega:Ah, tu até és uma pessoa simples e simpática. Eu pensei que eras um tanto arrogante.”
Eu:Ah? Porquê?”
Colega:Ah, por nada. Foi uma impressão que tive. Não fiques chateada”.
Eu:Não me chateio. Mas de onde tiraste essa ideia?”
Colega: Porque na primeira vez que nos conhecemos disseste que eras de LISBOA de uma maneira… olha que não fui só eu a pensar assim. Muitos acharam o mesmo.“Mas afinal não és nada disso” -  diz ela, acrescentando ainda que outras pessoas a quem tinha em alta conta afinal desiludiram e provaram não serem boas pessoas.  

Depois de matutar neste diálogo, percebi que ao longo de todos aqueles anos houve pessoas com quem me relacionei que mantinham uma “muralha” erguida, uma postura impenetrável. Aqueles que não se riam, que não mostravam interesse em me conhecer melhor ou que se mostravam extremamente desagradados por me dar com outras de quem já gostavam… Estas pessoas decidiram logo ali: «não gosto desta miúda» e ficou assim. Não por mim, mas por eu ser de Lisboa. A capital, a grande cidade, o lugar das oportunidades… e estava ali. "A fazer o quê?"  -  perguntaram alguns em verdadeiro espanto. Ser de Lisboa passou a ser um fardo, ainda que não o entendesse totalmente, alturas existiram em que senti alguma hostilidade, que não pensei dirigida a mim em particular, mas pelos vistos era. Depois deste diálogo as coisas ficaram mais claras. Como peças de um puzzle que finalmente se encaixam. Todas as vezes que ouvi “Em Lisboa há de tudo, aqui não há nada”, lá vinha um olhar penetrante como uma navalha.  “Tu tens sorte porque és de Lisboa”, "Fui poucas vezes a Lisboa, é um tanto confuso e tem muita gente mas gostava de morar lá".

Eu nunca me vi diferente de nenhum deles. Podia ser dali ou do estrangeiro, para mim era tudo igual. A naturalidade ou as posses materiais não são, para mim, motivo de descriminação. Que maluquice! Esse preconceito vinha deles, de alguns deles, que, no fundo, dão razão àquela expressão: “quem desdenha quer comprar”. Soube depois que muitos desses que tanto mal falaram e tanto cobiçaram, mudaram-se para Lisboa assim que puderam. E sem olhar para trás! Querem lá saber das raízes… Contudo, duvido que não continuem portadores do vírus da «mentalidade tacanha», que tanto lhes pautou o comportamento e a razão. Eu julgava que a ideia que um provinciano faz de alguém da capital era um mito, deitado abaixo, ainda mais entre estudantes universitários à beira da viragem do século. Mas senti na pele que não. Havia mesmo quem acreditasse, sem sequer ouvir uma palavra da minha boca ou me conhecer, que era arrogante e que tinha a mania, porque era natural de Lisboa. Mais tarde vim a descobrir que a reputação dos oriundos daquela região também não é das melhores… Mas na altura isto não era sequer uma coisa que me passasse pelo pensamento. Tenho sérias dúvidas que pessoas assim mudem. O preconceito carregam-no dentro de si, o sentimento de inferioridade e exclusão também. Façam o que fizerem, será sempre meio-autêntico, meio-falso, porque o que lhes interessa é o status e a aparência. Custe o  que custar.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Puppy Love

Lembram-se da primeira vez?
Do primeiro amor?


A entrada na adolescência é a fase embrionária de todo um rol de emoções novas. Quando ainda somos crianças, de 8, 10, 12 anos e vemos nascer uma atracção emocional por alguém, que é diferente de outras emoções alguma vez sentidas, chama-se a isso puppy-love.
Ou seja: é um amor inocente e casto, porém diferente daquele que até então havíamos sentido no nosso já "longo" tempo de vida na Terra. É aquele que vai abrir caminho, pouco a pouco, para mais emoções fortes.


Neste momento tenho na família crianças que começam a despertar para o puppy-love! Como quase sempre acontece, o alvo de tanta adoração ou é um jovem cantor(a) ou ator(iz). Na minha geração os miúdos eram doidos pela Madonna, as miúdas pelo DiCaprio, eu fui um pouco diferente... Mas a verdade é que começa aqui uma nova fase na maturidade de uma pessoa. É o inicio para algo maior, uma transição importante e que precisa de ser bem gerida e discretamente acompanhada para que o indivíduo possa crescer da forma mais saudável possível. Porque com o puppy-love surge também o primeiro coração partido, a primeira tormenta... LOL! Com sorte, passa sem ferir e uma nova fase se seguirá.


Como foi o seu primeiro Puppy-Love?

Escrevo este post na esperança de ver aqui partilhada algumas boas histórias!